ROBERT SIODMAK E SEUS FILMES NOIRS II

February 17, 2017

Joan Harrison estudou em Oxford e na Sorbonne. Após um início de carreira no jornalismo, foi durante muito tempo secretária particular de Alfred Hitchcock e ascendeu finalmente à posição de roteirista na véspera da ida de “Hitch” para os Estados Unidos. Ela colaborou assim nos roteiros de Estalagem Maldita / Jamaica Inn / 1939, Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca / 1940, Correspondente Estrangeiro / Foreign Correspondent / 1940, Suspeita / Suspicion / 1941 e – nos estúdios da Universal em 1942 – em Sabotador / Saboteur. Em 1943, separou-se de Hitchcock, para se tornar produtora independente e, enquanto estava em negociação com a Universal para ser produtora associada ao estúdio, conheceu R. Siodmak, nascendo daí a primeira colaboração entre os dois. Joan acabara de adquirir os direitos de “Phantom Lady”, romance policial de Cornell Woolrich, o escritor que, juntamente com Dashiel Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain, inspirou alguns dos melhores filmes noirs do período clássico, e a história de Woolrich, caiu nas mãos do diretor.

Robert Siodmak, Joan Harrison, Ella Raines e Franchot Tone

A Dama Fantasma / Phantom Lady / 1943 começa por um primeiro plano de Ann Terry, a “dama fantasma” (Fay Helm), de costas para a objetiva, com um daqueles chapéus extravagantes que faziam furor nos anos 40. O cenário é um bar subterrâneo em Nova York. Entra Scott Henderson (Alan Curtis), um jovem engenheiro, que acabou de ter uma discussão com a esposa e convida a desconhecida para ir ao teatro de revista com ele, mostrando-lhe dois tíquetes. Ela aceita com uma condição: nada de nomes, nem endereços. Scott leva-a ao musical, cuja estrela é uma cantora latino-americana (Aurora Miranda) e depois a reconduz ao bar, para nunca mais vê-la. Quando Scott acende a luz ao chegar em casa, vê-se diante de três policiais; sua mulher foi estrangulada com uma gravata. Todas as supeitas recaem sobre ele: somente a desconhecida, seu único álibi, poderia inocentá-lo – mas como encontrá-la? Estranhamente as testemunhas negam a existência da tal mulher e Scott é condenado. Sua secretária, Carol “Kansas” Richman (Ella Raines), secretamente enamorada do patrão, procura descobrir o verdadeiro culpado com o auxílio do inspector Burgess (Thomaz Gomez), também convencido da inocência do engenheiro. Ao visitar Scott na prisão, Kansas conhece um de seus amigos, o artista plástico Jack Marlowe (Franchot Tone) que se oferece para ajudá-la a encontrar a “dama misteriosa”. Eles conseguem localizar Ann Terry; mas esta não poderá depor no tribunal, porque a morte súbita do noivo perturbou-lhe o juízo; todavia, o chapéu é uma prova suficiente para a defesa de Scott. Para festejar a vitória e esperar Burgess, vão para o apartamento de Marlowe, onde Kansas vê sua bolsa roubada e percebe que ele é o assassino. Marlowe confessa que matou a mulher de Scott, porque ela zombara dele. No momento em que vai estrangular Kansas, Burgess chega e o criminoso se atira pela janela.

Fay Helm e Alan Curtis em A Dama Fantasma

Aurora Miranda em A Dama Fantasma

Cena de A Dama Fantasma

O enredo contém elementos essenciais para um filme noir: o inocente enroscado pelas teias do destino; o ambiente noturno com os detalhes de sombras ameaçadoras; o criminoso paranóico; e, de certa forma, a presença de uma mulher fatal (que é ao mesmo tempo a investigadora), pelo menos durante algum tempo da ação. Na sua busca para salvar o patrão da cadeira elétrica, Kansas, usando seus encantos, persegue o garçom (Andrew Tombes, Jr.) e o baterista Cliff Milburn (Elisha Cook, Jr.), e causa a morte dos dois. Entretanto, nos derradeiros instantes da narrativa, volta a ser a fêmea indefesa, sujeita às forças patriarcais: Marlowe, o assassino, que a ameaça; Burgess, o policial que a protege paternalmente; e Scott, o patrão que vai se casar com ela, recolocando-a no papel passivo e convencional de secretária e esposa.

Cena de A Dama Fantasma

Cena de A Dama Fantasma

O engenheiro assassino “normal”do livro foi transformado em um personagem estereotipado: o artista louco, com mania de grandeza, dores de cabeça, tontura, tique nervoso no olho direito e atelier decorado com esculturas estranhas. Há um momento em que, sentado em uma cadeira, recita um monólogo sobre as mãos e depois se levanta para estrangular o baterista. Neste momento, o seu corpo encobre aos poucos o da vítima e toma conta de toda a tela.

Thomaz Gomes, Ella Raines e Franchot Tone em A Dama Fantasma

Franchot Tone e Ella Raines em A Dama Fantasma

Franhcot Tone em A Dama Fantasma

O filme é, sobretudo, um admirável exercício de estilo. Com seu especial temperamento germânico e ajuda do fotógrafo Ellwood “Woody” Bredell, R. Siodmak recriou o universo de Woolrich quase que inteiramente através de uma direção dinâmica e inventiva. Para se ter uma idéia da mise-en-scène, no momento em que a heroína segue o garçom suspeito pelas ruas escuras e molhadas pela chuva até a estação elevada do metrô, ouve-se somente o ruído dos saltos dos sapatos de ambos. Na plataforma deserta, ele se coloca atrás dela, dando a impressão de que vai empurrá-la para a linha férrea mas, subitamente, aparece uma mulher negra e irrompe o som do trem que está chegando. A perseguição continua silenciosa pelas ruas e quando finalmente Kansas se aproxima do homem para interrogá-lo, ele se volta contra ela raivoso. Alguns transeuntes oferecem-se para defendê-la, seguram o fugitivo, porém ele se esquiva e sai bruscamente de cena. Rangido de freios, gritos e um chapéu rola para o bueiro. Ou seja, os sentimentos de perigo e de tensão são transmitidos para a platéia exclusivamente através do som, luz, montagem e movimentos de câmera – puro cinema.

Ella Raines e Thomaz Gomes em A Dama Fantasma

Ella Raines e Elisha Cook Jr. em A Dama fantasm

Ella Raines em A Dama Fantasma

Elisha Cook Jr. em A Dama Fantasma

Entretanto, a sequência antolológica é a do encontro de Kansas com o baterista. Sentada na primeira fila do teatro, com um vestido de cetim preto e mascando chicletes, ela flerta com o músico. Depois, os dois vão a uma sessão de swing noturna. Para ilustrar a música ensurdecedora, a câmera mostra Kansas maquilando-se diante de um espelho que balança. O clima é de delírio, com os músicos tocando ao lado de muitas garrafas de cerveja. Diante de Kansas sensual e provocante, Cliff executa um solo de bateria frenético, arrebatado até o limite do orgasmo; nestas cenas a angulação, a montagem e a iluminação traduzem tudo visualmente.

Quando Joan Harrison se associou temporariamente à United Artists, R. Siodmak recebeu como encargo da Universal a direção de Férias de Natal / Christmas Holiday / 1944, melodrama reunindo dois astros comumente ligados ao filme musical, Deanna Durbin e Gene Kelly, escolhidos para papéis atípicos. No enredo, baseado em um romance de W. Somerset Maugham (bastante modificado pelo roteirista Herman Mankiewicz), um militar (Dean Harens) recebe carta de sua noiva, dizendo que se casou com outro. Na noite de Natal, seu avião pousa em New Orleans devido a uma tempestade, e o rapaz, muito deprimido, conhece um repórter (Richard Whorf), que o convida para o bordel clandestino de     Mme. Valerie (Gladys George), onde ele encontra uma cantora (Deanna Durbin). Depois de terminar seu número, ela convida o militar para acompanhá-la até uma igreja e alí, cai em prantos. Ele a leva para jantar e ouve sua história. Retrospectos revelam que a jovem foi feliz durante algum tempo do seu casamento até que descobriu que seu marido (Gene Kelly), um jogador inveterado, matara o seu bookmaker para roubá-lo, tendo sido condenado à prisão perpétua. Ela diz a seu ouvinte que se degradou voluntariamente. Por ciúme, o marido foge da prisão, com a intenção de matar sua esposa, que, mesmo sabendo disso, o aguarda ainda com uma devoção cega. Ele está prestes a cometer o ato criminoso, quando é abatido pela polícia

Deam Harens, Richard Whorf e Gladys George em Férias de Natal

Deanna Durbin em Férias de Natal

Gene Kelly e Deanna Durbin em Férias de Natal

Gale Sondegaard, Gene Kelly e Deanna Durbin em Férias de Natal

A filmagem de Férias de Natal foi caótica. Deanna Durbin, brigava violentamente com o produtor Felix Jackson, seu marido e com o diretor, que ela odiava. R. Siodmak procurou em vão ”desglamourizar” a atriz, porém Deanna se obstinou em permanecer ela mesma, recusou maquilagem e vestidos demasiadamente “aviltantes” e acabou por dirigir uma parte de suas próprias cenas sózinha. R. Siodmak só retomou o filme na fase de montagem, para salvar o que era possível salvar. Graças ao seu domínio completo da linguagem cinematográfica, ele tornou o filme razoavelmente atraente, deixando sua marca estilística no conjunto do espetáculo.

As quatro próximas realizações de R. Siodmak, as duas primeiras para a Universal (Dúvida / The Suspect / 1944; Caprichos do Destino / The Strange Affair of Uncle Harry / 1945); a terceira para a RKO (Silêncio nas Trevas / Spiral Staircase / 1945); e a quarta para a Universal-International (Espelho d’Alma / Dark Mirror / 1946) foram dramas de suspense e de mistério, com os quais R. Siodmak alcançou definitivamente uma posição de destaque entre os diretores de cinema de Hollywood.

Robert Siodmak, Charles Laughton e Ella Raines na filmagem de Dúvida

Ella Raines e Charles Laughton em Dúvida

Henry Daniell e Charles Laughton em Dúvida

Robert Siodmak dirige Ella Raines e Charles Laughton na filmagem de Dúvida

Em Dúvida, um homem íntegro (Charles Laughton), gerente sexagenário de uma tabacaria em um subúrbio de Londres no comêço do século, é levado ao assassinato de sua esposa rabugenta e vingativa (Rosalind Ivan), quando se apaixona por uma jovem datilógrafa (Ella Raines). Ele é assediado por um detetive da Scotland Yard (Stanley Ridges) e um vizinho chantagista (Henry Daniell), o qual acaba matando. O detetive arma um plano para fazer com que o gerente confesse seus crimes;

Robert Siodmak, Ella Raines e George Sanders

Ella Raines e George Sanders em Caprichos do Destino

Geraldine Fitzgerald e Ella Raines em Caprichos do Destino

Geraldine Fitzgerald, Robert Siodmak e George Sanders em Caprichos do Destino

em Caprichos dos Destino, um desenhista solteirão (George Sanders) de uma cidade provinciana de New Hampshire, vive na companhia de suas duas irmãs. Uma, (Moyna MacGill), é viúva e dominada pela outra (Geraldine Fitzgerald), mais jovem e bela, que tem uma paixão incestuosa pelo irmão, A vida deles é perturbada quando o irmão se apaixona por uma jovem (Ella Raines) que trabalha com ele em uma fábrica de tecidos. A irmã viúva acolhe a jovem com resignação, mas a outra, faz tudo para destruir a felicidade de seu irmão. Este finalmente tenta envenenar a irmã dominadora, mas o destino intervém, e o final do filme reserva uma surpresa para os espectadores;

Cena de Silêncio nas Trevas

Dorothy McGuire em Silêncio nas Trevas

Dorothy McGuire, George Brent, Rhonda Fleming e Gordon Oliver em Silêncio nas Trevas

Robert Siodmak e Dorothy McGuire na filmagem de Silêncio das Trevas

em Silêncio nas Trevas, na mansão habitada por uma velha senhora viúva e cardíaca, que vive presa ao leito (Ethel Barrymore), seu filho (Gordon Oliver), jovem cínico e volúvel, seu enteado (George Brent), um professor de química, a amante do primeiro e secretária do segundo (Rhonda Fleming), o jardineiro (Rhys Williams) e sua esposa alcoólatra (Elsa Lanchester), a jovem muda (Dorothy MacGuire), que cuida da idosa, é advertida por sua patroa de que deve deixar a casa o mais breve possível, pois um psicopata que mata jovens com alguma enfermidade está agindo nas imediações. A moça aguarda a chegada de um médico (Kent Smith) que, apaixonado por ela, se dispusera a levá-la embora dali. Enquanto ele não chega, ela é atacada pelo homicida, que vem a ser o enteado da velha senhora. Ele vai estrangular a jovem muda, perto de uma escada em espiral, quando sua madrasta o abate a tiros. O choque deste momento faz com que a moça recupere a fala;

Olivia de Havilland, Robert Siodmak e Lew Ayres em Espelho d’Alma

Olivia de Havilland em Espelho d’Alma

Cena de Espelho d’Alma

Lew Ayres, Olivia de Havilland e Robert Siodmak na filmagem de Espelho d’Alma

em Espelho d’Alma, uma mulher suspeita de matar um médico seu namorado, tem uma irmã gêmea idêntica. Quando ambas as gêmeas (Olivia de Havilland) oferecem um álibi para a noite do crime, um psiquiatra (Lew Ayres) é convocado para ajudar um policial (Thomas Mitchell) a solucionar o caso. Através de uma série de testes, o psiquiatra descobre, que uma delas é demente e, no decorrer de sua investigação, apaixona-se pela gêmea inocente. Graças a um estratagema muito bem calculado pelo psiquiatra e pelo policial, a verdadeira culpada se desmascara.

Em todos esses filmes, R. Siodmak demonstrou a sua capacidade de narrar uma história de maneira essencialmente cinematográfica, o seu gôsto pela criação de uma atmosfera inquietante ou sombria em espaços fechados e o seu domínio absoluto dos movimentos de câmera e da iluminação, pois ele era um dos raros diretores que conhecia também os aspectos técnicos de sua profissão a fundo. Sua aptidão fílmica consagrou-o internacionalmente, quando o cineasta realizou o seu segundo filme noir, Assassinos / The Killers / 1946, produzido por Mark Hellinger para a Universal.

Burt Lancaste,r o produtor Mark Hellinger e Robert Siodmak

O preceito de Assassinos é o de que a ambição pelo dinheiro leva à corrupção e à morte. Uma dupla de assassinos de aluguel, Max (William Conrad) e Al (Charles McGraw) chegam à pequena cidade de Brentwood, New Jersey, à procura de Ole Anderson. Conhecido como sueco (Burt Lancaster), ele trabalha em um posto de gasolina. Eles o encontram aguardando-os silenciosamente em um quarto escuro; e não oferece resistência. Ao saber das circunstâncias em que o crime foi cometido, Jim Riordan (Edmond O’Brien), investigador da companhia de seguros responsável pelo pagamento da indenização à beneficiária do falecido – a arrumadeira de um hotel onde o Sueco havia se escondido usando nome falso -, quer descobrir porque a vítima deixou-se matar mansamente pelos dois facínoras.

Edmond O’Brien e Sam Levene em Assassinos

Albert Dekker e Vince Barnett em Assassinos

Sua investigação leva-o ao encontro de várias pessoas que conhecem o passado do Sueco: o detetive Sam Lubinsky (Sam Levene), sua esposa Lilly (Virginia Gilmore) e Charleston (Vince Barnett), um ex-presidiário. Através desses depoimentos, fica sabendo que o Sueco foi obrigado a encerrar a carreira de pugilista por ter quebrado a mão em uma luta e, incitado por uma bela mulher, Kitty Collins (Ava Gardner), se uniu a um bando de ladrões liderados pelo amante dela, Big Jim Colfax (Albert Dekker). Riordan localiza os outros components da quadrilha, Blanky (Jeff Corey) e Dum Dum (Jack Lambert) e, finalmente, chega Colfax e Kitty, desvendando todo o mistério: como Kitty fez o Sueco passar por traidor do grupo após um assalto, enquanto ela e o amante fugiram com o dinheiro roubado, e como, anos depois, Kity e Colfax contrataram dois pistoleiros para matar o Sueco por medida de segurança.

Desenvolvendo o conto de Ernest Hemingway, o filme procura decifrar o enigma da resignação existencial do Sueco, como ele perdeu a vontade de viver. Por intermédio de onze retrospectos acronológicos e com uma obsessão pessoal que excede os interessses da companhia de seguros, Riordan vai descobrindo porque aquele homem abraçou a morte com indifrença. O testemunho das pessoas que o conheceram no passado se completam uns aos outros e o obstinado investigador vai reconstituindo , como um mosaico, o seu destino trágico.

Cena inicial de Assassinos

Charles McGraw e William Conrad em Assassinos

O prólogo – que corresponde exatamente ao conto – é conduzido com admirável precisão cinematográfica, em um clima sombrio e de violência fria criado pela interpretação seca dos atores que forma a dupla de assassinos, pelos diálogos curtos e diretos e pela iluminação claro-escuro (Elwood Bredell) combinada com a profundidade de campo, angulações em câmera alta e baixa e um fundo musical (Miklos Rosza) de alta tensão. Deitado na cama do quarto escuro, o condenado aguenta impassível a chegada dos assassinos. Até que ouve o barulho de passos na escada e percebe um raio de luz infiltrando-se por debaixo da porta. Após alguns segundos de silêncio, a porta se abre brutalmente iluminando o rosto angustiado do Sueco e os dois algozes descarregam suas armas sobre ele.

Burt Lancaster em Assassinos

No primeiro retrospecto, Nick conta a Riordan que, uma semana atrás, o Sueco reconheceu um cliente em um cadillac negro. Depois, disse que estava doente e não voltou mais ao trabalho. No segundo, Riordan procura a beneficiária do seguro, Mary Ellen Daugherty, em Atlantic City e ela lhe revela que, uma tarde, ouviu o Sueco gritando : “Ela foi embora! Ela foi embora!. Charleston tinha razão!”. Mary entrou no quarto onde ele, como um louco, estava quebrando os móveis e o impediu de se atirar pela janela. Em Filadéflia, o detetive Lubinsky explica para Riordan porque o sueco abandonou sua carreira promissora de boxeador – terceiro retrospecto – depois de levar uma surra do adversário por ter quebrado todos os ossos de sua mão direita.

Burt Lancaster e Robert Sidomak na filmagem

Cena de Assassinos

A esposa de Lubinsky, Lilly, antiga namorada do Sueco, revela, em um quarto retrospecto, o encontro fatal do ex-pugilista com Kitty em uma festa no luxuoso apartamento de seu amante. Quando o Sueco entra, Kitty está apoiada no piano com um copo na mão; o vestido longo de cetim preto, os ombros cobertos por sua cabeleira negra, as luvas pretas cobrindo seus antebraços, toda a sua aparência de um erotismo refinado, é a própria imagem da sedução. Enquanto ela canta “The More I Know of Love”, uma lâmpada em forma de vela (espécie de símbolo fálico inflamado), os separa, criando uma composição visual muito evocativa da paixão devastadora que arrastará o Sueco para a morte.

Em um quinto retrospecto, Lubinsky lembra um dos últimos encontros com o Sueco em um restaurante, quando ele se preparava para prender Kitty, suspeita de ter roubado uma jóia de grande valor. Aí aparece o Sueco, assume a culpa de Kitty e Lubinsky é obrigado a prendê-lo. No enterro do Sueco, comparece seu antigo companheiro de cela, Charleston, e vem o sexto retrospecto, um tanto lírico. Charleston dá uma lição de astronomia para o Sueco, mostrando as estrelas que ele observa através das grades enquanto seu companheiro, tendo a mão o lenço de Kitty com desenhos de harpas, recorda-se de sua amada. No decorrer do sétimo retrospecto, Charleston descreve a reunião para preparar o assalto. O Sueco concorda em participar. Charleston se retira e o aconselha a não “ouvir o som das harpas”.

Ava Gardner e Burt Lancaster em Assassinos

Virginia Gillmore, Burt Lancaster e Ava Gardner em Assssinosa

Jeff Corey,Burt Lancaster, Ava Gardner, Albert Dekker em Assassinos

Riordan prossegue sua investigação na biblioteca municipal, onde examina velhos jornais. Durante a leitura do material, aparecem – oitavo retrospecto – as peripécias do audacioso assalto a uma fábrica de chapéus de New Jersey. Para acentuar o caráter jornalístico desta sequência, Siodmak filmou-a sem cortes, em um só movimento de grua apanhando em câmera alta os mínimos detalhes do roubo.

O nono e o décimo restrospecto dizem respeito às lembranças de Blanky, que Riordan encontra moribundo em um hospital. No seu delirio, Blanky se reporta a uma desavença entre o Sueco e Colfax durante um jôgo de pôquer e à partilha do roubo, quando o Sueco rende todo o bando e foge com o dinheiro. Riordan compreende que Blanky foi morto por um outro membro da quadrilha, Dum Dum, e o surpreende no quarto do Sueco em Brentwood.

Edmond O’Brien em Assassinos

Jack Lambert em Assassinos

Graças às informações de Dum Dum, localiza Colfax, que se tornou um cidadão respeitável em Pittsburgh, e finalmente Kitty, que lhe revela, no décimo primeiro e último retrospecto, como persuadiu o Sueco a fugir com ela. Kitty está casada com Colfax: o Sueco foi apenas um instrumento para iludir o resto do bando; porém Dum Dum também descobriu o lôgro; Riordan chega na casa de Colfax, acompanhado por Lubinsky e outros policiais, no momento em que ocorre o tiroteiro entre Dum Dum e Colfax. Um traveling lateral para a direita do patamar da escada mostra, atrás de um balaustre iluminado na melhor tradição expressionista, o cadáver de Dum Dum e depois, estendido sobre alguns degraus, Colfax agonizando. Kitty agarra-se ao pescoço de Colfax e suplica histérica: “Diga para eles que eu não sabia de nada”, mas Colfax finge que não ouve e morre com um cigarro nos lábios contraídos pela dor.

Cena de Assassinos

Todo o filme é marcado por lances de violência e sadismo (a luta de boxe; o primeiro plano da mão deformada; as balas dos assassinos que “rasgaram o corpo do Sueco”; Blanky, um “morto que ainda respira”; o banho de sangue no confronto final entre Dum Dum e Colfax etc.) e pela tendência do herói para a autodestruição, em uma mistura de ingenuidade e masoquismo. E há também o caráter fetichista do amor do Sueco por Kitty, não só na sua idealização romântica dessa mulher, como na maneira pela qual ele acariciava o lenço de cetim que ela lhe deu – a única coisa que ainda possuía quando se entregou passivamente aos seus executores.

Siodmak não pôde resistir às pressões de J. Arthur Rank – que mantinha uma colaboração estreita com a Universal-International e desejava introduzir através da firma americana a nova estrela britânica Phyllis Calvert (a heroína de Amor nas Sombras / Fanny by Gaslight / 1944) no mercado americano. Mediante um contrato mirabolante com a U-I – salário triplicado durante dois anos, mais liberdade para os filmes seguintes etc. – o cineasta aceitou não somente dirigir, mas também atuar como produtor de um dramalhão baseado em um romance de Rachel Field.

Robert Hutton e Phyllis Calvert em Brumas do Passado

Brumas do Passado / Time Out of Mind / 1947, conta a história de um rapaz (Robert Hutton), filho de um armador rico do Maine (Leo G. Carroll), que quer seguir a carreira de músico, contrariando o desejo do pai de torná-lo um capitão de navio. Sua irmã (Ella Raines) lhe devota um amor excessive, mas é da filha da governanta (Phillys Calvert), educada junto com os dois irmãos, que ele recebe uma ajuda concreta. Ela lhe entrega suas economias, a fim de que ele possa sair do domicílio familiar e estudar no Conservatório de Paris. O pai não sobrevive a essa “deserção”. O rapaz retorna da Europa coberto de glória e casado com a filha (Helena Carter) de um banqueiro; porém depois perde a fé no seu talento, quando descobre que sua esposa organizava seus concertos às suas próprias custas, enchendo as salas com seus conhecidos. O rapaz começa a beber, a esposa o abandona, e é a filha da empregada que cuida de seu artista deprimido que, para coroar seu amor enfim assumido, compõe uma sinfonia, cujo triunfo é festejado em Nova York. O diretor verteu para a tela o argumento que lhe deram, assegurando somente a qualidade técnica do espetáculo

Richard Conte e Victor Mature em Uma Vida Marcada

Em 1948, Darry F. Zanuck contratou R. Siodmak para fazer um drama criminal no estilo neo-realista proposto por Louis de Rochemont na 20thCentury-Fox, Uma Vida Marcada / Cry of the City. No enredo, Martin Rome (Richard Conte), gravemente ferido, recebe a extrema-unção em um hospital de Nova York. O tenente Vittorio Candella (Victor Mature), seu amigo de infância, suspeita de que Martin esteja envolvido em um roubo de jóias. Martin consegue fugir da prisão e vai ao escritório de Niles (Berry Kroeger), um advogado inescrupuloso, em cujo cofre encontra as jóias. Niles revela o nome de sua cúmplice, uma massagista corpulenta chamada Rose Given (Hope Emerson). Martin procura Rose e lhe pede dinheiro e duas passagens para a América do Sul em troca das jóias que escondeu no armário de uma estação do metrô; mas Rose é presa. Candella descobre que Martin vai se encontrar com sua noiva Teena (Debra Paget) em uma igreja e perto dali os dois se confrontam.

Berry Kroeger e Richard Conte em Uma Vida Marcada

Richard Conte e Shelley Winters em Uma Vida Marcada

Cena de Uma Vida Marcada

Siodmak trabalhou com o tema muito usado do bom e do mau rapaz oriundos do mesmo meio social, cujos caminhos na vida divergem diametralmente. Rome tornou-se um gangster irrecuperável (seu último gesto empunhando o canivete aberto, parece ser um símbolo disso) e Candella, um incorruptível defensor da lei (“Só ganho 94 dólares e 43 centavos por semana, mas durmo bem”).

Dotado de um charme irresistível, o criminoso manipula os sentimentos daqueles com os quais entra em contato: a enfermeira solteirona que consente em esconder Teena, o condenado com bom comportamento que o ajuda a fugir, a ex-amante que lhe dá abrigo, o médico em situação ilegal que lhe faz os curativos clandestinamente. Cada qual vem a ser colhido pela lei na pessoa de Candella, e devidamente punido. Porém, ao mesmo tempo, o bandido tem que lidar com criaturas mais diabólicas do que ele, como o advogado escroque e a massagista de ameaçadora presença física, cuja especialidade é torturar senhoras ricas para se apoderar de suas jóias.

Richard Conte e Hope Emerson em Uma Vida Marcada

Hope Emerson e Richard Conte em Uma Vida Marcada

Cena de Uma Vida Marcada

Victor Mature em Uma Vida Marcada

Os personagens grotescos, a alienação e a predestinação do criminoso para um fim trágico (pressagiado desde a cena de abertura na sala austera e escura do hospital) e o expressionismo fotográfico – que o diretor consegue conciliar com o naturalismo de algumas tomadas em locação – dão um toque noir ao filme, que classifico -segundo a distinção que criei em “O Outro Lado da Noite: Filme Noir”, como um filme noir impuro, ou seja, com uma negritude mínima. Quem não teve oportunidade de ler o meu livro, que escreví há 15 anos e que se encontra esgotado, encontrará meu conceito de film noir, justificado com mais precisão, nos quatro artigos sobre filme noir que escreví recentemente neste blogue.

ROBERT SIODMAK E SEUS FILMES NOIRS I

February 3, 2017

Ele realizou filmes na Alemanha, na França, nos Estados Unidos e, episodicamente, na Itália, na Grã Bretanha, na Iugoslávia e na Rumênia. Sua obra se estende do cinema mudo de vanguarda ao superespetáculo em Cinerama. Entretanto, sua reputação repousa essencialmente sobre uma série de filmes noirs rodados durante a época de ouro deste subgênero do drama criminal (1943-1949). Vou abordar detalhadamente cada um deles e, ao mesmo tempo, fazer uma exposição sucinta da trajetória artística do diretor, para dar uma idéia do conjunto da sua obra.

Robert Siodmak

Robert Siodmak nasceu em Dresden, na Alemanha descendente de uma família israelita da Galícia, que fez parte do império austro-húngaro até 1918. O avô de Robert, rabino Abraham Siodmak, vivia em um gueto de Podgorze, do outro lado do Vístula. Sua inflexível ortodoxia causou uma revolta em seu filho caçula: Ignatz deixou o gueto de seus ancestrais para nunca mais voltar. Em 1886, com 16 anos de idade, emigrou para os Estados Unidos onde, depois de trabalhar em vários lugares, instalou-se em Shelby County, perto de Memphis no Tennessee, obtendo a nacionalidade americana em 1892. Porém, sete anos mais tarde, ele voltou para a Alemanha com uma invenção que iria rapidamente fazer sua fortuna: um sistema frigorífico que lhe permitia conservar os ovos até o inverno.

Ignatz fixou residência em Dresden, em uma vila luxuosa na Seidnitzerplatz nº 3 e montou um negócio florescente de importação de ovos russos e polonêses. Nesse mesmo ano, casou-se com Rosa Philippine Blum, filha dos donos da mercearia Blum de Leipzig, que estava à beira da falência. Robert veio ao mundo em 8 de agosto de 1900. Em 1902, nasceu o primeiro irmão de Robert, Kurt (depois Curt), que se tornou romancista, roteirista e diretor. Em 1907, nasceu Werner e em 1913, Rolf, que se suicidaria em 1934.

