PARTITURAS PARA FILMES DRAMÁTICOS NA ERA DOS GRANDES ESTÚDIOS

Nos primeiros anos do cinema falado partituras para filmes dramáticos não inspiravam muito respeito, pelo menos não fora de um círculo limitado.

Max Steiner

Max Steiner havia demonstrado o impacto que um compositor dramático conseguiria fazer em um filme com sua partitura para King Kong / King Kong / 1933 da RKO, mas a importância da música na criação de atmosfera e intensificando a ação na tela demorou a ser reconhecida.
Compositores de filme astutos aceitaram o fato de que a função deles era enfatizar o que o olho vê e que a música tinha que servir ao drama constantemente influenciando o público subliminarmente. Eles sabiam que precisavam compor músicas impactantes sem se soprepor ao diálogo e até mesmo tinham que estar dispostos a optar pelo silêncio para proteger o diálogo.
Na maioria dos casos, as partituras dramáticas são escritas depois que um filme é finalizado, já que o compositor precisa conhecer a textura do filme a fundo. Durante o período de pós-produção, o compositor trabalha em estreita colaboração com o produtor e o diretor, que frequentemente querem menos música ou música mais obviamente comercial do que a que o compositor faz.
Dos meados da década de trinta até o final da década de quarenta a Warner Bros. dedicou mais atenção às partituras dramáticas para seus filmes do que qualquer outro estúdio em Hollwood. Leo F. Forbstein, que chefiava o departamento de música da Warner antes de Ray Heindorf, era um excelente maestro e orquestrador. O estúdio tinha também sob contrato dois dos principais compositores na indústria – Max Steiner e Erich Wolfgang Korngold, ambos crianças prodígios e ambos de Viena.
Steiner, que havia estudado com Gustav Mahler e se tornou um maestro profissional aos dezesseis anos de idade, chegou em Hollywood via Broadway. Ele trabalhou primeiramente na RKO, depois na Warner Bros., permanecendo na Warner por quase trinta anos. Mais do que qualquer outro compositor, Steiner foi pioneiro no uso de trilhas sonoras originais para filmes. Ele compôs partituras para 18 filmes de Bette Davis. “Max compreendia mais sobre drama do que qualquer um de nós”, ela declarou anos depois. Já que Mayer queria volume nos filmes dele, ele insistia para que Steiner colocasse o máximo de instrumentos de metal em cada partitura. Mas para …E O Vento Levou / Gone With he Wind / 1939, no qual trabalhou durante um período de empréstimo para David Selznick, Steiner conseguiu obter um som mais exuberante; esta partitura tornou-se a sua obra-prima.

Erich Wolfgang Korngold

Erich Wolfgang Korngold já era um compositor consagrado na Europa antes de ir para a Warner Bros. em 1935; ele permaneceu um classicista. O primeiro compositor de renome internacional a assinar um contrato com um estúdio. Korngold trabalhou na Warner por doze anos, tornando-se o compositor mais bem pago de sua época. Ele produziu dezoito partituras, mas ganhou o Oscar por Adversidade / Anthony Adverse / 1936 e As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood / 1938.

Alfred Newman

Alfred Newman, chefe do departamento de música na 20thCentury-Fox de 1940 até 1961, provou ser não somente um excelente administrador e um maestro excepcional, mas também um dos compositores mais prolíficos em Hollywood, conquistando nove Prêmios da Academia. Ele foi também o criador da famosa fanfarra da 20thCentury-Fox. Como Zanuck confiava nele implicitamente, Newman tinha uma autoridade na Fox que poucos músicos desfrutavam bem como um enorme orçamento anual. Entre suas próprias partituras estavam as de Como Era Verde o Meu Vale / How Green Was My Valley / 1941, A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette / 1943, Capitão de Castela / Captain from Castile / 1947 e A Malvada / All About Eve / 1950, embora muitas vezes fosse assistido por outros membros do departamento. “Algumas vezes os cronogramas estavam tão apertados que um grupo de nós trabalhou em um filme” disse o compositor da 20thCentury-Fox David Raksin.”Nós tinhamos que compor partituras que levariam dois meses em três semanas, algumas vezes menos”. A grande chance de Raksin apareceu com o filme Laura / Laura / 1944, um grande sucesso; seu tema musical tornou-se uma canção popular.

