GRANDES FIGURINISTAS DO CINEMA CLÁSSICO DE HOLLYWOOD II

January 16, 2013

O primeiro figurinista importante da Paramount foi Howard Greer (1896-1974). Ele nasceu em Rushville, Illinois, formou-se na University of Nebraska em 1916 e começou sua carreira no ateliê da estilista britânica Lucille (Lucy Christiana, Lady Duff Gordon), primeiro na sua sucursal de Chicago e depois na de Nova York. Depois de prestar o serviço militar na Primeira Guerra Mundial, ele pediu para dar baixa em Paris –  onde  se reconectou com Lucille.

Em 1921, Greer voltou para Nova York. Após desenhar alguns trajes para o teatro, recebeu a oferta de um emprego em Hollywood na Famous-Players-Lasky (depois Paramount).  Ele desenhou (em colaboração com Claire West) para o filme Os Dez Mandamentos / The Ten Commandements /1923 de Cecil B. DeMille e para filmes estrelados por Pola Negri, Bessie Love, Jetta Goudal, Anna Q. Nilsson. Em 1925, tornou-se o figurinista-chefe do estúdio.

Em 1927, quando seu contrato com a Paramount terminou, Greer abriu um ateliê em Hollywood, cuja clientela incluía atrizes do cinema e damas da alta sociedade. Segundo David Chierichetti (Hollywood Costume Design. Studio Vista, 1976), uma de suas grandes qualidades era a capacidade de compreender a personalidade vibrante das estrelas e traduzí-la nas roupas. Os vestidos de Greer para as clientes particulares levavam semanas para serem confeccionados, requeriam provas frequentes, eram muito bem acabados e notoriamente caros.

Até 1952, Greer continuou a prestar serviços para vários estúdios como free-lancer, destacando-se suas criações para Mary Pickford (Coquette / Coquette / 1929), Katharine Hepburn (Levada da Breca / Bringing Up Baby / 1938) e Irene Dunne (Minha Esposa Favorita / My Favorite Wife / 1940.

A Paramount ganhou um outro grande figurinista quando, Travis Banton (1894-1958), foi chamado para desenhar as roupas do filme  A Melhor Modista de Paris / The Dressmaker from Paris / 1925. Banton nasceu em Waco, Texas, mas foi educado em Nova York na Columbia University e na Art  Students League.  Ele fez seu aprendizado de moda com a famosa Madame Frances e atingiu certa celebridade por ter Mary Pickford escolhido um vestido de noiva que ele havia feito para o seu casamento secreto com Douglas Fairbanks.

Howard Greer e Travis Banton dividiram os compromissos da Paramount entre eles durante 1925 e 1926. Quando Greer deixou o estúdio, Banton tornou-se muito poderoso e um novo contrato, assinado em 1929, deu-lhe autoridade absoluta sobre as atrizes, que não tinham escolha senão vestir o que ele escolhia. ”Banton era um Deus lá”, disse Edith Head, “ninguém ousava se opor a ele em nada, inclusive no que dizia respeito aos orçamentos”.

Entretanto, Banton conseguia sempre convencer as atrizes a adotar seu estilo e gostar de suas roupas. A única exceção foi Clara Bow. Como informou Chierichetti, Clara encantava Banton, mas ele lamentava a sua total falta de interesse por moda. Banton argumentava em vão que, os tipos de mulher da alta sociedade, que ela estava interpretando na tela, não se vestiam daquela forma. Banton desenhou  para Clara, notadamente em O “Não Sei Quê” das Mulheres / It / 1927, mas, quando Clara começou a engordar, Banton desistiu, deixando-a aos cuidados de Edith Head.

Banton criou o precursor do chapéu capacete do final dos anos vinte, quando persuadiu Evelyn Brent e Louise Brooks a usar chapéus justos, dos quais ele removeu as abas que sombreavam os seus rostos bem como outros detalhes, a fim de mostrar suas cabeças e pescoços lindos. Todavia, os vestidos para as grandes beldades dos anos vinte foram meros exercícios de aquecimento, pois a fama principal de Banton repousa nos seus inigualáveis desenhos elegantes dos anos trinta.

O que distinguia Banton dos outros top designers desse período era a sua concentração sobre o corpo feminino, que ele vestia de uma maneira simples, acentuando integralmente toda a sua beleza natural. Com extraordinária percepção, Banton vislumbrava o que cada mulher tinha de especial tanto no seu corpo como na sua mente e explorava essas qualidades.