Ignatz proporcionou uma vida de opulência para a sua família e Rosa, mulher exuberante e de grande beleza, da qual Robert provavelmente herdou o temperamento artístico, suscitava a admiração dos salões. Ela sonhara outrora em se tornar atriz, mas acabou esposa de um comerciante novo-rico com preocupações estritamente materiais. Rosa cercava-se de atores, músicos, escultores, pintores e poetas, organizando em sua casa concertos na “sala de música” e incentivando conversas de alto nível cultural entre seus convidados. Porém o lar dos Siodmak não era feliz e Robert ficaria marcado pelas desavenças, as discussões violentas e as separações repetidas de seus pais. A esta degradação da situação familiar acresceu-se logo a ruína econômica, porque a Rússia fechou suas fronteiras em 1917 e o comércio de Ignatz se desmoronou.

Robert foi um mau aluno, mudou várias vêzes de colégio, e nem a disciplina de ferro de um internato em Bad Kösen, conseguiu domá-lo. De volta a Dresden, matriculado no Drei-Königs-Gymnasium, ele ausentava-se das aulas para ir ao Albert-Theater, onde conseguiu trabalhar como figurante. Sem que seus pais soubessem, frequentou as aulas de arte dramática de Erich Ponto, um sustentáculo do Sächsisches Staatheater, que seria depois ator de cinema. Aos dezoito anos, cansado do mau humor persistente e dos caprichos tirânicos do seu pai alcoólatra, Robert deixa o domicílio familiar. Ele se junta a uma pequena trupe de teatro ambulante, mas seu físico ingrato o impede de se tornar gigante galã. Em 1921, encerrou sua carreira no teatro. Desencantado e com o estômago vazio, ele retorna para Dresde, onde seu pai lhe arruma um emprego de contador no banco dos irmãos Mattersdorff. Robert se inicia nos segredos da bôlsa e, dentro de seis mêses, já é diretor do banco Moritz Schermer. Ele ganha uma pequena fortuna, porém a boa chance não dura: em novembro de 1923 o Reichsmark é estabilizado e a deflação o arruina. Percorrendo o subúrbio de Dresden de bicicleta, tenta vender cigarros russos e roupas íntimas femininas. Neste mesmo ano, funda uma editora, porém esta não resiste à concorrência, e Robert fica de novo sem um centavo.

Os irmãos Siodmak: Robert e Kurt

Em 1925, Kurt e Robert vão para Berlim. Kurt continua seus estudos e obtém um diploma de matemático, mas deseja seguir uma carreira de escritor. Eles conseguem vender “Die Brucker” (Os Irmãos), uma história imaginada conjuntamente pelos dois, para o departamento de dramaturgia da UFA. Logo depois, Robert conhece o Dr. Herbert Nossen, importador-distribuidor de filmes americanos e redige para ele notadamente os intertítulos alemães de Dois Cavaleiros Árabes / Two Arabian Knights / 1927 de Lewis Milestone.

Por acaso, Robert tem um tio no meio cinematográfico, o produtor Heinrich Nebenzahl cujo filho, Seymour Nebenzal, havia fundado em 1924 com Richard Oswald a companhia Nero-Film, firma produtora de obras prestigiosas como M, O Vampiro de Dusselforf / M / 1931 e O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabuse / 1933 de Fritz Lang; Guerra! Flagelo de Deus / Westfront 1918 / 1930, A Tragédia da Mina / Kameradschaft / 1931 e Atlantide / Die Herrin von Atlantis / 1932 de G. W. Pabst, etc. Robert remontou com sucesso para os Nebenzahl vários filmes de aventuras de Harry Piel (apelidado de “o Douglas Fairbanks alemão”) enquanto Kurt, por sua vêz, começou a publicar seus primeiros romances de ficção-científica, um gênero então novo.

Seymour Nebenzahl

Na qualidade de repórter de um jornal, Kurt assiste à filmagem de Metrópolis / Metropolis / 1927, superespetáculo futurista de seis milhões de marcos realizado nos estúdios da UFA de Neubabelsberg por Fritz Lang. Kurt e sua esposa Henrietta apareciam nesta grande produção como figurantes, participando da cena em que Brigitte Helm – o robô maléfico – é queimado pela massa de operários enfurecidos. Robert também aproveitava todas as chances de se infiltrar no palco de filmagem, para observar o trabalho do grande mestre. Em 1927, ele atua como assistente de direção, primeiramente do cineasta dinamarquês Alfred Lind, em um filme da Nero intitulado Tragödie Im Zirkus Royal e depois, de Kurt Bernhardt, em um melodrama que se desenrola no ambiente da Legião Estrangeira, Das Letzte Fort ou Die Zitadelle Von Tunis.

Em 1929, em uma mesa no terraço do Romanisches Café, um dos centros mais pitorescos da fauna artística berlinense, alguns jovens decidem rodar em conjunto um filme que fugiria dos esquemas comerciais estabelecidos. Os nomes desses rapazes são conhecidos, eles se reencontrarão mais tarde todos em Hollywood: os irmãos Siodmak, Billy Wilder, Edgar G. Ulmer, Fred Zinnemann e Eugen Schüfftan. A eles se junta o crítico e dramaturgo Dr. Moriz Seeler, coordenador do empreendimento, que fundou uma companhia produtora, Filmstudio 29, para a consecução do projeto. A idéia era fazer uma reportagem sobre o domingo dos berlinenses (daí o título Menschen Am Sontag), filmando ao ar livre nos parques e ruas da cidade.

Cena de Menschen Am Sontag

Segundo Hervé Dumont, autor do melhor livro sobre Robert Siodmak (Robert Siodmak, le maître du film noir, L ‘Age D’Homme, 1981), do qual extraí muita informação para a exposição do currículo fílmico do diretor, é difícil estabelecer a parte exata das responsabilidades, pois cada um dos membros da equipe tentou em retrospectiva assumir o crédito pela realização. Para Dumont, a versão mais verossímel é a de que Rochus Gliese (muito conhecido como o diretor de arte de Aurora / Sunrise / 1927) começou a dirigir o filme, pois sua presença tornou-se necessária para dar mais confiança ao financiador Nebenzahl. Robert Siodmak e Edgar G. Ulmer funcionaram como assistentes de câmera de Eugen Schüftan. Billy Wilder participou dando sugestões na elaboração do roteiro com base em uma idéia de Kurt Siodmak. Após uma dezena de dias de filmagem, Gliese e Ulmer abandonaram a produção. Fred Zinnemann, cuja única função era carregar a câmera e cuidar do foco, retirou-se pouco depois. Robert Siodmak e Schüfftan prosseguiram com a filmagem e é indiscutivelmente a eles que deve ser atribuída a responsabilidade maior pela realização de Menschen Am Sontag.

Em fevereiro de 1930, Robert Siodmak foi contratado primeiramente para o departamento de dramaturgia da UFA e depois obteve autorização para realizar um curta-metragem de 12 minutos. Der Kampf Mit Dem Drachen ou Die Tragödie Des Untermieters (O Combate com o Dragão ou A Tragédia do Sublocatário), farsa surrealista de vanguarda escrita por seu irmão Kurt. A trama era bem simples, mas permitia experimentações formais as mais desenfreadas. Um sublocatário (Felix Bressart) penetra em um corredor sombrio e estreito, cujas paredes são cobertas de avisos: “Proibido”! – “Paragr. 68 – as venezianas devem ficar fechadas para proteger os móveis do sol”, “Paragr. 141 – é estritamente proibido fazer barulho, cantar, roncar, fumar, fazer bagunça ou receber visitas femininas” e assim por diante. Subitamente, o sublocatário explode de raiva, arranca todas as cobertas dos móveis, acende todas as lâmpadas, abre todas as janelas, salta e dança em cima do mobiliário. Quando a locatária enlouquecida (Hedwig Wangel) – “o dragão”- aparece, ele a amarra com sua rede de dormir e, pulando selvagemente, desenrola rolos de papel higiênico pelo seu quarto. A locatária está quase tendo uma síncope. Ele então se arma de um copo gigante de cerveja que pertencera ao falecido esposo do “dragão” e quebra este símbolo da pequena burguesia wilhelmiana em mil pedaços com um martelo. A mulher morre no local. No tribunal, o juiz absolve o sublocatário. Ele protesta: “Mas eu matei alguém!” – “Pouco importa”, lhe responde o magistrado e depois, dirigindo-se maliciosamente para o público, ele acrescenta: “Nós sabemos como é: nós todos já fomos inquilinos”.

Aribert Mog e Brigitte Horney em Abschied

Heinz Human em Der Mann, Der Seinen Mörder Sucht

Anna Sten e Emil Jannings em Tempestade Paixões

Lilian Harvey e Hans Albers em Adorável Sedução

Em seguida, R. Siodmak fez cinco filmes de longa-metragem para a UFA: Abschied (Adeus) / 1930 (descrição amarga de uma velha e deteriorada pensão burguêsa onde várias pessoas medíocres ou mesquinhas se cruzam em uma promiscuidade sufocante, que acaba provocando a separação de um jovem casal (Brigitte Horney / Aribert Mog); Der Mann, Der Seinen Mörder Sucht / (O Homem que procura seu Assassino) / 1930 (comédia macabra na qual um rapaz (Heinz Rühmann), cheio de dívidas, resolve se suicidar. Mas como a simples visão de um revólver o aterroriza, ele contrata um ladrão para matá-lo em troca do que este se beneficiaria de um terço do seguro de vida de sua vítima. Entretanto, nas poucas horas que lhe restam de vida, ele conhece a mulher dos seus sonhos, e não quer mais morrer); Voruntersuchung / 1931 (Instrução Preliminar) / 1931 (drama criminal que gira em torno do assassinato de uma mulher, do qual é acusado um jovem estudante (Gustav Fröhlich), amigo íntimo do filho do juiz de instrução (Albert Basserman) e apaixonado pela filha deste. No curso da investigação, o filho do juiz torna-se o principal suspeito); Tempestade de Paixões / Stürme der Leidenschaft / 1931 (história sombria de ciúme passada no bas-fonds berlinense envolvendo um ladrão brutamontes de bom coração (Emil Jannings) récem-libertado da prisão; uma russa volúvel (Anna Sten) por quem ele está perdidamente apaixonado; e os dois amantes sucessivos dela, um fotógrafo de nús e assassino de aluguel e o jovem – filho de seu melhor amigo morto em uma prisão em massa -, que ele retirou de uma casa de correção; Adorável Sedução / Quick, König Der Clowns / 1932 (comédia baseada no tema da identidade trocada: uma jovem afortunada, ociosa e divorciada (Liliam Harvey), apaixona-se por um palhaço famoso (Hans Albers). Ele também fica gostando dela, mas tenta conquistá-la sem a maquilagem, fazendo-se passar pelo diretor do teatro).

Os três últimos filmes tiveram versões francêsas, respectivamente, Entre Duas Mulheres / Autor d’une Enquête, com Pierre Richard-Willm e Annabella; Tumultos / Tumultes com Charles Boyer e Florelle; e Quick com Lillian Harvey e Jules Berry.

Descontente com a orientação política da UFA e as intromissões de seus produtores no seu trabalho, R. Siodmak transferiu-se para Deutsche Universal-Film A.G. Esta firma, originariamente uma filial da Universal Pictures fundada pelo alemão Carl Laemmle nos Estados Unidos, era então dirigida pelo húngaro Joe Pasternak (diretor de produção) e pelo tcheco Paul Kohner (diretor artístico). Kohner acolheu R. Siodmak de braços abertos, dando-lhe liberdade para filmar o que quisesse. Ele escolheu um romance de Stefan Zweig, Brennendes Geheimnis (Segredo Queimado) / 1933, cujo centro das atenções é um menino de treze anos (Hans Joachim Schaufuss) confrontado com as mentiras, traições e segredos inconfessáveis dos adultos (o pai, (Alfred Abel), a mãe (Hilde Wagener) e um Casanova notório (Willy Forst). O filme estréia somente com o nome dos atores. Um telefonema proveniente do escritório de Goebbels havia intimado a Deustsche Universal a eliminar dos créditos todos os nomes israelitas, sob pena de o filme ser proibido. Uma semana depois, Brennendes Geheimnis, mesmo privado dos seus créditos comprometedores, desaparece de cartaz em todo o Reich, sem outra explicação. Desde então os acontecimentos se precipitam. R. Siodmak, sua companheira Bertha Odenheimer (com quem se casaria e viveriam 40 anos juntos), e K. Siodmak partem para a França. Todos os escritos de Kurt são confiscados pela Gestapo.

Pierre Brasseur e Mireille Ballin em Le Sexe Faible

Albert Préjean e Danielle Darrieux em La Crise est Finie

Siodmak encontra trabalho rapidamente na sucursal francêsa da Nero-Film, que seu primo Seymour Nebenzahl dirige. Para a Nero, R. Siodmak fez: Le Sexe Faible / 1933 comédia na qual uma milionária sul americana divorciada (Jeanne Cheirel) com a ajuda do seu mordomo (Victor Boucher), consegue casar seus filhos ainda solteiros e reconciliar os que já são casados; La Crise est Finie / 1934, comédia musical mostrando como um grupo de artistas itinerantes sem dinheiro, entre eles, o pianista (Albert Préjean) e a dublê da vedette (Danielle Darrieux) conseguem montar uma revista em um teatro abandonado da capital movidos pelo otimismo; Vida Parisiense / La Vie Parisienne / 1935 comédia sobre um brasileiro truculento e bem humorado (Max Dearly) que foi a Paris em 1900 e se relacionou com a estrela do espetáculo. Ele retorna trinta e cinco anos depois, acompanhado de seu filho (Georges Rigaud) e de sua linda neta (Conchita Montenegro), que vem a ser cortejada por todos. O filho muito puritano é contra o casamento de sua filha; mas acaba convertido à vida parisiense. A Vida Parisiense teve versão inglêsa com Neil Hamilton no lugar de Georges Rigaud.

Siodmak dirige La Vie Parisienne

Conchita Montenegro

Entre 1934 e 1936, o nome de R. Siodmak apareceu como supervisor nos créditos de dois filmes, a comédia Le Roi des Champs Elysées / 1934 (com Buster Keaton) e o musical Le Grand Refrain / 1936 (com Fernand Gravey). Entretanto, como revelou Hervé Dumont, baseado em informação de Jean Delannoy, o montador do filme, Le Roi des Champs Elysées, produzido por Nebenzahl nos estúdios de St. Maurice, foi realizado conjuntamente por Siodmak e Max Nossek. Nossek filmava de dia e R. Siodmak à noite; já em Le Grand Refrain, produzido pela Métropa-Film, R. Siodmak realmente supervisionou o trabalho do diretor estreante Yves Mirande, conhecido autor de peças de vaudeville.

Edwige Feuillère e Fernand Gravey em Mister Flow

Em 1936, R. Siodmak dirigiu, para o produtor grego Nicolas Vondas, Mister Flow ou Les Amants Traqués, adaptação de um romance de Gaston Leroux em cuja trama um advogado ingênuo (Fernand Gravey), torna-se cúmplice do temível ladrão Mister Flow (Louis Jouvet), “o homem das mil caras”, graças a uma chantagem depois de cair nas malhas da sua perturbadora assistente (Edwige Feuillère) que, ao final, se apaixona por ele.

Voltando a prestar serviço à Nero-Film, R. Siodmak filma Le Chemin de Rio ou Cargaison Blanche / 1936, drama ilustrando uma reportagem sobre o tráfico de brancas com Käthe von Nagy no papel de uma jornalista que se emprega como dançarina em uma boate e ali encontra um colega do jornal concorrente (Jean-Pierre Aumont). Os dois vivem momentos perigosos a bordo de um transatlântico em rota para o Rio de Janeiro, depois que sua identidade é descoberta pelos bandidos, os quais eles pretendem que sejam presos. Em todos esses anos, a Nero-Film na verdade aproveitou-se da situação precária de emigrado de R. Siodmak, para lhe impor assuntos de filmes, e lhe pagar apenas uma parte de seu salário.

Após Le Chemin de Rio, o cineasta rompe com seu primo Nebenzahl e investe suas economias na aquisição dos direitos de um livro de Oscar-Paul Gilbert, que combinava os atrativos de um romance de aventuras com uma pintura de caracteres particularmente corrosiva. O enredo de Ódio / Mollenard / 1937 tinha como personagem principal o capitão de longo curso e traficante de armas (Harry Baur), que volta ao lar depois que uma vingança destruiu seu navio. Doente e paralítico, sofre a crueldade fria de sua esposa (Gabrielle Dorziat), sem poder reagir. Arrancado subrepticiamente de sua casa pelos seus homens, ele morre como havia sonhado, em pleno mar. Apoiado por um produtor corajoso e inteligente, Edouard Corniglion-Molinier e pela distribuidora Pathé Consortium Cinéma, R. Siodmak realizou um dos melhores filmes que fez na França. Os outros foram La Crise est Finie e Pièges.

Marie Déa e Maurice Chevalier em Ciladas

Pièges / 1939 foi exibido no Brasil com o título em português de Ciladas. Neste filme, a polícia investiga o desaparecimento de onze dançarinas, após responderem a pequenos anúncios de jornais em forma de poema. A amiga (Marie Déa) de uma delas, colabora com a polícia. Ela começa a responder sistematicamente aos anúncios, e a cada encontro se depara com um tipo estranho como o costureiro louco (Erich von Stroheim) e um mordomo (Jacques Varennes) envolvido com tráfico de mulheres brancas. Um dono de boates e grande sedutor (Maurice Chevalier), torna-se um dos suspeitos, mas a jovem descobre que o verdadeiro assassino é o sócio (Pierre Renoir) deste último, um maníaco sexual com uma idéia fixa. A apresentação do título nos créditos dá o tom: uma sombra ameaçadora aproxima-se de uma caixa do correio e aparece, em primeiro plano, uma carta endereçada à polícia, contendo um poema curto, que termina com as palavras “você pagará pela última dança”. A partir daí, a intriga evolui em um esquema de filme de episódios, levando o público a uma série de pistas falsas. O mais curioso é o epísódio no qual a jovem “detetive” se apresenta como manequim ao ex-grande costureiro, cuja demência, de início inofensiva – ele mostra sua coleção de moda diante de uma sala vazia e fala com as cadeiras com uma voz sussurrante -, torna-se subitamente furiosa: ele põe fogo no ateliê e tenta arrastar a moça para a morte.

Pierre Renoir e Marie Déa em Ciladas

Siodmak dirige Erich von Stroheim em Ciladas

Antes de partir para os Estados Unidos, R. Siodmak ajudou a terminar Ultimatum / Ultimatum / 1938 (com Erich von Stroheim e Dita Parlo), depois que Robert Wiene teve que se afastar da filmagem por motivo de uma doença grave e supervisionou o trabalho do diretor novato, Géo Kelber em Les Frères Corses / 1938 (com Pierre Brasseur e Jean Aquistapace), mas exigindo que seu nome não constasse dos créditos, porque não gostou das tolices do argumento, que não era compatível com o romance homônimo de Alexandre Dumas. Em 31 de agosto de 1939, o casal Siodmak embarca a bordo do navio francês “Champlain”, rumo à América, onde Kurt e Henrietta já se encontravam desde 1937. No dia seguinte, estoura a Segunda Guerra Mundial; a travessia se faz de luzes apagadas por causa dos submarinos.

Para Hollywood, R. Siodmak é um desconhecido. Seus filmes só haviam sido exibidos em cinemas de arte de Nova York. Seu agente, Paul Kohner, velho conhecido de Berlim, tenta em vão lhe arranjar trabalho. Kurt, que conseguira prestar algum serviço para a Paramount, pede ao chefe do estúdio, William Le Baron, que contrate seu irmão Robert para dirigir Aloma of the South Seas, cujo roteiro ele acabara de redigir. Le Baron oferece a R. Siodmak um contrato de dois anos, porém sai do estúdio pouco depois, e R. Siodmak passa seis mêses recebendo seu cheque de pagamento sem trabalhar. O filme seria realizado por Alfred Santell e lançado em dezembro de 1941, tendo sido exibido no Brasil com o título de Aloma, a Virgem Prometida.

Finalmente, por intermédio de seu agente, R. Siodmak fica conhecendo Preston Sturges e este, pelo telefone, fala com Sol C. Siegel, produtor da Republic contratado temporariamente pela Paramount como supervisor de westerns “B” e filmes para complemento de programa. Imediatamente, Siegel atende o pedido do amigo e assim surgiram os primeiros filmes americanos do diretor alemão emigrado: O Segredo da Enfermeira / West Point Widow / 1941 e O Segredo do Professor / Fly by Night / 1941.

No primeiro filme, uma enfermeira (Anne Shirley) mantém em segredo sua filha ainda bebê, porque fôra casada com um craque do futebol do Exército e depois anulara o casamento, a fim de que ele pudesse prosseguir sua carreira na Academia Militar de West Point, que não aceitava cadetes casados. O rapaz lhe prometeu que se casaria de novo com ela depois que se formasse, porém, sem saber da existência da filha, fica noivo de outra. Ao descobrir seu segrêdo, um dos médicos do hospital (Richard Carlson) consola a mãe solteira, oferece-se para assumir a paternidade da criança, e lhe propõe casamento.

Richard Carlson e Anne Shirley em O Segredo do Professor

No segundo filme, um jovem médico (também interpretado por Richard Carlson) é forçado a dar carona para um fugitivo de um sanatório, que tenta desesperadamente convencê-lo de que é o assistente do inventor de uma arma denominada G-32. Ele diz que foi sequestrado por espiões alemães que estão atrás da invenção. O médico o leva para o seu quarto de hotel e, quando vai atender a um telefonema, o homem é assassinado com sua faca cirúrgica. A partir daí, é o médico que se torna um fugitivo, sendo perseguido pela polícia e pelos espiões ao mesmo tempo. Na sua fuga, ele leva uma desenhista (Nancy Kelly) com refém e, é claro, eles se apaixonam. Não conheço o primeiro filme mas pude ver o segundo e achei que é um espetáculo rápido, divertido do começo ao fim, com situações rocambolescas que lembram os filmes de perseguição hitchcockianos como, principalmente, Os 39 Degraus / The 39 Steps / 1935.

Em 1942, Sol Siegel “emprestou” R. Siodmak para a 20thCentury-Fox, onde ele realizou, sem entusiasmo (como disse Hervé Dumont), The Night Before the Divorce, comédia sobre desventuras sentimentais de um casal (Lynn Bari, Joseph Allen Jr.) que decidiu se separar. Depois da separação, ela sai com um chefe de orquestra (Nils Ashter) e ele com uma loura (Mary Beth Hughes), que conhecera jogando golfe. Um policial (Truman Bradley), amigo de ambos, não se conforma com o divórcio deles. Quando o músico aparece morto, o policial acusa seu amigo do crime, mas tudo não passa de um esquema para reunir o casal novamente.

De volta à Paramount, R. Siodmak fez Meu Filho Não se Vende / My Heart Belongs to Daddy, comédia romântica permanentemente agradável que se inicia quando um chofer de taxi (Cecil Kellaway) que conduz uma jovem grávida (Martha O’Driscoll) é obrigado a parar seu carro por causa da neve na estrada. Eles se refugiam na residência de um astrofísico de renome e viúvo (Richard Carlson). A moça entra em trabalho de parto e o motorista ajuda-a a dar à luz. Estupefacto, o cientista se embebeda e depois tem que explicar o acontecimento para sua mãe (Florence Bates) e para as cunhadas (Velma Berg, Frances Gifford), que vivem com ele, como a parturiente e o bebê entraram no quarto delas. No dia seguinte o chofer é procurado na sede da companhia de taxi pelos parentes da moça, um casal de granfinos que pretende obter a custória de seu neto, pois a jovem era viúva do filho deles. Várias complicações ocorrem quando o cientista contrata o chofer como mordomo e começa a namorar a moça.

O filme derradeiro de R. Siodmak para Sol Siegel, desta vez nos estúdios da Republic, Doce Lembrança / Someone to Remember / 1943, era um drama humano e emocionante sobre uma senhora de idade(Mabel Page), viúva, cujo filho desaparecera anos atrás, que se recusa a deixar o apartamento em que vive em um hotel residencial, quando o imóvel é comprado por uma universidade, para ser transformado em dormitório de alunos. Ao contrário de outros inquilinos, o apartamento onde mora é de sua propriedade, e não quer sair de lá, porque está convencida de que seu filho, que fugira de casa por causa de uma briga com o pai já falecido, há de voltar um dia. A velha senhora continua a viver no prédio depois que ele se torna dormitório da universidade e eventualmente se afeiçoa por um jovem estudante (John Craven), que ela acredita que seja seu neto. Quando fica sabendo que o pai do rapaz virá visitá-lo, a idosa se prepara para se reunir com o homem que está convencida de que é seu filho há tanto tempo perdido. Ela morre antes do encontro e depois ficamos sabendo que o filho morrera muitos anos atrás em uma briga. 0 falecido marido dela sabia da verdade mas, para poupar a esposa, deixou que ela tivesse a esperança de que o filho retornaria algum dia.

O contrato com a Paramount expirou no outono de 1940 e na esperança de encontrar um trabalho mais interessante, R. Siodmak procurou o produtor Henry Blanke da Warner Bros., trazendo consigo uma história policial, “The Pentacle”, que ele esboçara com a ajuda de um dramaturgo berlinense, Alfred Neumann, autor da peça “The Patriot”, que deu origem ao filme perdido de Ernst Lubitsch. Interessado, Blanke submeteu o manuscrito ao seu departamento de roteiro. O parecer foi favorável, mas Harry Warner se opôs categoricamente à contratação de R. Siodmak. Apos muita negociação, o cineasta, decepcionado, cedeu sua história por 35 mil dólares e o filme, finalmente intitulado Conflitos d’Alma / Conflict / 1945 foi confiado a Kurt Bernhardt (agora Curtis Bernhardt), do qual R. Siodmak havia sido assistente em 1929.

Foto para divulgação de O Filho de Dracula

Graças à influência de K. Siodmak, adquirida na Universal após sua colaboração em uma série de filmes de horror de sucesso, R. Siodmak, assinou um contrato de sete anos com o referido estúdio. Sua primeira tarefa foi filmar O Filho de Drácula / Son of Dracula / 1943, baseado em uma história de Kurt, situada no Sul dos Estados Unidos, nas plantações pitorescas da Lousiana, onde o Conde Alucard (Lon Chaney Jr.) chega convidado para uma recepção organizada na propriedade de Dark Oakes, pela jovem (Louise Allbritton), que ele, conhecera em Budapeste. Embora não tivesse afinidade com o gênero como seu irmão, R. Siodmak fez o melhor que pôde, criando uma atmosfera de horror gótico e um efeito de transição para vampiro muito especial com o auxílio de um especialista na trucagem, John P. Fulton. Como era praxe tratando-se de um filme B, R. Siodmak só teria no máximo três semanas de filmagem, mas terminou o filme em quinze dias e utilizou apenas 6 mil metros de película dos 20 mil metros habitualmente permitidos, conquistando a confiança de Ford Beebe, conhecido diretor de seriados, então atuando como produtor

Maria Montez em Mulher Satânica

Todavia, o segundo filme para o qual foi designado, não modificou sua situação profissional, a não ser a oportunidade de fazer seu primeiro filme em cores, Mulher Satânica / Cobra Woman / 1943, aventura tropical desenrolada em um arquipélago imaginário do Oceano Índico, estrelada pelo trio Maria Montez, Jon Hall e Sabu. Com sua eficiência habitual, o diretor conduziu a ação em um rítmo rápido, construindo sequências empolgantes, entre elas, aquela em que a sacerdotiza cruel e sanguinária designa as próximas vítimas do vulcão. O filme obteve sucesso como entretenimento e rendeu um bom lucro para a Universal.

Apesar de ter tido um aumento de salário, R. Siodmak se desesperava por não ter tido ainda oportunidade de abordar os temas que lhe interessavam até que sua boa fada apareceu sob os traços da produtora Joan Harrison. Graças a ela, o cineasta pôde realizar seu primeiro filme noir.

PRODUÇÕES ANGLO-AMERICANAS NOS ANOS 50

January 20, 2017

Um grande problema para a indústria de cinema britânica desde os seus primórdios foi o tamanho da dominação de Hollywood sobre suas telas.
É claro que esse problema não era unicamente britânico, porém lá foi muito exacerbado pelo fato de que a Inglaterra e a América do Norte compartilhavam um mesmo idioma dispensando a necessidade de se fazer dublagens custosas ou subtitulagem dos filmes americanos.

Em 1926, os filmes programados nos cinemas britânicos eram quase que exclusivamente americanos. No mesmo ano, 37 filmes inglêses competiam com mais de 500 filmes americanos importados, que eram alugados por pacote e no escuro.

Em janeiro de 1927, o Govêrno Britânico encaminhou ao Parlamento um projeto de lei, o Cinematograph Films Act (que se tornou lei em dezembro), obrigando os distribuidores a alugar e os exibidores a exibir um mínimo ou percentagens de filmes britânicos: uma cota de 7,5% para os distribuidores e de 5% para os exibidores. Em 1936, ambas as cotas foram elevadas para 20%. O Cinematograph Films Act de 1948 extinguiu a cota devida pelos distribuidores por fôrça do General Agreement on Tariffs and Trade (GATT), que só admitiu cotas para os exibidores. A cota destes foi aumentada para 45%, sendo depois reduzida para 30% em 1950, permanecendo neste nível até ser abolida em 1983.

Entretanto, nada impedia que as companhias de cinema americanas formassem suas próprias unidades de produção de filmes baratos e feitos às pressas na Inglaterra, para cumprir suas cotas. Com a finalidade de pôr fim ao abuso desses chamados quota quickies, o Govêrno Britânico decidiu que somente filmes de alta qualidade poderiam preencher as cotas, mas como não disse precisamente que tipo de qualidade, ela teve que ser estabelecida em termos de custo, ou seja, os filmes deveriam ter um custo mínimo de 7.500 libras, com escassa consideração a respeito de seu conteúdo.

