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DOIS CLÁSSICOS DO HORROR: DRÁCULA E FRANKENSTEIN

Escrito em 1897, o romance “Dracula”, obra do irlandês Bram Stocker (1847-1912), obteve um êxito instantâneo e imenso.

Nosferatu

A primeira versão cinematográfica do romance de Stoker foi o filme alemão Nosferatu / Nosferatu, eine Symphonie des Graunes / 1922 do famoso diretor expressionista F. W. Murnau. Dois anos depois, o produtor britânico Hamilton Deane apresentou uma versão teatral modernizada de “Dracula” no Grand Theatre em Derby, cidade da Inglaterra com Bela Lugosi no papel do conde vampiro morto-vivo. Outros papéis importantes foram interpretados por Dorothy Peterson (como Lucy Harker), Edward Van Sloan (Van Helsing), Herbert Bunston (Dr. Seward) e Bernard Jukes (Reinfield).

A peça estreou no Fulton Theatre em Nova York em 5 de outubro de1927, teve 265 representações e finalmente saiu de cartaz em Nova York em maio de 1928. Em 24 de junho, o Biltimore Theatre recebeu-a em Los Angeles com o elenco da Broadway Lugosi, Edward Van Sloan e Jukes reprisando seus papéis. Após sua temporada em Los Angeles foi transferida para San Francisco e excursionou por várias cidades importantes do país.

A Universal estava observando “Dracula” desde que os frequentadores de teatro de Londres começaram a fazer fila para assistir à peça, mas encontraram dificuldades para transportá-la para a tela numa versão silenciosa e também por causa de problemas com a censura. Estas barreiras foram removidas com o quase simultâneo nascimento do cinema falado e uma diminuição da influência da censura.

Em junho de 1930, o estúdio adquiriu os direitos do livro e da peça por 40 mil dólares, e menos de um mês depois um roteiro completo foi entregue por Dudley Murphy; porém Garrett Fort contribuiu com retoques finais e ganhou crédito como único autor do script. O desconhecido Lugosi não foi a escolha inicial da Universal para ser o Dracula. O veterano Lon Chaney era o preferido, mas o astro fôra acometido de um câncer de pulmão brônquico. Quando ficou evidente que o “Homem das Mil Caras” não poderia assumir o papel de Dracula, a Universal começou a procurar outros atores. Entre os candidatos para o papel título estavam, entre outros, Paul Muni e Conrad Veidt.

Bela Lugosi como Drácula

Eventualmente o Dracula do palco prevaleceu: Lugosi foi convocado para um teste e, em 20 de setembro, a imprensa especializada anunciou que o ator húngaro fora escalado para o papel tão cobiçado. Edward Van Sloan e Herbert Bunston integrantes do elenco da Broadway juntaram-se a Lugosi na adaptação cinematográfica. A direção coube a Tod Browning e Karl Freund se incumbiu da fotografia. Helen Chandler e David Manners formaram o par romântico Mina Seward-John Harker. Frances Dade era Lucy. Os créditos do filme passam sob os acordes do Lago dos Cisnes de Tchaikovski.

Todas as falhas e limitações que incomodam os espectadores de hoje parece que não perturbaram os espectadores e críticos de 1931. O filme foi, conforme vários relatos, um sucesso de bilheteria e sua importância histórica é inegável.

Carlos Villarias como Drácula

No mesmo ano surgiu uma versão em espanhol, dirigida por George Melford, ex-ator que acumulou um número impressionante de créditos de direção, atingindo a nota mais alta com O Sheik / The Sheik / 1921 (também conhecido como Paixão de Bárbaro), estrelado por Rudolph Valentino. Apesar da performance de Carlos Villarías ter sido criticada, a versão em espanhol foi melhor do que a versão americana. Lupita Tovar e Barry Norton herdaram os papéis de Helen Chandler e David Manners, agora respectivamente com os nomes de Eva Seward e Juan Harker. Comparando as duas versões, Lupita declarou numa entrevista: “Eu acho a versão espanhola melhor! A outra é um pouco cansativa, muito passiva. E a espanhola…tem mais emoção”.

A volta de Tod Browning para a sua base, a MGM, onde realizou seus melhores filmes com Lon Chaney, não impediu a Universal de fazer um outro filme de horror depois de Drácula, baseado no romance de terror gótico “Frankenstein: or The Modern Prometheus”, de Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851), que havia inspirado um filme produzido por Thomas Edison em1910 com Charles Ogle no papel da criatura, e várias adaptações teatrais.

Boris Karloff como Frankenstein

A versão clássica de Frankenstein / Frankenstein / 1931 da Universal é reconhecida como uma criação do roteirista e diretor francês Robert Florey. Seu primeiro rascunho do roteiro, escrito em colaboração com Garrett Fort, revela sua contribuição significativa para o filme. Ele chegou a filmar um teste com Bela Lugosi interpretando o monstro, mas a Universal entregou a direção para James Whale e este escalou Boris Karloff.

Francis Edwards Faragoh foi chamado para rescrever o roteiro de Frankenstein adicionando, por insistência de Whale, alguns toques cômicos leves, na história decididamente sombria, que ficaram a cargo do comediante britânico Frederick Kerr. Para o papel de Elizabeth, a noiva angustiada de Henry Frankenstein, Bette Davis, então cumprindo um contrato de seis meses com o estúdio, antes de ir para Warner Bros. foi brevemente cogitada, porém Whale favoreceu Mae Clarke. O papel de Victor Moritz, o rival de Henry Frankenstein no amor coube a John Boles. Para os papéis do Dr. Waldman e Fritz, o assistente corcunda do laboratório do Dr. Frankenstein, Edward van Sloan e Dwight Frye eram escolhas naturais. Para o papel principal de Henry Frankenstein foi sugerido Leslie Howard, mas Whale preferiu Colin Clive,

Colin Clive criando o monstro 

A maquilagem do monstro foi assumida como sendo inteiramente uma criação de Jack Pierce, mas recentemente a contribuição de Whale foi reconhecida. Um exemplar da revista MakeUp Artist de 2005 considerou-a uma das cinquenta melhores maquilagens de todos os tempos entre o público em geral ainda é uma das mais reconhecíveis. Do orçamento de cerca de 262 mil dólares, 10 mil dólares foram gastos apenas nos efeitos elétricos. Frank Graves, Kenneth Strickfaden e Raymond Lindsay estavam encarregados dos pitorescos aparelhos elétricos instalados no laboratório do Dr. Frankenstein no topo da montanha. Arthur Edeson cuidou da fotografia, a música foi composta por Bernhard Kaun e Charles D. Hall criou cenários expressionistas suntuosos.

