O FILME PARA A FAMÍLIA NO CINEMA AMERICANO 1930-1960

January 11, 2016

No período silencioso do cinema americano, alguns filmes poderiam ser considerados filmes para toda a família, tal como o entendemos hoje, co por exemplo, os filmes de Mary Pickford, as comédias de Charles Chaplin ou Harold Lloyd, os westerns de Tom Mix, os curta-metragens da série Os Peraltas / Our Gang de Hal Roach (1922-1944), os seriados – mas eles não foram realizados com esse fim específico.

Mary Pickford

Mary Pickford

Foi somente nos anos 30, após o enrijecimento do Código Hays, levado a efeito pela MPPDA para pôr fim aos excessos cometidos nos filmes no início do cinema falado, foi que a indústria cinematográfica americana “inventou” estrategicamente um tipo especializado de filme de longa-metragem destinado para “as famílias”; um filme que podia ser desfrutado por toda a família conjuntamente e que continha pouco ou nenhum conteúdo violento ou sexual.

Os Peraltas

Os Peraltas

A sobrevivência de Hollywood nessa época de uma auto censura fortalecida dependia muito do êxito de suas tentativas de provar que havia amadurecido como uma respeitável e socialmente consciente instituição “familiar”. No decurso de várias décadas, Hollywood engendrou o termo, tornando-o uma marca altamente lucrativa porque, além do fator moral, havia também um interesse comercial: garantir uma base consumidora mais ampla.

Cena de As Aventuras deTom Sawyer

Cena de As Aventuras deTom Sawyer

familia skippy posterNo início do cinema sonoro os filmes com temas adultos predominavam no esquema de produção das principais companhias. Nessa ocasião, houve uma tentativa de atrair as platéias infanto-juvenís com os chamados kiddie films. O chefe de produção da Paramount, B.P. Schulberg saiu ao encalço dos espectadores adolescentes lançando As Aventuras de Tom Sawyer / Tom Sawyer / 1930, Skippy / Skippy / 1931, Mocidade Feliz / Huckleberry Finn / 1931, Sooky / Sooky / 1931.

A Universal também fez uma tentativa de arrastar as crianças e seus pais para os cinemas com A Volta de Tom / Destry Rides Again / 1932, o primeiro filme falado com Tom Mix, o astro-cowboy da era silenciosa enquanto Mary Pickford manifestou seu desejo de estrelar uma versão animada de Walt Disney de Alice in Wonderland ou Peter Pan.

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Entretanto, nenhuma das outras majors demonstrou a intenção de abandonar a produção de filmes adultos muito menos a Warner Bros. com seus filmes de gângster tais como Alma do Lôdo / Little Caesar / 1931 e Inimigo Público / Public Enemy / 1931. Em 1932, os filmes que possuiam um atrativo familiar especial tornaram-se mais raros do que nunca.

Joseph I. Breen

Joseph I. Breen

Embora o Código Hays sob o comando ferrenho de Joseph I. Breen tivesse sido o fator principal para que Hollywood se dispuzesse a produzir filmes especialmente orientados para a família, ele foi apenas um dos catalizadores. Como explica Noel Brown (The Hollywood Family Film, I. B. Tauris, 2012), também importante foi a disseminação de uma pseudo cultura, advinda do acesso à literatura e outras formas de “alta” cultura, oferecida para um vasto público de leitores pelos clubes de leitura, que abasteciam os assinantes com obras recentemente publicadas escolhidas por especialistas.

Houve ainda, segundo Brown, pressões internas sobre os produtores, principalmente pela MPPDA, mas também por figuras influentes como o pesquisador de mercado George Gallup (cujo Audience Research Institute foi empregado pela RKO e Disney durante os anos 30 e 40), que chamou a atenção para o fato de que adaptações de obras literárias tinham uma audiência garantida por causa da popularidade do material adotado.

Cena de Quatro Irmãs

Cena de Quatro Irmãs

Cena de A Ilha do Tesouro

Cena de A Ilha do Tesouro com Jackie Cooper e Wallace Beery à esquerda

Freddie Bartholomew e W. C. Fields em David Copperfield

Freddie Bartholomew e W. C. Fields em David Copperfield

C. Aubrey Smith, Freddie Bartholomew e Dolores Costello em Um garoto de Qualidade

C. Aubrey Smith, Freddie Bartholomew e Dolores Costello em Um Garoto de Qualidade

Os produtores então se convenceram de que os clássicos da literatura eram um exemplo típico do contéudo “para a família” e, entre 1933 e 1940, foram levados à tela: Quatro Irmãs / Little Women / 1933; A Ilha do Tesouro / Treasure Island / 1934; Grandes Esperanças / Great Expectations / 1934; David Copperfield / David Copperfield / 1935; Sonho de Uma Noite de Verão / A Midsummer’s Night Dream /1935; Um Garoto de Qualidade / Little Lord Fountleroy / 1936; Romeu e Julieta / Romeo and Juliet / 1936; Pobre Menina Rica / Poor Little Rich Girl / 1936; Marujo Intrépido / Captains Courageous / 1937; O Prisioneiro de Zenda / The Prisoner of Zenda / 1937; As Aventuras de Tom Sawyer / The Adventures of Tom Sawyer / 1938; A Princezinha / The Little Princess / 1939; O Mágico de Oz / The Wizard of Oz; O Pássaro Azul / The Blue Bird / 1940.

Cena de O Mágico de Oz

Cena de O Mágico de Oz

Outra causa importante da adoção estratégica dos “family movies”, teve a ver com uma série de reformas educacionais, introduzindo a “apreciação crítica dos filmes” nos currículos das escolas secundárias. Logo que a iniciativa começou a ser implantada em 1928 em Newark, New Jersey, educadores abordaram executivos de Hollywood, a fim de solicitar a produção especializada em filmes educativos próprios para adolescentes; porém os produtores mostraram-se indiferentes, insistindo que o rótulo “educativo” significava “fracasso” nas bilheterias.

A situação mudou bastante em 1933 quando, após um período de experimentação, professores representantes de 17 Estados votaram a favor do estudo educativo dos filmes, que foi consequentemente introduzido em aproximadamente 2.500 escolas do país. Cada semana os alunos assistiriam a um filme de longa-metragem de Hollywood e escreveriam uma redação de 600 palavras sobre o mesmo.

Os guias, chamados comumente de “Photoplay Studies” ou “Group Discussion Guides” continham 16 páginas, tratando da história do filme, seu fundo histórico ou literário, o tratamento fílmico do tema, diversas perguntas para discussão e sugestões de livros para leitura. Inicialmente, os estúdios patrocinavam esses manuais. Depois, a indústria manteve seu apoio, fornecendo para as escolas pôsters e fotografias de cena dos filmes, dossiês de imprensa e ingressos gratuitos para “crianças desprivilegiadas”.familia king kong

Porém surgiu um obstáculo prático aos filmes para a família: um grande número de crianças e adolescentes tinha pouco interesse em Quatro Irmãs ou David Copperfied, preferindo filmes como King Kong / King Kong / 1933 ou os do ciclo de horror da Universal apesar de sua suposta inadequabilidade em razão de seu conteúdo assustador. De modo que os alvos principais desse empenho “familiar” nas telas foram os líderes religiosos, os women’s groups (grupos de mulheres que se encontram regularmente com o objetivo de organizar campanhas) e os educadores; e não as crianças e adolescentes. O que o movimento realmente conseguiu foi embutir firmemente a idéia do “filme para a família” na consciência nacional, protegendo Hollywood da ameaça de uma lei de censura federal (que a MPPDA procurara evitar criando a autocensura) e estabelecendo uma tendência pública de boa vontade para com a indústria.

Diferentemente do movimento de adaptações literárias o ciclo dos child-stars originou-se não de um cuidadoso planejamento e cooperação, mas de uma resposta rápida a questões sociais – neste caso, a Grande Depressão. Prefaciada pelo colapso de Wall Street em 1929, a Depressão causou prejuízos consideráveis à indústria cinematográfica no curto prazo, mas também reanimou o público norte-americano e mais adiante consolidou os filmes para a família no íntimo da consciência popular.

Shirley Temple e Jane Withers em Olhos Encantadores

Shirley Temple e Jane Withers em Olhos Encantadores

Embora Mary Pickford e Jackie Coogan tivessem desfrutado de um status de celebridade durante a era silenciosa, a popularidade de Shirley Temple não teve precedente. Após ela chegar à proeminência em Olhos Encantadores / Bright Eyes / 1934 com a idade de seis anos, e ter capturado a imaginação do público, muitos grandes estúdios tentaram explorar sua popularidade, contratando artistas infantís promissores e colocando-os em filmes, nos quais poderiam exibir seus talentos.

Judy Garland e Mickey Rooney em um filme da série Andy Hardy

Judy Garland e Mickey Rooney em um filme da série Andy Hardy

Entre a metade e o final dos anos 30, a MGM tinha Jackie Cooper, Judy Garland, Mickey Rooney e Freddie Bartholomew sob contrato; a Twentieth Century Fox contratou Shirley Temple e Jane Withers; a Warner Bros. contratou os gêmeos Billy e Bobby Mauch, Sybil Jason e Bonita Granville; a Columbia contratou Edith Fellows e a Universal contratou Deanna Durbin. Embora vários atores infantís estivessem sob contrato com a Paramount e a RKO durante os anos 30 (tais como Jackie Searl e Virginia Weidler) nenhum desses estúdios adotou o instrumento do child star film.

Billy e Bobby Mauch

Billy e Bobby Mauch

Shirley temple e Sybil Jason

Shirley Temple e Sybil Jason

Edith Fellows

Edith Fellows

Deanna Durbin

Deanna Durbin

Mesmo sem a adesão desses dois estúdios os anos 30 foram a época de ouro dos filmes com astros infantís e a persona de Shirley Temple, com seu forte otimismo, mais do que a de todos os outros, era talhada para as platéias da Depressão. Uma medida de sua imensa popularidade é que ela foi a maior atração de bilheteria entre 1935 e 1938.

Cena de Feira de Amostras

Cena de Feira de Amostras

Mickey Rooney e Wallace beery em Fúrias do Coração

Mickey Rooney e Wallace beery em Fúrias do Coração

Jed Prouty e Spring Buyington em um filme da série família Jones

Jed Prouty e Spring Buyington em um filme da série família Jones

Cena de Quatro Filhas da série da família Lemp

Cena de Quatro Filhas da série da família Lemp com Claude Rains, as irmãs Lane e Gale Page

Jimmy Lydon em um filme da série Henry Aldrich

Jimmy Lydon em um filme da série Henry Aldrich

Outro ciclo de filmes especializados para a família foi o do filme de família de pequena cidade do interior (small town family film). Além de longas-metragens classe A (v. g. Feira de Amostras / State Fair / 1933; O Juiz Priest (TV) / Judge Priest / 1934; Fúrias do Coração / Ah, Wilderness! / 1935) surgiram alguns filmes B: a série da família Jones da Fox (1936-1940) com Jed Prouty e Spring Byington; a série da famíla Hardy da MGM com Mickey Rooney (1937-1946); a série de três filmes da família Lemp da Warner Bros. (1938-1941) com Claude Rains, Gale Page e as irmãs Lane (Priscilla, Rosemary e Lola); a série Henry Aldrich da Paramount (1939-1944) com Jackie Cooper nos dois primeiros filmes e Jimmy Lydon nos demais. E houve duas tentativas frustradas: a da Universal de desenvolver a série da família Pierce a partir do filme The Family Next Door / 1937 (com Hugh Herbert como George Pierce) e a do produtor independente Harry M. Popkin de reproduzir o sucesso da família Hardy com uma família negra – os Browns: apenas um filme, One Dark Night / 1939 (com Mantan Moreland como Samson Brown) chegou a ser produzido.

Cena de Três Pequenas do Barulho com Deanna Durbin no centro

Cena de Três Pequenas do Barulho com Deanna Durbin no centro

Muitos dos mais memoráveis filmes para a família dos anos 30 foram lançados na época de Natal, considerado um período ideal para o comparecimento da família às salas de projeção (v. g. Era Uma Vez Dois Valentes / Babes in Toyland / 1934; Três Pequenas do Barulho / Three Smart Girls / 1936; Noite de Natal / A Christmas Carol / 1938). De Ilusão Também se Vive / Miracle on 34th Street da Twentieth Century Fox fez um tremendo sucesso no Natal de 1947 e foi visto pelo estúdio como um “filme anual” com potencial para ser reprisado nas festas natalinas subsequentes. O mesmo aconteceu com o clássico  A Felicidade Não se Compra / It’s a Wonderful Life / 1946 de Frank Capra, nas suas exibições pela televisão.

Cena de Noite de Natal

Cena de Noite de Natal

Cena de De Ilusão Também Se Vive com Edmund Gwenn, Natalie Wood e Maureen O'Hara

Cena de De Ilusão Também Se Vive com Edmund Gwenn, Natalie Wood e Maureen O’Hara

A série de Tarzan estrelada por Johnny Weissmuller – que começou na MGM em 1932 com perfil adulto e padrão classe A sob os auspícios de Irving Thalberg e acabou como filme B produzido pela RKO e orientado principalmente para as crianças – foi um bom exemplo de como o Código de Produção robustecido de 1934 impôs mudanças nos hábitos de Hollywood. A introducão do personagem Boy (Johnny Sheffield) já se constituira em uma tentativa clara de maior comprometimento com os espectadores jovens. Quando a franquia foi absorvida pela RKO em 1943, a série adotou um estilo de história em quadrinhos ainda mais afinado com o público juvenil.

Johnny Weissmuller e Johnny Sheffield em O Filho de Tarzan

Johnny Weissmuller e Johnny Sheffield em O Filho de Tarzan

Embora tivessem atingido o auge na era silenciosa, os seriados ainda estavam sendo produzidos nos anos 30, 40 e 50, porque eram um divertimento escapista ideal para as crianças. Adaptações em seriados de Buck Rogers, Flash Gordon, Superman, Captain America, Batman etc, foram produzidas pelas companhias especializadas nos serials, Republic, Universal e Columbia.

Larry Williams, Bonita granville e Frankie Thomas em um filme da série Nancy Drew

Larry Williams, Bonita granville e Frankie Thomas em um filme da série Nancy Drew

Uma das séries orientadas para as crianças mais populares foi Nancy Drew, baseada nos livros de aventura de “Carolyn Kane” (pseudônimo de vários autores) e produzida pela First National. Quatro exemplares (Nancy Drew, a Detetive / Nancy Drew: Detective, Nancy Drew, a Repórter / Nancy Drew … Reporter, Nancy Desvenda um Crime / Nancy DrewTrouble Shooter, Nancy Drew e a Escada Secreta / Nancy Drew and the Hidden Staircase) foram produzidos entre 1938 e 1939, cada qual girando em torno das façanhas de uma adolescente intrépida, interpetada por uma Bonita Granville de quinze anos de idade.

Frankie Darro e Mantan Moreland

Frankie Darro e Mantan Moreland

Já a série da Monogram, protagonizada por Frankie Darro, pode ser vista como uma precursora dos teen pic ou youth films dos anos 50 (que não se confundem com os filmes para a família). Nela apareceram astros infantís já em declínio (Jackie Moran e Marcia Mae Jones), que estavam então no final da adolescência.

Cena de Agora Seremos Felizes vendo-se em primeiro plano Leon Ames e Mary Astor

Cena de Agora Seremos Felizes vendo-se em primeiro plano Leon Ames e Mary Astor

Cena de Nossa Vida Com Papai

Cena de Nossa Vida Com Papai

Clifton Webb em Papai Batuta

Clifton Webb em Papai Batuta

Nos anos 40 e início dos anos 50, o filme para toda a família foi representado pelas celebrações nostálgicas de famílias do passado recente (v. g. Agora Seremos Felizes/ Meet Me in St. Louis / 1944; Noites de Verão / Centennial Summer/ 1946; Nossa Vida com Papai / Life with Father / 1947; Idílio para Todos / Summer Holiday /1948; Papai Batuta / Cheaper by the Dozen / 1950; Meus Braços Te Esperam / On Moonlight Bay / 1951; Lua Prateada / By The Light of the Silvery Moon / 1953)

Roddy McDowall e Flicka

Roddy McDowall e Flicka

Elizabeth Taylor e Lassie

Elizabeth Taylor e Lassie

Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim mesmo

Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim mesmo

Claude Jarman, Jr. em Virtude Selvagem

Claude Jarman, Jr. em Virtude Selvagem

e por filmes sobre animais endereçados para as crianças (v.g. Cachorro Vira-Lata / The Biscuit Eater / 1940; Minha Amiga Flicka / My Friend Flicka / 1943; A Força do Coração / Lassie Come Home / 1943; Amor Juvenil / Home in Indiana / 1944; A Mocidade é Asssim Mesmo / National Velvet / 1944; O Filho de Lassie / Son of Lassie / 1945; Fúria Selvagem / Thunderhead – Son of Flicka / 1945; A Coragem de Lassie / Courage of Lassie / 1946; Beleza Indomável / Black Beauty / 1946; Virtude Selvagem / The Yearling / 1947; Os Prados Verdes / Green Grass of Wyoming / 1948; Desafio de Lassie / Challenge to Lassie /1949) que, tal como as comédias-dramáticas da cidade pequena, ofereciam essencialmente um instantâneo nostálgico da vida rural, porém provocando uma identificação juvenil mais evidente, com o seu foco habitual no relacionamento entre uma criança e um animal.

Percy Kilbridge e Marjorie Main em um filme da série Ma and Pa Kettle

Percy Kilbridge e Marjorie Main em um filme da série Ma and Pa Kettle

Donald O' Çonnor e Francis

Donald O’ Çonnor e Francis

Elizabeth Taylor e Spencer Tracy em O Papai da Noiva

Elizabeth Taylor e Spencer Tracy em O Papai da Noiva

Surgiram ainda: a série Ma and Pa Kettle (1949-1957), iniciada com Nem Tudo Que Reluz é Ouro / Ma and Pa Kettle; a série Francis (1950-1956), iniciada com E … O Mulo Falou / Francis, The Mule; O Papai da Noiva / Father of the Bride / 1950 e Os Noivos de Mamãe / Louisa / 1950 – cuja popularidade levou o Variety a observar otimisticamente, que o “family film” era a espinha dorsal da bilheteria.

Bobby Driscoll e Robert Newton em A Ilha do Tesouro

Bobby Driscoll e Robert Newton em A Ilha do Tesouro

Cena de A Cidadela dos Robinsons

Cena de A Cidadela dos Robinsons

O advento da televisão mudou a natureza dos frequentadores de cinema e embora Walt Disney tivesse mantido a animação concomitantemente com filmes de ação ao vivo (A Ilha do Tesouro / Treasure Island / 1950; Robin Hood, O Justiceiro / The Story of Robin Hood / 1952; Entre a Espada e a Rosa / The Sword and the Rose / 1953; O Grande Rebelde / Rob Roy: The Highland Rogue / 1953; Felpudo, O Cão Feiticeiro / The Shaggy Dog / 1959; Pollyana / Pollyana / 1960 e A Cidadela dos Robinson / Swiss Family Robinson / 1960, ambos com a primeira child star genuina de Disney, Hayley Mills), monopolizando o mercado do filme familiar, iniciou-se uma busca de um novo filme para a família, que pudesse atrair um público cuja maioria estivesse entre as idades de 16 a 29 anos, mas que seduzisse também espectadores mais velhos.

familia 7th voyage of sinbad

Russ Tamblyn em O Pequeno Polegar

Russ Tamblyn em O Pequeno Polegar

Depois de uma fase na qual predominaram os filmes de produtores independentes como Ray Harryhausen (Sinbad e a Princesa / The 7th Voyage of Sinbad / 1958); George Pal (v.g. O Pequeno Polegar / Tom Thumb / 1958); Robert B. Radnitz (Doce Aurora da Vida / A Dog of Flanders / 1959) e do sucesso de Mary Poppins / Mary Poppins / 1964, os estúdios eventualmente diversificaram as formas genéricas do filme para a família, criaram departamentos para a sua produção (“family film” divisions) e intensificaram as franquias “kidult”, filmes de fantasia capazes de agradar a todas as gerações (E. T. – O Extraterrestre / E.T. – The Extraterrestrial, as séries Star Wars, Indiana Jones, Back to the Future, Jurassic Park, Toy Story, Harry Potter, Pirates of the Caribbean etc.) e os aparentemente infinitos filmes derivados dos heróis dos quadrinhos, comprovando que o filme para a família foi e sempre será uma das mais comercialmente exitosas e amplamente consumidas formas de entretenimento cinematográfico do mundo.

O BOXE NO CINEMA AMERICANO 1930-1960

December 29, 2015

Entre todos os esportes que passaram pela telas dos cinemas, o boxe foi provavelmente o mais assíduo. Enquanto na vida real a sua prática é condenada por alguns setores da sociedade por sua brutalidade, nas telas as lutas entusiasmam igualmente a todos os espectadores, talvez porque eles saibam que, em um filme, os pugilistas são atores conhecidos e não estão se enfrentando de verdade.

Desde as primeiras experiências de Thomas Alva Edison, o boxe tem sido tema de dramas, comédias, musicais etc., colocado em primeiro plano na trama ou apenas como um elemento de segunda ordem, servindo apenas para adornar a história principal.

Otway, Woodville e Grey Latham

Inicialmente, Edison vendeu cinetoscópios e filmes para uma variedade de freguêses cobrando 250 dólares por máquina. Um desses freguêses, era a Kinestoscope Exhibition Company, formada por Otway Latham, que administrava a Tilden Company, firma farmacêutica com escritório em Nova York. Em 16 de maio de 1894 ele gastou mil dólares para comprar dez cinetoscópios da companhia de Edison. Tanto ele como seus sócios, seu irmão Grey, seu pai Woodville, e seu velho colega de colegío Enoch J. Rector, queriam exibir lutas de boxe – uma idéia que Edison havia mencionado para a imprensa, mas que não havia sido concretizada por causa da capacidade limitada do cinetoscópio para tal fim.

James Corbett, o Gentleman Jim

James Corbett, o Gentleman Jim

Latham utilizou máquinas maiores, com a capacidade aumentada para 150 pés (= 45,72m) e diminuiu a velocidade das exposições para 30 imagens por segundo. Desta forma se incrementava em pouco mais de um minuto a duração do tempo de exibição, o que permitia à máquina apresentar um assalto de boxe algo reduzido. Assim, a firma dos Latham, em colaboração com a Edison Manufacturing Company, começou a filmar a primeira luta de boxe da História do Cinema.

Para o evento, foi contratado, por 150 dólares, um pugilista popular chamado Michael Leonard e, por 50 dólares, um pugilista menos conhecido, Jack Cushing, que aceitou atuar como rival daquele no ringue. Depois de aguardarem uma semana por um tempo claro, os boxeadores foram transportados para o estúdio Black Maria em 15 de junho de 1894 para disputar um combate de seis assaltos, filmado pelos assistentes de Edison, William Kennedy Laurie Dickson e William Heise. Foram disputados seis assaltos , cada qual durando um minuto e meio e, entre cada round, os boxeadores descansavam por sete minutos, enquanto os dois assistentes carregavam de novo a câmera.

James Corbett e Peter Courtney

James Corbett e Peter Courtney

Com a ajuda financeira que receberam por parte de seu empregador, Samuel Tilden, Jr., herdeiro de uma grande fortuna deixada por seu pai, um ex-governador de Nova York, Latham e Rector produziram um projeto mais ambicioso de interesse internacional. Eles acertaram uma luta entre o campeão mundial de peso pesado bonitão e elegante James Corbett, apelidado de Gentleman Jim, e um pugilista de New Jersey, Peter Courtney.

Boxe coco

O campeão teve a garantia de que ganharia 5 mil dólares se nocauteasse Courtney no sexto assalto, além de uma participação nos lucros do empreendimento. A luta teve lugar no dia 7 de setembro. Corbett nocateou Courtney no sexto round e a imprensa relatou o fato minuciosamente. Entretanto, as lutas de boxe estavam proibidas em New Jersey, onde ficava o estúdio de Edison. Talvez porque esta luta mostrada no quinetoscópio envolvesse o campeão mundial de peso pesado, um nocaute, e ampla publicidade, o Juiz David A. Depue de Newark iniciou uma investigação. Edison foi intimado para comparecer em juízo e negou qualquer envolvimento ou conhecimento do evento – embora sua presença tivesse sido noticiada pela imprensa. A questão foi eventualmente encerrada e Corbett e Courtney Before The Kinetograph (mais conhecido como The Corbett-Courtney Fight) alcançou vasta popularidade. (cf. The Emergence of Cinema – the American Screen to 1907, Charles Musser, University of California, 1900).

boxe the leather pushers poster

Nas décadas de dez e vinte começaram a surgir os filmes de ficção relacionados ao boxe. Durante este período destacou-se a série de dois rolos produzida pela Universal, Os Valentões da Arena / The Leather Pushers / 1922-1924 (intitulada após o sétimo segmento, Os Novos Valentões da Arena, Modernos Valentões da Arena ou Últimos Valentões da Arena / The New Leather Pushers), que narravam as aventuras do estudante Kid Robertson (Reginald Denny, depois substituído por Billy Sullivan, sobrinho do campeão de peso pesado John L. Sullivan), tentando fazer o seu nome no mundo do pugilismo.c

Joe Palooka

Joe Palooka (Joe Kirkwood, Jr.)

Nos anos trinta, quarenta e cinquenta Hollywood reforçou a presença do boxe nas telas. Neste artigo seleciono (dez para cada década) os principais filmes de boxe em longa-metragem produzidos no cinema americano clássico entre 1930 e 1960, excluídas séries como Os Valentões da Arena / The Leather Pushers / 1930-31 (refilmagem da série muda, com Kane Richmond), The Glove Slingers / 1939 (série de curtas-metragens, iniciada com Noah Beery, Jr.) e Joe Sopapo / Joe Palooka / 1946 (com Joe Kirkwood, Jr.).

 1930-1939

Joe E. Brown em

Joe E. Brown em Com Unhas e Dentes

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Com Unhas e Dentes / Hold Everything / 1930. Roy Del Ruth. Joe E. Brown, Georges Carpentier, Winnie Lightner, Sally O’Neil, Edmund Breese.

Wallace Beery em O Campeão

Wallace Beery em O Campeão

Wallace Beery e Jackie Cooper em O Campeão

Wallace Beery e Jackie Cooper em O Campeão

bvoxe the champ posterO Campeão / The Champ / 1931. MGM. King Vidor. Wallace Beery, Jackie Cooper, Roscoe Ate, Irene Rich, Edward Brophy.

Lew Ayres em Por Uma Mulher

Lew Ayres em Por Uma Mulher

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Por Uma Mulher / Iron Man / 1931. Tod Browning. Lew Ayres, Robert Armstrong, Jean Harlow, John Miljan, Eddie Dillon.

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James Cagney em Tudo ou Nada

James Cagney em Tudo ou Nada

Tudo ou Nada / Winner Take All / 1932. Roy Del Ruth. James Cagney, Marian Nixon, Guy Kibbee, Clarence Muse, Virginia Bruce.
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O Pugilista e a Favorita / The Prizefighter and the Lady / 1933. W.S. Van Dyke. Max Baer, Myrna Loy, Primo Carnera, Otto Kruger, Vince Barnett.

boxe two-Fisted Gentleman poster Um Direto no Coração / Two-Fisted Gentleman / 1936. Gordon Wiles. James Dunn, June Clayworth, George McKay, Thurston Hall, Gene Morgan.

Wayne Morris em Talhado para Campeão

Wayne Morris e Edward G.Robinson em Talhado para Campeão

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Michael Curtiz dirige Talhado para Campeão

Michael Curtiz dirige Talhado para Campeão

Talhado para Campeão / Kid Galahad / 1937. Michael Curtiz. Edward G. Robinson, Bette Davis, Humphrey Bogart, Wayne Morris, Jane Bryan.

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Cena de The Spirit of Youth

Cena de The Spirit of Youth

Spirit of Youth / 1937. Harry Fraser. Joe Louis, Clarence Muse, Mantan Moreland, Edna Mae Harris, Cleo Desmond.

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Robert Taylor em Fibra de Campeão

Robert Taylor em Fibra de Campeão

Fibra de Campeão / The Crowd Roars / 1938. MGM. Richard Thorpe. Robert Taylor, Lionel Stander, Maureen O’Sullivan, Frank Morgan, Edward Arnold.

William Holden em Conflito de Duas Almas

William Holden em Conflito de Duas Almas

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William Holden, Adolphe Menjou e Barbara Stanwyck em Conflito de Duas Almas

William Holden, Adolphe Menjou e Barbara Stanwyck em Conflito de Duas Almas

Conflito de Duas Almas / Golden Boy / 1939. Rouben Mamoulian. William Holden, Barbara Stanwyck, Adolph Menjou, Lee J. Cobb, Sam Levene.

 1940 -194

James Cagney em Dois Contra Uma Cidade Inteira

James Cagney em Dois Contra Uma Cidade Inteira

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Cena de Dois Contra Uma Cidade Inteira

Cena de Dois Contra Uma Cidade Inteira

Cena de Dois Contra Uma Cidade Inteira

Cena de Dois Contra Uma Cidade Inteira

Dois Contra Uma Cidade Inteira / City for Conquest / 1940. Anatole Litvak. James Cagney, Ann Sheridan, Anthony Quinn, Arthur Kennedy, Frank Craven.
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Luvas de Ouro / Golden Gloves/ 1940. Edward Dmytryk. Richard Denning, Jean Cagney, J. Carrol Naish, Robert Paige, William Frawley.

Richard Arlen e Andy Devine em No Mundo do Sôco

Richard Arlen e Andy Devine em No Mundo do Sôco

No Mundo do Sôco / The Leatherpushers / 1940. John Rawlings. Richard Arlen, Andy Devine, Astrid Allwyn, Douglas Fowley, Charles D. Brown.

Errol Flynn em Ídolo do Público

Errol Flynn em Ídolo do Público

Errol Flynn e Alexis Smith em Ídolo do Público

Errol Flynn e Alexis Smith em Ídolo do Público

Errol Flynn em Ídolo do Público

Errol Flynn em Ídolo do Público

Errol Flynn em Ídolo do Público

Errol Flynn em Ídolo do Público

Ídolo do Público / Gentleman Jim / 1942. Raoul Walsh. Errol Flynn, Alexis Smith, Jack Carson, Alan Hale, John Loder.

boxe fgreat John LPOster MelhorQuando Homens São Homens / The Great John L. / 1945. Frank Tuttle. Greg McCLure, Linda Darnell, Barbara Britton, Otto Kruger, Wallace Ford .

John Garfield em Corpo e Alma

John Garfield em Corpo e Alma

boxe body and soul poster

James Wong Howe (de patins)filmando a luta de Corpo e Alma

James Wong Howe (de patins)filmando a luta de Corpo e Alma

John Garfield em Corpo e Alma

John Garfield em Corpo e Alma

Corpo e Alma / Body and Soul / 1947. Robert Rossen. John Garfield, Lili Palmer, Hazel Brooks, Anne Revere, William Conrad.

Cena de Punhos de Ouro

Cena de Punhos de Ouro

boxe killer MCoy poster

Brian Donlevy, Mickey Rooney e Ann Blyth em Punhos de Ouro

Brian Donlevy, Mickey Rooney e Ann Blyth em Punhos de Ouro

Punhos de Ouro / Killer McCoy / 1947. Roy Rowland. Mickey Rooney, Brian Donlevy, Ann Blyth, Tom Tully, Sam Levene.

Kirk Douglas em O Invencível

Kirk Douglas em O Invencível

Ruth Roman e Kirk Douglas em O Invencícel

Ruth Roman e Kirk Douglas em O Invencível

Arthur Kennedy e Kirk Douglas em O Invencícel

Arthur Kennedy e Kirk Douglas em O Invencícel

Marilyn Maxwell e Kirk Douglas em O Invencícel

Marilyn Maxwell e Kirk Douglas em O Invencícel

O Invencível / Champion / 1949. Mark Robson. Kirk Douglas, Marilyn Maxwell, Arthur Kennedy, Paul Stewart, Ruth Roman.