Antes da Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra estava pagando à América uma média de 7 milhões de libras (28 milhões de dólares) anualmente por aluguel de filmes e não havia restrições quanto ao montante que os distribuidores americanos poderiam remeter para o seu país. Porém a necessidade de salvaguardar sua balança de pagamentos, quando irrompeu o conflito mundial, obrigou o Govêrno Britânico a impor limites. Em 1940, as remessas de lucros para os Estados Unidos foram reduzidas para 4.8 milhões de libras e, em 1941, para 5.7 milhões de libras. Em 1947, ocorreu nova crise na balança de pagamentos e, entre outras medidas para solucioná-la, o Govêrno impôs uma taxa alfandegária de 75% sobre os filmes importados.

A indústria de cinema americana irritou-se e suspendeu a exportação de seus filmes para a Inglaterra. Contudo, em março do ano seguinte, foi assinado um acordo cinematográfico anglo-americano, revogando a taxa e permitindo que as companhias de cinema americanas remetessem anualmente 17 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de libras) de seus rendimentos. Os lucros não transferíveis, ficariam bloqueados, mas poderiam ser reinvestidos na indústria cinematográfica britânica.

Após o desmantelamento do sistema de estúdio nos Estados Unidos com a decretação do “divórcio” entre produção-distribuição e exibição e a competição crescente da televisão, a “runaway production” se espalhou pela França, Espanha, Itália bem como pela lnglaterra, onde as companhias americanas foram incentivadas por dois fatôres: os custos baixos nesses países e o subsídio para a produção de filmes britânicos instituído pelo Eady Levy, um imposto que começou a ser recolhido em 9 de setembro de 1950, e foi depois incorporado ao Cinematograph Films Act de 1957.

Sir Wilfred Eady

O imposto recebeu o apelido de Eady, nome do Segundo Secretário do Tesouro, Wilfred Eady, que delineou o esquema juntamente com o presidente da Câmara de Comércio, Harold Wilson, e consistia no seguinte: em troca de uma redução na taxa de entretenimento (Entertainment Duty), os exibidores concordaram em pagar um imposto sobre o preço de cada ingresso de cinema: este imposto era depositado no British Film Production Fund e subsequentemente partilhado entre os produtores de filmes britânicos na proporção de suas receitas de bilheteria.

Para encorajar o investimento dentro do país, a Câmara de Comércio definiu o que era um filme britânico. Ele tinha que ser produzido por uma companhia britânica, filmado em um estúdio situado na Comunidade Britânica de Nações (British Commonwealth) ou na República da Irlanda, e tinha que pagar 75% dos custos trabalhistas do filme, excluindo a remuneração de uma pessoa, ou 80%, excluindo as remuneracões de duas pessoas, uma das quais tinha que ser um ator ou uma atriz. Isto permitiu que uma companhia de Hollywood fizessse um filme internacional na Inglaterra, com produtor, diretor, e até dois de seus astros americanos. e ainda assim ser classificado como britânico para propósito de cotas. A mesma definição de filme britânico foi usada quando o British Film Fund foi instituído em 1950.

Em contraste com os dias dos quota quickies nos anos trinta, a tendência predominante nos anos cinquenta era fazer filmes de orçamento alto, que agradassem tanto o público americano quanto o britânico.

Assim, a Warner pôde produzir através de sua subsidiária britânica Warner Bros. – First National Ltd.: Pavor nos Bastidores / Stage Fright / 1950, direção de Alfred Hitchcock com Jane Wyman, Marlene Dietrich e Richard Todd nos papéis principais; Falcão dos Mares / Captain Horatio Hornblower R.N. / 1951, direção de Raoul Walsh com Gregory Peck, Virginia Mayo e Robert Beatty; A Tia de Carlitos / Where’s Charley / 1952, direção de David Butler com Ray Bolger, Allyn Ann McLerie e Robert Shackleton; O Pirata Sangrento / The Crimson Pirate / 1952, direção de Robert Siodmak com Burt Lancaster, Nick Cravat e Eva Bartok; Sua Majestade, o Aventureiro / His Majesty O’Keefe / 1954, direção de Byron Haskin com Burt Lancaster , Joan Rice e André Morell; Minha Espada, Minha Lei / The Master of Ballantree / 1953, direção de William Keighley com Errol Flynn, Roger Livesey, Beatrice Campbell e Anthony Steel.

Elizabeth Taylor e Robert Taylor em Traidor

Na MGM-British a responsabilidade principal de recriar o estilo visual suntuoso da companhia ficou a cargo de técnicos renomados como o diretor de fotografia Freddie Young, o diretor de arte Alfred Junge e a figurinista Elizabeth Haffenden, surgindo os filmes, rodados no seu estúdio em Elstree: Traidor / Conspirator / 1949, direção de Victor Saville com Robert Taylor, Elizabeth Taylor e Robert FlemIng; Romance de uma Esposa / The Miniver Story / 1950 (continuação de Rosa da Esperança / Mrs. Miniver / 1942), direção de H.C. Potter com Greer Garson, Walter Pidgeon e Leo Genn; Londres à Meia-Noite / Calling Bulldog Drummond / 1951, direção de Victor Saville com Walter Pidgeon, Margaret Leighton e David Tomlinson; Caminhos da Noite / The Hour of 13 / 1952, direção de Harold French com Peter Lawford, Dawn Addams e Roland Culver; Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go / 1953, direção de Delmer Daves com Clark Gable, Gene Tierney e Bernard Miles; a trilogia de grandes espetáculos de aventura histórica, dirigidos por Richard Thorpe e protagonizados por Robert Taylor: Ivanhoe, o Vingador do Rei / Ivanhoe / 1953 (com Elizabeth Taylor, Joan Fontaine, George Sanders); Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table / 1954 com Taylor, Ava Gardner e Mel Ferrer e A Coroa e a Espada / Quentin Durward / 1955 com Taylor, Kay Kendall e Robert Morley; O Belo Brummel / Beau Brummel / 1954, direção de Curtis Bernhardt com Stewart Granger, Elizabeth Taylor, Peter Ustinov e Robert Morley; A Encruzilhada dos Destinos / Bhowani Junction /1956, direção de George Cukor com Stewart Granger, Ava Gardner e Bill Travers; Convite à Dança / Invitation to the Dance / 1956, direção de Gene Kelly; O Céu em teu Amor / Barretts of Wimpole Street / 1957, direção de Sidney Franklin com Jennifer Jones, John Gieguld e Bill Travers.

Glynis Johns, James Robertson Justice e Richard Todd em Entre a Espada e a Rosa

A RKO co-financiou e distribuiu os filmes britânicos da Walt Disney Productions e da Coronado Films. A primeira produção britânica da Walt Disney foi A Ilha do Tesouro / Treasure Island / 1950, filme de aventura em Technicolor, produzido por Perce Pearce, direção de Byron Haskin com Bobby Driscoll, Robert Newton e Basyl Sydney; Disney fez mais três filmes de aventura de época em Technicolor, todos produzidos por Pearce e estrelados por Richard Todd: Robin Hood, o Justiceiro / The Story of Robin Hood and His Merrie Men / 1952, direção de Ken Annakin com Todd, Joan Rice e Peter Finch, Entre a Espada e a Rosa / The Sword and the Rose / 1953, direção de Ken Annakin com Todd, Glynis Johns e James Robertson Justice e O Grande Rebelde / Rob Roy the Highland Rogue / 1953, direção de Harold French também com Todd, Glynis Johns e James Robertson Justice.

A Coronado Films, pequena empresa sob a liderança do americano David E. Rose, fez dois filmes para a RKO (Circle of Danger / 1952, direção de Jacques Tourneur com Ray Milland, Peggy Cummings, Marius Goring e Patricia Roc e Ilha do Desejo / Saturday Island ou Island of Desire / 1952, direção de Stuart Heisler com Linda Darnell, Tab Hunter e Donald Gray), mas também trabalhou com a Columbia, a MGM e a Warner Bros.

Van Johnson e Deborah Kerr em Pelo Amor de Meu Amor

Para a Columbia, a Coronado fez dois filmes: Pelo Amor de Meu Amor / The End of the Affair / 1955, direção de Edward Dmytryk com Deborah Kerr, Van Johnson e John Mills; Pecadoras de Porto África / Port Afrique / 1956, direção de Rudolph Mate com Pier Angeli, Philip Carey e Dennis Price. Para a MGM: O Arrombador de Cofres / The Safecracker / 1958, direção de Ray Milland com Milland, Barry Jones e Victor Maddern e A Casa dos Sete Gaviões / The House of the Seven Hawks / 1959, direção de Richard Thorpe com Robert Taylor, Nicole Maurey e Linda Christian. Para a Warner Bros.: Testemunha de Vista / Your Eye Witness / 1950 (reintitulado Eye Witness nos EUA), direção de Robert Montgomery com Montgomery, Leslie Banks e Felix Aylmer.

Richard Widmark em Sombras do Mal

O primeiro filme britânico da Twentieth Century-Fox, Sombras do Mal / Night and the City / 1950, direção de Jules Dassin com Richard Widmark, Gene Tierney e Googie Withers, foi lançado em duas versões diferentes. A versão inglêsa tinha 101 minutos e uma partitura musical de Benjamin Frankel enquanto que a versão americana era seis minutos mais curta e contava com um score de Franz Waxman. Seguiram-se: A Rosa Negra / The Black Rose / 1950, direção de Henry Hathaway com Tyrone Power, Jack Hawkins, Cecile Aubry e Orson Welles; O Garoto e a Rainha / The Mudlark / 1950, direção de Jean Negulesco com Irene Dunne, Alec Guiness e Andrew Ray; Na Estrada do Céu / No Highway (reintitulado No Highway in the Sky nos EUA) / 1951, direção de Henry Koster com James Stewart, Marlene Dietrich, Jack Hawkins e Glynis Johns; Jamais te Esquecerei / The House in the Square (reintitulado I’ll Never Forget You nos EUA) / 1951 , direção de Roy Baker com Tyrone Power, Ann Blyth e Dennis Price; Marinheiro do Rei / Single Handed (reintitulado Sailor of the King nos EUA) / 1953, direção de Roy Boulting com Jeffrey Hunter, Michael Rennie e Wendy Hiller; O Profundo Mar Azul / The Deep Blue Sea / 1955, direção de Anatole Litvak com Vivien Leigh, Kenneth More e Emlyn Williams; O Homem Que Nunca Existiu / The Man Who Never Was / 1956, direção de Ronald Neame com Clifton Webb, Gloria Grahame e Stephen Boyd; Jogos da Vida / Smiley / 1956, direção de Anthony Kimmins com Colin Petersen, Ralph Richardson, Bruce Archer; A Ilha dos Trópicos / Island in the Sun / 1957, direção de Robert Rossen com James Mason, Dorothy Dandridge, Joan Collins, Michael Rennie e Harry Belafonte; O Céu por Testemunha / Heaven Knows Mr. Allison / 1957, direção de John Huston com Robert Mitchum e Deborah Kerr; A Intocável / Seawife / 1957, direção de Bob McNaught com Joan Collins, Richard Burton e Basil Sydney.

Clifton Webb em O Homem Que Nunca Existiu

Ann Blyth e Tyrone Power em Jamais te Esquecerei

A reintitulação explica-se porque, embora muitos filmes fossem promovidos como filmes britânicos no Reino Unido, eles eram anunciados como americanos quando exibidos além-mar.

A Columbia levou algum tempo para avaliar os benefícios de produzir filmes na Inglaterra. Por volta de 1953, ela havia financiado e distribuído apenas dois filmes de orçamento baixo ambos produzidos e dirigidos por Mario Zampi: Shadow of the Past / 1950 com Joyce Howard e Terence Morgan e Michael Medwin e Come Dance with Me / 1950 com Max Well, Gordon Humphris e Yvonne Marsh. Porém, nesse mesmo ano, a companhia firmou uma relação de longo termo com Irving Allen e Albert R. Broccoli e sua empresa, Warwick Films.

Quando Allen e Broccolli abordaram Alan Ladd para estrelar o seu primeiro filme, a mulher dele, Sue Carol, insistiu em um contrato de três filmes: Sinal Vermelho / The Red Beret /1953 (reintitulado Paratrooper nos EUA), direção de Terence Young com Ladd, Leo Genn e Susan Stephen; O Espadachim Negro / The Black Knight / 1954, direção de Mark Robson com Ladd, Patricia Medina e Peter Cushing; Inferno Branco / Hell Below Zero, direção de Tay Garnett com Ladd, Joan Tetzel e Basil Sydney) para seu marido, mais 200 mil dólares e 10 % sobre os lucros por filme. Determinada a preservar a imagem de uma vida limpa de Ladd perante os Escoteiros da América, Sue insistiu para que ele não fosse mostrado roubando um cavalo em O Espadachim Negro, muito embora o filme transcorresse na Inglaterra do século XV. O quarto e o quinto filme de Allen e Broccoli para a Columbia foram Ouro Maldito / A Prize of Gold / 1954, direção de Mark Robson om Richard Widmark, Mai Zetterling e Nigel Patrick e Os Sobreviventes / The Cockleshell Heroes / 1955, direção de José Ferrer com Ferrer, Trevor Howard e Victor Maddern.

Em fevereiro de 1956, a Warwick negociou um novo contrato com a Columbia, surgindo: Odongo / Odongo / 1956, direção de John Gilling com Rhonda Fleming, MacDonald Carey e Juma; A Morte Espreita na Floresta / Safari / 1956, direção Terence Young com Victor Mature, Janet Leigh e John Justin; Zarak / Zarak / 1957, direção de Terence Young com Victor Mature, Anita Ekberg e Michael Wilding; Perseguição sem Tréguas / Interpol (reintitulado Pickup Alley nos EUA) / 1957, direção de John Gilling com Victor Mature, Anita Ekberg, Trevor Howard; Lábios de Fogo / Fire Down Below / 1957, direção de Robert Parrish com Rita Hayworth, Robert Mitchum e Jack Lemmon; Audácia a Jato / High Flight / 1957, direção de John Gilling com Ray Milland, Anthony Newley e Kenneth Haigh; Sem Tempo para Morrer / No Time to Die (reintitulado Tank Force nos EUA) / 1958, direção de Terence Young com Victor Mature, Leo Genn e Anthony Newley; Conflito Íntimo / The Man Inside / 1958, direção de John Gilling com Jack Palance, Anita Ekberg e Nigel Patrick.

Robert Taylor em A Morte Vem do Kilimanjaro

Em outubro de 1958, Allen e Broccoli tentaram se tornar produtores independentes, comprando a Eros Films. Porém depois, cada um seguiu caminhos separados: Allen ficou com a Warwick e Broccoli juntou-se a Harry Saltzman, para formar a Eon Films que produziria os filmes de James Bond. A Warwick recorreu a outros produtores para realizar filmes feitos às pressas para a Columbia tais como Idol on Parade / 1959, direção de John Gilling com William Bendix, Anthony Newley e Anne Aubrey; Bandido Sanguinário / The Bandit of Zhobe / 1959, direção de John Gilling com Victor Mature, Anthony Newley e Anne Aubrey; A Morte Vem do Kilimanjaro / Killers of Kilimanjaro / 1959, direção de Richard Thorpe com Robert Taylor, Anthony Newley e Anne Aubrey.

A Columbia financiou ainda outras companhias produtoras durante os anos cinquenta, porém nenhuma tão extensivamente como a Warwick. Em 1954, ajudou a Facet Productions a produzir Aventuras do Padre Brown / Father Brown (reintitulado The Detective nos EUA), direção de Robert Hamer com Alec Guiness, Joan Greenwood e Peter Finch e Prisioneiro do Remorso / The Prisoner, direção de Peter Glenville com Alec Guiness, Jack Hawkins e Wilfred Lawson. Em 1955-57, auxiliou a Film Locations de Mike Frankovich na produção de: A Cruz do Meu Destino / Footsteps in the Fog / 1955, direção Arthur Lubin com Stewart Granger, Jean Simmons e Bill Travers; Joe Macbeth / Joe Macbeth / 1955, direção de Ken Hughes com Paul Douglas, Ruth Roman e Bonar Colleano; Soho Incident (reintitulado Spin a Dark Web nos EUA) / 1956, direção de Vernon Sewell com Faith Domergue, Lee Patterson e Rona Anderson; Lodo na Alma / Wicked As They Come / 1956, direção de Ken Hughes com Arlene Dahl, Philip Carey e Herbert Marshall; Cidade Amedrontada / Town on Trail / 1957, direção de John Guilhermin com John Mills, Charles Coburn e Barbara Bates; The Long Haul / 1957, direção de Ken Hughes com Victor Mature, Diana Dors e Patrick Allen.

Laurence Olivier e Marilyn Monroe em O Príncipe Encantado

No início de 1957, a RKO já havia cessado de colaborar no financiamento e distribuir os filmes da Disney e da Coronado. A Warner Bros. também diminuiu seu investimento em filmes britânicos, limitando-se a apoiar quatro filmes: O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl / 1957, direção Laurence Olivier com Olivier, Marilyn Monroe e Jeremy Spencer; Odeio Esta Mulher / Look Back in Anger / 1959, direção Tony Richardson com Richard Burton, Claire Bloom e Mary Ure; e dois filmes da Hammer, A Maldição de Frankenstein / The Curse of Frankenstein / 1957, direção de Terence Young com Peter Cushing, Hazel Court e Christopher Lee; O Abominável Homem da Neve / The Abominable Snowman / 1957, direção de Val Guest com Forrest Tucker, Peter Cushing e Maureen Connell.

Richard Burton e Mary Ure em Odeio Esta Mulher

Os útimos filmes co-patrocinados pela Twentieth Century-Fox foram: O Traquina / Smiley Gets a Gun / 1958, direção de Anthony Kimmins com Keith Calvert, Sybil Thorndike, Chips Rafferty e Bruce Archer e A Morada da Sexta Felicidade / Inn of the Sixth Happiness / 1958, direção de Mark Robson com Ingrid Bergman, Robert Donat e Curd Jürgens.

Ruth Roman, Richard Burton e Curd Jurgens em Vitória Amarga

Jean Seberg, Deboraj=h kerr e David Niven em Bom Dia, Tristeza

A Columbia fez ainda: Um Crime por Dia / Gideon’s Day / 1958, direção de John Ford com Jack Hawkins, Anna Lee e John Loder; Amargo Triunfo / Bitter Victory / 1957, direção de Nicholas Ray com Richard Burton, Curd Jürgens e Ruth Roman; Bom Dia, Tristeza / Bonjour Tristesse / 1958, direção de Otto Preminger com Jean Seberg, David Niven e Deborah Kerr; A Ponte do Rio Kwai / The Bridge on the River Kwai / 1957, direção de David Lean com Alec Guiness, Jack Hawkins, William Holden e Sessue Hayakawa. E a MGM: O Julgamento do Capitão Dreyfuss / I Accuse / 1958, direção de José Ferrer com Ferrer, Anton Walbrook e Viveca Lindfors; O Dilema do Médico / The Doctor’s Dilemma / 1959, direção de Anthony Asquith com Dirk Bogarde, Leslie Caron, Alastair Sim e Robert Morley; A Noite é Minha Inimiga / Libel / 1959, direção de Anthony Asquith com Dirk Bogarde, Olivia de Havilland, Paul Massie e Robert Morley.

José Ferrer em O Julgamento do Capitão Dreyfus

No final da década, muitos na indústria cinematográfica achavam que a produção britânica de filmes estava simplesmente se tornando um território dominado pelos grandes estúdios americanos. Em abril de 1959, quando a Câmara dos Lordes reviu a legislação secundária, que regulava os pagamentos do Film Production Fund, o Govêrno apresentou uma emenda que excluia os filmes produzidos nos países da Comunidade Britânica de receber dinheiro do fundo. A emenda limitava os benefícios àquelas companhias nas quais a administração central e o contrôle era exercido na Grã Bretanha. Porém quando Lord Archibald, o presidente da Federation of British Film Makers, dominada pelos americanos, mostrou que esta formulação iria implícitamente pôr em perigo o status das subsidiárias britânicas das majors americanas, o Govêrno lhe assegurou formalmente que “a posição das companhias residentes no Reino Unido que fôssem subsidiárias de companhias americanas ou de outras, não corriam perigo com esta emenda”. Tal garantia foi repetida pela Câmara dos Comuns, antes que o projeto de regulamentação se tornasse lei.

O govêrno conservador não estava evidentemente preparado para precipitar a retirada do capital americano da produção britânica, porque as produções anglo-americanas eram agora a categoria predominante dos filmes britânicos. Se a persuasão financeira era o único meio de continuar a trazer o capital americano para a Grã Bretanha, então que assim fôsse.

LIvros consultados:

British Cinema of the 1950s – The Decline of Deference, de Sue Harper e Vincent Porter (Oxford University Press, 2003).

All Our Yesterdays – 90 Years of British Cinema, ed. por Charles Barr (BFI Publishing, 1986).

The British Film Business de Bill Baillieu e John Goodchild (John Wiley & Sons , Ltd., 2002).

The Film Business – A History of British Cinema 1896-1972 de Ernest Betts (Pitman Publishing Corporation, 1973).

TRIBUTO A JACQUES TOURNEUR

January 6, 2017

Ele se considerava um mero artesão, porém era um artista que, em uma variedade de gêneros – filme de horror psicológico ou sobrenatural, filme noir, western, aventura, drama -, dispondo quase sempre de poucos recursos, construía sempre imagens nas quais se notava a sua sutileza e perfeccionismo, principalmente no que se referia ao uso do som e do silêncio, da luz e da sombra, da fotografia em preto e branco ou colorida, elementos que contribuíam fortemente para a qualidade atmosférica de seus filmes, característica fundamental de sua obra.

Jacques Tourneur

Jacques Tourneur

Jacques Tourneur nasceu em Paris no dia 12 de novembro de 1904, filho do famoso cineasta Maurice Tourneur e de Fernande Petit, atriz vedeta do Théâtre Antoine. Em 1914, aos dez anos de idade, partiu com sua mãe para a América, porém somente em 1918 eles se reuniram ao pai na Califórnia, onde ele estava dirigindo filmes, porque estiveram primeiramente em Nova York, onde Fernande atuou no teatro. Jacques estudou na Hollywood High School e se tornou cidadão americano em 1919.

Atraído para a indústria cinematográfica, apareceu como figurante em Scaramouche / Scaramouche / 1923 de Rex Ingram, e depois acompanhou Maurice ao Tahiti, a fim de lhe prestar serviço como colaborador no roteiro de Thaméa / Never the Twain Shall Meet, continuando nesta função nos vários filmes seguintes de seu progenitor.

Quando Maurice voltou para a Europa depois de um desentendimento com a MGM durante a filmagem de Ilha Misteriosa / The Mysterious Island (somente completado sob a direção de Benjamin Christensen e depois Lucien Hubbarb em 1929), Jacques arrumou emprego naquele estúdio como ator, sendo visto rapidamente em Coleguinha Legal / The Fair Co-ed / 1927 de Sam Wood, Anna Karenina / Love / 1927 de Edmund Goulding, Ouro / The Trail of the ’98 / 1928 de Clarence Brown, entre outros filmes. Jacques serviu também como segundo assistente de Clarence Brown, John M. Stahl e Fred Niblo, atuou no teatro, e trabalhou como lanterninha no Hollywood Bowl.

Jacques Tourneur e sua esposa Christiane Virideau ao lado de Walt Disney

Jacques Tourneur e sua esposa Christiane Virideau ao lado de Walt Disney

A carreira de ator de Jacques não estava levando a lugar nenhum quando, em 1928, seu pai o chamou a Berlim, onde estava dirigindo Das Schiff der verlorenen Menschen. Jacques trabalhou no filme como seu assistente e também aproveitou a oportunidade para aprender o ofício de montador, percebendo que assim poderia alcançar mais facilmente o cargo de diretor. Nesta ocasião, conheceu Marguerite Christiane Virideau, uma atriz. Eles contraíram matrimônio em 1930 e continuaram casados até a morte de Jacques. Marguerite apareceu em alguns filmes francêses, pelo menos em um filme de Hollywood, Os Mandamentos Sociais / Society Smuggler’s / 1939 de Joe May, e dublou a voz de Branca de Neve na versão francêsa do filme de Disney.

Marcel Levesque, Josseline Gäel e Jean Gabin em Tout ça ne vau pas l 'amour

Marcel Levesque, Josseline Gäel e Jean Gabin em Tout ça ne vau pas l ‘amour

Jacques Tourneur foi assistente de direção, montador ou exerceu ambos os ofícios em todos os filmes francêses de seu pai de 1930 a 1934 bem como foi o montador de Rothschild de Marco de Gastyne e o assistente de direção de Jacques Natanson em La Fusée, ambos em 1933. O primeiro filme dirigido por Jacques foi Tout ça ne vaut pas l ‘amour / 1931, seguido por Pour être aimé / 1933, Toto / 1933 e Les Filles de la concierge / 1934.

Cena do curta Master William Shakespeare

Cena do curta Master William Shakespeare

Em 1934, Tourneur sentiu que já possuia experiência suficiente para arriscar um retorno a Hollywood, e assinou um contrato com a MGM onde, até 1939, trabalhou como diretor de segunda unidade nos filmes de longa-metragem Sorte Grande e Nada Mais / The Winning Ticket / 1935, A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities / 1935 e Maria Antonieta / Marie Antoinette / 1938 e como diretor de vários curtas-metragens, alguns exibidos no Brasil: A História do Diamante Jonker / The Jonker Diamond / 1936, William Shakespeare / Master William Shakespeare / 1936, O Patrão Não Disse Bom Dia / The Boss Didn’t Say Good Morning / 1937, Romance do Radium / Romance of Radium / 1937, O Rei sem Trono / The King without a Crown / 1937, O Homem do Galpão / The Man in the Barn / 1937, O Navio que Morreu / The Ship that Died / 1938, Pense Primeiro / Think it Over / 1938, O Espírito do Povo / Yankee Doodle Goes to Town / 1939, O Desconhecido Misterioso / The Incredible Strange / 1942, O Alfabeto Mágico / The Magic Alphabet / 1942.

Rita Johnson e Walter Pidgeon em Nick Carter, Super Detetive

Rita Johnson e Walter Pidgeon em Nick Carter, Super Detetive

Em 1939, ele conseguiu ser promovido para a direção de um longa-metragem, Escravos do Mal /They All Come Out, um filme inicialmente planejado como um exemplar da série de shorts O Crime Não Compensa /Crime Does Not Pay. Após a realização de mais dois filmes B, Nick Carter, Super Detetive / Nick Carter, Master Detective / 1939 e Nick Carter nos Trópicos / Phantom Raiders / 1940, Tourneur ( não se sabe por qual motivo) fez um filme para a Republic, Silêncio de Médico / Doctor’s Don’t Tell / 1941 e finalmente, em 1942, a MGM o deixou completamente livre, quando Val Lewton, com quem ele havia trabalhado na segunda unidade de A Queda da Bastilha, o convidou para dirigir Sangue de Pantera / Cat People, seu primeiro filme como produtor na RKO. Este filme B obteve um sucesso surpreendente aumentando a reputação de Tourneur e de Lewton e eles fizeram mais dois filmes juntos, A Morta-Viva / I Walked With a Zombie / 1943 e O Homem Leopardo / A Morta-Viva / The Leopard Man / 1943, antes que a RKO decidisse promover Tourneur para as produções classe A com Quando a Neve Tornar a Cair / Days of Glory / 1944 Tourneur fez mais quatro filmes para a RKO – Idílio Perigoso / Experiment Perilous / 1944, Fuga ao Passado / Out of the Past / 1947, Expresso para Berlim / Berlin Express e Tormento de uma Glória / Easy Living / 1949 – e foi emprestado para a Universal onde dirigiu Paixão Selvagem / Canyon Passage / 1946.

tourneur-idilio-perigoso

Quando seu contrato com a RKO expirou, Tourneur tornou-se free lancer realizando O Testamento de Deus / Stars in my Crown / 1950 para a MGM, O Gavião e a Flecha / The Flame and the Arrow / 1950 para a Warner Bros., Circle of Danger / 1951 na Inglaterra para a Coronado Productions e A Vingança dos Piratas / Anne of the Indies / 1951 e O Gaúcho / Way of a Gaucho / 1952 para a 20th Century-Fox.

Gene Tierney e Rory Calhoun em O Gaúcho

Gene Tierney e Rory Calhoun em O Gaúcho

Este último filme, uma produção cara e tumultuada, foi um fracasso commercial e marcou uma mudança na carreira de Tourneur: ele prosseguiu realizando filmes de orçamento modesto, a maioria para produtores independentes. Começando com Almas Selvagens / Appointment in Honduras / 1953 (Prod: Benedict Bogeaus), prosseguiu com O Cavaleiro Misterioso / Stranger on Horseback / 1955 (Prod: Robert Goldstein), Choque de Ódios / Wichita / 1955 (Prod: Walter Mirisch), Pelo Sangue de Nossos Irmãos / Great Day in the Morning / 1956 (Prod: Edmund Grainger), A Maleta Fatídica / Nightfall / 1957 (Prod: Ted Richmond).

tourneur-c0medy-of-terros-best

Além de dirigir com frequência para a televisão a partir de 1954 até 1966, Tourneur filmou na Inglaterra, A Noite do Demônio / Night of the DemonCurse of the Demon nos EUA / 1956 (Prod: Frank Bevis) e encerrou seu trabalho na década de cinquenta com Fabricantes do Mêdo / The Fearmakers / 1958 (Prod: Martin H. Lancer), Timbuktu / Timbuktu / 1959 (Prod: Edward Small) e A Batalha de Maratona / La Battaglia di Maratona The Giant of Marathon nos EUA / 1959 (Prod: Bruno Vailati), filmado na Itália. Em 1963, Tourneur assinou contrato com a American-International Pictures, para a qual fez Farsa Trágica / The Comedy of Terrors / 1963 e Monstros da Cidade Submarina / War-Gods of the Deep / 1965, seu derradeiro filme. Ele faleceu em Dordogne, França no dia 19 de dezembro de 1977.

Neste artigo presto uma homenagem a Jacques Tourneur, relembrando alguns de seus melhores filmes.

tourneur-cat-people-poster

SANGUE DE PANTERA / CAT PEOPLE.

