WERNER KRAUSS

Conhecido internacionalmente por sua representação do personagem-título em O Gabinete do Dr. Caligari / Das Kabinett Des Dr. Caligari / 1920, ele apareceu em mais de cem filmes, sempre aclamado como um ator muito versátil.

Werner Krauss

Werner Krauss (1884-1959) nasceu na Alemanha  no prebistério de Gestungshausen, situado em Sonnefeld, município do Distrito Coburg no Estado da Baviera. Ele trabalhou extensamente em teatros de repertório e em teatros provinciais antes de se juntar aos palcos de Max Reinhardt em Berlim em 1913. A partir de 1924, Krauss foi a atração principal no Staatstheater e no Deutsches Theater da capital, bem como no Burgtheater de Viena.

Krauss em O Gabinete do Dr. Caligari

A estréia de Krauss no cinema foi em Hoffmanns Erzählungen / 1916 de Richard Oswald, e ele subsequentemente trabalhou em inúmeros filmes deste diretor. Geralmente escalado como depravado ou mentalmente desequilibrado, seu sádico Philipp Galen em Dida Ibsens Geschichte / 1918, foi um tour de force. Ganhando posição de astro após o fim da Primeira Guerra Mundial, a interpretação do ator como Dr. Caligari lançou-o em uma longa série de papéis “demoníacos”.

 

Krauss em Dida Ibsens Geschitte

Krauss em Scherben

Krauss como Napoleão em Cem Dias

Embora muitas das suas caracterizações tendessem para o exagero, outras foram suficientemente sutís para impedí-lo de se tornar estereotipado, e ele se destacou como o inspetor ferroviário em  Scherben  / 1921  de Lupu Pick. Interpretou várias personalidades históricas como Robespierre (em Danton / 1921), Pôncio Pilatos (em A Tragédia do Gólgota / I.N.R.I. / 1923), Napoleão (em Napoleon Auf St.Helena / 1929 e Cem Dias / Hundert Tage / 1935), o General Prussiano Yorck von Wartenburg (em General Yorck / Yorck / 1931), o alquimista Paracelso (em Paracelsus / 1943), Jack, o Estripador (em Figuras de Cera / Das Wachsfigurenkabinett / 1924). Foi também  Herr Orgon em Tartuffo / Herr Tartüff / 1925 e o Conde Muffat em Nana 1926, adaptação obra de Emile Zola dirigida por Jean Renoir.

Krauss como Robespierre em Danton

Krauss como Pôncio PIlatos em INRI

Krauss como o General Yorck

Ele trabalhou repetidamente com o diretor G.W.Pabst, mais notavelmente no estudo psicanalítico  Segredos de uma Alma / Geheimnisse Einer Seele / 1926  e foi memorável como o solitário palhaço de circo em Looping the Loop / Die Todesschleifer / 1928 de Arthur Robinson.

Krauss como palhaço em Looping the Loop

Krauss desfrutou seus maiores triunfos no palco no início dos anos trinta  em “Der Hauptmann von Köpenick” de Carl Zuckmayer e “Vor Sonnenuntergang” de Gerhart Hauptmann.

Nomeado presidente em exercício do Reichstheaterkamer em 1933, tornou-se um dos principais representantes culturais nazistas e contribuiu para uma série de filmes de propaganda, tais como Robert Koch / Robert Koch, Der Bekämpfer Des Todes  / 1939 de Hans Steinhoff e Die Entlassung / 1942 de Wolfgang Liebeneiner, além de interpretar o rabino Loew e também o seu histérico secretário Levy no filme antisemita de Veit Harlan Jud Süss / 1940.

Krauss em Jud Süss

Kraus passou o fim da guerra na Áustria mas foi deportado para a Alemanha em 1946. Declarado apenas minimamente incriminado após o processo de sua desnazificação, foi autorizado a retornar a Viena para trabalhar no Burgtheater e assumir a nacionalidade austríaca.

Krauss era popular no Brasil obtendo sucesso com filmes como Ciúmes / Eifersucht / 1925, Rua das Lágrimas / Die freudlose Gasse / 1925 (ao lado de Greta Garbo e Asta Nielsen), O Estudante de Praga / Der Student von Prag / 1926, Com Amor Não se Brinca / Man spielt nicht mit der Liebe / 1926 (ao lado de Lily Damita),  Sua Última Noite / Da hält die Welt den Atem an / 1927, O Camponês Alegre / Der fidele Bauer / 1928, O Inferno das Virgens / Die Hölle der Jungfrauen / 1928,  O Homem sem Nome / Mensch ohne Namen / 1932, Intriga e Amor / Burgtheater / 1936  etc.

O grande ator trágico esteve no Brasil em julho de 1935 com a Grande Companhia Dramática Alemã Werner Krauss – Maria Bard, que se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, incluindo no seu repertório a peça “Campo di Maggio” de Benito Mussolini e Giovacchino Forzano (na qual se baseou o filme Cem Dias), “Vor Sonnernutengang” de Gerhart Hauptmann e “Cyrano de Bergerac” de Edmond Rostand, anunciada como Cyrano von Bergerac.

Embora suas viagens iniciais pela Alemanha tivessem sido acompanhadas por protestos em 1950, o ator ganhou a nacionalidade Alemã Ocidental em 1951, e foi subsequentemente totalmente reabilitado, recebendo tanto a Ordem da República Federal Alemã em 1954 como a Alta Condecoração da República da Áustria em 1955.

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