Audrey Totter e Robert Ryan em Punhos de campeão

Audrey Totter e Robert Ryan em Punhos de campeão

Cena de Punhos de Campeão

Cena de Punhos de Campeão

Robert Ryan em Punhos de campeão

Robert Ryan em Punhos de campeão

Cena de Punhos de Campeão

Cena de Punhos de Campeão

boxe the set up poster III Best

Cena de Punhos de Campeão

Cena de Punhos de Campeão

Robert Ryan em Punhos de Campeão

Robert Ryan em Punhos de Campeão

Cena de Punhos de Campeão

Cena de Punhos de Campeão

Punhos de Campeão / The Set-Up / 1949. Robert Wise. Robert Ryan, Audrey Totter, George Tobias, Alan Baxter, Wallace Ford.

boxe ringside poster

Ringside / 1949. Frank McDonald. Don “Red” Barry, Sheila Ryan, Margia Dean, Joseph Crehan, John Cason.

 1950-1959

Ricardo Motalban em Por um Amor

Ricardo Motalban em Por um Amor

Dick Powell, June Allyson e Montalban em Por um Amor

Dick Powell, June Allyson e Montalban em Por um Amor

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Por um Amor / Right Cross / 1950. John Sturges. June Allyson, Dick Powell, Ricardo Montalban, Lionel Barrymore, Tom Powers.

Jeff Chandler em O Demolidor

Jeff Chandler em O Demolidor

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O Demolidor / The Iron Man / 1951. Joseph Pevney. Jeff Chandler, Evelyn Keyes, Stephen McNally, Joyce Holden, Rock Hudson.

Tony Curtis e Marilyn Maxwell em Tormento da Carne

Tony Curtis e Jane Sterling  em Tormento da Carne

 

boxe flesh and fury posrter melhorTormento da Carne / Flesh and Fury / 1952. Joseph Pevney. Tony Curtis, Jan Sterling, Mona Freeman, Wallace Ford, Connie Gilchrist.

Joe Louis

Joe Louis

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A História de Joe Louis / The Joe Louis Story / 1953. Robert Gordon. Coley Wallace, Paul Stewart, James Edward, Hilda Simms, John Marley.

Dewey Martin e Charles Buchinsky (Bronson) em Amigo e Algoz

Dewey Martin e Charles Buchinsky (Bronson) em Amigo e Algoz

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Dewey Martin em Amigo e Algoz

Dewey Martin em Amigo e Algoz

Amigo e Algoz / Tennessee Champ / 1954. Fred M. Wilcox. Dewey Martin, Keenan Wynn, Shelley Winters, Earl Holliman, Charles Buchinsky (Bronson).

Tony Curtis

Tony Curtis

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Cena de Brutos em Fúria

Cena de Brutos em Fúria

Brutos em Fúria / The Square Jungle / 1955. Jerry Hopper. Tony Curtis, Pat Crowley, Ernest Borgnine, Paul Kelly, Jim Backus.

Cena de A Trágica Farsa

Cena de A Trágica Farsa

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Mike Lane, Humphrey Bogart e Jan Sterling em uma pose no estúdio

Mike Lane, Humphrey Bogart e Jan Sterling em uma pose no estúdio

A Trágica Farsa / The Harder They Fall / 1956. Mark Robson. Humphrey Bogart, Rod Steiger, Jan Sterling, Mike Lane, Edward Andrews, Harold J. Stone.

John Derek e Jody Lawrence em O Segredo doPadre

John Derek e Jody Lawrence em O Segredo doPadre

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O Segredo do Padre / The Leather Saint / 1956. Alvin Ganzer. John Derek, Paul Douglas, Jody Lawrence, Cesar Romero, Ernest Truex.

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Paul Newman em Marcado pela Sarjeta

Paul Newman em Marcado pela Sarjeta

Pier Angeli e Paul Newman em Marcado pela Sarjeta

Pier Angeli e Paul Newman em Marcado pela Sarjeta

Marcado pela Sarjeta / Somebody Up There Likes Me / 1956. Robert Wise. Paul Newman, Pier Angeli, Everett Sloane, Eileen Heckart, Sal Mineo.

Audie Murphy em Um Mundo Entre Cordas

Audie Murphy em Um Mundo Entre Cordas

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The seventeenth movie of Audie Murphy; Starring Audie Murphy, Barbara Rush, Jeff Morrow, John McIntire, Tommy Hall, Howard St. John, Chico Vejar, Art Aragon, and Cisco Andrade. Summary: Audie portrays a scrappy young boxer from Jersey City named Tommy Shea. A young man from the wrong side of the tracks, he ends up getting noticed by a wealthy industrialist named Robert Mallinson. Mallinson invites Shea to train at his estate. When Shea does, he falls for Mallinson's pretty daughter Dorothy who is played by Barbara Rush. Shea is worried that he doesn't have enough money to support Dorothy in the lifestyle she is accustomed to. To raise money, Shea decides to work for a crooked fight-promoter which means he has to fire his honest manager. As the big fight approaches, Shea begins to have second thoughts about throwing the fight. Shea ends up proving to the world that he is a champion, despite the fact that he is given a terrible beating, while held down, by the crooked fight promoter. In the final scene, Shea's opponent is with the professional boxer Chico Vejar.

Audie Murphy em O Mundo Entre Cordas

Um Mundo Entre Cordas / World in My Corner / 1956. Jesse Hibbs. Audie Murphy, Barbara Rush, Jeff Morrow, John McIntire, Tommy Rall.

PAUL MUNI

December 15, 2015

Ele foi um dos mais importantes e prestigiosos atores do cinema americano durante os anos 30. Mais tarde, especializou-se em interpretar figuras históricas tais como Émile Zola, Juarez e Louis Pasteur, alternando sua carreira entre a Broadway e Hollywood. Muni se dedicava intensamente a cada papel, mudando sua voz, seu corpo e até seu rosto, e por sua predileção para se esconder sob a maquilagem, foi chamado de “O Novo Lon Chaney”. Embora tivesse atuado em apenas 23 filmes, recebeu cinco indicações para o Oscar da Academia, ganhando uma vez como Melhor Ator em A História de Louis Pasteur / The Story of Louis Pasteur / 1936.

Paul Muni

Paul Muni

Mehilem Meyer Weisenfreund nasceu no dia 22 de setembro de 1895 em Lemberg, Galicia, província do Império Austro-Húngaro, hoje denominada Lviv na Ucrânia. Seus pais, Salche e Nachum Favel Weisenfreund, eram atores itinerantes, formando uma dupla (ambos interpretando papéis masculinos, pois mulheres no palco ainda eram mal vistas) em um vaudeville ídiche, que incluia esquetes, canções e danças. O casal teve três filhos antes de Mehilem. Um morreu ao nascer. Joseph nasceu em junho de 1891. Elias, em agosto de 1892, ambos em Budapest. Traduzido para o inglês, Mehilem seria Michael. Mas seus progenitores preferiram usar o apelido austríaco de Muni.

De Budapest, os Weisefreunds foram para a Inglaterra, onde conseguiram, com o auxílio de um lojista admirador do tipo de espetáculo que faziam, abrir um teatrinho em Whitechapel. Este, no entanto, foi muito prejudicado pela luta de guangues rivais em frente ao prédio, causando inclusive a morte de uma pessoa, e a família então decidiu ir para a América. O pai foi o primeiro a partir e, assim que conseguiu dinheiro com a ajuda de um parente em Nova York, mandou as passagens para o resto da família, instalando-se todos no Lower East Side em 1901. Três anos depois, a família se mudou para Cleveland.

Nesta cidade, Muni apareceu pela primeira vez em um palco, no Perry Theatre, um nickelodeon que oferecia sessões contínuas durante todo o dia, de onze horas da manhã até as onze horas da noite. Enquanto os pais se apresentavam entre as exibições de filmes mudos de um rolo, Muni e seus irmãos, no poço da orquestra, providenciavam o acompanhamento musical e/ou a sonoplastia, Joseph tocando piano e os outros dois, seus violinos. Posteriormente, os pais se integraram no Teatro Ídiche e, em 1908, Muni, ainda adolescente, juntou-se a eles, interpretando personagens muito mais velhos, disfarçando sua pouca idade por meio da maquilagem.

Certo dia, o pai resolveu que a família iria para Chicago em busca de melhores oportunidades. Ele alugou um teatro na Twelfth Street (depois Roosevelt Road) e deu o nome de Weisenfreund’s Pavilion Theatre. Eles passaram a apresentar peças inteiras e contrataram um outro ator chamado Adolph Gertner, que atuava alternativamente como ponto, carpinteiro, ator e porteiro. Aliás, todos os membros da família Weisenfreund desempenhavam tarefas múltiplas.

Nessa época, Muni sofreu um grande drama: seu pai descobriu que sua mãe tinha um amante, ficou doente, e faleceu pouco depois. Após o funeral, a mãe de Muni foi para Toronto na companhia do novo companheiro, e seus irmãos passaram a trabalhar como músicos, tocando em casamentos e Bar Mitzvahs. Adolph Gertner comprou o teatro e mudou o nome para Gertner’s Pavilion Theatre. Ele ofereceu emprego para Muni, mas este recusou. Preferiu aceitar o convite dos Grossman, donos do Teatro Casino, que rivalizava com o Wiesefreund’s, para integrar sua trupe itinerante. O jovem ator não se esqueceu de levar consigo o seu estojo de maquilagem, a fim de interpretar os mais variados papéis de idosos barbudos e, ocasionalmente, velhas com bigodes.

paul muni iddish theater

Em 1919, o talento de Muni foi reconhecido por Maurice Schwartz, que o levou para o seu Yddish Art Theatre em Nova York, e ele se tornou uma grande atração durante os anos vinte. Porém foi somente em 1926, quando estava com 31 anos de idade e havia trabalhado no teatro ídiche durante dezoito anos em mais de trezentos papéis diferentes, que Muni estreou na Broadway em uma peça de língua inglêsa, “We Americans”, fazendo o papel de um imigrante judeu de meia idade, Morris Levine. Pouco tempo depois a peça foi comprada pela Universal Pictures, mas foi George Sidney o escolhido para o papel de Levine no filme A Alma de uma Nação / We Americans / 1928. O diretor Edward Sloman explicou que Muni não foi selecionado, porque sua maquilagem de homem de meia idade poderia não ser convincente na tela. Poucos anos depois, Muni se tornaria um grande astro na Warner, célebre por suas maquilagens.

Quando os talkies revolucionaram a indústria cinematográfica, os estúdios começaram a contratar atores-capazes-de-falar. Um velho amigo de Muni, Albert Lewis, executivo da Fox Films em Nova York, providenciou um teste com o ator, que havia impressionado o vice-presidente da companhia, Wilfrid Sheehan, por sua atuação na peça “Four Walls”, grande sucesso no meio teatral.

paul muni the valiant poster

Muni foi contratado pela Fox, teve o nome artístico mudado para Paul Muni, e seu primeiro filme, The Valiant / 1929 (Dir: William K. Howard), proporcionou-lhe a primeira de suas indicações para o Oscar da Academia; porém não teve bom resultado na bilheteria. O mesmo ocorreu com seu segundo filme, O Amigo de Napoleão / Seven Faces / 1929 (Dir: Berthold Viertel), no qual Muni usava sua habilidade com a maquilagem para interpretar seis personagens diferentes: Papa Chibou, Diablero, Willlie Smith, Franz Schubert, Don Juan, Joe Gans (um boxeador negro) e Napoleão. Desiludido por causa do fracasso financeiro desses espetáculos e insatisfeito com os papéis que o estúdio estava lhe oferecendo, Muni retornou à Broadway

Cartaz de O Amigo de Napoleão

Cartaz de O Amigo de Napoleão

Após ter trabalhado em três peças que não lhe satisfizeram, foi chamado por Howard Hawks para fazer um teste em Nova York; aceitou, não para convencer o produtor Howard Hughes, mas a si próprio, de que era o ator certo, para o papel que lhe caberia em Scarface: a Vergonha de uma Nação / Scarface / 1932. Como Muni achava que não tinha um tipo físico suficientemente forte para interpretar um gangster, Hawks mandou fazer um terno com ombreiras e sapatos com saltos mais altos para ele, a fim de lhe dar uma aparência mais corpulenta. Um quarteto notável de roteiristas – Ben Hecht, W. R. Burnett, John Lee Mahin, Seton I. Miller – adaptou o romance de Armitage Trail baseado na vida de Al Capone, aqui rebatizado de Tony Camonte, e interpretado magníficamente por Paul Muni. Hecht declarou que pretendia mostrar Camonte e a irmã Cesca (Ann Dvorak) como equivalentes na Era da Proibição a César e Lucrécia Borgia, embora no filme esta analogia nunca se tornou explícita. A fotografia de Lee Garmes, o elenco afinadíssimo que incluia ainda George Raft, Osgood Perkins (pai de Anthony Perkins), Boris Karloff e a vivacidade cinematográfica de Hawks, eram outros trunfos do espetáculo. Scarface se tornou um clássico do filme de gangster, súmula de tudo o que já havia sido feito e modelo do que ainda se faria no gênero.

Paul muni em Scarface

Vince Barnett,  Paul Muni e   Karen Morley em Scarface

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George Raft e Paul Muni em Scarface

George Raft e Paul Muni em Scarface

Paul Muni e Ann Dvorak em Scarface

Paul Muni e Ann Dvorak em Scarface

Cena de Scarface

Cena de Scarface

Cena de Scarface

Osgood Perkins, Paul Muni e   Karen Morley em Scarface

Paul Muni em Scarface

Paul Muni em Scarface

O grande problema com o filme ocorreu com o Código Hays. Eles exigiram a mudança do título, sugerindo Vergonha de uma Nação, dezenas de cortes, a inclusão de uma cena na qual o gansterismo é denunciado solenemente, e uma montagem inteiramente nova, mostrando o vilão sendo julgado e enforcado, em vez de ser abatido a tiros na sarjeta. Hughes cedeu, vários cortes foram feitos, o título foi eufemizado, e muitas cenas (não dirigidas por Hawks) foram adicionadas. Mesmo assim, o filme foi proibido pela New York State Board. Hughes recorreu à justiça, ganhou a causa, lançou o filme com o título original, e restaurou os cortes, deixando apenas uma cena censurada pelo Código Hays intacta. Scarface estreou no Strand Theatre em Nova York, quase um ano depois da filmagem ter sido completada.

Durante o ano em que o filme ficou banido, Muni aumentou seu prestígio artístico na peça “Counsellor at Law”, interpretando o papel de George Simon, advogado judeu de Nova York, que começa a questionar sua ascenção profissional, quando descobre a infidelidade da esposa, chegando quase ao suicídio. O personagem seria encarnado no cinema de modo igualmente primoroso por John Barrymore em O Conselheiro / The Counsellor / 1933.

Paul Muni em O Fugitivo

Paul Muni em O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Paul Muni em O fugitivo

Paul Muni em O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Cena de O Fugitivo

Paul Muni e Glenda Farrell em O Fugitivo

Paul Muni e Glenda Farrell em O Fugitivo

Helen Vinson e Paul Muni em O Fugitivo

Helen Vinson e Paul Muni em O Fugitivo

Na primavera de 1932, Muni estava com dois sucessos, Scarface na tela e “Counsellor at Law” no palco, quando a Warner o chamou para fazer O Fugitivo / I Am a Fugitive from a Chain Gang / 1932, drama social dirigido por Mervyn LeRoy e baseado em uma história real. O personagem de Muni, James Allen, um veterano da Primeira Guerra Mundial, desempregado, é envolvido inocentemente em um roubo. Preso, ele é submetido às crueldades desumanas de uma prisão do Sul dos Estados Unidos, consegue fugir, e, adotando um novo nome, torna-se um construtor respeitável em Chicago. Marie (Glenda Farrell), sua locadora, descobre a verdade sobre ele e o chantageia, obrigando-o a se casar com ela. O casamento é um desastre. Uma noite, James conhece Helen (Helen Vinson) e os dois se apaixonam. Ele pede o divórcio de Maria, mas ela recusa e, por vingança, o denuncia. A prisão do Sul lhe oferece o perdão em noventa dias, caso ele se entregue. Desejando limpar seu nome antes de se casar com Helen, James concorda; porém quando chega ao Sul, descobre que eles o enganaram. Depois que seu pedido de perdão é recusado duas vêzes, ele escapa de novo da cadeia e passa a viver como um fugitivo desesperado. Por meio de uma narrativa fluente e um vigor dramático acompanhamos a trajetória do protagonista até um dos finais mais belos e amargos do Cinema, quando ele consegue se encontrar com Helen à noite, em um local deserto, e ela lhe pergunta: “De que você está vivendo?” Ele responde: “Eu roubo”, e desaparece nas trevas. Muni teve sua segunda indicação para o Oscar de Melhor Ator .

O contrato de Muni e a Warner Bros. lhe dava o direito de aprovação dos scripts e ele se tornou extremamente seletivo na aceitação dos mesmos. Muni era um perfeccionista obsessivo e podia passar mêses pesquisando sobre seu personagem e preparando sua atuação. No set, ele dependia quase que totalmente do conselho e opiniões de sua esposa Belle, também atriz de teatro, com quem se casara em 1921. Se por acaso Belle não aprovasse determinada tomada, esta teria que ser refilmada.

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A Warner anunciou Muni como “O Maior Ator do Mundo” e em seguida o colocou em uma série de filmes para provar isso: A Humanidade Marcha / The World Changes / 1933 (Orin Nordholm Jr., fazendeiro ambicioso torna-se um pioneiro no transporte de carne em caminhões frigoríficos, alcançando sucesso financeiro, mas fracassando na sua vida particular no decorrer de muitas décadas); Olá, Nellie! / Hi, Nellie / 1934 (Samuel Bradshaw, editor combativo é rebaixado para a seção de consultório sentimental de um jornal, porque não quís abrir mão de seus princípios, e acaba desvendando um caso de corrupção); A Barreira / Bordertown / 1935 (Johnny Ramirez, causídico mexicano expulso da Ordem dos Advogados, torna-se sócio de uma buate, e vem a ser acusado de um crime cometido pela mulher do seu sócio); Inferno Negro / Black Fury / 1935 (Joe Radek imigrante, operário de uma mina de carvão, iludido por uma nebulosa organizacão, prejudica os companheiros de sindicato, e depois se redime), e Dr. Sócrates / Dr. Socrates / 1935 (Dr. Lee Caldwell, médico de uma cidade pequena vê-se involuntariamente envolvido com gangsters, e acaba entregando-os à policia).

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Paul Muni e Bette Davis em A Barreira

Paul Muni e Bette Davis em A Barreira

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Paul Muni e em Dr. Sócrates

Paul Muni e Karen Morley em Inferno Negro

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Ann Dvorak e Paul Muni em Dr. Sócrates

Ann Dvorak e Paul Muni em Dr. Sócrates

Por sua atuação em Inferno Negro, Muni chegou em segundo lugar na disputa pelo Oscar de Melhor Ator de 1935 (ganho por Victor MacLaglen), levando-se em conta os write-in votes, que eram permitidos na época, ou seja, os eleitores da Academia podiam escrever na cédula de votação o nome de atores que não tivessem sido indicados. Os write-in votes só perduraram por dois anos, 1935 e 1936. Em Dr. Sócrates Muni ficou conhecendo seu diretor William Dieterle, sob o comando do qual criaria três clássicos da cinebiografia: A História de Louis Pasteur/ The Story of Louis Pasteur / 1936, Émile Zola / The Life of Emile Zola / 1937 e Juarez / Juarez / 1939.

Somente por insistência de Muni, que tinha o direito de dar a palavra final sobre o argumento de seus filmes, Jack Warner autorizou a produção de A História de Louis Pasteur. Dieterle narrou a trajetória do célebre químico francês de maneira direta e acessível, respeitando os fatos históricos e Muni personificou soberbamente o biografado, conquistando o Oscar. O filme foi indicado para o troféu da Academia, agradou aos críticos e ao público, convencendo Jack Warner de que novas cinebriografias com o ator seriam do agrado popular.

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Paul Muni em A História de Louis Pasteur

Paul Muni em A História de Louis Pasteur

Paul Muni na cerimônia do Oscar ao lado de Luise Rainer e Frank Capra

Paul Muni na cerimônia do Oscar ao lado de Luise Rainer e Frank Capra

Émile Zola ganhou o Oscar de Melhor Filme e deu a Muni mais uma indicação para o troféu de Melhor Ator. A cena mais contundente é a do julgamento de Alfred Dreyfuss, na qual Muni brilha intensamente, discursando em favor do oficial judeu injustamente acusado. Graças ao extraordinário talento do ator, bastou um único take para que Dieterle se desse por satisfeito. Muni leu tudo o que encontrou a respeito de Zola, cada palavra das transcrições do julgamento de Dreyfus e muitos romances do escritor em traduções. Na sua pesquisa, descobriu alguns gestos famosos e idiosincrasias de Zola: seu andar com os ombros caídos, uma risada excêntrica, o modo pelo qual ele enfiava seu guardanapo sob seu colarinho, como colocava suas mãos para a frente e dava uma batidinha no seu estômago pensativamente. Um dia Muni irrompeu no departamento de pesquisa do estúdio. “Quero saber mais”, ele disse. “Mas Mr. Muni, nós lhe demos tudo que pudemos encontrar sobre Zola”. “Acho que conheço Zola agora”, Muni respondeu, impacientemente. ”Quase. Quase. Agora desejo conhecer algo sobre seus antepassados” (cf. Jerome Lawrence em Actor – The Life and Times of Paul Muni, W.H. Allen, 1975).

Paul Muni em Émile Zola

Paul Muni em Émile Zola

Paul Muni em Émile Zola

Paul Muni em Émile Zola

No terceiro papel cinebiográfico, Muni assumiu as feições de Benito Juarez, chamado de o Lincoln mexicano por causa de sua luta para libertar seu país dos interesses imperiais europeus. No script original havia uma preocupação em dar igual importância às figuras do líder revolucionário e do Imperador Maximiliano e sua esposa Carlota, que Napoleão III colocou no trono do México. A certa altura da produção, o script foi reformulado para encurtar os papéis de Brian Aherne (Maximiliano) e Bette Davis (Carlota) e dar mais força ao de Muni. Mesmo assim, Aherne quase conseguiu ofuscar Muni, personificando com muita propriedade o trágico príncipe austríaco. Aherne foi indicado para o Oscar. Quando a Warner realizou Juarez, o mexicano Miguel Contreras Torres acionou a companhia, alegando que o filme era um plágio da sua produção, Juarez y Maximiliano / 1934. A Warner perdeu a ação e ainda se viu obrigada a distribuir o filme mexicano. Para isso, elaborou uma versão em inglês, exibida no Brasil como A Imperatriz Louca / The Mad Empress, sob a marca Vitagraph, tendo no elenco Conrad Nagel, Evelyn Brent, Lionel Atwill e a atriz austríaca Medea de Novara.

Paul Muni em Juarez

Paul Muni em Juarez

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No intervalo entre essas cinebiografias, Muni foi emprestado para a MGM para interpretar o papel de um chinês em Terra dos Deuses / The Good Earth / 1937, baseado no romance de Pearl S. Buck. Os efeitos especiais a cargo de James Basevi eram especialmente notáveis na famosa sequência da praga de gafanhotos. Os técnicos começaram usando cenas de cinejornal de uma praga de gafanhotos ocorrida na África, porém o diretor Sidney Franklin não ficou satisfeito com estas tomadas de arquivo. Por sorte, ocorreu outra praga, desta vez em Utah, exatamente na ocasião da filmagem. Os cinegrafistas do estúdio foram para lá e trouxeram não somente tomadas de milhões de gafanhotos, mas também vários barris com os insetos vivos, para jogá-los sobre os atores. Paul Muni e Luise Rainer tiveram grandes desempenhos como o pobre camponês Wang e sua devotada mulher O-Lan, mas somente Luise foi indicada para o Oscar. Muni provavelmente também seria indicado mas, pelas regras então em vigor na Academia, só podia haver uma indicação por ano para cada categoria, e ele já havia sido indicado por Émile Zola.

Paul Muni e Luise Rainer em Terra dos Deuses

Paul Muni e Luise Rainer em Terra dos Deuses

Luise Rainer e Paul Muni em Terra dos Deuses

Luise Rainer e Paul Muni em Terra dos Deuses

Muni foi também emprestado para a RKO, onde fêz Inferno entre Nuvens / The Woman I Love / 1937, cujo roteiro foi extraído do romance de Joseph Kessel, que havia servido de base para Tripulantes do Céu / L’équipage / 1935, estrelado por Annabella, Charles Vanel e Jean-Pierre Aumont. A RKO contratou o mesmo diretor do filme francês, Anatole Litvak, e colocou Muni no papel de Charles Vanel, Miriam Hopkins no papel de Annabella e Louis Hayward no papel de Jean-Pierre Aumont, o triângulo amoroso formado entre dois aviadores da Primeira Guerra Mundial e a esposa de um deles.

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Após Juarez, Muni interpretou seu papel favorito em Não Estamos Sós / We Are Not Alone / 1939: o do médico do interior, Dr. David Newcome, que, na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, é acusado de matar a mulher e ter um caso amoroso com uma governante austríaca. Ele, Jane Bryan (como a amante) e Flora Hobson (como a esposa) tiveram atuações impecáveis e Goulding reproduziu satisfatoriamente o ambiente britânico do romance de James Hilton.

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Jane Bryan e Paul Muni em Não Estamos Sós

Jane Bryan e Paul Muni em Não Estamos Sós

Entretanto, nem Juarez nem Não Estamos Sós tiveram bom êxito comercial e Muni voltou mais uma vez à Broadway, na peça de Maxwell Anderson, “Key Largo”, grande sucesso no palco, depois filmada por John Huston. Ao retornar a Hollywood, rompeu seu contrato com a Warner, quando o estúdio, em vez de produzir a cinebiografia de Beethoven (que ele tanto insistira para ser filmada), lhe ofereceu o papel de um fugitivo da justiça, que se escondia nas montanhas da Califórnia. Humphrey Bogart aceitou o papel que Muni recusou; O Último Refúgio / High Sierra / 1941 elevou Bogart ao estrelato.

Paul Muni em O Renegado

Paul Muni em O Renegado

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Pouco depois, Muni assinou contrato com a Twentieth Century-Fox, para fazer, sob as ordens de Irving Pichel, O Renegado / Hudson’s Bay / 1941, no qual ele era Pierre Radisson, caçador de peles franco-canadense imiscuido na aventura semihistórica da criação da Hudson’s Bay Company. O ator, como sempre, construiu seu personagem com muito esmêro, inclusive aprendendo a falar o dialeto franco-canadense. Porém de nada adiantou seu esfôrço, porque apesar dos altos valores de produção, a narrativa era estática e enfadonha.

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Cornel Wilde, Merle Oberon e Paul Muni em A Noite Sonhamos

Cornel Wilde, Merle Oberon e Paul Muni em A Noite Sonhamos

paul muni counteraartack posterNa década de quarenta, Muni trabalhou no teatro e no rádio e participou de mais cinco filmes: Os Comandos Atacam de Madrugada / Commandos Strike at Dawn / 1942, de John Farrow, como Eric Torensen, um patriota norueguês, neste filme de resistência aos nazistas com um assunto interessante e boas cenas de ação; Noivas de Tio Sam / Stage Door Canteen / 1942 de Frank Borzage, como ele mesmo em uma breve aparição no meio de um elenco astros e estrelas do teatro e do cinema, neste musical patriótico para o esforço de guerra; A Noite Sonhamos / A Song to Remember / 1945 de Charles Vidor compondo com exagero a figura de Józef Elsner, professor de Frédérick Chopin (Cornel Wilde), nesta cinebiografia bem sucedida financeiramente, embora histórica e artisticamente duvidosa; Alma Russa / Counter-Attack / 1945, de Zoltan Korda, como Alexei Kulkov um paraquedista soviético que mantém em cheque sete prisioneiros nazistas em um porão subterrâneo, neste drama de guerra clautrofóbico cheio de suspense; Eu e o Sr. Satã / Angel on my Shoulder / 1946, de Archie Mayo, como o gangster Eddie Kagle, que depois de morto Satã (Claude Rains) faz retornar à terra no corpo do juiz Frederick Parker, nesta comédia-dramática fantástica enriquecida pelos contrastes divertidos e pela interpretação dos dois excelentes atores.

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Após ter desistido da idéia de estrelar uma cinebiografia de Alfred Nobel, por dificuldade de encontrar um produtor e pelos rumores de que o inventor da dinamite seria homossexual (tal assunto seria impossível de ser filmado na época), Muni atuou no seu primeiro drama televisivo, repetindo o papel de George Simon em “Counsellor at Law” no programa Philco Playhouse (1948) e, dirigido por Elia Kazan, apresentou-se em Londres como Willy Loman na peça “Death of a Salesman” de Arthur Miller (1949).

Paul Muni, o diretor Joseph Losey e o fot'grafo Henri Alekan na filmagem de O Homem Que O Mundo Esqueceu

Paul Muni, o diretor Joseph Losey e o fotógrafo Henri Alekan na filmagem de O Homem Que O Mundo Esqueceu

Em 1952, Muni atuou em uma produção ítalo-americana, que pretendia fazer, no molde neorealista, duas versões: uma, para lançamento na América como Embarkation at Midnight e outra, para ser lançada na Itália como Imbarco a Mezzanotte. O filme exibido na América, onde recebeu finalmente o título de O Homem que o Mundo Esqueceu / Stranger on a Prow, foi produzido por Bernard Vorhaus e John Weber, dirigido por Joseph Losey e escrito por Ben Barzman, cineastas que rumaram para a Europa depois da caça às bruxas anti-comunista. De modo que os créditos saíram assim: “Produzido por Noel Calef (i.e. Vorhaus-Weber), dirigido por Andrea Forzano (i.e. Joseph Losey), roteiro de Andrea Forzano (i.e. Ben Barzman)”.

Cena de O Homem Que O Mundo Esqueceu

Cena de O Homem Que O Mundo Esqueceu

Neste filme, que tem traços de O Fugitivo e uma mensagem contra a injustiça, Muni interpreta, com uma humanidade tocante, um homem que perambula pelas ruas, possuindo como seu único bem um revólver. Um menino italiano se encontra perto dele na porta de uma leiteria. O homem havia matado a dona do estabelecimento, para matar sua fome com um queijo; o menino roubara uma garrafa de leite, por ter perdido o dinheiro que sua mãe lhe dera. Os dois culpados, perseguidos pela polícia, fogem, e se escondem. O homem será abatido pelos policiais, após ter salvo o menino em perigo de morte. Muni provou que o cinema ainda precisava dele.

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Entretanto, somente sete anos depois, ele retornaria à tela em Rebeldia de um Bravo / The Last Angry Man, convocado para diante das câmeras por Daniel Mann pela última vez, interpretando o papel do Dr. Samuel Abelman, um médico que praticava a medicina em uma comunidade pobre, habitada na sua maioria por negros. Seu desempenho mereceu uma quinta indicação para o Oscar de Melhor Ator.

Antes disso, obteve seu maior triunfo na Broadway como Henry Drummond, o personagem inspirado em Clarence Darrow na peça “Inherit the Wind” (que Spencer Tracy faria na versão cinematográfica de Stanley Kramer), uma interpretação notável que lhe deu o Tony Award. Durante essa temporada, ele teve que deixar temporariamente o espetáculo, para ter um olho removido por causa de um tumor.

Paul Muni, no teatro em Inherit the Wind

Paul Muni, no teatro em Inherit the Wind

Após Rebeldia de um Bravo, Muni, com problemas de saúde, retirou-se do teatro e do cinema e só saiu da aposentadoria em 1962, para comparecer, como artista convidado, em um dos episódios da série Saints and Sinners.

Paul Muni faleceu no dia 25 de agosto de 1967 em Santa Bárbara, Califórnia, e atingiu a imortalidade nas mentes daqueles que o viram representar.