Carole Lombard era apenas uma mocinha bonita quando chegou na Paramount, mas as roupas de Banton a transformaram. Lombard usava tudo o que ele fizesse e só via o vestido, quando estava pronto para a primeira prova. Sempre se manteve fiel a Banton e deixou claro que nunca aceitaria outro figurinista. As outras estrelas de Banton eram, em graus variados, mais difíceis de se lidar.

Claudette Colbert tinha idéias bastante exatas de como deveria ser vestida e fotografada. Ela havia providenciado o seu próprio guarda-roupa para seus primeiros filmes e, quando conheceu Banton, entregou-lhe uma longa lista de materiais e estilos que não poderia vestir. Felizmente Banton reconheceu e respeitou o intenso perfeccionismo de Claudette, que se estendia a todos os aspectos de sua profissão.

Banton sempre teve um bom relacionamento de trabalho com Mae West. Para Mae, a fórmula era simples, “Diamantes – grande quantidade deles, e chapéus enormes, boás de penas, estolas de pele de raposa, entremeios longitudinais de material leve, para fazer com que ela parecesse mais magra”.

Os filmes que Josef von Sternberg fêz com Marlene Dietrich, inspiraram as criações mais imaginativas do figurinista. Enquanto estava trabalhando com ela no seu primeiro filme americano, Marrocos / Morocco / 1930, Banton descobriu o segredo da personalidade de Dietrich: sua disciplina incrível. Muitos vestidos não estavam prontos quando a filmagem começava e, como Sternberg costumava filmar principalmente à tarde, Banton tinha que agendar as provas para meia-noite e trabalhar até de madrugada. Dietrich chegava exausta, mas determinada a não dispensar as costureiras, até que cada prega tivesse sido alisada.

Em Marrocos, e também em outros filmes, Banton criou trajes masculinos sexualmente atraentes, para captar a ambiguidade de Marlene. Ninguém se esquece dela vestida de smoking naquele número de cabaré, beijando uma mulher na boca  e depois entregando a rosa ao legionário (Gary Cooper).

Em A Imperatriz Galante / The Scarlet Empress / 1934, Banton desenhou para Dietrich vestidos com saias de crinolina bem largas muito enfeitadas e a cobriu (assim como todo o resto do elenco) de peles, cumprindo ordens de Adolph Zukor, que havia sido peleiro e pensava que isto poderia ajudar o respectivo comércio. Tal determinação foi muito apropriada para o clima do filme.

A última produção Sternberg-Dietrich, Mulher Satânica / The Devil is a Woman / 1935, continha os trajes mais estranhos e belos que Banton desenhou em toda a sua carreira. Ainda mais inventivo com os motivos hispânicos do que A Imperatriz Galante havia sido com os motivos russos, Mulher Satânica fez uso constante de rufos de seda preta salpicados de lantejoulas, cravos brancos e vermelhos na cabeça da atriz, entremeios longitudinais de renda nas suas meias, pentes e franjas no cabelo e cachinhos na  testa. Cada plano de Marlene na tela era um deslumbramento visual.

Já os dois últimos filmes para Dietrich, Desejo / Desire / 1936 e Anjo / Angel / 1937, apresentavam histórias que requeriam vestidos modernos, mais “contidos”.  Em Desejo, salientava-se  aquele blazer azul com ombreiras e cravo na lapela, camisa masculina, saia de linho branca e sapato bicolor.

Como resumiu Chierichetti, a obra de Banton era de uma alta qualidade quase uniforme e ele vestiu as outras atrizes da Paramount dos anos trinta com beleza, gôsto e comedimento.

Entretanto, Banton bebia muito e algumas vezes passava dias passeando nos bondes de Los Angeles. Noutras vezes, ele aparecia inexplicavelmente em San Francisco e Chicago. Foi graças ao seu brilho como artista, que ele conseguiu segurar seu emprego por tanto tempo.

Mas o figurinista foi se tornando cada vez mais arrogante. Quando era advertido pelo estúdio,  respondia que gostaria de ser despedido, para que pudesse ganhar mais dinheiro como free-lancer e desenhando coleções no seu próprio ateliê como Howard Greer. Então, quando o contrato de Banton expirou em março de 1938, o estúdio decidiu que não precisava mais dele.


Depois que saiu da Paramount, Banton abriu seu próprio ateliê e desenhou para a 20th Century-Fox de 1939-1941 e para a Universal de 1945 a 1948. São desse período os vestidos feitos para Alice Faye em A Bela Lillian Russell / Lillian Russell / 1940, para Carmen Miranda em Serenata Tropical / Down Argentine Way / 1940, para Linda Darnell em A Marca do Zorro / The Mark of Zorro / 1941,  para Linda Darnell e Rita Hayworth em Sangue e Areia / Blood and Sand / 1941, para Kay Francis em  A Tia de Carlito / Charley’s Aunt / 1941, para Merle Oberon em A Noite Sonhamos / A Song to Remember / 1944, para Joan Bennett em Almas Perversas / Scarlet Street / 1945, para Joan Fontaine em Carta de uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman / 1948 etc.