Frankenstein está corretamente posicionado como o primeiro grande filme de horror todo falado da Universal.

LILI PALMER

Encontrando a fama na Inglaterra e em Hollywood como uma emigrante, ela se firmou como uma estrela versátil internacional na Alemanha e filmes Europeus de meados da década de cinquenta até a década de oitenta.

Lili Palmer

Lilli Marie Peiser (1914-1986) nasceu em Posen (Alemanha, hoje Posnônia, Polônia) filha de um cirurgião e de uma atriz de teatro, ambos de origem judaica, e foi educada em Berlim, onde trabalhou em produções teatrais enquanto estudava arte dramática com Lucie Höflich, atriz e diretora da Staatliche Schausplelschule (Escola Estadual de Teatro). Em 1932 ela fez sua estréia profissional no Rose-Theater, e continuou interpretando soubrettes em operetas e em papéis cômicos no Landestheater em Darmstadt. Quando os nazistas chagaram ao poder, Lili emigrou para Paris onde apresentou números musicais e de dança em cabarés e boates num ato duplo com sua irmã mais velha Irene.

 Lili e Esmond Knight em Crime Unlimited

Mudando-se para a Inglaterra em 1934, Lili estreou no cinema como atriz principal feminina em Crime Unlimited / 1935, dirigido por Ralph Ince e produzido por Irving Asher, seguindo-se uma série de papéis coadjuvantes, como a arrumadeira no thriller de espionagem de Alfred Hitchcock Agente Secreto / Secret Agent / 1936, antes de alcançar reconhecimento nacional com um papel de destaque em A Grande Barreira / The Great Barrier / 1937. A partir de 1938 ela participou das primeiras produções televisivas da BBC. Trabalhando também no teatro Britânico desde 1936, Lili casou-se com o ator Rex Harrison em 1943.

Lili e Rex Harrison em Ironia do Destino

Seus papéis marcantes durante os anos de guerra foram sua atuação como uma aparição fantasmagórica em Thunder Rock / 1942, como uma refugiada tcheca em The Gentle Sex / 1943, e como uma judia austríaca fugindo dos nazistas em Ironia do Destino / The Rake’s Progress / 1945.

Gary Cooper e Lili em O Grande Segredo

Junto com Harrison, Lili se mudou para os Estados Unidos em 1945. Seu primeiro sucesso em Hollywood foi como uma combatente da Resistência no thriller de guerra de Fritz Lang O Grande Segredo / Cloak and Dagger / 1946. De 1949 em diante ela e Harrison apareceram juntos regularmente, em produções da Broadway, na televisão, e no filme de Irving Reis, The Fourposter / 1952, que recebeu um prêmio no Festival de Veneza de 1963.

Harrison e Lili em The Fourposter

Deslocando-se para a Europa no início dos anos cinquenta após o fim de seu casamento, a estréia de Lili num filme alemão foi em A Rainha do Circo / Feuerwerk / 1954 de Kurt Hoffman, no qual sua apresentação da canção “O mein Papa” se tornou um sucesso tanto que no lançamento da versão em inglês, o título foi mudado para Oh! My Pa-pa!

Romy Schneider e Lili em Senhoritas de Uniforme

Agora uma estrela germânica vista principalmente em “dramas problemáticos”, ela ganhou o German Film Award por sua performance como a esposa obsessiva em Teufel in Seide / 1955 de Rolf Hansen, e de novo pelo seu papel principal em Anastasia, a Princesa Esquecida / Anastasia, Die Letzte Zarentochter / 1956, de Falk Harnack. Outras aparições notáveis em filmes ocorreram em Der Gläserne Turm / 1957, interpretando o papel de uma socialite adúltera e na refilmagem do clássico de Leontine Sagan Senhoritas de Uniforme / Mädchen in Uniform / 1958, no qual a parceira de Lili na tela foi a jovem Romy Schneider.

Albert Lieven e Lili em Uma Saudade em Cada Alma

Gérard Philipe e Lili em Os Amantes de Montparnasse

Lili e Wiliam Holden em O Falso Traidor

Do final da década de cinquenta em diante, Lili retomou sua carreira internacional, e estrelou filmes franceses (v. g.  Os Amantes de Montparnasse / Montparnasse 19 / 1958), britânicos (v. g. Uma Saudade em Cada Alma / Conspiracy of Hearts / 1960, de Hollywood (v. g. O Falso Traidor / The Counterfeit Traitor / 1962), ítalo-britânicos (v. g. Operação Crosbow / Operation Crossbow /1965)   lado a lado de seu trabalho na Alemanha. Frequentemente na televisão da Alemanha Ocidental a partir do início dos anos setenta, Lili interpretou o papel-título na adaptação do romance de Thomas Mann “Lotte in Weimar” feita por Egon Günthers, tentativa malsucedida do estúdio Defa da Alemanha Oriental de entrar em mercados internacionais.

Além de suas atuações e aparições  na televisão, Lili ganhou nos últimos anos aclamação como pintora, e como autora de quatro romances mais vendidos e duas autobiografias, “Dickie Lili – gutes kind” / 1974 e “Der rote Rabe”/ 1971.