CECIL B.DEMILLE NO CINEMA MUDO

November 30, 2015

Ele foi o diretor mais popular e bem sucedido comercialmente do cinema americano clássico, e um dos seus eminentes pioneiros. É comumente lembrado como realizador de superespetáculos que, apesar de suas falsidades históricas, vulgaridade e moralismo, demonstravam uma inspiração épico-plástica, e nunca deixaram de agradar à milhões de espectadores. DeMille era um exímio contador de histórias, que levava as multidões aos cinemas, e nunca as decepcionou, oferecendo-lhes exatamente o que elas queriam ver. Sabia se promover muito bem, apresentando seus próprios trailers, narrando seus próprios filmes, comandando o Lux Radio Theatre. Nenhum outro diretor em Hollywood manteve-se com forte prestígio no meio cinematográfico durante um período tão longo de tempo, criando grandes atrações em cada uma das suas cinco décadas.

Cecil B. DeMille

Cecil B. DeMille

Durante o cinema mudo, no início de sua carreira, ele contribuiu com alguma inovação formal para época e abordou temas originais (v. g. Ferreteada! ou A Embusteira / The Cheat / 1915, Vassalagem ou Mumúrios da Consciência / The Whispering Chorus / 1918). Posteriormente à Primeira Guerra Mundial, o cineasta avaliou a nova civilização que emergira após o conflito, e chegou à conclusão de que os espectadores estavam fundamentalmente curiosos apenas por dinheiro e sexo. Para alcançar objetivos comerciais ele iniciou uma série de comédias de costumes ou, como diziam os críticos, “farsas de alcova sofisticadas” (v. g. Macho e Fêmea / Male and Female / 1919 e Por Que Trocar de Esposa? / Why Change Your Wife? / 1920) com heroínas glamourosas, vestidas provocantemente e uma decoração de interiores luxuosa, que exprimiam os costumes e a moral da sua época. DeMille dedicou-se também aos grandes espetáculos religiosos (ele se gabava de “ter feito mais pessoas lerem a Bíblia do que ninguém”) como Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments / 1923 e O Rei dos Reis / The King of Kings / 1927, com os quais, além de auferir rendimentos polpudos, apazigou os grupos de pressão moralistas impressionados com os famosos escândalos no meio hollywoodiano (Roscoe Arbuckle, William Desmond Tayor, Wallace Reid), salvando toda a indústria de Hollywood, que iria ficar em breve sob autocensura, controlada rígidamente por Will H. Hays.

Cecil B. DeMille e Jeannie Macpherson

Cecil B. DeMille e e a roteirista Jeannie Macpherson

No período silencioso, o cineasta abordou ainda outros gêneros – o western (v. g. Pela Felicidade Dela / The Virginian / 1915), a comédia romântica (v. g. A Noite de Sábado / Saturday Night / 1922), o drama histórico (v. g.  Barqueiro do Volga / The Volga Boatman / 1926), o drama social (v. g. De Qualquer Forma / Kindling / 1915, o drama criminal (v. g. Tentação! / Temptation / 1916), o drama de guerra (v. g. A Intrépida Americana / The Little American /1917), o drama social (Mulher Sem Deus / v.g. / 1929) etc., demonstrando sempre perfeito domínio da narrativa cinematográfica.

De Mille realizou 70 filmes, sendo 52 mudos e 18 falados. Dos 52 filmes mudos sobreviveram 45, mas nem todos estão atualmente disponíveis. Como não conheço toda a obra silenciosa de DeMille, posso apenas comentar alguns filmes dele anteriores ao cinema falado, que pude ver em boas cópias.

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CARMEN / CARMEN / 1915

Quando Don Jose (Wallace Reid), um novo oficial em uma cidade da costa da Espanha recusa o suborno dos traficantes para deixá-los trazer bens ilegais, Carmen (Geraldine Farrar), uma cigana tempestuosa que vive com eles nas montanhas, é enviada para seduzí-lo. Ela consegue emprego em uma fábrica de cigarros e dança à noite na taverna, onde Morales (William Elmer), um outro oficial e Escamillo (Pedro De Cordoba), um toureador, a cortejam. Don Juan fica enfeitiçado por Carmen, e é induzido a abandonar seu posto, a fim de permitir a passagem dos traficantes. No dia seguinte, durante uma briga, Carmen fere Frasquita, uma colega da fábrica, e é presa por Don Jose. Depois que este permite que ela passe pela taverna, Morales, embriagado, insulta Don Jose, eles lutam, e Morales é morto. Carmen e Don Jose fogem para as montanhas. Depois que Carmen, dizendo que não pertence a homem algum, parte com Escamillo para Sevilha, Don Jose os segue. No portão da arena, durante a tourada, Carmen diz a Don Jose que está tudo acabado entre eles. Ele a esfaqueia e ela morre enquanto a multidão aplaude o vitorioso Escamillo.

Wallace Reid e Geraldine Farrar em Carmen

Wallace Reid e Geraldine Farrar em Carmen

DeMille achou que Carmen era um papel ideal para a famosa soprano Geraldine Farrar, mas devido ao alto preço dos direitos autorais do libreto da ópera de Bizet, ele preferiu adaptar o romance de Prosper Merimée, que havia caído no domínio público e que contava basicamente a mesma história.

Geraldine Farrar e Pedro de Cordoba em Camren

Geraldine Farrar e Pedro de Cordoba em Camren

Neste, que foi o segundo – mas o primeiro a ser lançado – dos seus 14 filmes (além de Carmen, ela fêz mais cinco sob as ordens de DeMille: Amor Vingado / Maria Rosa / 1915, Tentação ! / Temptation / 1916, Joana D’Arc, a Donzela de Orleans / Joan the Woman / 1917, A Mulher que Deus Esqueceu / The Woman God Forgot / 1917, A Pedra do Diabo / The Devil Stone / 1917), G. F. esforça-se para transmitir a sensualidade da personagem, mas seus dotes físicos não ajudam.

Cena de Carmen

Cena de Carmen

Os cenários, embora elaborados, são muito teatrais. Entretanto, DeMille conseguiu realizar um filme compacto (59’) – algo inusitado em sua carreira – e sem moralismo -, outra raridade tratando-se do cineasta. Essa concisão faz com que acompanhemos o drama de Mérimée, sem desgrudarmos nossa atenção da narrativa, resultando um espetáculo bastante apreciável para a sua época.

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FERRETEADA! OU A EMBUSTEIRA / THE CHEAT / 1915.

Edith Hardy (Fannie Ward), mulher entediada e gastadora, diverte-se na companhia de seu admirador, Hishuru Tori (Sessue Hayakawa), japonês muito rico enquanto seu marido Dick (Jack Dean), corretor de valores, está tentando concluir um bom negócio. Acreditando nas informações que lhe foram dadas por um negociante rival de seu marido, Edith “toma emprestado” dez mil dólares de um fundo de socorro da Cruz Vermelha, do qual ela era tesoureira, para investir em ações de uma mineradora. Entretanto, o preço das ações da companhia despenca, e Edith é forçada a pedir ajuda a Tori, prometendo-lhe que, em troca do dinheiro, ela irá ao encontro dele na próxima noite. Quando Dick conta para Edith que sua transação comercial foi bem sucedida, ela tenta pagar Tori em dinheiro, porém este insiste para que ela cumpra sua promessa. Edith se recusa e Tori, enraivecido, marca-a com um um ferro em brasa. Edith dispara sua arma contra Tori e foge, mas seu marido descobre o japonês ferido, e é preso pelo crime. No julgamento, Dick é condenado, e está prestes a receber a sentença, quando Edith conta a verdade e mostra a marca no seu ombro. A multidão presente no tribunal quase lincha Tori. Dick é libertado e deixa o recinto com Edith em seus braços.

Sessue Hayakawa e Fannie Ward em Ferreteada!

Sessue Hayakawa e Fannie Ward em Ferreteada!

Neste melodrama sombrio, enfrentando o tabu da atração interracial, a maior parte da ação tem lugar na residência do milionário japonês. O motivo oriental de sua casa permite o uso frequente de sombras em um painel de papel feito de palha de arroz transparente e outras decorações. Várias cenas importantes são apresentadas em silhueta através desses painéis, como ocorre no momento climático, no qual o japonês é alvejado, cai em cima de um painel, e uma mancha de sangue se espalha enquanto o corpo dele tomba no chão.

Cena de Ferreteada!

Cena de Ferreteada!

Cena de Ferreteada!

Cena de Ferreteada!

O estilo visual desenvolvido por DeMille, pelo fotógrafo Alvin Wycoff e pelo diretor de arte Wilfred Buckland, deixa os personagens na escuridão, exceto por uma única fonte de luz (mostrando, por exemplo, apenas metade do rosto de um ator). Essa técnica de iluminação recebeu o nome de “Rembrandt lighting”, porque se assemelhava ao tratamento da luz que o grande pintor usava nos seus quadros, e serviu como modelo para a fotografia no cinema entre 1915 e 1918.

Cena de Ferreteada!

Cena de Ferreteada!

A esposa de Sessue Hayakawa, Tsuru Aoki, era mais conhecida do que ele na época, tendo estrelado diversos filmes para Thomas Ince porém, a partir de Ferreteada!, Hayakawa tornou-se um astro no cinema americano até partir para a Europa em 1923. Hoje, ele é mais conhecido por seu trabalho como o comandante japonês em A Ponte do Rio Kwai / The Bridge on the River Kwai / 1957. No filme original, o personagem de Hayakawa era definido claramente como japonês. Quando Ferreteada! foi exibido em 1915, a comunidade nipo-americana sentiu-se ultrajada e protestou, embora ninguém tivesse ouvido seus gritos. Em 1918, quando o Japão se tornou um aliado na Primeira Grande Guerra, o nome e a nacionalidade do personagem foram mudados: Tori passou a ser Haka Arakau, um bramanês rei do marfim – presumivelmente porque os produtores acharam que não havia um número de bramaneses suficiente no país para promover um novo protesto.

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JEANNE D’ARC ou JOANA D’ARC, A DONZELA DE ORLEANS / JOAN THE WOMAN / 1917.

Enquanto luta na França durante a Primeira Guerra Mundial, um soldado inglês, (Wallace Reid) encontra na trincheira uma espada medieval e sonha com Joana d’Arc (Geraldine Farrar), que lhe pede para morrer pela França, a fim de expiar os pecados inglêses contra ela. Então, ele a vê tornando-se a líder das forças de Carlos VII (Raymond Hatton) contra os britânicos e capturando Orleans do inimigo, proporcionando assim a Carlos a sua maior vitória. No combate, Joana prende o comandante britânico, Eric Trent (Wallace Reid), que ela conhecera na sua aldeia algum tempo atrás, nascendo uma simpatia mútua. Joana pede a Carlos VII que liberte Trent, e este depois é forçado a capturar Joana em uma emboscada. Na prisão, Trent pede perdão a Joana e jura seu amor por ela; porém Joana lhe responde que seu coração pertence à França. Julgada por heresia pelo Bispo Cauchon (Theodore Roberts), Joana é condenada à morrer queimada na fogueira. Trent invade a prisão e tenta em vão salvá-la, mas é impedido pelos guardas de Cauchon. Joana perece nas chamas. Inspirado por esta visão, o soldado inglês, quando acorda, sacrifica-se em um ataque noturno audacioso contra as trincheiras germânicas.

Cena de Joana D'Arc

Cena de Joana D’Arc

Cena de Joana D 'Arc

Cena de Joana D ‘Arc

Cena de Joana D 'Arc

Cena de Joana D ‘Arc

Joana D’ Arc serviu como modelo para os superespetáculos posteriores de DeMille, destacando-se a longa cena de batalha – com ajuda de 17 câmeras e um grupo de assistentes de direção entre eles William deMille, George Melford e Donad Crisp – e o recurso ao retrospecto histórico (que seria usado em vários de seus filmes) para que o diretor pudesse incutir alguma grandeza épica e explorar o seu interesse – e o da sua colaboradora mais assídua, a roteirista Jeannie Macpherson – pela reencarnação.

Wallace Reid e Geraldine Farrar em Joana D'Arc, A Donzela de Orleans

Wallace Reid e Geraldine Farrar em Joana D’Arc, A Donzela de Orleans

Geraldine Farrar

Geraldine Farrar

Nota-se ainda: o emprego do processo de pintura por meio de estêncil patenteado pelo gravador Max Handschiegl e pelo fotógrafo Alvyn Wycoff, notadamente nas chamas, quando Joana é queimada; a imponência dos cenários de Wilfred Buckland; o uso da “Rembrandt lighting”; o estilo de interpretação formal e estilizado dos atores principais.

Cecil B. DEMIlle e Geraldine Farrar

Cecil B. DEMIlle e Geraldine Farrar

Apesar de ser mais velha do que a verdadeira Joana, Geraldine Farrar expressa corretamente as caraterísticas mais importantes da heroína, evitando parecer muito feminina, para assumir os traços de uma mulher rústica e forte. O “romance” de Joan com Trent obviamente nada tem ver com a História, mas enseja algumas cenas belas como a da separação dos dois na prisão, que termina com Joana ajoelhada diante do altar.

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VASSALAGEM OU MURMÚRIOS DA CONSCIÊNCIA / THE WHISPERING CHORUS / 1918.

Atolado de dívidas, o contador John Trimble (Raymond Hatton) dá um desfalque na firma em que trabalha. Quando uma investigação nos livros da companhia ameaça expor seu crime, John foge, e se refugia no meio de uma floresta. Ele descobre um cadáver em um reservatório de água próximo e assume a sua identidade, deixando indícios para fazer crer que o cadáver é o dele, John, que teria sido assassinado. A polícia descobre o corpo e cai no laço. Sob o nome usurpado de Edgar Smith, John perambula por Chinatown e se torna vendedor ambulante. Entrementes, Jane, acreditando que ele está morto, casa-se com George Coggeswell (Elliott Dexter), que se torna governador do Estado. Cada vez mais infeliz, John decide visitar sua progenitora (Edythe Chapman). Ela morre logo depois de revê-lo. Com o nome fictício de Edgar Smith, John é preso pelo assassinato … de sí mesmo. Jane a príncipio não o reconhece, mas depois, muito perturbada, vai visitá-lo na prisão. Compreendendo que uma revelação pública da verdade arruinará a felicidade de Jane (e do filho que ela teve com Coggeswell), John ouve a voz da sua consciência (the whispering chorus), e prefere manter o silêncio. Ele vai para a cadeira elétrica com uma rosa na mão, que ganhou daquela que outrora fôra sua esposa.

Cena de Vassalagem

Cena de Vassalagem

Cena de Vassalagem

Cena de Vassalagem

Cena de Vassalagem

Cena de Vassalagem

Raymond Hatton em Vassalagem

Raymond Hatton em Vassalagem

Estudo psicológico mórbido através do qual DeMille aborda um tema recorrente na sua obra: o do mundo dominado por uma providência divina, cujas leis são impenetráveis. Este conteúdo é acompanhado por uma pesquisa formal bem sucedida, notadamente na materialização do pensamento do protagonista por superimpressões de rostos alternadamente ferozes ou serenos. DeMille utiliza também a montagem paralela com eficiência, por exemplo, a cerimônia de casamento entrecruzada com o encontro amoroso de Tremble com uma prostituta chinesa. A sequência na casa da morte é construída com detalhes precisos, até a cena final poética. A mão de Tremble é amarrada na cadeira elétrica. Elas manuseiam as pétalas de uma rosa. A chave para a eletrocução é acionada. As pétalas caem no chão.

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MACHO E FÊMEA ou DE FIDALGA A ESCRAVA / 1919

William Crichton (Thomas Meigham) é mordomo de Lord Loam (Theodore Roberts) e de sua família indolente. Ele ama secretamente Lady Mary Lasenby (Gloria Swanson), filha do conde e, por sua vez, é amado por “Tweeny” (Lila Lee), criada da mansão do lorde. Durante um cruzeiro de férias a família e a criadagem naufragam em uma ilha deserta. Eles descobrem que a condição social nada significa na selva. Pela sua liderança e habilidade de sobreviver naquele ambiente primitivo, Crichton torna-se um “rei” na ilha. Quando está prestes a receber Lady Mary em casamento, surge um navio e resgata os náufragos. De volta à Inglaterra, todos reassumem suas antigas posições na sociedade.

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Gloria Swanson, Thomas Meigham e Lila Lee em Macho e Fêmea

Gloria Swanson, Thomas Meigham e Lila Lee em Macho e Fêmea

Terceiro dos seis filmes que DeMille fez com Gloria Swanson (os outros foram: Não Troqueis Vossos Maridos / Don’t Change Your Husband / 1919, A Renúncia / For Better, For Worse / 1919, Por Que Trocar de Esposa? / Why Change Your Wife? / 1920, Alguma Coisa Em Que Pensar / Something To Think About / 1920, As Aventuras de Anatólio / The Affairs of Anatol / 1921), Macho e Fêmea foi baseado em uma peça de J. M. Barrie, “The Amirable Crichton”, que lida comicamente com o tema da consciência de classe. Na ilha, em plena natureza, as hierarquias sociais artificiais desaparecem e o mordomo e a aristocrata se relacionam de acordo com seus desejos e qualidades verdadeiros. Em Londres, cada qual retoma a sua situação anterior na sociedade. Chrichton casa-se com Tweeny e parte com ela para uma existência idílica em uma fazenda americana. Lady Mary confirma seu casamento com Lord Brokelhurst (Robert Cain).

Thomas Meigham e Gloria Swanson em Macho e Fêmea

Thomas Meigham e Gloria Swanson em Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Em uma sequência onírica, apresentada em flashback. Gloria Swanson é uma prisioneira que resiste à luxúria do rei babilônio (Thomas Meigham), mordendo sua mão. Em consequência, ela é jogada em uma cela à mercê dos “leões sagrados de Ishtar”. Gloria está deitada no chão, um leão de verdade se aproxima e põe as patas nas suas costas. Quando a filmagem terminou, a atriz dirigiu-se ao escritório de DeMille e lhe informou que estava tremendo de medo e provavelmente não poderia vir trabalhar no dia seguinte. DeMille então mostrou-lhe uma caixa cheia de jóias, para que ela escolhesse algo que lhe acalmasse os nervos. “Eu peguei uma bolsa de malha dourada com um fecho de esmeralda e inediatamente me senti bem melhor”, disse ela ao se lembrar deste fato tempos depois.

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Cena de Macho e Fêmea

Neste retrospecto histórico, que serviu como pretexto para a exibição de um vestuário (de Mitchel Leisen) e um cenário  (de Wilfred Buckland) extravagantes tão ao gôsto do diretor, aparece Bebe Daniels como a favorita do rei. Durante as cenas passadas na Inglaterra, Gloria Swanson, tal como em todos os seus filmes com DeMille, veste roupas incríveis: robes enfeitados com guarnição de peles, longos colares de pérolas, turbantes enfeitados com penas ou plumas, vestidos de noite com caudas longas adornadas de arminho, dorme em lençóis de cetim, senta-se em cadeiras forradas de brocado e entra em um banheiro luxuriosamente decorado. O público gostava de Gloria, mas apreciava também as roupas, as camas, as cadeiras, e especialmente os banheiros.

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A NOITE DE SÁBADO / SATURDAY NIGHT / 1922.

Iris Van Suydam (Leatrice Joy) e Richard Wynbroock Prentiss (Conrad Nagel), um rico casal da alta sociedade, estão noivos. Entretanto, Iris é atraída pelo seu motorista Tom McGuire (Jack Mower), que está apaixonado por ela; e Richard conhece Shamrock O’Day ( Edith Roberts), filha de uma lavadeira, e se rende aos seus encantos. Consequentemente, Iris e Richard cancelam seu noivado e cada qual se casa com o parceiro de sua preferência. Mais tarde, eles descobrem sua incapacidade para se ajustar a outro meio social. Tom sente-se deslocado no mundo de ópera, boates da moda e concêrtos de Iris; enquanto Shamrock não fica à vontade em um banquete formal e se embriaga. Uma noite, após uma festa, Tom e Shamrock dão uma fugidinha até Coney Island, onde ficam presos no alto de uma roda gigante durante várias horas; ao voltar para casa eles encontram Richard e Iris aguardando por eles. Tom declara seu amor por Shamrock e uma luta entre ele e Richard é interrompida por um incêndio. Depois do resgate de Iris por Richard, efetuam-se os divórcios. Tom casa-se com Shamrock e Richard com Iris.

Jack Mower e Leatrice Joy em A Noite de Sábado

Jack Mower e Leatrice Joy em A Noite de Sábado

A maior parte dos efeitos cômicos provém do choque causado pela transferência de uma jovem da classe pobre para um ambiente rico e reciprocamente uma jovem da classe rica para um ambiente pobre. Inicialmente a situação parece mais fácil para a lavadeira do que para a herdeira rica. Ela tem que se acostumar a tomar banho todos os dias e não somente no sábado à noite e evitar beber muito vinho. A herdeira tem que viver em um apartamento minúsculo perto de uma linha de trem na companhia de sua sogra, que a acolhe mandando-a para a cozinha e lhe dizendo alegremente: “Eu comprei um esfregão novo, assim você não precisará lavar o chão muitas vêzes”. Mas eventualmente a lavadeira não consegue suportar a sensação de que seu marido sente vergonha dela. Ela lhe explica porque prefere estar com o marido de Iris, que se tornou seu chofer: Gosto de Tom porque ele gosta de goma-de-mascar, cachorro-quente, e jazz! Assim como você e Iris gostam de óperas e azeitonas – e coisas parecidas”.

Edith Roberts e Conrad Nagel em A Noite de Sábado

Edith Roberts e Conrad Nagel em A Noite de Sábado

O tom geral leve do filme é contrastado com duas cenas de ação espetaculares. Quando a herdeira rica sai para um piquenique com seu chofer, ela decide dirigir o carro, e segue por um atalho pela linha da ferrovia; um trem chega, e eles só têm tempo para saltar para fora do carro, e ficarem dependurados em uma ponte enquanto o trem se choca com o carro, fazendo-o despencar de muitos metros de altura. Durante a cena na casa de Tom, quando Shamrock diz a Richard que não pode mais viver com ele, irrompe um incêndio, o prédio é evacuado enquanto os bombeiros tentam extinguir o fogo, e Richard penetra nas chamas para salvar Iris. Por sua vez, o instinto visual de DeMille pode ser apreciado nas imagens da sequência do baile de Halloween e do parque de diversões em Coney Island, onde ocorre uma situação depois muito copiada: a roda gigante para e Shamrock e Tom ficam seis horas presos lá no alto.

Substituindo Gloria Swanson como atriz preferida de DeMille, Leatrice Joy, estrelaria, sob suas ordens, A Homicida / Manslaughter / 1922 e Triunfo / Triumph / 1924, e faria o papel de Mary Leigh na primeira versão de Os Dez Mandamentos. Mas quem chama mais atenção no filme é Edith Roberts, que demonstra uma vivacidade encantadora.

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A COSTELA DE ADÃO / ADAM’S RIB / 1923.

Após dezenove anos de casamento, Marian Ramsey (Anna Q. Nilsson), negligenciada pelo seu marido Michael (Milton Sills), negociante de trigo de Chicago, está sendo cortejada por Monsieur Jaromir (Theodore Kosloff), o rei deposto de Morania. A filha deles, Mathilda (Pauline Garon) embora esteja apaixonada pelo reputado (e distraído) antropólogo, Professor Nathan Humboldt Reade (Elliott Dexter), tenta salvar a reputação de sua mãe, conquistando as atenções do rei. Ao descobrir o romance entre sua mulher e Jaromir, Ramsay procura um meio de se livrar do seu rival. Ao saber que Morania está precisando muito de dinheiro, ele oferece aos ministros que estão no poder comprar todo o trigo do reino em troca de milhares de dólares, desde que o rei seja reconduzido ao trono, e se case com uma condessa local. O Professor Reade por sua vez, fica decepcionado com a conduta de Mathilda, e se afasta dela. Entretanto, após alguns incidentes, Marian percebe a impropriedade de sua conduta e aceita o marido como ele é, enquanto Mathilda recobra a confiança do Professor Reade. Jaromir volta para o seu trono e cumpre o prometido.

Elliott Dexter em A Costela de Adão

Elliott Dexter em A Costela de Adão

O filme começa como uma comédia sobre adultério e decepção amorosa e termina como um melodrama convencional. Ele poderia ter sido melhor, se não tivesse abrigado um episódio ridículo e interminável passado na pré-história, que prejudica o andamento da narrativa. O retrospecto – uma mania do diretor – ao tempo das cavernas, além de ser perfeitamente dispensável, recebeu uma moldura cênica de mau gôsto e os atores estão grotescamente maquilados.

Cecil B.DeMille dá instruções para Anna Q. Nilsson

Cecil B.DeMille dá instruções para Anna Q. Nilsson

Curiosamente, o espetáculo encerra ainda uma sequência em um museu com o par de namorados e um esqueleto de dinossauro, que teria uma descendência famosa, pois Howard Hawks nela se inspirou para encenar uma situação análoga em Levada da Breca / Bringing Up Baby / 1938 .

Melhor do que tudo é o título introdutório: “A idade perigosa da mulher é de três a setenta anos”.

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OS DEZ MANDAMENTOS / THE TEN COMMANDMENTS / 1923.

Primeira Parte: O povo hebreu, reduzido à escravidão, trabalha arduamente na construção das pirâmides e outros edifícios destinados a eternizar na pedra a glória dos egípcios. Durante o transporte de uma esfinge, um homem é morto. Moisés (Theodore Roberts) pede a Ramsés (Charles De Roche) a libertação de seu povo, mas este recusa. Deus faz morrer primogênitos das famílias egípcias. Moisés reitera seu pedido, que então é aceito. Os hebreus deixam o Egito. Não obtendo de seu Deus a ressurreição de seu filho (Terrence Moore), Ramsés lança seus carros de combate à perseguição do povo de Israel em marcha. Os carros chegam às margens do Rio Vermelho. Uma muralha de fogo se eleva para separar judeus e egípcios, e depois as águas se abrem, deixando passagem para os judeus. Os egípcios seguem o mesmo caminho, e morrem afogados. Moisés chega ao Monte Sinai, onde o texto dos Dez Mandamentos aparece sob uma chuva ofuscante de faíscas e explosões. No acampamento, lá em baixo, Aaron (James Neill), irmão de Moisés manda fabricar um Bezerro de Ouro. Enquanto isso, Moisés grava os mandamentos em tábuas. Orgias se desenrolam em torno do Bezerro de Ouro. A rainha da festa fica leprosa. Moisés joga as tábuas sobre a multidão. Um raio destrói o Bezerro de Ouro. Segunda Parte: Em San Francisco, dois irmãos, Dan (Rod La Rocque) e John (Richard Dix), tomam decisões opostas. John segue os ensinamentos de sua mãe. Mrs. Tavish (Edythe Chapman) baseados nos Dez Mandamentos, e se torna um pobre carpinteiro; Dan, infringe todos eles, e enriquece. John se apaixona por Mary Leigh, uma jovem faminta que lhe roubara a comida, quando ele almoçava em uma lanchonete; porém ela se casa com Dan, que se tornara um construtor corrupto. Dan constrói uma igreja com cimento de má qualidade. Um dia, sua mãe vai visitá-lo na obra, e uma parede cai sobre ela, matando-a. A partir daí, começa a ruína de Dan. Ele sofre uma chantagem e, para arranjar dinheiro, rouba as jóias de sua amante, Sally Lung (Nita Naldi), uma asiática. Quando esta reage, ele a mata. Dan tenta fugir para o México em uma lancha, mas sofre um desastre, e morre. John e Mary se unem para sempre.

Cena de Os 10 Mandamentos

Cena de Os 10 Mandamentos

O roteiro do primeiro filme bíblico de DeMille foi escrito a partir de uma sugestão recebida através de um concurso promovido pelo Los Angeles Times. DeMille e Macpherson optaram por uma construção dramática incluindo um prólogo bíblico, recriando os principais episódios do Livro do Êxodo, e uma historia moderna alegórica baseada na idéia original fornecida pelo vencedor do concurso, um cidadão do Michigan, F. C. Nelson, que escreveu esta frase: “Você não pode destruir os Dez Mandamentos – porque eles te destruirão”.

Filmagem de Os 10 mandamentos

Cena de Os 10 mandamentos

Na história moderna, quatro personagens interpretam os Dez Mandamentos de maneiras diferentes. Mrs. Tavish observa os Dez Mandamentos de maneira errada. Ela é fanática, intolerante, beata. Mary Leigh não se importa com os Dez Mandamentos de jeito nenhum. Ela é uma boa moça, mas passou tanto tempo trabalhando, que não aprendeu a Lei das Doze Tábuas. Dan McTavish conhece os Dez Mandamentos, mas os desafia. John McTavish acredita nos Dez Mandamentos como leis imutáveis do universo, tão praticáveis em 1923 como eram no tempo de Moisés.

Na filmagem de Os 10 Mandamentos

Na filmagem de Os 10 Mandamentos

Os cenários egípcios de Paul Iribe são espetaculares. A cidade de Ramsés foi erguida nas dunas de areia de Guadalupe no Norte do Condado de Santa Bárbara. Um aglomerado de tendas, apelidado de Camp DeMille, surgiu para acomodar o elenco e a equipe técnica. De acordo com as estatísticas da produção, divulgadas na época, foram utilizados 500 carpinteiros, 400 pintores e 380 decoradores para construir os projetos de Iribe. Esses dados costumam ser inflacionados para fins de publicidade, mas fotos tiradas durante a construção dos sets parecem confirmar tais estatísticas. Cerca de 2.500 figurantes foram usados nas cenas do Êxodo, fornecendo-se refeições e vestuário para todos eles. Os Dez Mandamentos foi um empreendimento gigantesco.

Cena de Os 10 Mandamentos

Cena de Os 10 Mandamentos

Pela primeira vez, desde Pela Felicidade Dela / 1914, Alvin Wycoff não esteve atrás da câmera em um filme de DeMille. Para Os Dez Mandamentos, DeMille escolheu Bert Glennon para comandar a equipe fotográfica constituida ainda por J. Peverell Marley, que se tornaria um dos fotógrafos favoritos do diretor e Archie Mayo, especialista na filmagem de exteriores. Ray Rennahan, da Technicolor Motion Picture Corporation filmou cenas coloridas do Êxodo, tendo sido também usado o processo de estêncio Handschiegl.

DeMille na filmagem de Os 10 Mandamentos

DeMille na filmagem de Os 10 Mandamentos

Na sequência do Mar Vermelho, o diretor técnico de DeMille, Roy Pomeroy combinou cenas dos israelitas rodadas nas dunas de Guadalupe com as cenas filmadas em ação lenta e inversa de uma grande quantidade de água cascateando sobre uma barragem de gelatina.

A grandiosidade e a audácia do prólogo bíblico faz a história moderna parecer anti-climática porém, para a segunda parte do filme, DeMille providenciou mais duas cenas impressionantes: o desabamento de uma catedral e uma tempestade no mar durante a tentativa de fuga de Dan.

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O BARQUEIRO DO VOLGA / THE VOLGA BOATMAN / 1926.

Enquanto cavalgava pelas margens do Rio Volga na companhia de seu noivo, Príncipe Dimitri Orloff (Victor Varconi), oficial do Exército Branco, a Princesa Vera (Elinor Fair) conhece Feodor (William Boyd), um barqueiro. Com o desenrolar da Revolução, o castelo do Príncipe Nikita (Robert Edeson), pai de Vera, é assaltado, e um revolucionário é morto por um criado. Feodor, o comandante dos revolucionários, pede uma vida em troca, e Vera é aprisionada. Porém ficando a sós com ela, Feodor não tem coragem de matá-la; quando a multidão retorna, ele simula sua morte. Entretanto, Mariuscha (Julia Faye), uma camponesa que ama Feodor, descobre a trama, e chama seus companheiros. Feodor e Vera conseguem fugir, e chegam a uma estalagem, onde Feodor declara que Vera é sua esposa. O Exército Branco invade o local e Feodor e Vera são presos. Vera é oferecida para o entretenimento dos oficiais, porém Dimitri, reconhece sua noiva, e ordena que Feodor seja executado. O Exército Vermelho toma a cidade, e Vera Feodor, Dimitri e os aristocratas, são obrigados a puxar um barco sob a chibata dos revolucionários. Os três são julgados por um Tribunal Revolucionário, que lhes dá a seguinte opção: servir à Revolução ou o exílio. Dimitri escolhe o exílio. Vera fica com Feodor, e sonham em ajudar a construir uma Nova Rússia.