No outono de 1938, Edith Head (Edith  Claire Posener, 1897-1981) era a nova figurinista-chefe da Paramount. Ela nasceu em San Bernardino, Califórnia, diplomou-se como bacharel em letras com distinção em francês pela University of California e fêz o mestrado de línguas neo-latinas na Stanford University. Edith começou sua vida profissional ensinando línguas na Bishop’s School em La Jolla e, um ano depois,  assumiu o cargo de professora de francês na Hollywood School for Girls. Desejando aumentar seu salário, matriculou-se nos cursos da Otis Art Institute e da Chouinard Art School, ambas em Los Angeles.

Sua carreira cinematográfica teve início no verão de 1923, quando Howard Greer colocou um anúncio no jornal à procura de desenhistas de croquis para o Departamento de Guarda-Roupa da Paramount. Com conhecimentos rudimentares de desenho, Edith pediu emprestado os croquis de algumas de suas colegas da Chouinard e os apresentou, juntamente com os seus, na entrevista. Ela foi imediatamente aprovada por Greer, que ficou encantado com a sua versatilidade, sem saber que os desenhos haviam sido criados por várias artistas.

Para a sequência do “Baile dos Doces” em A Cama de Ouro / The Golden Bed / 1925 de Cecil B. DeMille, Edith desenhou os vestidos das mulheres enfeitados com chocolate e outros doces de verdade. Quando a câmera começou a rodar, as luzes fortes dos refletores começaram a derreter o chocolate e a produção teve que ser interrompida. Noutra ocasião, o diretor Raoul Walsh  teve que parar a filmagem de Babilônia ou O Filho Pródigo / The Wanderer / 1925, quando um elefante começou a comer uma coroa de flores e frutas, que Edith havia desenhado, para adornar o paquiderme. Assim, Edith foi adquirindo experiência como assistente, primeiro de Howard Greer e depois de Travis Banton, até firmar sua reputação como figurinista nos anos trinta.

Sua grande chance surgiu quando Banton entregou Clara Bow aos seus cuidados em  Asas / Wings / 1927. Clara e Edith se deram muito bem imediatamente. Ao contrário das estrelas que tinham vindo de ambientes pobres e exigiam os melhores figurinistas do estúdio, para fortalecer os seus egos, Clara não viu nenhum problema em trabalhar com a assistente de Banton. Mas Edith ficou desapontada ao saber que Clara, interpretando o papel de uma motorista de ambulância, teria de usar uniforme do exército durante quase todo o filme. O trabalho de Edith consistiu apenas em desenhar uniformes verossímeis aos usados pelo exército na época.

Quando Banton assumiu o posto de figurinista-chefe, ele confiou a Edith a responsabilidade de desenhar os trajes para os personagens secundários de todos os filmes “A” e “B” produzidos pelo estúdio. As roupas dos homens costumavam sair do estoque, no caso de filmes de época ou eram compradas nas lojas, se fossem contemporâneas. Alguns atores eram até solicitados a usar suas próprias roupas. Porém, se algo especial se fazia necessário, Edith intervinha.

Ela aprendeu muito, observando o trabalho de Banton. Ele era um mestre em usar as texturas, em adornar os vestidos com peles. “Nós tínhamos uma fórmula para o designing, que era ‘faça-o parecer o mais artificial, bizarro e incomum que você puder’, Edith disse. “Certifique-se de que ele não se pareça com algo que você possa comprar em uma loja. Certifique-se de que as pessoas vão ficar extasiadas ao vê-lo.”

Edith mantinha um bom relacionamento com as atrizes para as quais trabalhava, porém às vezes surgiam alguns aborrecimentos. Nancy Carroll era uma estrela popular da Paramount, conhecida por seu temperamento difícil. Durante uma prova com Edith para Seis Dias de Amor / The Woman Accused / 1933, as duas se desentenderam tão acaloradamente sobre um vestido, que Carroll o tirou, rasgando-o, e pisando sobre dele. Edith cedeu e fez outro vestido para Carroll, mas decidiu que doravante não iria mais impor sua vontade energicamente sobre qualquer atriz. Ela começou a desenhar múltiplos croquis para a mesma cena e a permitir que a atriz escolhesse o que achava melhor.

