Arquivo diários:janeiro 31, 2026

IRVING THALBERG

Irving Grant Thalberg (1899-1936) nasceu no Brooklyn, Nova York. Era uma criança frágil, assolada por várias doenças infantís. Passou a maior parte dos seus primeiros anos de colégio na cama.  Os médicos previram que não passaria dos trinta anos de idade. O confinamento em um quarto de doente deu-lhe a chance de ler os clássicos da literatura mundial. Quando se recuperou suficientemente para entrar no mercado de trabalho, tinha a mente e o vocabulário de uma pessoa culta. Após passagens frustrantes na loja de departamento de seu avô, e várias empresas de navegação, o rapaz inteligente de dezenove anos de idade arrumou emprego no escritório da Universal Pictures na Broadway e, em menos de dois anos, seu discernimento e auto-confiança elevaram-no ao nível executivo. Em pouco tempo tornou-se assistente de Carl Laemmle no estúdio da Universal em San Fernando Valley na Califórnia e, aos 21 anos de idade, assumiu o cargo de gerente geral da Universal City, iniciando assim a sua carreira como o “Boy Wonder of Hollywood”.

Irving Thalberg

Em 15 de fevereiro de 1925, depois de produzir (sem ser creditado) dois grandes filmes na Universal, Ingênuas / Foolish Wives /1922 e O Corcunda de Notre Dame / The Hunchback of Notre Dame / 1923, estrelados pela ordem por Erich von Stroheim e Lon Chaney, Thalberg foi contratado pela Louis B. Mayer Productions, que criou para ele o cargo de vice-presidente encarregado da produção.

Thalberg com Louis B.Mayer

Após a fusão de três companhias na Metro-Goldwyn-Mayer, ele produziu Ironia da Sorte / He Who Gets Slapped / 1924, grande sucesso de crítica e de público combinando os talentos de Lon Chaney e do diretor sueco Victor Sjöström e escalando dois jovens atores Norma Shearer e John Gilbert para integrar o elenco.

Ironia da Sorte

Ele inovou no que diz respeito a várias práticas como a organização de reuniões nas manhãs de domingo, pré-estréias (sneak previews) e refilmagens (ordenando retakes a diretores de prestígio como Sjöström), e transformou em grandes astros Lon Chaney, Ramon Novarro, John Gilbert, Joan Crawford, Clark Gable, Jean Harlow, Marie Dressler, Wallace Beery, Greta Garbo e tantos outros, inclusive Norma Shearer com quem se casou.

Thalberg e Norma Shearer

Aos vinte e cinco anos de idade, Thalberg foi reconhecido como o grande produtor de Hollywood. Seus filmes constituíam uma mistura rara de bom gôsto e comercialismo, homenageados com muitos prêmios e referendados por grandes lucros de bilheteria. Entre Ouro e Maldição / Greed / 1924 e seu último projeto, Maria Antonieta / Marie Antoinette / 1938, Thalberg nos proporcionou outras obras imperecíveis das quais cito apenas mais dez como exemplo: O Grande Desfile /The Big Parade / 1925, Ben-Hur / Ben-Hur: A Tale of Christ / 1925, O Monstro do Circo / The Unknown / 1927; A Turba / The Crowd / 1928, Tarzan, O Filho das Selvas / Tarzan the Ape Man / 1932, Grande Hotel / Grand Hotel / 1932, A Viúva Alegre / The Merry Widow / 1935, O Grande Motim  / Mutiny on the Bounty / 1935, A Dama das Camélias / Camille / 1936, Terra dos Deuses  / The Good Earth / 1937.

Ben-Hur

O Monstro do Circo

A Turba

Tarzan, o Filho das Selvas

Grande Hotel

O Grande Motim

A Dama das Camélias

Terra dos Deuses

Ele viveu dois terços de sua vida na sala de projeção. Na MGM a produção executiva era delegada a um produtor central (central producer). Thalberg, “o menino prodígio” do estúdio, era o produtor central típico. A revista Fortune (dezembro, 1932) disse a respeito dele: “O seu cérebro é a câmera que fotografa dezenas de roteiros em uma semana e decide quais deles, talvez nenhum, serão encaminhados para os 27 departamentos do estúdio para serem transformados em filme”. Para ajudá-lo na produção dos quarenta a cinquenta filmes que o estúdio produzia anualmente, Thalberg contava com um grupo de dez produtores associados, sendo os cinco mais importantes: Harry Rapf, Bernie Hyman, Hunt Stromberg, Albert Lewin e Paul Bern. Cada produtor associado era especializado em um certo tipo de filme – filmes de prestígio, comédias sofisticadas, melodramas, filmes de ação, e assim por diante. Para iniciar um projeto, o produtor associado trocava idéias com os argumentistas sobre a história e trabalhava juntamente com eles para o desenvolver o roteiro. Após ter submetido o roteiro final à aprovação de Thalberg, ele coordenava o trabalho dos cenógrafos, diretor e elenco. Os produtores associados ficavam vinculados ao filme até que este fosse concluído, resolvendo os problemas que por acaso surgissem.

Em 1933, após Thalberg ter sofrido um ataque cardíaco aos 37 anos, a MGM instituiu o sistema de unidades de produção (producer-unit-system). Reestruturando o estúdio, Louis B. Mayer formou uma unidade de produção para o seu genro David 0’ Selznick produzir filmes de prestígio e promoveu os produtores associados de Thalberg, tornando-os responsáveis por seus próprios filmes e lhes dando crédito na tela como produtores. Thalberg sentiu-se traído e foi contra esta mudança, mas teve que se conformar e, até a sua morte prematura em 1936, funcionou como produtor de projetos especiais.

Então, as profecias de seus médicos se tornaram realidade. Thalberg morreu, deixando uma viúva, dois filhos e um legado impressionante. Filmes que iluminaram, divertiram e despertaram emoção e que jamais serão esquecidos pelos fãs. Seu filme, Terra dos Deuses, lançado depois de sua morte, apresentou nos créditos de abertura esta dedicatória: “À memória de Irving Grant Thalberg – dedicamos este filme – sua última grande realização”.

O Prêmio em Memória de Irving G. Thalberg (The Irving Thalberg Memorial Award) é concedido a um produtor cujo conjunto da obra reflita produção de alta qualidade. O troféu é uma escultura (23cm de altura, pesando 4,5kg com base de mármore negro) reproduzindo a cabeça do produtor Irving Thalberg que, como vimos, ajudou a MGM a prosperar, tornando-se a mais importante e glamorosa “fábrica de filmes” dos EUA, com “mais estrelas do que havia nos céus”.