William Boyd, Elinor Fair e Victor Varconi em O Barqueiro do Volga

William Boyd, Elinor Fair e Victor Varconi em O Barqueiro do Volga

Parece estranho que um republicano-conservador como DeMille pudesse fazer um filme sobre a Revolução Russa, mas em 1925 o mundo ainda estava excitado com a derrubada do Czar, e a arte e os filmes soviéticos, eram admirados no meio intelectual. Por isso, essa aventura histórica não toma partido de nenhuma das partes envolvidas – tanto os revolucionários como os amigos de Nicolau II têm seus heróis e vilões.

Cena de O Barqueiro do Volga

Cena de O Barqueiro do Volga

DeMille não se preocupou com a autenticidade (v.g. o barqueiro não era usado no Volga havia muito tempo) e o conjunto do filme é constantemente inverossímil, mas sob o ponto de vista do entretenimento, o filme é impecável, registrando-se ainda algumas cenas antológicas como aquela em que a Princesa Vera, confundida com uma campesina, é desnudada pelos soldados tsaristas: não se vê Vera despida, apenas os rostos dos soldados, enquadrados cada vez mais de perto, nos informando sobre o que está acontecendo.

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JESUS CRISTO, O REI DOS REIS ou O REI DOS REIS / THE KING OF KINGS / 1927.

Sucedem-se episódios dramáticos da vida de Jesus (H.B. Warner). Na primeira parte, a expulsão dos sete pecados capitais de Maria Madalena (Jacqueline Logan), a ressurreição de Lázaro (Kenneth Thompson), a expulsão dos mercadores do templo, e o ensinamento do Padre Nosso. A segunda parte descreve a Paixão: a Última Ceia, a traição de Jesus por Judas (Joseph Schildkraut), o julgamento diante de Pôncio Pilatos (Victor Varconi), a Via Crucis, a Cucificação, a Ressurreição, e a Ascensão.

H.B. Warner em O Rei dos Reis

H.B. Warner em O Rei dos Reis

O espetáculo revela seu propósito evangélico desde o início, quando um letreiro diz que o filme foi feito em obediência ao comando de Cristo, de que sua mensagem fosse espalhada para os lugares mais remotos da Terra. Entretanto, as sequências de abertura são pura Hollywood, sem nenhum apoio nas Escrituras. A ação tem início na residência luxuosa da cortesã Maria Madalena, um ambiente sensual e excêntrico, onde não falta um leopardo de estimação. DeMille e sua roteirista predileta tiveram a audácia de começar o filme sugerindo um relacionamento amoroso entre Maria Madalena e Judas. Ao saber que seu amante Judas está na companhia de um carpinteiro da Galiléia e um bando de seus seguidores, a cortesã, enciumada, parte ao encontro dele em uma biga puxada por zebras, “presente de um príncipe Núbio”. A idéia era estruturar o filme em torno de um triângulo romântico, envolvendo Judas, Jesus e Maria Magdala; porém, para alívio do Padre Daniel A. Lord, consultor religioso do filme (que seria o redator do Motion Picture Production Code), esse conceito foi abandonado logo depois da primeira sequência.

Cena de O Rei dos Reis

Cena de O Rei dos Reis

Em seguida, a ação se transfere para a casa onde Jesus se encontra. Uma multidão se aglomera lá fora, procurando cura para suas doenças. Um garoto chamado Marcos, curado de sua dificuldade de andar, joga fora suas muletas. O intertítulo identifica-o como Marcos, o futuro autor de um Evangelho (outra invenção de Hollywood). E é ele que conduz uma menina cega à presença de Jesus. Ela diz: “Nunca ví as flores nem a luz. Podeis curar-me Senhor?” Em uma cena soberbamente engendrada, a tela se enche de luz e gradualmente, à medida em que a menina recobra a visão, o rosto de Jesus entra no foco, e ele é visto pelos espectadores pela primeira vez. Maria Madalena chega para confrontar Jesus e, em outra cena engenhosa, os sete pecados capitais saem de seu corpo – a luxúria, a ambição, o orgulho, a gulodice, a indolência, a inveja e a raiva aparecem em sobreimpressão à sua volta. Eles desaparecem e, agora purificada de seus pecados e consciente de sua semi-nudez, ela se cobre com o seu manto. Essas cenas inventadas estabelecem o conflito entre o sagrado e o profano, um tema recorrente nos filmes de DeMille sobre o mundo antigo e épicos bíblicos.

Cena de O Rei dos Reis

Cena de O Rei dos Reis

O fotógrafo Peverell Marley usou stenta 75 lentes diferentes em vez das quatro usuais e 7 tipos de película, para garantir uma iluminação, que combinasse com a mesma das pinturas bíblicas dos grandes mestres europeus. Mitchell Leisen, que faria uma carreira brilhante em Hollywood como figurinista e depois diretor, encarregou-se da direção de arte. Os cenários massivos do Templo, do Portão de Nicanor e ruas de Nazaré e Jerusalem foram projetados pelo arquiteto Pridgeon Smith. DeMille mandou fazer croquís para todas as cenas, planos, vestimentas e adereços por um time de artistas: Dan Groesbeck, Anton Grot, Edward Jewel, Julian Harrison e Harold Miles.

Embora um dos consultores religiosos do filme, Bruce Barton, tivesse escrito um best-seller sobre o Cristo, “The Man Nobody Knows”, descrevendo-o como “robusto, varonil, imperioso”, o Jesus de H. B. Warner aproxima-se mais da imagem do “Jesus gentil, meigo, e humilde” (v.g. Jesus consertando o brinquedo de uma criança).

Cena de O Rei dos Reis

Cena de O Rei dos Reis

Cena de O Rei dos Reis (William Boyd é o centurião)

Cena de O Rei dos Reis (William Boyd é o centurião)

Caracteristicamente, DeMille encenou a crucificação sob raios e trovões, um furacão, e um terremoto que, entre outras coisas, derruba a árvore na qual Judas se enforcara. Quando DeMille filmava esta cena, David Wark Griffith entrou no estúdio. Então, DeMille, honrado com a presença do ilustre pioneiro, pediu para ele dirigir uma pequena sequência.

demille godless girl poster melhor

MULHER SEM DEUS! / THE GODLESS GIRL / 1929.

Nos anos vinte, em uma universidade americana, Judith Craig (Lina Basquette), funda um clube denominado The Godless Society (Sociedade sem Deus), e começa a recrutar membros. No dia em que a seita vai decidir sob a admissão do jovem Samuel “Bozo” Johnson (Eddie Quillan), um grupo adversário, defensor fervoroso da religião, dirigido por Bob Hathaway (George Duryea), incita os colegas a atacar os ateus, irrompendo um tumulto. Uma estudante (Mary Jane Irving) é morta como consequência direta do distúrbio, e Judith, Bob e “Bozo” são indiciados por homicídio culposo e enviados para um reformatório. Os três são maltratados por um sádico chefe da guarda (Noah Beery). Judith faz amizade com uma jovem que recuperou a fé, Mame (Marie Prevost) e começa a ler a Bíblia. Bob, por sua vez, aprende pouco a pouco a conhecer melhor Judith e vice-versa. Eles se apaixonam, e conseguem fugir, mas são logo recapturados. Após seu retôrno ao reformatório, um incêndio se alastra na seção das mulheres. Bob salva Judith. Ao perseguir Bob, o chefe da guarda se agarra a uma porta metálica por onde passa uma corrente elétrica, e fica prestes a morrer eletrocutado. Bob também o salva. Por causa disso, o chefe da guarda intercede em favor dos três amigos, que são liberados pouco depois, juntamente com Mame. Esta também gosta de Bob, porém prefere seguir outro caminho, para não atrapalhar o romance dele com Judith. “Bozo” fica momentaneamente sem saber para onde ir, e acaba seguindo Mame.

Lina Basquette

Lina Basquette

George Duryea em Mulher Sem Deus

George Duryea em Mulher Sem Deus

Eddie Quillan e Lina Basquette em Mulher Sem Deus

Eddie Quillan e Lina Basquette em Mulher Sem Deus

George Duryea e Lina Basquette em Mulher Sem Dues

George Duryea e Lina Basquette em Mulher Sem Deus

Cena de Mulher Sem Deus

Cena de Mulher Sem Deus

Cena de Mulher Sem Deus

Cena de Mulher Sem Deus

No seu último filme mudo DeMille, denuncia o fanatismo religioso e anti-religioso (porém mais o anti-religoso do que o religioso) e as falhas de uma instituição penal para jovens. Após uma rixa entre ateus militantes e crentes fundamentalistas no campus de uma universidade, dois rapazes e uma moça são responsabilizados pela morte de uma jovem e enviados para um reformatório, onde sofrem um tratamento desumano.

As experiências deploráveis pelas quais eles passam são mostradas com muito realismo e um vigor cinematográfico impressionante, destacando-se a sequência do tumulto, quando as duas facções se confrontam nas escadas da faculdade. São cenas de um cinema magnífico pela noção de espaço e enquadramento, digno de qualquer antologia da sétima arte.

Cena de Mulher sem Deus

Cena de Mulher sem Deus

Noah Beery e George Duryea em Mulher Sem Deus

Noah Beery e George Duryea em Mulher Sem Deus

Em uma cena de brutalidade com final alegórico, Bob e Judy, obrigados a puxar carrinhos de mão cheios de lixo, conversam através da cerca de arame eletrificada que separa a ala masculina da feminina, quando o chefe da guarda liga a corrente elétrica, dando um choque nos dois jovens. Judy consegue retirar sua mão da grade, e vê uma pequena cruz que a descarga elétrica desenhou na palma de sua mão – um milagre típico de DeMille.

Lina Basquette e George Duryea em Mulher Sem Deus

Lina Basquette e George Duryea em Mulher Sem Deus

Após um interlúdio na floresta, onde a intolerância mútua dos dois fugitivos se enfraquece (Ela diz: “Eu tentei ao máximo odiá-lo! Ele: “E eu tentei ao máximo não amá-la”) e o fotógrafo Peverell Marley tira o máximo de vantagem do cenário em exteriores – compondo belas imagens em foco suave -, a trama caminha para o final, quando irrompe uma cena de desastre demilleana, no caso um incêndio na prisão, encenado com muito alvoroço e suspense.

DeMille não hesitou em romper com o sistema de astros, outorgando os papéis principais a George Duryea (que só se tornaria bem conhecido mais tarde no western sob o nome de Tom Keene) e Lina Basquette, artista infantil na série de curta-metragem “Lena Baskette Featurettes” da Universal e depois dançarina no Ziegfeld Follies.

FILMOGRAFIA

1914 – Amor que Sofre ou O Marido da Índia / The Squaw Man, co-dir. Oscar Apfel; Brewster’s Millions, co. dir. Oscar Apfel; O Moderno Rocambole ou Aventuras de um Ladrão Célebre / The Master Mind, co. dir. Oscar Apfel; The Only Son, co. dir. Willam C. DeMille, Oscar Apfel, Thomas H. Heffron; Na Romântica Nova York / The Call of the North, co. dir. Oscar Apfel; Pela Felicidade Dela / The Virginian; Quem é Você? / What’s His Name; O Senhor do Lar / The Man from Home; Rosa do Rancho / Rose of the Rancho; The Ghost Breaker, co. dir. Oscar Apfel. 1915 – Sonhos de Moça / The Girl of the Golden West; After Five, co-dir. Oscar Apfel; Intrépida Pioneira / The Warrens of Virginia; A Destemida / The Unafraid,; O Prisioneiro do Coração / The Captive; The Wild Goose Chase; O Árabe / The Arab; Chimmie Fadden; De Qualquer Forma / Kindling; Carmen / Carmen; No Caminho do Dever / Chimmie Fadden Out West; Ferreteada! ou A Embusteira / The Cheat; Capricho da Sorte / The Golden Chance. 1916 – Tentação / Temptation; The Trail of the Lonsesome Pine; Enganado ou O Coração de Laura / The Heart of Nora Flynn; Amor Vingado ou Maria Rosa / Maria Rosa; A Sonhadora / The Dream Girl. 1917 – Jeanne D ‘Arc ou Joana D’Arc, a Donzela de Orleans / Joan the Woman; Perseverança / A Romance of the Redwoods; A Intrépida Americana / The Little American: A Mulher que Deus Esqueceu / The Woman God Forgot; A Pedra do Diabo / The Devil Stone. 1918 – Vassalagem ou Murmúrios da Consciência; Esposas Velhas por Novas ou Amores Velhos por Novos; A Flor do Desejo / We Can’t Have Everything; O Rei Herói / Till I Come Back to You; Amor de Índia / The Squaw Man. 1919 – Não Troqueis Vossos Maridos / Don’t Change Your Husband; A Renúncia / For Better, For Worse; Macho e Fêmea ou De Fidalga a Escrava. Por Que Trocar de Esposa? / Why Change Your Wife?; Alguma Coisa em que Pensar / Something to Think About. 1921 – O Fruto Proibido / Forbiden Fruit, As Aventuras de Anatólio / The Affair of Anatol; À Porta do Paraíso / Fool’s Paradise. 1922 – A Noite de Sábado / Saturday Night; A Homicida / Manslaughter. 1923 – A Costela de Adão / Adam’s Rib; Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments. 1924 – Triunfo / Triumph; Amor e Morte / no relançamento, Amor Até a Morte / Feet of Clay. 1925 – A Cama de Ouro / The Golden Bed; O Que Fomos no Passado ou Amor Eterno / The Road to Yesterday. 1926 – O Barqueiro do Volga / The Volga Boatman. 1927 – Jesus Cristo, o Rei dos Reis ou O Rei dos Reis / The King of Kings. A Mulher Sem Deus! / The Godless Girl.

CONEXÃO TEATRO – CINEMA II

November 13, 2015

 

Henriette Morineau em Catarina da Rússia

Henriette Morineau em Catarina da Rússia

1950

CATARINA DA RÚSSIA. Autor: Lajos Biró e Melchior Lengyel. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Henriette Morineau, Manuel Pera, Antonieta Morineau, Oscar Felipe, Margarida Rey, Ribeiro Fortes, Paulo Serrado, Antonio Vitor, Claudio Fornari.

Filme: Czarina / Czarina / 1945.  Dir: Otto Preminger. Tallulah Bankhead, Charles Coburn, Anne Baxter, William Eythe, Vincent Price, MIscha Auer, Sig Ruman, Wladimir Sokoloff, Mikhail Rasumny.

Bibi Ferreira em A Herdeira

Bibi Ferreira em A Herdeira

Captura de Tela 2015-08-02 às 18.45.19

A HERDEIRA. Autor: Ruth Goetz e Augustus Goetz bas. romance Henry James. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Bibi Ferreira, Nelson Vaz, Aurora Aboim, Jacy Campos, Cirene Tostes, Nelly Rodrigues, David Conde, Belmira de Almeida, Geny França. Filme: Tarde Demais / The Heiress / 1949. Dir: William Wyler. Olivia de Havilland, Montgomery Clift, Ralph Richardson, Miriam Hopkins, Vanessa Brown, Ray Collins, Mona Freeman, Selena Royle.

 1951

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A ENDEMONIADA. Autor: Karl Schönherr. Tr. Renato Alvim e Mario da Silva. Olga Navaro, Ambrósio Fregolente, Luiz Linhares (depois Dionisio Azevedo).

Filme: Die Weibsteufel / 1951. Dir: Wolfgang Liebeneiner. Hilda Krahl, Kurt Heintel, Bruno Hübner.

Jaime Costa em A Morte do Caixeiro Viajante

Jaime Costa em A Morte do Caixeiro Viajante

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A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE. Autor: Arthur Miller. Tr. Luis Jardim. Jaime Costa, Roberto Duval, Norma de Andrade, Carlos Cotrim, José Silva, Joyce de Oliveira, Teresa Lane, Araçari de Oliveira, Paulo Monte, Suely May, Silvio Soldi, Walter Moreno.

Filme: A Morte do Caixeiro Viajante / Death of a Salesman /1951. Dir: Laslo Benedek. Fredrich March, Mildred Dunnock, Kevin McCarthy, Cameron Mitchell, Howard Smith.

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Henriette Morineau e Jardel Filho em A Poltrona 47

Henriette Morineau e Jardel Filho em A Poltrona 47

A POLTRONA 47 Autor: Louis Verneuil. Tr. Bandeira Duarte. Henriette Morineau, Jardel Filho, Beyla Genauer, Armando Braga, Armando Rosas, Judith Vargas, Allan Lima, Silva Ferreira.

Filme: Le Fauteuil 47 / 1937. Dir: Fernand Rivers. Raimu, Françoise Rosay, André Lefaur, Henri Garat, Denise Bosc, Jeanne Helbling. 

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OS OVOS DO AVESTRUZ. Autor: André Roussin. Tr. Bandeira Duarte. Henriette Morineau, Francisco Dantas, Jardel Filho, Laura Suarez, Allan Lima.

Filme: Les Oeufs de L’Autruche / 1957. Dir: Denys de La Patellière. Pierre Fresnay, Simone Renant, Georges Poujouly, Mady Berry.

Cacilda Becker em A Dama das Camélias

Cacilda Becker em A Dama das Camélias

Mauricio Barroso em A Dama das Camélias

Mauricio Barroso em A Dama das Camélias

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Cacilda Becker e Mauricio Barroso em A Dama das Camélias

Cacilda Becker e Mauricio Barroso em A Dama das Camélias

A DAMA DAS CAMÉLIAS. Autor: Alexandre Dumas Fiho. Tr. Gilda Mello e Souza. Cacilda Becker, Mauricio Barroso, Paulo Autran, Carlos Vergueiro, José Scatena, Fredi Kleeman, Rui Affonso, Leonardo Vilar, Isidoro Lopes, Ruy Cerqueira, Elizabeth Henreid, Cleyde Yáconis, Wanda Primo, Labiby Mady, Maria Lucia, Rubens Costa.

 Filmes: A Dama das Camélias / La Dame aux Camélias / 1934. Dir: Fernand Rivers, Abel Gance. Yvonnne Printemps, Pierre Fresnay, Jane Marken, Lugné-Poe, Roland Armontel, André Dubosc, Eddy Debray. A Dama das Camélias / Camille / 1936. Dir: George Cukor. Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Henry Daniell, Elizabeth Allan, Jessie Ralph, Laura Hope Crews. A Dama das Camélias / La Dama de las Camelias / 1944. Dir: Gabriel Soria. Lina Montes, Emilio Tuero, Miguel Arenas, Alejandro Cobo, Tony Diaz. La Dama de las Camelias / 1947. Dir: José Bohr. Lena González, Lucy Lany. La Dame au Camélias / 1953. Dir: Raymond Bernard. Micheline Presle, Gino Cervi, Roland Alexandre, Alba Arnova, Jean Parédès, Jean Brochard.

1952

Alda Garrido em A Lavadeira de Napoleão

Alda Garrido em A Lavadeira de Napoleão

Captura de Tela 2015-11-07 às 13.36.45

MADAME SANS GÊNE (ou A LAVADEIRA DE NAPOLEÃO). Autor: Victorien Sardou e Émile Moreau. Tr. José Wanderley e Renato Alvim. Alda Garrido, Ribeiro Fortes, Ilidio Costa, Milton Moraes, Zilka Salaberry, Wanda Kosmo, Glauce Rocha, Felix Batista, Nelcy Deiroz, Annabella Herczog, Luiz Pinho.

Filmes: Madame Sans Gêne / 1941. Dir: Roger Richebé. Arletty, Aimé Clariond, Maurice Escande, Henri Nassiet, Jeanne Reinhardt, Albert Diedonné. Madame Sans Gêne / Madame Sans Gêne / 1945. Dir: Luis Cesar Amadori. Nini Marshall, Eduardo Cuitiño, Adrián Cunes, Herminia Franco, Luis Otero, Homero Cárpena.

Captura de Tela 2015-11-07 às 13.41.13

Ciro Costa, Fernanda Montenegro, Francisco Dantas e Henriette Morineau em A Cegonha se Diverte

Ciro Costa, Maria Fernanda, Francisco Dantas e Henriette Morineau em A Cegonha se Diverte

A CEGONHA SE DIVERTE. Autor: André Roussin. Tr. Elsie Lessa. Henriette Morineau, Francisco Dantas, Jardel Filho, Armando Braga, Maria Fernanda, Judith Vargas, Fernanda Valli, Laura Suarez.

Filme: Lorsque L’Enfant Parait / 1956. Dir: Michel Boisrond. Gaby Morlay, André Luguet, Brigitte Auber, Guy Berti, Suzy Prim, Béatrice Altariba. 

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QUE MULHER! Autor: Maurice Hennequin e Pierre Weber. Tr. Daniel Rocha. Aimée, Milton Carneiro, Licia Magna, Albertob Perez, Carlos Tovar, José Mafra, Rodolfo Carvalho, Roberto Machado,po                                  

Filme: A Presidenta / La Presidentessa / 1952. Dir: Pietro Germi. Silvana Pampanini, Carlo Dapporto, Ave Ninchi, Luigi Pavese, Franco Coop, Aroldo Tieri.

MONSIEUR BROTONNEAU. Autor: Gaston Arman de Cavaillet e Robert de Flers. Tr. Renato Alvim e Mario da Silva. Jaime Costa, Joyce Oliveira, Roberto Duval, Teresa Lane, Aristoteles Pena, Jurema Magalhães, Arlindo Costa, Martins Pacheco, Silvio Soldi.

Filme: Monsieur Brotonneau / 1939. Dir: Alexandre Esway. Raimu, Josette Day, Marguerite Pierry, Saturnin Fabre, Robert Vattier, Léon Belières. 

Captura de Tela 2015-11-09 às 10.48.44

O CHIFRE DE OURO. Autor: Marcel Achard. Tr. Bandeira Duarte e Daniel Rocha. Jaime Costa, Joyce Oliveira, Roberto Duval, Suely May, Teresa Lane, Aristoteles Pena, Rubens Moreira, Arlindo Costa, José Silva.

Filme: Noite de Farra / Noix de Coco / 1939. Dir: Jean Boyer. Raimu, Marie Bell, Michel Simon, Gilbert Gil, Junie Astor, Gisèle Préville.

João Villaret, Samaritana Santos e Fernanda Montenegro em Está Lá Fora Um Inspetor

João Villaret, Samaritana Santos e Fernanda Montenegro em Está Lá Fora Um Inspetor

ESTÁ LÁ FORA UM INSPETOR. Autor: J. B. Pristley. Tr. Odilon. João Villaret, Sadi Cabral, Fernanda Montenegro, Samaritana Santos, Oswaldo Lousada, Antonio Patiño, Natalio Luz.

Filme: Está Lá Fora um Inspetor / An Inspector Calls / 1954. Dir: Guy Hamilton. Alastair Sim, Olga Lindo, Arthur Young, Bryan Worth, Bryan Forbes, Eileen Moore. 

Captura de Tela 2015-11-09 às 11.11.58

A TIA DE CARLITOS. Autor: Brandon Thomas. Tr. Daniel Rocha. Beatriz Veiga, Carlos Murtinho, Cristovão Filho, Dora Gama Abreu, Marcelo Aguinaga, Messias de Andrade, Paulo Francis, Silvia Orthoff.

Filmes: A Tia de Carlito / Charley’s Aunt / 1930. Dir: Al Christie. Charles Ruggles, June Collyer, Doris Lloyd, Halliwell Hobbes, Hugh Williams, Flore le Breton. A Tia de Carlitos / Charley’s Aunt / 1941. Dir: Archie Mayo. Jack Benny, Kay Francis, James Ellison, Anne Baxter, Edmund Gwenn, Richard Haydn, Reginald Denny, Arleen Whelan. A Tia de Carlitos / Where’s Charley? / 1952. Dir: David Butler. Ray Bolger, Allyn McLerie, Robert Shackleton, Horace Cooper, Margareta Scott. Charley’s Tante / 1956. Dir: Hans Quest. Heinz Rühman, Hertha Feiler, Claus Biederstaedt, Walter Giller.

 1953

Captura de Tela 2015-11-09 às 11.26.42

Armando Braga. Fernanda Valli e Laura Suarez em A Mulher sem Alma

Armando Braga. Fernanda Valli e Laura Suarez em A Mulher sem Alma

A MULHER SEM ALMA. Autor: George Kelly. Tr. Nelson Caracas e Carlos Brant. Laura Suarez, Henriette Morineau, Aurora Aboim, Jardel Filho, Armando Braga, Judith Vargas, Fernanda Valli, Paulo Francis, Cilo Costa, Ligia Nunes.

Filme: Mulher Sem Alma / Craig’s Wife / 1936. Dir: Dorothy Arzner. Rosalind Russell, John Boles, Billie Burke, Jane Darwell, Dorothy Wilson, Thomas Mitchell, Alma Kruger. A Dominadora / Harriet Craig / 1950. Dir: Vincent Sherman. Joan Crawford, Wendell Corey, Lucille Watson, Allyn Joslyn, William Bishop, K.T. Stevens.

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A VOZ HUMANA. Autor: Jean Cocteau. Tr. Bandeira Duarte. Dulce Rodrigues.

Filme: La Donna al Telefono, segmento de L’Amore / 1948. Dir: Roberto Rosselini. Anna Magnani.

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O HOMEM, A BESTA E A VIRTUDE. Autor: Luigi Pirandello. Tr. Bandeira Duarte e Carla Civelli. Luiza Barreto Leite, Labanca, Nelson Dantas, Silva Ferreira, Silvia Donato, Roberto de Cleto, João Sergio e Luis Alberto (filhos de L. B. Leite).

Filme: O Homem, a Besta e a Virtude / L’Uomo, La Bestia e la Virtú / 1953. Dir: Steno. Totó, Orson Welles, Vivianne Romance, Mario Castellani, Rocco D’Assunta, Carlo Delle Piane.

1954

Eva Todor e Manoel Pera em Rainha do Ferro Velho

Eva Todor e Manoel Pera em Rainha do Ferro Velho

RAINHA DO FERRO-VELHO. Autor: Garson Kanin. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Eva Todor, Afonso Stuart, Manoel Pera, Jorge Dória, Rodolfo Arena, Ada Camargo, Leda Vale, Pola Leste, Jorge Gonzaga.

Filmes: Nascida Ontem / Born Yesterday / 1950. Dir: George Cukor. William Holden, Judy Holliday, Broderick Crawford, Howard St. John, Frank Otto, Larry Oliver.

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Cacilda Becker em Pega-Fogo

Cacilda Becker em Pega-Fogo

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Cacilda Becker e Ziembinski em Pega-Fogo

Cacilda Becker e Ziembinski em Pega-Fogo

PEGA-FOGO. Autor: Jules Renard. Tr. Gustavo Nonnemberg. Cacilda Becker, Ziembinski, Marina Freire, Silvia Orthoff.

Filmes: Pega-Fogo / Poil de Carotte / 1932. Dir: Julien Duvivier. Harry Baur, Robert Lynen, Louis Gauthier, Simone Aubrey, Maxime Fromiot.  Poil de Carotte / 1952. Dir: Paul Mesnier. Raymond Souplex, Christian Simon, Germaine Dermoz, Pierre Larquey, Odette Barencyey, Maurice Biraud. 

1955

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SABRINA (A CINDERELA DO SÉCULO XX). Autor: Samuel Taylor. Tr. Al Neto. Eva Todor, Jardel Filho, Manuel Pera, Jorge Dória, Elza Gomes, Leda Vale, Armando Rosas, Rodolfo Arena, Ada Camargo.

Filme: Sabrina / Sabrina / 1954. Dir: Billy Wilder. Audrey Hepburn, William Holden, Humphrey Bogart, Walter Hampden, Martha Hyer, John Williams, Marcel Dalio. 

Tonia Carrero e Paulo Autran em Uma Certa Cabana

Tonia Carrero e Paulo Autran em Uma Certa Cabana

UMA CERTA CABANA. Autor: André Roussin. Tr. Brício de Abreu. Tonia Carrero, Paulo Autran, Mauricio Barroso, Glauter Lage.

Filme: Dois Amores e uma Cabana / The Little Hut / 1957. Dir: Mark Robson. Ava Gardner, Stewart Granger, David Niven, Walter Chiari, Finlay Curie.

Tonia Carrero e Paulo Autran em O Profundo Mar Azul

Tonia Carrero e Paulo Autran em O Profundo Mar Azul

O PROFUNDO MAR AZUL. Autor: Terence Rattingan. Tr. Tati de Moraes. Tonia Carrero, Paulo Autran, Mauricio Barroso, Eugenio Kusnet, Benedito Corsi, Miriam Roth, Aracy Cardoso, Luis Calderaro.

Filme: O Profundo Mar Azul / The Deep Blue Sea / 1955. Dir: Anatole Litvak. Vivien Leigh, Kenneth Moore, Eric Portman, Emly Williams, Moira Lister.

Iracema de Alencar e Graça Mello em É Preciso Viver

Iracema de Alencar e Graça Mello em É Preciso Viver

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 É PRECISO VIVER. Autor: William Inge. Tr. Miroel Silveira. Graça Mello, Iracema de Alencar, Laura Suarez, Ana Edler, Paulo Padilha, Paulo Monte, Lauro Simões, Fernando Luis, José Madeira, Roberto Viana, Antonio Vitor.

Filme: A Cruz da Minha Vida / Come Back Little Sheba / 1952. Dir: Daniel Mann. Burt Lancaster, Shirley Booth, Terry Moore, Richard Jaeckel, Philip Ober.

1956

Paulo Autran e Felipe Wagner em Otelo

Paulo Autran e Felipe Wagner em Otelo

Paulo Autran e Tonia Carrero em Otelo

Paulo Autran e Tonia Carrero em Otelo

Cena de Otelo

Cena de Otelo

Paulo Autran e Tonia Carrero em Otelo

Paulo Autran e Tonia Carrero em Otelo

OTELO. Autor: William Shakespeare. Tr. Onestaldo de Pennafort. Paulo Autran, Tonia Carrero, Margarida Rey, Felipe Wagner, Claudio Corrêa e Castro, Benedito Corsi, Miriam Pércia, Oswaldo Loureiro, Roberto de Cleto, Sebastião Vasconcelos, Tarcísio Zanotta, Geraldo Mateus.

Filme: Otelo / Otelo, The Tragedy of the Moor of Venice / 1952. Dir: Orson Welles. Orson Welles, Suzanne Cloutier, Michéal McLiammóir, Robert Coote, Michael Laurence, Fay Compton, Doris Dowling, Hilton Edwards.

Eva Todor em Anastasia

Eva Todor em Anastasia

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ANASTASIA. Autor: Marcelle Mourette. Tr. Guilherme de Figuereido. Eva Todor, Paulo Goulart, Samaritana Santos, Manuel Pera, Armando Rosas, Avalone Filho, Mauricio Sherman, Luis D’Avila.

Filme: Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia 1956. Dir: Anatole Litvak. Ingrid Bergman, Yul Brynner, Helen Hayes, Akim Tamiroff, Martita Hunt, Felix Aylmer, Sacha Pitoeff, Ivan Desny.

BIFE, BEBIDA E SEXO. Autor: F. Hugh Herbert. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Nicette Bruno, Luiz Tito, Paulo Goulart, Luiz D’Avila.

Filme:  Ingênua Até Certo Ponto / The Moon is Blue / 1953. Dir: Otto Preminger. William Holden, David Niven, Maggie McNamara, Tom Tully, Dawn Adams, Fortunio Buonanova, Gregory Ratoff.

