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Histórias de Cinema

ESTÚDIOS BRITÂNICOS II

September 12, 2014

ISLEWORTH

Em 1913, o pioneiro do cinema britânico, G. B. (George Berthold) Samuelson, concebeu a idéia de realizar um filme épico sobre o reino da Rainha Vitória, que ele admirava muito. Samuelson financiou e teve uma participação importante na produção de Sixty Years A Queen, rodado no Ealing Studios de Will Barker. O espetáculo obteve muito sucesso, e ele resolveu adquirir seu próprio estúdio, alugando, com opção de compra, uma grande área – na qual se situava uma mansão de quarenta quartos -, em Worton Hall, Isleworth.

Cena de Sixty Years a Queen

O primeiro filme feito no estúdio, A Study in Scarlet / 1914, baseado na história de Conan Doyle e dirigido por George Pearson, alcançou grande êxito. Animado, Samuelson envolveu Pearson em um novo projeto, A Cinema’s Girl Romance, que não foi avante porque, com o irromper da Primeira Guerra Mundial, eles resolveram realizar dois cine-jornais fictícios, The Great European War Day-By-Day e Incidents Of The Great European War, muito bem recebidos pelo público. Nos dias que se seguiram, Samuelson e Pearson trabalharam ininterruptamente, produzindo filmes que lotavam os cinemas, tendo como Fred Paul. Como ator principal. No final de 1915, Pearson deixou Worton Hall e foi para o Lime Grove Studio da Gaumont em Shepherd’s Bush. Fred Paul assumiu suas funções em Worton Hall, começando por dirigir a série The Adventures of Deadwood Dick /1915, ao todo seis westerns de dois rolos, baseados nas proezas de um inglês, Dick Harry (interpretado por ele mesmo), no Oeste americano, Em 1916, Worton Hall foi ampliado e, daquele ano até 1919, conquistou uma reputação invejável pela realização de adaptações de dois rolos de livros e peças clássicos (vg. The Vicar of Wakefield de Oliver Goldsmith; The Admirable Crichton de J.M. Barrie; Lady Windermere’s Fan de Oscar Wilde, as duas últimas produzidas pela Ideal Film Company de Simon Rowson).

Cena de A Study in Scarlet

Em 1922, Samuelson formou uma companhia com o distribuidor Sir William Jury, sob a denominação de British Super Films. O primeiro filme sob a nova marca foi Stable Companions / 1922, estrelado por Lillian Hall-Davis e Clive Brook, seguindo-se, com a mesma atriz, The Game of Life / 1922; The Faithful Heart / 1922; Brown Sugar / 1922; The Hotel Mouse / 1923; The Right To Strike / 1923. Samuelson fez de Lillian Hall-Davis uma estrela imensamente popular. O filme mais controvertido dela, Maisie’s Marriage / 1923, causou um acesso de indignação por parte da British Board of Film Censors, que não admitia que um livro, cujo tema principal era o amor livre, tivesse sido transformado em filme. O livro em questão intitulava-se Married Love, de autoria de uma defensora do controle de natalidade, Dra. Maria C. Stopes, que também escreveu o roteiro para a transposição cinematográfica.

Cartaz de Maisie's Marriage

Cena de Maisie's MarriageEm 1925, Samuelson empreendeu uma versão para a tela de Ela / She, de Sir Henry Rider Haggard, filmada em um estúdio de Berlin, com um elenco internacional. Dificuldades com sua estrela americana, Betty Blithe, resultaram em uma ação judicial, e os gastos colossais com o processo somados às despesas extras de produção por causa do litígio, causaram-lhe muito prejuízo. Em 1928, Worton Hall foi vendido para a British Screen Productions, que George Pearson havia fundado, e Samuelson continuou a atuar no cinema como diretor.

Bethy Blithe em Ela

A British Screen Productions realizou alguns filmes silenciosos de qualidade inferior e, em 1930, entrou em liquidação. Em 1931, Richard Norton (encarregado da realização de “quota quickies” na Inglaterra para a United Artists e que mais tarde teria uma participação importante no Pinewood Studios), chegou a organizar um esquema de produção de seis “quickies” no estúdio e este também foi alugado para outras companhias fazerem, por exemplo, Madame Guillotine – Prod: Reginald Fogwel; Birds of a Feather – Prod: G&L Films; Guilt – Prod: Reginald Fogwell; e Jealousy – Prod: Majestic Films / New Era. Porém, em 1933, Worton Hall foi vendido para J. W. Almond e Edward Gourdeau, donos da Interworld Films.

Isleworth Studios 1930

Em 1934, Worton Hall foi totalmente modernizado com a instalação do sistema de som Western Electric e, no final do ano, Alexander Korda, com o apoio financeiro da Prudential Assurance Company, alugou o estúdio. Douglas Fairbanks e seu filho, Douglas Fairbanks Jnr., celebraram um acordo com Alexander Korda pelo qual Fairbanks Sr. ofereceria a Korda uma participação na United Artists enquanto que seu filho integraria o elenco da produção de Korda, Catarina, a Grande (em reprise, A Rainha Imortal) / The Rise of Catherine The Great / 1934.

Pôster de Noites de Moscou

Pôster de O Homem Que Fazia Milagres

Pôster de BozamboEm 1936, após longas negociações com a família Almond, Douglas Fairbanks, Jnr. e seus colegas Marcel Hellman, Paul Czinner e A. Cunningham- Reid (da diretoria da firma que ele havia fundado no ano anterior, Criterion Film Production), adquiriram Warton Hall. Entre os filmes realizados no todo ou em parte por Korda, Fairbanks, Jnr. e produtores independentes neste estúdio em 1935-1937, destacaram-se: O Fantasma Camarada / The Ghost Goes West (Robert Donat, Jean Parker); Noites de Moscou / Moscow Nights (Harry Baur, Penelope Dudley Ward, Laurence Olivier); O Homem Que fazia Milagres / The Man Who Could Work Miracles (Roland Young, Ralph Richardson); Daquí a Cem Anos / Things to Come (Ralph Richardson); Bozambo / Sanders of the River (Paul Robeson, Leslie Banks, Nina Mae McKinney); Acusada / Accused (Douglas Fairbanks, Jnr. Dolores Del Rio); Crime Over London (Margot Grahame, Paul Cavanagh); Larápio Encantador / Jump for Glory (Douglas Fairbanks, Jnr. Valerie Hobson). Estes três últimos filmes, produzidos pela Criterion, foram um desastre nas bilheterias, e Douglas Fairbanks Jnr. voltou para os Estados Unidos. A produção continuou em Worton Hall até o início da Segunda Guerra Mundial, sobressaindo: Fanfarronadas / The Invader / 1936 (Buster Keaton, Lupita Tovar), um “quota quickie” feito por Sam Spiegel para a MGM) e Under Secret Orders, versão inglêsa de Mademoiselle Docteur / 1937 (Erich von Stroheim, John Loder, Dita Parlo) de G.W. Pabst.

Buster Keaton e Lupita Tovar em Fanfarronadas

Pôster de Under Secret Orders

Em 1939, o produtor Maurice Wilson alugou Worton Hall por um período breve, mas pouco depois o estúdio foi requisitado pelo Ministério de Obras Públicas e ficou fechado durante a guerra. Em 1944, a British Lion Film Corporation comprou 50% de Worton Hall. Entre os longas-metragens realizados sob a marca British Lion estavam algumas cenas de Picadilly Incident / 1946 (Anna Neagle, Michael Wilding); The Shop At Sly Corner / 1947 (Oscar Homolka, Muriel Pavlow, Derek Farr); White Craddle Inn / 1947 (Madeleine Carroll, Michael Rennie, Ian Hunter). O estúdio passou por outra mudança de propriedade quando, em 1946-47, Alexander Korda, adquiriu o controle acionário da British Lion, que também operava o Shepperton Studios. E assim, Shepperton Studios e Worton Hall tornaram-se inexoravelmente ligados. Por exemplo, algumas cenas de O Ídolo Caído / The Fallen Idol / 1948 (Michèle Morgan, Ralph Richardson), filmado principalmente em Shepperton, foram rodadas em Worton Hall. Outras produções que não puderam ser completadas em Shepperton acabaram sendo efetivadas em Worton Hall: The Last Days of Dolwyn / 1949 (Richard Burton estreando nas telas, Emlyn Williams); The Small Back Room / 1949 (David Farrar, Jack Hawkins). No período 1949-1950 houve grande atividade nos estúdios, destacando-se: Segredo de Estado / State Secret / 1950 (Douglas Fairbanks Jnr., Jack Hawkins, Glynis Johns, Herbert Lom) e algumas cenas de Uma Aventura na África / The African Queen / 1951 (Humphrey Bogart, Katherine Hepburn). Entretanto, a vida do Worton Hall Studios em Isleworth estava prestes a ter um fim abrupto.

IAnna Neagle e Michael Wilding em Picadilly Incident

Douglas Fairbanks Jnr., Glynis Johns e Herbert Lom em Segredo de Estado

Katharine Hepurn e Humphrey Bogart em Uma Aventura na ÁfricaNos anos quarenta, a British Lion Film Corporation de Alexander Korda, dona de ambos os estúdios de Shepperton e Worton Hall, recebeu um empréstimo massivo da National Film Finance Corporation. Quando chegou a data do empréstimo ser pago em outubro de 1951, foi anunciado que “nenhum pagamento poderia ser feito sem a redução da produção”. Parte da redução significou a venda do Worton Hall Studios para a empresa estatal National Coal Board em maio de 1952.

ISLINGTON

Gainsborough Studios1945

Em 1919, a Famous Players-Lasky Company of America fundou a Famous Players-Lasky British Producers Limited, quando adquiriu uma antiga usina geradora ferroviária em Islington e a converteu em um estúdio com dois palcos de filmagem, oficinas e escritórios. Entre as primeiras produções constavam The Great Day / 1920 e O Imã da Juventude / The Call of Youth / 1921, (ambos com Marjorie Hume), Três Fantasmas Vivos / Three Live Ghosts / 1922 e O Compatriota / The Man from Home / 1922 (ambos com Anna Q. Nillson); Paixões da Bela Espanha / Spanish Jade / 1922 (Evelyn Brent). Todavia, em 1924, Jesse L. Lasky resolveu se retirar dos seus investimentos britânicos e o estúdio foi vendido para Michael Balcon e seus sócios, Victor Saville e o financiador John Freedman. Para a sua primeira produção em Islington, Mulher Contra Mulher / Woman to Woman / 1923, realizada com a ajuda monetária do distribuidor C. M. (Charles Moss) Woolf, eles convidaram a estrela do cinema americano Betty Compson, colocando-a ao lado de Clive Brook e confiaram a direção a Graham Cutts, um dos principais diretores ingleses nos anos vinte. Alfred Hitchcock (que havia iniciado sua carreira como desenhista de letreiros) foi o assistente de direção, roteirista e cenógrafo e Alma Reville, sua futura esposa, a montadora e script girl. O filme fez grande sucesso, porém o próximo espetáculo, The White Shadow / 1924, foi decepcionante comercialmente, e C. M. Woolf não quis mais investir na companhia.

Pôster de Mulher contraMulher

Em 1924, Michael Balcon fundou uma nova firma, Gainsborough Pictures, nome e logo que se tornariam famosos na indústria cinematográfica britânica. Com a criação dessa companhia a reputação de Balcon como produtor estava firmada assim como a de Reginald Baker, seu contador, com o qual Bacon teve uma longo relacionamento profissional. Os primeiros filmes da companhia foram A Porta Fechada / The Passionate Adventure (Clive Brook, Alice Joyce, Lillian Hall-Davis, Victor MacLaglen) e The Rat / 1925 (Mae Marsh, Ivor Novello), ambos dirigidos por Graham Cutts; três filmes de Hitchcock: Estrangulador de Louras / The Lodger / 1926 (Ivor Novello, June), Dowhnhill / 1927 (Ivor Novello, Isabel Jean),  Easy Virtue /1928 ( Robin Irvine, Isabel Jean); Incertezas da Sorte / The Constant Nymph / 1928 (Ivor Novello, Mabel Poulton).

Ivor Novello em O Estrangulador de Louras

 Cena de Downhill

Cena de Easy Virtue

Em 1928, a Gainsborough foi absorvida pela Gaumont-British Picture Corporation, conglomerado que possuía o Lime Grove Studios em Shepherd’s Bush e negócios no campo da distribuição e exibição. Entre 1928 e 1932, enquanto o estúdio em Shepherd’s Bush estava sendo preparado para o cinema falado, o estúdio da Gainsborough em Islington serviu como um ramal de produção para a Gaumont-British. No mesmo ano, o sistema de som da RCA Photophone foi instalado em Islington e, em 1931, Balcon estava dividindo suas responsabilidades entre os dois estúdios. Entre os filmes dos anos trinta, salientavam-se: algumas comédias com a dupla Jack Hulbert-Cicely Courtneidge; Friday the Thirteenth / 1933 (Jessie Matthews, Sonnie Hale); Rainha por Nove Dias / Tudor Rose  ou Nine Days a Queen / 1936 (Cedric Hardwicke, Nova Pilbeam); O Homem Que Mudou de Alma / The Man Who Changed His Mind /1936 (Boris Karloff, Anna Lee, John Loder, Cecil Parker).

Jack Hulbert-Cicely Courtneidge

Pôster de Tudor Rose

Boris Karloff em O Homme que mudou de Alma

Em dezembro de 1936, provavelmente prevendo um desastre financeiro iminente para a Gaumont-British, Michael Balcon deixou a companhia, contratado pela MGM por um salário muito alto. Após a saída de Balcon, os estúdio foi reorganizado pelo seu ex-assistente, Edward Black, que se revelaria como um produtor de sucesso. No final de 1937, o balanço da Gaumont-British registrou perdas gigantescas com o seu estúdio subsidiário da Gainsborough em Islington. C. M. Woolf e J. Arthur Rank apresentaram um pacote de salvamento que estipulava que o Gaumont-British Studios em Shepherd’s Bush seria fechado e toda as produções transferidas para o Pinewood Studios enquanto Maurice Ostrer teria permissão para fazer alguns filmes no estúdio da Gainsborough em Islington.

Pôster de Garotas Apimentadas

Will Hay em Oh, Mr. PorterEm 1938, o Islington Studios recebeu um empréstimo da 20thCentury-Fox, que decidira realizar filmes ali até a irrupção da Segunda Guerra Mundial. Duas dessas produções foram Garotas Apimentadas / A Girl Must Live / 1939 (Margaret Lockwood, Lili Palmer, e o veterano astro do music-hall Sir George Robey) e Bem Amada Impostora / Shipyard Sally / 1939 (Gracie Fields dirigida pelo italiano Monty Banks, com o qual depois ela se casaria e partiria para Hollywood, onde fez quatro filmes). Entre outras produções feitas em Islington: Oh, Mr. Porter / 1937 e Good-Morning Boys / 1937 (ambas com Will Hay, comediante também oriundo do music hall, muito apreciado na Grã Bretanha nos anos trinta); Hollywood às Avessas / O-Kay For Sound / 1937 (Flanagan e Allen, Nervo e Knox, Naughton e Gold, que formavam o The Crazy Gang); A Mulher Oculta / The Lady Vanishes / 1938 (Michael Redgrave, Margaret Lockwood, Dame May Whitty); Bank Holiday (Margaret Lockwood, Hugh Williams, John Lodge) .

Pôster de Bem Amada Impostora

Dame May Whitty, Michael redgrave, Margaret Lockwood em A Dama Oculta

O Islington Studios permaneceu fechado durante a maior parte da guerra, ali ocorrendo apenas filmes de treinamento para as Forças Armadas; a utilização do tanque do estúdio para O Jovem Mr. Pitt / Young Mr. Pitt / 1942 (Robert Donat, Robert Morley, Phyllis Thaxter); e a filmagem parcial de Dear Octopus / 1943 (Michael Wilding, Celia Johnson, Roland Culver) e Amor nas Sombras / Fanny by Gaslight / 1944 (James Mason, Phyllis Calvert, Stewart Granger).

Pôster de O Jovem Mr. Pitt

Cartaz de Her Come the Huggetts

Islington foi reaberto após o término das hostilidades pela J. Arthur Rank Organization, que havia adquirido o controle completo do estúdio. Em 1947, Sydney Box  (contando com a colaboração de sua esposa Muriel e de sua irmã Betty) assumiu o cargo de chefe da produção da Gaumont-British / Gainsborough Studios em Shepherd’s Bush e Islington. Betty, foi roteirista do  popular Here Come The Huggetts / 1948 (Jack Warner, Kathleen Harrison), e durante muitos anos fez filmes de diversos gêneros em associação  com o diretor Ralph Thomas. Lamentavelmente, diante do colapso do Império Cinematográfico de Rank no final dos anos quarenta, a Organização Rank, a fim de assegurar a sobrevivência de seu carro-chefe, Pinewood Studios, teve que vender, em 1949, os estúdios de Islington e Shepherd’s Bush e, com o fim deles, foi-se também, por um certo período de tempo, a famosa marca Gainsborough, inspirada no retrato de Mrs. Siddons com o seu charmoso chapéu de aba larga, pintado por Thomas Gainsborough.

Sydney, Betty e Muriel Box

A marca da Gainsborough Pictures

PINEWOOD

Nascido em 1888 no seio de uma família milionária dona de moinhos de trigo, J. (Joseph) Arthur Rank tornar-se-ia uma figura poderosa do cinema britânico. Homem astuto para negócios (e Metodista devoto), ele ingressou na indústria cinematográfica britânica em 1934, fundando com o produtor John Corfield e Lady Yule, a British National Films, objetivando a realização de filmes com tema religioso ou forte conteúdo moral. Em colaboração com o dono de uma firma construtora, Sir Charles Boot, e sua parceira na British National, Lady Yule, Rank adquiriu Heatherden Hall, propriedade rural magnifica perto de Iver Heath em Buckinghamshire, onde, em 1936, foi construido o Pinewood Studio. No mesmo ano, a diretoria do novo estúdio foi reforçada com a adesão de Herbert Wilcox, cujo British and Dominons Studios em Elstree havia sido destruído por um incêndio. Com a indenização paga pelo seguro, a British and Dominions tornou-se dona de 50% de Pinewood. Em 1937, Rank comprou a participação de Lady Yule no estúdio, tornando-se o seu presidente e, ao mesmo tempo, vendeu para a referida dama a sua participação na British National Films.

J. Artuhr Rank

A marca da Organização RankEx-banqueiro aristocrático, que usava monóculo e havia adquirido certa notoriedade na sua juventude pelo excesso de dívidas bem como pela sua dextreza financeira, Richard Norton chegou em Pinewood depois de ter trabalhado na United Artists e na British and Dominions. Assumindo o cargo de diretor administrativo, encontrou imediatamente uma solução engenhosa para manter o estúdio bastante ocupado Ele abriu uma subsidiária, Pinebrook, para fazer filmes de orçamento barato, quando precisasse preencher sua programação. Por exemplo, Repórter Número 1 / This Man is News / 1938 (Barry K. Barnes, Valerie Hobson, Alastair Sim), filmado com 14 mil libras rendeu dez vezes mais na bilheteria. Hoje em dia é comum dar aos atores e atrizes uma percentagem no lucro, mas Norton foi o primeiro a usar este esquema. Com a “Fórmula Norton” (como ficou conhecida), Pinewood nunca perdeu dinheiro. O primeiro filme terminado neste estúdio, apesar de ter sido iniciado no British and Dominions destruído, foi Orquídea Selvagem / London Melody / 1937 (Anna Neagle, Tullio Carminati, Robert Douglas) enquanto que o primeiro filme feito inteiramente no mesmo local foi Talk of the Devil / 1936 (Ricardo Cortez, Sally Eilers). Entretanto, mesmo o início mais otimista não poderia estancar o colapso da indústria de 1937-38, que afetou todos os estúdios britânicos, e Pinewood foi fechado em 1938 por um certo período de tempo.

Leslie Howard e Wnedy Hiller em Pigmalião

Cena de O Mikado

Porém J. Arthur Rank, não ficou parado. No final de 1938, ele comprou de Alexander Korda, o Denham Studios financeiramente debilitado e, em 1939, adquiriu o Amalgamated Studios em Elstree. Assim, em 1939, Rank era dono de três dos maiores estúdios da Grã Bretanha, embora dois estivessem fechados e um estivesse lutando pela sobrevivência, feito extraordinário tendo em vista a situação da indústria e do clima político europeu naquela época. Antes da produção se transferir para Denham no limiar da Segunda Guerra Mundial, o Pinewood Studios havia completado 47 filmes entre os quais Gangway / 1937 e Navegando em Ritmo / Sailing Along / 1938 (ambos com Jessie Matthews); Young and Innocent / 1937 (Nova Pilbeam); Pigmalião / Pygmalion / 1938 (Leslie Howard, Wendy Hiller), produzido pelo húngaro Gabriel Pascal, que convenceu Bernard Shaw a lhe ceder o direito de filmar algumas de suas obras; O Mikado / The Mikado / 1939 (Kenny Baker, Martyn Greeen), primeiro filme em Technicolor realizado em Pinewood. Quando foi declarada a guerra, o governo britânico requisitou vários estúdios para servirem como base militar ou como depósitos camuflados para armazenar suprimentos de emergência e equipamentos. Durante seis anos, Pinewood serviu variadamente como escritório do Lloyds de Londres; base para a Royal Air Force e a Crown Film Unit; e como um posto remoto da Casa da Moeda Real, o que levou os estúdios rivais a comentarem que foi a primeira vez que Pinewood estava ganhando dinheiro.

Pôster de Navegando em Ritmo

Martita Hunt e Jean Simmons em  Grandes Esperanças

David Lean

John Howard Davies e Robert Newton em Oliver TwistEm 1942, J. Arthur Rank havia ganho o controle de ambos os grandes circuitos exibidores Odeon e Gaumont-British, totalizando 619 cinemas enquanto que a organização rival ABPC possuía 442. Durante o restante dos anos quarenta, foram feitos em Pinewood, entre outros, Grandes Esperanças / Great Expectations / 1946 (John Mills, Valerie Hobson, Jean Simmons) e Oliver Twist / Oliver Twist / 1948 (Alec Guiness, Robert Newton, John Howard Davies), ambos dirigidos por David Lean); Verde Passional / Green for Danger / 1946 (Sally Grey, Trevor Howard, Alastair Sim, Leo Genn); Os Sapatinhos Vermelhos / The Red Shoes / 1948 (Moira Shearer, Leonide Massine, Anton Walbrook), de Michael Powell e Emeric Pressburger; As Oito Vítimas / Kind Hearts and Coronets / 1949 (Dennis Price, Alec Guiness, Valerie Hobson, Joan Greenwood), parcialmente filmado em Pinewood, porque o estúdio da Ealing estava superlotado na época. Em setembro de 1942 a Organização Rank formou um consórcio, Independent Producers (sob a direção de George Archibald, que havia ocupado vários postos de executivo na indústria cinematográfica britânica), com o objetivo de oferecer às companhias independentes boas condições de trabalho. As unidades de produção que operavam sob a proteção da Independent Producers eram: a Cineguild (fundada por David Lean, Ronald Neame e Anthony Havelock-Allan; a Individual Pictures (Frank Launder e Sidney Gilliat); Wessex Films (Ian Dalrymple); Aquila (Donald e Frederick Wilson).

MIchael Powell e Emeric Pressburger

Cena de Os Sapatinhos Vermelhos

Rank acreditava apaixonadamente nos filmes britânicos e esperava assentar uma indústria pós-guerra, que pudesse competir com a indústria americana. Ele investiu em filmes Nosso Barco, Nossa Alma / In Which We Serve / 1942 (Noel Coward, John Mills, Bernard Miles), um dos filmes de guerra ingleses de maior sucesso na América, produzido por Filippo Del Giudice (fundador, com Mario Zampi, da Two Cities e principal produtor da Rank por oito anos) e Henrique V / Henry V / 1944 (Laurence Olivier, Robert Newton, Leslie Banks), que recebeu quatro indicações para o Prêmio da Academia, tendo sido conferido um Oscar Honorário para Laurence Olivier. Nos meados dos anos quarenta, Rank controlava também os estúdios em Islington e em Shepherd’s Bush, e havia adquirido 50% da Ealing Films. Três dos seus principais rivais haviam saído de cena. John Maxwell havia morrido em 1940; Oscar Deutsch do circuito Odeon falecera em 1941; e Isidore Ostrer, presidente do Conselho de Administração da Gaumont-British, afastara-se da indústria em 1941.

Em 1947, a Grã Bretanha passou por uma crise severa na balança de pagamentos. Cerca de 18 milhões de libras estavam saindo do país para os cofres de produtores americanos que exibiam seus filmes nos cinemas britânicos e a indústria ficou horrorizada com a imposição por parte do governo de uma taxa de 75% sobre a renda dos filmes americanos exibidos nos cinemas do Reino Unido. Naturalmente, a América retaliou, proibindo a exibição de filmes britânicos nos Estados Unidos. Em 1949, Rank tinha uma dívida de 16 milhões de libras e, no ano seguinte, o então diretor administrativo da Rank, John Davis, foi obrigado a cortar orçamentos, despedir empregados e reduzir os salários dos executivos remanescentes. O império Rank parecia estar se deteriorando, quando os estúdios de Islington e Shepherd’s Bush foram fechados, e parte do estúdio de Denham arrendado. Toda a produção estava agora concentrada no Pinewood Studios e produtores e companhias independentes foram estimuladas para fazer filmes neles. Com a coroação de Elizabeth II televisionada em 1953 e o incremento da televisão independente em 1955, o número de aparelhos de TV domésticos cresceu drasticamente, afetando a frequência aos cinemas e, em seguida, a produção cinematográfica britânica.

Michael Regrave,Jean Kent, Nigel Patrick em Nunca te Amei

P6oster de A Importância de ser Ernesto

Kenneth Moore e Kay Kendall em Genevieve

Dirk Bogarde em Rivais na Conquista

Norman Wisdom e Margareth Rutherford em Norman, o Recruta Biruta

Pôster de Carry on SergeantEntretanto, a eficiência de John Davis rendeu dividendos e vários filmes de qualidade emergiram do Pinewood Studios na década de cinquenta: Nunca te Amei / The Browning Version / 1951 (Michael Redgrave, Jean Kent, Nigel Patrick); A Importância de Ser Ernesto / The Importance of Being Earnest / 1952 (Michael Redgrave, Joan Greenwood, Edith Evans); Genevieve / Genevieve / 1953 (Dinah Sheridan, Kay Kendall, John Gregson); Rivais na Conquista / Doctor in the House / 1954 (Dick Bogarde Kenneth More, Donald Sinden, Donald Houston, Kay Kendall e James Robertson Justice como o cirurgião irascível Sir Lancelot Spratt), primeiro filme da série de grande sucesso (houve seis continuações); a série Carry On, iniciada em 1958 com Carry on Sergeant (William Hartnell); filmes do cômico Norman Wisdom (vg. Norman, o Recruta Biruta / Trouble in Store /1953); dois filmes com Gregory Peck, Loucuras de um Milionário / The Million Pound Note /1954 e Terra Ensanguentada / The Purple Plain / 1954; Os Raptores / The Kidnappers / 1953 (Duncan Mcrae, Adrienne Corri); Mulheres Fugitivas / A Town Like Alice / 1956 (Virginia McKenna, Peter Finch); O Céu a Seu Alcance / Reach for the Sky / 1956 (Kenneth More, Muriel Pavlow); O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl / 1957 (Laurence Olivier, Marilyn Monroe); Amanhã Sorrirei Outra Vez / Carve Her Name With Pride / 1948 (Virginia McKenna, Paul Scofield, Jack Warner); Os Sete Cavalheiros do Diabo / The League of Gentlemen / 1960 (Jack Hawkins, Nigel Patrick, Roger Livesey, Richard Attenborough, Bryan Forbes, Kieron Moore). Em 1960, quase que a superprodução Cleopatra / Cleopatra foi filmada em Pinewood; cenários grandiosos retratando Roma e o Egito antigos chegaram a ser construídos na área externa do estúdio porém depois que Elizabeth Taylor teve que ser levada para um hospital, a fim de ser submetida a uma traqueotomia, e depois ficou em convalescença por um longo período, a produção foi transferida para a Itália.

Gregory Peck na porta de Pinewood

Pôster de Amanhã Sorrirei Outra Vez

Pôster de O Céu a seu Alcance

Laurence Olivier e Marilyn Monroe em O Príncipe Encantado

Pôster de Carve Her Name With Pride

Cena de Os Sete Cavalheiros do DiaboTodavia, nos anos sessenta, foram feitos 160 filmes em Pinewood entre eles os da série James Bond 007 com Sean Connery, e o estúdio começou a produzir também para a televisão. Nos anos setenta foram feitos mais 125 filmes. Lord Rank faleceu em 1972, ano em que “deixou o gongo” (obs. um homem tocando um gongo enorme era a marca da Rank nas telas). Sir John Davis (nomeado cavaleiro em 1971), levou o estúdio adiante, diversificando seus investimentos (aparelhos de TV, equipamento científico, hotéis, boliches e salões de baile, xerografia), aposentou-se como presidente da Organização Rank em 1983, e morreu em 1993. Em 2000, o grupo Rank foi vendido para um consórcio liderado por Michael Grade, ex-Diretor Executivo do Channel 4.

ESTÚDIOS BRITÂNICOS I

September 11, 2014

Na Grã Bretanha não se formou um oligopólio de grandes companhias, dominando o mercado como nos Estados Unidos, mas existiu um sistema de estúdio. No começo do cinema falado, os estúdios britânicos copiavam auto-conscientemente o modelo norte-americano, mantendo artistas com contratos de sete anos e criando departamentos de roteiros e publicidade separados. Quando Alexander Korda se estabeleceu em Denham nos meados dos anos trinta, o estúdio tinha sete palcos de som e seus próprios laboratórios. Pinewood, inaugurado em 1935, era ainda maior. Assim como a Warner Bros. durante a Depressão se especializou em filmes de gangster e musicais escapistas e a MGM sob o comando de Irving Thalberg ficou famosa por seus filmes luxuosos cheios de astros e estrelas, alguns estúdios e companhias britânicos ficaram conhecidos por se dedicarem a determinados gêneros. Gainsborough ficou marcada por seus melodramas de época; Ealing pelas suas comédias que, como disse o patrão Michael Balcon, “projetavam a Grã Bretanha e o caráter britânico”; e Bray, em Berkshire, tornou-se a casa dos filmes de horror da Hammer.