Irena Dubrovna (Simone Simon), uma garota da Sérvia, desenhista de moda, vive na cidade de Nova York, obcecada pela idéia de que é descendente de uma antiga raça de mulheres felinas, as quais, quando excitadas, transformam-se em panteras. Por isso, tem medo de consumar seu casamento com Oliver Reed (Kent Smith), arquiteto de uma firma de construção naval. Ele persuade a esposa a consultar o Dr. Judd (Tom Conway), um psiquiatra; mas este não consegue melhorar o estado de Irena. Olivier então se consola, contando seus problemas para Alice (Jane Randolph), uma colega de escritório. Subsequentemente, Alice é ameaçada duas vêzes por uma fera desconhecida. Oliver ameaça deixar Irena e, na mesma noite, ele e Alice são atacados. O Dr. Judd visita Irena e tenta conquistá-la à força. Ela se transforma em pantera e o mata. Ferida por Judd, Irena more no Jardim Zoológico do Central Park, depois de libertar uma pantera enjaulada.

Filmagem de Sangue de Pantera

Filmagem de Sangue de Pantera

Tourneur tinha uma grande capacidade para criar sequências tenebrosas. Em uma das melhores do filme, Alice entra de noite em uma piscina deserta e quando se prepara para seu exercício de natação, sente a aproximação de algo ameaçador. Sem possibilidade de fuga, atira-se na água. A câmera focaliza Alice só com o rosto à tona em alternância com a sombra das águas turvas nas paredes e a repercussão sonora dos urros de uma pantera.

Pose pa a publicidade: Simone Simon em Sangue de Pantera

Pose pa a publicidade: Simone Simon em Sangue de Pantera

Outra sequência memorável, muito bem fotografada por Nicholas Musuraca, é a caminhada noturna de Alice pelas imediações do Central Park, um percurso que vai se tornando cada vez mais nervoso, quando ela ouve passos seguindo-a. Alice pára diante de um poste de luz e olha para trás nas trevas. O barulho dos passos se interompe; ela não vê nada, mas sente que continua sendo seguida por algo que roça nas folhagens. Assustada, corre até o próximo poste. No momento em que a tensão da platéia está no auge, um ônibus surge bruscamente dentro do quadro e dá uma freada súbita, para alguns passageiros desembarcarem. A inesperada aparição do ônibus, o ruído estridente dos freios, dão um susto tremendo nos espectadores.

Na mesma noite, uma ovelha é encontrada morta no parque e a câmera segue o rastro das patas de um felino afastando-se do corpo do animal morto até que, subitamente, as patas viram marcas de saltos de sapatos de uma mulher.

tourneur-i-walked-with-azombie

A MORTA-VIVA / I WALKED WITH A ZOMBIE. Betsy Connell (Frances Dee), enfermeira canadense, chega a St. Sebastian nas Antilhas, para cuidar de Jessica Holland (Christine Gordon), uma inválida que parece estar sofrendo de paralisia nervosa. Betsy apaixona-se por Paul (Tom Conway), marido de Jessica e é cortejada por Wesley Rand (James Ellison), o meio-irmão de Paul. Acreditando que este continua enamorado da esposa, Betsy, altruisticamente, leva Jessica a uma cerimônia de vodu, na esperança de restituí-la ao marido. Sua intenção falha, mas força Mrs. Rand (Edith Barrett), viúva missionária e mãe de Paul e Wesley, a revelar que havia usado o vodu para transformer Jessica em uma zumbi, quando ela anunciar sua partida de St. Sebastian com Wesley. Wesley mata Jessica a fim de libertá-la da maldição da “morte em vida” e se afoga, carregando o corpo dela mar adentro.

Cena de A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Frances Dee e Tom Conway em A Morta-Viva

Frances Dee e Tom Conway em A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Logo no início do filme, Betsy e Paul estão a bordo de um veleiro comercial. O céu estrelado e o oceano cintilante deixam-na extasiada. Seus devaneios são interrompidos por Paul: “Não é bonito … – ele lê seu pensamento. “Tudo parece bonito porque você não compreende. Aqueles peixes-voadores não estão pulando de alegria, eles estão pulando aterrorizados. Os peixes maiores querem comê-los. Aquela água luminosa – ela tira o seu brilho de milhões de cadáveres, o brilho da putrescência. Aquí não há beleza, somente morte e decomposição. Depois de uma tomada mostrando o céu cadente, ele acrescenta: “Tudo que é bom morre aquí, até as estrelas”.

Dirigido por Tourneur com grande inspiração, magnificamente fotografado por J. Roy Hunt e interpretado com segurança por todo o elenco, inclusive os atores negros Sir Lancelot (cantor de calypso) e Darby Jones (Carre-Four), o filme é considerado por muitos críticos o melhor da série de horror psicológico de Val Lewton, “um dos raros exemplares de pura poesia visual fabricado por Hollywood”. Esta qualidade é perceptível em sequências como a do primeiro encontro de Betsy com Jessica; a da caminhada das duas à sede da macumba através dos canaviais sob o batuque enervante dos tambores e o soprar do vento até se depararem com o zumbi; e a do desenlace, em notável montagem alternada, encerrando-se quando a agulha é espetada na boneca representando Jessica e, em seguida, em um corte brusco, aparece Wesley, que acabara de matar a verdadeira Jessica com a flecha da estátua de São Sebastião.

tourneur-the-leopard-man

O HOMEM LEOPARDO / THE LEOPARD MAN.

Em uma pequena cidade da fronteira do Novo México, um leopardo que o empresário teatral Jerry Manning (Dennis O’Keefe) havia usado em um truque publicitário de sua vedete, Kiki Walker (Jean Brooks), assusta-se com o som de castanholas e foge. A fera mata uma adolescente, Teresa Delgado (Margaret Landry). Posteriormente, duas outras jovens , Consuelo Contreras (Tula Parma) e a dançarina Clo-Clo (Margo), são mortas; mas, desta vez, por um assassino demente, que usa o leopardo para encobrir suas atividades. Perseguido por Jerry e Kiki, o criminoso vem a ser preso e morto pelo namorado de uma das vítimas.

Cena de O Homem Leopardo

Cena de O Homem Leopardo

A narrativa, sem ter personagens centrais, é um tanto fragmentada, prejudicando um pouco a dramaticidade, mas há sequências de excelente Cinema. Em uma delas, sem dúvida a mais aterrorizadora de toda a série, Teresa é forçada pela mãe a sair de noite para comprar farinha. A mocinha está assustada, pois ouvira dizer que um leopardo andava solto pelas redondezas. A mãe empurra-a para fora de casa e tranca a porta. A pobrezinha encontra a mercearia fechada e tem de atravessar um longo caminho na escuridão, até chegar à única loja ainda aberta. Na volta, ela vê os olhos de um felino brilhando nas trevas. Em um efeito semelhante ao da parada repentina do ônibus em Sangue de Pantera, quando ela está sob uma passagem elevada da estrada de ferro, um trem irrompe estridentemente. Logo depois, ela se depara com a fera, cai, derramando a farinha e foge. O resto da sequência é filmado do interior da casa. A menina bate aflita na porta, suplicando à mãe para deixá-la entrar; esta, zangada com a demora, decide puní-la, fazendo-a esperar. Quando finalmente se convence de que a filha corre perigo, não consegue abrir o ferrolho e vê o sangue da menina escorrendo por debaixo da porta.

Cena de O Homem Leopardo

Cena de O Homem Leopardo

O virtuoso emprêgo do som e das sombras e a sucessão tensa das imagens continua no momento de outras mortes – a de Consuelo no cemitério e a de Clo-Clo tocando castanholas pelas ruas escuras, antes de perecer nas mãos do assassino. Boa parte do êxito destes instantes aconteceram devido às tomadas perfeitas em chave baixa do fotógrafo Robert de Grasse

tourneur-canyon-passage

PAIXÃO SELVAGEM / CANYON PASSAGE.

Em 1856, no Oregon, Logan Stuart (Dana Andrews) é proprietário de uma linha de transporte de carga por mulas e um armazém na pequena cidade mineira de , e vive percorrendo vales e montanhas. Ele se relaciona com várias pessoas: seu amigo George Camrose (Brian Donlevy), um banqueiro que está roubando secretamente o ouro em pó depositado no banco por seus clientes, a fim de sustentar suas dívidas de jôgo; a noiva de George, Lucy Overmire (Susan Hayward), apaixonada por Logan: Caroline Marsh (Patricia Roc), imigrante inglêsa que fica noiva de Logan; o rancheiro Ben Dance Dance (Andy Devine); o trovador Hi Linnet (Hoagy Carmichael) que observa e comenta os acontecimentos; e o brutal e solitário Honey Bragg (Ward Bond), que Logan suspeita ter praticado alguns crimes. Para esconder seu desfalque, George mata um mineiro, McIver (Wallace Scott), mas é preso e condenado à morte por um tribunal irregular. Logan ajuda-o a fugir durante uma confusão causada pela notícia de uma rebelião dos índios, porém George acaba sendo morto pela população. Durante a revolta dos peles-vermelhas, Ben Dance e um de seus filhos são mortos assim como Bragg, depois de ter estuprado e assassinado uma jovem índia. Caroline, percebendo que seria infeliz ao lado de Logan por incompatibilidade de seu temperamento e expectativa, desfaz seu noivado, deixando – o livre para partir com Lucy para San Francisco.

Susan Hayward e Dana Andrews em Paixão Selvagem

Susan Hayward e Dana Andrews em Paixão Selvagem

Neste western atípico e realista, Tourneur faz uma crônica de uma pequena cidade isolada no Oregon nos tempo dos pioneiros, sempre ameaçados pelos índios. Em uma sequência notável, um baile é interrompido pela presença deles, percebida pelo olhar apurado de Hi Linnet, que faz a orquestra parar e logo depois os selvagens aparecem em um reverse-shot sob a luz avermelhada do fogo.

Brian Donlevy e Susan Hayward em Paixão Selvagem

Brian Donlevy e Susan Hayward em Paixão Selvagem

Cena de Paixão Selvagem

Cena de Paixão Selvagem

Por meio de uma encenacão inteligente, o diretor descreve com profundidade tanto os personagens principais como os secundários, expondo sem precipitação suas preocupações cotidianas, daí porque o rítmo não é sempre nervoso, dando ao filme uma aparência de drama psicológico. Em compensação, outras sequências como a da briga entre Bragg e Logan no saloon e o ataque dos índios são mais movimentadas. Tourneur usa o close-up com muita felicidade, para mostrar a ferocidade e a anormalidade de Bragg, que transparece não somente na mencionada briga mas também quando o brutamontes surpreende as índias banhando-se no rio. Outros elementos estéticos bem aplicados pelo cineasta foram a elipse (eis que não vemos as cenas da morte de George nem a de McIver) e a cor (principalmente na perseguição de Bragg pelos índios através das plantas; quanto mais os perseguidores se aproximam dele, elas se tornam cada vez mais vermelhas). Na aplicação do Technicolor a contribuição do fotógrafo Edward Cronjager foi inestimável.

turneur-out-of-the-past

FUGA AO PASSADO / OUT OF THE PAST.

Jeff Markham (Robert Mitchum), um detective particular de Nova York, e seu sócio, Jack Fisher (Steve Brodie), são contratados por um gângster, Whit Sterling (Kirk Douglas), para encontrar a amante dele, Kathie Moffat (Jane Greer), que fugiu com quarenta mil dólares, após ter tentado matá-lo. Jeff segue a pista de Kathie até Acapulco e se apaixona por ela, acreditando na sua palavra de que não roubou o dinheiro. Em consequência, o detetive não informa Whit sobre o seu paradeiro e os dois partem para San Francisco, onde vivem temporariamente em segurança. Até o momento em que são reconhecidos por Fisher, convocado por Whit para procurar Jeff. Tentando chantageá-los, Fisher é morto friamente por Kathie. Jeff fica perplexo com a violência de Kathie. Quando se volta para ela, apó ter examinado o corpo de Fisher, Kathie não está mais ali; mas deixara seu talão de cheque, que acusa um depósito de quarenta mil dólares. Os acontecimentos posteriores levarão a um final trágico.

Tourneur e o fotógrafo Nicholas Musuraca, ex-colaboradores da série de horror de Val Lewton, eram especialmente preparados para criar o jogo lírico e sensual de sombras que caracteriza o filme noir. Em um entrosamento perfeito, Tourneur e Musuraca produziram imagens esplêndidas de interiores escuros dramaticamente iluminados, planos filmados de dia como se fossem de noite das praias do México e exteriors claros e meticulosos, muito bem integradas no todo atmosférico. O diretor teve ainda o mérito de fazer com que uma jovem inexperiente de 22 anos, Jane Greer, se transformasse em uma das mulheres fatais mais inesquecíveis, frágil, ameaçadora, e ao mesmo tempo, sensual e demoníaca.

Virginia Huston and Robert Mitchum in a scene from the 1947 movie, Out of the Past.

Virginia Huston and Robert Mitchum in a scene from the 1947 movie, Out of the Past.

Kirk Douglas e Robert Mitchum em Fuga ao Passado

Kirk Douglas e Robert Mitchum em Fuga ao Passado

Robert Mitchum e Jane Greer em Fuga ao Passado

Robert Mitchum e Jane Greer em Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

tourneur-out-past-marco

No momento em que surge vestida de branco em uma rua de Acapulco, Kathie Moffat não parece a mulher insidiosa que realmente é, mas sim uma criatura do sonho de Jeff, que se materializou ao entrar no Café La Mar Azul. Jeff fica deslumbrado e joga para o alto o seu código de honra. Quando Kathie tenta convencê-lo de que não roubou o dinheiro de Whit, ele a interrompe dizendo: “Baby, pouco me importa”. Contrariando os interesses do cliente, transigindo com a ética profissional, Jeff não comunica a Whit que a encontrou, e foge com ela para San Francisco. Ele não consegue superar sua obsessão sexual. Sua voz over descreve Kathie de uma maneira cada vez mais romântica, representando-a como uma imagem luminosa: “”E então eu a ví, saindo do sol”; “E então ela entrou, vinda do luar, sorrindo”; “E então eu a ví andando pela estrada sob a luz dos farois”. Porém, no dia em que Kathie mata Fisher, deixando-o com o cadáver para sofrer as consequências, e ele descobre que ela havia depositado os quarenta mil dólares na sua conta bancária, Jeff fica arrasado. Ele lembra para Ann (Virginia Huston), sua namorada, a quem ele resolveu contar sua história: “Eu não sentia pena dele, não estava zangado com ela, não estava nada”. Ao revê-la, junto de Whit, exclama indiferente: “Você é como uma folha que o vento carrrega de uma sarjeta para outra. Todavia, mesmo depois desta cena, ainda ficamos sem saber se Jeff realmente ficou livre de sua paixão por Kathie, pois um grau de ambivalência permanece até o final do filme.

tourneur-berlin-express

EXPRESSO PARA BERLIM / BERLIN EXPRESS.

Alguns mêses após o armistício de 1945, o eminente humanista Dr. Heinrich Bernhart (Paul Lukas) é encarregado de uma comissão visando a reunificação da Alemanha, então dividida em quatro setores controlados pelos aliados. Em um trem que o conduz de Paris para Berlim, o doutor escapa de um atentado e depois é sequestrado por membros de um movimento neo-nazista subterrâneo, durante uma parada do expresso em Frankfurt. Um grupo composto por um agrônomo americano, Robert Lindley (Robert Ryan), uma francêsa, Lucienne Mirbeau (Merle Oberon), um tenente do exército russo, Roman Toporow (Maxim Kiroshlov), um professor inglês, James Sterling (Robert Coote) e um antigo resistente francês, Henri Perrot (Charles Korvin), se organiza para encontrar o paradeiro de Bernhart na cidade em ruínas.

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Tourneur reforça a estrutura dramática do relato, mantendo em segredo a verdadeira identidade de alguns personagens, que somente no final é revelada. Bernhart não é aquele que pensamos ser, a jovem francêsa acaba demonstrando seu verdadeiro papel aos homens do grupo e uma outra identidade falsa também vem à tona nos últimos momentos do filme.

Para manter o espectador constantemente interessado na história, o cineasta também cria alguns momentos de alta inspiração cinematográfica como, por exemplo, a maneira como ficamos ao par da mensagem estranha que o pombo-correio levava; o episódio com os dois palhaços, um falso e outro verdadeiro; o suicídio de Walther (Reinhold Schunzel), o amigo que traiu Bernhart; a luta entre Robert e o espião dentro de um enorme barril de cerveja; o instante em que Reinhardt está sendo atacado em sua cabine e na cabine vizinha, pelo reflexo reproduzido nos vidros da estação, Robert e Lucienne tomam conhecimento do fato. A arte do fotógrafo Lucien Ballard foi um fator determinante para a excelência dessas cenas.

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Robert Ryan e Merle Oberon em Expresso para Berlim

Robert Ryan e Merle Oberon em Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

O interesse do filme repousa igualmente sobre o aspecto documentário de certas sequências, mostrando o estado de um país – principalmente a cidade de Frankfurt – depois de sua derrota. Enquanto os protagonistas são enquadrados nas ruínas, o olho do espectador os acompanha contemplando ao mesmo tempo o espetáculo desastroso dos bombardeios no fundo do quadro. No epílogo, quando se despedem os protagonistas restantes da trama, encontramos uma crítica silenciosa da situação internacional na imagem de um aleijado, passando entre as colunas do Portão de Brandenburgo, que também pode ser interpretada como um símbolo de que o mundo marcha apesar do desastre ou do espectro da Guerra Fria caindo sobre a Europa mais dilacerada, mais dividida do que nunca.

tourner-vovo

O TESTAMENTO DE DEUS / STARS IN MY CROWN.

Na pequena cidade sulista de Walesburg, no final do século dezenove, John Kenyon (Dean Stockwell e Marshall Thompson fazendo a voz do personagem como adulto), narra episódios concentrados na figura de seu pai adotivo, Josiah Doziah Gray (Joel McCrea), um pastor protestante, ex-soldado da Guerra Civil e casado com Harriet (Ellen Drew). Os lances mais dramáticos da narrativa são criados por duas ocorrências. Uma é a epidemia de tifo, para a qual o jovem médico da cidade, Daniel Kalbert Harris Jr. (James Mitchell), inicialmente suspeita de que o pastor seja o transmissor, mas cuja origem acaba sendo rastreada até o poço perto da escola. O outro acontecimento é a tentativa por parte de um proprietário de uma mina, Lon Backett (Ed Begley) de amedrontar um negro, Uncle Famous Prill (Juano Hernandez), para se apoderar de suas terras ricas em mica. Formando um bando de “Night Riders”, semelhante à Klu Klux Khan, os agressores de Famous querem linchá-lo, porém o pastor faz com que todos fiquem envergonhados e se dispersem, lendo o suposto testamento de Famous, contendo legados para todos, que lembram o papel benevolente que ele desempenhou em suas vidas.

Cena de O Testamento de Deus

Joel McCrea em O Testamento de Deus

Cena de O Testamento de Deus

Cena de O Testamento de Deus

Neste filme, que não é verdadeiramente um western, mas tem a ver com a cultura e história americana, Tourneur demonstra calma e comedimento, permitindo que a história vá crescendo aos poucos, o que dá aos climaxes (a epidemia de tifo e principalmente o quase-linchamento do velho negro) um grande impacto emocional.

O reverendo, que carrega uma Bíblia e um par de pistolas, tem uma tendência para contar histórias engraçadas com uma Mensagem, em vez de ser um mero “pregador”. É, portanto, o tipo de pastor que pode conquistar os corações e a alma. Após a confrontação de Gray com Backett e os linchadores, este comparece arrependido na igreja e, por fim, seu grande amigo Jed Isbell (Alan Hale), que ele sempre convidava em vão para assistir o culto, também se apresenta como mais um crente conquistado pela bondade e sinceridade do líder espiritual e moral de sua comunidade.

tourneur-the-flame-and-the-arrow

O GAVIÃO E A FLECHA / THE FLAME AND THE ARROW.

Na Lombardia do século XII, Dardo Bartoli (Burt Lancaster), excelente arqueiro e caçador, vive nas montanhas com seu filho Rudi (Gordon Gerbert). Sua mulher, Francesca (Lynne Baggett), o abandonou anos atrás, para se casar com Ulrich (Frank Allenby), representante feroz do Imperador da Alemanha, apelidado de “O Falcão”. Dardo mata um dos falcões de Ulrich e este, em represália, manda seus soldados prender Rudi, e conduzí-lo para seu castelo. Dardo se une aos camponêses para lutar contra o tirano. Sempre acompanhado pelo seu amigo Piccolo (Nick Cravat), um ferreiro mudo, ele rapta Anne (Virginia Mayo), sobrinha de Ulrich, com a finalidade de usá-la para resgatar seu filho. Ele captura também Alessandro de Granazia (Robert Douglas), um marquês italiano, que Ulrich pretendia unir em matrimônio com Anne, a fim de reforçar seu poder na região e obrigá-lo a pagar seus impostos. Anne porém o rejeitou e Ulrich mandou prender o marquês. Diante disso, Alessandro e seu trovador (Norman Lloyd) se aliam aos foras-da-lei, porém depois os trai. Prevenido a tempo por Anne, Dardo penetra no castelo com Piccolo, ambos disfarçados de palhaço entre os saltimbancos que ali se apresentam, libertam os populares e todos juntos enfrentam os soldados de Ulrich. Dardo descobre que Francesca está morta e mata Alessandro em uma luta de espada. Ulrich foge, e usa Rudi como escudo; mas não contou com a perícia de Dardo, que põe fim à sua vida com uma flechada, libertando seu filho. Anne, que se apaixonara por Dardo, junta-se a eles, para celebrar a vitória contra o opressor

Virginia Mayo e Burt Lancaster em O Gavião e a Flecha

Virginia Mayo e Burt Lancaster em O Gavião e a Flecha

Tourneur incutiu dinamismo e divertimento neste filme de aventura histórica em grande parte dominado pela habilidade atlética e saltitante de Burt Lancaster e Nick Cravat, principalmente por terem sido trapezistas de circo na vida real. O cineasta mostra o seu habitual rigor e capacidade de invenção notadamente na sequência formidável da invasão do castelo com Dardo e Picolo misturando-se com os membros da trupe de artistas, que adquire o caráter festivo de um espetáculo acrobático.

Cenas de O Gavião e a Flecha

Cenas de O Gavião e a Flecha

tpourneur-flame-arrow-viva-iii

tourneur-flame-arrow-viva-iv

tourneur-flame-arrow-viva

tourneur-flame-flame-flame

Em outra sequência admirável, o heroí, sentindo dificuldade de se confrontar com um espadachim temível como o marquês, corta a corda que sustenta um lustre, fazendo – o cair e deixando o ambiente na escuridão. De uma tomada em câmera alta vemos o marquês de guarda e em silhueta diante de um retângulo de luz no chão, e ouvimos Dardo sussurrar: “Agora, marquês, estamos no escuro, onde uma espada é apenas uma faca longa. Os caçadores sabem tudo sobre facas. Você não pode me ver Alessandro, mas eu posso vê-lo”. Mais alguns planos, e o marquês é puxado para fora do quadro por Dardo. A câmera desce, e focaliza o retângulo de luz no assoalho, cruzado por um tocheiro caído. Ao som de uma golpe fora de cena, faz-se um corte para um outro ângulo em câmera alta da mesma área: o marquês tomba morto, sobre o retângulo de luz.
turneur-circle-of-danger

CIRCLE OF DANGER.

Clay Douglas (Ray Milland), cidadão americano de descendência galêsa, chega na Inglaterra para investigar a morte de seu irmão Hank, que morreu em circunstâncias misteriosas, quando participava de uma missão de comandos do Exército Britânico na Bretanha em 1944. Douglas sai no encalço e entrevista os membros sobreviventes da unidade de comando de Hank entre eles o Major Hamish McArran (Hugh Sinclair), um aristocrata escocês líder do grupo e Sholto Lewis (Marius Goring), seu ex-tenente, que se tornou professor de balé. Entrementes, conhece Elspeth Graham (Patricia Roc), autora e ilustradora de livros infantis, cortejada por Hamish. Nenhum deles parece querer ajudar Clay, mas ele finalmente consegue descobrir – por intermédio do derradeiro questionado, um vendedor de automóveis chantagista, Reggie Sinclair (Naunton Wayne)-, que foi Hamish quem matou Hank. Hamish aceita a sugestão de Clay de acertarem suas contas em um duelo de fuzil, mas Sholto chega a tempo para explicar a Clay que seu irmão foi executado porque, recusando obedecer a uma ordem, colocou em perigo todos os homens do comando. Sem dizer uma só palavra, Clay se afasta, abalado com a terrível notícia. Depois, parte na companhia de Elspeth, com quem se reconcilia, após certo desentendimento.

Patricia Roc e Jacques Tourneur na filmagem de Circle of Danger

Patricia Roc e Jacques Tourneur na filmagem de Circle of Danger

Hugh Sinclair, Marius Goring e Ray Milland em Circle of Danger

Hugh Sinclair, Marius Goring e Ray Milland em Circle of Danger

Tourneur recebeu de Philip MacDonald, autor experiente na área do romance policial, uma trama interessante e, embora ela não tivesse lances movimentados, o diretor soube manter o espectador sempre interessado no seu desenvolvimento, explorando fotograficamente (com o precioso concurso de Oswald Morris) o contexto estrangeiro, em especial a paisagem campestre escocêsa onde, no final, ocorre maior suspense. O lance do assobio da canção folclórica que leva Clay a identificar o suposto criminoso é um achado digno de Hitchock, e o caráter insólito de um personagem como Sholto, um bailarino que foi militar e sabe manejar uma arma, tem a sua originalidade.

turneur-anne-of-the-indies

A VINGANÇA DOS PIRATAS / ANNE OF THE INDIES.

No século XVII, o pirata Captain Providence, cruza o mar das Antilhas no “Sheba Queen”, e saqueia os navios britânicos. Ele é na realidade uma mulher destemida e orgulhosa chamada Anne (Jean Peters), que detesta os inglêses, porque eles enforcaram seu irmão. Um dia, Anne e seus homens, entre eles seu primeiro pilôto, Red Dougall (James Robertson Justice), capturam um navio britânico; depois de obrigar a tripulação vencida a caminhar pela prancha e se jogar ao mar, descobre que a embarcação está conduzindo um prisoneiro francês, Pierre François La Rochelle. (Louis Jourdan). Embora Dougall desconfie de Pierre, Anne decide nomeá-lo seu navegador. Mais tarde, o “Sheba Queen” chega a Nasssau, e ela apresenta Pierre ao famoso pirata Barbanegra (Thomas Gomez), que criara Anne e seu irmão, quando eles ficaram órfãos. Barbanegra adora a sua protegida, mas, como Douglas, desconfia de Pierre. Anne se apaixona por Pierre porém, após várias peripécias, ficamos sabendo que ele é casado com a jovem Molly (Debra Paget), e pretende entregar Anne às autoridades de Port Royal em troca de seu navio apreendido pelos inglêses.

Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Jean Peters em A Vingança dos Piratas

tourneur-ana-iv

Cena de A Vingança dos Piratas

Cena de A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Luis Jourdan em A vingança dos Piraas

Jean Peters e Luis Jourdan em A Vingança dos Piratas

Jean Peters a Debra Paget em A Vingança dos Piratas

Jean Peters a Debra Paget em A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Thomaz Gomez em A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Thomaz Gomez em A Vingança dos Piratas

Debra Pagert, louis Jourdan e Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Debra Pagert, louis Jourdan e Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Inspirando-se em figuras e fatos reais (v. g. Edward Teach, o Barbanegra; o tesouro de Henry Morgan; a bucaneira Anne Bonny) e aproveitando muito bem o Technicolor, Tourneur nos oferece tudo o que poderíamos esperar de um filme de piratas: batalhas navais, abordagens e motins, duelos de espada, ilha deserta, a busca de um tesouro, tavernas de má fama onde o rum é consumido aos borbotões. Toadavia, ao contrário de O Gavião e a Flecha, cujo tom é de bom humor e fantasia, A Vingança dos Piratas é trágico, e acrescenta uma originalidade: a personagem principal é uma mulher flibusteira, que movida pelo ódio, renega sua condição de fêmea, para poder ter seu lugar em um mundo de homens. Ao descobrir sua alma feminina diante do charme de um formoso capitão (pintando um clima bastante sensual), Anne se vê envolvida em um triângulo amoroso. Enciumada, começa a praticar desatinos, dos quais se redime, finalmente, sacrificando-se em um combate com Barbanegra, para salvar o casal que antes invejara.

turneur-wichita

CHOQUE DE ÓDIOS / WICHITA.

Wyatt Earp (Joel McCrea) dirige-se para Wichita com a idéia de se instalar ali, abrindo um pequeno comércio. Ele logo faz amizade com o diretor do jornal local, Arthur Whiteside (Wallace Ford) e seu jovem repórter Bat Masterson (Keith Larsen). Impedindo um assalto a um banco, Wyatt tem oportunidade de mostrar suas qualidades de homem de ação e de decisão. O prefeito (Carl Benton Reid) lhe oferece o cargo de delegado. Waytt a princípio recusa, mas depois da morte de uma criança durante uma arruaça de vaqueiros embriagados, acaba aceitando. Como primeira providência, interdita o porte de armas de fogo na cidade. Suas decisões drásticas inquietam os comerciantes, que acham seus métodos muito radicais, notadamente Sam McCoy (Walter Coy), que vê com circunspecção o amor que o novo xerife dedica à sua filha Laurie (Vera Miles). Achando que a proibição do porte de armas afastará a sua clientela de caubóis, os negociantes procuram destituir o delegado, e um deles, Doc Black (Edgar Buchanan), trama a sua eliminação.