Walmor Chagas e Ziembinski em Volpone

Walmor Chagas e Ziembinski em Volpone

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Cleyde Yáconis e Ziembinski em Volpone

Cleyde Yáconis e Ziembinski em Volpone

VOLPONE. Autor: Ben Johnson. Tr. Brutus Pedreira e Mario da Silva. Ziembinski, Walmor Chagas, Luiz Linhares, Fredi Kleeman, Cleyde Yáconis, Elizabeth Henreid, Jorge Chaia, Leonardo Vilar, Elisio de Albuquerque, Helio Colona.

Filme: Volpone / Volpone / 1941. Dir: Maurice Tourneur. Harry Baur, Louis Jouvet, Charles Dullin, Fernad Ledoux, Jacqueline Delubac, Alexandre Rignault, Marion Dorian, Louis Fremont.

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Maria Della Costa e Jardel Filho em Rosa Tatuada

Maria Della Costa e Jardel Filho em Rosa Tatuada 

ROSA TATUADA. Autor: Tennesssee Williams. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Maria Della Costa, Jardel Filho, Jurema Magalhães, Beyla genauer, Edmundo Lopes, Diana Morel, Maria Dilnah, Odete Lara, Serafim Gonzales.

Filme: A Rosa Tatuada / The Rose Tattoo / 1955. Dir: Daniel Mann. Anna Magnani, Burt Lancaster, Marisa Pavan, Ben Cooper, Virginia Grey, Jo Van Fleet. 

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Tonia Carrero e Paulo Autran em Entre Quatro Paredes

Tonia Carrero e Paulo Autran em Entre Quatro Paredes

ENTRE QUATRO PAREDES. Autor: Jean-Paul Sartre. Tr. Guilherme de Almeida.    Tonia Carrero, Paulo Autran, Margarida Rey, Antonio Ganzaroli.

Filme: Huis Clos / 1954. Dir: Jacqueline Audry. Arletty, Frank Villard, Gaby Sylvia.

Vinicius de Moraes, Haroldo Costa e

Vinicius de Moraes, Haroldo Costa e Leo Jusi (diretor)

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Antonio Carlos Jobim e o elenco de Orfeu da Conceição

Antonio Carlos Jobim e o elenco de Orfeu da Conceição

ORFEU DA CONCEIÇÃO. Autor: Vinicius de Morais. Haroldo Costa, Daisy Paiva, Léa Garcia, Abdias do Nascimento, Ciro Monteiro, Waldir Maia, Adalberto Silva, Pérola Negra, Francisca de Queiroz, Zeni Pereira,  Antonio Novais.   

Filme: Orfeu do Carnaval / Orfeu Negro / 1959. Dir: Marcel Camus. Breno Melo, Marpessa Dawn, Marcel Camus, Fausto Guerzioni, Ademar Ferreira da Silva, Alexandro Constantino, Lourdes de Oliveira, Waldir de Souza, Jorge dos Santos, Aurino Cassiano. 

Fernanda Montenegro em Nossa Vida com Papai

Fernanda Montenegro em Nossa Vida com Papai

NOSSA VIDA COM PAPAI. Autor: Howard Lindsay e Russel House. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Ambrósio Fregolente, Fernanda Montenegro, Natalia Timberg, Sergio Britto, Maria Helena Dias, Carminha Brandão, Oscar Felipe, Elísio de Albuquerque, Fernando Torres, Claudio Cavalcante, Regina C. Mello, Ricardo C. Mello, Elida Marelli, Lia Maione, Alba Goulart, Ericka Falken.

Filme: Nossa Vida Com Papai / Life with Father / 1947. Dir:  Michael Curtiz. Irene Dunne, William Powell, Elizabeth Taylor, Edward Everett Horton, ZaSu Pitts, Edmund Gwenn, Jimmy Lydon, Emma Dunn, Moroni Olsen, Elisabeth Risdon.

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O MANDA CHUVA. Autor: N. Richard Nash. Tr. Manuel Bandeira. Dulce Rodrigues, Jece Valadão, Gilberto Martinho, Nelson Vaz, Wilson Marcos, J. Barros, André Luiz.

Filme: Lágrimas do Céu / The Rainmaker / 1956. Dir: Joseph Anthony. Katharine Hepburn, Burt Lancaster, Wendell Corey, Lloyd Bridges, Earl Holliman, Wallace Ford.

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O DILEMA DO MÉDICO. Autor: Bernard Shaw. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Beatriz Veiga, Emilio Mattos, Grace Moema, Ivan Cândido, Labanca, Magalhães Graça, Napoleão Moniz Freire, Jorge Levy, Mauricio Sherman, Mirtô Barroso, Nelson Vaz, Paulo Navarro, Paulo Cesar.

Filme: O Dilema do Médico / The Doctor’s Dilema / 1958. Dir: Anthony Asquith. Leslie Caron, Dirk Bogarde, Alastair Sim, Robert Morley, Felix Aylmer.

1957

Cacilda Becker em Gata em Teto de Zinco Qunerte

Cacilda Becker em Gata em Teto de Zinco Qunerte

Cena de Gata em Teto de Zinco Quente

Cena de Gata em Teto de Zinco Quente

GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE. Autor: Tennessee Williams. Tr.  Raimundo Magalhães Graça. Cacilda Becker, Ziembinski, Walmor Chagas, Célia Biar, Leonardo Vilar, Dina Lisboa, Jorge Chaia, Fabio Sabag.

Filme: Gata em Teto de Zinco Quente / Cat on a Hot Tin Roof / 1958. Dir: Richard Brooks. Elizabeth Taylor, Burl Ives, Paul Newman, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood.

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A VALSA DE ANIVERSÁRIO. Autor: Jerome Chodorov e Joseph Fields. Eva Todor, Francisco Dantas, Jorge Dória, Glauce Rocha, Leda Vale, Herval Rossano, Armando Ferreira, Nair Amorim, Claudio Melo, Zeni Pereira.

Filme: Feliz Aniversário / Happy Anniversary / 1959. Dir: David Miller. David Niven, Mitzi Gaynor, Carl Reiner, Loring Smith, Monique van Vooren, Elizabeth Wilson, Patty Duke.

1958

Luiz Linhares, Celia Biar, Paulo Autran, Cleyde Yáconis e Waldemar Wey em Treze à Mesa

Luiz Linhares, Celia Biar, Paulo Autran, Cleyde Yáconis e Waldemar Wey em Treze à Mesa

TREZE À MESA. Autor: Marc-Gilbert Sauvajon. Tr. Bandeira Duarte e Renato Alvim. Celia Biar, Mauro Mendonça, Teresa Raquel, Maria Pompeu, Sebastião de Campos, Newton Prado, Laércio Laurelli.

Filme: Treze à Mesa / Treize à Table / 1955. Dir: André Hunebelle. Micheline Presle, Fernand Gravey, Germaine Montero, Jean Brochard, Jeanne Fusier-Gir, Bernard La Jarrige.

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 A PROSTITUTA RESPEITOSA. Autor: Jean-Paul Sartre. Tr. Sem indicação. Maria Della Costa, Sando Polonio, Eugenio Kusnet, Serafim Gonzalez, Benjamin Catan, Joaquim Guimarães, Antonio Ganzarolli.

Filme: A Respeitosa / La P… Respectueuse / 1952. Dir: Charles Brabant, Marcello Pagliero. Barbara Laage, Ivan Desny, Walter Bryant, Marcel Herrand, Yolande Laffon.

Margarida Rey, Tonia Carrero, Paulo Autran e Helena Xavier em Calúnia

Margarida Rey, Tonia Carrero, Paulo Autran e Helena Xavier em Calúnia

CALÚNIA. Autor: Lilian Hellman. Tr. Gustavo Dória. Tonia Carrero,.Margarida Ray, Helena Xavier, Suzana Negri, Moná Delaci, Sebastião Vasconcelos, Lisete Fernandes. Filme:  Infâmia / These Three / 1936. Dir: William Wyler. Miriam Hopkins, Merle Oberon, Joel McCrea, Bonita Granville, Catherine Doucet, Alma Kruger, Marcia Mae Jones, Margaret Hamilton, Walter Brennan. 

Fabio Sabag, Oswaldo Loureiro e Claudio Corrêa e Castro em A Fábula do Brooklyn

Fabio Sabag, Oswaldo Loureiro e Claudio Corrêa e Castro em A Fábula do Brooklyn

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A FÁBULA DO BROOKLYN. Autor: Irwin Shaw. Claudio Corrêa e Catro, Fabio Sabag, Isolda de Souza, Oswaldo Loureiro, Emilio de Matos, Roberto de Cleto, José Cozzolino, Marita Passos, Zelia Guimarães, Manuel Passos, Pedro Pimenta, Oswaldo de Andrade.

Filme: Quando a Noite Cai / Out of the Fog / 1941.  Dir: Anatole Litvak. John Garfield, Ida Lupino, Thomas Mitchell, Eddie Albert, George Tobias, Aline MacMahon, John Qualen, Jerome Cowan, Leo Gorcey, Bernard Gorcey.

Felipe Carone e Dalia Palma em O Diário de Anne Frank

Felipe Carone e Dalia Palma em O Diário de Anne Frank

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O DIÁRIO DE ANNE FRANK. Autor: Frances Goodrich e Albert Hackett. Tr. Gert Meyer. Dalia Palma, Felipe Carone, Elias Gleiser, Raul Cortez, Dina Lisboa (depois Aurora Aboim), Valter Avancini, Luis Eugenio Barcelos, Maria Dilná, Miriam Pércia, Léa Suriano.

Filme: O Diário de Anne Frank / The Diary of Anne Frank / 1959. Dir: George Stevens. Millie Perkins, Joseph Schildkraut, Shelley Winters, Richard Beymer, Lou Jacobi, Ed Wynn, Diane Baker, Douglas Spencer, Dodie Heath.

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O CHAPÉU DE PALHA DE ITÁLIA. Autor: Eugene Labiche e Marc Michel. Tr. Geraldo Queiroz e Roberto de Cleto. Maria Sampaio, Claudio Corrêa e Castro, Emilio de Matos, Fábio Sabag, Carmen Silvia Murgel, Roberto de Cleto, Kalma Murtinho, Guilherme Dicken, Ezequias Marques Junior, Adila Araujo, Isolda de Souza, Paulo Serrado, Claude Haguenauer, Roberto Ribeiro.

Filme: Un Chapeau de Paille d’Italie / 1941. Dir: Maurice Cammage. Fernandel, Félicien Tramel, Fernand Charpin, Edouard Delmont, Simone Paris, Jacqueline Laurent, Josseline Gäel, Andrex, Milly Mathis, Thérèse Dorny, Jean Pierre Kérien.

Renato Borghi e Nydia Licia em Chá e Simpatia

Renato Borghi e Nydia Licia em Chá e Simpatia

CHÁ E SIMPATIA. Autor: Robert Anderson. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Nydia Licia, Carlos Zara, Renato Borghi, Emanuel Corinaldi, Germano Filho, Wanda Kosmo, Raimundo Duprat, Guilherme Corrêa, Alceu Nunes.

Filme: Chá e Simpatia / Tea and Sympathy / 1956. Dir: Vincente Minnelli. Deborah Kerr, John Kerr, Leif Erickson, Edward Andrews, Darryl Hickman, Norman Crane, Dean Jones.

 1959

Roberto de Cleto, Carmen Sylvia Murgel, Paulo padilha e Maria de Lourdes em Nossa Cidade

Roberto de Cleto, Carmen Sylvia Murgel, Paulo padilha e Maria de Lourdes em Nossa Cidade

NOSSA CIDADE. Autor: Thorton Wilder. Tr. Elsie Lessa. Claudio Corrêa e Castro, Carmen Sylvia Murgel, Beatriz Veiga, João Augusto, Paulo Padilha, Emilio de Matos, Roberto de Cleto, Maria de Lourdes, Maria Clara Machado, Napoleão Muniz Freire, José Alvaro, Paulo Mathias, Kalma Murtinho.

Filme: Nossa Cidade / Our Town / 1940. Dir: Sam Wood. William Holden, Martha Scott, Fay Bainter, Thomas Mitchell, Beulah Bondi, Guy Kibbee, Stuart Erwin, Frank Craven.

DO MUNDO NADA SE LEVA. Autor: George S. Kaufman e Moss Hart. Maria de Lourdes Lima, Maria Sampaio, Maria Clara Machado, Ivan Simões, Ivan Junqueira, Yan Michalski, Anthero de Oliveira, Jorge Coutinho, Cesar Tozzi, Heloisa F. Guimarães, Pedro Pimenta, Zaide Hassel, José Antonio S. Fernandes, Sonia Cavalcanti, Anna Maria Magnus.

Filme: ver atrás peça Do Mundo Nada se Leva  encenada em 1942. 

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IDADE PERIGOSA. Autor: James Leo Herlihy e William Noble. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Egídio Écio, Miriam Melher, Suzana Negri, Paulo Padilha, Claudio Cavalcanti, Thais Muniz Portinho.

Filme: O Que Os Pais Desconhecem / Blue Denim / 1959. Dir: Philip Dunne. Carol Lynley, Brando de Wilde, Macdonald Carey, Marsha Hunt.

 

      

 

 

 

 

CONEXÃO TEATRO-CINEMA I

October 30, 2015

Dulcina como Sadie Thompson, Cacilda Becker como Marguerite Gauthier, Henriette Morineau como Blanche Dubois. Estas e tantos outros personagens famosos de peças teatrais levadas à tela foram reencarnados nos palcos da cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 40 e 50.

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Fiquei impressionado com a quantidade e a qualidade de peças relacionadas com filmes e fiz um levantamento desses espetáculos teatrais no período citado, mencionando os filmes aos quais eles correspondem, porém excluindo: filmes brasileiros (v.g. A Pensão de Dona Stela, A Família Lero Lero, Moral em Concordata); filmes do cinema mudo e/ ou realizados posteriormente aos decênios objetos desta pesquisa; peças que não geraram filmes ou foram representadas por alguns grupos amadores, filmes oriundos de romances, poemas ou de argumentos escritos originariamente para o cinema.

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Bibib Ferreira em Conchita

Bibib Ferreira em Conchita

Captura de Tela 2015-11-01 às 12.25.37Assim sendo, não foram incluídas, por exemplo, as performances de Bibi Ferreira em Rebecca (correspondente a Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca / 1940 de Alfred Hitchock bas. romance de Daphne du Maurier), Madame Bovary (Madame Bovary / Madame Bovary / 1949 de Vincente Minnelli e outras versões cinematográficas bas. romance de Gustave Flaubert) e em Conchita, a Mulher e o Boneco (Mulher Satânica / The Devil is a Woman / 1935 de Josef von Sternberg e outras versões cinematográficas bas. romance de Pierre Louys); Dulcina em Ninotchka (Ninotchka / Ninotchka / 1939 de Ernst Lubitsch bas. história original de Melchior Lengyel); Henriette Morineau como Norma Desmond em Também os Deuses Amam (Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard / 1948 de Billy Wilder bas. história original de Charles Brackett e Billy Wilder); Eva Todor como Leslie Crosbie em A Carta (A Carta / The Letter / 1940 de William Wyler bas. história Somerset Maugham);

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Cacilda Becker em Maria Stuart

Cacilda Becker em Maria Stuart

Ziembinski e Cacilda Becker em Longa Jornada De Uma Dia Para Dentro da Noite

Ziembinski e Cacilda Becker em Longa Jornada De Um Longo Dia  Para Dentro da Noite

Procópio Ferreira em A Mulher do Padeiro (La Femme du Boulanger / 1938 de Marcel Pagnol bas. romance de Jean Giono); Cacilda Becker em Maria Stuart (porque o filme de John Ford, Maria Stuart / Mary of Scotland / 1936 não foi baseado na peça de Schiller mas sim na peça de Maxwell Anderson); Natalia Timberg como Alma Winemiller em O Anjo de Pedra (porque o filme correspondente, O Anjo de Pedra / Summer and Smoke, de Peter Glenville, é de 1961); Cacilda Becker como Mary Tyrone em Longa Jornada de um Longo Dia Para Dentro da Noite (porque o filme correspondente, Longa Jornada Noite Adentro / Long Day’s Journey Into The Night, de Sidney Lumet, é de 1962);

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Maria Della Costa e Sandro Polonio em A Rainha Morta

Maria Della Costa e Sandro Polonio em A Rainha Morta

Cena de Gigi

Cena de Gigi

Leonardo Vilar como Eddie Carbone em Panorama Visto da Ponte (porque o filme correspondente, O Panorama Visto da Ponte / A View from the Bridge, de Sidney Lumet, é de 1962; Maria Della Costa como Joana D’Arc em O Canto da Cotovia de (porque a peça de Jean Anouilh, “L’Alouette”, não foi levada ao cinema, existindo apenas o filme Joana D’Arc / Joan of Arc / 1949, baseado na peça de Maxwell Anderson, “Joan of Lorraine”) ou como Inês de Castro em A Rainha Morta (porque a peça de Henri de Montherlant não foi levada ao cinema, existindo apenas o filme português Inês de Castro, baseado em poema de Afonso Lopes Vieira); Nicette Bruno como Margarida, Graça Mello como Fausto e Luiz Tito como Mefistófeles em Fausto (porque os filmes correspondentes não são da década 40/50); Henriette Morineau como Medéia (porque o filme correspondente não é do decênio 40/50); Ana Edler, Iracema de Alencar, Laura Suarez, Maria Clara Machado, Maria Pompeu e outros em Diálogo das Carmelitas (pelo mesmo motivo); Henriette Morineau em Gigi (Gigi / Gigi / 1958 de Vincente Minnelli) e Chéri (Chéri / 1950 de Pierre Billon), porque ambos os filmes foram baseados em romances de Colette etc.

1941

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NUNCA ME DEIXARÁS. Autor: Margaret Kennedy. Tr. Maria Jacinta. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Aristoteles Pena, Suzana Negri, Sara Nobre, Jorge Diniz, Danilo Ramires, Armando Rosas, Atila de Morais, Mary May, Laura Santos, Vicente Gil, Roque da Cunha.

Filmes: Contudo és Meu / Escape me Never / 1935. Dir: Paul Czinner. Elizabeth Bergner, Hugh Sinclair, Griffith Jones, Penelope Dudley-Ward, Irene Vanbrugh, Leon Quartermaine. Quero-te Junto a Mim / Escape me Never / 1947. Dir: Peter Godfrey. Errol Flynn, Ida Lupino, Eleonor Parker, Gig Young, Reginal Denny, Albert Basserman, Isobel Elsom.

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 ESTA NOITE OU NUNCA. Autor: Lily Hatvany. Tr. Oduvaldo Viana. Dulcina, Odilon, Aristoteles Pena, Sara Nobre, Armando Rosas, Mary May, Roque da Cunha.

Filme: Esta Noite ou Nunca / Tonight or Never / 1933. Gloria Swanson, Melvyn Douglas, Alison Skipworth, Ferdinand Gottschalk, Robert Kreig, Boris Karloff.

 1942

Dulcina em Pigmalião

Dulcina em Pigmalião

PIGMALIÃO. Autor: Bernard Shaw. Tr. Miroel Silveira. Dulcina (como Eliza Guarapa), Odilon (como Prof. Henrique Mascarenhas), Aristoteles Pena, Jorge Diniz, Conchita de Morais, Sara Nobre, Mary May, Roque da Cunha, Danilo Ramires, Léo Romano, Dilú Dourado,

Filme: Pigmalião / Pygmalion / 1938. Dir: Gabriel Pascal. Wendy Hiller, Leslie Howard, Wilfrid Lawson, Scott Sunderland.

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 A DAMA DAS CAMÉLIAS. Autor: Alexandre Dumas Filho. Tr. Alvaro Peres. Amélia de Oliveira, Rodolfo Mayer, Teixeira Pinto, Maria Castro, Lourdes Mayer, Lú Marival, Arnaldo Coutinho, Victória Régia, Antonio Ramos, Carlos Machado, Brandão Filho, Rui Viana, Alvaro Rocha, Ribeiro Fortes, Antonio Ramos, Gim Mamoré.

Filmes: ver adiante a peça A Dama das Camélias encenada em 1951.

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DO MUNDO NADA SE LEVA. Autor: Autor: George S. Kaufman, Moss Hart. Tr. Maria de Lourdes Araujo Lima. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Aristoteles Pena, Jorge Diniz, Sara Nobre, Dilú Dourado, Natara Ney, Mary May, Suzana Negri, Danilo Ramires, Roque da Cunha, Armando Rosas, Léo Romano.

Filme: Do Mundo Nada se Leva / You Can’t Take it With You / 1938. Dir: Frank Capra. James Stewart, Jean Arthur, Lionel Barrymore, Mischa Auer, Ann Miller, Spring Byington.

ORFEU. Autor: Jean Cocteau. Tr. Raul Penido Filho. Paulo Soledade, Zezé Pimentel, Luiza Barreto Leite, Fadah Gattass, Eloi Brandão, Armando Riedel, José Mauro, Graça Mello, Mario Brasini.

Filme: Orfeu / Orphée / 1950. Dir: Jean Cocteau. Jean Marais, Marie Déa, Maria Casares, François Périer, Henri Cremieux, Juliette Greco, Roger Blin.

 1943

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UMA MULHER DO OUTRO MUNDO. Autor: Noel Coward. Tr. Carlos Lage. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Manuel Pera, Zilka Salaberry, Mario Salaberry, Carlos Perry, Atila de Morais, Luiza Satanela, Natara Ney.

Filme: Uma Mulher do Outro Mundo / Blithe Spirit / 1945. Dir: David Lean. Rex Harrison, Constance Cummings, Kay Hammond, Margaret Rutherford.

FIM DE JORNADA. Autor: R.C. Sheriff. Tr. Isaac Pascoal. Ziembinski, Graça Mello, Figueiredo Junior, Brutus Pedreira, Carlos Mello, Alvaro Alberto, Nelson Vaz, Armando Couto, Darci dos Reis, Fadal Gattass.

Filme: Journey’s End / 1930. Dir: James Whale. Colin Clive, Ian Maclaren, David Manners, Billy Bevan, Anthony Bushell.

A FELICIDADE. Autor: Henri Bernstein. Tr. Heitor Moniz. Dulcina, Odilon, Manuel Pera, Atila de Moraes, Natara Ney, Roque da Cunha, Armando Rosas, Armando Louzada, Dinorah Marzulo, Leo Romano, Sylvio Silva.

Filme: Le Bonheur / 1935. Dir: Marcel L’Herbier. Charles Boyer, Gaby Morlay, Paulette Dubost, Jean Toulout, Jaque Catelain, Michel Simon.

 1944

Dulcina em Cesar e Cleópatra

Dulcina em Cesar e Cleópatra

CESAR E CLEOPATRA. Autor: Bernard Shaw. Tr. Miroel Silveira. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Luis Tito, Jorge Diniz, Nelson Vaz, Sadi Cabral, Danilo Ramires, Ribeiro Fortes, Manuel Pera, Milton Carneiro, Roque da Cunha, Olavo de Barros, Grijó Sobrinho, Iris Belmonte, Dinorah Marzulo, Sonia Marques Lopes, Alvaro de Paula, Rocir Silveira, Isolino Teixeira, João Zacarias, Pedro Veiga, Decio Stuart, Lília Naldi e Felicitas.

Filme: Cesar e Cleopatra / Caesar and Cleopatra / 1945. Dir: Gabriel Pascal. Claude Rains, Vivien Leigh, Stewart Granger, Flora Robson, Basil Sidney, Cecil Parker, Raymond Lowell, Ernest Thesiger.

Dulcina em Santa Joana

Dulcina em Santa Joana

SANTA JOANA. Autor: Bernard Shaw. Tr. Dinah Silveira de Queiroz. Dulcina, Odilon, Luiz Tito, Sadi Cabral, Manuel Pera, Jorge Diniz, Danilo Ramires, Armando Rosas, Nelson Vaz, Ribeiro Fortes, Milton Carneiro, Grijó Sobrinho, Roque da Cunha, Rocir Silveira, Iris Belmonte, João Zacharias, Geraldo Avelar, Pedro Veiga, Carlos Viana.

Filme: Santa Joana / Saint Joan / 1957. Dir: Otto Preminger. Jean Seberg, Richard Widmark, Richard Todd, Anton Walbrook, John Gieguld, Margot Grahame.

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SÉTIMO CÉU. Autor: Austin Strong. Tr. Elsie Lessa. Bibi Ferreira, Suzana Negri, Ribeiro Martins, Maria Isabel, Jorge Diniz, Ferreira Leite, Hamilton Ferreira.

Filme: Sétimo Céu / Seventh Heaven / 1937. Dir: Henry King. Simone Simon, James Stewart, Jean Hersholt, Gregory Ratoff, Gale Sondergaad, J. Edward Bromberg, John Qualen, Sig Ruman, Victor Kilian.

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DESLUMBRAMENTO. Autor: Keith Winter. Tr. Bandeira Duarte. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Aurora Aboim, Milton Carneiro, Ribeiro Fortes.

Filme: A Mulher Proibida / The Shinning Hour. Dir: Frank Borzage. Joan Crawford, Margaret Sullavan, Robert Young, Melvyn Douglas, Fay Bainter, Hatty MacDaniel, Allyn Joslyn.

1943

Dulcina em Rainha Vitória

Dulcina em Rainha Vitória

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 RAINHA VITÓRIA. Autor: Lawrence Housman. Tr. Bandeira Duarte. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Atila de Morais, Manuel Pera, Aurora Aboim, Dinorah Marzulo, Armando Rosas, Milton Carneiro, Ribeiro Fortes, Renato Restier, Cléia Barros, Luiza Barreto Leite, Maria Luiza, Wolf Harnisch, Urbano Silva.

Filme: A Rainha Vitória / Victoria, the Great / 1937. Dir: Herbert Wilcox. Anna Neagle, Anton Walbrook, Walter Rilla, H. B. Warner, Mary Morris, Felix Aylmer.

O Imperador Jones

Aguinaldo de Oiliveira Camargo em O Imperador Jones

O IMPERADOR JONES. Autor: Eugene O’Neill. Tr. Ricardo Werneck de Aguiar. Aguinaldo de Oliveira Camargo, Natalino Dionisio, José da Silva, Fernado Oscar de Araujo, Arinda Serafim (depois Ruth de Souza), Sady Cabral (depois José Medeiros). FIlme: O Imperador Jones / Emperor Jones/ 1933. Dir: Dudley Murphy. Paul Robeson, Duddley Digges, Frank H. Wilson, Fredi Washington, Ruby Elgy, George Hayhid Stamper.

O PIRATA. Autor: S.N. Behrman. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Atila de Morais, Aurora Aboim, Manuel Pera, Armando Rosas, Milton Carneiro, Ribeiro Fortes, Renato Restier.

Filme: O Pirata / The Pirate / 1948. Dir: Vincente Minnelli. Judy Grland, Gene Kelly, Walter Slezak, Gladys Cooper, Reginald Owen, George Zucco, The Nicholas Brothers.

Dulcina como Sadie Thompson em Chuva

Dulcina como Sadie Thompson em Chuva

Cena de Chuva

Cena de Chuva

Dulcina em Chuva

Dulcina em Chuva

CHUVA. Autor: John Colton e Clemence Randolph baseado história de Somerset Maugham. Tr. Genolino Amado. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Manuel Pera, Aurora Aboim, Armando Rosas, Ribeiro Fortes, Luiza Barreto Leite, Renato Restier, Milton Carneiro, Urbano Silva.

Filmes: O Pecado da Carne / Sadie Thompson / 1932. Dir: Lewis Milestone. Joan Crawford, Walter Huston, William Gargan, Beulah Bondi, Mary Shaw, Fred Howard, Ben Hendricks Jr., Walter Cattlett. A Mulher de Satã / Sadie Thompson / 1953. Dir: Curtis Bernhardt. Rita Hayworth, José Ferrer, Aldo Ray, Russell Collins, Diosa Costello, Peggy Converse.

UMA MULHER SEM IMPORTÂNCIA. Autor: Oscar Wilde. Versão modernizada: Raimundo Magalhães Junior. Maria Sampaio, Mario Brasini, Aimée, Sara Nobre, Maria Castro, Lisette Buono, Danilo Ramires, Lydia Matos, Paulo Moreno, Fernando Delmar.

Filme: Uma Mulher sem Importância / Una Mujer sin Importancia / 1945. Dir: Luis Bayón Herrera. Mecha Ortiz, Santiago Gómez Cou, Golde Fiani, Hugo Pimentel, Lidia Denis, Bianca Vidal, Sara Barrié.

Sara Nobre e Maria Sampaio em Luz de Gás

Sara Nobre e Maria Sampaio em Luz de Gás

Maria Samnpaio em Luz de Gás

Maria Samnpaio em Luz de Gás

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LUZ DE GÁS. Autor: Patrick Hamilton. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Maria Sampaio, Mario Brasini, Sara Nobre, Paulo Moreno, Auristela Araujo.

Filmes: À Meia-Luz / Gaslight / 1940. Dir: Thorold Dickison. Diana Wyniard, Anton Walbrook, Frank Petingell, Cathleen Cordele, Robert Newton.   À Meia-Luz / Gaslight / 1944. Dir: George Cukor. Ingrid Bergman, Charles Boyer, Joseph Cotten, Dame May Whitty, Angela Lansbury.

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 DELICIOSO VENENO. Autor: Joseph Kesselring. Tr. Carlos Lage. Bibi Ferreira, Suzana Negri, Maria Isabel, Ribeiro Martins, Jorge Diniz, Alberto Pérez.

Filme: Este Mundo é um Hospício / Arsenic and Old Lace / 1946. Dir: Frank Capra. Cary Grant, Priscilla Lane, Josephine Hull, Jean Adair, John Alexander, Raymond Massey, Peter Lorre, Jack Carson, Edward Everett Horton.

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PAPÁ LEBONARD. Autor: Jean Aicard. Tr. Gastão Pereira da Silva. Jaime Costa, Nelma Costa, Cora Costa, Aristoteles Pena, Francisco Dantas, Grace Moema, Sandro Roberto, Cirene Tostes.

Filme: Papa Lebonard / Papa Lebonard / 1946. Dir: Ramón Péon. Luana Alcañiz, Victoria Argota, José Baviera, Adriana Lamar, Rául Lechuga, Ramón Pereda.

Maria Sampaio em A Família Barrett

Maria Sampaio em A Família Barrett

 

Cena de A Família Barrett

Cena de A Família Barrett

Captura de Tela 2015-08-30 às 12.35.48A FAMÍLIA BARRETT. Autor: Rudolf Besier. Tr. Miroel Silveira. Maria Sampaio. Paulo Moreno, Sara Nobre, Stella Perry, Wahita Brasil, Altivo Diniz, David Conde, Wallace Viana, Carlos Geraldo, Antonio Henrique, Nelson Vaz, Eugênia Levy, Pedro Veiga, Rodolfo Arena, Castro Viana, Geraldo Brasil, Z. Orlando.

Filmes: A Família Barret / The Barretts of Wimpole Street / 1934. Dir: Sidney Franklyn. Norma Shearer, Fredric March, Charles Laughton, Maureen O’Sullivan, Katherine Alexander, Ralph Forbes, Una O’Connor, Leo G. Carroll. O Céu em Teu Amor / The Barretts of Wimpole Street / 19 Dir: Sidney Franklyn. Jennifer Jones, Bill Travers, John Gieguld, Virginia McKenna, Susan Stephen, Vernon Gray.

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CASA DE BONECA. AUTOR: Henrik Ibsen. Tr. Renato Vianna. Maria Caetana, Renato Viana, Joyce de Oliveira, Alice Gunther, Dalva Galimberti, Mauro Magalhães, João Pedro Barrinuevo, Ruy Vianna, Cirene Tostes.

Filmes: Casa de Bonecas / Casa de Muñecas / 1943. Dir: Ernesto Arancibia. Delia Garcès, Jorge Rigaud, Maria Arrieta, Agustín Barrios, Olga Casares Pearson, Orestes Caviglia. Nora (Casa de Bonecas) / Casa de Muñecas / 1954. Dir: Alfredo B. Crevenna. Marga López, Ernesto Alonso, Miguel Torruco, Maria Douglas, Augusto Benedico, Mimi Derba, Lupe Carriles.