ASTROS NAS FORÇAS ARMADAS NORTE-AMERICANAS

Os Film Daily Yearbooks de 1942-1943 fornecem uma lista imensa do pessoal do cinema que prestava serviço nas forças armadas naqueles anos da Segunda Guerra Mundial, destacando-se: Darryl F. Zanuck, Merian C. Cooper, James Stewart, Frank Capra, Lloyd Bacon, Robert Montgomery, Douglas Fairbanks Jr., John Ford, Gregg Toland, Anatole Litvak, Garson Kanin, Richard Barthelmess, Alan Ladd, Van Heflin, Jon Hall, John Alton, Louis Hayward, Robert Cummings, Gene Autry, Lew Ayres, John Huston, George Cukor, William Keighley, Clark Gable, Joseph H. Lewis, William Holden, Cesar Romero, Robert Preston, George O’Brien, George Brent, Robert Taylor, Victor Mature, Melvyn Douglas, John Carroll, John Payne, Gilbert Roland, Wayne Morris, Donald Crisp, MacDonald Carey, Bruce Cabot, Sterling Hayden, Henry Fonda, Robert Stack, Robert Parrish, Robert Mitchum, Burgess Meredith, George Stevens, Ronald Reagan, Glenn Ford, entre inúmeros outros. Isso sem contar os artistas que, no futuro, iriam despontar nas telas, como Lee Marvin, Charles Bronson, Rock Hudson, Paul Newman, Kirk Douglas, Jason Robards Jr., Telly Savalas, George Kennedy, James Arness, Jack Palance e Audie Murphy (o soldado mais condecorado na Segunda Guerra Mundial, recebendo 24 medalhas inclusive a Congressional Medal of Honor), contando-se, entre os diretores, Robert Altman, Richard Brooks, Martin Ritt, Samuel Fuller etc.

Audie Murphy e suas condecorações

 

James Stewart em Winning Our Wings

O ator Donald Crisp, veterano da Primeira Guerra Mundial, com 62 anos de idade, estava em atividade na inteligência militar e até Francis Ford, o irmão mais velho de John Ford, alistou-se em abril de 1943, mas foi desligado durante um treinamento, quando descobriram sua verdadeira idade: sessenta e cinco anos.  Robert Taylor, por exemplo, serviu como instrutor de voo no setor de transporte aeronaval, chegou a dirigir 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de longa-metragem Belonave / The Fighting Lady / 1944. Clark Gable, na aviação, cumpriu várias missões sobre a Alemanha e atingiu o posto de Major. James Stewart, comandante de bombardeiro, fez muitos voos arrojados contra o inimigo e se reformou em 1968 como general-brigadeiro da Air Force Reserve. Num filme de recrutamento, Quem Quiser Ter Asas / Winning Your Wings / 1942, Stewart aparecia convocando os rapazes para a aviação.

 

Errol Flyn em Um Punhado de Bravos

Muita gente pode ter pensado que John Wayne, o homem que simbolizaria o patriotismo e o orgulho norte-americano praticamente ganhou a Segunda Guerra Mundial.  E, se ele não ganhou, Errol Flynn ganhou- ou pelo menos ele retomou Burma sozinho (em Um Punhado de Bravos / Objective Burma / 1945), o que naturalmente enfureceu os ingleses.  O fato, porém, é que nem Wayne nem Flynn jamais vestiram um uniforme ou dispararam um só tiro no conflito mundial.

John Wayne em Iwo Jima o Portal da Glória

Pai de quatro filhos, casado (embora separado de sua esposa Josephine) e com 34 anos de idade em 1942, Wayne foi classificado pelo Selective Service como 3-A (isenção por ser arrimo de família). Em 1944, quando os militares receavam uma falta de combatentes, ele foi reclassificado como 1-A (apto para o serviço militar). Não existe prova de que ele tivesse contestado esta classificação, porém seu empregador, o estúdio da Republic Pictures, o fez, solicitando que fosse concedida ao ator a classificação 2-A (isenção no interesse nacional), isto é, venda de bônus de guerra, visita às tropas etc.). Wayne foi muito criticado por não ter demonstrado interesse em servir à pátria, preferindo incrementar sua carreira.

Errol Flynn não serviu nas forças armadas porque sofria de malária recorrente e de tuberculose. Quando a Warner Bros. tentou fazer o seguro dele nos meados dos anos trinta, os médicos verificaram que ele estava nos estágios iniciais de insuficiência cardíaca congestiva. Flynn tentou se alistar no Exército, na Marinha, no Corpo de Fuzileiros Navais e no Corpo Aéreo do Exército, mas foi rejeitado e todas as vezes. O estúdio ocultou as razões de sua rejeição, porque seus executivos acharam que isto prejudicaria a imagem cinematográfica do astro.

Lew Ayres em Nada de Novo na Frente Ocidental

Ficou muito conhecido o caso de Lew Ayres, que interpretou o papel do jovem soldado alemão morto ao esticar o braço para fora da trincheira, tentando pegar uma borboleta no filme Sem Novidade no Front / All Quiet on the Western Front / 1930. Em março de 1942, Ayres foi classificado como 4 E e foi internado em um Co Camp (Conscientius Objector Camp) destinado para pessoas que, por razões de consciência, recusavam-se a tomar parte ativa na guerra. A notícia de que um ator de Hollywood recusara-se a cumprir seu dever patriótico, despertou o clamor público, e foi causa de debate. Eventualmente, ele foi reclassificado, serviu como coragem e distinção durante três anos como padoleiro e enfermeiro no corpo médico das operações no Pacífico Sul e doou todo o dinheiro que ganhou nas forças armadas para a Cruz Vermelha Americana. Os nativos das Filipinas na Campanha de Leyte costumavam chamá-lo de Dr. Kildare, personagem que encarnava na conhecida série da MGM.