Joel MacCrea em Choque de Ódios

Joel MacCrea em Choque de Ódios

Tourneur narra o começo da carreira de Wyatt Earp (embora os fatos históricos não tivessem sido bem assim), projetando a figura mítica do protagonista, sua honestidade, e seu zelo pela justiça. A lei é transgredida pelas forças econômicas e essas transgressões produzem as imagens mais contundentes do espetáculo: um menino morto por uma bala perdida, a mulher do banqueiro alevejada através da porta de sua casa. Apesar de contrariado pelos corruptos, Wyatt continua inflexível e é este clima, que o diretor deixa transparecer com muito rigor, muito senso dramático e esplêndida utilização do CinemaScope. Uma boa surpresa ocorre quando Doc Black, contrata dois pistoleiros para liquidar Wyatt, sem saber que eles são dois dos irmãos do xerife.

turneur-nightfall-melhor

A MALETA FATÍDICA / NIGHTFALL.

Em San Francisco, Jim Vanning (Aldo Ray), desenhista de anúncios, suspeito de ter assassinado um amigo e companheiro de pescaria, Dr. Edward Garston (Frank Albertson), nas montanhas do Wyoming, está sendo vigiado pelo investigador de uma companhia de seguros (James Gregory) e perseguido pelos verdadeiros criminosos John (Brian Keith) e Red (Rudy Bond), que estão certos de que Jim tem em seu poder a maleta contendo 350 mil dólares, que eles roubaram de um banco. Ele procura refúgio em um bar, onde encontra Marie Gardner (Anne Bancroft), uma jovem modelo. Quando estavam caçando nas montanhas, Jim e Gurston presenciaram um acidente de carro, e socorreram John e Red, depois do assalto ao banco. Os criminosos mataram o médico, deixaram Vanning ferido e, na fuga, levaram a maleta do doutor em vez da maleta que continha o dinheiro roubado. Jim não avisou a polícia e escondeu o dinheiro na neve, perto de uma cabana. Jim e Marie resolvem retornar ao local, onde se dá o desenlace da trama. John é morto pelo seu sócio psicopata e Jim, livre de qualquer suspeição (porque o investigador, que já estava convencido de sua inocência, assiste a todos esses acontecimentos), pode se casar com Anne.

Cena de A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Anne Bancroft e Aldo Ray em A Maleta Fatídica

Anne Bancroft e Aldo Ray em A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Usando três retrospectos, introduzidos apenas por um corte seco, Tourneur nos apresenta a história de um personagem tipicamente noir: Vanning é uma vítima do acaso, que o colocou em uma situação de perigo e na possibilidade de ser incriminado pela morte do amigo. Sua desconfiança inicial de que Marie o traiu a mando de John e Red mostra como o trauma do herói distorceu sua perspectiva.

A fotografia escura no ambiente citadino contribui para acentuar o clima de paranóia, principalmente na cena do interrogatório em frente à sonda de petróleo – o enorme mecanismo que sobe e desce é uma metáfora dos terrores que atormentam o protagonista. Quando a ação se transfere para a região as montanhas cobertas de neve, o diretor e seu fotógrafo, Burnett Guffey, optam por imagens mais iluminadas, afastando-se da estética expressionista.

turneur-night-of-the-demon

A NOITE DO DEMÔNIO / NIGHT OF THE DEMON.

O Dr. Karswell (Niall MacGinnis), apaixonado por ciências ocultas e magia negra, recebe a visita do professor Henry Harrington (Maurice Denham), que suspeita de sua dedicação a um culto demoníaco. Pouco depois, Harrington é morto por uma criatura, ao que parece, vinda do além. Um colega de Harrington, o psicólogo Dr. John Holden (Dana Andrews), chega da América para prosseguir na sua pesquisa sobre o sobrenatural e, auxiliado por Joanna (Peggy Cummings), sobrinha do falecido, decide investigar aquela morte misteriosa. Holden procura Karswell e este lhe entrega um pergaminho com símbolos rúnicos e prediz sua morte daquí a três dias. Uma série de acontecimentos estranhos enfraquece o ceticismo de Holden, e ele se convence dos poderes de Karswell. Ao saber por um dos seguidores de Karswell, Rand Hobart (Brian Wilde), ao hipnotizá-lo, que o único meio de evitar seu destino, é devolver o pergaminho a Karswell, Holden consegue fazer isto a bordo de um trem, há pouco minutos da data prevista para sua morte e, em consequência, o demônio se materializa, e mata Karswell.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Tourneur retorna ao gênero de horror sobrenatural, que sempre o seduziu, e consegue mais uma vez assustar o espectador, utilizando o som, lentes distorcidas e a fotografia expressionista, para criar o clima ideal para o desenvolvimento do tema: a existência ou não de forças demoníacas, encarregadas de cumprir uma maldição.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

No final do filme não se pode afirmar com certeza se o racional ou o sobrenatural teve ascendência um sobre o outro. Se a aparição do demônio parece constatar que as potências das trevas existem, pode ser também que tal aparição ocorreu devido às alucinações das vítimas, paralizadas pelo medo, e que elas foram mortas acidentalmente – nota-se nas duas mortes causadas por uma espécie de dragão gigantesco e fumegante a coincidência de outras causas, como o choque do automóvel da primeira vítima com um poste elétrico e a passagem de um trem, quando o vilão é esmagado pelo monstro. O filme funciona muito bem com essa ambiguidade.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Além do aspecto parapsicológico, o que interessa ao cineasta é lidar com o medo, construindo momentos inquietantes como a entrada de Holden na mansão de Karswell, sendo assustado pela mão que surge no corrimão da escada ou por uma porta que se abre; a luta de Holden na biblioteca com um gato subitamente metamorfoseado em pantera (que faz lembrar algumas passagens de Sangue de Pantera); Holden sendo perseguido no bosque por uma nuvem de fumaça branca; a sessão de hipnose, com a recuperação da palavra por um adepto do culto demoníaco que havia entrado em estupor catatônico ao trair um ïrmão”; a festa infantil ao ar livre interrompida repentinamente por uma tempestade invocada pelo satanista vestido de palhaço; o pergaminho levado pelo vento e Karswell correndo pela linha do trem em um desespêro inútil para pegá-lo, porque o demônio (ou o fruto de um delírio) logo aparece.

 

GRANDES PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – III

December 23, 2016

tiras-the-spanish-cape-mystery-poster

ELLERY QUEEN – Detetive criado pelos primos Manfred B. Lee / Maniord Lepofsky (1905-1971) e Frederick Dannay / Daniel Nathan (1905-1982) sob o pseudônimo de Ellery Queen. Filmes: 1935 – MIstério da Capa Espanhola / The Spanish Cape Mystery com Donald Cook. 1936 – The Mandarin Mystery. 1940 – Linda Impostora / Ellery Queen, Master Detective. 1941 – Jóias Fatais / Ellery Queen’s Penthouse Mystery. A Sombra da Morte / Ellery Queen and the Perfect Crime. Quadrilha Diabólica / Ellery Queen and the Murder Ring, todos com Ralph Bellamy. 1942 – Herdeira Desaparecida / Close Call for Ellery Queen. Arriscando com a Sorte / Desperate Chance for Ellery Queen. Contrabando de Guerra / Enemy Agents Meet Ellery Queen, todos com William Gargan. 1950 – The Adventures of Ellery Queen, Série de TV com Lee Bowman. 1958 – The Further Adventures of Ellery Queen, Série de TV com George Nader. 1971 – Ellery Queen: Don’t Look Behind You, Telefilme com Peter Lawford. 1975 – Ellery Queen, Série de TV com Jim Hutton.

tiras-ellery-queen-master-detective

ellery-poster-gargan

Jim Hutton (Ellery queen na TV) e David Wayne

Jim Hutton (Ellery queen na TV) e David Wayne

RAFFLES (Arthur J. Raffles). Ladrão cavalheiro criado por Ernest William Hornung (1866-1921). Filmes: 1905 – Raffles the Amateur Cracksman com J. Barney Sherry. 1911. Raffles, gentiluomo ladro. Seriado italiano com Ubaldo Maria Del Colle. 1917 – Ladrão por Esporte / Raffles, the Amateur Cracksman com John Barrymore. 1921 – Mr. Justice Raffles, com Gerald Ames. 1925 – Raffles, o Ladrão Amador / Raffles / Raffles com House Peters. 1930 – Raffles / Raffles com Ronald Colman. 1932. The Return of Raffles com George Barraud. 1939 – Raffles / Raffles com David Niven. 1975 – Raffles, telefilme britânico. Raffles. Série de TV britânica, ambos com Anthony Valentine.

House Peters como Raffles

House Peters como Raffles

asa-raffles

John Barrymore em Ladrão por Esporte / 1917

John Barrymore em Ladrão por Esporte / 1917

Ronald Colmane Kay Francis em Raffles

Ronald Colmane Kay Francis em Raffles

David Niven em Raffles

David Niven em Raffles

J. G. REEDER. Detetive criado por Edgar Wallace (1875-1932). 1938 – Mr. Reeder in Room 13 com Gibb McLaughlin. 1939 – The Mind of Mr. Reeder (Mysterious Mr. Reeder nos EUA). The Missing People, ambos com Will Fyfe. 1969 – The Mind of Mr. J. G. Reeder. Série de TV com Hugh Burden.

tiras-mr-reeder-gibb-mclaughlin

tiras-mysterious-mr-reeder-poster-melhor

ROCAMBOLE. Gênio do crime criado por Pierre-Alexis Joseph Ferdinand Ponson du Terrail (1829-1871), sob o pseudônimo de Ponson du Terrail. Filmes: 1913 – Série Rocambole (em 4 séries: As Proezas de Rocambole, A Herança do Marquês de Morfontaine, O Esplendor de Rocambole ou A Glória de Rocambole, A Evasão de Rocambole) com Gaston Sylvestre. As Luvas de Rocambole / I Guanti di Rocambole 1919 – Rocambole com Giulio Donadio. 1924 – Les Premières Armes de Rocambole. Les Amours de Rocambole, ambos com Maurice Thorèze. 1933 – Rocambole com Rolla Norman. 1946 – Rocambole com Ramón Pereda. 1948 – Rocambole com Pierre Brasseur. 1963 – Rocambole com Channing Pollock. 1964 – Rocambole, Série de TV com Pierre Vernier . 1967 – Rocambole, Série de TV mexicana com Julio Aléman.

Pierre Brasseur como Rocambole

Pierre Brasseur como Rocambole

tiras-rocambole-p-brassseur-poster

Channing Pollock como Rocambole

Channing Pollock como Rocambole

Pierre Vernier como Rocambole

Pierre Vernier como Rocambole

ROULETABILLE. Jornalista detetive Joseph Rouletabille criado por Gaston Leroux (1868-1927). Filmes: 1913 – Le Mystère de la Chambre Jaune. La Dernière Incarnation de Larsan, ambos com Marcel Simon. 1919 – The Mystery of the Yellow Room com Lorin Raker. 1922 – Rouletabille chez les Bohémiens com Gabriel de Gravone. 1930 – Le Mystère de la Chambre Jaune. 1931 – Le Parfum de la Dame en Noir. 1932 – Rouletabille Aviateur, todos com Roland Toutain. 1946 – Rouletablle Joue et Gagne. Rouletabille contre la Dame de Pique com Jean Piat. 1947 – El Misterio del Cuarto Amarillo, filme argentino com Santiago Gómez Cou. 1948 – Le Parfum de la Dame en Noir. 1949 – Le Mystère de la Chambre Jaune, ambos com Serge Reggiani. 1966 – Rouletabille, Série de TV com Philippe Ogouz.

tiras-rouletabillepostervtoutain

Roland Toutain (à esq.) como Rouletabille

Roland Toutain (à esq.) como Rouletabille

asa-iii-rouletabille-melhor

Serge Reggiani como Rouletabille

Serge Reggiani como Rouletabille

tiras-rouletabille-sergereggiani-poster

THE SAINT – Ladrão cavalheiro, Simon Templar, criado por Leslie Charles Bowyer (1907-1993) sob o pseudônimo de Leslie Charteris. Filmes: 1938 – O Santo em Nova York / The Saint in New York com Louis Hayward. 1939 – A Volta do Santo / The Saint Strikes Back. O Santo em Londres / The Saint in London. 1940 – O Santo e Seu Sósia / The Saint’s Double Trouble. O Santo e a Mulher / The Saint Takes Over. 1941 – O Santo no Balneário / The Saint in Palm Springs, todos com George Sanders. Férias do Santo / The Saint’s Vacation. 1943 – O Santo encontra o Tigre / The Saint Meets the Tiger, ambos com Hugh Sinclair. 1954 – O Santo no Castelo Sinistro / The Saint’s Girl Friday com Louis Hayward. 1959 – Le Saint mène la danse com Felix Marten. 1966 – Le Saint Prend  L ‘Affût com Jean Marais. 1969 – The Saint , Série de TV com TV Roger Moore.

George Sanders como O Santo

George Sanders como O Santo

tiras-the-saint-in-london-postertiras-the-saint-in-new-yok-poster

tiras-the-saints-vacation-posterh-sinclair

Jean Marais como O Santo

Jean Marais como O Santo

Roger Moore como O Santo

Roger Moore como O Santo

SAM SPADE. Detetive particular criado por Dashiel Hammett.Filmes: 1931 – O Falcão Maltês / The Maltese Falcon com Ricardo Cortez. 1936 – Satan Met a Lady com Warren William (com o nome do personagem Sam Spade mudado para Ted Shane). 1941 – Relíquia Macabra com Humphrey Bogart.

tiras-maltese-falcon-correz-poster

 Bebe Daniels e Ricardo Cortez em O Falcão Maltês


Bebe Daniels e Ricardo Cortez em O Falcão Maltês

asa-vi-maltese-falcon

Humphrey Bogart em Relíquia Macabra

Humphrey Bogart em Relíquia Macabra

SAN ANTONIO. Comissário de polícia criado por Fréderic Dard (1921-2000). Filmes: 1966 – Sale Temps pour les Mouches. 1968 – Béru et ses Dames, ambos com Gérad Barray.

tiras-san-antonio-poster

THE SHADOW. Justiceiro Lamont Cranston criado por Walter B. Gibson (1897-1985) sob o pseudônimo de Grant Maxwell. Filmes: 1937 – Mr. Sombra / The Shadow Strikes. 1938 – International Crime, ambos com Rod La Rocque. 1940. Seriado A Sombra do Terror / The Shadow com Victor Jory. 1946 – O Sombra Retorna / The Shadow Returns. A Máscara   do Sombra / Behind the Mask. A Deusa de Jade / The Missing Lad, todos com Kane Richmond. 1958 – Bourbon Street Shadows com Richard Derr.

tiras-the-shadow-strikes-poster

asa-shadow-melhor-poster

tiras-the-shadow-returns-poster

MICHAEL SHAYNE. Detetive particular criado por Davis Dresser (1904- 1977) sob o pseudônimo de Brett Halliday. Filmes: Um Detetive Apaixonado / Michael Shayne, Private Detective. 1941 – Testemunha Oculta / Sleepers West. Ceia Fatal / Dressed to Kill. Dois Tiros Silenciosos / Blue, White and Perfect. 1942 – A Sepultura Vazia / Man Who Wouldn’t Die. Punhal Assassino / Just Off Broadway. Hora para Matar / Time to Kill, todos com Lloyd Nolan. 1946 – Murder is my Business. Larceny in Her Heart, Blonde for a Day. 1947 – Chamada para um Morto / Three on a Ticket. Too Many Winners, todos com Hugh Beaumont.

tiras-michael-shayne-poster

Lloyd Nolan e Mary Beth Hughes em Ceia Fatal

Lloyd Nolan e Mary Beth Hughes em Ceia Fatal

asa-michael-shyane-nolan-best

bobo-hugh-beaumont

RABINO DAVID SMALL. Rabino detetive amador criado por Harry Kemelman (1908 -1996). Filmes: Lanigan’s Rabbi. Série de TV com Art Carney como Lanigan, o chefe de polícia católico amigo do rabino. Este foi interpretado primeiramente na série por Stuart Margolin e depois por Bruce Solomon.

Art Carney (O Comissário Lanigan e o Rabino David Small (Bruce Solomon)

Art Carney (O Comissário Lanigan e o Rabino David Small (Bruce Solomon)

GEORGE SMILEY. Agente secreto criado por John Le Carré (1931 –   ). Filmes: 1965 – O Espião que Saiu do Frio / The Spy Who Came in from the Cold com Rupert Davies., sendo Smiley um personagem secundário. 1967 – Chamada para um Morto / The Deadly Affair com James Mason, sendo que o personagem passou a se chamar Charles Dobbs. 1979 – Tinker Tailor Soldier Spy, Minissérie com Alec Guiness.

tiras-george-smiley-poster

AKIHA SUZUKI. Agente secreto Japonês criado Jean-Pierre Walrafer (1971-1984) sob o pseudônimo de Jean-Pierre Conti. FIlmes: 1960 – Monsieur Suzuki com Jean Thielment.

tiras-mr-suzuki-poster

VIRGIL TIBBS. Detetive criado por John Dudley Ball (1911-1988). Filmes: 1967 – No Calor da Noite / In the Heat of the Night. 1970 – Noite Sem Fim / They Call Me Mr. Tibbs. 1971 – A Organização / The Organization, todos com Sidney Poitier.

Sidney Poitier em No Calor da Noite

Sidney Poitier em No Calor da Noite

PHILO VANCE. Detetive particular criado por Willard Huntington Wright (1888-1939) sob o pseudônimo de S. S. Van Dine. Filmes: 1929 – O Drama de uma Noite / The Canary Murder Case. A Casa do Crime / The Greene Murder Case. 1930 – O Bispo Misterioso / The Bishop Murder Case. Corpo de Delito / The Benson Murder Case. 1933 – O Caso de Hilda Lake / The Kennel Murder Case, todos com William Powell. 1934 – O Crime do Dragão / The Dragon Murder Case com Warren William. 1936 – O Mistério do Cassino / The Casino Murder Case com Paul Lukas. 1937 – The Scarab Murder Case com Wilfrid Hyde White. Night of Mystery com Grant Withers. 1939 – A Comédia de um Crime / The Gracie Allen Murder Case com Warren William. 1940 – Três Horas Trágicas / Calling Philo Vance com James Stephenson. 1947 – Philo Vance Returns com William Wright. Philo Vance’s Gamble. Philo Vance’s Secret Mission, ambos com Alan Curtis.

William Powell como Philo Vance

William Powell como Philo Vance

tola-canary-murder-case-melhor

tiras-philo-vances-warren-williampostertola-calling-philo-vance

 

tata-philo-vance-returns

tata-philo-vances-gamble

EUGENE-FRANÇOIS VIDOCQ. Ex-forçado que se tornou policial e depois detetive particular. Inspirou personagens fictícios de vários romancistas (v. g. o Vautrin de Balzac, o Jean Valjean de Victor Hugo). Filmes: 1922 – Vidocq /Vidocq, seriado com René Navarre. 1939 – Vidocq com André Brulé. 1945 – Vidocq / Scandal in Paris com George Sanders. 1947 – Le Cavalier de Croix-Mort com Henri Nassiet. 1967 – Vidocq, Série de TV com Bernard Noël. 1971 – Les Nouvelles Aventures de Vidocq, Série de TV com Claude Brasseur.

 

tina-rene-navarre

tiras-vidocb-andre-brule-poster

George Sanders em Vidocq, Um Escândalo em Paris

George Sanders em Vidocq, Um Escândalo em Paris

Claude Brasseur como Vidocq

Claude Brasseur como Vidocq

M. WENS. Detetive particular Wenceslas Vorobeïtchik criado por Stanislas-André Steeman (1908-1970). Filmes: 1941 – Le Dernier des Six. 1942 – O Assassino Mora no 21 / L’Assassin Habite au 21, ambos com Pierre Fresnay. 1946 – L’Enemi Sans Visage com Frank Villard. 1947 – Les Atouts de M. Wens com Werner Degan. 1949 – Le Furet com Pierre Jourdan. Mystère a Shanghai com Maurice Teynac. 1964 – Que Personne Ne Sorte com Philippe Nicaud.

Suzy Delair e Pierre Fresnay em Le Dernier des Six

Suzy Delair e Pierre Fresnay em Le Dernier des Six

tiras-m-wens-posrterpierre-sorte

LORD PETER WIMSEY. Detetive amador criado por Dorothy L. Sayers (1893-1957). Filmes: 1935 – The Silent Passenger com Peter Haddon. 1940 – Lua de Mel, Lua de Fel / The Haunted Honeymoon com Robert Montgomery. 1972 – Clouds of Witness (Minissérie de TV). 1973 – The Umpleasantness at the Bellona Club (Minissérie de TV). 1974 – The None Tailors (Minissérie de TV). 1975 – Five Red Herrings (Minissérie de TV), todos com Ian Carmichael.

mama-haunted-honeymoon-poster-melhor

Robert Montgomery e Constance Cummings em Lua de Mel, Lua de Fel.

Robert Montgomery e Constance Cummings em Lua de Mel, Lua de Fel.

anil-lord-peret-wimseu

HILDEGARD WITHERS. Detetive amadora criada por Stuart Palmer (1905-1968). Filmes: 1932 – The Penguin Pool Murder. 1934 – Sherlock de Saias / Murder on the Blackboard. 1935 – Crime na Lua-de-Mel / Murder on a Honeymoon, todos com Edna May Oliver. 1936 – O Mistério da Ferradura / Murder on a Bridle Path com Helen Broderick. O Enigma da Pérola / The Plot Thickens. 1937 – À Cena, o Autor / Forty Naughty Girls, ambos com ZaSu Pitts. 1972 – A Very Missing Person, Telefilme com Eve Arden.

ivan-penguin-pool-murder

Edna May Oliver e James Gleason em The Penguin Pool Murder

Edna May Oliver e James Gleason em The Penguin Pool Murder

zasu-pitts-forty

LONE WOLF. Ladrão cavalheiro criado por Louis-Joseph Vance (1879-1933). Filmes: 1917 – O Lobo Solitário / The Lone Wolf com Bert Lytell. 1924 – O Lobo Solitário / The Lone Wolf com Jack Holt. 1926 – A Volta do Lobo Solitário / The Lone Wolf Returns. 1927 – O Lobo Solitário / Alias the Lone Wolf. 1929 – A Atração do Alheio / The Lone Wolf’s Daughter. 1930 – Lágrimas de Rainha / The Last of the Lone Wolf, todos com Bert Lytell. 1935 – A Volta do Lobo Solitário / The Lone Wolf Returns com Melvyn Douglas. 1938 – As Jóias da Corôa / The Lone Wolf in Paris com Francis Lederer. 1939 – Álibi Nupcial / The Lone Wolf Spy Hunt. 1940 – Pérolas Fatídicas / The Lone Wolf Strikes. Noiva da Fatalidade / The Lone Wolf Meets a Lady. O Lobo entre Lobos / The Lone Wolf Keeps a Date. 1941 – O Lobo se Arrisca / The Lone Wolf Takes a Chance. As Jóias do Imperador / Secrets of the Lone Wolf. 1942 – Dama em Perigo / Counter-Espionage. 1943. Uma Noite Perigosa / One Dangerous Night. Passaporte para Suez / Passport to Suez, todos com Warren William. 1946 – O Roubo da Safira Indiana / The Notorious Lone Wolf. 1947 – O Lobo Solitário em Londres / The Lone Wolf in London. O Lobo Solitário no México / The Lone Wolf in Mexico, todos com Gerald Mohr. Nas Garras do Lobo / The Lone Wolf and His Lady com Ron Randell. 1954 – The Lone Wolf, Série de TV com Louis Hayward.

Warren William como O Lobo Solitário

Warren William como O Lobo Solitário

tiras-lone-wolf-ww-poster

tiras-lone-wolf-gmohr-posterNERO WOLFE. Detetive particular criado por Rex Stout Todhunter sob o pseudônimo de Rex Stout (1886-1975). Filmes: 1936 – A Astúcia de Nero Wolfe / Meet Nero Wolfe com Edward Arnold. 1937 – A Liga dos Ameaçados / The League of Frightened Men com Walter Connoly. 1961 – Zu viele Küche, Série de TV alemã com Heinz Klevenov. 1969 – Nero Wolfe, Série de TV italiana com Tino Buazelli.

 e Edward Arnold em A Astúcia de nero Wolfe

Lionel Stander e Edward Arnold em A Astúcia de Nero Wolfe

tiras-meeet-nero-wolfe-poster-connolly

Tino Buazelli como Nero Wolfe

Tino Buazelli como Nero Wolfe

MR.WONG. Detetive chino-americano James Lee Wong criado por Hugh B. Wiley (1884-1968). Filmes: 1938 – Mr. Wong Detetive / Mr. Wong Detective. 1939 – O Misterioso Mr. Wong / The Mystery of Mr. Wong. Mr. Wong no Bairro Chinês / Mr. Wong in Chinatown. 1940 – Noite de Terror / Fatal Hour. Condenado à Morte / Doomed to Die, todos com Boris Karloff. 1941 – Phantom of Chinatown com Keye Luke.

Boris Karloff como Mr. Wong

Boris Karloff como Mr. Wong

luke

ZIGOMAR. Gênio do crime criado por Léon Sazie (1862-1939). Filmes: 1911 – Zigomar ou Zigomar contra Paulino Broquet (o nome do personagem no original era o chefe de polícia Paulin Broquet)/ Zigomar. 1912 – Zigomar contra Nick Carter ou Nick Carter contra Zigomar / Zigomar contre Nick Carter. 1913 – Zigomar, pele de enguia / Zigomar, peau d ‘anguille, todos com Alexandre Arquillìere.

acao-zigomar-melhor

GRANDES PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – II

December 9, 2016

detetives-file-113-poster-mlecoq

MONSIEUR LECOQ. Detetive criado por Émile Gaboriau (1832-1873). 1914 – Monsieur Lecoq com Harry Baur. 1915 L’ Affaire d ‘Orcival com Henri Roussel. The Family Stain com Frank Evans. Monsieur Lecoq com William Morris. 1933 – File 113 com Lew Cody. 1962 – L’Epingle du Jeu (ep. da Série de TV Les Cinq Dernières Minutes) com Roger Dumas. 1971 Nina Gypsy com Henri Lambert. 1975 – Monsieur Lecoq (ep. da Série de TV Les Grands Detectives) com Gilles Ségal.

Karen Morley, John Barrymore e Lionel Barrymore em Arsène Lupin

Karen Morley, John Barrymore e Lionel Barrymore em Arsène Lupin

viviviviv

Jules Berry em Arsène Lupin, Detective

Jules Berry em Arsène Lupin, Detective

detetives-arsene-lupin-returns-poster-roxomelhor

abc

detetives-les-aventures-ars-lupin-jbecker

Robert Lamoureux em Signé Arsène Lupin

Robert Lamoureux em Signé Arsène Lupin

Georges Descrières como Arsène Lupin na Série de TV

Georges Descrières como Arsène Lupin na Série de TV

ARSÈNE LUPIN – Ladrão cavalheiro criado por Maurice Leblanc (1864-1941). Filmes: 1908 – The Gentleman Burglar. 1909 – Arsène Lupin e 1914 – Arsène Lupin contre Ganimard, ambos com Georges Tréville. 1910 – Den blaa Diamant (Arsène Lupin contra Sherlock Holmes), Série alemã com Paul Otto e Viggo Larsen.- 1916 – Arsene Lupin com Gerald Ames. 1917 – Arsene Lupin com Earle Williams. 1919 – Dentes de Tigre ou Os Dentes do Tigre / The Teeth of the Tiger com David Powell. 1920 – 813 ou Arsenio Lupin / 813 com Wedgwood Nowell. 1921 – Arsène Lupin, Utolso Kalandja, Série húngara com Gustav Partos. 1932 – Arsène Lupin / Arsène Lupin com John Barrymore. 1937- Arsène Lupin Détective com Jules Berry. 1938 – A Volta de Arsène Lupin / Arsène Lupin Returns com Melvyn Douglas. 1944 – Arsène Lupin / Enter Arsene Lupin com Charles Korvin. 1947 – Arsenio Lupin com Ramon Pereda. 1956 – As Aventuras de Arsène Lupin / Les Aventures d’Arsène Lupin e 1959 – Signé Arsène Lupin, ambos com Robert Lamoureux. 1971 – Arsène Lupin, Série de TV com Georges Descrières.

detetives-mabuse-ii

Cena de Dr. Mabuse, o Jogador

Cena de Dr. Mabuse, o Jogador

detetives-mabuse

vavaMABUSE. Gênio do crime criado por Norbert Jacques (1880-1954). Filmes: 1922 – Dr. Mabuse, o Jogador / Dr. Mabuse, der Spieler. 1933 – O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabus, ambos com Rudolf Klein-Rogge. 1960 – Os 1000 Olhos do Dr. Babuse / Die Tausend Augen des Dr. Mabuse. 1961 – Nas Garras do Dr. Mabuse / Im Stahinetz des Dr. Mabuse. 1962 – O Invisível Dr. Mabuse / Die unsichtbaren Krallen des Dr. Mabuse. O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabuse. 1963 -Scotland Yard jagt Dr. Mabuse. 1965 – Die Todesstrahlen des Dr. Mabuse, todos com Wolfgang Preiss. 1970 – La Venganza del Dr. Dr. Mabuse com Jack Taylor.