1944

Olga Navarro e Ziembinski em

Olga Navarro e Ziembinski em Desejo

Cena de Desejo

Olga Navarro e Sandro Polonio em Desejo

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DESEJO. Autor: Eugene O’Neill. Tr. Miroel Silveira. Olga Navarro, Ziembinski, Sandro Polonio, Orlando Guy (depois Graça Mello), Jardel Filho, Jackson de Souza, Labanca, David Conde, Virginia Vanni, Berta Scliar, Amalita, Maria Margarida Lopes, Waldir Moura, Geraldo Ribeiro, Marcos R. dos Santos, Fernando Lancelotte.

Filme: Desejo / Desire Under the Elms / 1958. Dir: Delbert Mann. Sophia Loren, Burl Ives, Anthony Perkins, Frank Overton, Pernell Roberts, Rebecca Welles, Jean Willes.

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Cena de Perfídia

Cena de Perfídia

 PERFIDIA. Autor: Lillian Helman. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Maria Sampaio, Rodolfo Mayer, Nelson Vaz, Wahita Brasil, Renée Bell, Rodolfo Arena, Castro Viana, Cirene Tostes, Francisco Moreno, Luiz Piccini, Aberto Perez, Jesus Ruas.

Filme: Pérfida / The Little Foxes / 1941. Dir: William Wyler. Bette Davis, Herbert Marshall, Teresa Wright, Richard Carlson, Dan Duryea, Charles Dingle, Patricia Collinge, Carl Benton Reid.

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 CLAUDIA. Autor: Rose Franken. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Eva Todor, Elza Gomes, Afonso Stuart, André Villon, Samaritana Santos, Armando Braga, Judith Vargas.

Filme: Claudia / Claudia / 1943. Dir: Edmund Goulding. Dorothy McGuire, Robert Young, Ina Claire, Reginald Gardiner, Olga Baclanova.

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ANNA CHRISTIE. Autor: Eugene O’Neill. Tr. Genolino Amado. Dulcina, Odilon, Conchita de Morais, Graça Mello, Renato Restier.

Filme: Anna Christie / Anna Christie / 1930. Dir: Clarence Brown. Greta Garbo, Marie Dressler, Charles Bickford, George F. Marion, James T. Mack, Lee Phelps.

 1947

Alma Flora, Procópio Ferreira e Bibib Ferreira em Divórcio

Alma Flora, Procópio Ferreira e Bibib Ferreira em Divórcio

Cena de Divórcio

Cena de Divórcio

DIVÓRCIO. Autor: Clemence Dane. Tr. Bibi Ferreira. Procópio Ferreira, Bibi Ferreira, Alma Flora, Alexandre Carlos, Belmira de Almeida, Jorge Diniz, Rodolfo Mayer, Renato Restier, Palmerim, Valery Martins.

Filme: Vítimas do Divórcio / A Bill of Divorcement / 1932. Dir: George Cukor . John Barrymore, Katharine Hepburn, Billie Burkem David Manners, Paul Cavanagh, Henry Stephenson. Vítimas do Divórcio / A Bill of Divorcement / 1940. Dir: John Farrow. Maureen o”Hara, Adolphe Menjou, Fay Bainter, Herbert Marshall, Dame May Witty, Patric Knowles, C. Aubrey Smith.

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O PECADO ORIGINAL. Autor: Jean Cocteau. Tr. Carlos Brant. Henriette Morineuau, Manuel Pera, Luiza Barreto Leite, Flora May, Alexandre Carlos.

Filme: O Pecado Original / Les Parents Terribles / 1948. Dir: Jean Cocteau. Jean Marais, Josette Day, Yvonne de Bray, Gabrielle Dorziat, Marcel André.

 1948

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Sergio Cardoso em Hamlet

Sergio Cardoso em Hamlet

teatro sergio cardoso hamlet II

Cena de Hamlet

Maria Fernanda e Sergio Cardoso em Hamlet

Sergio Cardoso e Sergio B rito em Hamlet

Sergio Cardoso e Sergio Britto
 em Hamlet

Cena de Hamlet

Cena de Hamlet

HAMLET. Autor: William Shakespeare. Tr. Tristão da Cunha. Sergio Cardoso, Maria Fernanda, Carolina Sotto Maior, Ary Palmeira, Sergio Britto, Luiz Linhares, Ambrósio Fregolente, Irmgard Müller, Nilson Pena, Tarquinio Lopes, Carlos Couto, Elisio de Albuquerque, Antonio Ventura, Pedro Henrique, José Valluzi, T. Zanotta, Sergio de Albuquerque e Silva, Wilson Grey, Jaci Campos.

Filme: Hamlet / Hamlet / 1948. Dir: Laurence Olivier. Laurence Olivier, Jean Simmons, Basil Sidney, Eileen Herlie, Felix Aylmer, Norman Wooland, Anthony Quayle, Peter Cushing, Terence Morgan.

SÓ NÓS TRÊS. Autor: Sidney Howard. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Henriette Morineau, Flora May, Margarida Rey, Jaci Campos, Dary Reis, Nieta Junqueira.

Filme: Mãe e Rival / The Silver Cord / 1933. Dir: John Cromwell. Irene Dunne, Joel McCrea, Laura Hope Crewws, Eric Linden, Frances Dee

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A ÁGUIA DE DUAS CABEÇAS. Autor: Jean Cocteau. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Dulcina, Odilon, Suzana Negri, Ribeiro Fortes, Jardel Filho, José Onofre (Zuza).

Filme: A Águia de Duas Cabeças / L’Aigle a Deux Têtes / 1948. Dir: Jean Cocteau. Jean Marais, Edwige Feuillère, Silvia Monfort, Jean Debucourt, Jacques Varennes, Yvonne de Bray.

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Cena de O Amor Que Não Morreu

Cena de O Amor Que Não Morreu

O AMOR QUE NÃO MORREU. Autor: Allan Langdon Martin (pseudônimo de Jane Cowl e Jane Murfin). Tr. Raimundo Magalhães Junior. Vanda Lacerda, Iris del Mar, Mario Brasini, Maria Luiza, Milton Carneiro, Oswaldo Louzada.

Filmes: O Amor que não Morreu / Smilin’ Through / 1932. Dir: Sidney Franklin. Norma Shearer, Fredrich March, Leslie Howard. Ralph Forbes, Beryl Mercer, O. P. Heggie. O Amor que não Morreu / Smilin’ Through / 1941. Dir: Frank Borzage. Jeanette MacDonald, Brian Aherne, Gene Raymond, Ian Hunter, Frances Robinson.

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ESTRADA DO TABACO. Autor: Jack Kirkland bas. romance Erskine Caldwell. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Italia Fausta, Maria Della Costa, Sadi Cabral, Sandro Polonio, Josef Guerreiro, Nieta Junqueira, Aurora La Bele, Yara Isabel.

Filme: Caminho Áspero / Tobacco Road / 1941. Dir: John Ford. Gene Tierney, Charley Grapewin, Marjorie Rambeau, William Tracy, Elisabeth Patterson, Dana Andrews, Ward Bond, Slim Summerville.

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Cena de Uma Rua Chamada Pecado

Cena de Uma Rua Chamada Pecado

Henriette Morineau e Graça Mello em Uma Rua Chamada pecado

Henriette Morineau e Graça Mello em Uma Rua Chamada pecado

UMA RUA CHAMADA PECADO. Autor: Tennesssee Williams. Tr. Carlos Lage. Henriette Morineau, Graça Mello, Flora May, Ambrósio Fregolente, Margarida Rey, Joyce de Oliveira, Luiz Fróis, Jacy Campos, Dary Reis, Maria Castro.

Filme: Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire / 1951. Dir: Eliza Kazan. Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim Hunter, Karl Malden, Nick Dennis.

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O GRANDE FANTASMA. Autor: Eduardo De Filippo. Tr. Mario da Silva e Renato Alvim. Procópio Ferreira, Alma Flora, Belmira de Almeida, Rodolfo Arena, Renato Restier, Carlos Duval, Salú Carvalho, Tereza Lane, Mozart Regis.

Filmes: Questi Fantasmi / 1954. . Dir: Eduardo De Filippo. Renato Rascel, Erno Crisa, Maria Frau, Ugo D’Alessio, Franca Valeri.

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MULHERES. Autor: Clare Booth Luce. Tr. Lucia Benedetti. Dulcina, Suzana Negri, Conchita de Morais, Cirene Tostes, Mara Rúbia, Yara Côrtes, Terezinha (filha de Mara Rúbia), Maria Isabel, Lidia Vani, Beyla Genauer, Ninon de Oliveira, Maria Roth, Virginia Alves, Aracy Cardoso, Anita Leite, Isabel de Almeida Cardoso, Inah Regis, Rosa Radi, Aida Ferreira, Zulmira Miranda, Neusa Silva, Felicitas Baer, Tereza Araujo, Suzy Kirby, Nina Nara, Anita Alfa, Regina de Aragão, Yara Isabel.

Filme: As Mulheres / The Women / 1939. Dir: George Cukor. Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Mary Boland, Paulette Goddard, Joan Fontaine, Ruth Hussey, Virginia Weidler, Lucille Watson Hedda Hopper.

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A … RESPEITOSA. Autor: Jean-Paul Sartre. Tr. Miroel Silveira. Olga Navarro, Roberto Duval, José Maria Monteiro, Fernando Villar, Wallace Viana, Antonio Gonçalves.

Filme: A Respeitosa / La P … Respectueuse / 1952. Dir: Charles Brabant, Marcel Pagliero. Barbara Laage, Marcel Pagliero, Walter Bryant, Yolande Laffon, Nicolas Vogel.

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A MULHER DE NÓS DOIS. Autor: André Roussin. Tr. Brício de Abreu. Odilon, Eugenia Levy, Manuel Pera, Luiz Delfino, Lucio Fernandes, Dinorah Marzulo.

Filme: Dois Amores e uma Cabana / The Little Hut / 1957. Dir: Mark Robson. Ava Gardner, Stewart Granger, David Niven, Walter Chiari, Finlay Curie.

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PANCADA DE AMOR. Autor: Noel Coward. Tr. Djalma Bittencourt e Renato Alvim. Mario Salaberry, Zilka Salaberry, Augusto Anibal, Lucy Lamour, Hildomar Pimenta.

Filme: Vidas Particulares / Private Lives / 1931. Dir: Sidney Franklin, Norma Shearer, Robert Montgomery, Reginald Denny, Una Merkel, Jean Hersholt.

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DIABINHO DE SAIAS. Autor: Norman Krasna. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Bibi Ferreira, Jardel Filho, Delorges Caminha, Cirene Tostes, Belmira de Almeida, Luiz Cataldo, Antonia Marzulo, Nair Regina.

Filme: Ruth Querida / Dear Ruth / 1947. Dir: William D. Russell. Joan Caulfield, William Holden, Mona Freeman, Edward Arnold, Billy De Wolfe.

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NOSSA QUERIDA GILDA. Autor: Noel Coward. Tr. Genolino Amado. Dulcina, Odilon, Graça Mello, Suzana Negri, Conchita de Morais, Yara Côrtes, Jorge Diniz. Filme: Sócios no Amor / Design for Living / 1933. Dir: Ernst Lubitsch. Gary Cooper, Fredric March, Miriam Hopkins, Edward Everett Horton, Franklin Pangbordn, Jane Darwell. 

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TRAGÉDIA EM NOVA YORK. Autor: Maxwell Anderson. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Sergio Cardoso. Beyla Genauer, Jaime Barcelos, Sergio Brito, Luiz Linhares, Elisio de Albuquerque, Carlos Couto, Renato Restier, Antonio Ventura, Tarcísio Zanotta, Rejane Ribeiro, Zilah Maria, Ary Palmeira, Wilson Grey, P. Cabral.

Filme: Os Predestinados / Winterset / 1936. Dir: Alfred Santell. Burgess Meredith, Margo, Eduardo Cianelli, John Carradine, Edward Ellis, Mischa Aurer, Stanley Ridges.

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APARTAMENTO SEM LUVAS. Autor: Jerome Chodorov e Joseph Fields. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Eva Todor, Elza Gomes, André Villon, Roberto Gustavo, Afonso Stuart, Silvio Couto, Artur Costa Filho, Armando Braga, Ricardo Cardoso, Stênio Mendonça, Wagner Rodrigues, Rogério Macedo, Leo Gay, Gaziel Paraná, Ari Neves, Denis Roberti, Adakar Filho, Aloisio Cunha.

Filmes: Solteiras à Solta / My Sister Eileen / 1942. Dir: Alexander Hall. Rosalind Russell, Brian Aherne, Janet Blair, George Tobias, Allyn Joslyn. Jejum de Amor/ My Sister Eileen / 1955. Dir: Richard Quine. Janet Leigh, Jack Carson, Betty Garrett, Bob Fosse, Kurt Kasznar.

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À MARGEM DA VIDA. Autor: Tennessee Williams. Tr. Esther Mesquita. Nydia Licia, Marina Freire, Paulo Autran, Abilio Pereira de Almeida.

Filme: Algemas de Cristal / The Glass Menagerie / 1950. Dir: Irving Rapper. Jane Wyman, Gertrude Lawrence, Kirk Douglas, Arthur Kennedy.

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HIPÓCRITA. Autor: Hagar Wilde e Dale Eunson. Tr. Bibi Ferreira. Bibi Ferreira, Belmira de Almeida, Jardel Filho, Rodolfo Arena, Cirene Tostes, Sonia Maria, Luiz Cataldo, Delorges Caminha, Fernando Villar, Nair Regina, Laís Dias, Marcia Real, Aida Ferreira.

Filme: A Hipócrita / Guest in the House / 1944. Dir: John Brahm. Anne Baxter, Ralph Bellamy, Aline Mac Mahon, Ruth Warrick, Margaret Hamilton, Percy Kilbridge, Connie Laird.

Bibi Ferreira e Jardel Filho em Beija-me e Verás

Bibi Ferreira e Jardel Filho em Beija-me e Verás

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BEIJA-ME E VERÁS. Autor: F. Hugh Herbert. Tr. Raimundo Magalhães Junior. Bibi Fereira, Luiz Cataldo, Rodolfo Arena, Jardel Filho, Belmira de Almeida, Fernando Villar, Francisco Dantas, Cirene Tostes, Delorges Caminha, Marcia Leal, Sonia Maria, Laís Dias.

Filme: Ninguém Vive Sem Amor / Kiss and Tell / 1945. Dir: Richard Wallace. Shirley Temple, Jerome Courtland, Walter Abel, Katherine Alexander, Robert Benchley, Porter Hall.

TRIBUTO A JULIEN DUVIVIER

October 16, 2015

Com uma carreira excepcionalmente longa de realizações de 1919 a 1967, Julien Duvivier costuma ser apontado por muitos críticos como um técnico muito versátil e competente, mas sem personalidade. Porém a realidade é mais complexa, mesmo se a sua filmografia contém um bom número de filmes de encomenda.

Julien Duvivier

Julien Duvivier

Nascido no dia 8 de outubro de 1896 em Lille e educado em um colégio jesuita de sua cidade natal, Duvivier foi para Paris, onde arranjou emprego no Thêatre de l’Odeon nas funções de ator e encenador. Interessado pelo cinema, ingressou na Societé Cinématographique des Auteurs et Gens des lettres (SCAGL), na qual colaborou com André Antoine, o fundador do Thêatre Libre. Em 1919, dirigiu seu primeiro filme, Haceldama ou le Prix du sang. Após uma carreira bastante produtiva na cena muda, marcada por dois sucessos artísticos, Poil de Carotte / 1925 (que refilmaria em 1932) e Au Bonheur des Dames / 1930 (parcialmente sonorizado), Duvivier tornou-se posteriormente um dos grandes diretores do cinema francês – ao lado de René Clair, Jean Renoir, Marcel Carné e Jacques Feyder -, e realizou, entre 1930 e 1940, alguns dos melhores filmes da época, por meio dos quais expressava seu pessimismo amargo: Tragédia de um Homem Rico / David Golder / 1930; Pega-Fogo (TV)/ Poil de Carotte / 1932; Maria Chapdelaine / 1934; A Bandeira / La Bandera / 1935; Camaradas / La Belle Equipe / 1936, Um Carnet de Baile / Un Carnet de Bal / 1937; La Fin du Jour / 1939.

Cena de Poil de Carotte / 1925

Cena de Poil de Carotte / 1925

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Durante a Ocupação, Duvivier, cuja esposa era judia, foi para os Estados Unidos (onde já havia dirigido A Grande Valsa / The Great Waltz em 1938), e alí realizou Lydia / 1940; Seis Destinos / Tales of Manhattan / 1941-42; Os Mistérios da Vida / Flesh and Fantasy / 1943; O Impostor / The Impostor / 1943, todos muito interessantes. Ao retornar à França, ele reatou relações com o clima sombrio dos seus filmes de antes da guerra, focalizando em Pânico / Panique / 1946 o drama da exclusão social e os tormentos de um celibatário marginal, magnificamente vivido por Michel Simon. Juntamernte com Vítimas do Destino / Au Royame des Cieux / 1949, outro drama de uma obscuridade vigorosa, passado em uma casa de correção para moças delinquentes, foi o melhor trabalho do cineasta na segunda metade dos anos 40.

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No decênio seguinte, tal como no passado, Duvivier continuou experimentando vários gêneros, abordando diversos estilos, sem encontrar verdadeiramente o seu. Mas, com a sua notável noção de cinema, especialmente no que dizia respeito à criação de uma atmosfera e à imposição de um ritmo fluente nas narrativas, ele realizou, com a sua sensibilidade de artista, duas jóias raras (A Festa do Coração / La Fête a Henriette / 1952; Sedução Fatal / Voici les Temps des Assassins / 1955-56); filmes apreciáveis (Sinfonia de uma Cidade / Sous le Ciel de Paris / 1950; O Caso Maurizius / L’Affaire Maurizius / 1954: A Mulher dos Meus Sonhos / Marianne de ma Jeunesse / 1955; As Mulheres dos Outros / Pot Bouille / 1957; Marie Octobre (na TV) / Marie Octobre / 1959; e um imenso sucesso comercial (O Pequeno Mundo de Don Camilo / Le Petit Monde de Don Camillo / 1951).

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Em toda a sua obra esse professional eclético e muito produtivo demonstrou sempre um extremo rigor no plano da construção dramática, uma concepção de arte dinâmica e um técnica extraordinária. A fotografia sempre bem cuidada e seus movimentos de câmera virtuosos combinados com planos longos contribuiram para a mise-en-scène atmosférica das histórias, por cujos roteiros – convém lembrar – muitas vezes ele mesmo se responsabilizou. Julien Duvivier morreu no dia 29 de outubro de 1967 em um acidente de automóvel, após ter sofrido um ataque cardíaco ao volante. Jean Renoir escreveu nas suas memórias: “Se eu fosse arquiteto e devesse construir um monumento do cinema, colocaria uma estátua de Duvivier bem na frente. Esse grande técnico, esse rigorista era um poeta”. Na verdade, Julien Duvivier foi um artesão brilhante que, nos seus filmes maiores, se transformou em um artista.

Neste artigo, presto uma homenagem ao grande cineasta, relembrando alguns de seus melhores filmes.

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TRAGÉDIA DE UM HOMEM RICO / DAVID GOLDER / 1930.

David Golder (Harry Baur), judeu polonês imensamente rico, vai se encontrar em Biarritz com sua esposa Gloria (Paule Andral) e sua filha Joyce (Jackie Monnier). David e Gloria se detestam. Ela o trai com um aventureiro, o conde de Hoyos (Gaston Jacquet). David idolatra Joyce, que finge ser uma filha devotada, mas só pensa em explorar o pai. David sofre uma crise de angina e durante uma discussão com Gloria no hospital, esta lhe revela que Joyce é filha de Hoyos. Para se vingar, David abandona seus negócios e vai viver sozinho. Atendendo às súplicas de Joyce, faz uma transação lucrativa na Rússia para ajudá-la e morre solitário a bordo de um navio na viagem de volta.

Harry Baur e e Paule Andral em Tragédia de um Homem Rico

Harry Baur e e Paule Andral em Tragédia de um Homem Rico

Harry Baur e Jackie Monnier em Tragédia de um Homem Rico

Harry Baur e Jackie Monnier em Tragédia de um Homem Rico

Essa história, reminiscente de O Pai Goriot, convinha à visão do mundo pessimista que iria se afirmar nos filmes posteriores do diretor. A cena mais contundente do filme – realizado praticamente segundo a técnica do cinema mudo, mas cumprindo inteligentemente as exigências da reprodução do som – é aquela em que Golder, gravemente enferno, se defende das manobras de sua mulher, querendo lhe arrancar um testamento em seu favor. Quando Gloria se inclina sobre seu corpo e lhe diz cruelmente que Joyce não é sua filha, Golder estende o braço e aperta o pescoço da mulher com o seu colar de pérolas. É um momento terrível, no qual o ódio e a maldade se manifestam com uma intensidade impressionante.

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PEGA-FOGO (TV) / POIL DE CAROTTE / 1932.

François Lepic (Robert Lynen), um menino de 12 anos de idade e cabelos ruivos, apelidado de Poil de Carotte, é detestado pela mãe (Catherine Fonteney), mulher tirânica que reserva seu carinho para o filho mais velho, Félix (Maxime Fromiot), François sofre profundamente por não ser amado. Seu pai (Harry Baur) parece indiferente, preocupado com as próximas eleições municipais. Após diversas tentativas, François resolve se suicidar, enforcando-se no celeiro. Felizmente, M. Lepic chega a tempo de salvá-lo. Pela primeira vez, o pai tem uma conversa com o filho. A partir de então, Poil de Carrote terá um defensor contra sua mãe.

Cenas de Pega-Fogo

Cenas de Pega-Fogo

Harry Baur e Robert Lynen Pega-Fogo

Harry Baur e Robert Lynen Pega-Fogo

Obra ao mesmo tempo encantadora e amarga, retratando uma família provinciana tão desprovida de sentimento que o seu membro mais jovem é levado a tentar o suicídio. Apesar de o filme conter no seu conjunto muita crueldade e realismo, surgem momentos de doce ternura, como o casamento infantil de Poil de Carotte e de sua pequena companheira, impregnado de uma poesia bucólica: as duas crianças de pés no chão, a cabeça coroada de flores e de mãos dadas, caminham, seguidas por um pequeno cortejo de animais, em uma paisagem maravilhosa de colina ensolarada. O carinho que o pai revela afinal ao filho na última cena é um momento de grande emoção.

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MARIA CHAPDELAINE / 1934.

No Canadá, Maria Chapdelaine (Madeleine Renaud) é cortejada por três homens: um caçador, François Paradis (Jean Gabin), um lenhador, Eutrope Gannon (Alexandre Rignault), e um citadino que vem regularmente comerciar na região, Lorenzo (Jean-Pierre Aunont). Maria prefere François. Ele promete casar-se com ela asssim que retornar do sítio onde passará o inverno. Mas, desejando passar o Natal ao lado de sua amada, François resolve voltar imprudentemente em plena tempestade e morre de frio. Quando perde também sua mãe, Maria diz a Gannon que está disposta a se casar com ele.

Jean Gabin e Madeleine Renaud em Maria Chapdelaine

Jean Gabin e Madeleine Renaud em Maria Chapdelaine

Cena de Marie Chapdelaine

Cena de Marie Chapdelaine

A história de amor serve de pretexto para uma crônica da vida difícil dos homens do Quebec no começo do século XX. Esta tem por fundamento o apego à terra, ainda que deserta e selvagem. Os acontecimentos são dosados de maneira a tentar demolir esse espírito atávico por meio da tragédia e da desilusão. É possível sentir a desolação e a tristeza que pesam sobre as personagens e as coisas. A terra é uma terra de neve, branca e silenciosa cpomo a morte. A melhor sequência do filme é a do retorno do trenó que traz o cadaver de François. Ele cruza com outro trenó, no qual estão Maria e seus pais, dirigindo-se alegremente para as festividades do Ano-Novo. A expressão no rosto de Maria, quando ela avista o corpo inerte do seu amado enrolado em um cobertor, ninguém jamais esquece.

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A BANDEIRA / LA BANDERA / 1935.

Depois de matar um homem em Montmartre, Pierre Gilieth (Jean Gabin) se alista na Legião Estrangeira espanhola, onde se liga a dois compatriotas, Mulot (Aimos) e Lucas (Robert Le Vigan). Em um café, Gilieth apaixona-se por Aischa (Annabella), uma jovem dançarina berbere, e se casa com ela no meio das prostitutas e dos soldados. Seu companheiro de armas, Lucas, é na realidade um policial, que seguia sua pista desde Paris, visando a uma recompensa. O batalhão é enviado para um posto avançado. O forte é cercado, os legionários came um após o outro. Só resta Lucas, de pé, no meio de seus camaradas mortos.

Jean Gabin e Annabella em A Bandeira

Jean Gabin e Annabella em A Bandeira

Aimos e Gabin em La Bandera

Aimos e Gabin em La Bandera

Annabella, Jean Gabin e Robert Le Vigan em A Bandeira

Annabella, Jean Gabin e Robert Le Vigan em A Bandeira

Desde o início, Gilieth está marcado pelo destino e pela fatalidade, pedras angulares sobre as quais uma faceta essencial do “mito Gabin” vai ser construída. Embora tendo de lidar com certos convecionalismos do gênero aventura colonialista Duvivier cria algumas sequências notáveis: o crime contado por meio de uma elipse – a jovem embriagada e a mancha de sangue que ela descobre no seu vestido; o tumulto no café apanhado por uma câmera oblíqua oscilante; a cusparada no rosto do policial encoberto sob a bandeira da legião; Mulot bebendo a água envenenada debaixo do fogo inimigo e morrendo feliz com a sede aliviada; a chamada geral terminada a luta, a que só um homem responde.

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CAMARADAS / LA BELLE EQUIPE / 1936.

Cinco operários desempregados, Jean (Jean Gabin), Charles (Charles Vanel), Raymond (Aimos), Mario (Raphael Medina) e Jacques (Charles Dorat) ganham o grande prêmio da loteria. Eles decidem se associar para construir um restaurante. Huguette (Micheline Cheirel), noiva de Mario, junta-se a eles. Mas diversas ocorrências desagregam a belle équipe: a polícia procura Mario, que é imigrante; Jacques, o mais novo, prefere refazer sua vida no Canadá; Gina (Viviane Romance), ex-esposa de Charles, aparece para reivindicar sua parte no negócio. Jean esforça-se para manter a unidade da equipe. Raymond cai de um telhado e morre. Gina provoca uma rivalidade amorosa entre Charles e Jean.

Jean Gabin e Viviane Romance em Camaradas

Jean Gabin e Viviane Romance em Camaradas

Raphael Medina, Jean Gabin, Charles Dorat, Aimos, Charles Vanel em Camaradas

Raphael Medina, Jean Gabin, Charles Dorat, Aimos, Charles Vanel em Camaradas

Cena de Camaradas

Cena de Camaradas

Charles Vanel e jean Gabin em Camaradas

Charles Vanel e jean Gabin em Camaradas

Duas versões diferentes para o epílogo foram filmadas: na primeira, os dois homens matavam-se um ao outro; na segunda, a amizade de Charles e Jean era salva após uma explicação “entre homens” e o restaurante podia finalmente ser inaugurado. Produzido na época da Frente Popular, o filme expressa, por seu romantismo social, o espírito daquele tempo. A vida dos desempregados, a situação incerta dos refugiados políticos espanhóis, a Loteria Nacional, da qual se esperava um remédio para as dificuldades materiais, a associação em cooperative, tudo isso reflete uma realidade que Spaak e Duvivier usaram como pano de fundo de uma história sobre a amizade e o fim de uma utopia.

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UM CARNET DE BAILE / UN CARNET DE BAL / 1937.

Christine Surgère (Marie Bell) acaba de perder seu marido. Ela acha um carnê de seu primeiro baile, quando tinha 16 anos. Nostálgica, vai procurar os pares com quem dançou maquela noite. Madame Audié (Françoise Rosay) enlouqueceu ao saber do suicídio de seu filho André; Pierre (Louis Jouvet) tornou-se gângster; Alain (Harry Baur), um padre; Eric (Pierre Richard-Willm), guia de alpinistas; François (Raimu), prefeito de uma aldeia no Midi; Thierry (Pierre Blanchar), médico que pratica abortos e assassina sua amante Gaby (Sylvie) após a partida de seu antigo amor. É com Fabien (Fernandel), humilde cabelereiro, que Christine entra no salão do seu primeiro baile. Christine adota Jacques (Robert Lynen), filho de seu último admirador, que havia morrido.

Marie Bell e Françoise Rosay em Um Carnet de Baile Collection Christophel

Marie Bell e Françoise Rosay em Um Carnet de Baile

Louis Jouvet e Marie Bell em Um Carnet de Baile

Louis Jouvet e Marie Bell em Um Carnet de Baile

Harry Baur em Um Carnet de Baile

Harry Baur em Um Carnet de Baile

Pierre Richard-Willm e Marie Bell em Um Carnet de Baile

Pierre Richard-Willm e Marie Bell em Um Carnet de Baile

Raimu em Um Carnet de Baile

Raimu em Um Carnet de Baile

 Pierre Blanchar e Sylvie em Um Carnet de Baile

Pierre Blanchar e Sylvie em Um Carnet de Baile

Marie Bell e Fernandel em Um Carnet de Baile

Marie Bell e Fernandel em Um Carnet de Baile

Filme em esquetes com um elenco de grandes intérpretes, tendo como personagem central uma mulher que confronta o seu passado romântico com um presente decepcionante. Christine fica surpresa não somente com o que aconteceu com cada um de seus antigos admiradores, mas descobre também o impacto que teve, sem saber, nos sentimentos e no destino deles. E ao rever o salão de seu primeiro baile, ela não encontra o cenário de suas lembranças, de suas ilusões. Os três melhores episódios são os de Jouvet, Raimu e Blanchar. Louis Jouvet recitando melancolicamente os versos de Verlaine. Raimu engraçadíssimo, casando-se a si mesmo, e Blanchar, caolho, epilético, decadente no segmento mais sórdido e inquietante, visto inteiramente em plano inclinado.duvivier lafindu jour poster

LA FIN DU JOUR / 1939.

Em um retiro de artistas, três velhos atores se confrontam: Raphaël Saint- Clair (Louis Jouvet), antigo galã de sucesso, que perdeu sua fortuna no jogo; Gille Marny (Victor Francen), ator estimado pelo seu talento, mas que jamais conheceu o êxito (sua mulher foi seduzida por Saint-Clair e morreu em um acidente de caça, suspeitando-se de suicídio); e Cabrissade (Michel Simon), um fracassado, que só conseguiu ser o eventual substitute de outros atores. Para manter sua reputação de Don Juan, Saint-Clair seduz Jeannette (Madeleine Ozeray), jovem empregada da casa, e quase a conduz ao suicídio; mas ela é salva por Marny. Cabrissade, incapaz de dizer um verso em uma representação em benefício do retiro, sofre um ataque cardíaco. Saint-Clair enlouquece.

Louis Jouvet e madeleine Ozeray em La Fin du Jour

Louis Jouvet e madeleine Ozeray em La Fin du Jour

e Gabrielle Dorziat

e Gabrielle Dorziat ao centro

Michel Simon e Louis Jouvet em La Fin du Jour

Michel Simon e Louis Jouvet em La Fin du Jour

Victor Francen e louis Jouvet em La Fin du Jour

Gaston Modot, Victor Francen e louis Jouvet em La Fin du Jour

Artistas idosos sem as luzes da ribalta, as lembranças que os deprimem, a amargura que atiça as rivalidades de outrora, os rancores e as mesquinharias senis exacerbando-se no ambiente fechado de um pensionato. Com esse assunto, Duvivier construiu um drama cruel e mórbido sobre o egocentrismo feroz dos velhos atores e a dificuldade de envelhecer, que traz a marca do seu pessimismo em relação ao gênero humano. Nesse meio avulta a figura imponente e egosta de Saint-Clair, magnificamente vivido por Louis Jouvet. Uma velha atriz, Mme. Chabert (Gabrielle Dorziat), mostra-lhe o retrato do filho, lhe revela que ele é o pai e que o rapaz morreu. Saint-Clair parece se comover e pergunta: “Quantos anos tinha?”. “Vinte e oito anos”, ela responde. “A idade de um jovem galã”, diz ele secamente e logo se afastando. Porém, o tema fundamental do filme fica bem claro quando Marny faz o elogio fúnebre de Cabrissade: é a paixão pelo teatro, pelo qual todos ali dariam a vida.