 

Burgess Meredith em  Artilheiros das Nuvens

Nenhum artista convocado obteve tanta publicidade como Ronald Reagan. Ele ficava bem de uniforme e seu estúdio e nas revistas de fãs esforçaram-se para retratá-lo como o soldado do Exército modelo, casado com uma esposa exemplar do tempo da guerra, Jane Wyman, que também era atriz. Como oficial da cavalaria da reserva, Reagan foi chamado em abril de1942; mas, devido a sua deficiência de visão, ficou desqualificado para o serviço ativo. Ele jamais deixou a Califórnia durante o conflito mundial. Seu primeiro posto foi no quartel da cavalaria em Fort Mason, sendo em seguida requisitado pela Força Aérea. Para integrar a FMPU, sua unidade cinematográfica sediada no Hal Roach Studios. Os shorts mais conhecidos nos quais participou foram Além do Dever / Beyond the Line of Duty / 1942 (premiado com o Oscar de Melhor Curta-metragem de dois rolos), e Artilheiros das Nuvens / Rear Gunner / 1943., ambos da série Broadway Brevities da Warner Bros. No primeiro short ele atuou como narrador e no segundo short, como ator ao lado de Burgess Meredith, ao qual coube o papel principal.

DESENHOS ANIMADOS NO ESFORÇO DE GUERRA

Poucas semanas após a entrada dos Estados Unidos no segundo conflito mundial, tanto a Warner Bos como Disney começaram a trabalhar nos projetos de animação relacionados com o

Any Bonds Today

esforço de guerra. Em janeiro de 1942 foram lançados Any Bonds Today, desenhos de dois minutos do coelho Pernalonga produzidos pela unidade de Leo Schlesinger, estimulando a compra de bônus de guerra e The New Spirit, desenho de oito minutos do Paro Donald produzido por Walt Disney, destacando a importância do recolhimento dos impostos para a vitória, ambos produzidos para o departamento do Tesouro.

O estúdio Disney, com seus 1.200 empregados, foi o único classificado como fábrica de produção de guerra oficial prelo governo e, por causa disso, ficava cercado por sacos de areia e artilharia antiaérea.

Durante a Segunda Guerra Mundial, 90% dos animadores realizaram centenas de filmes de treinamento e de informação e desenharam mais de mil insígnias militares, sendo que o Pato Donald figurou em mais de quatrocentas das mesmas. Em 1943, Disney fez The Spirit of 43; Vitória pela Força Aérea / Victory Through Air Power (baseado no livro do major Alexander Seversky sobre o bombardeio estratégico de longo alcance, encaixando desenho na ação “ao vivo”, e dois especiais, Educação para a Morte / Education for Death – The Making of a Nazi e Razão e Emoção / Reason and Emotion. No mesmo ano, Vida de Nazista / Der Fuherer’s Face, desenho do Pato Donald satirizando o nazismo, obteve o Oscar da Academia. Nos outros desenhos Disney também introduziu temas de propaganda, como em Donald é Sorteado / Donald Gets Drafted / 1942, A Mascote do Exército / The Army Mascot / 1942, O Soldado Invisível / The Vanishing Private / 1942, Aviador do Barulho / Sky Trooper / 1942, A Sentinela / Private Pluto / 1943, O Automo … Bastão / Victory Vehicles / 1943, Pateta, o Marujo / How to be a Sailor / 1944, O Paraquedista / Commando Duck / 1944 etc.

Private Pluto

Nips the NIps

Pigeon Patrol

As unidades de animação dos outros estúdios atuaram mais esporadicamente, mas no todo a produção de cartoons relacionados com a guerra foi substancial. Eis alguns exemplos: a unidade de Max Fleischer na Paramount (e depois seus sucessores na fase Famous Studios) acionou o marinheiro Popeye em filmes como Popeye Motorizado / Many Tanks / 1942, You’re a Sap, Mr. Jap / 1942, Ao Fundo os Japoneses / Scrap the Japs / 1942, Spinach for Britain / 1943 etc e o Super-Homem (Superman) em Sabotagem e Companhia / Destruction Inc / 1942, A Mão Infalível / The Eleventh Hour / 1942 e Japoteurs / 1942; a unidade Hanna-Barbera da MGM ganhou o Oscar de 1943 pelo seu desenho patriótico O Rato Patriota / Yankee Doodle Mouse, da  série Tom e Jerry; a unidade de Schlesinger na Warner usou novamente o Pernalonga, desta vez para enfrentar os japoneses em Bugs Bunny Nips the Nips / 1944 e os alemães em Herr Meets Hare / 1945 enquanto o Patolino (Daffy Duck) desafiava o oficial nazista Von Vulture em Daffy – the Commando / 1943 e o Gaguinho (Porky Pig) estrelava a paródia ( Confusions of a Nutzy Spy 1943) de um filme de ficção da Warner, Confessions of a Nazy Spy / 1939; a unidade de Paul Terry (Terrytoons) na Universal, colocou seu Gandy Goose em Pigeon Patrol / 1942,e o primeiro cartoon que retratou os japoneses como animais- o vilão era um abutre nipônico; George Pal fez uma alegoria da invasão nazista da Dinamarca e da resistência no seu Puppetoon As Tulipas. Todos para a Vitória / All Out for V / 1942, da série Terrytoons mostra os animais da floresta, aves e insetos fabricando armamentos e capacetes para o esforço de guerra.

Convém mencionar ainda os desenhos da série Private Snafu que a Warner produziu para a Army-Navy Screen Magazine. Supervisionados por Chuck Jones, estes cartoons tinham valores de produção modestos, eram exibidos somente para o pessoal militar e muito mais sensuais e maliciosos do que os desenhos animados comerciais. Chuck Jones dirigiu (sem ser creditado) quase a metade da série inclusive o desenho de abertura (Coming Snafu / 1943, I. Freleng (Isadore”Friz” Freleng) e Frank Tashlin dirigiram a maioria dos restantes e Mel Blanc (dublador entre outros do Coelho Pernalonga, do Gaguinho e do Patolino) providenciou a voz do Soldado Snafu.

 

SEYMOUR NEBENZAHL

Ele e sua companhia Nero criaram alguns dos filmes alemães mais artisticamente significativos do final dos anos vinte e início dos anos trinta. Depois produziu uma série de filmes bem-conceituados na França e em Hollywood.