Os deveres de Edith no departamento foram aumentando a medida em que mais filmes eram produzidos, obrigando-a a fazer trajes para variados gêneros. Em um desses filmes, uma aventura na Malásia intitulada Princesinha das Selvas / The Jungle Princess / 1936, ela desenhou o sarong para a princesa antes de ter sido escolhido o elenco. Cerca de duzentas candidatas ao papel foram testadas, até que uma cantora e Miss New Orleans chamada Dorothy Lamour aparecesse. A cor de pele morena e a aparência exótica de Dorothy eram exatamente o que o sarong precisava e ela foi contratada. O filme de orçamento barato foi um sucesso comercial incrível e deu a Edith uma grande publicidade como figurinista. Sarongs e roupas inspiradas no sarong começaram a ser confeccionadas e vendidas nas lojas em todo o país. Por acréscimo, Edith estabeleceu uma forte amizade com a jovem Lamour, que foi ganhando mais poder no estúdio  enquanto sua fama subia. A Paramount providenciaria muitos scripts nos próximos dez anos, que iriam manter Dorothy vestindo sarongs e Edith desenhando-os.

A estrela que finalmente deu um grande impulso na carreira de Edith Head foi Barbara Stanwyck em As Três Noites de Eva / The Lady Eve / 1941. Até então, Stanwyck vinha interpretando papéis que não necessitavam de vestidos de alta costura. O corpo de Stanwyck, esbelto, com uma postura perfeita, era mais bem feito do que a maioria de suas colegas contemporâneas, embora ela tivesse uma cintura larga e um derrière baixo. Edith, agora já como figurinista-chefe da Paramount, enfrentou esse problema levantando a cintura até abaixo do busto, alargando o cós e aumentando as mangas. Ciente de que os motivos espanhóis estavam em evidência nos últimos meses antes de a América entrar na guerra, Edith sabiamente usou-os na maior parte do vestuário de As Três Noites de Eva e os resultados foram sensacionais. Roupas latino-americanas varreram o país. Edith havia lançado uma tendência de largo alcance e pela primeira vez Stanwyck foi vista como uma pessoa sofisticada. Ela  adorou isso e insistiu para que Edith desenhasse todos os seus trajes nos seus futuros filmes, tendo a figurinista sido emprestada para vários estúdios, a fim de atender a solicitação da estrela.

Nos anos quarenta, Edith continuou confeccionando roupas para Dorothy Lamour e Barbara Stanwyck e vestiu também, com destaque, Veronica Lake, Ginger Rogers, Ingrid Bergman, Betty Hutton, Loretta Young , Olivia de Havilland, Joan Fontaine e Hedy Lamarr.

A maior parte das melhores criações de Edith Head  foi realizada na década de cinquenta, quando o glamour e a alta-costura eram a tônica principal do desenho de modas. Entre as imagens duradouras que os seus desenhos ajudaram a promover estavam a de Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard / 1950, Bette Davis em A Malvada / All About Eve / 1950, Elizabeth Taylor em Um Lugar ao Sol / 1951, Grace Kelly em Janela Indiscreta  / Rear Window / 1954 e Ladrão de Casaca / To Catch a Thief / 1955 e Audrey Hepburn em A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday / 1953 (obs. Edith aceitou o Oscar por Sabrina / Sabrina / 1954 mas, na verdade, ela foi apenas figurinista-supervisora, tendo sido Hubert de Givenchy o verdadeiro criador dos vestidos de Audrey Hepburn), sem esquecer que ela cuidou também da silhueta de Rosemary Clooney, Jane Wyman, Anne Baxter, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, Sophia Loren, Doris Day e Kim Novak.

Em Crepúsculo dos Deuses, Gloria Swanson interpretava uma estrela do cinema mudo em decadência, vivendo de memórias. Edith disse que baseou seu guarda-roupa no que Swanson havia vestido nos seus dias de glória. “Fizemos os testes, mas Miss Swanson se projetava na tela tal como vinte anos atrás. Quando entrou em cena vestindo um roupão de jérsei com uma sobre-saia feita de um tecido imitando pele de leopardo – ali estava ela, de forma alguma alguém que já era”.