Pierre Renoir em La Nuit du Carrefour

Pierre Renoir em La Nuit du Carrefour

Harry Baur como Maigret

Harry Baur como Maigret

Charles Laughton como Maigret

Charles Laughton como Maigret

Gino Cervi como Maigret

Gino Cervi como Maigret

Georges Simenon e Jean Gabin

Georges Simenon e Jean Gabin

JULES MAIGRET. Comissário de polícia criado por Georges Simenon (1903-1989). Filmes: 1932 – La Nuit du Carrefour com Pierre Renoir. Le Chien Jaune com Abel Tarride. 1933 – La Tête d’un Homme com Harry Baur. 1944 – Cécile est Morte. 1945 – Les Caves du Majestic, ambos com Albert Préjean. 1949 – Fugitivo da Guilhotina / The Man on The Eiffel Tower com Charles Laughton. 1956 – Maigret dirige l’enquête com Maurice Manson. 1958 – Assassino de Mulheres / Maigret tend un piège. 1959 – O Castelo do Mêdo / Maigret et l’affaire Saint Fiacre, ambos com Jean Gabin. Maigret, Série de TV britânica com Rupert Davies. 1960 – Liberty Bar, telefime com Louis Arbessier.1963 – Inspetor Maigret Acerta / Maigret Voit Rouge com Jean Gabin. 1964 – Le Inchiesta del Comissario Maigret. Série de TV com Gino Cervi. Afera Saint Fiacre, telefime iugoslavo com Ljuba Tadic. Maigret. Série de TV belga com Jan Teulings. Maigret: De kruideniers, filme holandês com Kees Brusse. 1965 – Maigret, and the Lost Life (BBC Sunday Night Theatre) com Basil Sidney. Maigret at Bay (BBC Play of the Month) com Rupert Davies. 1966 – Maigret em Pigalle / Maigret a Pigalle com Gino Cervi. Maigret und sein grosster com Heinz Rühman. 1967 – Les Enquêtes du Commissaire Maigret. Série de TV com Jean Richard. 1974 – Megre I staraya dama. Filme russo com Boris Tenin.

Pat O'Brien, George Murphy e Carole Landis em Um Crime Maravilhoso

Pat O’Brien, George Murphy e Carole Landis em Um Crime Maravilhoso

Brian Donlevy em Deusa do Mal

Brian Donlevy em Deusa do Mal

James Whitmore e Marjorie Main em Trem de Surpresas

James Whitmore e Marjorie Main em Trem de Surpresas

JOHN J. MALONE. Advogado detective criado por Georgiana Ann Randolph Craig (1908-1957) sob o pseudônimo de Craig Rice. Filmes: 1945 – Um Crime Maravilhoso / Having a Wonderful Crime com Pat O’Brien. 1949 – Deusa do Mal / The Lucky Stiff com Brian Donlevy. 1950 – Trem de Surpresas / Mrs. O’ Malley and Mr. Malone com James Whitmore. 1951 – The Amazing Mr. Malone, telefilme com Gene Raymond. 1951 – The Amazing Mr. Malone, Série de TV com Lee Tracy.

Warner Oland como Fu Manchu

Warner Oland como Fu Manchu

abcde

Boris Karloff em A Máscara de Fu Manchu

Boris Karloff em A Máscara de Fu Manchu

Henry Brandon no seriado Os Tambores de Fu Manchu

Henry Brandon no seriado Os Tambores de Fu Manchu

Christopher Lee como Fu Manchu

Christopher Lee como Fu Manchu

FU MANCHU / SIR NEYLAND SMITH. Super vilão chinês e inspetor da Scotland Yard criados por Arthur Henry Sarsfield Ward (1883-1959) sob o pseudônimo de Sax Rohmer. Filmes: 1923 – The Mysteries of Dr. Fu Manchu, Série com H. Agar Lyons e Fred Paul. 1929 – O Misterioso Dr. Fu Manchu / The Mysterious Dr. Fu Manchu e 1930 – O Ressucitado ou A Volta de Fu Manchu / The Return of Fu Manchu, ambos com Warner Oland e O. P. Heggie. 1932 – A Máscara de Fu Manchu / The Mask of Fu Manchu com Boris Karloff e Lewis Stone. 1940 – Os Tambores de Fu Manchu / Drums of Fu Manchu, seriado com Henry Brandon e William Royle. 1956 – The Adventures of Dr. Fu Manchu, Série de TV com Glenn Gordon e Lester Matthews. 1965 – A Face de Fu Manchu / The Face of Fu Manch, com Christopher Lee e Nigel Green. 1966 – As 13 Noivas de Fu Manchu / The Brides of Fu Manchu e 1967 – A Filha Diabólica de Fu Manchu / The Vengeance of Fu Manchu, ambos com Christopher Lee e Douglas Wilmer. 1968 – The Blood of Fu Manchu. 1969 e The Castle of Fu Manchu, ambos com Christopher Lee e Richard Greene.

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À Beira do Abismo

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À Beira do Abismo

Dick Powell e Claire Trevor em Até a Vista, Querida

Dick Powell e Claire Trevor em Até a Vista, Querida

George Montgomery e Nancy Guild em A Moeda Trágica

George Montgomery e Nancy Guild em A Moeda Trágica

Robert Montgomery em A Dama do Lago

Robert Montgomery em A Dama do Lago

James Garner em Detetive Marlowe em Ação

James Garner em Detetive Marlowe em Ação

Elliott Gould em Um Perigoso Adeus

Elliott Gould e Nina Van Pallandt em Um Perigoso Adeus

Robert Mitchum e Charlotte Rampling em O Último dos Valentões

Robert Mitchum e Charlotte Rampling em O Último dos Valentões

PHILIP MARLOWE. Detetive particular criado por Raymond (Thorton) Chandler (1888-1959). Filmes: 1945 – Até a Vista, Querida / Murder my Sweet com Dick Powell. 1946 – À Beira do Abismo / The Big Sleep com Humphrey Bogart. A Dama do Lago / Lady in the Lake com Robert Montgomery. 1947 – A Moeda Trágica / The Brasher Doubloon com George Montgomery. 1969 – Detetive Marlowe em Ação / Marlowe com James Garner. 1973 – Um Perigoso Adeus / The Long Goodbye com Elliott Gould. 1975 – O Último dos Valentões / Farewell My Lovely. 1978 – A Arte de Matar / The Big Sleep.

Margaret Rutherford, Miss Marple

Margaret Rutherford, Miss Marple

MISS JANE MARPLE. Detetive particular do sexo feminino criado por Agatha Christie (1890-1976). Filmes: 1961 – Quem Viu, Quem Matou / Murder, She Said. 1963 – Sherlock de Saias / Murder at the Gallop. 1964 – Crime sobre Crime / Must Most Foul. 1969 – Crime a Bordo / Murder Ahoy, todos com Margaret Rutherford.

detetive-perrymason

detetives-sttuterring-bishop

aacorte

Raymond Burr e Barbara Hale na Série de TV Perry Mason

Raymond Burr e Barbara Hale na Série de TV Perry Mason

PERRY MASON. Advogado-detetive criado por Erle Stanley Gardner (1889-1970). 1934 – O Caso do Cão Uivador / The Case of the Howling Dog. 1935 – A Noiva Curiosa / The Case of the Curious Bride. O Caso das Pernas Bonitas / The Case of the Lucky Legs. 1936 – Garras de Veludo / The Case of the Velvet Claws, todos com Warren William. O Mistério do Gato Preto / The Case of the Black Cat com Ricardo Cortez. 1937 – O Mistério da Doca / The Case of the Stuttering Bishop com Donald Woods. 1957 – Perry Mason, Série de TV com Raymond Burr 1957. 1973 The New Perry Mason, Série de TV com com Monte Markham.

aaaaaa

Paul Meurisse como Comandante Théobald Dromard, Le Monocle Noir

Paul Meurisse como Comandante Théobald Dromard, Le Monocle Noir

LE MONOCLE NOIR. Agente secreto Comandante Théobald Dromard, criado por Gilbert-Léon Renault (1904-1984) sob o pseudônimo de Rémy. 1961 – Le Monocle Noir. 1962 – Monocle, O Agente Secreto / L’Oeil du Monocle. 1964 – Le Monocle rit jaune, todos com Paul Meurisse.

Peter Lorre como Mr. Moto

Peter Lorre como Mr. Moto

zmoto-poster

MOTO. Detetive japonês criado por John P. (Phillips) Marquand (1893-1960). Filmes: 1937 – O Misterioso Mr. Moto / Think Fast, Mr. Moto. Obrigado, Mr. Moto / Thank You, Mr. Moto. 1938 – O Palpite de Mr. Moto / Mr. Moto’s Gamble. Mr. Moto se Aventura / Mr. Moto Takes a Chance. 1939 – A Fuga de Mr. Moto / Mysterious Mr. Moto. Mr. Moto Chega a Tempo / Mr. Moto’s Last Warning. Mr. Moto na Ilha do Terror / Mr. Moto in Danger Island. Mr. Moto em Férias / Mr. Moto Takes a Vacation, todos com Peter Lorre. 1965 – The Return of Mr. Moto com Henry Silva.

Aline MacMahon em Enquanto o Doente Dormia

Aline MacMahon em Enquanto o Doente Dormia

detetives-patient-in-room-18-poster

Ann Sheridan em A Dama do Quarto Número 18

Ann Sheridan em A Dama do Quarto
Número 18

NURSE KEATE. Enfermeira detetive amadora Sarah Keate (às vêzes chamada de Sally Keating) criada por Mignon G. (Good) Eberhart (1899-1996). Filmes: 1935 – Enquanto o Doente Dormia / While The Patient Slept com Aline MacMahon. 1936 – A Morte do Dr. Harrigan / The Murder of Dr. Harrigan com Kay Linaker. Murder by an Aristocrat com Marguerite Churchil. 1938 – A Dama do Quarto Número 18 / Patient in Room 18. A Chave do Mistério / Mystery House, ambos com Ann Sheridan.

yoss-117-poster

Ivan Desny como OSS 117

Ivan Desny como OSS 117

OSS 117. Agente secreto Hubert Bonisseur de La Bath criado por Jean Brochet (1921-1963) sob o pseudônimo de Jean Bruce. Filmes: 1956 – OSS 117 n’est pas mort com Ivan Desny. 1962 – O Agente OSS 117 / Furia à Bahia pour OSS 117 com Fredrick Stafford. 1963 – Pânico em Bangkok / Banco à Bangkok pour OSS 117. OSS 117 / OSS 117 se déchaine, ambos com Kerwin Mathews. 1966 – Código 117, Sabotagem Atômica / Atout coeur à Tokyo com Fredrick Stafford. 1968 – Assassinos de Aluguel / Niente rose per OSS 117 com John Gavin. 1970 – Verão de Fogo / OSS 117 prend des vacances com Luc Merenda.

Michael Caine em Arquivo Confidencial

Michael Caine em Arquivo Confidencial

HENRY PALMER (Harry Palmer no cinema). Agente secreto criado por Leonard Cyril Deighton sob o pseudônimo de Len Deighton (1929 –  ). Filmes: 1965 – Ipcress: Arquivo Confidencial / The Ipcress File. 1966 – Funeral em Berlim / Funeral in Berlin. 1967 – O Cérebro de um Bilhão de Dólares / Billion Dollar Brain, todos com Michael Caine.

vvvv-palmun

PALMUN. Comissário finlandês Frans J. Palmu criado por Mika Waltari (1908-1979). Filmes: 1960 – Komisario Palmun Erehdys. 1961 – Kaasua Komisario Palmun! 1962 – Tähdet kertovak, Komisario Palmun, todos com Joel Rinne.

Albert Finney como Poirot

Albert Finney como Poirot

kkkkkkkmurder-poster

HERCULE POIROT. Detetive criado por Agatha Christie. 1965 – Os crimes do Alfabeto / The Alphabeet Murders com Tony Randall. 1962 – Hercule Poirot, ep. da Série de TV General Electric Theater com Martin Gabel. 1974 – Assassinato no  Orient Express / Murder on the Orient Express com Albert Finney.

baba

CONTINENTAL EXPRESS (aka THE SILENT BATTLE), John Loder, Valerie Hobson, Rex Harrison, 1939

CONTINENTAL EXPRESS (aka THE SILENT BATTLE), John Loder, Valerie Hobson, Rex Harrison.

LE POISSON CHINOIS. Agente secreto Capitão Jacques Sauvin criado por Jean Bommart (1894-1979). Filmes: 1937 – A Batalha em Segredo / La Bataille Silencieuse com Michel Simon. 1939 – The Silent Battle  ou The Continental Express com Rex Harrison.

 

PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – I

November 25, 2016

O romance policial nasceu com Edgar Allan Poe, embora alguns historiadores do gênero apontem o Édipo de Sófocles e o Zadig de Voltaire. O Auguste Dupin de Poe ensejou o nascimento do M. Lecoq de Émile Gaboriau que, por sua vez, inspirou o Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle. Oriundo do folhetim, o gênio do crime, no estilo de Rocambole e depois de Fantômas ou Fu Manchu, cedeu lugar para o ladrão cavalheiro personificado por Raffles e Arsène Lupin, e continuado pelo Lobo Solitário ou pelo Santo. Nos anos trinta, surgiu o detetive amador dândi como Lord Peter, o filho de um comissário de polícia como Ellery Queen, um advogado como Perry Mason, um jornalista como Rouletabille, um cultivador de orquídeas como Nero Wolf, um detetive chinês como Charlie Chan ou de descendência eslava como M. Wens. O Hercule Poirot de Agatha Christie levou ao apogeu o tipo de romance baseado em um enigma e S. S. Van Dine, autor de Philo Vance, estabeleceu as regras do gênero, que Georges Simenon desrespeitou, criando Maigret, comissário de polícia profundamente humano. No decorrer desses mesmos anos trinta desenvolveu-se nos Estados Unidos, notadamente nos pulp magazines como a revista Black Mask, um novo estilo, o hard boiled, cujos representantes mais famosos foram o detetive Sam Spade de Dashiell Hammett, o Philip Marlowe de Raymond Chandler, e depois o Mike Hammer de Mickey Spillane. Surgiram ainda os agentes secretos como Mr. Moto, Bulldog Drummond e o James Bond de Ian Fleming bem como inúmeros outros personagens da literatura policial, cujas filmografias procuro organizar em ordem alfabética, mas só até 1975, excluindo aqueles oriundos dos programas de rádio, dos quadrinhos ou diretamente do cinema os quais poderão ser encontrados no meu artigo de 26 de novembro de 2010: As Grandes Séries Policiais Americanas dos Anos 30 / 40.

                                                                                        FILMOGRAFIAS

LEW ARCHER. Detetive particular criado por Kenneth Millar (1915-1983) sob o pseudônimo de Ross MacDonald. Filmes: 1966 – Caçador de Aventuras / Harper. 1975 – A Piscina Mortal / The Drowning Pool, ambos com Paul Newman com o nome de Lew Harper.

Paul Newman como Lew Harper

Paul Newman como Lew Harper

 MARTIN BECK. Inspetor de polícia sueco criado por Per Wahlöö (1935 – ) e Maj Sjöwall (1926-1975). Filmes: 1973 – Matança em San Francisco / The Laughing Policeman com Walter Matthau (com o nome de Jake Martin). 1976 – Mannen Pa Taket com Carl-Gustaf Lindstadt.

Walter Matthau em The Laughing Policeman

Walter Matthau em The Laughing Policeman

detetives-martin-beck-laughing-policeman

Carl- em Mannen pa tapete

Carl-Gustaf LIndstadt em Mannen pa taket

martin-beck-poster

FRÉDÉRICK BELOT. Inspector de polícia criado por Eugène Avtzin (1901- 1992) sob o pseudônimo de Claude Aveline. Filmes: 1964 – L’Abonné de la ligne U, Série de TV com Jacques Dacqmine.

detetives-f-belot

BOSTON BLACKIE. Ex-ladrão que se tornou detetive criado por Jack Boyle (1881-1928). Filmes: 1918 – A Centelha do Bem / Boston Blackie’s Little Pal com Bert Lytell. 1919 – Minha Adoração / The Poppy Girl’s Husband com Walter Long. Ladrão de Luva de Pelica / The Silk Lined Burglar com Sam De Grasse. Redenção / Blackie’s Redemption com Bert Lytell. 1922 Digna do Meu Amor / Missing Millions com David Powell. Volúpia e Ouro / The Face in the Fog com Lionel Barrymore. 1923 – O Suplício da Água /Boston Blackie com William Russell. 1923 – Caminho Tortuoso / Crooked Alley com Thomas Carrigan. 1924 – Os Três Apaches / Through the Dark com Forrest Stanley. 1927 – A Vitória do Bem / The Return of Boston Blackie com Bob Custer sob o nome de Raymond Glenn. 1941 – Rastro nas Trevas / Meet Boston Blackie. O Segrêdo da Estátua / Confessions of Boston Blackie. 1942 – Vingança Frustrada / Alias Boston Blackie. Aventura em Hollywood / Boston Blackie Goes Hollywood. 1943 – Aventura à Meia-Noite / After Midnight With Boston Blackie. Sendas Tortuosas / The Chance of a Lifetime. 1944 – O Caso do Diamante Azul / One Mysterious Night. 1945 – Suspeita Injusta / Boston Blackie Booked on Suspicion. 1945 – A Chantagista / A Close Call for Boston Blackie. O Segredo de Ann Duncan / The Phantom Thief. Noite de Surpresas / Boston Blackie’s Rendezvous. 1946 – Mágico Amador / Boston Blackie and the Law. 1948 – O Triunfo de Boston Blackie / Trapped by Boston Blackie. 1949 – Boston Blackie no Bairro Chinês. Boston Blackie’s Chinese Venture, todos com Chester Morris. 1951 – Boston Blackie. Série de TV com Kent Taylor.

detetives-lytell

detetives-boston-blackie-william-russell

ave-boston-ii

Chester Morris como Boston Blackie

Chester Morris como Boston Blackie

SEXTON BLAKE. Detetive criado por Harry Blyth (1852-1898) sob o pseudônimo de Hal Meredith. Filmes: 1909 – Sexton Blake. Sexton Blake versus Baron Kettler. Britain’s Secret Treaty, todos com Charles Douglas Carlyle. 1914 – The Mystery of the Diamond Belt, com Philip Kay. 1915 – The Thornton Jewel Mystery. The Great Cheque Fraud. The Counterfeiters. The Stolen Heirloom. todos com Harry Lorraine. 1920 – The Further Exploits of Sexton Blake: The Mystery of the S.S. Olympic e 1922 – Doddington Diamonds, ambos com Douglas Payne. 1928 – The Clue of the Second Goblet. Blake the Lawbreaker. Sexton Blake Gambler. Silken Threads. The Great Office Mystery. The Mystery of the Silent Death, todos com Langhorne Burton. 1935 – Sexton Blake and the Bearded Doctor. Sexton Blake and the Mademoiselle. 1938 – Sexton Blake and the Hooded Terror, todos com G. Curzon. 1944 – Meet Sexton Blake e 1945 – The Echo Murders, ambos com D. Farrar. 1959 – Murder at the Site Three, com Geoffrey Toone. 1967-1971 – Série de TV com Lawrence Payne.

George Curzon como Sexton Blake

George Curzon como Sexton Blake

detetives-sexton-blake-eho-postetr

JAMES BOND. Agente secreto criado por Ian Fleming (1908-1964). Filmes: com Sean Connery: 1962 – O Satânico Dr. No / Dr. No. 1963 – Moscou Contra 0007 / From Russia with Love. 1964 – 007 Contra Goldfinger / Goldfinger. 1965 – 007 Contra a Chantagem Atômica / Thunderball. 1966 – Com 007 Só Se Vive Duas Vêzes / You Only Live Twice. 1971 – 007 – Os Diamantes São Eternos / Diamonds are Forever. 1983 – 007 – Nunca Mais Outra Vez / Never Say Never Again; com Roger Moore: 1973 – Com 007 Viva e Deixe Viver / Live and Let Die. 1974 – 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro / The Man with the Golden Arm.

detetives-no

detetives-conneryNESTOR BURMA – Detetive criado por Léo Malet (1909-1996). Filmes: 1945 – 120 Rue de la Gare, com René Dary. 1954 – La Nuit d’Austerlitz, telefilme com Daniel Soriano.

detetives-nestor-burma-poster

 SLIM CALLAGHAN. Detetive particular criado por Reginald Evelyn Peter Southouse Cheyney (1896-1951) sob o pseudônimo de Peter Cheyney. 1948 – Uneasy Terms com Michael Rennie. 1952 – Meet Mr. Callaghan, telefilme britânico com Terence de Marney. 1954 – Meet Mr. Callaghan com Derrick de Marney. 1955 – A Toi de jouer Callaghan. Plus de Whisky pour Callaghan. 1961 – Callaghan remet ça, todos com Tony Wright.

detetives-meet-mr-callaghan-de-marney

STEVE CARELLA. Detetive criado por Salvatore A. Lombino (1926-2005) sob o pseudônimo de Ed McBain e/ ou Evan Hunter. FILMES: 1958 – Cercados pela Polícia / Cop Hater. 1961 – 87th Precinct, Série de TV com Robert Lansing. 1970 – Aliados contra o Crime / Fuzz com Burt Reynolds. 1971 – Sem Motivo Aparente / Sans Mobile Apparent com Jean Louis Tritignant (com o nome de Stéphane Carelli). 1978 – Laços de Sangue / Les Liens de Sang com Donald Sutherland.

detetives-nick-carter-poster

Walter Pidgeon como Nick Carter

Walter Pidgeon como Nick Carter

detetives-nick-carter-poster-wpidgeon

NICK CARTER. Detetive criado por John Russel Coryell (1848 – 1924). Filmes: 1908 – Série Nick Carter com Pierre Bressol (Nick Carter / Nick Carter, Le Roi des Detectives / 1908 e Novos Expedientes ou Novas Façanhas de Nick Carter / Les Nouveaux Exploits de Nick Carter / 1909). 1920 – Série Nick Carter com Thomas Carrigan. 1922 – Série Nick Carter com Edmund Lowe. 1939 – Nick Carter, Super-Detetive / Nick Carter, Master Detective. 1940 – Nick Carter nos Trópicos / Phantom Raiders e Nick Carter nas Nuvens /Sky Murder, todos com Walter Pidgeon. 1963 – Nick Carter va tout casser e 1965 – Carter et le trèfle rouge, ambos com Eddie Constantine. Por curiosidade, lembro a série Nick Winter de filmes “cômicos policiais” parodiando Nick Carter, exibida com sucesso no Brasil.

caca

Eddie Constantine e Anna Karina em Alphaville

Eddie Constantine e Anna Karina em Alphaville

LEMMY CAUTION. Agente do FBI criado por Reginald Evelyn Peter Southouse Cheyney (1896-1951) sob o pseudônimo de Peter Cheyney. 1953 – Brotinho Venenoso / La Môme Vert-de-Gris. Cet Homme est Dangereux, ambos com Eddie Constantine. 1954 – Les Femmes s’en balancent com Eddie Constantine. 1955 – Vous pigez? 1960 – Ça va être ta fête. Comment qu’elle est. 1962 – Um Crime na Riviera / Lemmy pour les dames. 1963 – À Toi de faire mignonne, 1965 – Alphaville / Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, todos com Eddie Constantine.

CHARLIE CHAN. Detetive de origem chinêsa criado por Earl Derr Bigger (1884 -1933). Filmes: Charlie Chan será objeto de um artigo especial.

baba

CHANTECOQ. Detetive criado por Arthur Bernède (1871-1937). Filmes: 1926 – O Fantasma do Louvre / Belphégor con René NavarreL 1965 – Belphégor, Minissérie de TV com René Dary (mas o nome do personagem foi mudado para Comissário Ménardier).

Myrna Loy e William Powell como Nora e Nick Charles

Myrna Loy e William Powell como Nora e Nick Charles

detetives-nick-and-nora-posterNICK e NORA CHARLES. Dupla de detetives amadores criados por Dashiell Hammett (1894-1961). Filmes: 1934 – A Ceia dos Acusados / The Thin Man. 1936 – A Comédia dos Acusados / After the Thin Man. 1939 – O Hotel dos Acusados / Another Thin. 1941 – A Sombra dos Acusados / Shadow of the Thin Man. 1944 – The Thin Man Goes Home / O Regresso Daquele Homem. 1947 – A Canção dos Acusados / Song of the Thin Man, todos com William Powell e Myrna Loy. 1957 – Série de TV com Peter Lawford e Phyllis Kirk.

aba

COCKRILL. Inspetor de polícia criado por Mary Christianna Lewis (1907-1988) sob o pseudônimo de Christianna Brand. Filmes: 1947 – Verde Passional / Green for Danger com Alastair Sim.

aca

Cena de Big Circus Queen

Cena de Big Circus Queen

THATCHER COLT. Comissário de polícia criado por Charles Foulton Oursler (1893-1952) sob o pseudônimo de Anthony Abbott. Filmes: 1932 – A Dama do Cabaré / Night Club Lady. 1933 – The Circus Queen Murder, ambos com Adolphe Menjou.

asa

COPLAN – Agente secreto Francis Coplan criado por Jean Libert (1913-1981) e Gaston Van den Panhuyse (1913-1981) sob o pseudônimo de Paul Kenny. Filmes: 1957 – Mulheres e Espiões / Action Immédiate com Henri Vidal. 1964 – Coplan prend des risques com Dominique Paturel. O Agente Secreto FX-18 Ataca / Coplan Agent Secret F. X.18 com Ken Clark. 1965 – 0777-Missão Summergame / Coplan F.X.18 casse tout com Richard Wyler. 1966 – O777 ataca no México / Coplan ouvre le feu à Mexico com Lang Jeffries. 1968 – O Assassino tem as horas Contadas / Coplan sauve sa peau com Claudio Brook.

detetives-nader-nader

JERRY COTTON. Agente do FBI criado por Hans Werner Hoeber (1931-1996)   Filmes: 1965 – Jerry Cotton, o Agente Secreto / Schüsse aus dem Geigenkasten. Mordnacht in Manhattan. 1966 – Die Rechnung – eiskalt serviert. Um Null Uhr schnappt di falle zu. 1967 – Der Mörderclub von Brooklyn. 1968 – Der Tod im Toten Jaguar. Dynamit in grüner Seide. 1969 – Todesschüsse am Broadway, todos com George Nader.

ave-lady-in-the-morgue

BILL CRANE. Detetive criado por Jonathan Latimer (1906-1983). Filmes: 1937 – Aventura Cavalheiresca / The Lady in the Morgue. 1938 – O Caso Westland / The Westland Case e O Último Aviso / The Last Warning, todos com Preston Foster e fazendo parte da Crime Club series.

ata

detetives-nancy-drew-cena

nancy-drew

NANCY DREW. Detetive amadora juvenil criada pelo editor Edward Stratemeyer, sendo que os livros foram escritos por vários ghost writers e publicados sob o pseudônimo coletivo Carolyn Keene. Filmes: 1938 – Nancy Drew, a Detetive. 1939 – Nancy Drew, a Reporter / Nancy Drew Reporter. Nancy Drew Desvenda um Crime / Nancy Drew Troubleshooter. Nancy Drew e a Escada Secreta / Nancy Drew and the Hidden Staircase, todos com Bonita Granville. 1977 – The Hardy Boys / Nancy Drew Mysteries. Série de TV com Pamela Sue Martin e depois Janet Louise Johnson.

Ronald Colman como Bulldog Drummond

Ronald Colman como Bulldog Drummond

Ray Milland como Bulldog Drummond

Ray Milland como Bulldog Drummond

ave-bulldog-howard

BULLDOG DRUMMOND. Agente secreto Capitão Hugh Drummond, criado por Herman Cyril McNeile (1888-1937) sob o pseudônimo de Sapper. Filmes: 1923 – Bulldog Drummond com Carlyle Blackwell. 1925 – Bulldog’s Drummond Third Round com Jack Buchanan. 1929 – Amante de Emoções / Bulldog Drummond com Ronald Colman. 1930 – Temple Tower com Kenneth MacKenna. 1934 – The Return of Bulldog Drummond com Ralph Richardson. 1937 – A Volta de Bulldog Drummond / Bullddog Drummond Strikes Back com Ronald Colman. 1937 – Evasão de Bulldog Drummond / Bulldog Drummond Escapes com Ray Milland. Bulldog Drummond Reaparece / Bulldog Drummond Comes Back. A Vingança de Bulldog Drummond / Bulldog’s Drummond Revenge. 1938 – Bulldog Drummond em Perigo / Bulldog’s Drummond Peril. Bulldog Drummond na África / Bulldog Drummond in Africa. Rende-te Drummond! / Arrest Bulldog Drummond. 1939 – O Tesouro de Bulldog Drummond / Bulldog’s Secret Police. O Casamento de Bulldog Drummond / Bulldog’s Drummond Bride, todos com John Howard. 1947 – Bulldog Drummond Detetive / Bulldog Drummond at Bay. Bulldog Drummond Ataca / Bulldog Drummond Strikes Back, ambos com Ron Randell. 1948 – O Desafio / The Challenge. 13 Soldadinhos de Chumbo / 13 Lead Soldiers, ambos com Tom Conway. 1951 – Londres a Meia-Noite / Calling Bulldog Drummond com Walter Pidgeon. 1952 – Bulldog Drummond com Robert Beatty. 1967 – Bonecas que Matam / Deadlier Than the Male. 1969 – Some Girls Do, ambos com Richard Johnson.

homicide-for-3

PETER e IRIS DULUTH. Detetives amadores criados por Richard Wilson Webb (1902-1965) sob o pseudônimo de Patrick Quentin. Filmes: 1948 – Crime Perfeito / Homicide for Three com Warren Douglas e Audrey Lang. 1954 – A Viúva Negra / The Black Widow com Van Heflin e Gene Tierney (com os nomes de Peter e iris Denver).

Cena de Os Assassinatos da Rua Morgue

Cena de Os Assassinatos da Rua Morgue

murder-morgue-ii

AUGUSTE DUPIN – Detetive criado por Edgar Allan Poe (1809-1849). Filmes: Os Assassinatos da Rua Morgue / Murders in the Rue Morgue, com Leon Ames com o nome de Pierre Dupin. 1942 – O Mistério de Marie Roget / The Mystery of Marie Roget com Patrick Knowles. 1954 – O Fantasma da Rua Morgue / Phantom of the Rue Morgue, com Steve Forrest. 1973 – Le Double Assassinat de la Rue Morgue com Daniel Gélin.

detetives-saint-poster-best

Tom Conway e George Sanders

Tom Conway e George Sanders

ave-falcon-bestTHE FALCON. Detetive particular Gay Laurence criado por Dirkan Koyoumdjian (1895-1956) sob o pseudônimo de Michael Arlen. Filmes: 1941 – O Falcão Alegre / The Gay Falcon. Um Encontro com o Falcão / A Date With the Falcon. 1942 – Nas Garras do Falcão / The Falcon Takes Over, todos com George Sanders. O Irmão do Falcão / The Falcon’s Brother. 1943 – O Falcão Contra-Ataca / The Falcon Strikes Back. O Falcão em Perigo / The Falcon in Danger. O Falcão e as Estudantes / The Falcon and the Co-Eds. 1944 – O Anel da Morte / The Falcon Goes West. O Mistério do Morto / The Falcon in Mexico. O Falcão em Hollywood/ The Falcon in Hollywood. 1945 – O Falcão em San Francisco. 1946 – O Álibi do Falcão / The Falcon’s Alibi. A Aventura do Falcão / The Falcon’s Adventure, todos com Tom Conway. 1948 – Carga Sinistra / The Devil’s Cargo. Encontro com a Morte / Appointment With Murder. 1949 – Search for Danger, ambos com John Calvert. 1954 – Adventures of the Falcon, Série de TV com Charles McGraw.