Seymour Nebenzahl

Seymour Nebenzahl (1897-1961) nasceu em Nova York e foi educado alí e em Berlim. Seu pai Heinrich (Jesekiel / Chaskel) Nebenzahl (1870-1938) havia acumulado uma fortuna como importador de ovos antes de se voltar para a produção cinematográfica depois de retornar dos Estados para Berlim. A partir de 1917 Nebenzahl pai assumiu empresas cinematográficas, coproduzindo números filmes de gênero com Harry Piel assim como investiu algum dinheiro em experimentações como Menschen Am Sonntag / 1929. Filmado na rua sem atores profissionais e uma câmera na mão, o filme foi um trampolim para várias carreiras: Billy Wilder escreveu o roteiro (na verdade apenas um tratamento), dirigido pelo então montador Robert Siodmak com base numa história de seu irmão Curt, o cameraman era Eugene Shufttan (inventor do famoso processo), seu assistente chamava-se Fred Zinnemann e o assistente de direção respondia pelo nome de Edgar G. Ulmer.

Menschen Am Sonntag

Seymour trabalhou para a empresa da família na Inglaterra, fez fortuna, casou-se com uma herdeira alemã, Else Jacoby, e voltou para Berlim no início dos anos vinte. Em 1925 com seu pai, fundou a companhia que se desenvolveu na produtora Nero em 1927. Uma das companhias alemães mais bem sucedidas da época, a Nero produziu muitos dos chamados “Mittelfilme” (filmes com orçamento médio) mas se tornou proeminentemente conhecida por seus projetos de prestígio.

Louise Brooks em A Caixa de Pandora

Guerra!, Flagelo de Deus

A Ópera dos Pobres

A Tragédia da Mina

A primeira colaboração da Nero com o diretor G. W. Pabst foi A Caixa de Pandora / Die Büchse Der Pandora / 1929, estrelado pela americana Louise Brooks. Após o fim do cinema mudo, Pabst dirigiu o filme pacifista Guerra! Flagelo de Deus / Westfront 1918 / 1930 para Nebenzahl, aclamado por seu uso criativo do som. Em colaboração com a Warner Bros e a Tobis Filmkunst Nero também produziu a adaptação de Pabst da peça de Bertholt Brecht / Kurt Weill Die 3 Groschen-Oper / 1931 (No Brasil foi exibida a versão francesa L’Opera de Quat’Sous com o título de A Ópera dos Pobres), mas foi subsequentemente processado por Brecht e Weill. Outros trabalhos de Pabst para a Nero foram A Tragédia da Mina / Kameradschaft / 1931, drama realista sobre um desastre numa mina, e a aventura escapista no deserto Atlântida / Die Herrin Von Atlantis / 1932 estrelado por Brigitte Helm.

M – O Vampiro de Dusseldorf

Enquanto isso Fritz Lang dirigiu dois de seus melhores filmes para a Nero, M – O Vampiro de Dusseldorf / M – Eine Stadt sucht einer Mörder / 1931 e O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabuse / 1933. Considerado como uma alegoria do terror Nazista que viria, este último filme foi banido na Alemanha, mas Nebenzahl passou cópias para Amsterdâ e Compenhage, e escapou com os negativos para Paris depois que os Nazistas tomaram o poder e invadiram seu escritório.

Mayerling

Em Paris Nebenzahl tornou-se um ponto de encontro para artistas de cinema que fugiram da Alemanha Nazista, e ele trabalhou com emigrados inclusive seu primo Robert Siodmak em La Crise est Finie / 1934, Anatole Litvak em Mayerling / Mayerling / 1936, Fedor Ozep em A Princesa Tarakanowa / Tarakanowa / 1938, e Max Ophüls em Le Roman de Werther / 1938.

O Capanga de Hitler

Cidadão americano de nascimento, Nebenzahl retornou aos Estados Unidos em 1938 onde fundou a Nero Films em Hollywood e produziu: Dois Contra o Mundo / We Who Are Young / 1940, Almas Indomáveis / Prisoner of Japan / 1942, Tomorrow We Live / 1942, O Capanga de Hitler / Hitler’s Madman / 1943, O Que Matou Por Amor / Summer Storm / 1944, Por Causa de uma Mulher / Whistle Stop; 1946, A Senda do Temor / The Chase / 1946, Somente o Céu Sabe / Heaven Only Knows / 1947 e duas refilmagens de clássicos da Nero, Atlântida, o Continente Perdido / Siren of Atlantis / 1949 e a versão de Joseph Losey de M – O Vampiro de Dusseldorf, desta vez intitulada M / 19551 com sua história realocada de Berlim para Los Angeles do pós-guerra

M de JosephLosey

Em 1945, Seymour voltou para Berlim para restabelecer a Nero Alemã que produziu seu último filme, Bis Zum Ende Aller Tage /1961 sob a direção de Franz Peter Wirth.

 

O NEO REALISMO ITALIANO

Embora os críticos apontem Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta / 1945 como o primeiro filme verdadeiramente neo-realista, Obsessão / Ossessione / 1942 de Luchino Visconti foi realmente o precursor deste movimento. E de fato o roteirista do filme de Antonioni, Antonio Pietrangeli, cunhou o termo neo-realismo em 1943 quando falava sobre Obsessão. Os maiores expoentes deste movimento são Visconti, Rosselini e Vittorio De Sica.

Obsessão

No decorrer do governo fascista de Mussolini o tipo de cinema que estava sendo produzido estava divorciado da realidade e preocupado apenas em promover uma boa imagem da Itália.  O governo havia decretado que crime e imoralidade não deveriam ser colocados na tela. Os filmes principalmente produzidos eram melodramas sofisticados da classe média, chamados depreciativamente (após o fascismo) “filmes de telefones brancos”.

Luchino Visconti

Roberto Rosselini

VIttorio De Sica

Entretanto, durante o controle da indústria cinematográfica pelo governo fascista, algumas “coisas boas” aconteceram: os estúdios famosos de Cinecittà foram construídos e, talvez mais significativamente, alguns realizadores assumiram uma postura moral e estética contra o fascismo.