Hoje em dia não existe mais um sistema de estúdio, nem nos Estados Unidos, simplesmente porque não há uma continuidade de produção. Em vez de um sistema centralizado, os filmes são oferecidos como pacotes pelos produtores, financistas e agentes como algo exclusivo.

Neste artigo – com o auxílio principalmente de British Film Studios de Patricia Warren (B.T. Batsford, 1995), Film Making in 1930s Britain de Rachel Low (George Allen & Unwin, 1985), The British Film Catalog 1895-1970 de Dennis Gifford (McGrawHill, 1973) e The Film Business – A History of British Cinema 1896-1972 de Ernest Betts (Pitman, 1973), procuro dar, em ordem alfabética e sem a pretensão de esgotar o assunto, alguma informação sobre os principais estúdios britânicos até os anos sessenta e, através deles, um pouco de história do cinema inglês e do intercâmbio artístico anglo-americano.

 

BEACONSFIELD

O Beaconsfield Studios em Buckinghamshire foi inaugurado oficialmente pelo seu dono, George Clark, produtor sediado no Soho, na primavera de 1922. Ele escolheu esse lugar por três razões principais: fugir do notório nevoeiro londrino (e assim ter condições para filmar sob a luz do dia), ter fácil acesso a Londres por meio de um transporte ferroviário, e um cenário campestre para as cenas em exteriores.

No estúdio, a George Clark Productions, realizou comédias de dois rolos (vg. Fox Farm / 1922; The Starlit Garden / 1923) com a dupla Guy Newall e sua esposa, Ivy Duke e direção de Newall. Porém os tempos eram difíceis e, embora Clark tivesse alugado o estúdio para a Pathé fazer filmes inglêses sob a marca Britannia (produzidos por Frank Powell) e para a Anglia Films (fundada em 1923 por Archibald Nettlefold), a produção cessou no limiar de 1925.

Guy Newall e Ivy Duke

O estúdio ficou abandonado e, quando a British Lion Film Corporation de Sam (Samuel) W. (Woolf) Smith o adquiriu em 1927, estava em uma condição precária. A British Lion comprou Beaconsfield com a intenção de filmar os romances de Edgar Wallace, que havia cedido à companhia os direitos de filmagem de sua obra e sido convidado para fazer parte de sua diretoria. Sam Smith modernizou o estúdio, e fez logo The Forger / 1928 (Lillian Rich, James Raglan); Chick / 1928 (Bramwell Fletcher, Chili Bouchier); The Flying Squad / 1929 (Dorothy Bartlem, Donald Calthrop); The Clue of the New Pin /  1929 (Benita Hume, Donald Calthrop), o primeiro filme britânico todo falado. Entretanto, um ano depois de The Clue of the New Pin, a British Lion enfrentou dificuldades financeiras. Edgar Wallace foi para Hollywood, onde faleceu em 1932 cheio de dívidas.

Edgar Wallace

Pôster de The Clue of the New Pin

No início dos anos trinta, enquanto esperava o seu novo estúdio ficar pronto, a Gainsborough / Gaumont-British usou o Beaconsfield Studios para a filmagem de Sally in Our Alley / 1931 (Gracie Fields, Ian Hunter) e, além de uns “quota quickies” (ver significação do termo mais adiante), foram feitos no estúdio: The Calendar / 1931 (Edna Best, Herbert Marshall), The Water Gipsies (Ann Todd, Ian Hunter, Sari Maritza); There Goes the Bride / 1932 (Jessie Matthews, Owen Nares); The Frightened Lady / 1932 (Emlyn Williams, Cathleen Nesbitt); Gay Love / 1934 (com uma dupla curiosa: Sophie Tucker, cantora, dançarina e atriz americana e Florence Desmond, atriz que costumava imitar estrelas famosas nos palcos londrinos). Em 1936, a British Lion se juntou à Hammer Productions de Will Hinds para co-produzir A Canção da Liberdade / Songs of Freedom  e Big Fella (ambos com ator e cantor Paul Robeson e Elizabeth Welch).

Paul Robeson e Elizabeth Welch em A Canção da Liberdade

Pôster de Big Fella

Em meados de 1937, a British Lion, ainda presidida por Sam Smith, ficou novamente em situação financeira difícil e cessou suas produções até meados de 1938. Daí em diante, Herbert Wilcox alugou o estúdio para fazer Not Wanted on Voyage / 1936 (Bebe Daniels, Ben Lyon, Charles Farrell); The Return of the Frog / 1938 (Gordon Hacker, René Ray), baseado em romance de Edgar Wallace; The Chinese Bungalow / 1940 (Paul Lukas, Kay Walsh, Jane Baxter).

Com a irrupção da Segunda Guerra Mundial, o Beaconsfield Studios foi requisitado pelo Ministério de Obras Públicas para a Rotax Limited, que fabricava magnetos para motores de aeronaves. Embora o estúdio ainda estivesse alugado ao Ministério de Obras Públicas em 1947, a British Lion – que a essa altura controlava 74% da Sound City Film e seu estúdio em Shepperton e 50% do Worton Hall Studios em Isleworth, assim como o Beaconsfield – foi vendida para a London Films de Alexander Korda, com a morte de Sam Smith no mesmo ano. Korda comprou os 50% restantes de Worton Hall e o controle total de Shepperton. Essas novas aquisições preencheram o lugar de Beaconsfield, que foi reequipado pelo governo para ser utilizado pela Crown Film Unit, finalmente desativada em 1952. Posteriormente, o estúdio foi usado pela National Film Finance Corporation (agência governamental de financiamento para a produção de filmes) e pela Independent Artists (fundada por Julian Wintle em 1950),  serviu como um depósito para a North Thames Gas Board e, em 1971, foi vendido para a National Film School. Em 1983, tornou-se a National Film and Television School, financiada através de uma parceria entre o governo e a indústria de cinema,  televisão e vídeo.

BRAY

Tal como os estúdios de Pinewood e Shepperton, o Bray Studios fora outrora uma esplêndida residência particular. Down Place, mansão campestre do século XVII, era de propriedade de Jacob Tonson, eminente livreiro da época. Situada em Berkshire, permaneceu como moradia particular até 1949, quando foi vendida, e logo depois transformada no Bray Studios.

Bray Studios

O Bray Film Studios será sempre associado com a Hammer Film Productions, fundada em 1934 por William Hinds (joalheiro que algumas vezes se apresentava como comediante no music hall, usando o nome artístico de Will Hammer). Em 1937, Hinds abriu, com Enrique Carreras, a distribuidora Exclusive Films, cujo escritório localizava-se na Wardour Street, no Soho. Em 1936, essa “House of Hammer” original se associou à British Lion, para produzir dois filmes com Paul Robeson, e funcionou até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando uma nova Hammer foi constituída em Bray por Hinds e Carreras e seus filhos, Anthony Hinds e James Carreras.

No início dos anos cinquenta, a produção da  Hammer Films incluía versões de baixo orçamento de séries radiofônicas de sucesso (vg. The Man in Black (Sidney James, Betty Ann Davies); The Adventures of P.C. 4. / 1949 (Hugh Latimer, Annette Simmonds) e filmes também baratos com intérpretes americanos (The Stranger Came Home / 1954 (Paulette Goddard); The Glass Cage / 1955 (John Ireland); Break in the Circle  / 1955 (Forrest Tucker). 

Pôster de Terror que Mata

Em meados dos anos cinquenta, Carreras adquiriu os direitos de filmagem de uma série de televisão, resultando Terror que Mata / The Quatermass Xperiment / 1955. O sucesso do filme (com Brian Donlevy, Jack Warner) foi tão fenomenal, que a companhia decidiu se concentrar na fórmula do horror (Mais informações sobre a produção Hammer ver meu artigo  de 1 de janeiro de 2012, “Os Filmes da Hammer “).  O último filme da companhia feito em Bray foi O Sarcófago Maldito / The Mummy’s Shroud / 1967. Nos anos seguintes o estúdio continuou em atividade, passando pelas mãos de vários proprietários.

CRICKLEWOOD

Em 1919, o dono de teatro Sir Oswald Stoll decidiu ingressar na indústria cinematográfica britânica. Ele havia fundado a Stoll Picture Productions e, em 1920, comprou uma antiga fábrica de aviões em Cricklewood, convertendo-o em um estúdio onde, seguindo a tendência corrente na época, realizou adaptações de romances e peças populares como The Glorious Adventure / 1922 (Diana Manners, Flora le Breton, Victor McLaglen), filmado pelo americano J. Stuart Blackton no sistema bicolor Prizma; The Virgin Queen /  1923  (Diana Manners, Carlyle Blackwell); Becket  / 1923 (Frank Benson, A. V. Brumble); Don Quixote / 1923 (Jerrold Robertshaw/ Don Quixote, George Robey / Sancho Pança).

Sir "Harry" Lauder

Betty Balfour

Em 1926, a Welsh-Pearson alugou o estúdio para a sua estrela Betty Balfour atuar em Blink Eyes  e, um ano depois, Sir Henry “Harry” Lauder (ator e cantor escocês do music hall, famoso internacionalmente pela sua indumentária de saiote masculino e bengala) aparecer no seu primeiro longa-metragem, Hunting Tower. No final dos anos vinte, Herbert Wilcox fez The Woman in White com Blanche Sweet para a sua British and Dominions Company e o comediante Harry Tate filmou alguns de seus esquetes lá. Nos anos trinta, Cricklewood produziu um certo número de “quota quickies” como vg. Such is the Law / 1930 (Lady Tree, C. Aubrey Smith); Dick Turpin / 1934 (Victor McLaglen); Joe Rock fez algumas comédias com Leslie Fuller; e a Butchers Film Service (administrada pelo produtor pioneiro F. W. (Francis William) Baker, em atividade desde 1897) também realizou alguns filmes no mesmo local, usando principalmente a marca Butcher-Panther. Em 1938, Cricklewood foi vendido para fins não-cinematográficos.

DENHAM

Por causa da situação política de 1919, o húngaro Alexander Korda, dono de um dos maiores estúdios de Budapeste, decidiu sair de sua terra natal acompanhado por sua protegida Maria Corda, com quem havia de casado. Ele continuou sua carreira na Austria e na Alemanha e, em 1926, foi para os Estados Unidos, onde ficou até 1930. Um dos filmes que fez em Hollywood, tendo Maria Corda como estrela, foi A Vida Privada de Helena de Tróia / The Private Life of Helen of Troy / 1927, romance histórico que serviu de modelo para muitos de seus filmes futuros. Em 1931, retornou à Europa e, um ano depois, fundou sua própria companhia, London Film Productions. Dois sucessos marcantes de Korda foram Os Amores de Henrique VIII / The Private Life of Henry VIII / 1933 (Charles Laughton, Robert Donat, Merle Oberon) e O Pimpinela Escarlate / The Scarlet Pimpernel / 1934 (Leslie Howard, Merle Oberon, Raymond Massey). Korda ajudou muito a carreira de seus dois irmãos, Zoltan, que era também diretor, e Vincent,  diretor de arte

Alexander Korda

Maria Corda em A Vida Privada de Helena de TróiaO êxito dos espetáculos mencionados atraiu a atenção dos consultores financeiros da Prudential Assurance Company, que investiu milhões de libras na London Film Productions, possibilitando, em 1936, a construção dos estúdios em Denham, em Buckinghamshire. Com sete palcos de filmagem, iluminação sofisticada, equipamento de som da Western Electric, ar condicionado, vários departamentos, e um laboratório muito bem equipado, era o maior estúdio na Grã Bretanha, grande até demais para a indústria cinematográfica britânica da época, ocasionando sérios prejuízos. Os dirigentes da Prudential pediram a Korda que atuasse somente como produtor e abandonasse a administração da companhia. Ele se recusou, mas depois teve que ceder o comando dos estúdios para a sua principal rival, J. Arthur Rank Organization.

Em 1939, uma nova companhia, denominada D and P Studios Limited, foi criada para supervisionar o Denham Studios juntamente com o Pinewood Studios de Rank, que ficava perto. Apesar de suas dificuldades iniciais, Denham produziu filmes famosos: Um Fantasma Camarada / The Ghost Goes West / 1935 (Robert Donat), Daquí a Cem Anos / Things to Come / 1936 (Raymond Massey), rodado enquanto o estúdio estava em construção), Idílio Cigano / Wings of the Morning /1937 (Henry Fonda, Annabella), primeiro filme em Technicolor no Reino Unido, realizado pela 20thCentury-Fox com locações em Epsom e na Irlanda; Rembrandt / Rembrandt / 1936 (Charles Laughton); O Menino e o Elefante / The Elephant Boy / 1937 (Sabu); Fogo Por Sobre a Inglaterra / Fire Over England  / 1937 (Laurence Olivier, Vivien Leigh); O Amor Nasceu do Ódio / Knight Without Armour / 1937 (Robert Donat, Marlene Dietrich); Alma de Apache / The Rat / 1937 (Ruth Chatterton, Anton Walbrook); O Divórcio de Lady X / The Divorce of Lady X / 1938 (Laurence Olivier, Merle Oberon); sem falar no inacabado I Claudius (Charles Laughton, Merle Oberon, Emlyn Willimans, Flora Robson).

Cena de Um Fantasma Camarada

Pôster de Idílio Cigano

CHarles Laughton em RembrandtProvavelmente  prevendo a perda do controle do estúdio, Rank, já havia feito um acordo com Irving Asher (ex-gerente de produção da Warner Bros. no Teddington Studios) em um novo empreendimento, a Harefield Productions, que contratou Korda para fazer alguns “quota films”: Nuvens sobre a Europa / Q Planes / 1939 (Leslie Howard, Ralph Richardson) e O Espião Submarino / The Spy in Black / 1939 (Conrad Veidt, Valerie Hobson). Continuando sua parceria com Irving Asher como produtor associado, Korda produziu As Quatro Penas Brancas / The Four Feathers / 1939 (John Clemens, June Duprez, Ralph Richardson) em Denham. Contando com um elenco que incluía Ralph Richardson, C. Aubrey Smith, John Clements e June Duprez, o filme obteve grande sucesso, dirigido por Zoltan Korda,  com Vincent como diretor de arte.

cena de O Espião Submarino

Pôster de As Quatro Penas BrancasO estúdio alugou espaço também para outras companhias entre elas a MGM-British, que produziu três filmes com elencos compostos por atores americanos e ingleses: Um Ianque em Oxford / Yank at Oxford / 1937 (Robert Taylor, Vivien Leigh,) A Cidadela / The Citadel / 1938 (Robert Donat, Rosalind Russell) e Adeus Mr. Chips / Goodbye Mr. Chips / 1939 (Robert Donat, Greer Garson). Um dos últimos filmes feitos em Denham nos anos trinta foi Sob a Luz das Estrelas / The Stars Look Down / 1940  (Michael Redgrave, Margaret Lockwood).

Cena de Um Ianque em Oxford

Pôster de A Cidadela

Robert Donat e Greer Garson em Adeus Mr. ChipsDurante os anos de guerra, Rank prosseguiu com seus planos de produção às custas de Alexander Korda, que fora para a América supervisionar a finalização de O Ladrão de Bagdad / The Thief of Bagdad / 1940 (Sabu, Conrad Veidt, June Duprez, John Justin), e depois voltou para dirigir Lady Hamilton, a Divina Dama / That Hamilton Woman / 1941 (Laurence Olivier, Vivien Leigh). Embora tivesse sido criticado por muita gente no Reino Unido por ter “desertado” para Hollywood, Korda fez várias travessias transatlânticas durante a guerra e hoje parece claro que ele estava levando e trazendo documentos secretos para Winston Churchill. Em 1942, Korda foi nomeado cavaleiro pelo Rei George V, a primeira personalidade do cinema a receber tal honraria.

Vivien Leighe Laurence Olivier em Lady Hamilton

No início de 1940, Denham foi requisitado pelo Ministério da Informação para servir ao esforço de guerra mas, no final de 1941, recebeu autorização para produzir seus próprios filmes nos palcos de filmagens não utilizados e aceitar produções que não puderam ser realizadas no seu estúdio-irmão Pinewood. Filmes notáveis desse período foram: Nosso Barco, Nossa Alma / In Which We Serve /1942 (Noel Coward, John Mills, Richard Attenborough, Celia Johnson, Bernard Miles);  This Happy Breed / 1944 (Robert Newton, Celia Johnson, John Mills); Henrique V / Henry V / 1944 (Laurence Olivier, Robert Newton, Leslie Banks); Alma Negra / So Evil My Love (Ray Milland, Ann Todd, Geraldine Fitzgerald) da Paramount; Têmpera de Aço / The Way Ahead / 1944 (David Niven); Coronel Blimp – Vida e Morte / The Life and Death of Colonel Blimp / 1943 (Roger Livesey, Anton Walbrook, Deborah Kerr); Desencanto / Brief Encounter / 1945 (Trevor Howard; Celia Johnson), César e Cleopatra / Caesar and Cleopatra / 1945 (Claude Rains, Vivien Leigh).

Pôster de Nosso Barco, Nossa Alma

Celia Johnson e Trevor Howard em DesencantoEntrementes, Korda, que havia retornado à América, onde trabalhou em associação com a MGM durante os anos de 1943 a 1945, produziu apenas um filme em Denham, Perfect Strangers / 1945 (Robert Donat, Deborah Kerr). Em 1946, quando a MGM resolveu não continuar seu acordo com Korda, ele restabeleceu a London Films e adquiriu o controle da British Lion. A British era dona do Shepperton Studios em Surrey, que Korda então usou como base de suas produções.

James Mason em Condenado

Laurence Olivier e Jean Simmons em HamletNa segunda metade da década de quarenta, os filmes feitos em Denham que mais se destacaram foram Condenado / Odd Man Out / 1947 (James Mason, Robert Newton) e Hamlet / Hamlet / 1948 (Laurence Olivier, Jean Simmons), a primeira produção inglêsa a ganhar um Oscar de Melhor Filme. No final do decênio, o império Rank estava arruinado financeiramente e a produção passou a se concentrar no Pinewood Studios sob o controle rígido de John Davis e seu assistente, o  americano Earl St. John.

Pôster de Robin Hood , o Justiceiro

Os últimos filmes feitos em Denham foram The History of Mr. Polly / 1949 (John Mills, Sally Anne Howes) e Robin Hood, o Justiceiro / The Story of Robin Hood and his Merrie Men / Disney-RKO (Richard Todd, Joan Rice, Peter Finch). No início de 1950, a D e P Studios Limited, proprietária de Denham entrou em liquidação. Sir Alexander Korda faleceu em 1956 e Lord Rank morreu logo depois após sua aposentadoria em  1972.

 EALING

Em 1901, o produtor pioneiro William G. (George) Barker fundou a Autoscope Company e, no mesmo ano, construiu um estúdio ao ar livre – um palco, andaimes e um fundo de cenário – em Stamford Hill, norte de Londres. Em 1907, Barker comprou uma mansão em Ealing, oeste da capital londrina, e edificou três estúdios com paredes e tetos de vidro para as suas produções cinematográficas. Em 1911, ele realizou seu primeiro filme de dois rolos, Henry VIII, no qual o consagrado ator de teatro Sir Herbert Beerbohm Tree (pai de vários filhos ilegítimos entre eles Carol Reed e Peter Reed, progenitor de Oliver Reed) interpretou o papel do Cardeal Wolsey. Em 1913, Barker estava preparando seus atores para o estrelato entre eles Blanche Forsythe e Fred Paul, que apareceram em East Lynne, primeiro filme britânico de seis rolos, dirigido por Bert Haldane. Em 1915, Barker colocou a nova estrela Blanche Forsythe no papel principal de um drama histórico, Jane Shore, empregando centenas de figurantes, e foi comparado a D.W. Griffith.

Em 1920, Barker vendeu o estúdio para a General Film Renters Company, que logo encerrou suas atividades. Durante algum tempo, as instalações foram usadas por produtores independentes e eventualmente, em 1929, compradas pela Associated Radio Pictures Company, que, em 1931, construiu um novo estúdio muito perto do velho Barker Studio. A firma era encabeçada pelo ator-empresário Sir Gerald du Maurier, Reginald Baker (contador), Stephen Courtauld (diretor financeiro, membro da riquíssima família da indústria têxtil) e Basil Dean.

William George Barker

Ealing StudiosDean começou no mundo do espetáculo como ator aos dezoito anos de idade e depois produziu e dirigiu muitas peças e filmes. Ele foi o orientador mais influente do estúdio durante os anos trinta e responsável pelo desenvolvimento da carreira de dois artistas do music-hall que se tornaram os astros mais populares e bem pagos do período: Gracie Fields e George Formby.

Gracie Fields

\George Formby

Carol Reed começou a trabalhar com Dean, primeiramente como diretor de diálogos, passando sucessivamente a diretor de segunda unidade, assistente de diretor, co-diretor, e finalmente diretor em Midshipman Easy / 1935 (Hughie Green, Margaret Lockwood, Roger Livesey). Nos anos quarenta, Reed formaria, juntamente com David Lean e Michael Powell o trio de diretores mais importante do cinema inglês.

Carol Reed

Pôster de Mishipman EasyEm 1933, o estúdio mudou seu nome para Associated Talking Pictures e, tal como os demais estúdios no Reino Unido, fez seus próprios filmes (vg. Casamento Liberal / Perfect Understanding / 1933 (Gloria Swanson, Laurence Olivier) e alugou espaço para outras companhias produtoras. Na segunda metade dos anos trinta, David Lean trabalhou na Associated Talking Pictures  como montador e Ronald Neame como cinegrafista. Em 1938, após um desentendimento com os Courtauld, Dean deixou a companhia e Michael Balcon – que havia sido fundador e presidente da Gainsborough Films, diretor de produção na Gaumont British, e encarregado da produção na MGM-British -, tornou-se o novo chefe do estúdio. Na sua gestão, Balcon trouxe vários ex-colegas da Gaumont British para trabalharem juntos entre eles o ator-diretor Walter Forde e os diretores Sidney Gilliat e Robert Stevenson.

Pôster de Casamento Liberal

Ao mesmo tempo, a denominação do estúdio mudou de Associated Talking Pictures para Ealing Studios. Balcon era homem de equipe, encorajando idéias e iniciativas. Durante os vinte anos em Ealing ele formou um grupo de diretores talentosos muitos dos quais haviam sido montadores como Charles Crichton, Charles Frend, Robert Hamer, Leslie Norman e Thorold Dickinson e roteiristas como Alexander Mackendrick, Harry Watt e Basil Dearden, que formou uma longa parceria com o produtor-diretor-cenógrafo Michael Relph. Balcon também deu força para muitos novos roteiristas inclusive T.E.B. Clarke que escreveu o roteiro de Hue and Cry / 1947 (Alastair Sim, Jack Warner), O Mistério da Torre / The Lavender Hill Mob / 1951 (Alec Guiness, Stanley Holloway) e Um País de Anedota / Passport to Pimlico / 1949 (Stanley Holloway).

 T.E.B. Clarke

Pôster de O MIstério da TorreEm 1942, o brasileiro Alberto Cavalcanti, diretor, produtor, roteirista e diretor de arte se juntou a Balcon e introduziu a influência documentarista nos filmes de ficção. Cavalcanti fez na Ealing 48 Horas! / Went the day Well? / 1942 (Leslie Banks), Champagne Charlie/ 1944 (Stanley Holloway, Tommy Trinder) e As Vidas e Aventuras de Nicholas Nickleby / Nickolas Nickleby / 1947 (Derek Bond, Cedric Harwicke). Entre os filmes produzidos no estúdio nos anos quarenta e cinquenta, distinguiram-se ainda: Johnny Frenchman / 1945 (Françoise Rosay, Patricia Roc); Na Solidão da Noite / Dead of Night / 1945 (Michael Redgrave); Corações Aflitos / The Captive Heart / 1946 (Michael Redgrave); A Manada / The Overlanders / 1946 (Chips Rafferty); Heróis Anônimos / Against the Wind / 1948  (Simone Signoret, Jack Warner); Sarabanda /  Saraband for Dead Lovers / 1948 (Stewart Granger, Joan Greenwood), primeiro filme em Technicolor da Ealing; Epopéia Trágica / Scott of the Antarctic / 1948 (John Mills); Alegrias a Granel / Whisky Galore / 1949 (Basil Radford); As Oito Vítimas / Kind Hearts and Coronets / 1949 (Alec Guiness, Dennis Price, Joan Greenwood, Valerie Hobson),  parcialmente filmado em Pinewood -; The Blue Lamp / 1950 (Jack Warner, Dirk Bogarde); O Homem do Terno Branco / The Man in the White Suit / 1951 (Alec Guiness, Joan Greenwood); Martírio do Silêncio/ Mandy / 1950 (Jack Hawkins, Phyllis Calvert); The Titfield Thunderbolt / 1953 (Stanley Holloway); Mar Cruel /  The Cruel Sea / 1953 (Jack Hawkins); A Morte de um Herói / The Ship That Died of Shame / 1955 (Richard Attenborough, George Baker, Bill Owen, Roland Culver, Bernard Lee); Quinteto da Morte / The Ladykillers  / 1955 (Alec Guiness, Cecil Parker, Herbert Lom, Peter Sellers).

Michael Redgrave em Na Solidão da Noite

John Mills em Epopéia Trágica

Cena de As Oito Vítimas

Dirk Bogarde em The Blue Lamp

Alec Guiness em O Homem do Terno Cinzento

Jack Hawkins em Mar Cruel

O Quinteto da MorteA partir de 1952, com o advento da televisão no Reino Unido  juntamente com a mudança no gosto do público, o Ealing Studios teve dificuldades financeiras. Em 1955, foi vendido para a BBC Television – duro golpe na indústria de cinema britânica.

ELSTREE

Este termo genérico compreende seis estúdios separados, que se instalaram nas cidades adjacentes de Borehamwood e Elstree no condado de Hertfordshire,  área que ficou conhecida como “Hollywood Britânica”.

O primeiro estúdio inaugurado em Elstree foi o Neptune Studios, fundado em janeiro de 1914 por dois atores, John East e Percy Nash, com ajuda financeira do advogado-empresário Arthur Moss Lawrence. O irromper da Primeira Guerra Mundial levou o Neptune a colaborar para o esforço de guerra, realizando filmes de recrutamento porém, normalmente, predominavam as adaptações de obras teatrais. O estúdio tinha um elenco permanente do qual faziam parte Daisy Cordell, Frank Tennant, Ben Webster, Fay Davis e Gerald Lawrence e recebia às vezes atrizes do palco como Gaby Deslys e May Whitty.

Gaby Deslys

No período de 1915 a 1920, o Neptune costumava emprestar ou alugar suas instalações para outras companhias como, por exemplo, a Ideal Films (que foi fundada como distribuidora, depois se tornou produtora –  presidida pelo matemático e estatístico Simon Rowson – e mais tarde seria absorvida pela Gaumont-British) mas, por força da imposição pelo governo de um Imposto sobre Diversões e da inundação do mercado exibidor por filmes americanos, o estúdio foi obrigado a encerrar suas atividades em agosto de 1921. A Ideal Films continuou alugando o Neptune até 1928, quando Ludwig Blattner (inventor pioneiro de um sistema de gravação de som) o comprou para a British Phototone Sound Productions, também conhecida como Ludwig Blattner Film Corporation. Blattner obteve grande sucesso com A Knight in London / 1928, dirigido por Lupu Pick e estrelado por Lilian Harvey, (atriz inglesa que se tornou muito popular na Alemanha), mas foi comercialmente lento ao se adaptar ao som e, em 1932, os cobradores estavam batendo na sua porta.

Lilian Harvey em A Knight in London

Em 1935, o estúdio foi alugado por um longo período de tempo pelo produtor americano Joe Rock e, no final do mesmo ano, Ludwig Blattner se suicidou. Joe fez alguns filmes como o ator Leslie Fuller, porém o melhor filme do Rock Studios foi The Edge of the World de Michael Powell, que firmou a reputação deste grande cineasta. Em março de 1938, o banqueiro financiador do Rock Studios, John Henry Iles, declarou falência e Lady Annie Henrietta Yule (viúva milionária de um magnata da juta em Calcutá, ex-parceira de J. Arthur Rank na British National Films) comprou o estúdio e mudou seu nome para British National Studios, cujas produções nessa década incluíram Gaslight / 1940 (Diana Wyniard, Anton Walbrook) e Love on the Dole / 1941 (Deborah Kerr).

Anton Walbrook e  Diana Wyniard em Gaslight

Lady Yule faleceu em 1950 e, em 1952, Douglas Fairbanks Jnr. alugou o estúdio (que ele passou a chamar de National Studios) e se tornou produtor de filmes para a televisão. Em 1962, a ATV Television comprou o estúdio e a BBC Television, por sua vez, adquiriu-os em 1984.

Entre os outros estúdios instalados em Elstree estavam o British International Studios, o British and Dominions Studios, o Amalgamated Studios / MGM-British, o Whitehall Studio e o Danziger Studio.

O pioneiro do cinema americano J. D.  (James Dixon) Williams havia fundado, em 1925, a British National Pictures com I. W. (Isadore William) Schlesinger, financista internacional (magnata de várias indústrias, inclusive a cinematográfica, na África do Sul), e convidou Herbert Wilcox para ingressar na companhia; mas surgiu uma discordância entre Williams e Schlesinger.  O conflito  evoluiu para  um litígio e, em 1927, John Maxwell,  escocês já muito respeitado no meio cinematográfico, acabou ganhando o controle da companhia e do estúdio correspondente, mudando a denominação deste para British International Studios (BIP). Devido à origem escocesa de seu dono e sua administração financeira cuidadosa da companhia, o BIP Studios  foi apelidado de “The Porridge Factory “ (mingau que faz parte do pequeno-almoço escocês).