MIklos Roszsa

No início da década de cinquenta a MGM tinha sete ou oito compositores dramáticos sob contrato, além de quatro ou cinco orquestradores e dez ou mais copistas e assistentes. Miklos Rozsa, um dos gigantes da música de filme, especializou-se na Metro em partituras “épicas”: Quo Vadis / Quo Vadis / 1951, Ivanhoé, o Vingador do Rei / Ivanhoe / 1952, Julio César / Julius Caesar / 1953, Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table / 1953.
Bronislau Kaper, que havia chegado a Metro mais cedo da Alemanha, permaneceu no estúdio por trinta anos, compondo partituras para Fogo Sagrado / Keeper of the Flame / 1942, À Meia Luz / Gaslight / 1944, A Rua do Delfim Verde / Green Dolphin Street / 1957 e O Cisne / The Swan / 1956. John Green, futuro chefe do departamento, também escreveu partituras dramáticas na MGM, como,, por exemplo, para Festa Brava / Fiesta / 1947 e A Árvore da Vida / Raintree County / 1957.

David Raksin

David Raksin, após seu sucesso na 20thCentury-Fox, foi para a Metro em 1949, mas ficou lá apenas três anos. Durante este tempo ele escreveu uma partitura para Assim Estava Escrito / The Bad and the Beautiful / 1952, porém com sua predileção pelo modernismo, Raksin considerou o ambiente da Metro pouco propício para a criatividade.

 

Dimitri Tiomkin

Dimitri Tiomkin, que ganhou reconhecimento na Columbia com sua partitura para Horizonte Perdido / Lost Horizon / 1937, antes de ir para outros lugares escrever música para Duelo ao Sol / Duel in the Sun / 1947, Matar ou Morrer / High Noon /1952, Um Fio de Esperança / The High and the Mighty / 1954 e Assim Caminha a Humanidade / Giant / 1956, não sentia nostalgia dos seus primeiros anos. Os salários eram inicialmente baixos para músicos e as condições de trabalho, piores.

Franz Waxman

Franz Waxman, que escreveu música para Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca / 1940, Agonia de 2Amor / The Paradine Case / 1948, Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard / 1950, e Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun / 1951, era um verdadeiro mestre. Ele trabalhou para Selznick e Warner Bros., e depois fixou residência na Paramount ganhando dois Oscar lá.
Victor Young, que realizou a maior parte de seu trabalho na Paramount, escreveu, arranjou ou supervisionou aproximadamente 350 filmes. Sua música se distinguia pelo calor da melodia, evidente em Por Quem os Sinos Dobram / For Whom the Bell Tolls / 1943, Cigana Feiticeira / Golden Earrings / 1947, Sansão e Dalila / Samson and Delilah / 1949 e A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in 80 Day s / 1956. “Young escrevia música com o coração”, disse Bill Stinton, membro da equipe de divisão de música da Paramount.

Bernard Herrmann

Bernard Herrmann foi para Hollywood com Orson Welles a fim de escrever a partitura de Cidadão Kane / Citizen Kane / 1941, demonstrando imediatamente ser um perfecionista intransigente. Herrmann depois trabalhou extensivamente com Alfred Hitchcock, em filmes como Um Corpo que Cai / Vertigo / 1958, Intriga Internacional / North by Northwest / 1959 e Psicose / Psycho / 1960.

Alex North

Alex North começou sua carreira em Hollywood escrevendo a partitura com influência do jazz para Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire / 1951. Por vezes North tem sido apontado como responsável por trazer a música de cinema para o século vinte, embora essas afirmações sejam exageradas. George Antheil, Virgil Thompson, e Aaron Copland foram outros, entre os mais renomados compositores americanos, que também já haviam escrito música de cinema usando um idioma moderno.

Para a elaboração deste artigo consultei o magnífico livro de Ronald L. Davis The Glamour Factory Inside Hollywood’s Big Studio System. Southern Methodist University Press, Dallas, 1993

 

2 pensou em “PARTITURAS PARA FILMES DRAMÁTICOS NA ERA DOS GRANDES ESTÚDIOS

  1. Ruan

    A trajetória do grandioso Steiner mostra como a música deixou de ser um simples acompanhamento para se tornar parte essencial da narrativa cinematográfica. Sem essa contribuição, o cinema clássico não teria a mesma força emocional que tem.

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