O neo-realismo, então, deve sua existência em parte ao descontentamento destes cineastas com as restrições impostas à sua liberdade de expressão. E é sob este aspecto que o filme de Visconti de 1942 pode ser visto como o prenúncio do neo-realismo. Mas ele também teve precedentes para seu estilo de filme. Durante os anos trinta Visconti trabalhou como assistente do diretor francês Jean Renoir: um aprendizado significativo, primeiro, por causa da associação de Renoir com o movimento do Realismo Poético Francês e, segundo, porque ele trabalhou com Renoir em um filme que os historiadores   entendem como sendo um precursor do movimento neo-realista italiano, Toni / 1934.  Indiscutivelmente o realismo social e pessimista do realismo poético se fertilizou no neo-realismo, mas o ponto a ser levantado sobre Toni é que foi um filme baseado na história verídica de um trabalhador imigrante italiano na França cuja paixão por uma mulher o levou a cometer um homicídio. Renoir usou atores não-profissionais, rodou o filme em locação e manteve a trilha sonora original.

Toni de Jean Renoir

Obsessão de Visconti, embora não fosse uma história verdadeira, foi baseado em um romance de ficção popular, “The Postman Always Rings Twice” de James M. Cain.  O filme foi rodado em locação no norte da Itália e conta a história de um trabalhador sem emprego que se torna um vagabundo errante, fica obcecado por uma mulher e concorda com o seu plano de assassinar seu marido. Tendo realizado a ação, ela morre em um acidente de carro. Com esta narrativa de sórdidas obsessões e tomadas cheias de luxúria e sensualidade, Visconti estava desafiando deliberadamente os decretos do governo de pureza e decência na tela. O filme foi exibido, mas com um corte pesado da censura e Visconti não fez outro filme até 1948: A Terra Treme / La Terra Trema. Entretanto, as sementes do neo-realismo foram plantadas.

Em 1943 o regime fascista na Itália estava chegando ao fim e em 1944 a Itália foi ocupada pelos Aliados. A queda do fascismo permitiu que a verdade sobre as condições de pobreza das classes trabalhadoras e da vida urbana fosse contada. E isto foi exatamente o que fez um pequeno grupo de realizadores. Eles rejeitaram o velho cinema e seus códigos e convenções e foram à procura da dura realidade.

Ladrões de Bicicletas

Anna Magnani em Roma, Cidade Aberta

 

A fim de garantir esse realismo, diálogo e língua deviam ser naturais – até ao ponto de se manter os dialetos regionais. Neste sentido também, deviam ser usados preferencialmente atores não-profissionais. A filmagem em locação ao invés de estúdio devia prevalecer. E, finalmente, a filmagem devia ser em estilo documentário, com luz natural, uma câmera-na-mão e usando observação e análise. Estas exigências foram plenamente respeitadas apenas em Ladrões de Bicicletas / Ladri di Bicicletti / 1948 embora Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta / 1945 (que usou uma mistura de atores profissionais e não-profissionais, a estrela Anna Magnani e três pequenos sets de filmagem) chegasse perto disto.

Roma, Cidade Aberta foi baseado em eventos reais que os Romanos durante o período 1943-1944.  Isto foi antes das Forças Aliadas terem chegado na cidade e os Alemães ainda estavam no controle. A narrativa é focada nos acontecimentos da Resistência Italiana durante um período de três dias. Dinheiro e película cinematográfica eram extremamente difíceis de conseguir; entretanto são as dificuldades da produção que dão autenticidade a este filme. Rosselini teve que usar película de cinejornal, que dá às imagens o visual granulado realista.

O Teto

O neo-realismo não teve vida particularmente curta.  Ele durou dez anos, até quatorze se levarmos em consideração que o último filme neo-realista foi O Teto / Il Tetto / 1956. Em certo sentido, o neo-realismo foi oficialmente extinto no início dos anos cinquenta pelo governo quando este nomeou Giulio Andreotti como Diretor de Artes Cênicas e lhe deu amplos poderes. Todos os filmes que davam uma má imagem da Itália tiveram os direitos de exibição negados na Itália e, porque ele controlava os empréstimos bancários, Andreotti poderia ir tão longe a ponto de negar dinheiro para filmes que ele considerava demasiadamente neo-realistas na sua motivação. O clima de Guerra Fria do início dos anos cinquenta também contribuiu para a antipatia governamental pelo realismo social inerente a esses filmes, que eles percebiam como politizados e de esquerda – mesmo que dos cineastas envolvidos somente Visconti fosse declaradamente marxista.

Apesar do seu fim, o neo-realismo teve um impacto enorme nas futuras práticas cinematográficas na Europa, Estados Unidos e Índia. A Nouvelle Vague Francesa reconheceu amplamente sua dívida para com esse movimento, e ressonâncias de seu estilo estão claramente em evidência na British New Wave. Uma geração mais jovem de cineastas italianos também foi muito influenciada pelo trabalho dos neo-realistas, em particular Ermano Olmi, Michelangelo Antonioni e Federico Fellini. Na Índia os filmes de Satyajit Ray do final dos anos cinquenta, os do Cinema Novo Brasileiro, os do Novo Cinema Português foram fortemente marcados pelos princípios do neo-realismo e seu impacto pode ser visto também obras de diretores como Martin Scorsese ou David Lynch.

ARTHUR FREED E A FREED UNIT

Pouco produtores foram tão intimamente associados ou essenciais ao desenvolvimento de um gênero de filme específico como ele. As contribuições de Freed para o musical de Hollywood ajudaram a moldar o visual e o estilo que dominaram o gênero nos anos quarenta, atingindo o auge nos anos cinquenta com filmes como Sinfonia de Paris / An American in Paris / 1951 e Cantando na Chuva / Singin in the Rain / 1952. Trabalhando na MGM com um grupo que incluía muitos dos melhores diretores, atores, compositores, e técnicos da época, ele supervisionou a produção de filmes que se tornaram clássicos da forma e sua influência é percebida na imagem que persiste do filme musical Americano.

