JOSEPH RUTTENBERG

Para os executivos dos estúdios, atores e diretores ele era “o velho profissional”, um diretor de fotografia cujo domínio técnico vinha acompanhado por uma arte visual que enriquecia os filmes dos realizadores mais preocupados com drama e atuação do que com o estilo visual. Quando trabalhou com diretores que se importavam com iluminação e composição, os filmes que eles fizeram foram geralmente indicados para o Oscar. Guttemberg recebeu dez indicações, e ganhou quatro estatuetas da Academia. Ao todo, fotografou cerca de 110 filmes entre 1917 e 1968.

Joseph Ruttenberg

Nascido numa família judia em St. Petersburgo na Rússia, Joseph Ruttenberg (1889-1983) foi levado para os Estados Unidos com quatro anos de idade. Seu primeiro emprego foi como copy boy no jornal Boston American (onde ocasionalmente era um mensageiro pessoal para William Randolph Hearst).

No American Ruttenberg descobriu a fotografia. Primeiro como um mensageiro que entregava as notícias filmadas pelos cinejornais no laboratório, depois como um técnico em câmara escura e então como um fotógrafo da imprensa. Ruttenberg aprendeu a fazer fotos rapidamente e sob condições adversas. Uma noite, por exemplo, quando não pôde usar o seu próprio equipamento de flash, abriu o obturador na sua câmera e aguardou pelos flashes de outros fotógrafos.

Esta combinação de competência e invenção lhe rendeu uma incumbência para fotografar cenários teatrais europeus para a Ópera de Boston. Lá, em Paris, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, ficou enfeitiçado pelo cinema. Quando retornou aos Estados Unidos, ele formou uma parceria com um amigo – que tinha dinheiro e habilidade mecânica. Eles adquiriram uma câmera movida a manivela e durante quase seis meses produziram um cinejornal semanal para os cinemas locais da Loews, Inc. Esta experiência seria útil quando Ruttenberg se mudou para Nova York e para o emprego com William Fox em1916.

De novo Ruttenberg subiu na hierarquia de batedor de claquete e fotógrafo de still a assistente de cameraman e depois cinegrafista. Utilizando câmeras Pathé e Bell and Howell, Ruttenberg filmou pelos menos 26 filmes entre A Painted Madonna (seu primeiro filme como cinegrafista) em 1917, e The Struggle para D.W. Griffith em 1931. Uma filmografia completa de Rutttenberg ainda precisa ser elaborada porque nestes anos Ruttenberg frequentemente colaborou em filmes sem receber crédito.

The Struggle

Aplausos / Applause / 1929 de Rouben Mamoulian é um deles; O Tenente Sedutor / The Smiling Lieutenant / 1931 de Ernst Lubitsch é outro – ambos foram creditados a George Folsey, um dos amigos mais íntimos de Ruttenberg. Embora tivessem compartilhado o trabalho, somente Folsey ganhou crédito por razões legais.

Quando a Fox se mudou para Hollywood em 1926, Ruttenberg preferiu permanecer em Nova York, onde ele logo estava dirigindo testes de som para a MGM, RKO e Universal (Alguns dos atores que testou com os novos sistemas de som foram os Irmãos Marx, Helen Hayes, Fred Astaire, Walter Huston e Claudette Colbert). Em 1935 Ruttenberg finalmente foi para Hollywood, trabalhando brevemente na Warner Brothers, e depois se deslocando para a MGM.

A Grande Valsa

A Ponte de Waterloo

O Mèdico e o Monstro

Rosa da Esperança

Madame Curie

À Meia-Luz

Ruttenberg , Deborah Kerr e Greer Garson na filmagem de Júlio Cesaar

Marcado pela Sarjeta

Gigi

Disque Butterfield 8

Ruttenberg recebeu 10 indicações para o Oscar (A Grande Valsa / The Great Waltz / 1938, A Ponte de Waterloo / Waterloo Bridge / 1940, O Médico e o Monstro / Dr. Jekyll and Mr. Hyde / 1941, Rosa da Esperança / Mrs. Miniver / 1942, Madame Curie / Madame Curie / 1943, À Meia-Luz / Gaslight / 1944, Júlio Cesar / Julius Caesar / 1953, Marcado pela Sarjeta / Somebody Up There Likes Me /1956, Gigi / Gigi / 1958, Disque Butterfield 8 / Butterfield 8 / 1960) e ganhou quatro (A Grande Valsa, Rosa da Esperança, Marcado pela Sarjeta, Gigi).

Uma das razões pelas quais a sua cinematografia se distinguia era pela iluminação. Enquanto muitos cinegrafistas delegassem a iluminação para assistentes, Ruttenberg muitas vezes desafiava as normas dos sindicatos para se encarregar ele mesmo das câmeras. Katharine Hepburn, tal como dezenas de outras atrizes, queriam Ruttenberg para fotografar seus filmes porque sua iluminação a lisonjeava (Hepburn gostava de sombras nos seus ombros). A importância da iluminação em filmes como À Meia-Luz, O Médico e o Monstro e A Ponte de Waterloo, nos quais as sombras são atmosfera, não precisa ser apontada.

Ruttenberg recebendo um dos seus Oscar

O trabalho de câmera de Ruttenberg também se distinguia de uma outra maneira. Dada a oportunidade, e muitas vezes, por sua própria iniciativa, ele tentava filmar sequência inteiras em uma única tomada. Algumas de suas tomadas desafiam a compreensão: em Gigi ele filmou em um ambiente cheio de espelhos, mas a câmera e as luzes não são vistas.

O último filme de Ruttenberg foi O Bacana do Volante / Speedway com Elvis Presley e Nancy Sinatra, produzido em1968, ano em que ele se aposentou aos 79 anos de idade.

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