Arquivo diários:agosto 28, 2025

REINHOLD SCHÜNZEL

Nascido em Hamburgo, Alemanha em 1888 e falecido em Munique, Alemanha Ocidental em 1954, ele atuou primeiramente em filmes no final dos anos dez como ator, inicialmente em papéis de vilão, e depois como comediante popular.

Reinhold Schünzel

Hoje Schünzel é mais lembrado como diretor de alguns dos maiores sucessos de bilheteria dos anos vinte e trinta, que eram em humor e sofisticação superados  apenas pelos filmes de Ernst  Lubitsch. Por conta de seu sucesso Schünzel, embora considerado “meio-judeu” (apenas a mãe era judia), foi até tolerado pelos nazistas. Após completar seu curso de administração, contra a vontade seus pais, atuou no teatro, e trabalhou como como diretor e ator no Meinhardt-Bernauer-Theater em Berlim. Em 1916 começou a aparecer em filmes, geralmente como vilão.

No mesmo ano tornou-se parte do elenco de atores do diretor Richard Oswald, que incluía Conrad Veidt e a dançarina exótica Anita Berber. Para Oswald, Schünzel  interpretou um chantagista no melodrama sobre homoafetividade Diferente dos Outros  / Anders als die Andern / 1919 ao lado de Veidt e Anita e, sob direção de Ernst Lubitsch, viveu um aristocrata, o Ministro Choiseul, em Madame Du Barry / Madame du Barry / 1919,  ao lado de Emil Jannings e Pola Negri.

Schünzel em Madame du Barry

Em 1918, Schünzel também começou a dirigir filmes, principalmente comédias, mas também melodramas e épicos. Ele demonstrou talento para produções extravagantes com o filme histórico Catharina II, a Grande / Katharina  Die Grosse / 1920, no qual atuava também como ator no papel do Csar Pedro. Inicialmente trabalhando independentemente e também produzindo, Schünzel foi contratado pela Ufa em1926 e produziu uma série de comédias pastelão muito populares incluíndo Halloh – Caesar! / 1926, Der Himmel Auf Erden / 1927, e Herkules Maier / 1928, nas quais atuou também como ator.

Cena de Víktor und Viktoria

Suas primeiras produções nos anos trinta usavam música, diálogo e som com ótimo efeito cômico, adicionando sofisticação e energia aos seus filmes. Ele manteve seu senso de ironia e assuntos eroticamente picantes na sua obra-prima  Viktor und Viktoria / 1933, comédia musical sobre uma jovem (Renate Müller) que finge ser um imitador de mulheres. Curiosamente a versão alemã só passou no Sul do Brasil; no resto do país foi exibida a versão francesa, George et Georgette, com Meg  Lemmonier  no lugar de Renate Müller.

Ao mesmo tempo, Schünzel continuou a atuar como ator para outros diretores, retratando mais notavelmente o chefe de polícia corrupto Tiger Brown em A Ópera dos Pobres / Die 3 – Groschen – Oper / 1931 de G. W. Pabst e, novamente para Oswald, assumindo o papel do Czar Nicolau II, no filme antiguerra 1914 – Die Letzten Tage Vor Dem Weltbrand / 1931.

Depois da ascenção dos nazistas ao poder Schünzel, classificado como “meio-judeu”, recebeu uma permissão especial de Josef Goebbels para continuar trabalhando para a Ufa, onde fez a comédia Um Casamento  Inglês / Die Englische Heirat  / 1934 estrelado por Renate Müller e Anfitrião / Amphitryon / 1935, fantasia  luxuosa satirizando a mitologia grega com Willy Fritsch como Júpiter.

Anfitrião

Seu derradeiro filme na Alemanha, Terra do Amor / Land der Liebe / 1937, foi uma opereta clássica na qual uma jovem princesa, destinada a se casar com um rei que sua mãe quer lhe impor, tenta escapar do seu destino. O filme foi exibido  severamente cortado.

Então Schünzel, contratado pela MGM,  partiu para Hollywood, mas suas tentativas de repetir seus sucessos europeus fracassaram. Misturando patinação no gelo com o formato musical tradicional Folia no Gêlo / The Ice Follies of 1939, estrelado por Joan Crawford, James Stewart e Lew Ayres, foi um fracasso de bilheteria. E um outro musical com temática russa, Balalaika / Balalaika / 1939, estrelado por Illona Massey e Nelson Eddy, não se saiu muito melhor.

Schünzel em Os Carrascos também Morrem

Schünzel em Crepúsculo Sangrento

Schünzel e Ingrid Bergman em Interlúdio

Uma cinebiogafia sobre Franz Schubert, Serenata do Amor / New Wine / 1941 também com Illona Massey e Alan Curtis no papel do grande compositor austríaco foi o último trabalho de Schünzel como diretor. Ele voltou a atuar como ator, interpretando nazistas, mais notavelmente como um inspetor da Gestapo em Os Carrrascos Também Morrem /  Hangmen Also Die! / 1942 de Fritz Lang, como o Coronel Kurt von Elsen em Crepúsculo Sangrento / First Comes Courage / 1943  e como um dos hóspedes sinistros de Claude Rains em Interlúdio / Notorious / 1946 de Alfred Hitchcock. Surgiu também como o General Luddendorf em A Quadrilha de Hitler / The Hitler Gang / 1944 e como Johann Walther, o velho amigo do conferencista sequestrado pelos nazistas no pós-guerra em Expresso para Berlim / Berlin Express / 1948.

Schünzel voltou para a Alemanha Ocidental em 1951. Ele interpretou Polonius em “Hamlet” no Teatro Kammerspiele de Munique, e ocasionalmente apareceu em filmes. Seu último papel foi como o patriarca benevolente em Meines Vaters Pferde / 1954 , que lhe proporcionou um Prêmio Alemão de Cinema. A filha de Schünzel, Annemarie, trabalhou como atriz em Hollywood em filmes dos anos cinquenta e sessenta sob o nome de Marianne Stewart.

Desde 2004, um Prêmio Reinhold Schünzel para a preservação e promoção do patrimônio cinematográfico é concedido anualmente no Festival de Cinema em Hamburgo.