British International StudiosStudios

Maxwell decidiu comprar o estúdio da British National Pictures porque soube com certa antecedência da próxima entrada em vigor do Cinematograph Films Act, que exigia a distribuição e exibição de uma percentagem de filmes britânicos. Para preencher essas cotas é que surgiram os chamados “quota quickies”, realizados com um mínimo  de custos e o máximo de rapidez, exibidos em um programa duplo. O propósito da lei era resistir ao domínio dos filmes americanos e estimular a produção cinematográfica britânica; porém não havia nada que impedisse os americanos de produzí-los.

elstree madame pompadour gish:moreno

Entretanto,  Maxwell inaugurou seu estúdio com Madame Pompadour / 1927 (Dorothy Gish, Antonio Moreno) e The White Sheik / 1928 (com a ex-Rainha da Beleza Lilian Hall-Davis, que se suicidaria em 1933);  depois, obteve os serviços de um diretor de 28 anos chamado Alfred Hitchcock, cujo primeiro filme na empresa foi  The Ring / 1927 com o ator dinamarquês Carl Brisson. A fim de conquistar o público americano, Maxwell convidou Syd Chaplin, Tallulah Bankhead, Lionel Barrymore e outros atores de Hollywood para aparecer em suas produções. Ele contratou também Maria Corda para ser a principal atriz de TeshaTesha / 1928, primeiro filme dirigido por Victor Saville, que foi depois produtor na Inglaterra e nos Estados Unidos. No mesmo ano,  atraiu para seus quadros o alemão E. A. (Ewald André) Dupont, que dirigiu seu filme mais caro até então, Moulin Rouge, protagonizado pela atriz russa Olga Tschechowa;  Picadilly / Picadilly / 1929 (Anna May Wong); e Atlantic / Atlantic / 1929 (Madeleine Carroll, John Stuart) – dois figurantes nesta produção iriam se tornar astros, Stewart Granger e Michael Wilding.

Lillian Hall Davis

Pôster de O RIng

Em 1928, Maxwell abriu uma companhia subsidiária da BIP, Associated British Cinemas, que começou com 40 cinemas, número que em 1930 havia crescido para 120, incluindo uma das salas mais concorridas da época como o Regal em Marble Arch e o Lido em Golden Green. Com o advento do som, ele instalou o RCA Photophone no seu estúdio: Blackmail / 1929, de Alfred Hitchcock, feito no BIP em Elstree, é geralmente considerado o primeiro filme inglês sonoro (embora só parcialmente falado) e também o primeiro dublado – por mero acidente, pois o sotaque da atriz theca Anny Ondra exigiu que a atriz inglêsa Joan Barry a substituísse, lendo suas falas em um microfone enquanto Anny apenas movimentava os lábios diante das câmeras.   

Aparição de Hitchcock em Blackmail

Pôster de Chantagem e Confissão

Maxwell prosseguiu fazendo dois “quota quickies”, Flying Scotsman / 1929 e The Lady from The Sea / 1929 com a presença de um jovem Ray Milland e, nos anos trinta sobressaíram nos filmes do estúdio os comediantes Ernie Lotinga, Leslie Fuller, Will Hay; artistas americanos (Charles Bickford, Bebe Daniels em A Southern Maid / 1933; Ben Lyon, em I Spy / 1934; Douglas Fairbanks Jnr. em Mimi / Mimi / 1935; Buddy Rogers em O Amor Sempre Vence / Let’s Make a Night Of It / 1938); e dos palcos londrinos (Gertrude Lawrence e Gerald du Maurier em Lord Camber’s Ladies / 1932).

A “Porridge Factory” continuou a produzir filmes nesse período inclusive quatro musicais:  Canção da Saudade / Heart’s Desire / 1934 (com o tenor austríaco Richard Tauber); Folias de Versalhes / I Give my Heart / 1935 (a soprano húngara Gitta Alpar); A Valsa da Felicidade / Invitation to the Waltz / 1935 (Lilian Harvey); Music Hath Charms / 1935 (Henry Hall e sua orquestra). Todavia, foi o apoio construtivo de Maxwell à Mayflower Picture Corporation de Eric Pommer, que realmente chamou a atenção do público no final dos anos trinta. Com Charles Laughton estrelando cada produção, Pommer fez três filmes de qualidade: Náufrago da Vida / Vessel of Wrath / 1938 (Elsa Lanchester, Robert Newton); St. Martin’s Lane / 1938 (Rex Harrison, Vivien Leigh); e A Estalagem Maldita / Jamaica Inn / 1939 (Maureen O’Hara, Robert Newton).

Charles Laughton em Náufrago da Vida

Vivien Leigh e Charles Laughton em St. Martin's Lane

CHarles Laughton em Estalagem MalditaCom o início da Segunda Guerra Mundial, os estúdios foram comandados pelo Royal Ordonance Corps e algumas produções tiveram que ser transferidas para o Welwyn Studios, que o BIP havia comprado no começo dos anos trinta. Quando John Maxwell faleceu em 1940, foi o fim de uma era para o BIP e a perda de uma influência importante sobre a indústria cinematográfica britânica. Ele esperava que, após seu desaparecimento, sua família pudesse manter o controle sobre seu império fílmico, agora denominado ABPC (Associated British Picture Corporation). Porém isto não ocorreu. Nos primeiros anos da guerra, A Warner Bros. adquiriu uma quantidade de ações da família e, em 1946, comprou a maior parte das ações restantes do espólio de Maxwell, colocando-se assim em uma posição privilegiada.

O novo vínculo anglo-americano significava em príncipio que a Warner Bros. distribuiria os filmes da APBC nos seus 800 cinemas americanos e a ABPC, em reciprocidade, exibiria os filmes da Warner nos seus cinemas inglêses. A nova diretoria, tendo à frente Robert Clark como Diretor Executivo do Estúdio e da Produção, decidiu também por uma reconstrução completa de seu estúdio em Elstree. Clark contratou Robert Lennard, um excelente casting director, sugeriu-lhe que criasse um novo sistema de astros para a ABPC, e ele elevou ao estrelato alguns novatos como Michael Denison, Laurence Harvey, Kenneth Moore, Richard Todd, este último participando em primeiro plano ao lado de Patricia Neal e Ronald Reagan em Coração Amargurado / The Hasty Heart / 1949, primeira produção internacional do novo estúdio, produzida e dirigida por Vincent Sherman.

Patricia Neal e Richard Todd em Coração Amargurado

Pôster de Pavor nos BastidoresEm 1950, foram realizados, no estúdio, entre outros, Pavor nos Bastidores / Stage Fright / 1950 (Marlene Dietrich, Jane Wyman, Michael Wilding, Richard Todd) e A Desconhecida / Woman with no Name / 1950 (Phyllis Calvert e outro novo ator de cinema, Richard Burton). No mesmo ano, a ABPC vendeu seu Welwyn Studio e continuou com suas produções internacionais como Falcão dos Mares / Captain Horatio Hornblower / 1951 (Gregory Peck, Virginia Mayo) de Raoul Walsh e O Mundo a Seus Pés / Happy Go Lovely / 1951 (David Niven, Vera Ellen, Cesar Romero) de Bruce Humberstone. No novo estúdio da ABPC, como uma contribuição para o Festival da Grã Bretanha de 1951, foi produzido por Ronald Neame e dirigido por John Boulting (irmão gêmeo de Roy Boulting, com o qual formava uma dupla de diretor-roteirista-produtor) o longa-metragem The Magic Box sobre o pioneiro do cinema, William Frise-Green, protagonizado por Robert Donat, tendo sido convidados para pequenas aparições Laurence Olivier, Michael Redgrave e Richard Attenborough.

Pôster de  Falcão dos Maresr

Robert Donat em The Magic BoxNo decorrer dos anos cinquenta, a “Hollywood Britânica” continuou a atrair investimentos e artistas americanos para seus estúdios: vg. A Morte do Fantasma / Happy Ever After / 1954 (Barry Fitzgerald, Yvonne de Carlo, David Niven);  Duelo na Selva / Duel in the Jungle / 1954 (Jeanne Crain, Dana Andrews); Moby Dick / Moby Dick / 1956 (Gregory Peck); Indiscreta /  Indiscreet /1958 (Ingrid Bergman, Cary Grant). Na mesma década, emergiram dois filmes de guerra excelentes,  Labaredas do Inferno / The Dam Busters / 1955 (Michael Redgrave, Richard Todd) e Sob o Sol da África /  Ice Cold in Alex / 1958 (John Mills, Sylvia Sims). Em 1955, a ABPC começou a abrigar produções da televisão juntamente com seus próprios projetos de filmes. Em 1959, Look Back in Anger, dirigido por Tony Richardson e estrelado por Richard Burton, marcou o início de uma “nova onda” de produção fílmica, que iria emergir no decênio seguinte.

Pôster de Labaredas do Inferno

John Mills e Sylvia Sidney em Sob o Sol da  África

Richard Burton em Look Back in AngerEm 1960, a ABPC ainda tinha 319 cinemas para abastecer e decidiu abrir seus estúdios ainda mais, para produções independentes que quizessem utilizá-los, fazendo filmes de cinema ou de televisão. Dos anos sessenta aos anos noventa a ABPC passou por outras mudanças, e continuou em atividade incessante, até fechar suas portas em 1994.

Quando  surgiu o conflito entre J. D. Williams  e I. W. Schlesinger e John Maxwell ganhou o controle da British National Pictures, Herbert Wilcox e o ator-comediante Nelson Keys formaram uma nova companhia de cinema, a British and Dominions Film Corporation, construindo em uma área vizinha ao BIP, o seu Imperial Studios (também conhecido como B&D Studios) com três palcos de filmagem. Um dos primeiros na indústria cinematográfica britânica a perceber a importância do som, Wilcox recorreu  imediatamente a  Hollywood para obter experiência técnica. No seu retorno, ele instalou o sistema de som Western Electric e depois completou seu primeiro “talkie” inglês, Wolves / 1930, com Dorothy Gish e Charles Laughton.

Em 1933, Wilcox alugou para a Paramount-British um dos seus palcos de som, onde Alexander Korda fez  A Vida Privada de Helena de Tróia (outros filmes de Korda no Imperial Studios foram Os Amores de Henrique VIII, Strange Evidence / 1933 (Leslie Banks), Os Amores de Don Juan / The Private Life of Don Juan / 1934  (Douglas Fairbanks, Merle Oberon), e O Pimpinela Escarlate. Em 1935, Wilcox contratou Jack Buchanan e o colocou ao lado da estrela de Hollywood Lili Damita em O Galã da Nota / Brewster’s Millions, dirigido por Thorton Freeland.

Anna Neagle e Herbert Wilcox

O nome de Herbert Wilcox estará sempre inevitavelmente  ligado com o de Anna Neagle, pois eles formaram uma das mais longas parcerias romântica e profissional da indústria cinematográfica britânica. Anna tornou-se a principal estrela de Wilcox e entre seus filmes sobressaíram: O Tenente Naval / The Flag Lieutenant / 1932; Viena dos Meus Amores / Goodnight Vienna /1932; O Preço de um Amor / The Little Damozel / 1933; Doce Amargura / Bittersweet / 1933; Nos Braços do Rei / Nell Gwyn / 1934; The Queen’s Affair / 1934 (todos, menos o primeiro, dirigidos por Herbert Wilcox).  

Jack Buchanan e Anna neagle em Viena dos Meus Amores

Fernand Gravey e Anna Neagle em Doce Amargura

Anna Neagle em Nell Gwynn

Nas primeiras horas de uma manhã de fevereiro de 1936,  irrompeu um incêndio no British and Dominions Studio, deixando tudo em ruínas. Somente o trabalho valoroso dos bombeiros impediu que o fogo atingisse o BIP Studio, ali bem próximo. Wilcox estava rodando Orquídea Selvagem / London Melody com Anna Neagle, Tullio Carminati e Robert Douglas e, como John Maxwell não estava em condições de ajudá-lo, teve de terminar a filmagem no Pinewood Studios de J. Arthur Rank.

Além de Pinewood, Rank comprou outro estúdio em Elstree em 1939, não porque necessitasse do espaço, mas para impedir que Maxwell ou uma das companhias americanas se apoderasse dele. O estúdio chamava-se Amalgamated Studios e havia sido construído por Paul Soskin e seu tio Simon Soskin, originários da Rússia. A fim de conseguir dinheiro para a obra, os Soskin penhoraram o imóvel, gastaram mais do que o esperado, e acabaram falindo. Rank ficou então com três dos maiores estúdios da Grã Bretanha. Ele alugou o Amalgamated Studios ao Ministério de Obras Públicas, para servir como depósito durante a Segunda Guerra Mundial e, em 1947, o transferiu para a Prudential  Assurance Company, que havia investido na produção de filmes nos anos trinta,  e esta, por sua vez,  vendeu-o para a MGM-British.

MGM British Studios

A MGM-British transformou o Amalgamated Studios em um estúdio no estilo dos de Los Angeles, tendo como atrações astros de Hollywood em filmes que seduziram ambas as platéias americana e inglêsa: vg. Meu Filho / Edward, My Son / 1949 (Spencer Tracy, Deborah Kerr); Romance de uma Esposa / The Miniver Story / 1950 (Greer Garson Walter Pidgeon); Ivanhoe, o Vingador do Rei / Ivanhoe /1952 (Robert Taylor, Elizabeth Taylor, Joan Fontaine, George Sanders); Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table / 1953 (Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer); Atraiçoado / Betrayed / 1954 (Clark Gable, Lana Turner, Victor Mature); O Belo  Brummel /  Beau Brummell / 1954 (Stewart Granger, Elizabeth Taylor, Peter Ustinov); A Coroa e a Espada / Quentin Durward / 1955 (Robert Taylor, Kay Kendall, Robert Morley). Em 1958, a MGM-British alugou o estúdio para a 20th Century-Fox fazer A Morada da Sexta Felicidade  / The Inn of the Sixth Happiness com Ingrid Bergman, Curd Jurgens e Robert Donat, que morreria poucas semanas após o término da filmagem.

Robert Taylor e Elizabeth Taylor em Ivanhoe

Pôster de O Belo BrummelAinda em 1958, vinte e três anos depois de ter sido contratada pela MGM para atuar com Clifton Webb em This Time It’s Love, um musical que ela afinal não pôde fazer, Jessie Mathews apareceu em O Pequeno Polegar / Tom Thumb, contracenando com o atlético ator-dançarino Russ Tamblyn, Peter Sellars e Terry-Thomas que, com ela, tornaram este espetáculo um favorito das crianças através dos tempos. Nos anos sessenta, a MGM-British continuou realizando filmes em Elstree (vg. Gente Muito Importante / The V.I.P. s / 1963; O Rolls Royce Amarelo /  The Yellow Rolls Royce / 1964;  2001: Uma Odisséia no Espaço / 2001: A Space Odyssey / 1968;  O Desafio das Águias / Where Eagles Dare / 1968; Adeus Mr. Chips / Goodbye Mr. Chips / 1969) até que encerrou suas atividades em 1970, e o estúdio foi vendido para um frigorífico.

Pôster de O Pequeno Polegar

Em 1927, o ator-diretor chileno Adelqui Millar fundou a Whitehall Films com dois sócios, Charles Lapworth e N. A. Pogson e, em 1929, construiu seu Whitehall Studios próximo da estação ferroviária de Borehamwood. Não era o melhor local para construir um estúdio de cinema porque, com a chegada dos “talkies”, ficaria difícil  abafar o barulho de uma linha de trem movimentada ali perto. No futuro, seria necessário empregar um homem com o único propósito de subir no telhado, para avisar quando um trem se aproximava, de modo que a filmagem pudesse ser interrompida até que ele passasse. Infelizmente, a companhia encontrou sérias dificuldades financeiras e, por um período de tempo em 1930, o estúdio foi alugado para a Audible Filmcraft Limited, uma contradição em termos, pois esta não estava bem equipada acusticamente. De novo, o estúdio passou por uma má fase, antes de ser renovado em 1933 e rebatizado de Consolidated Film Studios em 1934, quando Daquí a Cem Anos de Alexander Korda começou a ser filmado – a produção foi depois transferida para Denham. Em 1935, quando o Twickenham Studios de Julius Hagen foi parcialmente destruído pelo fogo, Hagen formou a JH Productions  e comprou o Consolidated Film Studios. Foram feitos alguns filmes sem importância e, no ano seguinte, tanto o Twickenham quanto o Consolidated pediram falência.

Pôster de Decameron

Em 1937, J. Banberger fundou uma companhia, MP Studios Limited, e tomou posse do antigo local do Whitehall / Consolidated. O MP Studios foi requisitado durante a Segunda Guerra Mundial e depois ficou conhecido como Gate Studios. Em 1947, a J. Arthur Rank Organization adquiriu-o para realizar as suas GHW Productions, dedicadas à divulgação do Metodismo. Embora estivesse primordialmente ocupado com a produção de filmes religiosos (a razão pela qual Rank entrou na indústria de cinema nos anos trinta), o estúdio  era ocasionalmente alugado  para outras unidades da Organização Rank e outras companhias (vg. Decameron Deliciosas Noites de Amor / Decameron Nights / 1953, com Joan Fontaine e Louis Jordan). Em 1952 o estúdio foi vendido, tendo sido comprado por Andrew Smith Harkness que, coincidentemente, fabricava telas para cinemas.

Em 1956, foi construído pelos irmãos Edward and Harry Danzinger, o Danzinger  Studios (que eles apelidaram de “The New Elstree Studios”), dedicado principalmente à realização de filmes e series para a televisão americana embora alguns longas-metragens classe “B” também tivessem sido feitos (vg. Satélite Artificial / Satellite in the Sky / 1956; Man Accused / 1959; High Jump / 1958; Sentenced for Life / 1959; Feet of Clay / 1960; The Spanish Sword / 1962. O estúdio fechou suas portas em 1965.

ESTRELAS DO CINEMA ALEMÃO DE WEIMAR AO TERCEIRO REICH

August 15, 2014

Este artigo é uma homenagem – de maneira sucinta, sem mencionar a filmografia completa das artistas, limitando-se aos seus filmes principais realizados entre 1920 e 1945 – a algumas grandes estrelas do cinema alemão.

Lida Baarová

LIDA BAAROVÁ (1914-2000). Nome verdadeiro: Ludmila Babková. Local de Nascimento: Praga, República Checa. Aos quinze anos de idade, Lida quís ser atriz e foi estudar interpretação no Conservatório Dramático de Praga, mas não terminou o curso, porque foi convidada para fazer seu primeiro filme no seu país natal, Kariéra Pavla Camrdy / 1931, onde adquiriu popularidade. Em 1934, aceitou a oferta da UFA, o grande estúdio germânico, para protagonizar, ao lado de Gustav Fröhlich, o filme Barcarola / Barcarole / 1935, que se converteu em um sucesso de bilheteria. O ator era casado e tinha uma filha, mas Lida e Gustav se apaixonaram e foram morar juntos. Em 1937, depois de ter feito dois filmes “patrióticos” sob a direção de Karl Ritter, muito apreciados no Brasil, Traidores / Verräter e Entre Duas Bandeiras / Patrioten, a atriz recusou uma proposta vantajosa da Metro-Goldwyn-Mayer, decisão da qual se lamentaria anos mais tarde. No mesmo ano, ela demonstrou talento para a comédia musical no filme de Paul Verhoeven, O Morcego / Die Fledermaus. Lida ficou mais conhecida por sua vida fora da tela como amante de Joseph Goebbels, o poderoso Ministro da Propaganda e Informação do regime hitlerista. Entretanto, por ordem de Hitler, Goebbels foi obrigado a terminar seus encontros com Lida, e ela proibida de atuar nos estúdios cinematográficos da Alemanha. Em março de 1941, desobedecendo às ordens de permanecer no país, Lida deixou Berlin, regressando para Praga. (Obs. ver meu artigo sobre Lida Baarová de 17 de abril de 2010).

Lil Dagover

LIL DAGOVER (1887-1980). Nome verdadeiro: Maria Antonia Siegelinde Martha Lilitt Seubert . Local de nascimento: Java, Indonésia. Começou sua carreira como dançarina em 1913. Após a Primeira Guerra Mundial, sob o nome de Martha Daghofer, assinou contrato com a companhia Decla, firmando-se como uma das principais atrizes do Cinema de Weimar. O diretor Robert Wiene escolheu-a para interpretar Jane no clássico No Gabinete do Dr. Calegari / Das Kabinett des Dr. Caligari / 1919-1920 e Dagover também trabalhou com Fritz Lang em Die Spinnen – Der goldene See / 1919 e Pode o Amor Mais Que a Morte?/ Der müde Todd/ 1921. Sob a direção de F. W. Murnau, ela apareceu em Phantom / 1922 e Tartufo / Tartüff / 1925. Gustav Molander dirigiu-a na produção germano-sueca Sede de Amor / Die Lady ohne Schleier – Hans Engelska Fru e, em O Correio Secreto  ou Rouge Noir / 1928 e O Diabo Branco / Der weisse Teufel / 1930, ela contracenou com Ivan Mosjoukine. Seu primeiro filme falado foi Va Banque / 1930, com Gustaf Grüdgens, após o término do qual ela viajou para Hollywood, a fim de fazer A Dama de Monte Carlo / The Woman from Monte Carlo / 1931, dirigido por Michael Curtiz, contracenando com Walter Huston e Warren William. Como uma das atrizes prediletas de Hitler, Lil continuou em evidência nas telas germânicas em filmes interessantes como Elisabeth da Áustria / Elisabeth von Österreich / 1931, Lady Windermeres Fächer / 1935, A Sonata de Kreutzer / Die Kreutzersonate / 1936-37 e Nona Sinfonia ou Últimos Acordes / Schlussakkord / 1936, Terrível Dúvida / Streit um den Knaben Jo / 1937,  Friedrich SchillerDer Triumph eines Genies / 1940 e Bismarck / 1940.

Martha Eggerth

MARTHA EGGERTH (1912-2013). Nome verdadeiro_Márta Eggert. Local de nascimento: Budapeste, Hungria (Antigo Império Austro-Húngaro). Filha de uma soprano coloratura (de quem ela herdou o dom) e de um banqueiro, estreou no teatro na opereta Mannequins, de Pál Abrahám, aos onze anos de idade e foi considerada uma criança prodígio. Nos anos seguintes, começou a cantar o repertório mais exigente de coloratura de compositores como Rossini, Meyebeer, Offenbach e Johann Strauss II. Ainda adolescente, ela excursionou por vários países da Europa, sendo afinal convidada por Emmerich Kálmán, para ser a substituta eventual da famosa soprano coloratura da Ópera Estatal de Viena, Adele Kern, na sua opereta Das Veilchen vom Montmartre. Mártha acabou assumindo o papel principal e conquistou os críticos. Em 1929, com dezessete anos de idade, interpretou o papel de Adele em Die Fledermaus na célebre produção de Max Reinhardt de 1929 em Hamburgo. No início da década de trinta, Martha foi descoberta pela indústria cinematográfica, e logo se tornou uma estrela internacional, em uma época na qual o gênero opereta estava no auge. Martha estreou em Csak egy kistány van avilágon Katinka /1930, filme húngaro dirigido por Béla Gaál, e fez mais de trinta filmes, em cinco idiomas – húngaro, inglês, alemão, francês e italiano -, entre os quais se destacam aqueles que passaram no Brasil: Sombras da Noite / Der Draufgänger  / 1931,  Paraíso em Flor / Der Frauendiplomat / 1931, Uma Canção, Um Beijo, Uma Pequena / Ein Lind, ein Kuss, ein Mädel / 1932, Beijos Vienenses / Es war einmal ein Walzer / 1932, A Canção do Meu Amor / Moderne Mitgift , Cinco Minutos de Amor / Das Blaue von Himmel / 1932, Sinfonia do Amor / Kaiserwalzer / 1933, A Flor do Havaí / Die Blume von Hawaii / 1933, A Sinfonia Inacabada / Leise flehen Meine Lieder / 1933, O Tzarevitch / Der Tzarevitch / 1934, Meu Coração Te Chama / Mein Herz ruft nach dir / 1934, A Princesa das Czardas / Die Czardasfürstin / 1934, Seu Maior Triunfo / Ihr grösster Erfolg / 1935, Uma Grande Amor de Bellini / Casta Diva / 1935, Carmen Loura / Die blonde Carmen / 1935, Cló-Cló  / Die ganze Walt draht sich um Liebe / 1935, Um Sonho de Valsa / Das Schloss in Flandern / 1936, Canção da Lembrança / Das Hofkonzert / 1937, La Bohème / Zauber der Boheme / 1937, A Grande Estrela / Immer wenn ich glücklich bin..! / 1938. Em nosso país, qualquer filme seu era sucesso absoluto, sendo que A Sinfonia Inacabada  ficou dez semanas em cartaz. Em 1940, Martha e seu marido (e às vezes parceiro no cinema e no teatro), o tenor polonês Jan Kiepura, foram muito bem recebidos no Rio e São Paulo pela multidão de fãs e personalidades locais. Em 1938, após o Anchluss, declarando que a Áustria era território alemão, Martha e Jan, ambos filhos de mães judias, embarcaram para os Estados Unidos, onde continuaram suas carreiras no âmbito operístico. Martha apareceu em dois filmes de Hollywood com Judy Garland, Idílio em Dó-Re-Mi / For Me and My Gal / 1942 e Lily, a Teimosa / Presenting Lily Mars / 1943. Mas não gostou da experiência.

Lilian Harvey

LILIAN HARVEY (1906-1968). Nome verdadeiro: Lilian Helen Muriel Pape. Local de nascimento: Crouch End, Inglaterra. “A garota mais doce do mundo”, como viria a ser anunciada pela UFA, mudou-se com a família da Inglaterra para Berlim em 1914 e passou a Primeira Guerra Mundial na Suiça. Em 1923, Lilian matriculou-se na escola de balé da Ópera Estadual de Berlim. Em 1926, o diretor Richard Eichberg colocou-a lado de Willy Fritsch em Casta Suzana / Die keusche Suzanne e os dois ascenderam à posição de “o  casal dos sonhos “ do cinema alemão. O primeiro filme sonoro da dupla foi A Valsa do Amor / Liebeswalzer / 1929, após o qual eles encabeçaram o elenco de comédias musicais como A Caminho do Paraíso (Para o Brasil veio também a versão francêsa, Le Chemin du Paradis, com o mesmo título em português) / Die Drei von der Tankstelle / 1930; O Congresso Dança / (No Brasil passou também a versão francêsa Le Congrès S’Amuse com o título de O Congresso se Diverte) / Der Kongress tantz / 1931; Flagrante Delito / Einbrecher / 1930; Tudo por Ti / Hokuspokus / 1930; Não há mais Amor / Nie wieder Liebe / 1931; Ein blonder Traum / 1932 (No Brasil passou apenas a versão francêsa, Sonho Dourado / Un Rêve Blond). Lilian integrou ainda o elenco dos três filmes realizados em versões múltiplas (No Brasil foram exibidas as versões francêsas: Princesa às suas Ordens / Princesse a vos Ordres / 1931, Um Casal Alegre / La Fille et le Garçon / 1931, Eu e a Imperatriz / Moi et L’Imperatrice / 1932) e contracenou com Hans Albers em  Adorável Sedução / Quick / 1932. Atendendo a um convite da Fox,  a atriz participou de três filmes em Hollywood, Eu Sou Suzanne / I Am Suzanne / 1933 de Rowland V. Lee com Gene Raymond, O Meu “Beguin”/ My Weakness / 1934 de David Butler com Lew Ayres e Vivamos Esta Noite! / Let’s Live Tonight / 1935 de Victor Schertzinger com Tulio Carminatti. Em 1936, ela atuou novamente com Willy Fritsch na comédia maluca da UFA, Alegres Boêmios / Glückskinder / 1936 e fez, entre outros, Rosas Negras / Schwarze Rosen / 1935, Morrer de Amor / Fanny Eissler / 1937 e Capricho / Capriccio / 1938. Vigiada pela Gestapo, por ter ajudado colegas judeus e homossexuais, Lilian deixou a Alemanha, para contracenar com Vittorio de Sica em Castelli in aria / 1938-39, antes de emigrar para a França, onde apareceu em Os Amores de Schubert / Sérénade  / 1939-40 e em seu derradeiro filme,  Miquette / 1940. Após a ocupação alemã de Paris, Lilian foi  para os Estados Unidos, onde trabalhou para Cruz Vermelha em Hollywood e rejeitou todas as propostas para voltar ao cinema.

Brigitte Helm

BRIGITTE HELM (1906-1996). Nome verdadeiro: Brigitte Eva Gisela Schittenhelm. Local de nascimento: Berlim, Alemanha. Educada em um seminário religioso perto de Berlim, seu primeiro contato com o teatro ocorreu em produções escolares. Depois de ter sido lançada por Fritz Lang no papel de Maria na obra-prima futurística Metrópolis / 1925-26, a UFA deu-lhe papéis importantes em Traição / Am Rande der Welt de Karl Grunn e O Amor de Jeanne Ney / Die Liebe der Jeanne Ney de G. W. Pabst, ambos de 1927. Após o sucesso de seu próximo filme, Alraune / Alraune  / 1927 de Henrik Galeen, ela passou a ficar estereotipada como vampe fria e majestosa. Helm processou a UFA por ter lhe recusado outros papéis e foi logo mostrada com uma imagem diferente – uma adúltera que se suicida para evitar a ruina de seu amante – no  suntuoso melodrama A Maravilhosa Mentira de Nina Petrovna / Die wunderbare Lüge der Nina Petrova / 1928-29 de Hanns Schwarz. No mesmo ano, apareceu ao lado de seu parceiro de Metrópolis, Alfred Abel, em uma adaptação cinematográfica sofisticada do romance de Émile Zola intitulada L’Argent (Exibido no Brasil com este mesmo título)/ L’Argent. A estréia de Helm no cinema sonoro deu-se ao lado do tenor Jan Kiepura em Die singende Stadt de Carmine Gallone e ela voltou a fazer um papel de vampe como a rainha do deserto Antinea de Die Herrin von Atlantis / 1932 de G.W. Pabst, filmado em versões alemã, francêsa e inglêsa (No Brasil, passou somente a versão francêsa, L’Atlantide, com o titulo em português de Atlântide). Outros filmes importantes de sua carreira foram: Manolesco / Manolescu, Der König der Hochstapler / 1930, A Condessa de Monte Cristo / Die Gräfin von Monte Christo, Conquista a tua Mulher / Gloria  / 1931, Cuidado! Espiões! / Spione am Werk / 1932-33, A Princesa dos Milhões / Die schönen Tage von Aranjuez / 1933, Ouro / Gold / 1933-34, Na Voragem da Vida / Die Insel / 1933-34, De Jogador a Príncipe / Fürst Woronzeff / 1934. A última aparição de Brigitte Helm na tela foi em Ein idealer Gatte / 1935 de Herbert Selpin, após o que, seu contrato com a Ufa expirou, e ela se retirou do cinema.

