Arquivo diários:julho 31, 2025

DOIS CLÁSSICOS DO HORROR: DRÁCULA E FRANKENSTEIN

Escrito em 1897, o romance “Dracula”, obra do irlandês Bram Stocker (1847-1912), obteve um êxito instantâneo e imenso.

Nosferatu

A primeira versão cinematográfica do romance de Stoker foi o filme alemão Nosferatu / Nosferatu, eine Symphonie des Graunes / 1922 do famoso diretor expressionista F. W. Murnau. Dois anos depois, o produtor britânico Hamilton Deane apresentou uma versão teatral modernizada de “Dracula” no Grand Theatre em Derby, cidade da Inglaterra com Bela Lugosi no papel do conde vampiro morto-vivo. Outros papéis importantes foram interpretados por Dorothy Peterson (como Lucy Harker), Edward Van Sloan (Van Helsing), Herbert Bunston (Dr. Seward) e Bernard Jukes (Reinfield).

A peça estreou no Fulton Theatre em Nova York em 5 de outubro de1927, teve 265 representações e finalmente saiu de cartaz em Nova York em maio de 1928. Em 24 de junho, o Biltimore Theatre recebeu-a em Los Angeles com o elenco da Broadway Lugosi, Edward Van Sloan e Jukes reprisando seus papéis. Após sua temporada em Los Angeles foi transferida para San Francisco e excursionou por várias cidades importantes do país.

A Universal estava observando “Dracula” desde que os frequentadores de teatro de Londres começaram a fazer fila para assistir à peça, mas encontraram dificuldades para transportá-la para a tela numa versão silenciosa e também por causa de problemas com a censura. Estas barreiras foram removidas com o quase simultâneo nascimento do cinema falado e uma diminuição da influência da censura.

Em junho de 1930, o estúdio adquiriu os direitos do livro e da peça por 40 mil dólares, e menos de um mês depois um roteiro completo foi entregue por Dudley Murphy; porém Garrett Fort contribuiu com retoques finais e ganhou crédito como único autor do script. O desconhecido Lugosi não foi a escolha inicial da Universal para ser o Dracula. O veterano Lon Chaney era o preferido, mas o astro fôra acometido de um câncer de pulmão brônquico. Quando ficou evidente que o “Homem das Mil Caras” não poderia assumir o papel de Dracula, a Universal começou a procurar outros atores. Entre os candidatos para o papel título estavam, entre outros, Paul Muni e Conrad Veidt.

Bela Lugosi como Drácula

Eventualmente o Dracula do palco prevaleceu: Lugosi foi convocado para um teste e, em 20 de setembro, a imprensa especializada anunciou que o ator húngaro fora escalado para o papel tão cobiçado. Edward Van Sloan e Herbert Bunston integrantes do elenco da Broadway juntaram-se a Lugosi na adaptação cinematográfica. A direção coube a Tod Browning e Karl Freund se incumbiu da fotografia. Helen Chandler e David Manners formaram o par romântico Mina Seward-John Harker. Frances Dade era Lucy. Os créditos do filme passam sob os acordes do Lago dos Cisnes de Tchaikovski.

Todas as falhas e limitações que incomodam os espectadores de hoje parece que não perturbaram os espectadores e críticos de 1931. O filme foi, conforme vários relatos, um sucesso de bilheteria e sua importância histórica é inegável.

Carlos Villarias como Drácula

No mesmo ano surgiu uma versão em espanhol, dirigida por George Melford, ex-ator que acumulou um número impressionante de créditos de direção, atingindo a nota mais alta com O Sheik / The Sheik / 1921 (também conhecido como Paixão de Bárbaro), estrelado por Rudolph Valentino. Apesar da performance de Carlos Villarías ter sido criticada, a versão em espanhol foi melhor do que a versão americana. Lupita Tovar e Barry Norton herdaram os papéis de Helen Chandler e David Manners, agora respectivamente com os nomes de Eva Seward e Juan Harker. Comparando as duas versões, Lupita declarou numa entrevista: “Eu acho a versão espanhola melhor! A outra é um pouco cansativa, muito passiva. E a espanhola…tem mais emoção”.

A volta de Tod Browning para a sua base, a MGM, onde realizou seus melhores filmes com Lon Chaney, não impediu a Universal de fazer um outro filme de horror depois de Drácula, baseado no romance de terror gótico “Frankenstein: or The Modern Prometheus”, de Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851), que havia inspirado um filme produzido por Thomas Edison em1910 com Charles Ogle no papel da criatura, e várias adaptações teatrais.

Boris Karloff como Frankenstein

A versão clássica de Frankenstein / Frankenstein / 1931 da Universal é reconhecida como uma criação do roteirista e diretor francês Robert Florey. Seu primeiro rascunho do roteiro, escrito em colaboração com Garrett Fort, revela sua contribuição significativa para o filme. Ele chegou a filmar um teste com Bela Lugosi interpretando o monstro, mas a Universal entregou a direção para James Whale e este escalou Boris Karloff.

Francis Edwards Faragoh foi chamado para rescrever o roteiro de Frankenstein adicionando, por insistência de Whale, alguns toques cômicos leves, na história decididamente sombria, que ficaram a cargo do comediante britânico Frederick Kerr. Para o papel de Elizabeth, a noiva angustiada de Henry Frankenstein, Bette Davis, então cumprindo um contrato de seis meses com o estúdio, antes de ir para Warner Bros. foi brevemente cogitada, porém Whale favoreceu Mae Clarke. O papel de Victor Moritz, o rival de Henry Frankenstein no amor coube a John Boles. Para os papéis do Dr. Waldman e Fritz, o assistente corcunda do laboratório do Dr. Frankenstein, Edward van Sloan e Dwight Frye eram escolhas naturais. Para o papel principal de Henry Frankenstein foi sugerido Leslie Howard, mas Whale preferiu Colin Clive,

Colin Clive criando o monstro 

A maquilagem do monstro foi assumida como sendo inteiramente uma criação de Jack Pierce, mas recentemente a contribuição de Whale foi reconhecida. Um exemplar da revista MakeUp Artist de 2005 considerou-a uma das cinquenta melhores maquilagens de todos os tempos entre o público em geral ainda é uma das mais reconhecíveis. Do orçamento de cerca de 262 mil dólares, 10 mil dólares foram gastos apenas nos efeitos elétricos. Frank Graves, Kenneth Strickfaden e Raymond Lindsay estavam encarregados dos pitorescos aparelhos elétricos instalados no laboratório do Dr. Frankenstein no topo da montanha. Arthur Edeson cuidou da fotografia, a música foi composta por Bernhard Kaun e Charles D. Hall criou cenários expressionistas suntuosos.

Frankenstein está corretamente posicionado como o primeiro grande filme de horror todo falado da Universal.