Em outra recordação, Edith revelou que o célebre vestido que Bette Davis usou na grande cena da festa em A Malvada, foi um acidente. ”Meu desenho original tinha um decote quadrado e um corpete justo. Como trabalhavamos com prazos apertados, o vestido foi feito na noite anterior ao dia em que Bette deveria usá-lo. Cheguei bem cedo ao estúdio no dia da filmagem, para me certificar de que o vestido estava pronto para a câmera. Alí estava Bette mirando-se no espelho. O vestido não lhe caiu bem. Alguém havia calculado mal e o corpete e o decote eram muito grandes”. Uma mudança poderia atrasar a filmagem e Edith disse a Bette para não se preocupar, porque ela mesma iria contar ao diretor Joe Mankiewicz o que havia acontecido. “Quando estava quase chegando à porta, Bette me pediu para dar meia volta e olhar. Ela colocou os ombros à mostra, balançou um dos ombros sensualmente e disse: ‘Afinal, você não acha que ele fica melhor assim?’”

Um Lugar ao Sol, filmado em 1949, mas só lançado em 1952, mostrou que Edith podia prever a moda futura. Ela desenhou um vestido de noite sem alça para Elizabeth Taylor que se tornou a última moda, quando o filme finalmente chegou às telas. O bustié era coberto por aplicações de violetas brancas e a saia composta por várias camadas de tule branco também salpicadas de violetas. A Paramount expôs o vestido em lojas de departamento por todo o país e foram vendidas tantas cópias que um crítico de moda comentou: “Vá a qualquer festa neste verão e você verá pelo menos dez deles”.

Em Janela Indiscreta, Edith pôde desenhar o guarda-roupa que sempre sonhara para Grace Kelly, que iria interpretar o papel de Lisa Fremont, uma próspera modelo de Nova York. Desde a primeira cena do filme, Hitchcock queria que o público soubesse imediatamente que Lisa era uma mulher oriunda de um ambiente de riqueza. Edith desenhou uma blusa preta justa no corpo com decote no ombro e uma saia de chiffon com um enfeite em forma de ramo nos quadrís. Grace usou o vestido com um cinto de couro preto, luvas brancas ¾ e um colar de pérolas e encantou a todos com seu charme e elegância.

Entretanto, o vestido de Lisa era bem simples comparado ao esplendoroso vestido de baile que Grace usou em Ladrão de Casaca, com uma saia-balão de lamé adornada com dois enfeites na forma de pássaros na altura da cintura e um outro na cabeça. Hitchcock havia instruído Edith para vestir Grace como uma “princesa de conto de fadas” e foi isso que ela fêz. Aliás, todos os vestidos que Edith desenhou para este filme são lindíssimos, ficando muito difícil dizer qual o mais bonito.

Quando a Paramount foi vendida em 1967, Edith tornou-se a figurinista-chefe da Universal Pictures, exercendo esta função até a sua morte. Nesse período, ela também prestou serviços para outros estúdios, espetáculos teatrais, rádio, televisão e companhias comerciais, além de escrever para revistas de moda e publicar dois livros.

Em 25 de julho de 1925, Edith casou-se com Charles Head, irmão de uma de suas colegas na Chouinard Scholl. O casamento acabou em divórcio em 1936 após vários anos de separação mas ela continuou sendo conhecida como Edith Head até o fim de seus dias.  O casamento de Edith com o diretor de arte Wiard Ihnen, em 8 de setembro de 1940, durou até a morte dele em 1979.

Na sua longa carreira de quase seis décadas, estima-se que Edith contribuiu  para cerca de 1000 filmes. Ela ganhou 8 estatuetas da Academia (por Tarde Demais / The Heiress/ 1949, Sansão e Dalila / Samson and Delilah / 1949, A Malvada / All About Eve / 1950, Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun / 1951, A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday / 1953, Sabrina / Sabrina / 1954, O Jogo Proibido do Amor / The Facts of Life / 1960 e Golpe de Mestre / The Sting / 1973, entre 35 indicações. E se a categoria de Melhor Figurino tivesse sido criada antes de 1948, ela certamente teria recebido mais algumas indicações.

Sua longevidade, produtividade, seus toques de gênio e seu talento para se auto-promover, garantiram-lhe um status de celebridade raro entre os profissionais de sua área em Hollywood.

4 Responses to “GRANDES FIGURINISTAS DO CINEMA CLÁSSICO DE HOLLYWOOD II”

  1. Olá AC, muito interessante esta matéria … a última parte sobre Edith Head é espetacular !
    Aproveitando, um dia o Senhor poderia escrever uma linhas sobre o mestre Albert whitlock, fica a minha humilde dica !
    Abraços … Éder Fonseca / Porto Alegre – RS.

  2. Olá Éder. Albert Whitlock, “The Master of Illusion”, grande mestre do matte, colaborador emérito de Hitchcock, é uma boa lembrança.

  3. […] Fonte da imagem: Histórias de Cinema […]

  4. Obrigado pela visita. Belo blog o seu. Parabéns.

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