Marianne Hoppe

MARIANNE HOPPE (1909-2002). Nome verdadeiro: Marianne Stefanie Paula Henni Gertrud Hoppe. Local de nascimento: Rostock, Alemanha. Estudou arte dramática no Deutsches Theater em Berlim, interpretando uma variedade de papéis clássicos e contemporâneos sob orientação de Max Reinhardt e outros encenadores teatrais de renome. Estreou na tela em 1933 no drama de época Der Judas von Tirol. Subsequentemente, Marianne fez algumas comédias rurais dirigidas por Carl Froelich (Krach um Jolanthe / 1934, Wenn der Hahn kräth / 1935-36) e também filmes de propaganda hitlerista tal como Crepúsculo / Derr Herscher / 1936-37 de Veit Harlan. Casada com o ator Gustaf Gründgens desde 1936, tornou-se a atriz principal do Berlin’s Staatliches Schauspielhaus (Teatro Estatal), que estava sob a direção artística do marido. Marianne estrelou dois filmes dirigidos por Gründgens,  Kapriolen / 1937 e Der Schritt vom Wege / 1938-39, e se destacou como a noiva paciente de um cinegrafista de cine-jornais que vive viajando pelo mundo em Auf Wiersehen, Franziska / 1940-41 e como a heroína trágica em Romanze in Moll / 1942-43, produções dirigidas por Helmut Kautner durante a guerra. O tema da esposa infiel de Romanze in Moll enfureceu Goebbels que, em nome da moralidade, quís destruir todas as cópias do filme. Porém Wolfgang Liebeneiner, então chefe da UFA, implorou-lhe para deixar o espetáculo intacto, porque se tratava de uma obra de arte soberba. Após uma discussão acalorada, Goebbels concordou, mas se referiu ao filme como “derrotista”.

Brigitte Horney

BRIGITTE HORNEY (1911-1988). Nome verdadeiro: Brigitte Horney. Local de nascimento: Berlim, Alemanha. Filha da célebre psicanalista, Karen Horney, ela frequentou aulas de interpretação e de dança, antes de ganhar o papel principal no filme Abschied / 1930 de Robert Siodmak. Brigitte se impôs finalmente no mundo cinematográfico como uma cantora de fossa interpretando a música de sucesso de Theo Mackeben, “So der so ist das Lebenno filme Amor, Morte e Diabo / Liebe Tod und Teufel / 1934, baseado em um romance de Robert Louis Stevenson. Em 1936-37, fez dois filmes na Inglaterra, The  House of the Spaniard e Secret Lives (conhecido nos EUA como I Married a Spy). De volta à Alemanha, nazista, algumas das personagens fortes e independentes de Brigitte não estavam de acordo com as expectativas do Estado quanto à feminilidade apropriada para uma mulher alemã; porém algumas outras se encaixavam na ideologia Nacional Socialista, tais como a companheira-de-armas leal de um engenheiro que executa tarefas militares na Primeira Guerra Mundial em Regresso à Pátria / Ein Mann will nach Deustschland /1934 (Dir: Paul Wegener) e a “alemã étnica” patriótica de Feinde / 1940 (Dir: Viktor Tourjansky). Ela estrelou, como uma jovem, simples e modesta, o filme Das Mädchen von Fanö / 1940 (Dir: Hans Schweikart), mas obteve papéis mais glamourosos em O Dominó Verde / Der grüne Domino / 1935, Aconteceu em Moscou / Savoy Hotel, 217 / 1936, Terra em Chamas / Stadt Anatol / 1936 e como Catarina, a Grande em Barão Münchhausen / Münchhausen / 1942-43 de Josef von Báky. Um dos melhores desempenhos da carreira da atriz foi interpretando uma escultora em Befreite Hände / 1939, melodrama dirigido por Hans Schweitkart, que obteve grande êxito. Pouco antes do fim da guerra, Brigitte foi para a Suiça, onde trabalhou no teatro local de 1946 a 1948. Em 1950, foi para os Estados Unidos, tornando-se cidadã americana três anos depois.

Zarah Leander

ZARAH LEANDER (1907-1981). Nome verdadeiro: Sara Stina Hedberg. Local de nascimento: Karlstad, Suécia. Estudou piano desde criança e cantou pela primeira vez em público em 1913. Mais tarde, entre 1929 e 1935, trabalhou em revistas, operetas e comédias teatrais através da Suécia, gravou discos e começou a aparecer em filmes suecos. Em 1936, fez seu primeiro filme falado em alemão na Áustria, interpretando uma estrela do teatro revista no thriller criminal de Géza von Bolvary, Première / Première. Zarah estabeleceu a sua persona típica de mulher sofredora, cuja vida amorosa resulta em um melodrama trágico em dois filmes de Detlef Sierk (Douglas Sirk)  como Recomeça a Vida / Zu Neuen Ufern / 1937 e La Habanera / La Habanera / 1937, nos quais teve também ampla oportunidade de cantar suas baladas sentimentais características. Após a partida de Sierk para o exílio, outros diretores deram prosseguimento à fórmula, especialmente Carl Froelich que dirigiu Zarah em Minha Terra ou Pecado de Mulher / Heimat / 1938, Noite de Baile / Es war eine rauschende Ballnacht / 1939 e Das Herz der Konigin / 1939-40, no qual ela fazia o papel de Maria Stuart. Ainda em 1938, Zarah aderiu à comédia em A Raposa Azul / Der Blaufuchs, sob o comando de Victor Tourjanski. Após a erupção da Segunda Guerra Mundial, as personagens abnegadas de Zarah serviram como exemplo propagandístico para mulheres deixadas sozinhas na “frente doméstica” particularmente em Der Weg ins Freie / 1940-41 e Die grosse Liebe / 1941-42, um dos filmes mais populares do período nazista. Em 1943, depois de ter sido intimada a adotar a nacionalidade germânica e deixar de receber seus salários em moeda estrangeira, Zarah rompeu seu contrato com a UFA e retornou ao seu país natal.

Renate Müller

RENATE MÜLLER (1906-1937). Nome verdadeiro: Renate Müller. Local de nascimento: Munich, Alemanha. Criada na Bavaria, Renate mudou-se para Berlim com sua família em 1924. Após algumas lições de canto, frequentou aulas de arte  dramática na Escola de Max Reinhardt, onde o diretor G. W. Pabst era seu professor. No final dos anos vinte, encorajada pelo diretor Reinhold Schünzel, iniciou uma carreira no cinema. Entre seus primeiros papéis estava o de noiva do pugilista Max Schmeling em Amor e Boxe / Liebe im Ring / 1929-30. Como as primeiras realizações sonoras usavam muitos interlúdios musicais, a experiência de Renate como cantora foi muito produtiva. A canção “Ich bin ja heut’ so glücklich”, que ela interpretou em Die Privatsekretärin / 1930 obteve muito sucesso Ela repetiu o mesmo papel nas versões francêsa e inglêsa: Dactylo / 1930 e Sunshine Susie / 1931. Nos próximos anos, Renate associou-se a Schünzel, atuando em oito filmes sob sua direção. Os resultados mais notáveis dessa associação foram o delicioso Viktor und Viktoria / 1933 (Para o Brasil, veio a versão francêsa, George e Georgette / Georges et Georgette com Meg Lemonnier) e Um Casamento Inglês / Die englische Heirat / 1934, sátira à aristocracia britânica. No drama de época de Gustav Ucicky, Sans-Souci / Das Flötenkonzert von Sanssouci / 1930, Renate introduziu um toque de frivolidade no tom geral reverente do filme, flertando sedutoramente com Theo Lingen. Uma de suas últimas aparições na tela foi na comédia sofisticada de Willi Forst, Allotria / Allotria / 1936, formando um quarteto com Adolf Wohlbrück, Heinz Rühman e Jenny Jugo. Outros filmes importantes foram: O Favorito dos Deuses / Liebling der Götter / 1930, Como Direi a Meu Marido ? / Wie sag’ ich’s meinem Mann? / 1932, Quando o Amor faz a Moda / Wenn die Liebe Mode macht / 1932, Saison in Kairo / 1933 (No Brasil passou a versão francêsa, À Sombra da Esfinge / Ydille au Cairo / 1933). A partir de 1934, Renate reduziu seu trabalho no cinema devido a problemas de saúde. Tal fato suscitou rumores de que a atriz teria caído em desgraça perante o regime nazista devido ao seu relacionamento com um judeu. Quando ela faleceu, com 31 anos de idade, em um sanatório de Berlim, foram levantadas suspeitas de um possível suicídio ou assassinato.

Kathe Von Nagy

KÄTHE VON NAGY (1904-1973). Nome verdadeiro: Ekaterina Nagy von Cziser. Local de nascimento: Szatmar, Hungria. Filha de um diretor de banco em Szabadtka, Käthe frequentou aulas de interpretação na escola de cinema de Béla Gaál em Budapest. A família era contra sua carreira de atriz, mas eventualmente permitiu que ela viajasse a Berlim, onde fez testes para o cinema ao mesmo tempo em que trabalhava para um jornal húngaro. Em 1927, Käthe obteve um papel secundário em Männer vor der Ehe, comédia dirigida por Constantin J. David, com quem se casaria. Ela então se especializou em tipos de “adolescente graciosa” em uma série de filmes tais como Die Republik der Backfische / 1928, e Mascottchen / 1928-29, que consolidaram sua reputação como a estrela de comédias leves do cinema alemão, conquistando reconhecimento internacional em Die Durchgängerin / 1927-28. No final dos anos vinte, Käthe expandiu seu repertório e assumiu papéis mais sérios como o de uma operária de fábrica que faz um pacto de suicídio com seu marido na produção italiana Rotaie / 1929, dirigida por Mario Camerini. Ela trabalhou com alguns dos diretores mais significativos do período Weimar como Joe May (Sua Majestade, o Amor / Ihre Majestät die Liebe / 1930), Hanns Schwarz (Ihre Hoheit Befiehlt / 1931), Reinhold Schünzel (Ronny / Ronny / 1931) e Gerhard Lamprecht (Turandot / Prinzessin Turandot / 1934). Outros filmes importantes de Käthe foram: Hotel Atlantic (No Brasil foi exibida a versão francêsa, Le Vainqueur) / Der Sieger / 1932, Eu de Dia, Tu de Noite / Ich bei Tag und du bei Nacht / 1932, Noite de Núpcias (No Brasil passou a versão francêsa, La Belle Aventure), Das schöne Abenteuer / 1932, Heróis sem Pátria (No Brasil  foi apresentada a versão francêsa Au Bout du Monde) / Flüchtlinge / 1933, Quero Casar Contigo / Die Freudin eines grossen Mannes / 1934, Quero Ser Grande (No Brasil o público só viu a versão francêsa,  Un Jour Viendra) / Einmal eine grosse Dame sein / 1933-34, Rosas Vienenses / Der junge Baron Neuhaus / 1934, Um Sonho que Passou / Die Pompadour / 1935, Ave Maria / Ave Maria / 1936. Devido à sua capacidade linguística, Käthe atuou nas versões francêsas de vários de seus filmes e, como Kate de Nagy, apareceu, por exemplo, nos filmes francêses Glória de um Império / La Route Impériale / 1935, de Marcel L’Herbier, Cargaison Blanche / 1936 de Robert Siodmak,  A Batalha em Segredo / La Bataille Silencieuse / 1937 de Pierre Billon. No início da Segunda Guerra Mundial, ela fez Mahlia la Métisse / 1939-42, e depois praticamente se retirou do cinema.

Pola Negri

POLA NEGRI (1894-1987). Nome verdadeiro: Barbara Apolonia Chalupiec. Local de nascimento: Janowo, Polonia. Estudou arte dramática em Varsóvia entre 1909 e 1911. Em 1912, estreou no palco do Leines Theater e, um ano depois, atuou como dançarina no Teatr Wielki, em um espetáculo de mimica arabesca intitulado Sumurun. Em 1914, fez sua primeira aparição na tela no filme de Jan Pawlowski, Niewolnica Zmyslów. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi para Berlim, onde ingressou no Deutsches Theater. Pola iniciou sua carreira no cinema alemão em Nich lange täusche das Glück / 1917 e ascendeu ao estrelato sob a direção de Ernst Lubitsch, interpretando papéis principais em A Múmia / Die Augen der Mumie Ma / 1918, Carmen / Carmen / 1918, Madame Dubarry / Madame Dubarry / 1919, Sumurun / Sumurun / 1920, Gatinha Amorosa / Die Bergkatze / 1921, A Modista de Montmartre / Die Flamme / 1921. Em 1922, contratada pela Paramount, Pola foi para os Estados Unidos, triunfando em mais um filme de Lubitsch, Paraiso Perdido / Forbidden Paradise / 1924. Outros trabalhos importantes em Hollywood foram: A Bela Diana / Bella Donna / 1923, A Dançarina Espanhola / The Spanish Dancer / 1923, A Condessa Democrata / A Woman of the World / 1927. O estilo de vida extravagante de Pola, sua falsa rivalidade com Gloria Swanson e seu romance tempestuoso com Rudolph Valentino, fizeram as delícias dos colunistas de mexericos. Por causa do sotaque acentuado, ela teve dificuldade em prosseguir sua trajetória artística no cinema falado americano e resolveu voltar para Berlim, onde teve um retorno cinematográfico sensacional em Mazurka / Mazurka / 1935, grande drama dirigido por Willi Forst. Goebbels escreveu no seu Diário: “Mazurka por Forst com Pola Negri realizado virtuosamente. E Negri tem um desempenho empolgante”. Três anos mais tarde, Pola deixou a Alemanha, quando as autoridades nazistas classificaram-na como parcialmente judia. Antes de partir, participou ainda de: Moscou- Shanghai / Moskaw-Shanghai / 1937, A Mulher que amou Demais / Madame Bovary / 1937, Tango Noturno / Tango Noturno / 1938,  A Falsária / Die fromme Lüge / 1938. Em 1941, voltou para a América, e lá fez um pastiche de sua persona vampe em Casados sem Casa / Hi Diddle Diddle / 1943.

Marika Rökk

MARIKA RÖKK (1913-2004). Nome verdadeiro: Marie Karoline Rökk. Local de nascimento: Cairo, Egito. Passou a infância em Budapest, onde frequentou aulas de dança. Em 1924, a família mudou-se para Paris, onde ela, aos onze anos de idade, integrou o conjunto de dança The Hoffman Girls, aparecendo pela primeira vez em público no Moulin Rouge. Marika passou os anos vinte excursionando por Nova York, Berlim, Monte Carlo, Cannes, Londres e Paris. Em Budapeste e Viena, encabeçou o elenco de várias operetas e comédias musicais. Sua primeira experiência no cinema foi como dançarina em duas comédias britânicas sob a direção de Monty Banks: Kiss Me Sergeant e Why Sailors Leave Home, ambas de 1930. Pouco depois, estrelou  dois filmes húngaros em 1931 e 1933, antes de ser contratada pela UFA em 1935. Seu primeiro filme alemão foi Cavalaria Ligeira / Leichte Kavalliere / 1935, seguindo-se sua primeira colaboração com o diretor Georg Jacoby em Rapsódia Húngara / Heisses Blut / 1936. Os filmes usavam a mesma fórmula dos musicais de bastidores de Hollywood e, nos números musicais, Marika demonstrava dotes excepcionais de cantora e dançarina-acrobata. Seus melhores filmes foram: O Estudante Mendigo / Der Bettelstudent  / 1936, Gasparone / Gasparone / 1937, Ritmo Ardente / Und du men Schat fürst mit / 1937, Eine Nach in Mai / 1938, Kora Terry / 1940, Frauen sind doch bessere Diplomaten / 1939-41 (Primeiro longa-metragem alemão em cores), todos sob direção de Jacoby, e Alô, Janine / Halo Janine, dirigido por Carl Boese. Ocasionalmente, Marika era vista em outros gêneros e papéis mais sérios como, por exemplo, ao lado de Zarah Leander em Noite de Baile / Es war einer rauschende Ballnacht.

Sybille Schmitz

SYBILLE SCHMITZ (1909-1955). Nome verdadeiro: Sybille Schmitz. Local de nascimento: Düren, Alemanha. Depois de ter cursado uma escola de arte dramática em Köln (Colônia), Sybille sobe ao palco pela primeira vez no Deutsche Theater em Berlim. Sua estréia no cinema deu-se em um curta-metragem, Freie Fahrt / 1928 (também conhecido como Polizeibericht Überfall). Em seguida, ela ganhou um papel secundário ao lado de Louise Brooks no filme de G. W. Pabst, Diário de uma Pecadora / Tagebuch einer Verlorene /1929. Seu desempenho como a anêmica Léone em O Vampiro / Vampyr / 1931-32, de Carl Theodor Dreyer, foi muito bem acolhido pelos críticos e também no filme sonoro. Em F. P. 1 antwortet nicht / 1932, ela era cortejada por Paul Hartmann e Hans Albers. Sybille veio a encarnar a mulher fatal elegante e enigmática: George Sand em Abschiedswalzer / 1934 de Geza von Bovary; Gloria Chevely (personagem da peça An Ideal Husband de Oscar Wilde) em Ein idealer Gatte / 1935 de Herbert Selpin; e a espiã russa Anna Demidow em A Espiã do Tzar /Die Leuchter des Kaisers de Karl Hartl. Ela ofereceu para o público interpretações convincentes em filmes como Episódio Musical / Musik im Blut / 1934, Devastador do Mundo / Der Herr der Welt / 1934, Stradivarius / Stradivari / 1934-35, Fährmann Maria / 1935, Die Unbekannte / 1936, Tanz auf dem Vulcan / 1938-39. No anos quarenta, Sybille apareceu menos na tela e foi requisitada para filmes de propaganda como Trenck, der Pandur / 1940, Wetterleuchten um Barbara / 1942-43 e a superprodução Titanic / 1942-43, conturbada pelo “suícidio” do diretor Herbert Selpin na prisão, por ordem de Goebbels.

Kristina Soderbaum

KRISTINA SÖDERBAUM (1912-2001). Nome verdadeiro: Beata Margareta Kristina Söderbaum. Local de nascimento: Vetenskapsstaden, perto de Estocolmo, Suécia. Filha de um professor de química (e presidente do comitê do Prêmio Nobel), Kristina foi educada em colégio interno na Suécia e Paris. Em 1934, após a morte de seus progenitores, mudou-se para Berlim, onde estudou História e Arte germânicas. Estreou no cinema no filme de Erich Wasneck, Onkel Bräsig / 1936. No ano seguinte, conheceu o diretor Veit Harlan, que lhe deu o papel principal em Juventude Ardente / Jugend / 1937-38. O filme marcou o início de uma longa colaboração que tornou Kristina uma grande estrela na Alemanha e, em 1939, também esposa de Harlan.  Entre os filmes que fez sob comando do marido, destacam-se Verwehte Spuren / 1938; Die Reise nach Tilsit / 1939 (baseado na mesma fonte literária de Aurora / Sunrise de F. W. Murnau);  o anti-semita Jud Süss / 1940; três melodramas românticos admiráveis, Cidade da Ilusão / Die Goldene Stadt / 1941-42, Immensee / 1942-43 e Opfergang / 1942-44, e dois filmes de propaganda com ambiente histórico e grande movimentação de massa, O Grande Rei / Der grosse König / 1940-42 e Kolberg / 1945. Depois da guerra, Kristina atuou no teatro em Hamburgo, recusando projetos de cinema em solidariedade a Harlan, que havia sido banido da realização de filmes pelos Aliados.

Paula Wasswly

PAULA WESSELY (1908-2000). Nome verdadeiro: Paula Anna Maria Wessely. Local de nascimento: Viena, Austria. Sobrinha de Josefine Wessely, conhecida atriz do Burgtheater de Viena, foi treinada para a profissão desde menina. Estudou arte dramática, inclusive com Max Reinhardt, e trabalhou no Volkstheater e outros teatros. Em Berlim, causou boa impressão na peça Rose Bernd de Gerald Hauptmann em 1930 e continuou aparecendo regularmente no Deutsches Theater até 1945. Sua estréia no cinema deu-se na comédia elegante e sofisticada de Willi Forst, Mascarada / Maskerade / 1934, sucesso retumbante em todo o mundo. No mesmo ano, alcançou outro triunfo, desta vez tendo Willi Forst como seu parceiro em frente das câmeras, em Assim Acaba um Grande Amor / So endete eine Liebe. Em 1935, ela interpretou o papel principal de Romance em Viena / Episode, e encantou os críticos domésticos e internacionais  pela sua naturalidade e seu charme vienense. Durante o Terceiro Reich, Paula desfrutou uma carreira exitosa no cinema nazista, frequentemente sob às ordens de Geza von Bovary (Julika / Ernte / 1936, Spiegel des Lebens / 1938, Maria Ilona / 1939). A maioria de seus filmes – alguns com seu marido, o ator Attila Hörbiger – tinham propósitos ideológicos implícitos, apresentando protagonistas femininas que reprimiam seus desejos em nome do dever conjugal e patriótico. Em termos de propaganda explícita, o exemplo mais contundente foi Heimkehr / 1941, de Gustav Ucicky, que pretendia justificar a invasão da Polonia pela necessidade de defesa da minoria étnica germânica ali existente. Os poloneses são apresentados como carrascos brutais, que queimam livros e móveis das escolas da comunidade alemã, amontoam mulheres, velhos e jovens em jaulas como se fossem feras, e depois matam impiedosamente os prisioneiros; enfim,  praticam as mesmas atrocidades, que foram imputadas ao nazistas no pós-guerra. No final, Paula Wessely, em um discurso dramático, diz: “Um dia chegará quando viveremos entre alemães e, ao entrarmos em uma loja, nenhuma palavra de yiddish ou polonês será falada, mas somente o idioma germânico”.

 

JAIME COSTA NO CINEMA

August 1, 2014

Juntamente com Procópio Ferreira, ele foi um grande astro do nosso velho teatro. Tal como Procópio, sofreu o desprezo das novas gerações que, julgavam seu repertório digestivo ou medíocre, e queriam impor um teatro mais exigente para as nossas companhias. Entretanto, nem ele nem Procópio nunca deixaram, em largos anos de permanência nos palcos, de nos dar, volta e meia, peças ditas do gênero mais elevado, nas quais tiveram oportunidade de demonstrar mais ainda suas possibilidades artísticas.

Jaime Costa

Bricio de Abreu em Esses Populares Tão Desconhecidos (Raposo Carneiro, 1963) retratou Jaime Costa nestes termos: “… com um temperamento explosivo, brigão, tendo os nervos ‘à flor da pele’, as suas cóleras ficaram famosas no nosso teatro e as suas polêmicas e campanhas, pela exaltação, chegaram a movimentar a classe inteira em protestos, passeatas etc. Ganhou o título de “irritado” para uns “bronquista” para outros. Mas, dentro desse tumulto todo, surge a figura do contraste: Jaime é essencialmente bom, com um coração maior do que a cabeça, sempre pronto a acolher um colega e por ele se bater denodadamente. Tem lançado inúmeros novos no teatro, seja como atores, seja como autores. E, a sua preferência tem sido, sempre, para o autor nacional em sua longa vida de empresário”. Decio de Almeida Prado (O Estado de São Paulo, 3/2/1967) completou-lhe o perfil, dizendo que, como artesão da arte de representar, ele nunca precisou se aperfeiçoar para conquistar o público. “Não só não sabia frequentemente as falas, como respirava mal, encavalava as sílabas, tumultuava o ritmo da frase, caía na declamação quando desejava ser eloquente. Mas estas imprecisões técnicas, imperdoáveis em qualquer outro, desapareciam diante da sua presença e da sua força de comunicação”.

Anúncio de O Fado (ainda com Vicente Celestino)

Jaime Rodrigues Costa nasceu no Meier, no dia 27 de dezembro de 1897, filho do comerciante de móveis Afonso Rodrigues Costa, português de Vila Nova de Famalião e da brasileira Julia Bentin Costa. Começou a trabalhar com 14 anos de idade no escritório da loja do pai porém, aos 18 anos, o destino resolveu colocá-lo frente a frente com sua verdadeira vocação, quando foi convidado pelo seu barbeiro, Amadeu, a integrar o Grupo de Teatro de Amadores de Salles Ribeiro. Sua estréia deu-se em 1920 na peça “Um Erro Judicial”, encenada no Clube Ginástico Português. Estimulado pelos louvores da crítica, Jaime Costa resolveu se profissionalizar. Como possuía uma linda voz de barítono, apresentou-se, por intermédio de Abadie Faria Rosa, a Eduardo Vieira, diretor da Companhia Nacional de Melodramas do Teatro S. Pedro (atual João Caetano), que estava à procura de um cantor para a opereta “O Fado”. Fez um teste e foi aprovado, mas Vieira desentendeu-se com a empresa, e os novos dirigentes não tomaram conhecimento das qualidades de cantor do jovem barítono. Colocaram-no como Dimas, o “Bom Ladrão” no mistério “O Mártir do Calvário”, de Eduardo Garrido, cartaz rotineiro no período da Semana Santa, e contrataram Vicente Celestino para o papel principal da opereta. Quando Vicente Celestino adoeceu, Eduardo Vieira, que voltara para a companhia, escolheu Jaime para substituí-lo.

Anúncio de O Modesto Filomeno

Em pouco tempo, o jovem ator começou a se impor nos seus primeiros papéis em “Longe dos Olhos”, “Brutalidade”, “Flor do Indostão”, “Aranha Azul”. Dando mais um passo na sua ascenção para o estrelato, Jaime Costa entrou para a companhia de operetas, que Leopoldo Fróes e o tenor português Almeida Cruz organizaram para o Teatro Recreio, onde atuou em “A Casa das Três Meninas”, “Última Valsa” e “Mazurka Azul”. Em virtude de um desentendimento entre Almeida e Fróes, este último fundou uma companhia de comédias e levou Jaime Costa que, com ele, só fez “O Modesto Filomeno”, de Gastão Tojeiro, retirando-se logo a seguir do elenco. Então, Oduvaldo Viana convidou-o para ingressar na companhia de comédias do Teatro Trianon, para substituir o ator Jorge Diniz na comédia “Última Ilusão”, do próprio Oduvaldo. Segundo Mario Nunes em “40 Anos de Teatro (SNT, 1956, 4 vols.), onde o nome e valor de Jaime Costa conseguiram relêvo foi no Trianon. “De promessa que era, tornou-se realidade brilhante. Estreou em “Amigo da Paz”. Seguiram-se os papéis destacados em “Mimoso Colibri”, tipo fortemente cômico, o mulato Clarimundo; ‘Travessuras de Berta”, fina figura de Eduardo; seu Pereira de “Eva no Ministério”; o Basilio da “Zuzú”, mostrando-se artista consciencioso, de um ecletismo raro”.

Anúncio de A Flôr dos Maridosàs 16.36.11

Durante algum tempo, Jaime Costa uniu-se a Belmira de Almeida e Átila de Morais (pai de Dulcina de Moraes) em uma sociedade artística, obtendo sucesso com A Flôr dos Maridos.. Quando esta sociedade se desfez, ele montou seu próprio negócio (Companhia Brasileira de Comédias Jaime Costa) e passou a viver de viagens pelas capitais e pelo interior, até se instalar, no final dos anos trinta, no Teatro Glória na Cinelândia. Em 1925, como ator-empresário, alcançou projeção ao encenar Pirandello ( “Cosi é, se vi pare”/ “Assim é se lhe Parece”), apresentado pela primeira vez em português, numa tradução de Abadie Faria Rosa, com o título curioso de “Pois é Isso“, fazendo o papel do Senhor Ponza. Ele reprisaria o espetáculo dois anos depois, em homenagem ao grande dramaturgo italiano, quando este se encontrava no Rio com uma companhia.

Anúncio de  Sorte Grande no Theatro casino

Em 1926 (18 de junho), a Companhia Jaime Costa inaugurou o Theatro Casino, apresentando a peça  “Sorte Grande”, comédia de Bastos Tigre, criada para a ocasião. Mario Nunes comentou: “Foi um verdadeiro acontecimento artístico e mundano. Apresentação e representação impecáveis. Assunto interessante, diálogos espirituosos, cenários artísticos originais, elegantes os vestuários das damas e dos cavalheiros. É “Sorte Grande” trabalho de crítica social, crítica risonha dos costumes, por vezes irreverente … Há ironia, deliciosos paradoxos, sentença atrevidas. Todos riem, cantam, dançam, sem que ninguém pense que fatos graves andam a decidir da sorte de cada um … Jaime Costa, no papel mais extenso, portou-se com despreocupada desenvoltura, mais vivia que reproduzia o personagem”. No Theatro Cassino ainda foram encenados “Um Homem Encantador”, “Nossas Mulheres”, “Feiosa”, “Foi Ela Quem Me Beijou”, “Dança o Pai … e as Filhas Dançam”, todos estrelados por Jaime Costa. As apresentações da Companhia Jaime Costa cessaram, quando o prédio entrou em obras, a fim de se adaptar para cinema. A Metro-Goldwyn-Mayer alugara o espaço para realizar suas pré-estréias.

Anúncio de Loucura Sentimental

Em 1933, no apogeu de sua carreira, Jaime Costa foi convidado para realizar a temporada oficial de comédia no Municipal. Para compor o elenco a seu lado, escolheu as atrizes Olga Navarro, Lígia Sarmento, Natália Aragão, Arlete e Lenita de Souza, Maria Helena e os atores Armando Rosas, Barbosa Junior, Ferreira Maia, Mário Salaberry, Aurélio Corrêa, Aristóteles Pena. Para a estréia foi selecionada a peça “Mona Lisa” de Renato Viana, sucedendo-se “Dindinha” de Mateus de Fontoura, “História de Carlitos” de Henrique Pongetti, “A Patroa” de Armando Gonzaga e “A Loucura Sentimental” de Benjamim Costallat.

Anúncio de Anna  Christie

Em 1937, o consagrado ator lançou, em rápida temporada no Teatro Rival, o dramaturgo Eugene O’Neill no Brasil, na montagem de “Anna Christie”, com tradução de Benjamin Lima e utilizando cenários de Santa Rosa e, em 1939, também no Teatro Rival, obteve um êxito retumbante com a encenação de “Carlota Joaquina” de Raimundo Magalhães Junior, destacando-se sua interpretação de D. João VI, descrita por Decio de Almeida Prado como “uma criação no estilo do nosso velho teatro, mas cheia de sabor e de pitoresco”.