Fantomas / 1913-14

Fantomas / 1913-14

detetives-fantomas-marcel-herrandposter

Jean Marais como Fantomas

Jean Marais como Fantomas

FANTÔMAS / JUVE – Gênio do crime e comissário do polícia criados por Pierre Souvestre (1874-1914) e Marcel Allain (1885-1969). 1913-1914 – Fantomas / Fantômas, seriado com René Navarre e Edmond Bréon. 1920 – Fantomas / Fantomas, seriado com Edward Roseman e 1932 – Fantômas, com Jean Galland e Thomy Bourdelle. 1945 – Fantomas / Fantômas com Marcel Herrand e Alexandre Rignault. 1949 – Fantômas Contre Fantômas com Maurice Teynac e Alexandre Rignault. 1964 – Fantomas / Fantômas. 1965 – A Volta de Fantomas / Fantômas se Dechaine. 1967 – Fantomas contra a Scotland Yard / Fantômas contre Scotland Yard, todos com Jean Marais e Louis des Funès.

Hugh Sinclair, Francis L. Sullivan, griffith jones, frank lawton em the Four Just Men

Hugh Sinclair, Francis L. Sullivan, Griffith Jones, Frank Lawton em the Four Just Men

four-just-poster

Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins e Vittorio de Sica em The Four Just Men (Série de TV)

Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins e Vittorio de Sica em The Four Just Men (Série de TV)

THE FOUR JUST MEN. Quatro justiceiros (Jeff Ryder, Tim Collier, Ben Manfred, Ricco Poccari) criados por Edgar Wallace (1875 – 1932). Filmes: 1921 – The Four Just Men com Cecil Humphreys, Teddy Arundell, C. H. Croker-King, Owen Roughwood. 1939 – The Four Just Men com Hugh Sinclair, Griffith Jones, Francis L. Sullivan, Frank Lawton. 1959 – The Four Just Men. Série de TV com Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins, Vittorio de Sica.

Jack Hawkins como Inspetor Gideon

Jack Hawkins como Inspetor Gideon

jack-poster

GEORGE GIDEON – Inspetor da Scotland Yard criado por John Creasey (1908-1973)   sob o pseudônimo de J. J. Marric. Filmes: 1958 – Um Crime por Dia / Gideon’s Day. 1964. 1966 – Gideon’s Way, Série de TV com John Gregson.

gorila-poster-melhor-de-todos

LE GORILLE (Géo Paquet). Agente secreto criado por Dominique Ponchardier (1917-1986), sob o pseudônimo de Antoine L. Dominique. Filmes: 1957 – Gorila Le Gorille Vous Salue Bien com Lino Ventura. 1959 – Ninho de Espiões / La Valse du Gorille. 1962 e Le Gorille a Mordu L’Archevêque, com Roger Hanin.

jury

MIKE HAMMER. Detetive particular criado por Frank Morrison (1918 – 2006) sob o pseudônimo de Mickey Spillane. Filmes: 1953 – Eu, o Júri / I, The Jury com Biff Elliott. 1954 – Mickey Spillane’s Mike Hammer, telefilme com Brian Keith. 1955 – A Morte num Beijo / Kiss Me Deadly com Ralph Meeker. 1957 – Meu Revólver Nunca Falha / My Gun is Quick com Robert Bray. 1958-1959 – Mike Spillane’s Mike Hammer, Série de TV com Darren McGavin, 1963 – Caçadores de Mulheres / The Girl Hunters com Mickey Spillane. 1970.

maison

house-arrowpoter

HANAUD. Inspetor de Polícia criado por Alfred Edward Woodley Mason (A.E.W. Mason). Filmes: 1920 – At the Villa Rose com Teddy Arundell. 1930 – La Maison de la Flèche com Léon Mathot (com o nome de Langeac em vez de Hanaud). At the Villa Rose com Austin Trevor. The House of the Arrow com Dennis Neilson-Terry. 1940 – At the Villa Rose com Kenneth Kent. 1948 – At the Villa Rose, telefilme com Anthony Holles. 1953 – The House of the Arrow com Oskar Homolka.

SHERLOCK HOLMES. Detetive particular criado por Arthur Conan Doyle (1859-1930). Filmes: Sherlock Holmes será objeto de um artigo especial.

judex-poster

Cena de Judex / 1916

Cena de Judex / 1916

judex-iiJUDEX (Jacques de Tremeuse). Justiceiro criado por Arthur Bernède (1871-1937). Seriados 1916 – Judex / Judex e 1917 – A Nova Missão de Judex / La Nouvelle Mission de Judex, ambos com René Cresté. 1933 – Judex 34 com René Ferté. 1963 com Channing Pollock.

MUTT E JEFF NO CINEMA

November 11, 2016

A série de quadrinhos cômicos criada pelo cartunista Harry Conway (Bud) Fisher em 15 de novembro de 1907, começou a ser publicada em tiras diárias na página de esportes do jornal San Francisco Chronicle com o título de “Mr. A. Mutt Starts In To Play the Races”. O conceito das tiras diárias já havia sido estabelecido em A. Piker Clerk (1903) de Clare Briggs, mas foi com o sucesso de Mutt e Jeff que o formato se consolidaria.

Jeff e Mutt

Jeff e Mutt

Inicialmente, as anedotas foram criadas em torno de Mr. A. (Augustus) Mutt, um sujeito alto, magro e narigudo, fanático por corridas de cavalos, e este seu vício; porém este tema recorrente mudou quando, a partir de 27 de março de 1908, Fisher, já trabalhando para o San Francisco Examiner de William Randolph Hearst, incluiu a figura de Jeff (Edgar Horace Jeffries), um louco baixinho e careca, que se imaginava como o campeão de boxe James Jeffries. Mutt o conheceu em um hospício, para onde foi levado por suspeita de sua vontade de apostar em cavalos ter origem em algum distúrbio mental.

Mutt e seu criador Bud Fisher

Mutt e seu criador Bud Fisher

mutt-jeff-mr-amutt-starts-to-plaey-the-races

O novo personagem retornaria cada vez com mais frequência até passar a dividir o estrelato com o protagonista original. Além do contraste no que diz respeito ao aspecto físico, Mutt e Jeff se diferenciam pelo caráter: Mutt é um oportunista que passa a vida engendrando esquemas para enriquecer rapidamente; Jeff é o inocente estabanado, que faz soçobrar os planos do amigo. Ao final de cada plano fracassado, Jeff transforma-se em alvo da cólera de Mutt, recebendo socos, pontapés, e objetos jogados na sua cara. Juntos, eles se tornaram um arquétipo universal: o par que não combina bem.

 

Bud Fisher

Bud Fisher

O último episódio de A. Mutt desenhado por Fisher para o Chronicle é datado de 10 de dezembro de 1907; no dia seguinte, apareceu seu primeiro episódio para o Examiner. O Chronicle então contratou outro cartunista, Russel Westover, para continuar a série. Entretanto, antes de se transferir para o Examiner, Fisher teve o cuidado de registrar a tira em seu próprio nome, o que impediu o Chronicle de usar outro artista, sendo obrigado a cessar a publicação da série desenhada por Westover em 7 de junho de 1908.

Mutt e Jeff no San Francisco Chronicle

Mutt e Jeff no San Francisco Chronicle

A primeira designação formal “Mutt and Jeff” apareceu na coletânea pioneira da tira de Fisher, The Mutt and Jeff Cartoons, mas o título só foi usado regularmente quando Fisher deixou o jornal de Hearst e seu poderoso distribuidor Kings Feature Syndicate, e aderiu ao Wheeler Syndicate em 15 de setembro de 1915. Esta mudança ocasionou uma disputa judicial, que culminou na Suprema Côrte dos Estados Unidos, perante a qual Fisher obteve a confirmação do direito exclusivo de reproduzir seus personagens e a proteção legal contra imitações por parte de seus competidores. O primeiro Mutt and Jeff colorido na edição dos domingos surgiu depois que o Wheeler Syndicate o distribuiu de costa a costa a partir de 11 de agosto de 1918.

mutt-jeff-cartoons-1919

Desde então, Fisher afastou-se da elaboração diária das tiras, contentando-se em supervisionar o trabalho de seus auxiliaries, entre os quais se destacaram Ed Mack e Al Smith. A tira continuou com a assinatura de Fisher até o seu falecimento em 7 de dezembro de 1954. Daí em diante Al Smith passou a assinar. Ele continuou com o desenho de Mutt e Jeff até 1980, dois anos antes do encerramento da publicação da tira. George Breisacher foi o artista encarregado de desenhar os dois personagens nos dois  últimos anos de sua longa carreira na imprensa. Distribuidos depois pelo Bell Syndicate e em seguida pelo Bell-McClure Syndicate (até a sua fusão com o United Feature Syndicate), os quadrinhos de Mutt e Jeff foram perdendo aos poucos sua vitalidade imaginativa e sua popularidade a partir dos anos quarenta.

mutt-jeff-big-book-goog

mut-jeff-famous-funnies-capa

mutt-jeff-famous-funnies1

Além das tiras, Mutt e Jeff também foram publicados em coletâneas de reedições, inclusive duas em capa dura (v. g. Mutt and Jeff Big Book / 1926; Mutt and Jeff Big Book 2 / 1929) e em revistas em quadrinhos:  eles apareceram primeiramente na capa das revistas Famous Funnies, a Carnival of Comics / 1933 e Famous Funnies #1 / 1934, e foram vistos sucessivamente na All-American Comics, DC Comics, Popular Comics (da Dell Comics) e Harvey Comics (Mutt and Jeff Jones). Em 2007, a NBM publicou um volume com reedições, Forever Nuts: The Early Years of Mutt and Jeff.

mmut-jeff-all-american-comics

mutt-jeff-popular-comics

mutt-jerff-dell-ii-best

mutt-jeff-jokes-harveySurgiram também shows e musicais no teatro (v. g. Mutt and Jeff: A Musical Comedy Song Book / 1912; Mutt and Jeff Divorced / 1920) e até um balé e uma canção intitulada The Funny Paper Blues, que foi um sucesso em 1921.

mutt-jeff-divorced-teatro

Mutt e Jeff no teatro de revista americano

Mutt e Jeff  no teatro musicado americano

No Brasil, Mutt e Jeff apareceram através dos tempos nas revistas Tico-Tico, Suplemento Juvenil e O Juquinha, e em vários jornais até os anos oitenta (v. g.  Estado de São Paulo, Diário Carioca, Diário da Noite, Correio da Manhã, Última Hora) e, entre 1938 e 1943, em uma coleção (intitulada Biblioteca Mirim) de livros no formato 9×11,5 (também chamados de “tijolinhos”), inspirados nos Big Little Books americanos, e publicados pelo Grande Consórcio de Suplementos Nacionais de Adolfo Aizen. Nos anos setenta, Mutt e Jeff saíram também em livros / revistas da editora Saber e Artenova.

muujeff-o-juuquinha

captura-de-tela-2016-10-31-as-15-44-45

Mutt e Jeff no Correio da Manhã

Mutt e Jeff no Correio da Manhã

Coleção Mirim

Coleção Mirim

Um fato curioso que marcou a “nacionalização” de personagens estrangeiros n’O Tico-Tico foi a liberdade  em se incluir personagens  de uma série em outra de um autor diferente. Isso ocorreu com Mutt e Jeff, colocados ao lado do Chiquinho em aventuras desenhadas por artistas brasileiros.

Cena de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

Cenas de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

Cena de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

muttjeff-filme-de-alchristie

Em julho de 1911, durante a época do cinema mudo, Al Christie realizou, para  a Nestor Film Company  de David Horsley, filmes curtos de um rolo com ação ao vivo baseados nos quadrinhos de Mutt e Jeff. Os primeiros atores que interpretaram os dois famosos personagens foram Sam D. Drane (Mutt) e Gus Alexander (Jeff). Quando Alexander deixou a série, Christie contratou um outro ator baixinho, Bud Duncan, que assumiu os traços de Jeff em dois episódios antes do final da série.

Sam Drane e Gus Alexander

Sam Drane e Gus Alexander

O habitual no cinema mudo era introduzir entre os planos os diálogos escritos dos personagens, mas rompendo com esta norma, Horsley decidiu colocar os textos em uma faixa preta situada na parte inferior da tela, produzindo assim as primeiras legendas do cinema.

Entre 1913 e 1926, a Budd Fisher Film Corporation realizou ao todo 329 desenhos animados de Mutt e Jeff  (os primeiros com a Pathé Frères, distribuidos pela General Film Corporation) e os demais sozinha, com o estúdio Barré-Bower e / ou a Jefferson Corporation, que foram distribuídos sucessivamente pela Celebrated Players, Fox Film Corporation e Short Film Syndicate. Em 1916, Fisher uniu-se com o estúdio dos animadores  Raoul Barré e Charles Bowers. Barré saiu da Budd Fisher Corporation em 1918 e Bowers foi despedido em 1921.  A série continuou sob a marca da Jefferson Corporation, dirigida pelo animador Dick Friel. Alguns cartoons foram refilmados em 1930 no processo Kromocolor e relançados com efeitos sonoros e trilha musical, distribuidos pela Modern Film Sales Corporation.

captura-de-tela-2016-11-02-as-12-17-30

captura-de-tela-2016-10-31-as-18-54-06

Ao folhear jornais antigos, fiquei impressionado com a popularidade dos desenhos de Mutt e Jeff em nosso país. O público adorava os seus cartoons, que eram anunciados como “caricaturas animadas”, e o nome Mutt e Jeff foi dado a uma loja de brinquedos (Casa / Bazar Mutt e Jeff na rua do Ouvidor 162); serviu de pseudônimo dos autores das revuettes (revistinhas apresentadas nos espetáculos mistos de palco e tela) “Sacca-Rolhas”, “O Circo U-Ó-Chin-Ton e “Teia de Aranha”, todas com Alda Garrido, dos atores Alfredo Silva e Asdrubal Miranda (que, como compères, imitaram os personagens de Budd Fisher em “Esta Nêga Qué Me Dá”, uma revista dos Irmãos Quintiliano), e de dois cantores da Radio Sociedade Fluminense; suas figuras foram usadas na promoção dos brinquedos do Bazar Francês na Rua da Carioca 16, em palestra (Goulart de Andrade, reproduzindo um diálogo em que Mutt e Jeff discutem costumes cariocas e a psicologia das duas curiosas espécies humanas: a melindrosa e a almofadinha) e como  título de um livro de crônicas de Benjamin Costallat.

captura-de-tela-2016-11-01-as-23-47-26

captura-de-tela-2016-11-01-as-22-51-48

captura-de-tela-2016-11-01-as-22-43-33

captura-de-tela-2016-11-01-as-22-56-38Entre os desenhos animados de Mutt e Jeff, trazidos ao Brasil pela Fox, encontrei  estes  títulos: De Volta dos Balcãs – Caçadores de Feras – O Tesouro Enterrado – A História de um Porco – O Canhão 150 – O Salva Vidas – O Ocultismo – Barbeiro e Cabelereiro – Aquele Piano –  Os Vigilantes – Os Patinadores –  Investigação Frustrada – Com os Tanks ou Os Tanques – Restaurant à la Minute – O Dentista do Kaiser -Alarme de Ladrões – Caça aos Submarinos – Az e Valete – Salvando-se – Descobrindo um Espião – Eficiência – No Front – El Gran Mazzantini, Olé, Olé! – Aventuras Alpinas – Viagens – Dominando os Bolchevikis – Domando Leões – Rendez-vous com Theda Bara –

muttjeff-poster-com-theda-bara

O Novo Campeão – Negócio  e Acrobacia – Junta de Recrutamento – Sempre a Má-Sorte – Uma Viagem à Volta do Mundo em 9 dias – Salvando Fifi – Domesticando Cães – Panificação, Massas e Biscoitos – Amestrando Cachorros – Ondas e Mulheres Enfurecidas – Fenômenos de Barba – 80.000 Quilômetros com uma Lata de Gasolina – Caranguejo Canalha – Substituindo Tom Mix – A Idade da Pedra – Visões – Entre as Vacas ou Metidos com Vacas – Apanhando uma Herdeira – Assuntos de Teatro – O Seu a Seu Dono – Café Cantante – Salchicheiros – Figuras de Cera – Coice Bem Calculado – Pestes e Prediletos – Ria-se Menino – Luta de Sôcos – Advogado Admirável – Promessa da Professora – No Gélido Norte – Oeste e Leste – Canta o Teu Dó – Na Espanha – O Honesto Vendedor de Livros – Nem Tudo que Reluz é Ouro – Leões e Mais Leões – Santo de Casa não faz Milagres – Uma Rosa com outro Nome – Para Evitar Escândalos – Uma Viagem Confortável – O Crime de Mutt e seu Castigo – Cultivador de Rosquilhas – Por bem ou Por Mal – Fostes Injusto com a Nossa Nell – No País do Gelo ou A Terra do Gelo – Fabricante de Brinquedos – Os Lutadores – Em Greve – Detetive Particular – Pra Evitar Escândalos – Pescando ou Os Pescadores – Os Emprestadores – Espião de Hortelã – Chumbeiros – Na Suiça – Forradores – No Planeta Marte – Casa Mal Assombrada – Ingrediente Perigoso – Uma Tragédia Telefônica – Violino Desafinado – Concurso de Tango – Dança das Tremuras –

mutt-jeff-color-ii-modernscreencorpcaptura-de-tela-2016-11-02-as-12-06-16

Caipiras e Caiporas – As Regatas – Solfa Musical – Elas, Sempre Elas – O Dentista Dengoso – Almas do Outro Mundo – O Preço de um Bom Copeiro – Eles Sempre Eles – Jogo da Bola – Uma Luta de Jeff – Lar, Meu Doce Lar – Água Maravilhosa – Corrida de Bicicleta – Jóquei Honesto – Contra Bandidos – Novas da Semana – Belo Modelo – Instrutores Musicais – Café Bohemio – Reino d’Angola – Jeff, o Terrível – Cantorias – Napoleão – Deixando de Tolices – Esfomeados – A Loja de Alfaiate – Vaqueiros – Bolos Desfolhados – Carestia de Vida – Tônico para Cabelo – Fazendeiro Eficiente – Salvação Épica – Cleopatra – Comércio Bolchevista – Licor Endiabrado – Os Políticos – Desenhistas – Pinta Identificadora – Véspera de Natal – Touradas – O Pequeno Índio – Scherlok Marokian – Fábrica de Cola-Tudo – Lição Severa – Chá Frio – Idéia de Loucos ou Idéia de Doido – Caçadores de Leões – Descanço Obrigatório – Pássaro Raro – Ventríloquos – Hipnotizadores – Norte Longínquo – Colheira de Côcos – Viajantes Originais – Leiteiros – Naturalistas – Bomba Infernal – Embriagando Elefantes – Limpador Mecânico – Casco de Tartaruga – Manancial – Socorro! Um Urso – Uma Idéia Chocante – Urubús Espantalhos – Nos Sertões Africanos – Funcionários Postais – Passeio de Auto – As Ninfas – Pintores Desastrados – Os Forçados – No Celeste Império – Corrida dos Diabos – Grande Mistério – Jogo de Boxe – Mastodonte -Antropófagos – Uma Boneca Roubada – Descontentes – Vinho de Maçãs – O Trem dos Demônios – Noite de Natal – Aparador de Cabelos – Casório – Fotógrafos – Viva o Rei – Dedo Colossal – Atoleiro – Um Caso Evidente – O Caixa – Bolsas de Kangurús – A Vingança de Jeff – O Concerto de Jeff – Águas Encantadas – Na Escócia – Alguma Água, Hoje? – Pescarias – Salsicheiros – Salto Mortal – Os Archeiros – Martírios de um Perú – O Pato Mágico – Fazendo Goma – Pelas Alturas – Ginásticos – O Algodoal – Má Situação.

 

 

 

 

 

 

,

 

 

 

 

 

 

FILMES BRASILEIROS DA DÉCADA DE QUARENTA

October 27, 2016

Nenhum periodo do cinema sonoro brasileiro tem o seu estudo mais dificultado do que a década de quarenta, porque a maioria dos filmes nacionais produzidos entre 1940-1949 desapareceu, por fôrça de incêndios em estúdios (v. g. Brasil Vita Filmes  em 1944 e 1957; Sonofilms em 1940) ou cinematecas (v. g. Cinemateca Brasileira – São Paulo em 1957); perdas irreparáveis por deterioração; porque os detentores das cópias que sobreviveram não têm interesse de exibí-las ou de permitir a sua transposição em dvs.

Este artigo rememora os filmes nacionais exibidos entre 1940 e 1949 como uma homenagem aos cineastas que os realizaram e a fim de que essas realizações não sejam esquecidas.

1940

Janeiro:

LARANJA DA CHINA

captura-de-tela-2016-05-31-as-13-20-16

Fevereiro:

O HOMEM QUE NASCEU DUAS VÊZES

captura-de-tela-2016-05-31-as-13-21-31

CISNE BRANCO

captura-de-tela-2016-10-28-as-00-23-30captura-de-tela-2016-05-31-as-14-57-56

Abril:

PEGA LADRÃO

captura-de-tela-2016-05-31-as-13-26-58

Junho:

O DIREITO DE PECAR

captura-de-tela-2016-05-31-as-13-29-03

Julho:

O SIMPÁTICO JEREMIAS

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-14-18

Outubro:

PUREZA

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-16-29

Dezembro:

E O CIRCO CHEGOU

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-17-39

1941

Fevereiro:

CÉU AZUL

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-21-59

VAMOS CANTAR

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-23-04

Março:

ETERNA ESPERANÇA

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-24-19

Setembro

24 HORAS DE SONHO

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-29-20

Outubro:

SEDUÇÃO DO GARIMPO

captura-de-tela-2016-10-27-as-22-57-27

Novembro:

O DIA É NOSSO

captura-de-tela-2016-05-31-as-14-30-25

1942

FOOTBALL EM FAMÍLIA

captura-de-tela-2016-05-31-as-15-18-21

Maio:

ARGILA

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-11-41

1943

Janeiro:

ASTROS EM REVISTA

captura-de-tela-2016-10-28-as-00-16-48

Fevereiro:

SAMBA EM BERLIM

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-33-13

ENTRA NA FARRA

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-33-03

Agosto:

CAMINHO DO CÉU

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-39-56

Setembro:

MOLEQUE TIÃO

captura-de-tela-2016-06-01-as-11-48-18

1944

Janeiro:

É PROIBIDO SONHAR

captura-de-tela-2016-06-01-as-11-51-35

Fevereiro:

BERLIM NA BATUCADA

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-52-24

O BRASILEIRO JOÃO DE SOUZA

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-52-45

TRISTEZAS NÃO PAGAM DÍVIDAS

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-55-17

Outubro:

ROMANCE DE UM MORDEDOR

captura-de-tela-2016-05-31-as-19-58-53

Novembro:

GENTE HONESTA

captura-de-tela-2016-05-31-as-20-06-40

CORAÇÕES SEM PILOTO

captura-de-tela-2016-05-31-as-23-25-00

Dezembro:

ROMANCE PROIBIDO

captura-de-tela-2016-05-31-as-23-28-26

1945

Janeiro:

NÃO ADIANTA CHORARcaptura-de-tela-2016-10-17-as-15-28-18

Fevereiro:

PIF PAFcaptura-de-tela-2016-10-17-as-15-33-32

Julho:

O CORTIÇO

captura-de-tela-2016-10-27-as-16-29-12

Setembro:

VIDAS SOLIDÁRIAScaptura-de-tela-2016-10-27-as-16-31-51

1946

Fefvereiro:

SEGURA ESTA MULHER

captura-de-tela-2016-10-27-as-16-34-53Abril:

CAÍDOS DO CÉUcaptura-de-tela-2016-10-27-as-16-37-31captura-de-tela-2016-10-27-as-16-37-42

JARDIM DO PECADOcaptura-de-tela-2016-10-27-as-16-39-08

Maio:

SOB A LUZ DO MEU BAIRRO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-10-17

CEM GAROTAS E UM CAPOTE

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-12-37

Agosto:

O ÉBRIO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-13-55

Setembro:

FANTASMA POR ACASO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-14-48

Dezembro:

NO TRAMPOLIM DA VIDA

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-16-20

1947

Fevereiro:

ESTE MUNDO É UM PANDEIRO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-17-54

Maio:

UMA AVENTURA AOS 40

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-20-40

Agosto:

QUERIDA SUZANA

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-21-50

Setembro:

LUZ DOS MEUS OLHOS

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-23-26

Novembro:

O MALANDRO  E A GRANFINA

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-24-35

Dezembro:

O HOMEM QUE CHUTOU A CONSCIÊNCIA

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-25-31

1948

Fevereiro:

É COM ESTE QUE EU VOU

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-49-02

ESTA É FINAcaptura-de-tela-2016-10-27-as-17-50-11

Abril:

ASAS DO BRASIL

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-51-06

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-51-20

Setembro:

OBRIGADO DOUTOR!captura-de-tela-2016-10-27-as-17-53-57

Outubro:

MÃE

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-54-32

O CAVALO 13

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-55-43

Novembro:

FALTA ALGUÉM NO MANICÔMIO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-56-25

Dezembro:

POEIRA DE ESTRELAS

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-57-12

O CAÇULA DO BARULHO

captura-de-tela-2016-10-27-as-17-59-53

1949

Janeiro:

ORA LÁ DE BOA

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-08-13 captura-de-tela-2016-10-27-as-20-08-03 captura-de-tela-2016-10-27-as-19-23-31 

Fevereiro:

E O MUNDO SE DIVERTE

captura-de-tela-2016-10-27-as-19-24-32

Maio:

TERRA VIOLENTA

captura-de-tela-2016-10-27-as-19-26-17

Junho:

EU QUERO É MOVIMENTO

captura-de-tela-2016-10-27-as-19-27-21

Agosto:

INOCÊNCIA

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-08-03 captura-de-tela-2016-10-27-as-22-39-31

Setembro:

TAMBÉM SOMOS IRMÃOS

captura-de-tela-2016-10-27-as-22-40-27

LUAR DO SERTÃO

captura-de-tela-2016-10-27-as-19-51-37

Outubro:

UM PINGUINHO DE GENTEcaptura-de-tela-2016-10-27-as-20-01-29

UMA LUZ NA ESTRADA

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-03-04

Novembro:

NÃO ME DIGA ADEUS

captura-de-tela-2016-10-28-as-11-00-09

IRACEMA, A VIRGEM DOS LÁBIOS DE MEL

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-08-48

O HOMEM QUE PASSA

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-08-20

Dezembro:

VENDAVAL MARAVILHOSO (CO-PRODUÇÃO BRASILPORTUGAL)

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-09-37

CAMINHOS DO SUL

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-12-34

ESCRAVA ISAURA

captura-de-tela-2016-10-27-as-20-14-10

 

A OBRA DE F. W. MURNAU III

October 14, 2016

 

Quando Murnau chegou na América em julho de 1926, para trabalhar na Fox Corporation (depois de recusar convites feitos pelas firmas concorrentes Famous Players e Metro-Goldwyn), ele era conhecido quase que exclusivamente como diretor de A Última Gargalhada, o único dos seus dezessete filmes feitos até então, que havia sido distribuído nos Estados Unidos (Fausto, que acabara de ser completado, estreou em Nova York em dezembro de 1926; Tartufo, realizado entre os dois filmes citados, foi lançado em julho de 1927;  O Lobisomem, de 1921, somente chegou  ao público em junho de 1929). A Última Gargalhada, e depois Fausto, conferiram uma grande reputação artística ao diretor germânico e ao ator Emil Jannings, que também seria acolhido por Hollywood.

F. W. Murnau

F. W. Murnau

Em um encontro com Winfield R. Sheehan, gerente geral da Fox, ocorrido em Berlim, ficou ajustado que o primeiro filme de Murnau na companhia seria baseado em uma novela curta de Hermann Sudermann, “Die Reise nach Tilsit” (Viagem a Tilsit), incluída no volume “Litauische Geschichten”(Histórias Lituanas). Murnau obteve o controle criativo completo da produção bem como permissão para trazer Carl Mayer como roteirista, Rochus Gliese como diretor de arte, e Herman Bing (que no futuro seria o engraçadíssimo Zizipoff de A Viúva Alegre / The Merry Widow / 1934 de Ernst Lubitsch) como assistente de direção.

Carl Mayer preferiu voltar para o seu país, enviando depois um roteiro em alemão, traduzido por Hermann Bing para o inglês com o título de The Song of Two Humans, que acabou se convertendo no subtítulo do filme, porque Murnau preferiu dar à sua obra o título de Sunrise, e fazer alterações na história original (v. g. no livro o marido morria afogado na volta para a casa e a esposa sobrevivia, para dar à luz ao filho concebido durante a reconciliação).