Arthur Freed

Arthur Freed nasceu em Charleston, South California, um dos oitos filhos de Rosa e Max Freed, cresceu em Seattle e começou a escrever poesia na Phillips Academy em Exeter, New Hampshire. Seu pai era um negociante de arte que viajava pelo mundo todo com sua família. A música desempenhava um papel vital no lar dos Freed. Como atividade paralela Max vendia cítaras e possuía uma voz ressonante de tenor. Arthur, o filho mais velho, tornou-se letrista. Sydney e Clarence entraram no ramo da gravação em Hollywood. Walter tornou-se um organista. Ralph, tal como Arthur, compunha músicas e até Ruth, a única filha, havia escrito várias canções. Somente Hugo era de natureza mais pragmática, tornando-se um contador. Victor morreu durante a Primeira Guerra Mundial.

O desenvolvimento de Freed como produtor de musicais nasceu naturalmente desde o início de sua carreira como letrista. Juntamente com Nacio Herb Brown, Freed escreveu dezenas de canções populares, inclusive tais como “Broadway Rhythm”, “Singin’ in the Rain” e “You Are my Lucky Star”, e ele continuou seu trabalho como compositor intermitentemente por todos os seus anos como produtor. Foi como letrista que Freed chegou originalmente à MGM, mas no final dos anos trinta ele havia começado a pedir a Louis B. Mayer permissão para produzir, e em 1938 recebeu sua chance, quando o estúdio começou a preparar a fantasia infantil de L. Frank Baum, The Wizard of Oz, para a tela. Com Mervyn Leroy como seu produtor e Freed como produtor associado, o filme, intitulado no Brasil O Mágico de Oz, tornou-se um dos maiores sucessos da MGM e garantiu a Freed uma posição mais autônoma dentro da hierarquia do estúdio.

O Mágico de Oz

O talento particular de Freed era sua capacidade de reconhecer a aptidão artística excepcional daqueles ao seu redor, e ele começou a reunir um grupo de indivíduos cujos talentos na área do musical eram inigualáveis. Este grupo passou a ser conhecido como a “Freed unit” e entre seus membros estavam artistas e técnicos representando todos os aspectos da produção de filmes musicais. O compositor Roger Edens tornou-se o colega e produtor associado de confiança de Freed enquanto Vincente Minelli, Stanley Donen, Busby Berkeley, e Charles Walters estavam entre principais diretores da Unidade.

Freed exerceu um papel fundamental na contratação da menina de 13 anos de idade, Judy Garland, para a MGM em meados dos anos trinta e ela se tornou – juntamente com Fred Astaire e Gene Kelly – um dos artistas mais intimamente associados com o produtor. Lena Horne e June Allyson estavam também entre os talentos recrutados por ele para o estúdio. Cole Porter, Irving Berlin, e Oscar Hammerstein escreveram canções para os musicais produzidos por Freed, e sua equipe de produção utilizou os melhores diretores de arte, figurinistas, músicos, e coréografos que a indústria tinha para oferecer. A primeira tarefa de Freed na MGM foi num filme de Jean Harlow chamado Tentação dos Outros / Reckless / 1935 como supervisor musical. Depois ele trabalhou em vários filmes não musicais nos quais uma canção ou uma trilha sonora especial era exigida.

Tentação dos Outros

Os dois filmes que refletem melhor sua influência no musical, foram lançados no início dos anos cinquenta – Cantando na Chuva e Sinfonia de Paris. Embora fossem ambos estrelados por Gene Kelly – eram bem diferentes em estilo e execução, cada um à sua maneira exibindo a arte e a amplitude de talento característicos dos filmes que Freed produziu. Cantando na Chuva foi codirigido por Kelly e Stanley Donen, e o filme conta uma história de amor dos bastidores de Hollywood com uma energia viva que abrange o número extravagante “Broadway Ballet”, o cômico “Make’em Laugh” e a interpretação famosa de Kelly da canção que dá título ao filme. Alegre e colorido Cantando na Chuva é puro entretenimento realizado nas melhores tradições do cinema de Hollywood.

Sinfonia de Paris, dirigido por Vincente Minelli, colocava Leslie Caron, treinada no balé, ao lado de Gene Kelly e o filme é uma fusão de vários estilos de dança e elementos da cultura Francesa e Americana. O balé “American in Paris” tem lugar em um vasto cenário que lembra os estilos de vários pintores impressionistas franceses enquanto Kelly e Caron misturam dança clássica com jazz e um toque de bufar da Broadway neste que um dos números musicais mais ambiciosos jamais filmados. Como seu produtor, Freed recebeu o Oscar conferido ao filme (ele receberia seu segundo Oscar por Gigi / Gigi / 1958 sete anos depois), e Sinfonia de Paris continua sendo um exemplo notável do alcance de imaginação e talento que marcaram a obra da Freed Unit.

FILMOGRAFIA DAS PRODUÇÕES DE ARTHUR FREED EM ORDEM ALFABÉTICA:

Sinfonia de Paris / American in Paris, An / 1951. Bonita e Valente / Annie Get Your Gun / 1950. Quando Morre uma Ilusão / Any Number Can Play / 1949. Sangue de Artista / Babes in Arms / 1939.  Calouros da Broadway / Babes on Broadway / 1941. A Roda da Fortuna / Band Wagon, The /1953.  Ciúme, Sinal de Amor / Barkleys of Broadway, The / 1949. Ver, Gostar e Amar /Belle of New York, The /1952. Essa Loura Vale Um Milhão / Bells Are Ringing / 1960. A Rainha dos Corações / Best Foot Forward / 1943. A / Lenda dos Beijos Perdidos / Brigadoon / 1954. Uma Cabana no Céu / Cabin in the Sky / 1943.O Ponteiro da Saudade / Clock, The / 1945. Terra em Fogo / Crisis / 1950. Dy Barry Era Um Pedaço / DutBarry Was a Lady / 1942. Desfile de Páscoa / Easter Parade / 1948. Idílio em D Re Mi / For Me and My Gal / 1942. Gigi / Gigi / 1958. Louco por Saias / Girl Crazy / 1943. Tudo Azul / Good News / 1947. As Garçonetes de Harvey / Harvey Girls, The / 1946. Convite à Dança / Invitation to the Dance / 1956. Dançando nas Nuvens / It´s Always Fair Weather / 1955. Um Estranho no Paraíso / Kismet / 1953. Um Amor de Pequena / Little Nellie Kelly   / 1940. Agora Seremos Felizes / Meet Me in St. Louis / 1944. Um Dia em Nova York / On the Town / 1949. Amor Pagão / Pagan Love Song / 1950. Lourinha do Panamá / Panama Hattie / 1942. O Pirata / Pirate, The / 1948. Núpcias Reais / Royal Wedding / 1951. O Barco das Ilusões / Show Boat / 1951. Meias de Seda / Silk Stockings / 1957. Cantando na Chuva / Singin’ in the Rain / 1952. O Rei da Alegria / Strike Up the Band / 1940. Os Subterrâneos da Noite / Subterraneans, The / 1960. Idilio Para Todos / Summer Holiday / 1963. A Bela Ditadora / Take Me Out to the Ball Game / 1949.Quando as Nuvens Passam / Till the Clouds Roll By / 1946. O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939. Minha Vida é uma Canção / Words and Music / 1948. Yolanda e o Ladrão / Yolanda and the Thief / 1945. Ziegfeld Follies / Ziegfeld Follies / 1945.

 

Eu não poderia terminar este artigo sem mencionar dois números musicais de produções de Fred que muito me encantaram: o esfuziante “I Left my Hat in Haiti” com tema caribenho dançado por Fred Astaire e Jane Powell em Núpcias Reais e “The Ritz Rock and Roll” composto por Cole Porter e dançado por Fred no seu tradicional estilo top hat, white tie and tails (cartola,  gravata branca e terno) em Meias de Seda.

 

Núpcias Reais

 

Meias de Seda

Embora Jane não fosse principalmente uma dançarina e Porter nunca tivesse tentado escrever no idioma do rock, eles surpreenderam a todos que puderam assistir a estes dois momentos excitantes do filme musical americano.

 

CURD JURGENS

De olhos azuis, louro, e rudemente masculino, ele era o ator principal mais bem pago da Alemanha Ocidental dos anos cinquenta e um astro internacional muito requisitado.

Curd Jurgens

Nascido em Munich, Alemanha Curd Gustav Andreas Gottlieb Franz Jürgens (1915-1982), tendo crescido em Berlim, teve aulas de interpretação e foi descoberto pelo ator-diretor Willi Forst, estreando como um jovem Imperador Franz Joseph no filme de Herbert Maisch Valsa do Amor / Königswalzer / 1935. Ele se apresentou em vários teatros de Berlim de 1936 a 1938, e depois disso juntou-se ao Deutches Volkstheater de Viena até 1941, assim como o Komödie de Berlim de 1940 a 1942 e o Burgthetaer de Viena de 1941 a 1953.

Curd em Valsa do Amor

Inicialmente em filmes austríacos após a guerra, Jürgens trabalhou em produções da Alemanha Ocidental a partir de 1950, interpretando tanto papéis principais românticos com heróis de filmes de ação, tais como o capitão de cavalaria em A Última Valza / Der Letzte Walzer / 1953 de Arthur Maria Rabenalt.

Curd em O General do Diabo

Ele alcançou muito sucesso como o comandante da Luftwaffe na adaptação de Helmut Kautner da peça de Carl Zuckmayer O General do Diabo / Des Teufels General / 1955 e estrelou ao lado de Yves Montand Os Heróis Estão Cansados / Les Héros Sont Fatigués / 1955. Depois de ser enfeitiçado por Briggite Bardot em E Deus Criou a Mulher / Et Dieu… Créa la Femme / 1956 de Roger Vadim, voltou a encarnar aventureiros arrojados na versão cinematográfica de Carmine Gallone de Miguel Strogoff de Jules Verne, Miguel Strogoff, o Correio do Tzar / Michel Strogoff / 1956 assim como em outra adaptação de Kautner de outro romance de Zuckmeyer, Duelo na Floresta / Der Schinderhannes / 1958.

Curd e Brigitte Bardot em E Deus Criou a Mulher

Curd em Miguel  Strogoff

Escalado para numerosas produções de Hollywood, dividiu o estrelato com Robert Mitchum e Dick Powell em A Raposa do Mar / The Enemy Below / 1957, Ingrid Bergman em A Morada da Sexta Felicidade / The Inn of the Sixth Happiness / 1958, Danny Kaye em Eu e o Coronel / Me and the Colonel /1958, Orson Welles em O Proscrito de Hong Kong / Ferry to Hong Kong / 1959 e interpretou um vilão de James Bond ao lado de Roger Moore em 007 – O Espião Que Me Amava / The Spy Who Loved Me / 1977.

Curd em 007 -O Espião que me Amava

Suas produções da Alemanha Ocidental a partir dos anos sessenta eram em grande parte esquecíveis, inclusive uma série de filmes dos anos setenta passados em St.Pauli, o famoso Distrito da Luz Vermelha de Hamburgo. Mais tarde recebeu ofertas de papéis mais ambiciosos em minisséries de televisão tais como adaptações dos romances de Stefan Heym (Collin / 1981) e de Simon Langton (Smiley People / 1982), esta última estrelado por Alec Guiness. Jurgens dirigiu quatro filmes durante sua carreira, nenhum dos quais foi particularmente importante: Prämien Auf Den Tod / 1950, Gangsterpremiere / 1951, Ohne Dich Wird Es Nacht / 1956 e Bankraub In Der Rue Latour / 1961.

No palco, ele voltou para o Burgtheater de Viena de 1965 a 1968, e novamente a partir de 1973, bem como apareceu como “Jedermann” na peça do mesmo nome de Hugo von Hofmannsthal no Festival de Salzburg. Como escritor, sua peça “Geliebter Michael” estreou em Munich em 1946. Sua autobiografia tornou-se um Bestseller em 1976.