Jaime como D.João VI

Jaime e seu retrato como D.João Vi

Nos anos quarenta, Jaime Costa brilhou como Domingos Soriano (ao lado de Heloisa Helena, a Filomena) em “Filomena, Qual é o Meu?”, adaptação de Filomena Marturano de Eduardo de Filippo; o Padre Ferreira em “Villa Rica” de Raymundo Magalhães Jr.; Simplício Costa em “O Costa do Castelo” (papel interpretado pelo grande comediante Antonio Silva no filme português do mesmo nome produzido em 1943), o José em “Zé do Pedal”, Seu Trancoso em “O ‘Tal’ Que as Mulheres Gostam”, o Nhonhô em “A Pensão de Dona Estela”, o Pimenta em “O Partido do Pimenta”, o Taveira em “A Família Lero-Lero” etc. e esteve inclusive no teatro de revista ao lado de Joana D’Arc e Dercy Gonçalves em “A Pomba da Paz”.

Captura de tela 2014-03-22 às 22.48.56

Cena de A Morte do Caixeiro Viajanteàs 11.24.00Outros grandes sucessos foram a sua atuação como Willy Loman em “A Morte do Caixeiro Viajante” de Arthur Miller (1951) e como o cardeal português em “A Ceia dos Cardeais” de Julio Dantas (1955), na qual contracenou, sob a direção de Bibi Ferreira, com dois atores admiráveis João Villaret (substituido em São Paulo por Manoel Durães) e Sergio Cardoso. A atuação em “A Morte do Caixeiro Viajante” proporcionou-lhe o prêmio de melhor ator, conferido pela Associação Brasileira de Críticos de Teatro (ABCT) e ele passou a ser reconhecido e respeitado pelas gerações modernas. Na sua crítica no Diário Carioca, de 3/8/1951, Sabato Magaldi escreveu: “Com o espetáculo, Jaime Costa conquistou uma posição privilegiada de intérprete em que os desempenhos contínuos de longa carreira já não faziam mais crer. Foi comovente, patético – um ator raro. A encenação no Glória marca um dos momentos decisivos e importantes da cena brasileira, que a história há de registrar com calor e entusiasmo”.

Cena de A Ceia dos Cardeais

Em 1954, Jaime Costa surpreendeu a todos, anunciando “Os 5 Fugitivos do Juízo Final”, anunciado como “a mais audaciosa peça do teatro brasileiro” e “um original moderníssimo” que era, na verdade, uma sátira social de autoria de Dias Gomes. O espetáculo foi dirigido por Bibi Ferreira, incluindo no seu elenco, além de Jaime, Natalia Timberg e Magalhães Graça, e mereceu elogios da crítica e o apoio de um vasto público.

Captura de tela 2014-04-07 às 17.51.11

Em 1962, Jaime Costa encantou as platéias do Teatro Carlos Gomes como Alfred Doolittle, o pai de Eliza, em “Minha Querida Lady”, a versão brasileira de “My Fair Lady”, ao lado de Paulo Autran e Bibi Ferreira, uma composição notável, com a qual conquistou três medalhas de ouro (Associação Brasileira de Críticos Teatrais, Críticos Independentes e Associação Paulista dos Críticos Teatrais).

Jaime e Bibi em Minha Querida Lady

Em 1966, fez uma participação especial, sob direção de Gianni Ratto, na peça de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”, demonstrando seu enorme talento junto a um dos grupos mais representativos e mais radicais da nova safra de dramaturgia nacional. No dia 30 de janeiro de 1967, 2a feira, dia de folga da companhia, ele viria a falecer de um colapso cardíaco, no apartamento em que vivia, em cima do Cinema Império na Cinelândia.

                                                                                     FILMOGRAFIA

Jaime Costa em A Gigolete

1924. A GIGOLETE Cia. Prod: Benedetti Filme. Dir: Vittorio Verga. Durante o Carnaval, a filha de um pescador (Amélia de Oliveira) é seduzida por Alvaro (Jaime Costa), um janota mal intencionado. O médico da vila (Arthur de Oliveira), enamorado dela, pede-a em casamento, salvando a honra da família. Um dia, o outro aparece reivindicando o filho, mas é escorraçado.

Jaime Costa em Favela dos Meus Amores

Anúncio de Favela dos meus Amores1935. FAVELA DOS MEUS AMORES Cia. Prod: Brasil Vita Filmes. Dir: Humberto Mauro. Dois rapazes boêmios (Jaime Costa, Rodolfo Mayer) decidem instalar um cabaré no morro com o auxílio de um português milionário, louco por mulatas. Um deles se apaixona por uma professora (Carmen Santos), causando ciúmes em um compositor (Armando Louzada), que a ama sem ser correspondido.

Cena de Cidade Mulher

Anúncio de Cidade-Mulher1936. CIDADE MULHER Cia. Prod: Brasil Vita Filmes. Dir: Humberto Mauro. A filha (Carmen Santos) de um empresário teatral (Jaime Costa) mal sucedido nos seus negócios e seu namorado (Mario Salaberry) buscam o patrocínio de uma baronesa rica e excêntrica (Sarah Nobre) para uma nova revista e, com o sucesso do espetáculo, salva o pai da falência.

Pôster de Alô, Alô Carnaval

      ALÔ, ALÔ CARNAVAL Cia Prod: Cinédia e Waldow. Dir: Adhemar Gonzaga. Dois autores principiantes (Barbosa Jr., Pinto Filho) empenham-se em montar, para um empresário (Jaime Costa), adepto do canto lírico, uma revista escrita por eles, intitulada “Banana-da-Terra”. Por fim, o empresário cede e a revista alcança êxito, para alegria de um espectador embriagado e inquieto (Oscarito).

       O GRITO DA MOCIDADE Prod: Vivaldi L. Ribeiro, Raul Roulien. Dir: Raul Roulien. A vida dos estudantes de medicina, entre eles Gaiola (Raul Roulien) e Marca-Passo (Jaime Costa), trabalham como plantonistas em um hospital no Rio de Janeiro, seu relacionamento com as alunas de enfermagem, o socorro a um acidentado, o baile, a operação arriscada, a festa de formatura.

Anúncio de O Grito da Mocidade

         SAMBA DA VIDA Cia. Prod: Cinédia. Prod: Adhemar Gonzaga. Dir: Luiz de Barros. Ao penetrarem em um apartamento, Pedro Paulo, um ladrão apelidado de “filósofo” (Jaime Costa), e dois cúmplices têm a surpresa de encontrar a rica residência desabitada; eles levam suas famílias para o local; até que chega o dono do palacete, complicando a situação.

1938. FUTEBOL EM FAMÍLIA Cia. Prod: Sonofilmes. Dir: Ruy Costa. O professor Leônidas Jaú (Jaime Costa) odeia o futebol, mas seu filho (Arnaldo Amaral), que é um grande artilheiro, aceita um contrato com o Fluminense F.C. na condição de profissional para prosseguir nos estudos de Medicina; ele acaba convertendo o pai em um torcedor do seu clube e casando com a sua namorada (Dircinha Batista).

1940. CÉU AZUL Cia. Prod: Sonofilmes. Dir: Ruy Costa. Proprietário de uma companhia de esquetes musicados Artur Fernandes (Jaime Costa) quer trazer de volta ao trabalho um autor (Oscarito), cujo defeito é beber demais. Porém a sua “protegida”(Heloisa Helena) é contra, porque os espetáculos do teatrólogo não oferecem oportunidade para o estrelismo. Ela então faz tudo para impedí-lo de escrever o show encomendado, mas o amigo dele, cantor e também autor, (Arnaldo Amaral), consegue terminar a revista.

Anúncio de Céu Azul

1944. TRISTEZAS NÃO PAGAM DÍVIDAS Cia. Prod: Atlântida Cinematográfica. Dir: José Carlos Burle, Ruy Costa. Um marido determina à esposa (Ítala Ferreira) em testamento, que ela deverá brincar intensamente o Carnaval, mesmo sendo avessa a isso. A mulher, sem experiência nessa área, aceita a ajuda de um malandro, Benevides (Jaime Costa), também viúvo, e os dois acabam se apaixonando.

1954. MALANDROS EM 4A DIMENSÃO Cia. Prod: Atlântida Cinematográfica. Dir: Luiz de Barros. A filmagem de “Doce Marmelada” é interrompida, porque o produtor Balbini (Jaime Costa) não paga o aluguel do estúdio. Daí ocorrem vários incidentes, até que um milionário, inventor do cinema em quarta dimensão, concorda em financiar o filme.

         TODA A VIDA EM QUINZE MINUTOS Cia. Prod: Sociebrás Filmes. Dir: Pereira Dias. Passageiros de um avião (entre eles Jaime Costa) prestes a cair, relembram passagens de suas vidas e descobrem, em meio ao pânico, a falsidade de seus papéis sociais. Já salvos no aeroporto Santos Dumont do Rio de Janeiro, retomam seu cinismo habitual.

1956. PENSÃO DE DONA ESTELA Cia. Prod: Cinematográfica Maristela / Cinebrás. Dir: Alfredo Palácios, Ferenc Fekete. Em uma pensão à beira da falência hospedam-se um conjunto musical, uma mulher solitária, um contador mulherengo, Nhonhô (Jaime Costa), um médico desempregado, a proprietária e seus dois filhos, um jogador de futebol e uma cantora de rádio, além de um monarquista. Graças ao concurso que elege a empregada da pensão como “rainha dos auditórios”, a hipoteca do local consegue ser saldada.

Cena de A Pensão da D. Stela

       QUEM MATOU ANABELA? Cia. Prod: Cinematográfica Maristela. Dir: Dezso Akos Hamsa. O Comissário Ramos (Prócopio Ferreira) interroga os suspeitos do assassinato (entre eles Jaime Costa) da bailarina Anabela (Ana Esmeralda), obtendo de cada qual uma confissão e uma descrição completamente diferente da personalidade da vítima. O mistério cresce até o final surpreendente.

Anúncio de Quem Matou Anabela?

Cena de Quem Matou Anabela?

1957. OSSO, AMOR E PAPAGAIOS Cia. Prod: Cinematográfica Brasil Filmes. Dir: Carlos Alberto de Souza Barros Cientista anuncia a descoberta de um processo químico que transforma ossos humanos em ouro e provoca, com a notícia, uma verdadeira corrida aos cemitérios, inclusive o Prefeito (Jaime Costa).

Pôster de Osso, Amor e Papagaios

1958. O PÃO QUE O DIABO AMASSOU Cia. Prod: Paulistânia Filmes. Dir: Maria Basaglia. O avarento e ambicioso Alvaro (Jaime Costa), vive à custa do desespero das pessoas que necessitam de um empréstimo financeiro. Cobra juros dobrados para qualquer transação e transforma a vida dos pobres endividados em um verdadeiro inferno.

         MACUMBA NA ALTA Cia. Prod: Paulistânia Filmes. Dir: Maria Basaglia “Doutor”(Jaime Costa), vendedor de bilhetes de loteria, é atropelado pelo carro de Sílvio (Fabio Cardoso), estudante boêmio, filho de um milionário. Como havia bebido, Silvio leva “Doutor” para sua casa, a fim de resolver o caso rapidamente, mas o “Doutor” se aproveita da situação juntamente com seu colega compositor Pinta (Armando Bogus) e sua filha Lena (Rita Cléo).

Cartaz de Macumba na Alta

1959.MATEMÁTICA ZERO, AMOR DEZ Cia. Prod: Emecê Filmes. Lima. Dir: Carlos Hugo Christensen. Julieta (Suzana Freire) casa-se com o médico Carlos Santos (Alberto Ruschel). Após a lua-de-mel, não sabendo o que fazer do seu tempo livre, ela decide voltar para a escola, a contragosto do marido. Diante dos problemas escolares, o professor de Física (Jaime Costa) recomenda um outro, particular, Jacinto (Agildo Ribeiro), que se apaixona pela aluna. Porém Julieta está apaixonada por Carlos e então Jacinto, com a ajuda do professor de Física, arma um estratagema, para que a jovem confesse o seu amor pelo marido, durante uma prova de Fisiologia.

Anúncio de Matemática Zero, Amor Dez

        GAROTA ENXUTA Cia. Prod: Produções Cinematográficas Herbert Richers. Dir: J. B. Tanko. A Fábrica de Automóveis Torpedo quer patrocinar um programa musical de TV mas seu presidente, Dr. Miranda Falcão (Jaime Costa), não deixa sua filha (Nelly Martins) cantar no programa. Ela conhece um servente do estúdio, Popô (Ankito), que também quer colocar no programa uma dupla sertaneja de anões, Cosme e Damião (Zequinha e Quinzinho), e ele e seu irmão Rafael (Agnaldo Rayol), com a ajuda de Otelo (Grande Otelo), o apresentador do espetáculo, vão ajudar Nelly a realizar seu sonho. AMOR PARA TRÊS Cia. Prod: Emecê Filmes e Carlos Hugo Christensen Produções Cinematográficas. Dir: Carlos Hugo Christensen. Mulher (Suzana Freire) de um médico conquistador (Fabio Cardoso) pega-o em flagrante com uma cliente e procura um advogado (Agildo Ribeiro) para cuidar da separação. Os três acabam formando um curioso triângulo em que o papel do marido e o de amante se invertem. O Delegado Almeida (Jaime Costa) a certa altura intervêm.

Pôster de A Viúva Valentina

Cena de A Viúva Valentina

1960. A VIÚVA VALENTINA Cia. Prod: Cinelândia Filmes. Dir: Eurides Ramos. Valentina (Dercy Gonçalves), costureira pobre e viúva, recebe de herança dez ações de um empresa considerada falida. Entretanto, a referida empresa está em recuperação, e dois de seus executivos, o Saraiva (Jaime Costa) e o Laurindo (Francisco Dantas), querendo cada um obter o contrôle da empresa, assediam a viúva, oferecendo-lhe muito dinheiro pela sua parte.

Jaime Costa em O Viúvo Alegre

1961. O VIÚVO ALEGRE Cia. Prod: Produções Cinematográficas Herbert Richers. Dir: Victor Lima. Danilo (Zé Trindade), um inveterado “boa vida” fica viúvo na noite de núpcias, e herda a maior fortuna do reino da Momóvia, criando um problema politico internacional. Jaime Costa é o Embaixador Nicolaiev.

       QUANTO MAIS SAMBA MELHOR Cia. Prod: Atlântida Cineatográfica. Dir: Carlos Manga. Pianista e chefe de orquestra (Cyll Farney) trabalha contrariamente à sua vontade em um clube de jazz e trabalha ativamente para realizar um espetáculo que traga de volta o rimo quente e gostoso da música brasileira; porém esbarra na intransigência de Ademar (Jaime Costa), dono de uma boate, que prefere as atrações americanas.

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      TUDO LEGAL Cia. Prod: Produções Cinematográficas Herbert Richers. Dir: Victor Lima Dois ingênuos biscateiros (Ronald Golias, Jô Soares) da zona portuária do Rio de Janeiro envolvem-se com uma perigosa quadrilha de contrabandistas, chefiada pelo Dr. Galileu (Jaime Costa).

          OS DOIS LADRÕES Cia. Prod: Atlântica Cinematográfica. Dir: Carlos Manga. Jonjoca (Oscarito) e Mão Leve / Carlos (Cyll Farney) são dois hábeis bandidos, sendo o primeiro, um mestre do disfarce e o segundo, um ladrão que ajuda instituições de caridade. Juntos, conseguem roubar as jóias de Madame Fortuna (Eva Todor) e, em seguida, as vendem para Gregório (Jaime Moreira Filho), um receptador. Roberto (Sergio Roberto), o irmão de Mão Leve, retorna subitamente da Universidade e anuncia seu casamento com a sobrinha Teresa (Lenita Clever) de Madame Fortuna. Para ajudar o irmão, Mão Leve decide devolver as joias roubadas e tenta desfazer o negócio com Gregório. Mas não vai ser fácil. Jaime Costa é Panaricio Fagundes, tio de Teresa.

Pôster de Os Dois Ladrões

       BOM MESMO É CARNAVAL Cia. Prod: Produções Cinematográficas Herbert Richers. Dir: J. B. Tanko. Durante o carnaval, o coronel Polidoro (Zé Trindade) põe a funcionar a sua máquina eleitoreira contra seu adversário político, o comerciante Ambrósio (Jaime Costa).

          MULHERES, CHEGUEI! Cia. Prod: Produções Cinematográficas Herbert Richers. Dir: Victor Lima Zeferino (Zé Trindade), gerente de banco, posa de marido exemplar para o sogro, Sr. Mercante (Jaime Costa), e a esposa Amélia (Laura Suarez), mas tem suas infidelidades a descoberto pela indiscrição de uma empregada e a inabilidade de um grupo de ladrões.

Cartaz de Mulheres Cheguei!

1964. VAGABUNDOS NO SOCIETY Cia. Prod: Produções Luiz de Barros e Satélite filmes. Dir: Luiz de Barros. Milionário (Delorges Caminha) retorna à sua mansão na companhia de três vagabundos (Jaime Costa, Ary Leite, Mario Tupinambá), para enfrentar a ganância de seu sobrinho (Odilon Azevedo) e esposa (Rosângela Maldonado).

1965 CRÔNICA DA CIDADE AMADA Cia. Prod: Serrano filmes. Dir: Carlos Hugo Christensen. Rot: Millor Fernandes, Carlos Hugo Christensen. Onze histórias de vários escritores brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Orígenes Lessa, Paulo Mendes Campos, Paulo Rodrigues. Jaime Costa aparece no episódio “Luiza”.

OS MELHORES WESTERNS DE JOHN STURGES

July 18, 2014

 

 

Realizador de filmes “B” e/ou “Co-features” interessantes no início de sua carreira (O Signo de Aries / The Sign of the Ram / 1948, Sete Homens Maus / The Walking Hills / 1949, A Noite de 23 de Maio / Mystery Street / 1950, Nobre Rebelde / The Magnificent Yankee / 1950, Bondade Fatal / Kind Lady / 1951, A Um Passo do Fim / The People Against O’Hara / 1951, Vida contra Vida / Jeopardy / 1953), dois filmes de guerra excelentes (Fugindo do Inferno / The Great Escape / 1963, A Águia Pousou / The Eagle has Landed / 1976) e a obra-prima (Conspiração do Silêncio / Bad Day at Black Rock / 1954), entre alguns trabalhos frustrados (vg. O Velho e o Mar / The Old Man and the Sea / 1958, Quando Explodem as Paixões / Never So Few / 1960), John Sturges fez pelo menos sete westerns importantes, confeccionados com boa técnica (aprendida desde a sala de corte), embora inferiores aos de Anthony Mann, Budd Boetticher e Delmer Daves: A Fera de Forte Bravo / Escape from Fort Bravo / 1953, Punido pelo Próprio Sangue / Backlash / 1956, Sem Lei e Sem Alma / Gunfight at O.K. Corral / 1957, Duelo na Cidade Fantasma / The Law and Jack Wade / 1958, Duelo de Titãs / Last Train from Gun Hill / 1959, Sete Homens e um Destino / The Magnificent Seven / 1960 e A Hora da Pistola / Hour of the Gun / 1967). Era o seu gênero preferido, conforme ele próprio declarou aos jornalistas.

John Sturges

A FERA DE FORTE BRAVO / ESCAPE FROM FORT BRAVO / 1953. MGM.

Pôster de A Fera de Forte Bravo

Durante a Guerra Civil, Forte Bravo, situado no Arizona, serve de campo de prisioneiros sulistas, que são vigiados pelo duro e implacável Capitão Roper (William Holden), segundo oficial no comando. O terceiro oficial no comando, Tenente Beecher (Richard Anderson), diplomado por West Point, está noivo de Alice Owens (Polly Bergen), filha do comandante do forte (Carl Benton Reid). Entre os Confederados estão um soldado veterano, Campbell (William Demarest), um soldado temperamental, Cabot Young (William Campbell) e um soldado mais jovem e sensível, Bailey (John Lupton), que receia ser um covarde. Uma manhã, juntamente com o Capitão John Marsh (John Forsythe), eles não respondem à chamada. Os quatro conseguiram fugir graças a Carla Forester (Eleanor Parker), que chegara ao forte para libertar seu noivo (Marsh) e flertara com Roper, a fim de desviar sua atenção. Ressentido, Roper se lança à perseguição dos fugitivos e, quando os recaptura, surgem os Mescaleros.

Cena de A Fera de Forte Bravo

William Holden e Eleonor Parker em A Fera de Forte Bravo

Cena de A Fera de Forte Bravo

Cena de A Fera de Forte Bravo

Cena de A Fera de Forte Bravo

Fotografado por Robert Surtees no Desert Valley e New Mexico no formato pre-CinemaScope da MGM (1.66:1), o filme se tornaria o mais lucrativo de Sturges. A história original de Michael Pate – Philllip Rock, intitulada “Rope’s End”, foi roteirizada por Frank Fenton e Robert Surtees designado como fotógrafo: ele filmou em Ansco Color, marcando a despedida do diretor dos programmers em preto e branco. A partitura de Jeff Alexander, misturando composição original ( balada cantada por Stan Jones que serviu também de tema de amor durante todo o filme) e árias folclóricas e militares, soube manter-se discreta e mesmo ausente, notadamente na meia-hora final. O filme enfatiza a cooperação mútua entre ianques e rebeldes, para enfrentar um inimigo comum. Sturges utiliza todos os elementos da paisagem do Vale da Morte (rochas, nuvens pesadas de tempestade, desfiladeiros, planaltos descobertos etc.) como peças de uma estratégia idealizada pelos índios. A sequência em que estes cercam o pequeno grupo de brancos e lançam do alto da colina uma chuva de flechas sibilantes sobre eles é realmente notável.

PUNIDO PELO PRÓPRIO SANGUE / BACKLASH / 1956. Universal-International.

Pôster de Punido Pelo Próprio Sangue

Em Gila Valley no Arizona, logo após a Guerra Civil, Jim Slater (Richard Widmark) e Karyl Orton (Donna Reed) envolvem-se na identificação de cinco homens brancos massacrados pelos Apaches e do único sobrevivente, que traíra seus companheiros e ficara com os sessenta mil dólares em ouro, que eles possuíam. Karyl quer recuperar a parte que cabia a seu marido, um dos que pereceram na matança, e Jim quer vingar seu pai, que abandonara a família anos antes, e teria sido também uma das cinco vítimas da chacina. Na sua investigação, Jim é obrigado a matar um ajudante do xerife, Tommy Welker (Regis Parton), que o atacara, sendo perseguido pelos irmãos do falecido, Tony e Jeff (Harry Morgan, Robert J. Wilke) e se encontra com: um sargento da cavalaria, George Lake (Barton MacLane), que enterrara os corpos dos falecidos; apaches em pé-de-guerra; um pistoleiro, Johnny Cool (William Campbell); um fazendeiro, ex-major da Guerra Civil, Major Carson (Roy Roberts) em disputa com um vizinho ladrão de cavalos chamado Jim Bonniwell (John McIntire). Jim descobre que Bonniwell é seu pai e o “sexto homem”, resultando um confronto final Edipiano.

Richard Widmark em Punido Pelo Próprio Sangue

Donna Reed em Punido Pelo Próprio Sangue

John McIntire em Punido Pelo Próprio Sangue

Originalmente intitulado “Fort Starvation” e com roteiro de Borden Chase baseado no romance de Frank Gruber, o filme foi rodado em Nogales, Arizona e na cidade de fachada erguida no Old Tucson Studios (a mesma usada em Winchester 73) sob um calor intenso e alguns percalços: uma carruagem tombou durante uma manobra arriscada resultando ossos quebrados e contusões nos seus condutores e um refletor caiu de um telhado, mandando o fotógrafo Irving Glassner para o hospital. O elemento de mistério dá originalidade ao espetáculo. Por sua trama tortuosa e tema freudiano, o filme lembra o filme de Anthony Mann citado, também roteirizado por Borden Chase (e outro parceiro); porém Sturges não teve a mesma criatividade que Anthony Mann, limitando-se a manter a narrativa sob controle. O duelo derradeiro entre pai e filho é um exemplo da perfeição técnica na maneira de se apresentar uma cena de violência.

SEM LEI E SEM ALMA / GUNFIGHT AT O.K. CORRAL / 1957. Paramount.

PÔster de Sem Lei  e Sem Alma

O enredo episódico cobre o período do primeiro encontro entre Wyatt Earp (Burt Lancaster) e Doc Holiday (Kirk Douglas) em Fort Griffin, no Texas, até o tiroteio no O.K. Corral, em Tombstone, contra Ike Clanton (Lyle Bettger) e seu grupo, depois de uma passagem por Dodge City. É dado também relevo às relações tempestuosas entre Holiday e sua amante Kate Fisher (Jo Van Fleet) e ao namoro de Wyatt com uma jogadora, Laura Denbow (Rhonda Fleming).

Burt Lancaster e Kirk Douglas em Sem Lei e Sem Alma

Cena de Sem lei e Sem Alma

Cena de Sem lei e Sem Alma

Cena de Sem lei e Sem Alma

Stuart N. Lake, biógrafo de Wyatt Earp, submeteu um script ao produtor Hal Wallis, mas este o rejeitou, e entregou a tarefa a Leon Uris, que providenciou um tratamento desvirtuando o fato histórico, (tal como fêz John Ford em Paixão dos Fortes / My Darling Clementine / 1946), e focalizando principalmente a relação de amor e ódio entre Earp e Holliday. A fotografia em Technicolor e Vista Vision foi entregue a Charles Lang Jr. e Dimitri Tiomkin compôs uma trilha musical parecida com a de Matar ou Morrer / High Noon / 1952, colaborando novamente com Ned Washington em uma balada título, desta vez cantada por Frankie Laine. Filmado na área adjacente do Paramount Ranch (Long Branch Saloon, cenas de rua) e no Old Tucson Studios e outras locações no Arizona (salão de barbeiro, interiores do Hotel Cosmopolitan, Fort Griffin e exteriores de Dodge City; rancho dos Clanton; duelo final, “coreografado como um balé”, como explicou Hal Wallis), o espetáculo foi um sucesso de bilheteria e recebeu indicações para o Oscar nas categorias de Melhor Som e Melhor Montagem. O excesso de situações e personagens quase chegou a desequilibrar o ritmo da narrativa, porém Sturges, com sua experiência no gênero, conseguiu manter o espectador atento até o ajuste de contas final (que dura seis minutos na tela, mas levou 44 horas para ser filmado), admiravelmente encenado.

DUELO NA CIDADE FANTASMA / THE LAW AND JAKE WADE / 1958. MGM.

Pôster de Duelo na Cidade Fantasma

O bandido Clint Hollister (Richard Widmark) vai ser enforcado. Seu ex-cúmplice, Jake Wade (Robert Taylor), consegue libertá-lo. Clint insiste para que Jake lhe diga onde escondeu os vinte mil dólares que roubaram de um banco, mas ele, agora xerife e noivo de Peggy (Patricia Owens), se recusa a fazer tal revelação (Jake pensa que matou uma criança durante o último assalto, daí a sua conversão para o lado da lei). Mais tarde, Clint e seus outros antigos companheiros, Rennie (Henry Silva), Ortero (Robert Middleton), Wexler (DeForest Kelley) e Burke (Eddie Firestone) encontram Jake e o aprisionam, juntamente com sua noiva, obrigando-o a conduzí-los até à cidade fantasma, onde escondera o produto do roubo.

Richard Widmark e Robert Taylor em Duelo na Cidade Fantasma

Cena de Duelo na Cidade Fantasma

Richard Widmark em Duelo na Cidade Fantasma

Cena de Duelo na Cidade Fantasma

Cena de Duelo na Cidade Fantasma

Rodado em CinemaScope principalmente nas Montanhas Rochosas cobertas de neve, onde a temperatura chega perto de zero, o filme tem aspectos psicológicos (a relação de amizade ambígua entre Jake e Clint; o ódio que Wexler tem de Jake; o degenerado Rennie, que confessa ter matado o próprio pai) e sociais (Clint: “Durante a guerra eles me nomearam oficial para fazer as mesmas coisas pelas quais me enforcariam uma semana antes”). Os cenários naturais das Montanhas Rochosas e a cidade fantasma recriada em estúdio são perfeitamente integrados à história. No ataque noturno dos comanches, suas flechas e vultos provocam uma angústia de grande poder dramático, sequência de ação que rivaliza, em termos de excitação, com as de A Fera de Forte Bravo.

DUELO DE TITÃS / LAST TRAIN FROM GUN HILL / 1959. Paramount.

Pôster de Duelo de Titãs

O xerife Matt Morgan (Kirk Douglas), de uma cidade vizinha, desembarca em Gun Hill à procura dos estupradores e assassinos de uma jovem índia (Ziva Rodann), que era sua esposa. Ele descobre que um dos culpados é Rick (Earl Holliman), filho de um antigo parceiro, Craig Belden (Anthony Quinn), que se tronou um rico pecuarista e “controla” toda a comunidade. Embora perturbado por esta revelação, Belden recusa-se a lhe entregar o filho. Morgan espera por Rick na cidade e o captura, mantendo-o preso em um quarto de hotel até que chegue o último trem que sairá de Gun Hill enquanto Belden e seus homens, cercam o local e planejam o resgate do rapaz. Apesar de conquistar a simpatia da amante de Belden, Linda (Carolyn Jones), uma “madame” empresária como Katy Jurado em Matar ou Morrer, o representante da lei, tal como o xerife deste filme de Fred Zinnemann, fica sozinho contra todos: porém a despeito de tudo, deve prender o criminoso.

Cena de Duelo de Titãs

Anthony Quinn e Kirk Douglas em Duelo de Titãs

Kirk Douglas e Carolyn Jones em Duelo de Titãs

Anthony Quinn e Kirk Douglas em Duelo de Titãs

Cena de Duelo de Titãs

Baseada em uma história de Les Crutchfield, roteirizada por James Poe (com cenas adicionais e/ou reescritas por Dalton Trumbo) e música de Dimitri Tiomkin, a produção foi filmada por Charles Lang Jr. em Technicolor e Vista Vision no Old Tucson Studios (o rancho de Belden, saloon, interiores do hotel, tiroteio na estação ferroviária) e no histórico Empire Ranch, situado no sudeste de Tucson. Para começar, o diretor mostra belas imagens em um cenário natural de cores maravilhosas, e logo surge o drama e o começo de um suspense, sempre renovado (e com uma situação reminiscente da trama de Galante e Sanguinário / 3:10 to Yuma / 1957 de Delmer Daves), que permanecerá até o final. O conflito psicológico opõe dois velhos amigos em um ajuste de contas estritamente familiar, alterando situações teatrais de tragédia com cenas de ação e movimento. A tensão aumenta na sequência em que Matt com o rifle no queixo de Rick, atravessa lentamente a rua principal de Gun Hill de pé na carreta de enterro; após atingir seu ponto culminante com a morte de Rick e de Belden, o nervosismo é seguido por um incêndio em um ambiente perturbador.