Carl Mayer e Murnau

Carl Mayer e Murnau

A decisão de William Fox de contratar Murnau, dando-lhe carta branca para a realização de Aurora / Sunrise / 1927, fazia parte de um plano cuidadosamente armado para elevar o status de seu estúdio no meio da indústria de cinema, pois os filmes  dos diretores alemães eram encarados como expressões de uma visão artística em vez de meros produtos industriais. Aurora foi um dos raros filmes planejados matematicamente para ser uma produção de prestígio e de arte, e resultou em  uma obra de grande calor humano e espontaneidade, um estudo pungente da alma humana.

tua

Murnau quís dar ao seu relato um valor universal, como ele anuncia no começo do filme: “Esta é a história de dois seres humanos. Este canto de um homem e uma mulher é de nenhuma parte e de toda a parte, podemos ouví-lo em todas as épocas e em todo lugar”.  A ação se inicia durante as férias de verão.  Os turistas chegam a um vilarejo bucólico situado às margens de um lago. Uma mulher da cidade, decide estender sua permanência no local, para seduzir um fazendeiro casado. Ela passa diante de sua janela e faz sinal para se encontrarem. O fazendeiro, impaciente e com a consciência pesada, sai de casa furtivamente, deixando sua esposa honesta e leal com seu bebê. Ele caminha através do pântano, a fim de se reunir com a mulher da cidade e, enquanto os dois trocam beijos sob o luar, a esposa, chorando, consola seu bebê. A sedutora urbana pede que o fazendeiro venda sua propriedade  e vá com ela para a cidade. Quando sugere que ele afogue sua esposa, o fazendeiro fica injuriado, e tenta estrangulá-la. Sua fúria termina em um abraço lascivo, após o qual a mulher fatal o instiga com imagens deslumbrantes da cidade.  Eles então tramam matar a esposa dele, simulando um acidente. Na manhã seguinte o fazendeiro convida sua esposa para um passeio de barco. Durante a travessia, ele para de remar, e parte ameaçadoramente em direção a ela. Percebendo a intenção de seu marido, a esposa cruza suas mãos para rezar. Ele então desiste de matá-la, e rema até a margem. Em terra, a esposa foge, e entra em um bonde, seguida pelo marido. Chegam à cidade e, depois de irem a um restaurante,  entram em uma igreja, onde está sendo celebrada uma cerimônia de casamento. As palavras do padre parecem dirigidas a eles, o que os leva à reconciliação. Eles saem para passear. Primeiro, chegam a um salão de beleza, depois tiram uma fotografia e, por fim, entram em um parque de diversões. Vivem uma espécie de segunda lua-de-mel. Na viagem de volta para casa de barco, cai uma tempestade, e agita as águas do lago. Quando o barco começa a balançar, o marido amarra no corpo de sua esposa dois feixes de bambús para que, no caso dela ser lançada na água, possa usá-los como bóia. A tempestade aumenta, e o barco vira. Ao cessar a chuva, o marido consegue atingir a terra firme, mas não encontra a esposa. Todos no vilarejo saem em seus barcos com lanternas, para auxiliar o fazendeiro desesperado na busca pela esposa; porém tudo o que encontram são os bambús espalhados, boiando sozinhos na superfície do lago. A mulher da cidade vem procurar o fazendeiro, e este começa a estrangulá-la; mas é interrompido pelos gritos de uma empregada que lhe avisa que sua esposa fôra encontrada viva, boiando agarrada a um dos feixes de bambús. Na aurora do dia seguinte, a mulher da cidade vai embora, o marido assiste o despertar de sua esposa, e os dois se abraçam apaixonadamente.

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Apesar de seu virtuosismo visual (a cargo de dois excelentes fotógrafos, Charles Rosher e Karl Struss), Aurora é essencialmente um filme simples. O roteiro é lírico e poético, mas descomplicado. A estrutura do filme é baseada em oposições muito claras: campo e cidade, dia e noite, consciência humana e forças da natureza. E há uma variedade de tons: temos aquela pintura cômica da felicidade reconquistada do casal naquele paraíso irreal, lúdico e exótico da cidade (os dois no cabelereiro, no fotógrafo, o parque de diversões, a dansa campesina etc.) e o tom triste das cenas do campo. Em ambos os contextos o expressionismo é bem visível. O vento, a tempestade, a serenidade da água ou do céu fazem parte do drama assim como os pensamentos e os atos dos personagens.

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cena de Aurora

As transições são muito cuidadas: a mais célebre é a viagem de bonde das margens do lago até a cidade (construída por meio de uma combinação complexa entre locações naturais e trucagens) em um movimento ininterrupto, que une o campo e a cidade e providencia tanto uma pausa como uma ponte entre a paixão destrutiva da primeira metade do filme e a reconciliação construtiva que se seguirá. Outros pontos importantes do espetáculo são a mobilidade da câmera (v. g.  o fazendeiro indo se encontrar com sua amante no pântano, sendo seguido por uma câmera alucinante, que depois se torna subjetiva, e nos faz descobrir a mulher vestida de preto sob o brilho da lua cheia); o uso dos letreiros como elemento dramático (quando a mulher da cidade insinua o assassinato dizendo “Ela não poderia ser afogada?”- a palavra “afogada” vai escorrendo devagar para a parte mais baixa da tela, como se ela própria estivesse se afogando); o emprego da superposição, do desfoque ou da dissolvência (v. g. a visão das delícias da cidade e a mulher dançando frenéticamente na margem do pântano); o paralelismo (o fazendeiro e a mulher da cidade se beijando e a esposa beijando seu filhinho); o cuidado extraordinário com o jogo de luzes e dos reflexos que tem para Murnau uma significação quase mística.

ab

Cena de Aurora

Cena de Aurora

Cenas de Aurora

A humanidade de algumas sequências é comovente (v. g. o marido tentando acalmar os temores da esposa e reconquistar sua confiança, levando-a a um restaurante e pedindo um bolo, que nenhum dos dois quer ou consegue comer; os dois testemunhando uma cerimônia de casamento, na qual o marido se vê repetindo ou talvez compreendendo pela primeira vez os votos do matrimônio, para cair nos braços da esposa, e ser confortado por ela). O título mesmo do filme, tem um significado muito simbólico e resume em si mesmo a sua história: representa ao mesmo tempo o nascimento de um novo dia e de um amor quase-perdido pelo adultério.

Cena de Aurora

Cena de Aurora

A própria ausência de diálogos dá ao filme a universalidade proposta, que seria impossível em um filme sonoro porque, se houvesse diálogo, este estaria automaticamente ligado a uma época  e a um país, e a universalidade desapareceria. Embora seja baseado em uma história européia, o filme é ambíguo quanto ao seu ambiente. Certos aspectos sugerem a Europa, mas ele bem que poderia se passar no Canadá ou nos Estados Unidos. Até a época é controvertida. O vestuário certamente não é dos meados dos anos vinte (1927, data da realização do filme) e se os automóveis são, os cenários da cidade estilizada (construídos em falsa perspectiva e com miniaturas) e o parque de diversões futurista ajudam a complicar as coisas. O filme cria a universalidade não apenas visualmente, mas porque suas emoções são intemporais (de fato elas são eternas) e não se limitam por fronteiras geográficas.

Murnau na filmagem de Aurora

Murnau na filmagem de Aurora

0 score musical de Hugo Riesenfeld é totalmente sincronizado com a ação na tela graças ao sistema de som ótico Fox Movietone, e perdura durante todo o filme assim como os efeitos sonoros adicionais  (v. g. os sinos da igreja), ambos em uma  combinação perfeita  com as imagens notavelmente fotografadas por Charles Rosher e Karl Struss.

Janet Gaynor e seu Oscar

Janet Gaynor e seu Oscar

Entre as promessas que a Fox fez a Murnau, estava a de lhe dar total liberdade na escolha do elenco do filme, mas curiosamente ele selecionou aqueles que a companhia estava querendo promover: o trio de protagonistas, George O’Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston já havia coincindido em A Águia Azul / The Blue Eagle / 1926 de John Ford. George O’Brien se destacara particularmente em Três Homens Maus / 3 Badmen / 1926, também dirigido por Ford. Em Aurora, o ator usa seu corpo de uma maneira tipicamente expressionista, encurvado, como se o seu personagem estivesse literalmente carregando o peso do mundo sobre os ombros, como de fato estava, até fazer as pazes com a esposa (puzeram-lhe sapatos carregados de chumbo para a cena da intenção de afogamento). Janet Gaynor foi elevada à posição de grande artista, graças à feliz coincidência de ter atuado em mais dois filmes importantes,  Sétimo Céu / 7th Heaven / 1927 e O Anjo das Ruas / Street Angel / 1928, além de sua interpretação sensível e delicada em Aurora. Pelo seu trabalho nesses três filmes, ela conquistou o primeiro Oscar concedido pela Academia a uma atriz. Charles Rosher e Karl Struss arrebataram o Oscar de Melhor Fotografia e o estúdio da Fox uma estatueta pela alta qualidade de sua produção. Rochus Gliese foi indicado, mas perdeu para William Cameron Menzies.

mar-4-devils-poster

Murnau viajou de férias para a Europa em 25 de março de 1927 e, no seu retorno, celebrou um contrato de cincos com a Fox, pois o estúdio havia cumprido sua promessa de não interferir no seu trabalho, e ele acreditava que isso seria para sempre. Quase dois anos mais tarde, Murnau e a Fox dariam fim a esse contrato em virtude de desavenças motivadas principalmente porque a Fox introduziu modificações nos dois filmes seguintes do cineasta, Four Devils e Our Daily Bread. O primeiro filme, exibido no Brasil como Os Quatro Diabos, acabou desaparecendo dos arquivos da Fox, e hoje é considerado um filme perdido. O segundo filme, acabou se convertendo, depois das mudanças, em City Girl (mas quando passou em nosso país, o distribuidor colocou como título em português, a tradução ao pé da letra do título originariamente previsto, O Pão Nosso de Cada Dia).

Murnau e seus artistas infantís de Os Quatro Diabos

Murnau e seus artistas infantís de Os Quatro Diabos

Os Quatro Diabos, baseado no romance “De Fire Djaevle” de Herman Bang, adaptado por Carl Meyer, Marion Orth e Berthold Viertel (embora apenas este último tivesse sido creditado), com fotografia de Ernest Palmer (indicado para o Oscar), direção de arte de William S. Darling (após esboços de Robert Herlth), tinha o seguinte enredo. No circo Cecchi, um palhaço (J. Farrell MacDonald) cuida de duas meninas orfãs, Marion (quando adulta, Janet Gaynor) e Louise (quando adulta, Nancy Drextel), como se fossem suas filhas. Durante uma temporada, uma mulher entrega ao diretor do circo (Anders Randolf) os garotos Adolf (quando adulto, Barry Norton) e Charles (quando adulto, Charles Morton), filhos dos famosos trapezistas Rossy, que haviam perdido a vida executando um salto mortal. As quatro crianças crescem unidas por uma grande amizade, ao mesmo tempo em que sofrem sob a severa disciplina exercida por Cecchi. Um dia, o palhaço abandona o circo com os quatro gurís, depois de uma briga com Cecchi que, embriagado, os havia ameaçado. O palhaço consegue emprego em outros circos, o tempo passa, e os meninos e as meninas crescem. Já muito velho, o palhaço sente-se mal durante uma apresentação, deixa de atuar, mas continua a treinar o quarteto. Eles se tornam célebres como acrobatas do trapézio chamados “Os Quatro Diabos”, que aparecem em seus números montados, cada um em dois cavalos brancos. Marion ama Charles há muito tempo, porém eis que surge uma mulher fatal, e Charles não resiste aos seus encantos. Uma dama (Mary Duncan) passa a comparecer em todas as apresentações dos Quatro Diabos e sempre lança uma rosa para Charles, que na verdade é um bilhete convidando-o a se encontrar com ela. Antes de um desses encontros, Adolf tenta impedí-lo de sair, dizendo que ele iria destruir o grupo. Charles passa a ficar dispersivo nos ensaios e, em um deles, cai do trapézio durante um salto mortal, sendo todavia salvo pela rede de segurança. Ele continua frequentando a casa da amante, o que é motivo de preocupação para Marion, Alfred e o palhaço, que o alertam para o salto mortal que será executado na noite seguinte sem qualquer proteção. Após uma discussão, Charles sai para encontrar-se com a dama, pedindo que o deixem em paz.

Os Quatros Diabos

Os Quatros Diabos (Janet Gaynor, Nancy Drextel, Charles Morton, Barry Norton)

Marion o segue e, depois de esperá- lo durante toda uma noite gélida, chegam a se falar. Charles abraça-a e pede seu perdão. Abandonada, a dama não se conforma e, no dia seguinte, vai ao circo, e convida Charles a ir até sua casa após o ensaio. A dama pede que ele não lhe negue uma última taça de vinho e um último beijo. Charles bebe um pouco demais e não percebe que ela atrasou o relógio em uma hora e meia. Só se dá conta da hora ao verificar o relógio da cidade, olhando pela janela. Charles corre até o circo, e consegue chegar no último instante da apresentação do trapézio perigoso.

Cena de Os Quatro Diabos

Cena de Os Quatro Diabos

Cena de Os Quatro Diabos

Cena de Os Quatro Diabos

Cena de Os Quatro Diabos

Cena de Os Quatro Diabos

A partir daí, em uma primeira versão, Marion lança o trapézio para Charles e este, embriagado, não consegue agarrar a barra, e cai; mas consegue sobreviver milagrosamente. Em outro final, preferido por Murnau, Marion crê que ela e Charles devem morrer. Na conclusão do salto mortal, Charles deveria receber o trapézio, que lhe é lançado por Marion. Ela entretanto, salta junto com o trapézio, e Charles, sem ter onde se agarrar senão ao corpo de Marion, acaba abraçando-a e assim, os dois vão ao solo. Mais tarde, os dois diabos sobreviventes se casam e levam o palhaço consigo. Este final encantou a muitos espectadores das pré-estréias que se fizeram em Fresno e San José na Califórnia em julho de 1928, por ser mais lógico que o final feliz forçado da primeira versão. Entretanto, a companhia produtora não pensou assim, e ordenou outro desenlace (que Murnau filmou com relutância) no qual Marion, sentindo-se desprezada, cai deliberadamente do trapézio. É dada como morta, mas sobrevive, e confessa seu amor a Charles. Esta versão foi apresentada na estréia que ocorreu em 3 de outubro de 1928 em Nova York.  Mais uma versão, esta fora do alcance de Murnau, reestreou em Los Angeles em 10 de junho de 1929 com som e diálogos incorporados, e novos créditos, nos quais apareciam John Hunter Booth como autor dos diálogos, L. W. Connell como fotógrafo, A. H. Van Buren e A. F. Erickson como encenadores. Nesta derradeira versão, não foi modificado o final, mas as cenas que o antecediam. Charles rompe definitivamente com a amante, e chega a tempo no circo para fazer o número do salto mortal, não após ter se embriagado na companhia dela, mas depois de ter ficado horas inconsciente por ter sido atropelado.

mir-poster-de-city-girl

O Pão Nosso de cada Dia, baseado na peça teatral “The Mud Turtle” de Elliott Lester, adaptada por Berthold Viertel e Marion Orth, com fotografia de Ernest Palmer, direção de arte de Harry Oliver, contava a seguinte história. Em  1929, Lem Tustine (Charles Farrell), vai a Chicago, a pedido do pai, para vender a última colheita de trigo de sua fazenda no Minnesota. Em uma lanchonete, ele conhece Kate (Mary Duncan), jovem garçonete que não se sente feliz no seu trabalho e na sua cidade. Eles se casam, e Lem a leva para viver na propriedade de sua família. Se a mãe (Edith Yorke) a acolhe calorosamente, o mesmo não acontece com o pai ríspido e autoritário (David Torrence), que implica imediatamente com a moça, culpando-a pela má venda efetuada pelo seu filho (quando na verdade esta foi causada pela crise financeira) e desconfiando de suas intenções ao se casar com Lem. Ele chega mesmo a bater em Kate quando ela o enfrenta e, como Lem não ousa se opor ao seu pai e reprovar sua atitude, ela lhe fecha a porta de seu quarto. Não obstante, no dia seguinte, Kate vai ajudar na nova colheita do trigo, preparando as refeições dos empregados da fazenda. Ela logo verifica que eles não são menos vulgares e dissolutos do que os citadinos que ela costumava servir na lanchonete. Uma tempestade de granizo se aproxima, ameaçando destruir toda a colheita, e o velho Tustine oferece pagamento em dobro aos seus empregados, para eles trabalharem de noite. O capataz, Mac (Richard Alexander), que já vinha se aproximando de Kate, chega com a mão cortada por uma debulhadeira e, enquanto ela o ajuda a enfaixá-la, ele aproveita a oportunidade para tentar convencê-la a fugir com ele. Kate se recusa, porém o velho Tustine surge nesse momento e anuncia que vai procurar Lem, e lhe dizer que espécie de esposa ele tem. Furioso, ao saber da notícia, Lem vence Mac em uma briga, e depois quase é atingido pela arma de seu pai quando este atira contra empregados desertores. Percebendo que quase matou seu filho, confundindo-o com um dos fugitivos, o velho arrepende-se, e Lem traz de volta sua esposa, apresentando-a novamente para um pai mais submisso e tolerante.

Charles Farrell e Mary Duncan em O Pão Nosso de Cada Dia

Charles Farrell e Mary Duncan em O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan em O Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan em O Pão Nosso de Cada Dia

A interferência do estúdio que já havia afetado Os Quatro Diabos, causou impacto ainda maior sobre o filme seguinte de Murnau, um projeto sugerido por ele, chamado Our Daily Bread, que foi abreviado, remontado e parcialmente refilmado pela Fox, antes de ser lançado com o novo título de City Girl. Felizmente, a versão restaurada que podemos ver hoje, é a silenciosa, que Murnau pretendeu fazer; mas o público de 1930 viu uma versão bastarda parcialmente falada com mudança de ênfase e/ou extirpação de determinadas cenas (com diálogos de Elliott Lexter, e encenada por A. H. Van Buren e A. D. Erickson, pois o cineasta se recusou a fazer quaisquer mudanças na sua criação muda), e ainda inserção de cenas de alívio cômico.

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de City Girl

Cena d O Pão Nosso de cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Cena de O Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan e David Torrence em Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan e David Torrence em Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan e Richard Alexander em O Pão Nosso de Cada Dia

Mary Duncan e Richard Alexander em O Pão Nosso de Cada Dia

O filme tem como tema a falsidade do mítico retorno ao campo dominado pela mesma lógica do lucro e intolerância que vigora no ambiente citadino, e apresenta uma espécie de inversão dos valores e das situações apresentados em Aurora. Diferentemente do que ocorre na primeira realização de Murnau nos Estados Unidos, a desavença entre o jovem casal não resulta de uma tentação externa, mas da fraqueza moral do rapaz e sua total subordinação ao pai autocrático, que ameaça sua pequena filha de punição, por se atrever a brincar com talos de milho. Outrossim, enquanto que em Aurora  é a mulher que parece ser a pessoa mais frágil do casal, não ousando fazer nada, quando ela percebe que seu esposo está prestes a afogá-la, em O Pão Nosso de Cada Dia, ao contrario, é ela que representa a modernidade e a força de caráter, aquela que enfrenta os conflitos para salvaguardar sua felicidade. Quanto a Lem, em oposição ao homem de Aurora, ele é um ser ingênuo, sempre sob a tutela de seus pais, oprimido pelas tradições e pelos resquícios de uma educação rígida lembro o riso das garçonetes quando, na lanchonete, elas vêm o rapaz fazer sua oração antes de comer o sanduíche.

Ernest Palmer e Murnau

Ernest Palmer e Murnau

Sob o ponto de vista visual, também surgem divergências entre os dois filmes. Aurora parecia mais um filme alemão e se aproximava do expressionismo; O Pão Nosso de Cada Dia, assemelha-se mais a um filme americano naturalista, embora se encontrem vestígios da primeira escola estética do cineasta. No último filme citado, sua mise-en-scène apurada e seu sopro lírico manifestam-se notadamente na chegada de Kate e Lem na granja, no instante em que correm felizes acompanhados por um traveling através do trigal, abraçando-se e se beijando, até se depararem diante da morada inquietante dos Tustine. Pouco antes, eles param diante de uma cerca, Lem mostra a imensidão da plantação para Kate, e ela diz: “Oh, Lam, é maravilhoso ter um lar … e uma mãe e um pai … e um homem forte e vigoroso para cuidar de mim!”, mal sabendo ela o que a esperava. A cumplicidade entre os dois atores, a suntuosidade da fotografia, a perfeição dos enquadramentos, e a utilização da luz constroem uma sequência admirável e tocante.

captura-de-tela-2016-10-14-as-17-31-39

Durante a filmagem de Os Quatro Diabos, Murnau conheceu o documentarista Robert J. Flaherty, que se tornara famoso através de dois filmes Nanook do Norte / Nanook of the North / 1922 e Moana / Moana / 1926. Seu desapontamento mútuo sobre as condições de trabalho em Hollywood aproximou-os. Juntos, eles desenvolveram um plano para realizar um filme nos Mares do Sul, baseado inteiramente em suas próprias concepções. Há algum tempo, Murnau havia pensado em partir para Bali, onde seu amigo, o pintor Walter Spies, vivia. Flaherty conhecia os Mares do Sul desde a produção de Moana e do filme Deus Branco / White Shadows of the South Seas / 1928, rodado no Tahiti, no qual ele esteve inicialmente envolvido.

 Robert Flaherty na filmagem de Tabu (em baixo , à direita)

Robert Flaherty na filmagem de Tabu (em baixo , à direita, de camisa branca)

Floyd Crosby (à esq.) e Murnau (à direita) em um intervalo da filmagem de Tabu

Floyd Crosby (à esq.) e Murnau (à direita) em um intervalo da filmagem de Tabu

Em março de 1928 eles formaram a Murnau-Flaherty Productions que, logo depois, se associou a Colorart Productions Ltd., uma produtora disposta a financiar o projeto dos dois cineastas, comprometendo-se a mandar material para uma filmagem em cores e com som, técnicos de apoio, e dinheiro para cobrir todos os gastos. O título provisório do filme planejado em Technicolor era Turia e seu enredo baseado em uma idéia de Flaherty.

ma-tabu-poster-amarelo

Em maio de 1928, Murnau visitou o Taiti, e se reuniu com Flaherty um mês depois para escolher locações na ilha de Bora-Bora. Em agosto, chegaram cinco mil dólares, quantidade muito pequena em relação ao que haviam combinado, e então Murnau, depois de um ultimato para que a Colorart cumprisse o prometido, resolveu rescindir o contrato, e assumir ele mesmo as despesas. Para cortar os custos do empreendimento, mandou os componentes da equipe de Hollywood de volta, e treinou os nativos para trabalhar no lugar deles. Murnau optou para filmar em preto e branco. O roteiro foi reescrito e o título modificado para Tabu / Tabu, a Story of the South Seas, a fim de evitar questões legais com a Colorart.

Reri (Anne Chevalier)

Reri (Anne Chevalier)

A produção começou em janeiro de 1930 com Flaherty dirigindo a cena de abertura. Foi a única que ele dirigiu. Como agora era Murnau quem financiava a produção, ele se tornou o único diretor, deixando Flaherty encarregado apenas da fotografia e do trabalho em laboratório. Flaherty começou a ter problemas técnicos com a sua câmera e chamou o fotógrafo Floyd Crosby para ajudá-lo. O grande documentarista americano não tardou a ser afastado da fotografia, encarregando-se do trabalho de laboratório, recebendo um salário muito inferior ao de outros colaboradores, especialmente em relação a Crosby (que acabou ganhando  o Oscar de Melhor Fotografia).

A produção terminou em outubro de 1930. Flaherty, que vinha se sustentando com apenas 40 dólares mensais, ficou em péssima situação financeira antes da filmagem terminar. Ele vendeu sua participação acionária no filme para Murnau por 25 mil dólares. Retornando a Los Angeles, Murnau montou o filme, e gastou o resto de sua verba, para contratar Hugo Riesenfeld, autor do score musical. Os direitos de distribuição foram vendidos para a Paramount por cinco anos por 75 mil dólares, que serviram para Murnau pagar Flaherty. O filme estreou em 18 de marco de 1931, e foi quando Floyd Crosby ganhou o Oscar de Melhor Fotografia.

Cena de Tabu

Cena de Tabu

aaf

Tabu é dividido em dois capítulos. No primeiro, intitulado “Paraiso”, Matahi e Reri (Anne Chevalier) são dois jovens nativos de Bora-Bora apaixonados, mas suas vidas são destruídas quando o chefe da ilha recebe uma mensagem do velho Hitu, emissário do chefe da ilha vizinha de Fanuma, senhor de todas as ilhas. Ele anuncia que a virgem consagrada aos deuses de Fanuma morreu e Reri foi escolhida para substituí-la. A partir desse momento, nenhum homem poderá tocá-la, pois ela é tabu. Hitu recebeu a missão de conduzí-la à presença do chefe de Fanuma e de proteger a sua castidade. Matahi fica inconsolável porém, durante a festa em homenagem à visita de Hitu, os dois amantes se entregam a uma dança agitada, que o velho interrompe brutalmente. Na segunda parte, intitulada “Paraíso Perdido”, Matahi e Reri fogem em uma pequena embarcação e procuram uma ilha, onde reina o homem branco e os deuses antigos são esquecidos. Eles encontram essa ilha, onde Matahi se revela um excelente mergulhador, e consegue achar uma pérola. Pouco familiarizado com o conceito de dinheiro, ele não compreende as contas que assina pelas bebidas oferecidas para todos durante uma festa, a qual é interrompida pela chegada de um veleiro, que traz uma comunicação do governo francês, oferecendo  recompensa pela sua prisão. Matahi suborna o policial. Pouco depois, um rapaz, tendo mergulhado em um lugar considerado perigoso pelos nativos supersticiosos, é devorado por um tubarão. O policial então manda colocar um cartaz nesse local com a inscrição: tabu, proibindo o mergulho. Reri recebe uma mensagem de Hitu: se ela não voltar dentro de três dias, Matahi vai morrer. A moça vai a uma agência de viagens, para saber o preço de dois bilhetes para Papeete. Matahi quer comprar as passagens, porém sob o pretexto de que ele tem dívidas assumidas com a festa que bancou, os credores recolhem seu dinheiro. De noite, ele sonha que pagou suas dívidas com uma pérola. Hitu, armado com uma lança quer matá-lo enquanto está dormindo. Reri se joga aos seus pés e jura obedecê-lo. Enquanto Mitahi partiu para mergulhar no lugar proibido, Reri lhe escreve uma palavra de adeus. Ao chegar à sua cabana, depois de escapar de um tubarão e de encontrar uma pérola negra valiosísima, Mitahi lê o bilhete, e corre para tentar alcançar o barco de Hitu, que leva Reri. Ele nada velozmente, e até consegue se aproximar da embarcação, todavia, a corda que o levaria a bordo, é cortada por Hitu. Enquanto o barco segue viagem, Matahi continua nadando em sua direção até que a exaustão o faz desaparecer no mar.

Cena de Tabu

Cena de Tabu

Cena de Tabu

Cena de Tabu

Cenas de Tabu

O filme se afasta do olhar documentarista de Flaherty, interessado em captar a autenticidade da vida dos pescadores de pérolas, aproximando-se da visão  idealizada e mais atraente de Murnau, que se concentrou no tema do tabu, fornecendo um entrecho dramático – o itinerário sem esperança  de um casal perseguido pelas regras da tradição e traído pelas esperanças que a civilização prometia – , no qual se manifesta o seu pessimismo e o seu romantismo.

Cena de Tabu

Cena de Tabu

Cena de Tabu

 

Cena de Tabhu

Cena de Tabu

A realização se divide em dois capítulos intitulados respectivamente Paraiso” e “Paraiso Perdido”. O primeiro  tem um ar jovial, com o par de jovens enamorados, conhecendo-se e se divertindo nas cascatas e na festa de Bora-Bora. O segundo capítulo tem um tom mais sombrio, mostrando a fuga dos dois amantes e sua perseguição até ocorrer a tragédia. Todo o primeiro capítulo é plástica e ritmicamente admirável. Em um movimento incessante, vemos Matahi e seus companheiros pescando com o arpão e deslizando por uma cascata, a grinalda de flores levada pelas águas correntes, as jovens banhando-se ali perto, a aparição de Reri por entre uma folhagem exuberante, Matahi separando a briga entre Reri e outra jovem e colocando uma grinalda em sua cabeça, um nativo subindo pelo tronco de uma palmeira e avistando uma embarcação que se aproxima, a população correndo em suas canoas em direção ao veleiro e depois empoleirando-se alegremente no cordame.

Muran e os nativos que apareceram em Tabu

Murnau e os nativos que apareceram em Tabu

Tabu é a obra que mais do que qualquer outra acentua o caráter autobiográfico e intimista do cineasta, aquela que, de certo modo, amplifica a componente homo-erótica contida em muitos de seus filmes. Murnau parece se deliciar com os corpos atléticos e esbeltos dos rapazes com uma espécie de ardor encantado que em Hollywood estivera reservado para a figura feminina.

Murnau entre Reri e Hatahi

Murnau entre Reri e Hatahi

No segundo capítulo, o ambiente natural idílico e puro cede lugar para o meio explorado e corrompido pelo homem branco europeu, não há mais alegria, só tristeza, tensão, terror. O amor inocente de Matahi e Reri está condenado desde o príncipio, eles estão encurralados entre dois mundos.

A estréia de Tabu ocorreu no dia 18 de marco de 1931, uma semana após a morte de Murnau em um acidente automobilístico em uma estrada de Santa Barbara, Califórnia.

Viajando em um Packard, dirigido por um chofer de 26 anos chamado John Freeland, Murnau, atendendo ao pedido de seu mordomo filipino, Eliazar Garcia Stevenson, permitiu que ele assumisse a direção do volante. O cineasta viajava no banco de trás ao lado de seu cão pastor alemão, Pal. Um caminhão surgiu na contra-mão e Stevenson se desviou para evitar um colisão; mas o carro bateu em um aterro e virou, jogando todos os passageiros para fora do veículo. Stevenson escapou com ferimentos leves, Freeland sofreu cortes no rosto, e Murnau foi lançado em uma vala. Ele faleceu no dia seguinte em virtude de uma fratura no crânio e outras lesões de natureza interna no Santa Barbara Cottage Hospital.

.