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PÂNICO / PANIQUE /

Um crime é cometido, e o fotógrafo amador e misantropo Monsieur Hire (Michel Simon), que leva uma vida dupla mantendo um consultório de astrologia sob o nome de doutor Varga, é logo tido como suspeito pela polícia e pelos seus vizinhos. O verdadeiro assassino é Alfred (Paul Bernard), amante de Alice (Viviane Romance), e esta última faz caírem as suspeitas sobre Hire, que está secretamente apaixonado por ela. O infeliz, encurralado pela multidão, refugia-se no telhado de um imóvel, escorrega e morre. Ao lado do cadáver é encontrada sua máquina fotográfica com uma foto que denuncia o verdadeiro culpado.

Cenas de Pânico

Cenas de Pânico

Michel Simon e Viviane Romance em Pânico

Michel Simon e Viviane Romance em Pânico

Michel Simon em Pânico

Michel Simon em Pânico

História trágica de um homem solitário que não molesta ninguém, mas guarda distância de seus semlhantes, e por isso sofre o drama da incompreensão e da baixeza humana, tema que se encaixa perfeitamente no universo pessimista de Duvivier. A reconstituição bastante apurada de um quarteirão de Villejuif ajuda muito a criar a atmosfera social. A composição de Michel Simon é prodigiosa, principalmente quando exprime os tormentos ïnconfessáveis” e a paixão erótica do seu personagem. Na última cena, estritamente visual, Alice e Alfred, abraçados no carrinho de uma pequena montanha-russa de um parque de diversões, onde se refugiam, descem e sobem vertiginosamente no brinquedo, sem saber que serão presos.

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VÍTIMAS DO DESTINO / AU ROYAUME DES CIEUX / 1949.

Injustamente recolhida na casa de Correção de Haute-Mère, Maria Lambert ( Suzanne Cloutier) sofre nas mãos da nova diretora, Mlle. Chamblas (Suzy Prim), mulher sádica e autoritária. Pierre Massot (Serge Reggiani) tenta salvar sua noiva desse inferno. As detentas se opõem aos castigos injustos de Mlle. Chamblas, apoiadas por Mlle. Guérande (Monique Mélinande), educadora mais liberal. Auxiliados por todas as moças, Maria e Pierre conseguem fugir durante uma inundação. A polícia sai à procura deles enquanto a revolta cresce inexoravelmente na penitenciária.

Serge Reggiani e Suzanne Cloutier em Vítimas do Destino

Serge Reggiani e Suzanne Cloutier em Vítimas do Destino

Suzanne Clouthier em Vítima do Destino

Suzanne Clouthier em Vítima do Destino

O filme vale sobretudo pela atmosfera dramática: a paisagem sombria e úmida com a presence inquietante da águas do rio que se elevam até a inundação e a cólera das detentas, que aumenta no interior do estabelecimento, culminando no motim. As melhores cenas são as da greve de fome, quando a diretora traz um caldeirão fumegante de comida para tentar as detentas e a câmera faz uma série de panorâmicas bruscas em um vaivém entre o caldeirão e o rosto das moças; da ronda macabra, que a diretora obriga as detentas a fazerem torno do corpo da companheira morta e o barulho cada vez mais forte de seus sapatos martelando o solo; do grupo de detentas abatendo-se sobre a diretora como uma nuvem de insetos e depois o olhar extasiado delas vendo a megera ser atacada por um cão feroz.

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A FESTA DO CORAÇÃO / LA FÊTE A HENRIETTE / 1952.

Dois roteiristas (Louis Seigner, Henri Crémieux) trabalham em um novo projeto. O primeiro é mais razoável, lógico e realista que seu colega. O segundo, constantemente contraditado pelo primeiro, tem uma imaginação fértil, criando lances de um mau gosto, melodramáticos ou rotineiros. De suas idéias opostas nasce o argumento de um novo filme, com os mesmos episódios vistos duas vezes de maneiras diferentes, envolvendo Henriette (Dany Robin), seu namorado Robert (Michel Roux), um jornalista, e Maurice (Michel Auclair), um ladrão.

Louis Seigner e Henri Crémieux, os dois roteiristas de A Festa do Coração

Louis Seigner e Henri Crémieux, os dois roteiristas de A Festa do Coração, e Micheline Francey.

Daby Robin e Michel Roux em A Festa do Coração

Daby Robin e Michel Roux em A Festa do Coração

Hildegard Neff em A Festa do Coração

Hildegard Neff em A Festa do Coração

Uma idéia bastante original serve de ponto de partida e depois de fio condutor para essa sátira brilhante à profissão de roteirista: a composição de um argumento por dois autores com concepções diametralmente opostas, tendo como pano de fundo Paris na comemoração do 14 de julho. Conforme a história é vista por um ou por outro, o relato será alternadamente um melodrama sórdido ou uma comédia adocidada. Julien Duvivier passa de um aspecto a outro com uma virtuosidade espantosa, usando um estilo rápido, no qual a imagem é servida por diálogos muitos divertidos. A certa altura um dos roteiristas diz para o outro: “Quando eu penso como você, é porque eu não penso em nada”.

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SEDUCÃO FATAL / VOICI LE TEMPS DES ASSASINS / 1956.

Proprietário de um renomado restaurant no Halles, André Chatelin (Jean Gabin) recebe a visista de Catherine (Danièle Delorme), filha de Gabrielle (Lucienne Bogaert), sua ex-esposa. Ela anuncia a morte de sua mãe e diz que está sem recursos. Chatelin a acolhe sob seu teto e depois se casa com ela. Catherine seduz Gérard (Gérard Blain), jovem estudante orfão que Chatelin ajuda e considera como um filho. Ela pede a Gérard que mate Chatelin, mas ele se recusa, e é morto por Catherine. Chatelin descobre que Gabrielle ainda vive, é viciada em drogas e armou com a filha um plano para se aproveitar dele.

Cena de Sedução Fatal

Danièle Delorme, Jean Gabin e Gérard Blain em Sedução Fatal

Danièle Delorme e Jean Gabin em Sedução Fatal

Danièle Delorme e Jean Gabin em Sedução Fatal

Danièle Delorme e Lucienne Bogaert em Sedução Fatal

Danièle Delorme e Lucienne Bogaert em Sedução Fatal

Cena de Sedução Fatal

Lucienne Bogaert em Sedução Fatal

É o filme mais sórdido e cruel de Julie Duvivier, e também misogino. Difícil imaginar uma mulher mias perversa e feroz do que Catherine: ela seduz, engana, explora, mata com consciência e frieza. Sua mãe, deteriorada por uma existência próxima à prostituição, é um tipo ainda mais repugnante. Sem falar na progenitora de André (Germaine Kerjean), mulher cheia de ódio que mata as galinhas com o chicote, e sua governanta Mme. Jules (Gabrielle Fontan), maledicente e hipócrita. Ao lado delas, para contraste, está André (Jean Gabin compõe seu personagem com muita naturalidade), cuja bondade atinge os limites da cegueira. A cena final é grandiosa no seu horror: o cão de Gérard, enlouquecido pela perda de seu dono, faz justiça, atacando e matando a monstruosa Catherine.

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O PEQUENO MUNDO DE DON CAMILO / LE PETIT MONDE DE DON CAMILLO / 1951.

Na aldeia italiana de Bassa, o prefeito Peppone (Gino Cervi), comunista, acaba de triunfar nas eleições e seu sucesso desagrada a Don Camilo (Fernandel), padre simpático que, nas sombras do presbitério, se entende amigavelmente com Nosso Senhor. Entretanto, uma espécie de amizade, fundada em uma estima recíproca, une Peppone e Don Camilo nos casos graves, e eles agem então em comum acordo para o bem da comunidade e da paróquia.

Fernandel e Gino Cervi em O Pequeno Mundo de Don Camilo

Fernandel e Gino Cervi em O Pequeno Mundo de Don Camilo

Julien Duvivier e Fernandel na filmagem de O Pequeno Mundo de Don Camilo

Julien Duvivier e Fernandel na filmagem de O Pequeno Mundo de Don Camilo

Fernandel em O Pequeno Mundo de Don camilo

Fernandel em O Pequeno Mundo de Don camilo

FILMOGRAFIA (Com meus agradecimentos a Sergio Leemann pela revisão de alguns títulos).

1919- Haceldama ou Le Pris du Sang. 1920 – La Réincarnation de Serge Renaudier (o negativo do filme foi destruído antes de seu lançamento. 1922 – Les Roquevillard; L’Ouragan sur la Montagne; Le Logis de l’Horreur. 1923 – Le Reflet de Claude Mercouer; A Tragédia de Lourdes / Crédo ou La Tragédie de Lourdes. 1924 – Coeurs Farouches; La Machine à Refaire la Vie (uma segunda versão deste filme de montagem retraçando a evolução do cinema desde sua invenção até 1924, foi apresentada em 1933); L’Oeuvre Immortelle. 1925 – L’Abbé Constantin; Poil de Carotte. 1926 –  Agonia de Jerusalém ou Cristo Redentor / L’Agonie de Jerusalem; Supremo Adeus / L ‘Homme à Hispano. 1927 – Le Mariage de Mademoiselle Beulemans; O Fantasma da Torre Eiffel / Le Mystère de la Tour Eiffel. 1928 – Turbilhão de Paris / Le Tourbillon de Paris. 1929 – La Divine Croisière; La Vie Miraculeuse de Thérèse Martin; Maman Colibri. 1930 – Au Bonheur des Dames; Tragédia de um Homem Rico / David Golder. 1931 – Les Cinq Gentlemen Maudits. 1932 – Allo Berlin … Ici Paris; Pega-Fogo (TV) / Poil de Carotte; A Cabeça de um Homem (TV) / La Tête d’un Homme. 1933 – Le Petit Roi. 1934 – Le Paquebot “Tenacity; Maria Chapdelaine. 1935 – Gólgota, reprisado como O Mártir do Gólgota / Golgotha; A Bandeira / La Bandera. 1936 – Golem, o Monstro de Barro / Le Golem, Camaradas / La Belle Équipe; O Homem do Dia / L’Homme du Jour; O Demônio da Algéria, reprisado como Império do Vício / Pépé-le-Moko. 1937 – Um Carnet de Baile / Un Carnet de Bal. 1938 – Maria Antonieta / Marie Antoinette (sequências adicionais, não creditado); A Grande Valsa / The Great Waltz. 1939 – La Fin du Jour; O Fantasma da Esperança / La Charrette Fantôme. 1940 – França Eterna / Un Tel Père et Fils. 1941 – Lydia / Lydia. 1942 – Seis Destinos / Tales of Manhattan. 1943 – Os Mistérios da Vida / Flesh and Fantasy; O Impostor / The Imposter. 1946 – Pânico / Panique. 1948 – Anna Karenina / Anna Karenina. 1949 – Vítimas do Destino / Au Royaume des Cieux. 1950 – Cavalheiro da Aventura / Black Jack; Sinfonia de uma Cidade / Sous le Ciel de Paris. 1952 – O Pequeno Mundo de Don Camilo / Le Petit Monde de Don Camilo; A Festa no Coração Ver / La Fete à Henriette. 1953 – O Regresso de Don Camilo / Le Retoru de Don Camillo. 1954 – O Caso Maurizius / L’Affaire Maurizius; A Mulher dos Meus Sonhos / Marianne de Ma Jeunesse. 1956 – Sedução Fatal / Voici le Temps des Assassins; Minha Mulher Vem Aí / L’Homme à L’ Impermeable. 1957 – As Mulheres dos Outros / Pot-Bouille. 1958 – A Mulher e o Fantoche / La Femme et le Pantin; Marie Octobre / Marie Octobre. 1960 – La Grande Vie; O Despertar do Vício / Boulevard. 1962 – A Câmara Ardente / La Chambre Ardente; O Diabo e os Dez Mandamentos / Le Diable et les Dix Commandements. 1963 – Noite de Pânico / Chair de Poule. 1967 – Diabolicamente Tua / Diaboliquement Votre.

EMIL JANNINGS

October 2, 2015

Ele foi um dos atores dramáticos mais eminentes do cinema de Weimar desfrutando de um enorme sucesso internacional no final dos anos vinte, antes de emprestar seus serviços ao Terceiro Reich.

Emil jannings com o primeiro Oscar de melhor Ator concedido pela Academia de Artes e CiênciasCinematográficas

Emil jannings com o primeiro Oscar de Melhor Ator concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

Theodor Friedrich Emil Janenz nasceu no dia 23 de julho de 1884 em Rorschach, Suiça, filho de pai americano e mãe alemã. Posteriormente a família morou em Leipzig e depois Görlitz. O pai viajava muito e eventualmente abandonou sua esposa e seus quatro filhos.

Após uma breve experiência na marinha mercante aos quinze anos de idade, Jannings começou seu treinamento na ribalta no Görlitz Stadttheater em 1900, trabalhando em companhias itinerantes entre 1901 e 1914. Neste ano retornou a Berlim e assumiu compromissos em vários teatros de Max Reinhardt em 1915/16, no Königliches Schauspielhaus em 1918, e no Deutsches Theater até 1920.

Emil Jannings em A Múmia

Emil Jannings em A Múmia

Jannings estreou no cinema no filme de propaganda Im Schützengraben / 1914, seguindo-se: Frau Eva / 1915-16; Im Angesicht des Toten; Der Morphinist; Aus Mangel an Beweisen; Passionels Tagebuch; Das Leben ein Traum; Stein under Steinen; Nächte des Grauens; Der 10, Pavillon der Zitadelle; Die Bettlerin von St. Marine; Unnheilbar (todos de 1916); Hoheit Radieschen / 1916-17; Die Ehe der Luise Rohrbach / 1916-17; Kinder des Ghettos / 1917-18; Das Geschäft; Gesühnte Schuld; Lulu; Wenn vier dasselbe tun; Das fidele Gefängnis; Der Ring der Giuditta Foscari (todos de 1917); Nach zwanzig Jahren / 1917-18; Der dunke Weg; Keimendes Leben (2 partes); Die Augen der Mumie Mâ; Der Mann der tat (todos de 1918). Desta fase, somente Die Ehe der Luise Rohrbach e Die Augen der Mumie Mâ foram exibidos no Brasil com os títulos em português respectivos de Os Dois Maridos de Mme. Ruth (ou Senhora Ruth ou Dona Ruth) e A Múmia, este o mais importante, porque foi dirigido por Ernst Lubitsch.

Emil Jannings e Pola Negri em Madame Bovary

Emil Jannings e Pola Negri em Madame Bovary

Emil Jannings e Henny Porten em Anna Boleyn

Emil Jannings e Henny Porten em Anna Boleyn

Emil Jannings em Figuras de Cêra

Emil Jannings em Figuras de Cêra

A partir de 1919, Jannings começou a adquirir reputação internacional, atuando em uma série de dramas nos quais interpretava personagens imponentes da História como Louis XV (Madame Dubarry / Madame Dubarry / 1919 de Ernst Lubitsch); Henrique VIII (Anna Boleyn ou O Barba Azul Coroado / Anna Boleyn / 1920, também de Lubitsch); Danton (Danton / Danton / 1921); Pedro, o Grande (Pedro, o Grande / Peter der Grosse / 1922); Harun-al-Rashid (Figuras de Cêra / Das Wachsfigurenkabinett / 1923); Nero (Quo Vadis? / Quo Vadis? / 1923-24) ou da Literatura como Dimitri Karamázof (Die Brüder Karamasoff / 1920); Otelo (Otelo / Othello / 1921-22); Tartufo (Tartufo / Tartuff / 1925) e Fausto (Fausto / Faust / 1925-26, ambos de F.W. Murnau).

Emil Jannings em Quo Vadis?

Emil Jannings em Quo Vadis?

Emil Jannings em Otelo

Emil Jannings em Otelo

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Jannings e Murnau na filmagem de Fausto

Jannings e Murnau na filmagem de Fausto

Captura de Tela 2015-09-10 às 16.57.02Entre esses, fez outros filmes: Colombina ou Estrela Cadente / Colombine / 1919; Die Braut des Apachen; Vendeta / Vendetta; Die Tochter des Mehemed; Rosa / Rose Bernd; Das Grosse Licht; As Filhas de Kohlihesel / Kohlhiesels Tötcher); Algol; O Craneo da Filha do Faraó ou A Filha do Faraó / Der Schädel der Pharaonentocher / 1920; O Chacal Amoroso / Der Stier von Olivera / 1920-21; Der Schwur des Peter Hergatz / 1921; Die Ratten; Amores de Faraó / Das Weib des Pharao (todos de 1921); A Divina Comédia do Amor / Tragödie der Liebe (4 partes) / 1922-23; Du solist nicht töten; Alles für Geld (ambos de 1923), sobressaindo As Filhas de Kohlihesel, variação em tom de farsa de A Megera Domada de Shakespeare e Amores de Faraó, fantasia histórica evocando o Egito antigo, ambos sob direção de Lubitsch. No primeiro, Jannings era Peter Xaver; no segundo, o Faraó Amenes.

Cena de As Filhas de Kohliehesel

Cena de As Filhas de Kohliehesel

Jannings e Ernst Lubitsch na filmagem de Amores de Faraó

Jannings e Ernst Lubitsch na filmagem de Amores de Faraó

A consagração mundial de Jannings solidificou-se em 1924-25, quando emergiram duas obras-primas às quais ele dedicou seu enorme talento: A Última Gargalhada / Der letzte Mann de F.W. Murnau e Varieté / Varieté de E.A. Dupont, nas quais  interpreta, pela ordem, o porteiro pomposo de um grande hotel rebaixado para a condição de encarregado do lavatório e o presidiário Stephan Huller, ex- trapezista de circo traído pela amante e assassino de seu rival. Nesses mesmos anos fez ainda: Maridos e Amantes / Nju; Eine unverstandene Frau; Gesünthe Schuld; Seja a Amante de seu Próprio Marido / Liebe macht blind (no qual Jannings faz uma ponta aparecendo como ele mesmo em uma cena passada em um estúdio).

Outra cena de A Última Gargalhada

Outra cena de A Última Gargalhada

Emil Jannings em A Última Gargalhada

Emil Jannings em A Última Gargalhada

Corpulento, projetando uma presença enorme na tela, Jannings era uma figura trágica ideal. Graças ao seu sucesso estrondoso nos filmes de Murnau e Dupont, a Paramount contratou-o por três anos, apesar de seus ataques histéricos e de sua fama de “destruir” as performances de seus colegas com seus exageros histriônicos.

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Emil Jannings em Varieté

Emil Jannings em Varieté

Cena de Varieté

Cena de Varieté

Em 4 de outubro de 1926, ele partiu da cidade portuária de Cuxhaven na Alemanha com destino a Hollywood, onde os estúdios costumavam preparar uma espécie de lenda para seus astros estrangeiros. Como seu verdadeiro local de nascimento na Suiça tinha muitas conotações germânicas, a Paramount anunciou que Jannings havia nascido no Brooklyn e depois foi levado para a Europa com um ano de idade. Isto porque, ao contrário de Greta Garbo, cujo background europeu a Metro enfatizou, porque sua popularidade apoiava-se mais nas audiências alemã e francêsa, Jannings foi apresentado primordialmente como um astro para a América, onde seu personagem do homem aniquilado, seu uso exagerado dos olhos e sobrancelhas e sua habilidade para se disfarçar com a maquilagem, deliciava as platéias, assim como Paul Muni faria uma década após.

Emil Jannings (barbudo) chega em Hollywood

Emil Jannings (barbudo) chega em Hollywood

Em Los Angeles, Jannings instalou-se com sua esposa, a ex-cantora Gussy Holl, na Hollywood Boulevard, em uma suntuosa cópia de uma mansão sulina, onde viveu cercado de cachorros latindo da raça Chow, papagaios grasnando e pássaros piando. No fundo do seu quintal havia um galinheiro e, confinados nele, estavam Greta Garbo, Pola Negri, Valentino, John Gilbert, Conrad Veidt, Lya de Putti e outras galinhas e galos batizados com o nome dos muitos visitantes que mereceram esta distinção, por terem trazido salsichas (cf. Josef von Sternberg em Fun in a Chinese Laundry, Mercury House, 1965).

Jannings era um anfitrião muito divertido, com sua ironia mordaz, suas brincadeiras licensiosas e seus excessos de mesa Rabelaisianos, e continuou assim depois que retornou à Europa, recebendo seus convidados na casa de campo que comprou na Austria, tendo como vizinhos Stefan Zweig e Max Reinhardt.

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Emil Jannings em Tortura da Carne

Emil Jannings em Tortura da Carne

Personificando mais uma vez uma pessoa infeliz destinada a um fim trágico, Jannings surgiu como August Schilling, um bancário desgraçado por uma mulher sedutora em Tortura da Carne / The Way of All Flesh / 1927 de Victor Fleming e no papel do Grão Duque Sergius Alexander, general czarista que se vê reencenando seu próprio passado como um figurante de Hollywood em A Última Ordem / The Last Command / 1928 de Josef von Sternberg. Por estes dois filmes, Jannings recebeu o Oscar de Melhor Ator, o primeiro a ser concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Emil Jannings em A Última ordem

Emil Jannings em A Última ordem

Evelyn Brent e Emil Jannings em A Última Ordem

Evelyn Brent e Emil Jannings em A Última Ordem

EvelynBrent e Emil Jannings em A Última Ordem

EvelynBrent e Emil Jannings em A Última Ordem

William Powell e Emil Jannings em A Última Ordem

William Powell e Emil Jannings em A Última Ordem

Cena da filmagem de A Última Ordem

Cena da filmagem de A Última Ordem

No seu período americano Jannings fez ainda: A Rua do Pecado / The Street of Sin / 1927-28; Alta Traição / The Patriot / 1928 (pela última vez sob o comando de Ernst Lubitsch assumindo as feições do Czar Paulo I); Pecados dos Pais / Sins of the Fathers / 1928; Perfídia / Betrayal / 1929; porém seu forte sotaque germânico pôs um fim na sua carreira americana, quando a indústia aderiu ao som

Emil jannings em A Rua do Pecado

Emil jannings em A Rua do Pecado

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Florence Vidor e Emil Jannings em Alta Traição

Florence Vidor e Emil Jannings em Alta Traição

Emil Jannings e Lewis Stone em Alta Traição

Emil Jannings e Lewis Stone em Alta Traição

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Gary Cooper, Emil Jannings e Esther Ralston em Perfídia

Gary Cooper, Emil Jannings e Esther Ralston em Perfídia

Em 1929 ele voltou para a Alemanha e no ano seguinte, dirigido por Josef von Sternberg em O Anjo Azul / Der Blaue Engel, teve mais uma atuação brilhante como Immanuel Unrat, o professor autoritário e mal amado pelos seus alunos que se torna um palhaço grotesco e patético por sua paixão pela bela cantora de music hall Lola-Lola, personagem que impulsionou Marlene Dietrich para o estrelato.

Jannings e sua esposa retornam à Europa

Jannings e sua esposa retornam à Europa

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Emil Jannings em O Anjo Azul

Emil Jannings em O Anjo Azul

Emil jannings e Marlene Dietrich em O Anjo Azul

Emil jannings e Marlene Dietrich em O Anjo Azul

Der blaue Engel The Blue Angel Year : 1930 Director: Josef von Sternberg Emil Jannings, Kurt Gerron, Marlene Dietrich, . It is forbidden to reproduce the photograph out of context of the promotion of the film. It must be credited to the Film Company and/or the photographer assigned by or authorized by/allowed on the set by the Film Company. Restricted to Editorial Use. Photo12 does not grant publicity rights of the persons represented.

Josef von Sternberg e Emil Jannings em O Anjo Azul

Josef von Sternberg e Emil Jannings em O Anjo Azul

Em 10 de setembro de 1930, a UFA lançou o primeiro cinejornal sonoro alemão e convocou Jannings para fazer um discurso de apresentação. Entre 1930 e 1935, além de trabalhar no teatro, Jannings foi Albert Winkelmann na comédia Favorito dos Deuses / Liebling der Götter / 1930; Gustav Burke no drama criminal Tempestade de Paixões / Stürme der Leidenschaft / 1931, dirigido por Robert Siodmak; o Rei Pausole na comédia Die Abenteuer des Königs Pausole / 1932-33; e Peter Petersen versão de Fanny (com alguns elementos de Marius) de Marcel Pagnol em Abnegação / Der schwarze Walfisch / 1934-35.

Emil Jannings em Favorito dos Deuses

Emil Jannings em Favorito dos Deuses

Emil Jannings e Anna Sten en Tempestade de Paixões

Emil Jannings e Anna Sten en Tempestade de Paixões

Emil Jannings em Abnegação

Emil Jannings em Abnegação

A partir de 1934-35, Jannings foi recrutado para a propaganda do Terceiro Reich. Embora não fosse membro do partido, ele era um defensor entusiástico da ideologia nazista e assim participou de alguns filmes aberta ou camufladamente políticos. Após a produção da Deka, Alma Mascarada / Der alte und der junge König / 1934-35, de Hans Steinhoff, no qual Jannings era o velho Rei da Prússia, Frederico I, veio uma série de filmes da Tobis: o drama Ilusão da Mocidade ou Conflito / Traumulus / 1935, no qual Jannings era o diretor de um colégio interno, Professor Niemeyer, que vivia em um universo à parte, mas acabava abrindo os olhos para o mundo que o cercava após o suicídio de seu aluno predileto; a comédia Der zerbrochene Krug / 1937, na qual Jannings era Adam, o juiz de uma aldeia que julgava o caso para determinar quem quebrou um jarro, sabendo que fôra ele mesmo o causador do dano;

Emil Jannings em Robert koch

Emil Jannings em Robert koch

a cinebiografia Robert Koch / Robert Koch, der Bekämpfer des Todes no qual Jannings era o cientista pioneiro na luta contra a tuberculose; o drama de guerra pacifista Der letzte Appell, jamais exibido por ordem do governo e do qual só restam algumas fotos (todos de 1939); a comédia Altes Herz wird wieder jung / 1942-43, na qual Jannings era o diretor de fábrica Hoffman às voltas com uma neta cuja existência desconhecia; Wo ist Herr Bellings?, no qual Jannings era o industrial Eberahrd Bellings, mas caiu doente e o filme não pôde ser completado. Entre esses filmes surgiram os três mais abertamente políticos: Crepúsculo / Der Herrscher / 1936-37, Ohm Kruge / 1940-41 e Die Entlassung / 1942.

Emil Jannings em Alma Mascarada

Emil Jannings em Ilusão da Mocidade ou Conflito

Emil Jannings em Ilusão da Mocidade ou Conflito

Emil Jannings em Der zebrochene Krug

Emil Jannings em Der zebrochene Krug

Em Crepúsculo, de Veit Harlan, Jannings é Mathias Clausen, poderoso industrial do Ruhr (inspirado na dinastia Krupp), que fica viúvo e se enamora de sua jovem secretária. Seus filhos adultos e respectivos maridos e esposas fazem de tudo para perturbar seu novo casamento e eventualmente tentam interditá-lo por insanidade. A acusação de insanidade é rejeitada, e Clausen e sua amada, depois de muita tensão emocional, saem vitoriosos. No final, ele deserda sua família e ajuda a reconstruir a Alemanha, legando sua fábrica ao Estado. A semelhança com Hitler é evidente. Desde o início o magnata do aço é apresentado como um ditador e em certo momento os operários o chamam de Füherer.

Emil Jannings em Crepúsculo

Emil Jannings em Crepúsculo

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Em Ohm Kruger, de Hans Steinhoff, Jannings é Paul Kruger, o grande herói Boer que, imobilizado em uma clínica na Suiça, conta a sua vida. Steinhoff definiu claramente esta obra como “um filme de propaganda política (…) destinado a tirar a máscara da Inglaterra”. Para cumprir este objetivo, o filme faz uma paródia da Rainha Vitória, apresentando-a como uma bêbada, presidindo uma plutocracia corrupta e sem escrúpulos; mostra as maquinações diabólicas de Cecil Rhodes e Joseph Chamberlain; aponta o jovem Winston Churchill como responsável pelo massacre de mulheres prisioneiras nos campos de concentração, que teriam sido inventados pelos britânicos; e o paralelo entre o líder do Transvaal e Hitler é evidente.

Emil Jannings em Die Entlassung

Emil Jannings em Die Entlassung

Em Die Entlassung, de Wolfgang Liebeneiner, Jannings é um Bismark envelhecido, persuadido a sair da aposentadoria para prestar assistência ao novo Rei, o arrogante Guilherme II (que havia antagonizado o resto da Europa) com seu conhecimento superior e experiência na diplomacia política. Moral do filme: o trabalho de Bismarck ficou inacabado, aguardando a emergência de um novo Füherer. Este líder, claro, é Adolf Hitler, cuja ascenção ao poder é vista como a realização do destino da Prússia.

Goebbels e Jannings

Goebbels e Jannings

Depois de cogitados Gustaf Gründgens e Willi Forst, Goebbels sugeriu o nome de Emil Jannings para interpretar o papel de Joseph Süss Oppenheimer no famoso filme anti-semita Jud Suss / 1940, e estava certo de que o ator não se recusaria, porque o Ministro do Reich tinha certas provas da existência de sangue judeu na árvore genealógica dele. Jannings poderia ter aceitado, apesar da ameaça sinistra, porém o diretor Veit Harlan recusou esta escolha, alegando que “não se podia ter uma ópera com três baixos”, referindo-se a Eugen Klöpfer e Heinrich George, que já haviam sido contratados para papéis secundários.

Ferdinand Marian em Jud Suss

Ferdinand Marian em Jud Suss

A escolha final recaiu sobre Ferdinad Marian (que, em um primeiro casamento, havia esposado uma judia, com quem tivera uma filha). Marian foi intimado para comparecer ao escritório de Goebbels às duas da madrugada e na noite anterior implorara a Harlan que o ajudasse a sair dessa incumbência; porém intimidado pelo Ministro, Marian aceitou (cf. David Stewart Hull em Film in the Third Reich, Simon and Schuster, 1969).

O processo pelo qual o governo nazista assumiu o contrôle completo de todas as companhias cinematográficas começou em dezembro de 1936 e terminou nos primeiros mêses de 1938. Imediatamente depois disso, Goebbels ordenou que diretores e artistas fossem colocados no conselho de administração de todas as companhias cinematográficas, alegando que tal medida era para melhorar o nível artístico do Filme Alemão.

Emil Jannings

Emil Jannings

A Tobis, então parcialmente nas mãos do governo, obedeceu logo e, em 20 de janeiro de 1937, Willi Forst, Emil Jannings e Gustaf Gründgens foram eleitos para servirem como parte do conselho de seis membros da companhia. Devido à esta nova posição na empresa, a partir de 1937 Jannings assumiu o total controle da produção de seus filmes. Em 1941 ele foi agraciado como Artista do Estado (Staatsschauspieler), a maior honraria concedida a um ator.

Em dezembro de 1944, Jannings começou a filmar Wo ist Herr Belling?, porém a produção foi interrompida quando a enfermidade e a angústia pela derrota evidente de seu país na Segunda Guerra Mundial levaram-no a pleitear a cidadania austríaca e se retirar para a sua casa em Wolfgangsee. Após o fim do conflito, ele foi proibido pelas autoridades aliadas de trabalhar no teatro e no cinema e faleceu em 3 de janeiro de 1950 com a idade de 65 anos, vitimado pelo câncer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JOSEFF, JOALHEIRO DE HOLLYWOOD

September 18, 2015

Assim que as estrelas de cinema começaram a usar suas jóias, peças foram feitas para a venda ao público em geral, e agora colecionadores do mundo todo as procuram àvidamente.