SETE HOMENS E UM DESTINO / THE MAGNIFICENT SEVEN / 1960. Mirisch.

Pˆster de Sete Homens e um Destino

Atormentados por Calvera (Eli Wallach) e seu bando, que saqueiam regularmente suas colheitas, os camponeses pedem auxílio a um grupo de mercenários, Vin (Steve McQueen), Chico (Horst Büchholz), O’Reilly (Charles Bronson), Lee (Robert Vaughn), Britt (James Cobunr) e Harry Luck (Brad Dexter), que são recrutados com muito discernimento por Chris (Yul Brynner), seu futuro líder. Depois de muitos combates sangrentos, no decorrer dos quais quatro mercenários perdem a vida, a aldeia é libertada

Os Sete

Cenas de Sete Homens e Um Destino

Eli Wallach em Sete Homens e Um destino

Charles Bronson em Sete Homens e Um Destino

Cena de Sete Homens e Um Destino

Trata-se, nada mais nada menos, que uma “refilmagem” de Os Sete Samurais / Sichinin no Samurai / 1954 de Akira Kurosawa, com a transposição do ambiente para uma aldeia mexicana. Houve discussão quanto aos créditos de roteirista. Walter Newman, cuja versão “está na sua maior parte na tela”, não pôde retornar ao México para fazer algumas modificações no script exigidas pelos censores mexicanos e William Roberts foi contratado para fazer este serviço. Quando Roberts pediu ao Writers Guild of America para ser reconhecido como co-roteirista, Newman pediu que seu nome fosse retirado dos créditos. Filmado por Charles Lang Jr. em Panavison e Color De Luxe em Cuernavaca, Durango, Morales, Tepotzlan e Estúdios Churubusco no México e musicado por Elmer Bernstein, cujo tema de abertura onipresente se tornou famoso, este western aborda o tema inesgotável da defesa dos oprimidos, mas com um toque contemporâneo. No enredo, um grupo de profissionais executa uma missão perigosa visando somente ao lucro, diferentemente da trama clássica do pistoleiro solitário que enfrenta os bandidos pelo que ele acredita que é correto. É verdade que os mercenários acabam descobrindo um sentido moral para a defesa daquela população intimidada; porém, mesmo assim, nunca serão vencedores. Chris sabe disso: “Os fazendeiros ganharam. Nós perdemos. Nós sempre perdemos”.

A HORA DA PISTOLA / HOUR OF THE GUN / 1967. Mirisch.

Pôster de A Hora da Pistola

Ike Clanton (Robert Ryan) sobreviveu ao confronto com os Earp e Doc Holiday no O. K. Corral. Ele se vinga de Wyatt (James Garner), mandando matar seus irmãos Morgan (Frank Converse) e Virgil (Sam Melville). Virgil fica aleijado e Morgan morre. Movido por um ódio implacável, Wyatt persegue Clanton. A princípio age por meios legais, mas depois se descontrola. Wyatt vai eliminando um por um os pistoleiros e finalmente mata o próprio Clanton em um duelo.

Robert Ryan em A Hora da Pistola

Jason Robards Jr. e James garner em A Hora da Pistola

Cena de A Hora da Pistola

Cena de A Hora da PistolaPara realizar essa sequência de Sem Lei e Sem Alma, trabalhando sobre um roteiro original de Edward Anhalt e contando com a colaboração do fotógrafo Lucien Ballard e do compositor Jerry Goldsmith, Sturges voltou aos estúdios Churubusco na cidade do México. Porém, os exteriores de Tombstone foram filmados em Torréon (onde, perto de uma estrada de ferro, uma equipe ergueu uma cidade de fachada) e o acerto de contas climático com Ike Clanton no pátio de uma fazenda perto de Sam Miguel de Allende. Quando John Ford filmou a rivalidade entre os Earp e os Clanton em Paixão dos Fortes, todos os personagens possuíam uma grandeza indiscutível. Dez anos depois, a visão do oeste se modificou e, nesse western cruel e melancólico, Sturges apresentou Earp não como um herói, mas como um assassino. A certa altura da narrativa um personagem diz: “Não são mandados de prisão que você tem, são permissões para matar”. O filme mostra o declínio moral de Wyat Earp, que passa de homem da lei a vingador impiedoso. O cineasta usa a serenidade de Doc Holiday (Jason Robards Jr.) como um contraponto aos excessos de Wyatt e, nesta tentativa de desmitificar um herói lendário, o espetáculo assume um tom quase elegíaco.

 

GILBERTO SOUTO ENTRE OS ASTROS E AS ESTRELAS

July 4, 2014

Ele foi um dos fãs mais ardorosos da sétima arte, um grande publicista, e um jornalista privilegiado, que pôde conviver intimamente com os seus ídolos na época áurea de Hollywood.

Gilberto Souto às 13.25.14

Gilberto Souto nasceu no Rio de Janeiro no dia 15 de maio de 1906 e cresceu como um menino das Laranjeiras colecionador de fotos de artistas, que se tornou profundo conhecedor em assuntos relacionados à tela. Em 1925, começou sua carreira profissional como repórter do “Correio da Manhã”, escrevendo sobre cinema. Em julho de 1932, foi para Los Angeles como correspondente da revista CInearte, substituindo Lamartine S. Marinho, que ali exercera essa função desde 1927. Gilberto criou a coluna “Hollywood Boulevard”, realizando reportagens e entrevistas com as personalidades da indústria cinematográfica norte-americana, e depois a seção Futuras Estréias, noticiando sobre os novos lançamentos da “Fábrica de Sonhos”.

Gilberto Souto

GIlberto no dia de sua partida para Los Angeles com o pessoal da CinédiaFechada a Cinearte em 1942, Gilberto não voltou logo ao Brasil, prestando serviço à empresa de Walt Disney como relações públicas, publicitário e conselheiro para filmes ambientados em nosso país. Em 1952, retornou à sua terra natal, para assumir a chefia do Departamento de Publicidade da United Artists, onde ficou até o início de 1966, quando se aposentou. Em 18 de setembro de 1960, Gilberto voltou a trabalhar no “Correio da Manhã” como cronista, criando a coluna Cinema, Ontem e Hoje (a primeira matéria intitulava-se “As Inesquecíveis”, na qual falava sobre Bette Davis, Joan Crawford, Dolores Del Rio e Greta Garbo), que depois transferiu para “O Globo”. Em 1966, ganhou o premio especial “Sací”, atribuído pelo jornal “Estado de São Paulo em reconhecimento à sua carreira.

Gilberto e Jeannette MacDonald no set de A Víúva Alegre

Conhecí Gilberto no começo dos anos sessenta por intermédio de Hugo Barcellos, que foi meu professor no Curso de Cinema da A.S.A. e depois me convidou para dividir com ele as críticas de cinema do “Diário de Noticias. Nunca me esquecerei dos deliciosos bate-papos que Barcellos e eu tivemos – com aquele verdadeiro gentil-homem, pela sua postura sempre elegante e afabilidade sincera com que recebia a todos -, no escritório da United Artists, saciando nossa curiosidade cinematográfica com as histórias de bastidores, que ele nos contava sobre os habitantes da Meca do Cinema.

Gilberto com Jean HarlowInfelizmente Gilberto nos deixou muito cedo, falecendo aos 66 anos, sem concluir um livro que contaria a história de seus cinquenta anos dedicados ao cinema. Ele morreu de enfarte no dia 10 de setembro de 1972. Gilberto sentiu os primeiros sintomas no dia 2, a bordo do navio Augustus, quando voltava de Lisboa para o Brasil, depois de visitar Cannes e Londres. Ao desembarcar, dia 7, foi levado de ambulância para o Prontocor, onde não mais se recuperaria. Partiu em direção ao céu, para ficar novamente perto de astros e estrelas.

Gilberto com Cary Grant

Gilberto com  Frances Dee

Gilberto com Anita PageComo homenagem a Gilberto Souto, reproduzo uma de suas crônicas, intitulada “O Cinema Falado, no Rio, Há 35 Anos!”, publicada no “Correio da Manhã” em 28 de junho de 1964.

Cena de Broadway Melody

Corria o mês de junho de 1929. Fazia um pouco de frio, mas os dias eram de sol, de céu azul, céu lavado, como dizem os portuguêses. Os cariocas torciam pela vitória de Olga Bergamini, que partira para os Estados Unidos, onde, em Gavelston, representaria o Brasil no Concurso Internacional de Beleza, de cujo júri fazia parte o famoso diretor de Hollywood, King Vidor. O “Correio da Manhã estampava na primeira página uma grande foto da encantadora brasileira ao lado do célebre prefeito de Nova York, James Walker, que a recebera oficialmente, logo de sua chegada àquela cidade, a caminho do Texas. Junho prometia também José Iturbi, em recital de piano, muito antes de sonhar com Hollywood e os tecnocoloridos da MGM; no Teatro Lírico, hoje apenas uma saudosa lembrança, estava a companhia francesa de Milton, Alice Cocéa, Pierre Meyer e Doriane, com deliciosas operetas como “Comte Obligado” e “Dedé”; no Carlos Gomes, a querida Margarida Max estrelava, com sucesso, a revista “Guerra ao Mosquito!” – e, ao que parece, o danado sobreviveu, porque ainda atormenta a cidade!. O Rio esperava pelo lançamento do Cinema Falado, que São Paulo já conhecia, pois ali, no Cinema Paramount, um mês antes, fora estreado O Patriota com Emil Jannings, que apenas balbuciava duas palavras: “Pahlen! Pahlen!”, ao ser assassinado, clamando por seu Primeiro Ministro (Lewis Stone). Na verdade, São Paulo vira apenas um filme sincronizado, musicado e com efeitos sonoros.

Cena de Broadway Melody

Francisco Serrador, nome que jamais será pouco lembrar e enaltecer, exibidor de visão e coragem, querido pelo público de suas casas, remodelava o Palácio Teatro (hoje, apenas, Palácio, no mesmo local), na Rua do Passeio, preparando, juntamente com a Metro-Goldwyn-Mayer, o lançamento de Broadway Melody, musicado, com diálogos, danças e ruídos. Fêz na semana passada, no dia 20, 35 anos que ocorreu essa estréia! No dia 10, este jornal publicava um anúncio que avisava: “Hoje e amanhã despedida dos filmes silenciosos”. Estavam em cartaz no Palácio A Dança Rubra com Dolores del Rio (Fox Film) e Jazzlândia com Jobyna Ralston e Robert Frazer (Programa Serrador). No dia seguinte, novo anúncio: “Eu irei, tu irás, ele irá, nós iremos, vós ireis, eles irão ver Broadway Melody no Palácio Teatro, Companhia Brasil Cinematográfica”. Num canto, em letras grandes: CINEMA FALADO e, como ilustração, um desenho (impagável!); a cabeça de uma garota da época, a melindrosa, de cuja boca saía um pedaço de fita! E, como hoje se faz, anunciavam-se também os discos do filme: “À venda na casa Paul J. Christoph, Rua do Ouvidor nº 98, os seus melhores foxtrots, em gravações Victor, números 21.886 e 2.957”. No corpo do jornal, uma nota explicava que: “… Broadway Melody estreou em fevereiro no Chinese Theatre, de Hollywood, com a presença de astros e estrelas.

Cartaz de Broadway Melody

Outra declarava: “O Cinema falado! – Até que enfim! – é o desabafo do fã, de quem gosta de cinema e está farto de ouvir falar de cinema falado, sem conhecê-lo. A inauguração se fará às 9 horas da noite com a presença do presidente da República, ministros de Estado e demais representantes das altas esferas governamentais, bem como do corpo diplomático, para os quais já foram reservados frisas e camarotes especiais. O programa, como já se anunciou, se comporá de três filmes. Dois como complemento de apresentação da formidável produção da Metro Goldwyn Mayer, que é Broadway Melody com Anita Page, Bessie Love e Charles King. Os dois pequenos filmes consistem em termos na tela o sr. Sebastião Sampaio, consul geral em Nova York, que se dirige aos seus patrícios em uma rápida apresentação do espetáculo. O segundo consta de três canções por uma artista de opereta, Yvete Rugel. No dia 20, houve, segundo este jornal, uma avant-première à tarde. Falando do sr. Sebastião Sampaio, dizia: “ … em breves palavras, ele oferece o Movietone e o Vitaphone ao público (Obs. minha: os dois shorts apresentados como complemento foram gravados no sistema Movietone e o filme de longa-metragem no sistema Vitaphone), sendo suas palavras perfeitas na dicção e claras bastante para serem ouvidas por todos. A sincronização é admirável e aos gestos seguem-se as expressões exatas. Três são as figuras principais, Bessie Love, que possui voz com excelente dicção, Anita Page e Charles King, que canta várias canções com muito sentimento. A sua declaração a Anita Page é de muito romantismo e a sua voz repassada de doçura, impressionará vivamente a platéia. As cenas que se passam em um teatro de revistas deixam ver um deslumbramento de montagem, cenários riquíssimos e uma grande parte colorida. Os espectadores ficam maravilhados ainda com os efeitos sonoros, os sapateados das bailarinas, os assobios, o barulho de portas que batem, os sons diferentes de instrumentos, o movimento intenso de uma casa de músicas, as gargalhadas, as palmas e o choro das estrelas.”

Cena de Broadway Melody

Para maior esclarecimento, diremos que as alusões a Movietone e Vitaphone referiam-se ao fato de que, nos primeiros tempos, os filmes eram gravados pelo processo Movietone (na própria película) e Vitaphone (em discos). Este último ocasionava sérias dificuldades pois, se o filme arrebentasse, a sessão era interrompida, até que recomeçasse tudo de novo, do principio da parte, porque dificilmente o operador poderia sincronizar filme e disco. O presidente então era o Dr. Washington Luiz – que seria deposto em outubro do ano seguinte – e este não compareceu à estréia, como se tinha anunciado. O filme ficou em cartaz durante 11 dias. Os preços cobrados eram: matinées, platéia 4$000 hoje quatro cruzeiros e balcão, três mil reis; de noite, um cruzeiro a mais em cada ingresso. As sessões se realizavam às 2 e 4 da tarde, e oito e dez da noite. A parte colorida era a do bailado – “O Casamento da Boneca Pintada”, e as suas outras músicas de sucesso ainda hoje populares, “Broadway Melody” e “You’re are Meant for Me”. O sr. Sebastião foi também, durante muitos anos, jornalista de renome, havendo trabalhado no velho “Jornal do Comércio”. No complemento, Yvette Rugel cantava três canções, duas das quais “Gianina Mia” e “Roses of Picardy”. A cidade ficou maravilhada com a novidade, que era comentada em todas as rodas.

Cenas de Broadway Melody

O Cinema Falado vinha destronar o Silencioso, mesmo que muitos o fossem combater, durante alguns anos em debates e polêmicas pelos jornais. Alguns profetizaram que seria apenas uma novidade, a ser abandonada logo depois. Mas o Falado ai está e há, nas gerações atuais, muitas pessoas que jamais viram um filme silencioso. Houve também pesquisas, feitas por muitos jornais, as eternas entrevistas com personalidades de renome , procurando delas saber o que achavam da novidade. Um purista – creio que um velho professor – chegou a declarar que o Cinema Falado poderia corromper o português em virtude da constante audição do idioma inglês! Houve músicas (se não me engano uma de Noel Rosa, que não perdia ocasião de gozar assunto da cidade) sobre a novidade e, durante muito tempo, foi o Cinema Falado assunto de discussões e comentários de parte de toda a população do Brasil. Nos primeiros dias, Broadway Melody foi exibido sem letreiros, tendo apenas o resumo de seu argumento e de suas situações explicadas nos programas. Maravilhado pela novidade e fascinado pela música e danças, o espectador não reclamava, quando surgiam as partes dialogadas em inglês, às vezes recorrendo a alguém que lhes traduzisse, o que os atores diziam. Se a tradução era dada em voz alta, havia protestos dos que conheciam o inglês, o que não deixava de ser engraçado.

MCena de Broadway melody

Na Metro, porém, tratava-se de procurar um meio de sanar essa dificuldade, quando Adolfo Judall, um dos seus diretores, imaginou a possibilidade de fazer no filme, o que se faz num jornal: legenda em baixo de fotografias. Apela, então, para Paulo Benedetti, um gênio: inventor (já havia ele próprio, criado um sistema seu de cinema falado, como outro de filme colorido), cinegrafista, conhecedor profundo dos segredos de laboratório, produtor de filmes, pioneiro no cinema brasileiro e, principalmente, um dos homens mais corretos a quem já tive a honra de ter conhecido. Era o mágico de que necessitava a Metro e ele resolveu o problema. Dias depois, o filme já se apresentava com dez letreiros em algumas cenas importantes, letreiros sobrepostos, como hoje vemos em qualquer fita. Trabalhando arduamente, puderam apresentar o filme com novas legendas, até que, ao findar a sua exibição, já continha cerca de cinquenta letreiros. Se não me engano, foi esta a primeira vez que o processo de legendas sobrepostas foi utilizado em qualquer parte do mundo.

HENRI-GEORGES CLOUZOT

June 26, 2014

Henri-Georges Clouzot fêz apenas dez filmes de ficção de longa-metragem, mas suficientes para colocá-lo entre os diretores mais consagrados do cinema francês.

Henri-Georges Clouzot

Ele nasceu em Niort no dia 20 de novembro de 1907, filho de Georges e Suzanne Clouzot. Suzanne transmitiu para seus três filhos (Henri, Jean e Marcel), a paixão familiar pela leitura e pela música. Quando o pai, com dificuldades financeiras, teve que vender sua livraria e sua tipografia, a família se transferiu para Brest, onde Henri, para realizar o desejo da mãe, tentou entrar para a Escola Naval. Entretanto, por causa de uma miopia no olho esquerdo, teve que abandonar o curso. O rapaz começou então fazer o curso de Direito Internacional e Ciências Políticas com a intenção de ser diplomata, mas achou que não tinha dinheiro suficiente para seguir esta carreira.

Para se sustentar, Henri tornou-se secretário do deputado da Lorena, Louis Marin, durante algum tempo. Em 1928, com vinte e um anos de idade, Clouzot deixou de viver com seus pais, que haviam se mudado para Paris, e se instalou no Hotel Proust, rue des Martyrs, com uma jovem marselhesa Mireille Ponsard. Nessa ocasião, seis meses como cronista no jornal Paris-Midi, sob as ordens de Pierre Lazareff, o colocaram em contato com o mundo do espetáculo.

Pôster de Une Soir de Rafle

No início dos anos trinta, uma nova companheira, a atriz Oléo, sabendo da pretensão de seu amante de ser escritor, apresentou-o a René Dorin, um dos cançonetistas mais populares da época. Clouzot aprendeu com Dorin as primeiras manhas da dramaturgia, escrevendo canções e esquetes para o teatro de revista. Após dois anos e meio de colaboração com Dorin, Clouzot colocou sua pena a serviço do cançonetista Mauricet. Ao escrever, juntamente com Henri Jeanson, um roteiro de esquete para Mauricet estrear no cinema francês, acabou sendo contratado pelo produtor Adolphe Osso como roteirista de filmes de Carmine Gallone (Un Soir de Rafle / 1931; Ma Cuisine de Varsovie / 1931, Le Roi des Palaces / 1932), Viktor Tourjansky (Le Chanteur Inconnu / 1931) e Jacques de Baroncelli (Le Dernier Choc / 1932). Em 1931, foi roteirista-adaptador de Je serai seule après minuit (Dir: Jacques de Baroncelli) e realizou um curta-metragem de 15 minutos, La Terreur des Batignoles. Na trama, um ladrão covarde se esconde atrás de uma cortina, quando os donos do apartamento, que ele está roubando, retornam inesperadamente. Os proprietários percebem os pés do larápio e lhe confiscam os objetos roubados; o ladrão verifica tardiamente que, apesar de estarem vestidos a rigor, não eram os donos do apartamento, mas um casal de gatunos mais corajoso.

Pôster de La Chanson d'une Nuit

Em 1933, Clouzot partiu para Berlim, onde supervisionou versões francêsas de filmes alemães de Anatole Litvak (Das Lied einer Nacht / La Chanson d’une Nuit / 1932), Karel Lamac (Die Grausame Freundin / Faut-il les marier? / 1932, Géza von Bolváry (Das Schloss im Süden / Château de Rêve / 1933 e Karl Hartl (Ihre Durchlaucht, die Verkäuferin / Caprice de Princesse / 1933. Nesse período de atividade cinematográfica no exterior, Clouzot aprendeu muito do seu ofício e sofreu inclusive a influência do cinema de F. W. Murnau e Fritz Lang: ”O gosto do claro-escuro, eu o devo aos alemães”, reconheceria ele mais tarde.

Em 1934, o cineasta retornou a Paris e começou a visitar com frequência Louis Jouvet, que acabara de se instalar no Théâtre de l’Athenée e de aceitar o cargo de professor do Conservatório. Jouvet ficou impressionado com a aptidão do rapaz para a dramaturgia e o incentivou. No mesmo ano, Clouzot assinou uma opereta, “La Belle Histoire”, na qual os personagens dos contos de Charles Perrault se reencontravam no século XX. O espetáculo não obteve sucesso, mas Clouzot perseverou e, juntamente com Maurive Yvain, o compositor de “La Belle Histoire”, compôs algumas canções para Lys Gauty, Marie Dubas, e um grande êxito “Jeu de Massacre”, para Marianne Oswald.

Pôster de Le Dernier des Six

Ainda em 1934, o nome de Clouzot apareceu nos créditos do filme Itto, longa-metragem de Jean Benoit-Lévy, produzido por Pierre Lazareff. Este seu velho amigo lhe pediu para escrever as letras das canções, que deveriam acompanhar uma evocação da vida dos Berberes no Atlas marroquino. Depois de passar quatro anos em um sanatório, vitimado por uma tuberculose pulmonar, Clouzot escreveu duas peças para Pierre Fresnay (“On prend les mêmes” e “Comédie en trois actes”) e retornou ao cinema como roteirista de: La Revolté / 1938 (Dir: Léon Mathot), durante a preparação do qual ele conheceu Suzy Delair, com quem viveu por doze anos e que seria a estrela de dois de seus filmes; Le Duel / 1939 (Dir: Pierre Fresnay); O Mundo Tremerá / Le Monde Tremblera / 1940 (Dir: Richard Pottier); Le Dernier des Six / 1941 (Dir: Georges Lacombe); e Le Inconnus dans la Maison / 1942 (Dir: Henri Decoin), os dois últimos produzidos pela Continental, companhia destinada a produzir na França filmes com capital alemão e mão de obra francesa.

Após o êxito de Le Dernier des Six, o diretor da Continental, Alfred Greven, resolveu produzir uma série de aventuras policiais com seus personagens centrais, o Comissário Wens (Pierre Fresnay) e sua companheira Mila-Malou (Suzy Delair), e confiou a realização a Clouzot.

Pˆsoter de O Assassino Mora no 21

O ASSASSINO MORA NO 21 / L’ASSASSIN HABITE AU 21 / 1942.

Um misterioso assassino começa uma série de crimes e deixa sobre cada cadáver um cartão de visitas com o nome de M. Durand. O comissário Wens (Pierre Fresnay) encarregado da investigação, encontra uma pista que conduz a uma pensão de família em Montmartre. Ele se introduz ali como hóspede disfarçado de pastor. Wens prende sucessivamente um fabricante de marionetes, Colin (Pierre Larquey); um médico colonial, Linz (Nöel Roquevert); e um faquir de music-hall, Lalah Poor (Jean Tissier). Mas, cada vez, um novo crime vem inocentar aquele que parecia culpado. Quem é M. Durand?

Pierre Larquey e Pierre Fresnay em O Assassino Mora no 21

Suzy Delaire Pierre fresnay em O Assassino Mora no 21

Jean Tissier em O Assassino Mora no 21Policial com toques de humor, semeado de tipos excêntricos e de mortes., no qual a solução do mistério repousa em uma daquelas astúcias de autor de romances de detetives, que agradam sempre aos fãs desse tipo de literatura. No ambiente da pensão evolui uma humanidade sórdida da qual cada representante poderia ser um criminoso em potencial, o que complica o trabalho do comissário e torna o espetáculo mais inquietante. Pierre Fresnay interpreta o comissário Wens como o fleuma de um policial britânico e Suzy Delair diverte como Mila Malou, a amante turbulenta de Wens que também quer brincar de detetive, formando uma dupla parecida com aqueles casais das comédias americanas dos anos 1930. Neste exercício de estilo do cineasta já estava presente o universo sombrio e pessimista de seus filmes posteriores bem como amostras de seu talento fílmico, por exemplo, a sequência inicial, quando a câmera toma o lugar do assassino e sai no encalço de sua vítima.

Pôster de Sombra do Pavor

SOMBRA DO PAVOR / LE CORBEAU / 1943

O doutor Germain (Pierre Fresnay), médico do hospital de Saint-Robin, é acusado por cartas anônimas de ser amante de Laura (Micheline Francey), mulher do psiquiatra Vorzet (Pierre Larquey), e de praticar abortos. O autor das cartas, que assina O Corvo, inunda Saint-Robin de suas missivas. Um canceroso (Roger Blin) é advertido pelo Corvo da gravidade de seu estado de saúde e corta a garganta com uma navalha. As suspeitas recaem sobre falsas culpadas: Rolande (Liliane Maigné), uma adolescente chantagista; Denise (Ginette Leclerc), a amante de Germain; Marie Corbin (Hélèna Manson), uma enfermeira empedernida; e Laura. Germain descobre o autor das cartas, mas a mãe do canceroso (Sylvie) já havia feito justiça.

Pierre Fresnay em  Sombra do Pavor

Esta primeira obra-prima do diretor, traduz o clima de angústia e opressão dos anos de Ocupação, a trama policial sendo constantemente completada e sustentada pelo estudo de uma psicose coletiva. Clouzot faz uma análise quase clínica do apodrecimento moral de uma sociedade provinciana, na qual as paixões se desencadeiam em uma atmosfera de mal-estar insuportável. As cartas anônimas produzem o efeito de uma epidemia, durante a qual as obsessões e neuroses dos personagens vêm à tona. Três grandes cenas mostram o discernimento cinematográfico do diretor: a fuga da enfermeira na cidade deserta parecida com uma ave negra enlouquecida; a carta esvoaçando longamente na igreja cheia de falsos beatos; e o instante em que Vorzet faz balançar a lâmpada que desloca a luz e a sombra e diz para Germain: “Você acha que as pessoas são todas boas ou todas más. Você pensa que o Bem seja a luz e a sombra o Mal. Mas onde está a sombra e onde está a luz?

Micheline Francey e Pierre fresnay em Sombra do Pavor

Pierre Larquey e Pierre fresnay em Sombra do Pavor

Ginette Leclerc em uma cena de Sombra do Pavor

Hélèna Manson em Sombra do Pavorr   Embora o roteiro tivesse sido redigido em 1937 e inspirado em acontecimentos reais (as cartas anônimas de Tulle), pelo fato de a produção ser da Continental, seus autores foram acusados de terem desejado “aviltar” a França e servir à propaganda hitleriana. Após a Libertação, o filme foi banido temporariamente da exibição, e Clouzot suspenso de qualquer atividade cinematográfica por seis meses, só conseguiria fazer outro em 1947.

Pôster de Crime em Paris

CRIME EM PARIS / QUAI DES ORFÈVRES / 1947 (Prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza)

Jenny Lamour (Suzy Delair), cantora de music-hall ambiciosa, é casada com Maurice Martineau (Bernard Blier), que a acompanha ao piano. Jenny aceita jantar com Brignon (Charles Dullin), velho produtor libidinoso que lhe prometera um emprego no mundo do cinema. Ao saber disso, o ciumento Maurice forja um álibi e corre para matá-los. Porém, ele encontra o velho morto e foi Jenny que o matou. Pelo menos é isso que Jenny conta para sua amiga Dora (Simone Renant), uma fotógrafa, que tem por ela um amor sem esperança. O inspetor Antoine (Louis Jouvet) investiga e, naturalmente, as suspeitas recaem sobre Maurice, mas o policial acaba descobrindo o verdadeiro culpado.

Louis Jouvet em Crime em Paris

Jouvet e Bernard Blier em Crime em Paris

Suzy Delair e Simone Renant em Crime em ParisApós o período de inatividade que lhe foi imposto pelos organismos encarregados da “purificação”, Clouzot teve um retorno triunfal que lhe rendeu a sua segunda obra-prima, interessando-se mais pelos personagens e o seu meio social do que pela resolução do enigma. Durante o inquérito policial, desfila uma galeria de tipos humanos interessantes, que são observados pelo lúcido inspetor Antoine. Ele educa um menino negro (“única lembrança trazida das colônias além do impaludismo”) e esconde sua humanidade sob uma máscara de frieza e de ironia. É uma das melhores atuações de Louis Jouvet. O diretor coloca essas criaturas em diferentes atmosferas – uma pequena editora musical, um ateliê de fotografia suspeito, os bastidores de um music-hall, os corredores e a sala de interrogatório da Polícia Judiciária – , todas recriadas com incrível veracidade e inspecionadas por uma câmera virtuosa.

Pôster de Anjo Perverso

ANJO PERVERSO / MANON / 1949

Robert Desgrieux (Michel Auclair) e Manon Lescaut (Cécile Aubry) são descobertos a bordo de um cargueiro que transporta clandestinos judeus para a Palestina. Resistente na Normandia, ele salvou a jovem Manon do furor popular por ter simpatizado com os ocupantes. Eles passam a viver do mercado negro em Paris, graças à ajuda de Léon (Serge Reggiani), irmão de Manon. Atraída pelo luxo, Manon torna-se prostituta ocasional de um bordel, onde Robert a surpreende. Depois, encarrega Léon de reter Robert enquanto ela parte com um americano rico. Robert mata Léon e foge. O par de amantes vai morrer nas areias do deserto durante um ataque dos árabes.

Clouzot filmando Anjo Perverso

Michel Auclair, Serge Reggiani e Cecile Aubry em Anjo Perverso

Cena de Anjo Perverso

Final de Anjo PerversoAtravés de uma história de amor louco, de uma paixão fatal, Clouzot faz uma pintura amarga do mundo conturbado e apodrecido imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, com os acertos de contas, o mercado negro, o amoralismo, um testemunho pavoroso de um tempo no qual todos os valores eram desordenados. O romantismo cruel e audacioso desta modernização bem-sucedida de um romance do século XVIII, assim como a personagem feminina, encarnação perfeita de uma ingênua perversa, chocou o público na época. A imagem final do cadáver de Manon sendo arrastado pelas dunas é de grande beleza plástica.

Pôster de Retour à la Vie

LE RETOUR DE JEAN (QUINTO ESQUETE DE RETOUR À LA VIE) / 1949

Cinco prisioneiros de guerra retornam aos seus lares: tia Emma (Mme. De Revinsky) volta em um estado lamentável de Dachau e assiste, indiferente, à cupidez de sua família; Antoine (François Périer) arruma um emprego de garçom em um hotel e é assediado pelas militares americanas; Jean (Louis Jouvet), ferido na perna após uma tentativa de evasão, encontra no seu quarto de pensão um torturador nazista (Jo Dest) e faz justiça; René (Nöel-Nöel) fica sabendo que sua mulher partiu com outro e que seu apartamento está ocupado; Louis (Serge Reggiani) traz para a sua aldeia natal uma jovem alemã (Anne Campionj) e é rejeitado pela população.

Louis Jouvet em Le Retour de Jean

Cinco histórias curtas, sentimentais ou dramáticas, contando o retorno à vida normal de prisioneiros de guerra ou deportados. Embora realizado por quatro diretores diferentes, o filme mantém uma espantosa homogeneidade e é hoje um testemunho precioso do pós-guerra. Os melhores esquetes são os de Clouzot e André Cayatte. O de Clouzot é de uma ferocidade impressionante, principalmente nas cenas em que Louis Jouvet – pungente e explosivo – interroga (querendo saber como um ser humano pôde agir daquela forma) e depois executa o alemão. O de Cayatte trata de uma maneira seca e cruel as mesquinharias em torno da posse dos bens da mulher que se encontra imobilizada em uma cama, terminando de forma original com o escurecimento do seu rosto em primeiro plano, após ter assinado o documento almejado pelos seus parentes.

Pôster de Miquette et sa mère

MIQUETTE ET SA MÈRE / 1950

Na Belle Époque, em uma pequena cidade da província, Miquette (Danièle Delorme), uma jovem ingênua, trabalha na tabacaria de sua mãe, a viúva Grandier (Mireille Perrey), mas sonhando em fazer teatro. Urbain de la Tour Mirande (Bourvil), sobrinho do marquês do lugar, rapaz tímido e ridículo, apaixona-se por ela, porém o marquês (Saturnin Fabre) não quer que seu herdeiro se case com Miquette. Graças a uma sucessão de ardís e embustes, o bizarro marquês consegue raptar Miquette e depois a acompanha em uma tournée teatral, que ela empreende através da França sob a proteção de um ator necessitado e simpático, Monchablon (Louis Jouvet). A mãe de Miquette e depois Urbain se juntam a eles em Évian. Tudo acaba bem: o velho senhor fidalgo esposa a mãe de Miquette e esta aceita fazer a felicidade de Urbain.

\Jouvet e Clouzot na filmagem de Miquette et sa Mère

Bourvil e Dani1ele Delorme em Miquette et sa MèreAdaptação cinematográfica de uma comédia de boulevard de Flers e Caillavet, exagerando deliberadamente a teatralidade da peça, com situações e diálogos muito divertidos. Os personagens interpelam diretamente os espectadores e os intertítulos lembram os das comédias mudas. O espetáculo repousa sobretudo no elenco afiado, sobressaindo as composições admiráveis e adoravelmente desmedidas de Louis Jouvet e Saturnin Fabre. Os apartes para a câmera de Saturnin são formidáveis. No final, Flers e Caillavet são apresentados como personagens, anunciando que irão escrever uma peça sobre Miquette.

Vera Amado

Foi durante a produção desse filme bem distante de seu universo habitual, que Clouzot conheceu a nova mulher de sua vida, integrante da equipe de filmagem como assistente da continuísta Andrée Ruze. Filha do diplomata brasileiro Gilberto Amado, Vera Gibson Amado havia se casado em 1938 com o ator Léo Lapara, porém, na primavera de 1949, depois de treze anos de matrimônio, ela deixou Léo, que passara a integrar a trupe de Jouvet, e se tornara seu amigo íntimo, confidente e secretário. Vera seria futura atriz de três filmes de Clouzot, com quem se casaria em 15 de janeiro de 1950.

Noticia sobre a desistência de Clouzot de filmar no Brasil

Em 22 de abril de 1950, o casal chegou ao Brasil a bordo do navio “Campana”, acompanhado pelo produtor Raymond Borderie, o fotógrafo Armand Thirard e outros técnicos, com o propósito de realizar Brésil – Journal d’un Voyage. Infelizmente, essa iniciativa não teve desenvolvimento, porque o cineasta – conforme declarou à imprensa – não se deu conta das dificuldades técnicas e financeiras da filmagem devido às enormes distâncias do território brasileiro, da burocracia local e da censura que, embora sem formular interdições, lhe fêz algumas advertências desestimuladoras. Clouzot registrou sua experiência em nosso país em um livro, Le Chevaux des Dieux (1951), que desencadeou uma polêmica que mobilizou intelectuais como Roger Bastide, Edson Carneiro e Alberto Cavalcanti, e enfureceu a comunidade afro-brasileira, porque a revista Paris-Match, em uma reportagem sensacionalista, intitulada “As Possuidas da Bahia”, utilizou as fotos de Clouzot sobre o ritual de iniciação no candomblé, mostrando as “possuídas” sendo banhadas com sangue de animais, como se isto não fosse apenas um pequeno aspecto da verdadeira fisionomia do Brasil.

Pôster de O Salário do Medo

O SALÁRIO DO MEDO / LE SALAIRE DE LA PEUR / 1953 (Palma de Ouro em Cannes)

Em Las Piedras, pequena cidade da América Central, perambulam pelas ruas os párias que sonham em voltar para seu país de origem. Uma soma considerável é oferecida por uma companhia petrolífera americana para quem transportar dois caminhões com a nitroglicerina que vai ajudar a apagar o incêndio de um dos poços da firma. Quatro homens são escolhidos: dois franceses, Mario (Yves Montand) e Jo (Charles Vanel), um italiano, Luigi (Folco Lulli), e um alemão Bimba (Peter Van Eyck). Nenhum deles sobrevive à longa viagem cheia de perigo

Vera Clouzot e YvesMontand em O Salário do Medo

Cena de O Salário do Medo

Cena de O Salário do Medo

Charles Vanel e Yves Montand em O Salário do Medoorges Cl

Cena de O Salário do Medo

Drama angustiante e fatalista que se inicia com uma descrição quase documentária do ambiente miserável dominado por um poderoso e onipresente truste americano. Essa primeira parte do filme serve de introdução para a perigosa jornada, durante a qual os personagens vão revelar as suas fraquezas ou a sua coragem. No trajeto inicia-se um suspense e uma brutalidade ininterruptos, criados por Clouzot com toda a força de sua competência técnica. Esta se torna mais nítida em duas sequências: a da explosão do caminhão do com o italiano e o alemão, apenas sugerida, e o mergulho do caminhão dos dois franceses no atoleiro de petróleo. Na segunda parte da obra, o realizador faz um estudo admirável da psicologia do medo. Um medo tão subjugante que a libertação dele gerou a imprudência fatal para o último remanescente da aventura.

Pôster de As Diabólicas

AS DIABÓLICAS / LES DIABOLIQUES / 1954 (Prêmio Louis Delluc)

Michel Delasalle (Paul Meurisse) dirige um colégio em Saint-Cloud. Ele maltrata sua esposa Christina ( Vera Clouzot) e sua amante Nicole (Simone Signoret), ambas professoras no estabelecimento. Um pacto diabólico une as duas mulheres: elas decidem matá-lo, atraindo-o para Niort, onde Nicole tem uma casa. Christina faz o marido tomar um sonífero e ajuda Nicole a afogá-lo na banheira. Depois, levam o corpo para Saint-Cloud e o jogam na piscina. Então ocorrem no educandário vários fatos estranhos que deixam crer que Michel sobreviveu. Quando esvaziam a piscina, o corpo havia desaparecido. Um comissário aposentado, Fichet (Charles Vanel), se oferece para investigar.

Simone Signoret, Vera Clouzot e Paul Meurisse em As Diabólicas

Vera Clouzot e Simone Signoret em As Diabólicas

Cena de As Diabólicas

Vera Clouzot, Simone Signoret e Charles Vanel em As DiabólicasClouzot soube aproveitar todos os efeitos a que se prestava a história de Boileau-Narcejac para atingir o fim que tinha em vista: realizar um filme de alta tensão. Ele aproveitou muito bem as cenas de envenenamento, do afogamento na banheira, da visita ao necrotério, das mãos enluvadas e passos misteriosos em uma casa escura, do cadáver com os olhos esbugalhados e outros acessórios de um estilo policial, para dar choques sucessivos de voltagem crescente na emotividade do espectador. Quando o suposto assassinado se ergue e retira as lentes de contato brancas, chegamos ao auge do medo, a um clímax alucinante, que foi escondido cuidadosamente do público para a maior eficácia do suspense.

LE MYSTÈRE PICASSO / 1956 (Prêmio do Júri no Festival de Cannes)

Clouzot e Picasso

Picasso - ClouzotClouzot descobriu que podia filmar uma tela à avessas e assistir, assim, secretamente, ao mistério da criação artística. Com a ajuda do fotógrafo Claude Renoir ele utilizou todos os recursos da técnica cinematográfica: o preto e branco a cor, a tela normal e o CinemaScope. Nos estúdios de La Victorine em Nice, o pintor, com 72 anos de idade, se colocou diante de seu cavalete e, graças a tintas especiais vindas dos Estados Unidos, os desenhos do mestre espanhol aparecem diretamente na tela mas se modificam, evoluem, os galos se metamorfoseando por vezes em peixes ou em flores. Picasso pinta as corridas, os toureiros, e aceita realizar uma obra em cinco minutos para o diretor. Assim esse filme de arte, torna-se um documento bastante atraente e ambicioso sobre um dos maiores artistas do século vinte e seu diálogo com um cineasta brilhante. Ele dura cerca de 75 minutos, nos quais são mostrados a criação de 21 obras.

Pôster de Os Espiões

OS ESPIÕES / LES ESPIONS / 1957

Em Maisons-Laffitte, o doutor Malic (Gerard Séty) dirige uma pequena clínica psiquiátrica à beira da falência. Ele é abordado por um homem misterioso, Howard (Paul Carpentier), que se diz pertencer a um instituto de guerra psicológica dos Estados Unidos e que lhe oferece uma alta quantia de dinheiro para hospedar durante alguns dias Alex (Curd Jurgens), um agente secreto,. O médico só tem dois pacientes, Valette (Louis Seigner), um toxicômano e Lucie (Vera Clouzot), mas logo vários personagens estranhos rondam pelos arredores e a porta da clínica é arrombada por Sam Cooper (Sam Jaffe), um velho americano excêntrico e pelo lituano Michel Kaminski (Peter Ustinov). A fiel enfermeira de Malic, Mme. Andrée (Gabrielle Dorziat) é substituída por Connie Harper (Martita Hunt), espiã aterrorizante americana, que chega acompanhada por dois capangas, Léon (Sacha Pitoëff) e Pierre (Fernand Sardou). Malic descobre que espiões russos e americanos se confrontam para capturar o professor Hugo Vogel (O.E. Hasse), cientista atômico célebre. Malic suspeita de que Alex é Vogel, porém ele não passa de um duplo. Malic decide salvar o verdadeiro Vogel, e sua intervenção provoca a morte do sábio. Ele então se torna parte integrante do jogo terrível e absurdo, ao qual se entregam os espiões.

Curd Jurgens em Os Espiões

O.E. Hasse em Os Espiões

Peter Ustinov e Gerard Séty em Os Espiões

Sam Jaffe em Os EspiõesNessa visão Kafkiana da espionagem e contra-espionagem, que oscila entre o drama e a sátira, Clouzot faz um estudo da paranóia e do relativismo moral presente no meio cínico dos espiões, cada um dos personagens acabando mesmo por vezes a se perguntar por quem ele foi realmente enviado. O diretor cria, com uma precisão impecável um ambiente cada vez mais pesado, uma sensação de angústia, que vai crescendo até o final sem conclusão, com o telefone tocando sem parar na clínica, refletindo em microcosmo a que ponto a loucura tomou conta do mundo.

Pôster de A Verdade

A VERDADE / LA VERITÉ / 1960 (Grand Prix do Cinema Francês e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro)

Dominique Marceau (Btigiette Bardot), é acusada do assassinato de seu amante, o jovem aspirante a maestro, Gilbert Tellier (Samy Frey). A moça não nega os fatos e se esforça para explicar, por vezes desastradamente, as razões e as circunstâncias do crime. Porém ninguém acredita nela, nem o presidente da Côrte (Louis Seigner nem os outros juízes, nem os jurados, nem o representante do Ministério Público (René Blancard), e tampouco o furioso advogado encarregado da parte civil, Épervier (Paul Meurisse). Graças à sua conduta libertina (dançando nua sob os lençóis um cha-cha-cha sensual), Dominque seduz Gilberto, noivo e colega de sua irmã Annie (Marie-José Nat) no Conservatório. Volúvel e frívola, trata-se para Dominique de uma aventura sem futuro, mas ela descobre, tarde demais, que ama Gilbert verdadeiramente. Gilbert volta para os braços de Annie, e Dominique, louca de desespero, o mata. Enquanto seu advogado, Guérin (Charles Vanel), tenta manchar a reputação de Gilbert para salvá-la, o advogado encarregado da parte civil retrata-a como um monstro de perversidade. Sem poder fazer escutar sua “verdade” ou as verdadeiras razões pelas quais matou o homem que amava, Dominique abre suas veias em sua cela.

BB em A Verdade

Brigitte Bardot e Samy Frey em A Verdade

Brigitte Bardot em A Verdade

Charles Vanel e BB em A VerdadeEm pleno apogeu da Nouvelle Vague, Clouzot permaneceu fiel ao cinema clássico, narrativo, disciplinado; porém escolheu para este filme de tribunal, para esta verdadeira autópsia de um processo criminal, um tema moderno: o clima de permissividade nos anos sessenta, que lhe permitiu manifestar mais uma vez seu desprezo absoluto pelas instituições e pela burguesia. Ele deve ter ficado muito satisfeito de filmar a cena de bravura em que a acusada grita para aqueles que a julgam pela morte de seu amante: “Vocês estão aí, fingidos, ridículos. Vocês querem julgar, vocês nunca viveram, nunca amaram. É por isso que vocês me detestam. Vocês estão todos mortos. Mortos … “, um momento brilhante da atriz. A história começa em uma prisão de mulheres, sob a vigilância de freiras, onde encontramos Dominique fumando desafiadoramente em sua cela e contemplando seu rosto em um espelho partido. O resto da narrativa ocorre na sala de audiências no presente e no passado recente. São os retrospectos que, pouco a pouco, nos farão conhecer as peripécias do drama e o retrato psicológico notável que o cineasta fêz de um tipo de mulher jovem moderna, utilizando à sua maneira o mito Bardot.

Clouzot e BB

A filmagem foi tempestuosa: clima tenso entre Clouzot e alguns atores, troca de bofetadas dele com BB; idílio desta com Samy Frey, vias de fato entre Charrier e Frey, internação de Jaques Charrier, e fim do seu casamento com BB; hospitalização de Clouzot e do fotógrafo Armand Thirard; pouco depois do término dos trabalhos, tentativa de suícidio de BB em depressão, cortando os pulsos com uma navalha; após a estréia do filme, falecimento de Vera Clouzot, encontrada morta no seu quarto do Hotel George V no dia 15 de dezembro de 1960. Tal como a sua personagem de As Diabólicas, ela sucumbiu em virtude de uma crise cardíaca. Em 28 de dezembro de 1963, Clouzot casou-se com Inès de Gonzalèz (patronímico argentino de Inès Arnaud), com quem viveu até o fim de sua vida.

Pôster de A Prisioneira

A PRISIONEIRA / LA PRISIONNIÈRE / 1968

Josée (Elizabeth Wiener), montadora da televisão, é companheira de Gilbert (Bernard Freson), artista plástico especializado na arte cinética. Ele expõe na galeria de arte moderna de Stanislas Hassler (Laurent Terzieff). No decorrer de uma grande vernissage parisiense, Josée avista seu marido beijando outra mulher, conhece Stan, e o acompanha até sua residência. Este se revela como um homem impotente e perverso, que satisfaz seu voyeurismo, fotografando mulheres despidas em poses sugestivas ou ultrajantes. Pouco a pouco testemunha e depois atriz dessas pequenas encenações, Josée se presta de bom grado a esses jogos de humilhação, de dominação e de sujeição. Por fim, ela se afasta de Gilbert, e descobre o amor total e compartilhado ao lado de Stan. Mas, depois de um passeio idílico na costa da Bretanha, ele foge dela. Desorientada, Josée fica gravemente ferida, quando seu carro se choca contra um trem. No hospital, ela tem uma série de visões e chama por Stan no seu delírio enquanto Gilbert a contempla ao lado de sua cama.

Cena de A Prisioneira

Laurent Terzieff e Elizabeth Wiener em A Prisioneira

Cena de A Prisioneira

Cena de A PrisioneiraCanto de cisne do cineasta, A Prisioneira é uma excursão estética pela op-art, esboçada no projeto irrealizado, L’Enfer / 1964, adicionando desta vez o voyeurismo e o sado-erotismo. Visualmente fascinante nas primeiras sequências, principalmente no que concerne à cenografia, o filme transcorre estaticamente e em uma narrativa elíptica até o desenlace psicodélico gratuito e irritante. Entretanto, são interessantes a sequência na qual Stan projeta slides com letras da caligrafia de Paul Valéry, Flaubert, Baudelaire, François Mauriac, Sacha Guitry, Madame Récamier, Napoleão etc. e a da performance da modelo profissional (Dany Carrell), mostrando seus seios magníficos na mise-en-scène imaginada por Stan, despertando em Elizabeth a mesma desordem sexual praticada pelo fotógrafo.

Antes de A Prisioneira, Clouzot havia realizado para a televisão cinco filmes sobre as representações orquestrais dirigidas por Herbert von Karajan. No dia 12 de janeiro de 1977, em Paris, Inès encontrou-o estirado no chão, vitimado por um ataque cardíaco, com a partitura da “Danação de Fausto” de Berlioz nas mãos.

ESCAPISMO EM GLORIOSO TECHNICOLOR

June 13, 2014

No parágrafo inicial do capítulo “The King and Queen of Technicolor” do seu livro, A Thousand and One Delights, Alan G. Barbour escreveu: “Se eu tivesse que nomear a série de filmes que mais captaram o espírito escapista dos filmes da década de quarenta, não hesitaria em escolher os seis filmes de aventuras em Technicolor com Jon Hall e Maria Montez produzidos pela Universal entre 1942 e 1945”. Realizados com o propósito principal de divertir as platéias, que queriam desviar suas mentes dos problemas de um mundo convulsionado pela guerra, esses filmes fizeram muito sucesso na época e a simples menção dos nomes de seus dois intérpretes principais desperta na memória dos fãs as imagens coloridas magníficas daqueles espetáculos.

Antes de descrevê-los, exponho em poucas linhas um resumo das biografias dos seus astros.

Maria Africa Gracia Vidal (1912-1951) nasceu em Barahona na República Dominicana. Seu pai, de descendência espanhola, era exportador de madeiras de guáiaco e possuía também o título de Vice Consul Honorário da Espanha na Republica Dominicana. Desde criança Maria demonstrou que queria ser atriz. Ela aprendeu inglês autodidaticamente, ouvindo canções e lendo publicações americanas. Em 28 de novembro de 1932, quando seu pai servia na Irlanda do Norte, casou-se com um banqueiro irlandês, William McFeeters, empregado do First National City Bank em Nova York. Depois de sete anos de casados, ela foi para os Estados Unidos, onde obteve seu primeiro emprego como modelo, posando para a capa de uma revista.

Maria MOntez

Certo dia recebeu um telefonema de George Schaefer, alto executivo da RKO, convidando-a para um teste, mas ela acabou aceitando uma proposta da Universal. Maria escolheu o nome de Maria Montez em homenagem à dançarina Lola Montez, que seu pai admirava. Após ter sido incluída em três produções “B” (Castigo Merecido / Boss of Bullion City / 1940, Mulher Invisível / The Invisible Woman / 1940 e Caçadores de Notícias / Lucky Devils / 1941), Maria foi emprestada para a 20th Century-Fox e chamou atenção em uma pequena cena de Uma Noite no Rio / That Night in Rio / 1941 conversando com Don Ameche e provocando o ciúme da nossa Carmen Miranda (que dizia para Maria, “Cai fora!”). Prosseguindo sua carreira, Maria apareceu, entre alguns filmes de pouca importância (Bandoleiros do Deserto / Raiders of the Desert / 1941, Luar e Melodia / Moonlight in Hawaii / 1941, O Avião do Oriente / Bombay Clipper / 1942), em Ao Sul de Tahiti / South of Tahiti, que a Universal realizou com a intenção de competir com a Paramount, cujos filmes com Dorothy Lamour de sarongue estavam lotando os cinemas com o público que queria fugir das preocupações do conflito mundial.

Maria Montez

Em outubro de 1942, enquanto filmava O Mistério de Marie Roget / The Mystery of Marie Roget, baseado na obra homônima de Edgar Allan Poe, Maria conheceu o ator francês Jean-Pierre Aumont, que havia sido contratado pela MGM para fazer A Cruz de Lorena / The Cross of Lorraine / 1943. Eles se casaram em 13 de julho de 1943, porém Aumont teve que cumprir seu compromisso com o exército francês, no qual servia. Finalmente, os chefões da Universal descobriram onde deveriam colocar Maria e sabiamente a incluiram na produção de As Mil e Uma Noites / Arabian Nights / 1942, primeiro filme em cores do estúdio, que iniciou a famosa série de aventuras. Vestindo roupas orientais com turbantes e véus, e reaprendendo o sotaque que havia perdido após alguns anos de permanência nos Estados Unidos, Maria causou uma bela impressão, influenciando a moda ocidental, principalmente com relação aos turbantes. Ela fotografava esplendidamente em Technicolor, fato que ficou definitivamente comprovado nos filmes seguintes da série: Branca Selvagem / White Savage / 1943, Ali Babá e os Quarenta Ladrões / Ali Baba and the Forty Thieves / 1944, Mulher Satânica / Cobra Woman / 1944, Alma Cigana / Gypsy Wildcat / 1944 e A Rainha do Nilo / Sudan / 1945.

Montez em Uma Noite no Rio ao

Terminado o último dos seis filmes escapistas para a Universal (entre os quais ela integrou os créditos de Epopéia da Alegria / Follow the Boys / 1944 e Saudades do Passado / Bowery to Broadway / 1944), Maria fez um filme em preto e branco Tânger / Tangier / 1946, nitidamente inspirado em Casablanca de Michael Curtiz, mas não teve sorte. Sem a magia da cor, o espetáculo não provocou o mesmo encanto. Em 1946, por intermédio de seus advogados, ela acionou a Universal, porque na promoção de O Exilado / The Exile, filmado em Sepiatone por Max Ophuls, só foi mencionado o nome de Douglas Fairbanks, Jr. e Maria só apareceu durante 20 minutos na tela: a atriz ganhou 250 mil dólares na disputa judicial. Maria reapareceu novamente em Technicolor no filme Os Piratas de Monterey / Pirates of Monterey / 1947 e depois tomou a decisão de sair para sempre da Universal, assinando contrato com o produtor Seymour Nebenzal para participar do filme Atlântida, o Continente Perdido / The Siren of Atlantis / 1949 ao lado de Jean-Pierre Aumont.

Maria Montez/ Jean-Pierre Aumont

No final da Segunda Guerra Mundial, Maria mudou-se para Paris com seu esposo, sendo ambos muito bem acolhidos pelos francêses. O primeiro filme deles na França foi Brumas SangrentasHans, Le Marin / 1949, seguindo-se Máscara de um Assassino / Portrait d’un Assassin / 1949, no qual ela contracenou com grandes atores como Erich von Stroheim, Pierre Brasseur e Arletty. Posteriormente, Maria viajou até a Itália para integrar a equipe de O Ladrão de Veneza / Il Ladro di Venezia / 1950 e, segundo os críticos, teve o melhor desempenho de sua carreira. Após um segundo filme italiano, Amore e Sangue / 1951, Maria retornou à França, e estreou no palco em uma peça, “L’Ile Heureuse”, que Jean-Pierre Aumont escrevera para ela. De novo na Itália, Maria e Jean-Pierre fizeram La Vendetta del Corsario / 1951 e, em maio de 1952, o agente deles, Louis Schurr, fez uma proposta a Maria, para que ela voltasse para Hollywood. Ela aceitou com muita satisfação, porém não pôde assumir o compromisso, porque faleceu em 7 de setembro, aos 39 anos de idade, enquanto estava tomando banho na sua casa em Sureness, Paris.

Jon Hall

Jon Hall (1915-1979) nasceu com o nome de Charles Felix Locher, em Fresno na Califórnia e foi criado no Tahiti por seu pai, o ator de origem suíça, Felix Locher. Jon era sobrinho do escritor James Norman Hall, autor juntamente com Charles Nordhoff do romance “Mutiny on the Bounty”. Em 1935, Jon começou a trabalhar no cinema em filmes modestos, usando os nomes artísticos de Charles Locher e depois Lloyd Crane (Women Must Dress / 1935, Um Brinde ao Amor / Here’s to Romance / 1935, Charlie Chan em Shanghai / Charlie Chan in Shanghai / 1935, A Volta do Homem-Leão / The Lion Man / 1936, Vingador Misterioso / The Mysterious Avenger / 1936, A Mão que Aperta / The Clutching Hand / 1936 (seriado), Tenacidade / Winds of the Wasteland / 1936, Camisa de Onze Varas / Mind Your Own Business/ 1936, Aquela Dama Londrina / The Girl from Scotland Yard / 1937) até que, após ter sido rejeitado para o papel principal do seriado Flash Gordon, alcançou um sucesso notável ao lado de Dorothy Lamour (seu nome agora aparecendo nos créditos como Jon Hall), em O Furacão / The Hurricane / 1937, de John Ford. Os dois formaram um belo par, porém a grande atração do filme foi o furacão, providenciado pelos efeitos especiais de James Basevi e sua equipe. Seguiram-se sete filmes na trajetória cinematográfica do ator – A Pequena do Marujo / Sailor’s Lady / 1940, Ao Sul de Pago Pago / South of Pago Pago / 1940, Kit Carson / Kit Carson / 1940, Aloma, a Virgem Prometida / Aloma of the South Seas / 1941, A Vida Assim é Melhor / The Tuttles of Tahiti / 1942, Esquadrão de Águias / Eagle  Squadron / 1942, Espião Invisivel / Invisible Agent / 1942 – , antes dele inaugurar a série de aventuras escapistas ao lado de Maria Montez em As Mil e Uma Noites. Os outros filmes de Jon foram: A Mulher que não Sabia Amar / Lady in the Dark / 1944, A Vingança do Homem Invisível / The Invisible Man’s Revenge / 1944, De Todo o Coração / San Diego, I Love You /1944, Ilusões da Vida / Men in Her Diary / 1945, O Valentão da Zona / The Michigan Kid / 1945, A Volta dos Vigilantes / The Vigilantes Return / 1947, O Filho do Sol / Last of the Redmen / 1947, Robin Hood, O Príncipe dos Ladrões / Prince of Thieves / 1948, Os Amotinados / The Mutineeers / 1949, Zamba / Zamba / 1949, Deputy Marshall / 1949, Samoa / Samoa ou On the Island of Samoa / 1950, Guerreiros do Sol / When The Red Skins Rode / 1951, Corsário Chinês / China Corsair / 1951, Tufão / Hurricane Island / 1951, Nobre InimigoBrave Warrior / 1952, O Expresso de Bombaim / Last Train from Bombaim /1952, filmografia sem nada de especial. Ele ficou conhecido na televisão pelo papel principal da série Ramar das Selvas e o Caçador Branco / Ramar of the Jungle (1952-1954) e fez ainda, no cinema, Hell Ship Mutiny / 1957 e O Segredo da Esmeralda / Forbidden Island / 1959. Em 1965, dirigiu, fotografou (e atuou em) um filme de horror, The Beach Girls and the Monster. Jon foi casado três vezes, sendo duas com artistas: Frances Langford e Raquel Torres. Para por fim ao sofrimento causado por um câncer na bexiga, suicidou-se com um tiro na cabeça aos 66 anos de idade.

OS FILMES E SEUS ENREDOS:

Pôster de As Mil e Uma Noites

As Mil e Uma Noites

Jon Hall

As Mil e Uma Noites

As Mil e Uma Noites

As Mil e Uma NoitesAS MIL E UMA NOITES / ARABIAN NIGHTS. Dir: John Rawlings. Após tentar em vão derrubar o regime legítimo de Haroun-al-Raschid (Jon Hall) em Bagdad, para se tornar califa e conquistar o amor da ambiciosa Sherazade (Maria Montez), seu irmão, Kamar el Zaman (Leif Erickson), é sentenciado a uma “morte lenta”. Ele resiste ao sofrimento e consegue escapar com o auxílio de seus seguidores. Durante o combate que se segue, Haroun é ferido e encontrado por um acrobata de circo, Ali-Ben Ali (Sabu). A fim de proteger Haroun, Ali coloca seu anel real no dedo de um rebelde morto. Certo de que seu irmão morreu, Kamar assume o trono. Entretanto, não consegue encontrar Sherazade, porque os artistas do circo são vendidos ao mercador Hakim (Thomas Gomez) como escravos, pelo Capitão (Turhan Bey), que havia sido incumbido por Nadan ( Edgar Barrier), o Grão Vizir – desejoso de alcançar o poder -, de matar Sherazade. Kamar fica sabendo dos fatos e vai à procura de sua amada enquanto que Nadan tenta comprar Sherazade no leilão de escravos. Haroun, Ali e outros artistas do circo – entre eles Sinbad (Shemp Howard) e Aladdin (John Qualen) – escapam de suas celas e salvam Sherazade das garras de Nadan. Mas Kamar chega e leva todos presos para uma cidade no deserto, que ele construira em homenagem a Sherazade. Nadan propõe soltar Haroun, se Sherazade concordar em envenenar Kamar na cerimônia de seu casamento. Ao saber que Nadan planeja matar Haroun, Ali e seus companheiros partem para salvar Haroun. Este chega ao banquete de casamento a tempo de impedir Sherazade de beber a bebida envenenada, que Kamar lhe oferecera antes dele próprio beber. Os dois irmãos se enfrentam e Ali chega com soldados leais a Haroun. Kamar está prestes a matar Haroun, mas é esfaqueado pelas costas por Nadan. Ahmad (Billy Gilbert), o dono do circo, impede Nadan de matar Haroun, e o Vizir acaba sendo morto por Valda (William “Wee Willie” Davis), o homem forte do circo, quando tentava escapar. Com a ordem restabelecida, Haroun recupera seu trono e, com ele, a mão de Sherazade, a esta altura mutuamente apaixonados.