Eugene Joseff

Eugene Joseff

Eugene Joseff (1905-1948) adquiriu fama como “O Joalheiro das Estrelas”. Nascido em Chicago, com ascendência austríaca, seu primeiro emprego foi na publicidade. Simultaneamente, empregou-se em uma metalúrgica, onde aprendeu a fundir estatuetas e outros objetos decorativos em bronze. Ele se mudou com seu irmão James para Los Angeles em 1928, onde conheceu o famoso figurinista Walter Plunkett, que o incentivou a criar jóias (que na verdade eram bijuterias imitando jóias) para os filmes de Hollywood.

Walter Plunkett

Walter Plunkett

Quando Plunkett convidava Eugene para visitar os sets de filmagem das produções nas quais colaborava, ele fazia comentários jocosos em voz alta, criticando as jóias modernas que os costureiros colocavam nas atrizes em filmes de época (como aconteceu no filme As Aventuras de Cellini / The Adventures of Cellini / 1934, no qual a atriz Constance Bennett estava vestida no estilo do século XVI, mas usando jóias do século XX). Plunkett perguntou-lhe o que poderia fazer para corrigir este erro. Eugene aceitou o desafio e começou a fabricar jóias que fossem mais acuradas historicamente. Ele consultou livros sobre História e revistas como “Ladies Field” e “Harper’s Bazar” da Era Vitoriana, viajou, frequentou museus, e estudou em detalhe peças da Renascença e dos tempos antigos.

Fredrich March e Constance Bennett em Aventuras de Cellini

Fredrich March e Constance Bennett em Aventuras de Cellini

Na garagem de sua casa em Sunset Boulevard, experimentou alguns processos para fazer suas jóias e acabou desenvolvendo um acabamento de met, que atenuava a luz forte dos refletores do estúdio. Formou também uma biblioteca para consultas, que o ajudaria na criação de suas peças para filmes históricos.

Eugene Joseff e seu irmão

Eugene Joseff e seu irmão

Com seu irmão James, Eugene fundou a Sunset Jewelry Manufacturing. Após dois anos, Jimmy – que era casado com a figurinista de Hollywood, Leah Rhodes – deixou a firma.

Eugene lia atentamente publicações da indústria cinematográfica como “Hollywood Reporter” e “Variety”, para saber quais filmes estava em produção. Ele telefonava para os estúdios e dizia: “Acho que posso providenciar jóias para tal filme. Mandem-me um script ou alguns sketches”.

Logo, o jovem e talentoso artista tornou-se o primeiro joalheiro a desenhar, fabricar e alugar suas peças para os estúdios, que anteriormente as compravam nas lojas de departamento ou então os artistas vestiam suas próprias roupas.

Greta Garbo e as jóias de Joseff usadas por ela em A Dama das Camélias

Greta Garbo e as jóias de Joseff usadas por ela em A Dama das Camélias

Vivien Leigh com jóias de Joseff em ... E O vento Levou

Vivien Leigh com jóias de Joseff em … E O vento Levou

Loretta Young com as jóias de Joseff usadas em Suez

Loretta Young com as jóias de Joseff usadas em Suez

Principalmente entre os anos trinta e quarenta, noventa por cento dos filmes americanos trazia jóias assinadas por Eugene, que ficou conhecido como Joseff de Hollywood. Joseff criou colares, brincos, tiaras, cintos, pulseiras, anéis, gargantilhas e broches para estrelas como Marlene Dietrich em O Expresso de Shanghai / Shanghai Express / 1932, Greta Garbo em A Dama das Camélias / Camille / 1936, Loretta Young em Suez / Suez / 1938, Vivien Leigh em … E O Vento Levou / Gone With the Wind / 1939,

Shirley temple com as jóias de Joseff em A Princesinha

Shirley temple com as jóias de Joseff em A Princesinha

Bette Davis e as jóias de Joseff usadas por ela em Meu Reino por um Amor

Bette Davis e as jóias de Joseff usadas por ela em Meu Reino por um Amor

Gene Tierney e as jóias de Joseff usadas por ela em Tensão em Shnaghai

Gene Tierney e as jóias de Joseff usadas por ela em Tensão em Shnaghai

Ona Munson e as jóias de Joseff usadas em Tensão em Shanghai

Ona Munson e as jóias de Joseff usadas em Tensão em Shanghai

Tallulah Bakhead com as jóias de Joseff em Czarina

Tallulah Bakhead com as jóias de Joseff em Czarina

Lana Turner com jóias de Joseff em Os Três Mosqueteiros

Lana Turner com jóias de Joseff em Os Três Mosqueteiros

Shirley Temple em A Princezinha / The Little Princess / 1939, Meu Reino Por Um Amor / The Private Lives of Elizabeth and Essex / 1939, Gene Tierney e Ona Munson em Tensão em Shanghai / Shanghai Gesture / 1941, Tallulah Bankehead em Czarina / A Royal Scandal / 1945, Lana Turner em Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers / 1948, entre tantas outras, inclusive Mae West e a nossa Carmen Miranda. Também desenhava jóias para homens como, por exemplo, o medalhão que Douglas Fairbanks Jr. usava em Sinbad, o Marujo / Sinbad, the Sailor / 1947 ou o cetro e a corôa que Ronald Colman usou em O Prisioneiro de Zenda / The Prisoner of Zenda / 1937.

Douglas Fairbanks Jr. e as jóias de Joseff usadas por ele em Sinbad, o Marujo

Douglas Fairbanks Jr. e o medalhão de Joseff usado por ele em Sinbad, o Marujo

Ronal Colman com a corôa e o cetro de Joseff em O Prisioneiro de Zenda

Ronal Colman com a corôa e o cetro de Joseff em O Prisioneiro de Zenda

Suas peças representavam uma enorme variedade de estilos, que iam do Art Deco à astrologia; porém possuiam certas características facilmente identificáveis. Sua linha de produtos incluía desenhos de flores, serpentes, corujas, abelhas, sapos, caranguejos, elefantes, cavalos, besouros, aves, tudo com detalhes fantásticos. As belíssimas pedras de sua coleção vinham da Austria e da Checoslováquia. Entre os materiais usados incluíam-se madeira, vidro, plástico, lata, platina e outros metais e pedras preciosas. Além de perfeccionista, Eugene era econômico e expediente. Podia fazer uma jóia para determinado filme e depois ela podia ser desmontada e remontada de uma outra maneira para outro filme. Nos primeiros dias de sua atividade, desenhava e criava as jóias sozinho, mas a procura por suas peças cresceu, e ele teve que contratar uma equipe de 50 artífices, para atender a todos os compromissos.

Em 1939, quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial, Eugene fundou a Joseff Precision Metal Products Company, onde desenvolveu técnicas de fabricação de peças de precisão para os aviões construídos pela McDonnell Douglas.

Norma Shearer e as jóias de Joseff usadas por eles em Maria Antonieta

Norma Shearer e as jóias de Joseff usadas por eles em Maria Antonieta

As estrelas pediam a Joseff que fizesse jóias para elas usarem fora da tela ( v.g. Norma Shearer ficou encantada com o anel em forma de coração que usou em Maria Antonieta / Marie Antoinette / 1938 e pediu a Joseff que fizesse um em platina para usar como seu anel de casamento) enquanto que as fãs, vendo as fotos de suas atrizes favoritas em revistas como “Coronet”, “Movie Stars Parade” ou “Movie Secrets”, também as cobiçavam.

Isto inspirou-o a criar, a partir de 1938, uma linha de varejo, para vendê-las em lojas como B. Altman’s, Nordstrom’s, Neiman Marcus, Bullock’s, Marshall Fields, Macy’s, Sacks etc. A influência de Hollywood no gôsto do público era tão grande que as jóias de Joseff se tornaram um sucesso.

Joan Castle e as jóias

Joan Castle e as jóias

Joan Castle

Joan Castle

Precisando administrar suas vendas a varejo, Eugene solicitou ao Sawyer’s Business College uma secretária para ajudá-lo. A escola lhe recomendou uma jovem chamada Joan Castle, que estava também cursando doutorado em psicologia na UCLA. Ele se apaixonou imediatamente por Joan, casaram-se em 1942, e tiveram um filho, Jeff, em 1947.

Eugene tornou-se uma celebridade, chegando mesmo a mudar seu nome para simplesmente Joseff, o “Joseff de Hollywood”, trabalhando lado-a-lado com figurinistas famosos como Walter Plunkett, Rene Hubert, Milo Anderson, Charles LeMaire etc. E para incrementar ainda mais seu negócio, escrevia artigos em jornais e revistas de cinema como a Movie Show, aconselhando os leitores quais jóias deveriam comprar.

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O hobby de Eugene era voar e frequentemente pilotava seu avião em viagens de promoção através do país. Em 1948, ele e três amigos viajavam para desfrutar de um fim de semana no seu rancho no Arizona, quando o avião sofreu um desastre logo após a decolagem, roubando-lhe a vida, pouco antes de completar 43 anos de idade.

Sua viúva e parceira Joan assumiu os negócios da firma, com a qual esteve envolvida, até falecer em 2010, aos 97 anos. Durante os anos cinquenta, Joan expandiu o aluguel de jóias para as produções de televisão. Nas décadas seguintes, os estúdios de cinema começaram a pedir menos jóias elaboradas e Joan sustentou a firma fornecendo peças de precisão para aviões, que Joseff havia começado a fabricar durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez para a Boeing, Lochheed e Honeywell.

Rita Hayworth e as jóias de Joseff em Salomé

Rita Hayworth e as jóias de Joseff em Salomé

A jóias de Joseff de Hollywood apareceram em filmes como Sansão e Dalila / Samson and Delilah / 1949, Salomé / Salome / 1953 e Ben-Hur / Ben-Hur / 1959 e foram usadas pelos ícones mais glamourosos da tela como Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe e Grace Kelly. Na televisão, por exemplo, ornamentaram Lucille Ball na sua famosa série I Love Lucy.

Elizabeth Taylor e a jóia de Joseff usada por ela em Cleopatra

Elizabeth Taylor e a jóia de Joseff usada por ela em Cleopatra

Marilyn Monroe e as jóias de Joseff usadas por ela em Como Agarrar ujm Milionário

Marilyn Monroe e as jóias de Joseff usadas por ela em Como Agarrar ujm Milionário

Grace Kelly e as jóias de Joseff usadas por ela em Alta Sociedade

Grace Kelly e as jóias de Joseff usadas por ela em Alta Sociedade

Lucille Ball e as jóias usadas por ela em I Love Lucy

Lucille Ball e as jóias usadas por ela em I Love Lucy

A nora de Joan, Tina Josefff, sua neta e seu neto, mantiveram no seu arquivo mais de três milhões de peças e costumam exibí-las na Harrod’s em Londres, em Museus de Barcelona e Milão, no Los Angeles County Museum, na Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. Continuam alugando-as para filmes de cinema e televisão. Recentemente forneceram jóias para as cenas da caverna em Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte / Pirates of the Caribbean 2 / 2003.

ANTONIO SILVA

September 4, 2015

Só pude ver cinco comédias de Antonio Silva: A Canção de Lisboa / 1933, O Costa do Castelo / 1943, A Menina da Rádio / 1943, O Leão da Estrela / 1947, O Grande Elias / 1950; porém foi o bastante para perceber que ele era um grande artista. Neste artigo, desejo prestar homenagem a esse notável comediante português e, ao mesmo tempo, chamar a atenção dos estudiosos de cinema para a sua pessoa. Para isso, recorrí principalmente ao Dicionário do Cinema Português de Jorge Leitão Ramos (Editorial Caminho, 2011), ao Dicionário de Cinema Brasileiro de Jurandyr Noronha (EMC, 2008), a História do Cinema Português de Luís de Pina (Europa-América,1986) e completei minha pesquisa em jornais antigos, acrescentando algumas informações às duas primeiras obras citadas.

Antonio Silva

Antonio Silva

Antonio Maria da Silva nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto de 1886. De origens modestas, começa a trabalhar muito novo, como aprendiz de caixeiro em uma loja onde se vendiam artigos de costura. Em dezembro de 1905 inicia atividade como bombeiro. Apaixonado pela arte dramática, participa de récitas de amadores, sincroniza vozes no Salão Ideal (um primeiro arremedo de cinema sonoro) e acaba estreando como ator em 1910 no antigo teatro da Rua dos Condes em uma peça de Tolstoi, O Novo Cristo. Nesse mesmo ano, inicia sua carreira cinematográfica em um minúsculo papel em Rainha Depois de Morta. Continua sua trajetória artística no palco na Companhia Alves da Silva, interpretando papéis fugidíos e, em 1911, e, depois, em 1913, faz tournées ao Brasil. No final da segunda temporada, resolve ficar em nosso país, onde trabalha até 1921, em teatro e cinema.

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Jurandyr Noronha apontou como primeiro filme de Antonio Silva no Brasil, Seiscentos e Seis Contra o Espiroqueta Pallido, que teria sido produzido em 1909 e exibido em 24 de janeiro de 1910 no Cinema Soberano. Entretanto, conforme apurei, em 1911, o caricaturista e compositor Luiz Peixoto e o jornalista Carlos Bittencourt, escreveram uma peça para o teatro de revista, intitulada 606 (que era a marca de fantasia do primeiro remédio contra a sífilis), e tentaram o cinema falado-cantado, realizando um filme mudo e dublado pelos atores atrás da tela. De acordo com um anúncio publicado no Correio da Manhã, este filme foi exibido no Cinema Soberano, em 24 de janeiro de 1911, e nele Antonio Silva fazia o papel de Frei Thomaz. Creio que esta é a informação correta. Mesmo porque, em 1910, cf. o Dicionário do Cinema Português, Antonio Silva ainda estava em Portugal trabalhando no teatro.

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O segundo filme do ator português no Brasil foi Ubirajara / 1919, drama produzido pela Guanabara Filme e dirigido por Luiz de Barros baseado no romance de José de Alencar. Ubirajara (Alvaro Fonseca) chefe dos araguaias é noivo de Jandira (Antonia Denegri). Um dia, porém, apaixona-se por Aracy (Otilia Amorim), filha de Itaquê (Manoel Ferreira de Araujo), chefe dos tocantins e irmã de Pojucã (João de Deus), seu prisioneiro. Ubirajara liberta Pojucã, para poder declarer guerra a Itaquê e buscar Aracy. Itaquê, no entanto, é ferido por outros inimigos e fica cego. As duas tribos unem-se contra inimigos comuns e Ubirajara é eleito chefe. O filme teve requintes de produção: tabas, arcos, flechas, enfeites, ornamentos cedidos pela Seção de Etnografia do Museu Nacional e pela Seção de Proteção aos Índios do Ministério da Agricultura. Uma sequência de batalha entre duas tribos rivais foi filmada com cerca de 200 figurantes. Não encontrei em nenhuma fonte qual o papel interpretado por Antonio Silva, nem pelos outros nomes do elenco, Candida Leal, Fausto Muniz, Teixeira Pinto.

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A terceira atuação de Antonio Silva no Brasil deu-se em Convém Martelar / 1920, filme de propaganda de 20 minutos produzido pela Amazonia Film, dirigido por ele próprio e fotografado pelo operador de câmara João Stamato. O enredo diz respeito a uma jovem de Niterói que embarca com a sua família e o noivo não desejado em uma das barcas da Cantareira, pois o casamento seria realizado no Rio de Janeiro. Entretanto, o preferido do seu coração toma um da colherada do Elixir de Inhame, entra em um barco a remos e consegue ultrapassar a grande embarcação coletiva a vapor, “martelando”, ou seja, insistindo, para conquistar a mulher amada, o que afinal consegue. Não encontrei em nenhuma fonte qual o papel desempenhado por Antonio Silva e demais atores: Josephina Barco, Manoel Ferreira de Araujo, Carlos Barbosa, Albino Vidal.

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A quarta intervenção de Antonio Silva na nossa terra foi em Coração de Gaucho / 1920, drama produzido pela Guanabara Film e dirigido por Luiz de Barros. O filme aproveita usos e costumes do extremo sul do país e, apesar de ser mudo, aparecem sequências mostrando os bailados da região. Na trama, o Gaucho (Alvaro Fonseca) apaixona-se pela filha (Antonia Denegri) de um fazendeiro (Manoel Ferreira de Araujo). Por sua vez, a moça é cortejada por um caixeiro viajante (Antonio Silva) que, após conseguir o consentimento do pai para casar-se com ela, consegue também ficar a par de todos os negócios da família. Ele consegue um testamento do fazendeiro em seu favor e termina por mandar matá-lo. O pai da moça morre, morre o matador (não sem antes ter confessado o crime), e o Gaucho casa-se com a moça. No elenco estavam ainda: Candida Leal, Luiz de Barros e atores da Companhia do Teatro São José. Em agosto de 1920, Antonio Silva casa-se secretamente com Josephina Barco, causando escândalo com a família dela e repercussões na imprensa.

Retornando a Lisboa em 1921, Antonio Silva ingressou na Companhia Luísa Satanela – Estevão Amarante e doravante atuou (depois também em outras companhias) predominantemente em operetas, comédias musicadas e revistas, formando a certa altura uma dupla com outro excelente comediante, Vasco Santana, que se tornaria célebre. Em 1932, torna-se comandante dos bombeiros da Ajuda, cargo que manteria por muitos anos.

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No ano seguinte, alcançou grande notoriedade, através do filme A Canção de Lisboa, no qual atuou ao lado de Vasco Santana e Beatriz Costa. Luis de Pina (História do Cinema Português, Europa-América, 1986) percebeu os primeiros contornos do personagem-tipo criado por Antonio Silva, em A Canção de Lisboa; mas segundo ele foi a partir de O Costa do Castelo que o Antonio Silva-Homem das Arábias (encarnação do lisboeta ladino, que resolve os problemas e nunca está de mal com ninguém) se afirmou plenamente.

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No teatro de revista, o nome de Antonio Silva ascendeu ao topo do cartaz, mas ele também fez comédias musicadas e operetas em uma atividade ininterrupta, onde o cinema aparecia com regularidade. Em 1940, ele esteve no Brasil em temporada relâmpago  no Teatro República com a revista Tiro-Liro-Liro ao lado de Irene Izidro, Ribeirinho e João Vilaret.

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Em 1945, nos Comediantes de Lisboa, companhia que deu grande impulso à renovação do teatro declamado, Antonio Silva interpretou o papel de Doolittle no Pigmalião de Bernard Shaw; em 1948, esteve novamente no Brasil com a Cia. Portuguêsa de Revistas e Opereta e se apresentou no Teatro Carlos Gomes, nas revistas Alto Lá com o Charuto, Se Aquilo Que a Gente Sente, Ribatejo e Tá Bem ou Não Tá?, Ribatejo, Nazaré, tendo ao seu lado em destaque Irene Isidro, Ribeirinho e João Villaret. Em 1958, colaborou com uma companhia dirigida por Bibi Ferreira, emprestando seus imensos dotes artísticos como, por exemplo, na peça Com o Amor Não se Brinca de Terence Rattigan.

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Como escreveu Jorge Leitão Ramos, “Antonio Silva esteve em todos os momentos marcantes da comédia à portuguesa dos anos 30/40 e foi o seu esteio fundamental, criando um personagem-tipo, o do português desenrascado, meio vigarista, meio fala-barato, de bom coração. E, quando foi preciso que houvesse um português pronto a tentar mudar a vida e tornar toda a gente mais igual (uma espécie de quase neorealismo no princípio dos anos 50) foi ainda Antonio Silva quem foram buscar e bem (Sonhar é Fácil)”.

Mas, conforme J.L.R., não se resumiu à comédia o seu talento. Basta lembrar o João da Cruz do filme Amor de Perdição de Lopes Ribeiro, para confirmar que ele foi, de fato, o ator número um de todo o cinema português”. Sem esquecer, dizem outros que puderam ver todos o seus filmes, o inesquecível João da Esquina de As Pupilas do Senhor Reitor ou o Evaristo, dono de uma mercearia em O Pátio das Cantigas. Antonio Silva também fez trabalhos para a televisão (telefilmes e séries), encerrando a carreira em 1967. Ele faleceu no dia 3 de março de 1971 em Lisboa.

Antes de reproduzir a longa filmografia do artista, vou expor as sinopses dos filmes dele que pude assistir, com breves comentários, para dar uma idéia de suas comédias.

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Beatriz Costa e Antonio Silva em A Canção de Lisbôa

Beatriz Costa e Antonio Silva em A Canção de Lisbôa

A CANÇÃO DE LISBOA.

Vasco Leitão, o Vasquinho (Vasco Santana), estudante de medicina por conta de umas tias ricas de Trá-os-Montes (Teresa Gomes, Sofia Santos), é um bôemio que não quer nada com os livros. Ele namora Alice (Beatriz Costa), filha do alfaiate Caetano (Antonio Silva) que não vê com bons olhos tal relação. Tudo se complica quando as tias, julgando o sobrinho já doutor, resolvem vir a Lisboa visitá-lo e ver como bem aplicaram seu dinheiro.

Clássico do cinema falado português, esta comédia musical transmite uma alegria contagiante, sendo ainda beneficiada por canções deliciosas (de Raul Ferrão e Raul Portela) como, por exemplo, “A Agulha e o Dedal” (interpretada por Beatriz Costa com muita graça) e pela vivacidade de todos os atores, destacando-se Beatriz, Vasco Santana e Antonio Silva. A cena da eleição de Miss Castelinho é digna de figurar em qualquer antologia que se faça do cinema português. Na cena final, o Vasquinho, referindo-se às dificuldades de ser médico e de curar, cantava: “morrer por morrer / que seja a rir!”, versos que refletem bem o tom de todo o filme.

Antonio Silva e Maria Mattos em O Costa do castelo

Antonio Silva e Maria Matos em O Costa do Castelo

Antonio Silva e Herminia Silva em O Costa do castelo

Antonio Silva e  a fadista Herminia Silva em O Costa do Castelo

O COSTA DO CASTELO.

Fingindo-se de motorista, Daniel (Curado Ribeiro) aluga um quarto na humilde casa da senhora Rita (Maria Olguim) e do senhor Januário (João Silva) na Costa do Castelo, onde mora Luisinha (Milú) uma jovem bancária orfã por quem Daniel se sente atraído e um professor de guitarra, Simplicio Costa (Antonio Silva), mais conhecido como o Costa do Castelo. A verdadeira identidade de Daniel é desmascarada por Mafalda da Silveira (Maria Matos) sua tia, o que causa grande problema na relação entre Luisinha e ele, pois trata-se de um fidalgo cujo verdadeiro nome é André da Silveira. Depois de várias peripécias, toda a gente vai morar na sua mansão.

Esta farsa divertida, baseada em uma peça teatral de sucesso da autoria de João Bastos (cf. Pina um dos componentes do grupo que dominou a comédia popular à portuguesa nos anos 40, do qual faziam parte ainda o realizador Arthur Duarte, o argumentista Fernando Fragoso, o fotógrafo Aquilino Mendes e o compositor Jaime Mendes), recorre a velhos truques cênicos como a identidade escondida, mas a graça das cenas cômicas (como, por exemplo, quando Antonio Silva ensina Maria Rosa (a grande fadista Herminia Silva) a cantar o fado e das piadas é incontestável. O filme descobria também uma nova estrela, a bela Milú, e apresentava duas lindas canções: “Cantiga da Rua” e “Minha Casinha, que Antonio Melo compôs para letras de João Bastos.

Antonio Silva e Maria Matos em A Menina da Rádio

Antonio Silva e Maria Matos em A Menina da Rádio

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A MENINA DA RÁDIO.

Cipriano Lopes (Antonio Silva) e Rosa Gonçalves (Maria Matos), lojistas na mesma rua, detestam-se comercialmente. Os respectivos filhos, Geninha (Maria Eugénia) e Óscar (Óscar de Lemos) amam-se apaixonadamente e ambos gostam de música, tendência compartilhada por Cipriano e odiada por Rosa. Cipriano cria o Radio Clube da Estrela, onde Geninha provaria seus dotes musicais e Oscar provaria seus dotes como compositor. Mas as coisas se complicam com a entrada em cena de Teresa Valdemar (Teresa Casal) e Fernando Verdial (Curado Ribeiro), astros .da Emissora Nacional. No final, Cipriano se reconcilia com Rosa, à quem o ligava um antigo amor contrariado.

Esta nova comédia de Arthur Duarte tenta reeditar o sucesso de O Costa do Castelo, trazendo de volta a dupla Antonio Silva / Maria Matos e encomendando a João Bastos um argumento de traços muito similares mas, desta vez, girando em torno da febre radiofônica nos anos 40. O filme tem algumas piadas engraçados (sobretudo baseadas no jogo de trocadilhos) e belas canções como, por exemplo, “Sonho de Amor”, composta por Antonio Melo e Silva Tavares. Conforme explica J. L. R., foi a primeira produção da Companhia Portuguesa de Filmes, rebatismo da Tobis Portuguesa, que mudara de nome, para não ser confundida com a germânica Tobis e não ser abrangida pelo boicote declarado pelas forças aliadas.

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Cena de O Leão da Estrela

Cena de O Leão da EstrelaO LEÃO DA ESTRELA.

O LEÃO DA ESTRELA

Anastácio (Antonio Silva), funcionário de uma repartição pública lisboeta, e sportinguista ferrenho, vai ao Porto assistir à final do Campeonato de Futebol de Portugal, apresentando-se em casa dos Barata (Erico Braga, Cremilda de Oliveira), uma família abastada, que a mulher Carlota (Maria Olguin) as filhas Juju (Milú) e Branca (Maria Eugénia) haviam conhecido nas termas, como um rico comerciante de Lisboa. A situação complica-se quando Eduardo (Curado Ribeiro), filho do casal Barata, se apaixona por Branca e os dois resolvem casar-se. A cerimônia é em Lisboa e o pai da noiva tem que manter as aparências a todo custo.

Comédia de equívocos mais uma vez centrada na figura de Antonio Silva, que reedita seu personagem tipo de lisboeta ladino, dividindo com o gorducho Erico Braga (impagável no comerciante portuense novo-rico e portista convicto) os louros do espetáculo em matéria de atores. A discussão de Anastácio e Barata no Estádio do Lima durante o jogo do Porto contra o Sporting e a visita dos dois às “espanhuelas” do Cassino de Espinho, explicada às referidas esposas como visita a umas órfãs da Guerra da Espanha (“aquilo é que era um orfeão!”, um deles comenta), são os seus melhores momentos. Na trama secundária merece menção o par formado por Rosa (Laura Alves) e Miguel (Artur Agostinho), a criada e o motorista apaixonados, com o famoso “Ai, a loiça”, quando Rosa enfrenta o mau humor do patrão Anastácio.

Cena de O Grande Elias

Cena de O Grande Elias

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O GRANDE ELIAS.

Carlos (Estevão Amarante) se vê no aperto, quando sua irmã aristocrata, Adriana (Cremilda de Oliveira), decide visitá-lo inesperadamente. Ele havia inventado, com o auxílio do amigo Elias (Antonio Silva), um série de mentiras sobre si próprio com relação a riqueza e a existência de mais filhos do que sua filha única, Ana Maria (Milú), assim como tampouco dissera que a mulher o havia abandonado. Em poucas horas, ele forja a existência de dois filhos gêmeos encarnados pelo namorado da filha, Ribeirinho (ambos vividos por Francisco Ribeiro), uma mulher (Maria Olguim), um palacete arranjado por uma semana pelo amigo Elias, que se torna o mordomo.

No início dos anos 50, Arthur Duarte regressa à comédia, onde obtivera seus maiores êxitos na década anterior, trazendo mais uma vez a história de pobres que querem parecer ricos com Antonio Silva de novo como um enganador às voltas com os clichés habituais desse tipo de farsa. O diretor consegue manter o senso cômico ao longo de praticamente todo o filme embora algumas situações não cheguem a funcionar como, por exemplo, o momento no ringue com Ribeirinho, que pretendia ser, provavelmente , uma homenagem a Charles Chaplin. As cenas de Ribeirinho com o boneco de ventríloco, seu sósia e alter-ego, são mais hilariantes, mas o melhor momento do filme ocorre no final, com o discurso persuasivo do Elias, que consegue o perdão da ricaça para os envolvidos na impostura e ainda conquista seu coração.

FILMOGRAFIA

1910

Rainha Depois de Morta (Dir: Carlos Santos)

1911

Seiscentos e Seis (Dir: Paulino Botelho)

1919

Ubirajara (Dir: Luiz de Barros)

1920

Convém Martelar (Dir: Antonio Slva)

Coração de Gaucho (Dir: Luiz de Barros)

1933

A Canção de Lisboa (Dir: Cottineli Telmo)

Antonio Silva em As Pupilas do Senhor Reitor

Antonio Silva em As Pupilas do Senhor Reitor

1935

As Pupilas do Sr. Reitor (Dir: Leitão de Barros)

Antonio Silva em Bocage

Antonio Silva em Bocage

1936

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Maria Papoila (Dir: Leitão de Barros)

Dina Teresa e Antonio Silva em Varanda dos Rouxinóis

Dina Teresa e Antonio Silva em Varanda dos Rouxinóis

1939

Varanda dos Rouxinóis (Dir: Leitão de Barros)

1940

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João Ratão (Dir: Jorge Brum do Canto)

Cena de Feitiço do Império

Cena de Feitiço do Império

Feitiço do Império (Dir: Antonio Lopes Ribeiro)

Cena de O Pätio das Cantigas

Cena de O Pátio das Cantigas

1941

O Pátio das Cantigas (Dir: Francisco Ribeiro)

1942

Lobos da Serra (Dir: Jorge Brum do Canto)

1943

O Costa do Castelo (Dir: Arthur Duarte)

Antonio Silva em Amor de Perdição

Antonio Silva em Amor de Perdição

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Amor de Perdição (Dir: Antonio Lopes Ribeiro)

1944

A Menina da Rádio (Dir: Arthur Duarte)

Antonio Silva e Madalena Sotto em A Vizinha do Lado

Antonio Silva e Madalena Sotto em A Vizinha do Lado

1945

A Vizinha do Lado (Dir: Antonio Lopes Ribeiro)

1946

Camões – Erros meus, má fortuna, amor ardente (Dir: Leitão de Barros)

1947

O Leão da Estrela (Dir: Arthur Duarte)

Cena de Fado - História de uma Canttadeira

Cena de Fado – História de uma Canttadeira

Fado, História d’uma Cantadeira (Dir: Perdigão Queiroga)

Três Espelhos (Dir: Ladislao Vajda)

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Os Vizinhos do Rés-do-Chão (Dir: Alejandro Perla)

1948

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Heróis do Mar (Dir: Fernando Garcia)

1950

O Grande Elias (Dir: Arthur Duarte)

Antonio Silva em Sonhar é Fácil

Antonio Silva em Sonhar é Fácil

1951

Sonhar é Fácil (Dir: Perdigão Queiroga)

Cena de Os Três de Vida Airada

Cena de Os Três de Vida Airada

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1952

Os Três da Vida Airada (Dir: Perdigão Queiroga)

O Comissário de Polícia (Dir: Constantino Esteves)

1956

O Dinheiro dos Pobres (Dir: Arthur Semedo)

Perdeu-se Um Marido (Dir: Henrique Campos)

O Noivo das Caldas (Dir: Arthur Duarte)

1957

Dois Dias no Paraíso (Dir: Arthur Duarte)

Cena de O Passarinho da Ribeira

Cena de O Passarinho da Ribeira

1959

O Passarinho da Ribeira (Dir: Augusto Fraga)

Cenas de As Pupilas do Senhor Reitor

Cenas de As Pupilas do Senhor Reitor

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As Pupilas do Senhor Reitor (Dir: Perdigão Queiroga)

1964

Aqui há Fantasmas (Dir: Pedro Martins)

1967

Sarilhos de Fraldas (Dir: Constantino Esteves)