Pôster de Branca Selvagem

Maria Montez, Sabu e Jon Hall em Branca Selvagem

BRANCA SELVAGEM / WHITE SAVAGE. Dir: Arthur Lubin. Em Port Coral, nos Mares do Sul, o comerciante Sam Miller (Thomas Gomez) é informado pelo pescador Frank Williams (John Harmon), de que existe uma piscina cheia de tijolos de ouro em Temple Island. Miller diz a Williams que ele até então era o único que sabia disto, e o estrangula. Tahia, a princesa reinante de Temple Island, procurando por seu irmão Tamara (Turhan Bey), que passa suas noites no antro de jogatina de Miller, encontra um pescador de tubarões, Kaloe (Jon Hal), amigo de Orano (Sabu), filho de sua criada Blossom (Constance Purdy). Sem saber que ela é princesa, Kaloe a corteja, e nasce um idílio. Com a ajuda de Orano, Kaloe chega à ilha e descobre a verdadeira identidade de Tahia, mas ela o expulsa dali, porque pensa que ele está somente interessado em obter o direito de pescar naquela região. Depois de obter um empréstimo de Wong (Sidney Toler), um advogado / tabelião, para comprar suprimentos e um novo barco de pesca, Kaloe arma um esquema com Orano, para cair de novo nas graças de Tahia. Seu plano funciona e a princesa conduz o pescador por um passeio pela sua ilha, que inclui a piscina com o tesouro. Kaloe adverte Tahia de que embora ele não esteja interessado no tesouro, Miller pode ter outra intenção. Mais tarde, Miller vai a Temple Island, salva Tahia do assédio de seu sócio, Erik (Paul Guyfoyle), e lhe propõe casamento. A princesa o rejeita e cai nos braços de Kaloe. Miller permite que o endividado Tamara aposte o título de propriedade de suas terras no pôquer, porém Kaloe entra no jogo e ganha a escritura. No dia em que Tahia vai anunciar seu noivado com Kaloe, Miller aparece com o cadáver de Tamara. Como sua faca foi usada no crime, Kaloe é acusado, e enviado para a cova dos leões; porém, consegue escapar, ajudado por Orano. Kaloe, Wong – com a colaboração de Tahia – e armam um plano para obter a confissão de Chris (Don Terry), capanga de Miller – o verdadeiro culpado da morte de Tamara -, apontando Miller como o mandante. Ao saber da confissão, Miller, Erik e outros homens armados, rumam para a ilha em busca do tesouro. Eles usam dinamite para esvaziar a piscina e com isto provocam um terremoto, que destrói parte da ilha e os aniquila. Tahia e Kaloe se reúnem para alegria de Orano, que os espia alegremente de longe.

Ali Baba e os Quarenta Ladrões

Maria Montez e Turhan Bey em Ali Baba e os Quarenta Ladrões

Ali Baba e os Quarenta Ladrões

Ali Baba e os Quarenta Ladrões

Ali Baba e os Quarenta Ladrões

Ali Baba e os Quarenta LadrõesALI BABA E OS QUARENTA LADRÕES / ALI BABA AND THE FORTY THIEVES. Dir: Arthur Lubin. Após invadir Bagdad, o soberano mongol Hulagu Khan (Kurt Katch) ordena que todos os dias cem cidadãos da cidade sejam torturados até que o Califa deposto (Moroni Olsen) lhe seja entregue. Fora da cidade, o Califa tenta organizar suas tropas e retomar Bagdad, mas é traído pelo Príncipe Cassim (Frank Puglia) e morto enquanto que seu filho Ali (Scotty Beckett) foge, mergulhando nas águas de um rio. Na sua fuga, Ali descobre uma caverna, que é o esconderijo de um bando de ladrões. Ele é adotado pelo seu chefe, o Velho Baba (Fortunio Bonanova). Dez anos depois, os ladrões, comandados por Ali já adulto (Jon Hall) constituem a única resistência em Bagdad contra Hulagu, que oferece mil peças de ouro pela captura do jovem líder e seus homens. Ao saber que uma caravana transporta a noiva de Hulagu, Ali e seu guardião desde a infância, Abdullah (Andy Devine), se aproximam dela em uma missão de reconhecimento. Ali é capturado quando falava com a filha de Cassim, Amara (Maria Montez), a futura esposa de Hulagu. Ao chegar em Bagdad, Amara tenta romper seu noivado com Hulagu, mas o ambicioso Cassim a proíbe. O escravo de Amara, Jamiel (Turhan Bey), ajuda os ladrões a resgatarem Ali, que leva Amara como prisioneira e ela conta para Ali que não foi responsável pela sua prisão. O Velho Baba é mortalmente ferido no resgate e seu último desejo é que seu filho adotivo reclame seu devido lugar no trono de Bagdad. Sem saber que Amara é filha de Cassim, Ali envia uma mensagem por Jamiel, propondo a Hulagu, trocá-la pelo traidor. Hulagu diz a Cassim que a escolha é dele. Quando o covarde Cassim não aparece, os ladrões exigem a morte de Amara, para vingar a do Velho Baba, mas Ali, que a havia reconhecido como a menina com a qual na sua infância, fizera um pacto de amor marcado por um ritual de sangue, manda-a de volta a salvo para Bagdad. Quando Amara chega ao palácio, Cassim revela que Ali era o filho do Califa destronado. Ela proclama seu amor por Ali, e se recusa mais uma vez a se casar com Hulagu. Porém Cassim diz que sabe como fazê-la mudar de idéia. Hulagu finge que tortura Cassim e ela afinal consente com o matrimônio. Ali entra no palácio, disfarçado de monarca de um país estrangeiro, oferecendo ao tirano 40 jarros cheios de óleo, que escondem os ladrões. Cassim reconhece Ali, percebe o plano dos revoltosos, e avisa a Hulagu, seguindo-se uma dança de tártaros no final da qual estes cravariam suas cimitarras nos vasos. Entretanto, estes continham apenas areia, e então surgem os ladrões de armas na mão. Com a ajuda do povo, eles derrotam os invasores. Ali luta contra Hulagu, que finalmente é morto pela lança arremessada por Abdullah.

Pôste de Mulher Satânica

Maria Montez

Mulher Satânica

Mulher Satânica

Mulher Satânica

Maria Montez

MULHER SATÂNICA / COBRA WOMAN. Dir: Robert Siodmak. No dia de seu casamento com Ramu (Jon Hall), a bela Tollea (Maria Montez) é raptada de sua casa no porto de Harbor, na Irlanda, por Hava (Lon Chaney, Jr.), o servidor mudo de sua avó (Mary Nash), a velha rainha do povo da Ilha de Cobra. MacDonald (Moroni Olsen), escocês residente em Harbor, diz a Ramu que fora torturado pelos nativos da ilha de Cobra até desmaiar e, quando acordou, viu-se com uma criança a bordo de sua embarcação. Embora tivesse criado Tollea como sua filha, MacDonald diz a Ramu que ele deve esquecê-la. Porém o rapaz ignora seu conselho e ruma para a ilha proibida. Seu amigo Kado (Sabu) viaja como clandestino no seu barco e, logo ao chegarem à ilha, salva a vida de Ramu, matando uma pantera negra com a sua zarabatana. Enquanto isso, Tollea é informada por sua avó de que foi trazida de volta para a ilha, a fim de salvar seu povo dos feitos maléficos de sua irmã gêmea, a Grande-Sacerdotiza Naja (Maria Montez). Confundindo Naja com Tollea, Ramu corteja a Grande-Sacerdotiza e é correspondido, porém vem a ser preso, e escolhido para fazer parte de um grande sacrifício humano ao vulcão da Montanha Sagrada. Ele consegue fugir da prisão durante um interrogatório por Martok (Edgar Barrier), principal sacerdote de Naja. Ramu descobre que Naja não é Tollea e, ao saber que sua irmã está na ilha, a Grande-Sacerdotiza consente em deixá-la sair da ilha em segurança, se Ramu concordar em ficar com ela; todavia, Ramu foge. Kado é preso e torturado por Martok. Ele se recusa a dizer onde Ramu e Tollea estão até ser resgatado por Hava com o auxílio do chimpanzé Koko, que distrai os guardas. A rainha pede a Naja que abdique de seu cargo em favor da irmã, mas a Grande-Sacerdotiza se recusa, e ordena uma busca intensiva da ilha por Tollea, Ramu e Kado. A rainha é assassinada por Martok, Ramu e Kado são aprisionados, e Tollea finalmente vai ao castelo real e se confronta com a irmã. Naja morre, ao cair de uma das janelas do castelo, quando tentava arremessar uma lança em Tollea. Esta assume o lugar de Naja e manda suspender as execuções de Ramu e Kado. Percebendo quem ela é, Martok obriga-a a executar a dança da cobra, um ritual mortífero, por meio do qual a Grande-Sacerdotiza escolhia suas vítimas. No momento em que Tollea desmaia perto da serpente, Kado mata o ofídio com sua zarabatana. O vulcão entra em erupção, causando desordem e destruição. Hava mata Martok. Depois da morte do sacerdote, a erupção cessa, e o povo de Cobra se liberta da opressão. Ramu e Kado deixam a ilha, mas Tollea se esconde no barco deles, e convence Ramu a voltar para Cobra.

Pôster de Alma Cigana

Alma Cigana

ALMA CIGANA / GYPSY WILDCAT. Dir: Roy William Neill. Em uma feira cigana, o líder da tribo, Anube (Leo Carrillo), observa sua mulher Rhoda (Gale Sondergaad) ler a sorte, o filho Tonio (Peter Coe) tocar violino, e procura a principal atração de seu circo, a dançarina Carla (Maria Montez,) que ele adotou anos atrás, quando ela foi abandonada ainda bebê. Carla está descansando na floresta onde testemunha o assassinato do Conde Orso por uma flecha e depois vê um estranho, Michael (Jon Hall), afastar-se da cena do crime. Carla retorna à feira e dança, quando Michael chega, e fica arrebatado por sua performance, sem saber que Tonio o está espreitando, enciumado. O Barão Tovar (Douglas Drumbille) e suas tropas interrompem a dança, acusando os ciganos de terem assassinado o Conde Orso. Quando Michael diz a Tovar que os ciganos são inocentes, ele é imediatamente preso, mas consegue fugir a cavalo. Tovar então ordena que toda a tribo se dirija para o castelo após o que Carla encontra Michael escondido na floresta. Ela lhe indica um caminho secreto e ele foge dos soldados que o perseguem, depois de beijá-la apaixonadamente, notando a beleza de seu colar. Enquanto a caravana de ciganos ruma para o castelo, Tonio declara seu amor por Carla, mas ela lhe diz que ama Michael. Momentos depois, Michael entra na carroça de Anube, pedindo sua ajuda para escapar, prometendo-lhe descobrir o verdadeiro culpado e limpar o nome dos ciganos. Anube concorda, porém, assim que Michael vira as costas, ele o golpeia, com a intenção de entregá-lo a Tovar em troca da liberdade de sua tribo. Quando as tropas de Tovar chegam à procura de Michael, Carla o salva, disfarçando-o como um palhaço. No castelo, um suspeitoso Tovar pede para ver uma performance do palhaço, mas Michael escapa mais uma vez. Tovar ameaça queimar Carla com ferro em brasa se ela não revelar a identidade do palhaço, porém interrompe sua ameaça, quando vê o colar de Carla. No dia seguinte, depois que mandou prender os ciganos, Michael se apresenta diante dele e lhe revela que é um mensageiro enviado pelo rei e que sabe que Tovar matou o conde. Tovar ataca Michael, mas ele, depois de lutar com Tovar, consegue escapar. Em seguida, Tonio e Carla também fogem, e encontram Michael ferido por um guarda. Eles o levam para a floresta, onde Carla cuida dele. À noite, Tonio parte sem dizer nada, e Carla, para proteger Michael, distrai a atenção dos soldados que se aproximam, e é presa. Entrementes, Tovar diz ao comandante militar, Marver (Harry Cording) que o colar de Carla prova que ela é a filha da Condessa Orso, há muito tempo desaparecida e, portanto, herdeira do castelo. Enquanto Tovar planeja se casar com Carla, para se tornar dono de sua propriedade, Tonio incita as outras tribos ciganas para a luta. Ao mesmo tempo, Michael volta ao castelo para resgatar Carla, e é preso. Desesperada, Carla concorda em se casar com Tovar em troca da liberdade de Michael e dos ciganos. No dia do casamento Michael lidera os ciganos em uma fuga e Tovar foge levando Carla consigo em uma carruagem junto com o tabelião (Nigel Bruce). Michael o segue com um grupo de ciganos, resgata Carla enquanto que as tropas de Tovar são derrotadas por Tonio e os outros ciganos. Tonio morre, ao salvar Michael de ser atingido pela faca de Tovar. Ao recuar apavorado, este cai sobre a ponta de uma flecha que havia atravessado a porta da carruagem. MIchael e Carla retomam o castelo e os ciganos prosseguem sua jornada.

Pôster de A Rainha do Nilo

A Rainha do Nilo

A RAINHA DO NILO / SUDAN. Dir: John Rawlings. Naila (Maria Montez), jovem e bela princesa egípcia, dança incógnita no mercado de Kemis, a cidade real às margens do Nilo. Ao saber que seu pai está retornando de uma viagem, ela corre para o palácio justamente a tempo de vê-lo morrer. Informada por Horadef (George Zucco), seu ministro conselheiro, de que o pai foi morto por Herua (Turhan Bey), líder de um bando de escravos foragidos, Naila jura vingança. Ela diz a Horadef que pretende procurar o assassino de seu pai viajando pelo deserto disfarçada de camponesa e ele então manda sequestrá-la, a fim de que possa reinar em seu lugar. Capturada e marcada com ferro em brasa como escrava, Naila consegue escapar, quando está para ser vendida a um mercador, Maatet (Robert Warwick). No deserto, ela encontra dois ladrões, Merab (Jon Hall) e Nebka (Andy Devine, que a conduzem para um leilão de cavalos. Após ganhar uma corrida, montando um belo animal, Naila e os dois amigos são aprisionados pelos seus perseguidores, porém Herua e seus homens os salvam. Herua os conduz para a cidade secreta dos escravos nas montanhas, onde o líder rebelde expressa seu amor por Naila. Quando Herua lhe revela sua verdadeira identidade, ela põe de lado seus pensamentos românticos e, planejando uma vingança, lhe pede para voltar à cidade real, para atuar como sua espiã. Em Kemis, Naila retoma seu trono e arma uma cilada para Herua que, em consequência, vem a ser preso. Herua proclama sua inocência quanto a morte do pai de Naila, mas ela, com o coração partido, ordena sua execução. Embora esteja também apaixonado por Naila, Merab ajuda Herua a escapar, trocando de lugar com ele no cativeiro. Ao despertar na manhã seguinte, Merab diz que foi vítima de mágica negra, tendo sido transportado por um tapete mágico de um harém para a cela da prisão. Perturbada, Naila ordena sua libertação, mas Horadef manda prender Naila e Merab. Enquanto definham na masmorra, Merab mostra para Naila o contéudo da bolsa de Horadef, que ele havia roubado. Reconhecendo o anel real de seu pai, ela finalmente compreende que seu ministro conselheiro foi o assassino de seu progenitor e não Herua. Horadef tortura Merab, e Naila concorda em lhe indicar o esconderijo de Herua. Ela conduz Horadef e suas tropas por uma passagem na montanha sabendo que a cidade está bem protegida. Avisado por Merab da invasão iminente, Herua deixa Naila passar pelo caminho estreito, antes de provocar uma avalanche de pedras. As tropas de Horadef sobreviventes são derrotadas pelos escravos e Hoaradef é morto por uma flecha atirada por Merab. Naila casa-se com Herua e Merab e Nebka voltam à sua vida de ladrões.

Montez, Hall, Sabu

Essas fantasias pseudo-orientais ou tropicais tinham sempre os mesmos ingredientes: cenários grandiosos, fictícios e virtuais; fotografia em Technicolor de primeira ordem; histórias pitorescas com certas inverossimilhanças narradas em uma média de oitenta minutos, com muita vivacidade; par romântico atraente formado por intérpretes sofríveis, mas que atuavam com sinceridade, sempre focalizados em lindos close-ups; coadjuvantes de origem estrangeira (vg. Turhan Bey / Turhan Gilbert Selahattin Sahultavy, nascido na Áustria, filho de um diplomata turco e Sabu / o indiano Selar Shaik Sabu, filho de um condutor de camelos) e / ou oriundos das comédias curtas (vg. Billy Gilbert, Andy Devine, Shemp Howard) para os interlúdios cômicos ingênuos, porém espirituosos; figurinos belos e exóticos providenciados por Vera West e adornados pelas jóias de Eugene Joseff; música devidamente estridente para reforçar a ação (embora às vezes anacrônica); clímaxes excitantes (vg. as centenas de cavaleiros, tendo à frente Ali-Ben Ali, surgindo das montanhas em As Mil e Uma Noites, o terremoto em Branca Selvagem; a dança dos tártaros brandindo suas espadas em Ali Baba e os Quarenta Ladrões; a prova diante do Rei Cobra e a erupção do vulcão em Mulher Satânica; a perseguição desenfreada da carruagem em Alma Cigana, a avalanche de A Rainha do Nilo); propaganda para o esforço patriótico (eis que em todos os filmes subsistia subliminarmente o tema da resistência de um povo contra um tirano usurpador do poder); e, é claro, os finais felizes. Foram espetáculos muito populares e lucrativos na ocasião de seu lançamento, tendo sido reprisados algumas vezes, inclusive em nosso país, apesar de serem fustigados pelos críticos que, no entanto, reconheciam seu êxito como entretenimento.

SESSÕES PASSATEMPO NO RIO DE JANEIRO NOS ANOS 40-50

May 24, 2014

Na França, os cinéacs (termo que surgiu da contração de “cinéma” e “actualités”) eram salas de cinema especializadas na projeção de filmes de atualidades, os precursores dos cine-jornais. O Pathé-Journal, por exemplo, mostrava somente atualidades em um programa de uma hora de duração. O primeiro cinema britânico que ofereceu apenas cine-jornais foi o Daily Bioscop, inaugurado em 23 de maio de 1909. Em 2 de novembro de 1929, William Fox abriu o primeiro cinema dedicado exclusivamente aos cine-jornais falados, o Embassy, situado na Broadway com a Rua 46 em Nova York. Este gênero de programação fez um sucesso tão grande que a Fox e seus financiadores anunciaram que iriam iniciar uma cadeia por todo o país, que seriam acompanhados por desenhos animados e shorts.

Nos anos trinta e quarenta os cine-jornais foram comumente apresentados antes do filme principal mas houve vários newsreels theatres em muitas cidades dos Estados Unidos. Alguns grandes cinemas incluíam também um theaterette, sala menor onde os cine-jornais eram exibidos continuamente.

No Brasil, o espanhol Sr. José Maria Domenech, associado ao engenheiro e farmacêutico brasileiro Dr. Benjamim da Fonseca Rangel, recusou–se a passar longas-metragens de ficção, apostando nas chamadas “sessões passatempo”, constituídas geralmente de cine-jornais, documentários curtos, desenhos animados, shorts de viagens, musicais ou humorísticos, comédias curtas e seriados.

Em 22 de dezembro de 1938, uma quinta-feira, o carioca recebeu a nova casa de  diversões da Avenida Rio Branco n.181, térreo, que vinha sendo anunciada assim pela imprensa:

“O Cineac Trianon, o super-cinema da avenida, que vai dar a nota elegante do centro da cidade, tanto pela sua esplêndida instalação como pelo constante interesse do novo gênero cinematográfico que apresenta é, sobretudo, uma casa do mais requintado bom gosto – distinta, moderna e original. Desde a entrada, o Cineac Trianon diferencia-se de quanto existe em nossa cidade, mesmo dos cinemas recentemente construídos.

O arquiteto Stelio Alves de Souza, que projetou o edifício e o cinema, fez ao Diário de Notícias as seguintes declarações (que cito sem corrigir a gramática):  “… O Cineac Trianon é o primeiro no gênero no Brasil … Construiu-se para isso especialmente, uma casa de espetáculos formando grandioso conjunto arquitetônico, precedido de gigantesca marquise, provida de iluminação indireta, a nove metros acima da calçada.

O teto do “hall” é todo iluminado por tubos de gás néon azul, em sancas, produzindo efeito de cor de gelo. O “hall” de entrada é inteiramente livre, ladeado por vitrines para exposição de objetos artísticos e outros finos artigos de comércio. O “hall” central é dividido ao meio por graciosas colunas revestidas de aço inoxidável, em espiral, e de um polido semelhante ao da prata nova.

A escada de acesso ao balcão da sala de projeções serve também à Sala Azul, restaurante, bar e sorveteria de luxo. Constitui ela  o “clou” da decoração, com os seus degraus aéreos, sem suportes laterais, toda em borracha e aço. A decoração é completada por espelhos. Os “lambris” e o balcão do bar são em sucupira, madeira admirável, acabada na cor natural.

Quanto à sala de projeção, preferiu-se construí-la com inclinação ao contrário do comum, subindo para a tela, em lugar de descer; e isso facilita a visibilidade. A decoração luminosa, última palavra no assunto, é produzida pelo moderníssimo aparelho alemão Bordoni, que produz algumas centenas de mutações de cores por minuto de uma forma quase insensível para os espectadores.

A ornamentação das paredes é feita em pinturas modernas, lembrando os diferentes continentes. Por cima da tela colocou-se elegante relógio, destinado aos espectadores que costumam ir ao cinema para fazer hora. Foram previstos aparelhos especiais para os surdos.

Ao comprar o bilhete, o espectador recebe um desses pequenos aparelhos que, adaptado a uma tomada na cadeira ligada ao alto-falante, permite audição perfeita.

Em resumo: belo, moderno, extremamente confortável, dispondo de excelente refrigeração, o Cineac Trianon faz honra aos grandes progressos da nossa capital”.

Frequentador do Cineac no seus tempos áureos da década de quarenta, lembro-me muito bem do longo corredor que levava à sala de projeção e do relógio, que me indicava se já estava na hora de sair e encontrar meu pai, que ali me deixara enquanto cumpria algum compromisso.

Nos dias que precederam à inauguração da sala, houve uma divulgação intensa. Saíram no Correio da Manhã anúncios chamando a atenção para “As 10 Inovações do Cineac”, um por dia: 1. imprensa animada … o espetáculo do mundo; 2. som individual em cada poltrona para as pessoas que ouvem mal; 3. ar ozonizado … depois de condicionado … o ar das montanhas no cinema; 4. platéia inclinada inversamente para melhor visibilidade; 5. sinfonia de cores … em iluminação progressiva e contínua; 6. noção da hora durante o espetáculo … pela luz amarela do espectro; 7. preço sem … sê-lo! (sic); 8. serviços de Bar americano, chá, cocktail … e pequenos almoços; 9. Sala Azul … mobiliário ultra moderno de aço e cristal; 10. galeria de exposições … com entrada livre. Na data da estréia, saíram todas as inovações em um só anúncio.

Do primeiro programa do Cineac Trianon, anunciado como “70 Minutos em Volta do Mundo”, constavam as seguintes atrações: Notícias do Rio – Atualidades UFA – Jóias Marinhas – Caçadores no Polo com o Pato Donald – Paramount News – A Marcha do Tempo – Imprensa Animada Cineac – O Moinho Velho, uma das novas 35 sinfonias coloridas de Walt Disney.


A partir daí sucederam-se cine-jornais (Imprensa Animada – editado pela agência francêsa Havas e ilustrado a partir de maio de 1942 por Luiz Sá), Notícias do Dia, O Esporte em Marcha, O Mundo em Revista, Atualidades UFA, Atualidades O Globo (da Cinédia), Atualidades RKO – Pathé, Paramount – RKO News, Olympic Jornal, Luce Jornal, Atualidades Francêsas etc.) com as notícias do mundo e principalmente da guerra e do pós guerra (vg. Devastação de Tóquio, O Suicídio de Himmler, Quisling Condenado à Morte, O Harakiri Coletivo de Iwo Jima, Os Americanos Ocupam o Japão Vencido, A Morte de Mussolini e Clara Petacci, O Inferno Atômico de Nagasaki, A Vida Íntima de Eva Braun, A Libertação de Paris etc.); cine-revistas como A Marcha do Tempo e Assim é a América; desenhos animados (Pato Donald, Mickey Mouse, Pluto, Pateta, Popeye, O Touro Ferdinando, Superhomem, Gato Felix, Tom e Jerry e inclusive desenhos de longa-metragem (Fantasia, Bambi) exibidos por partes; animação (Os Puppetoons de George Pal – aqui chamados de Bonecos Movíveis de Pal – com seu personagem principal Jasper, traduzido por Gasparim); shorts de várias espécies (Pete Smith, Retrorelâmpagos, Ainda que Pareça Incrível, Instantâneos de Hollywood, Ocupações Inusitadas, Ciência Popular, Tapete Mágico, Aventuras do Arco e Flexa com o arqueiro Howard Hill, Divertimentos Aquáticos, Ray Whitley e seus vaqueiros musicais etc.); comédias curtas (com Shirley Temple, Edgar Kennedy, Andy Clyde, Leon Errol, Billy Gilbert, Hugh Herbert,  Wally Brown, Gil Lamb, O Gordo e o Magro, Buster Keaton, Harry Langdon, Vera Vague, Os Peraltas / Our Gang, Os Três Patetas, anunciados como “Os Campeões da Cretinice”, etc.); seriados (O Fantasma Voador, O Misterioso Dr. Satan, O Morcego, O Código Secreto, O Falcão do Deserto, Brenda Starr, Repórter etc.) e filmes em 16mm como Minha Vida no Sertão com o caçador Sacha Siemel.

Isto tudo em sessões contínuas das 10hs e/ou 11hs ou 12hs à meia-noite, além das Matinées Infantís aos domingos com distribuição de sorvetes grátis no Salão Azul para a criançada e da Sessões Juvenís. Em 1944 foi instituido o Cartão Assinatura para 15 Semanas de Cineac, “Sem fila! Sem troco! E com desconto”, como dizia o anúncio na imprensa. No mesmo ano, o Cineac Trianon exibiu em sessão única às 22hs. excelentes filmes francêses como, por exemplo, A Mulher do Padeiro / La Femme du Boulanger de Marcel Pagnol com Raimu e Trágico Amanhecer / Le Jour se Lève de Marcel Carné com Jean Gabin.

Em 30 de novembro de 1953 Domenech lançou pela primeira vez no Rio a 3a Dimensão, porém os filmes de longa-metragem eram exibidos por sequências (vg. em uma semana passava a 1a sequência de Rastros do Inferno / Inferno / 1953 e, na próxima, via-se outra sequência).

Em 1 de dezembro de 1953 saiu no Correio da Manhã esta explicação pitoresca ao público: “A despeito do treino intensivo a que foram submetidos durante uma semana os operadores do Cineac, para lidar com a nova aparelhagem da 3a Dimensão, verificou-se inexplicavelmente um estado de nervosismo, provocado pela demora do início do espetáculo. Agradecemos a boa vontade da maioria do público que assistiu as exibições, pela atitude compreensiva que adotou, solidarizando-se com o pioneirismo da iniciativa. IMPORTANTE: Afim de evitar a repetição de tal anomalia, o Cineac passará a apresentar , por enquanto, a partir de hoje, uma única sessão em 3a Dimensão, todas as noite às 22hs”. Entretanto, como a COFAP (Comissão Federal de Abastecimento e Preços) não autorizara o cinema a funcionar com o preço teto de CR$10,00 nas sessões especiais noturnas em 3-D, a sala teve que encerrar as mesmas provisoriamente, até que a questão fosse definida definitivamente.

A partir de 13 de julho de 1940, Luiz Severiano Ribeiro e Domenech entraram em acordo, e o, Cinema Gloria, situado na Pça Floriano n. 35/37, funcionou em combinação com o Cineac Trianon, tornando-se o Cineac Gloria, que ficou em funcionamento desta forma até 31 de dezembro de l943. Os jornais anunciaram: “Agora … duas voltas ao mundo por semana – Gloria Cinelândia /  Cineac /  Trianon Avenida – Programas diferentes.”

Em 1 de janeiro de 1944, surgiu o Cineac O.K. na rua Alcindo Guanabara n.17, subsolo, que esteve em atividade até 4 de outubro de 1945, com o mesmo programa do Trianon. Os jornais noticiaram: “Um dos acontecimentos mais simpáticos e bem acolhidos por parte do público, com que se inicia hoje a temporada cinematográfica de 1944, é sem dúvida a abertura do “Cineac O.K.” refrigerado, funcionando ao preço único de Cr$1.50 apenas, em substituição do Gloria, que deixou de existir ontem como Cineac. Assim pois, de hoje em diante, os apreciadores do Cineac na Cinelândia terão uma ótima casa com ar condicionado perfeito, apresentando programas deste gênero sempre agradável, instrutivo e divertido, que converteu o Cineac no expoente do que há de melhor em matéria de diversão leve”.

Em 31 de dezembro de 1943, em pré-estréia à meia-noite e depois regularmente à partir do dia 1 de janeiro de 1944, o Cinema Capitólio (ex-Cine Broadway reaberto com este nome em 28 de fevereiro de 1942) deu início às suas famosas “Sessões Passatempo”, proclamando que “O Espetáculo Começa Quando Você Chega”.  A sessão começava ao meio-dia e aos domingos e feriados o cinema  proporcionava “Programas Infantís” às 9.30hs. Em cima da tela havia um globo iluminado por uma luz azul, conforme me lembrou meu amigo José Mauricio Ferraz, e as atrações eram semelhantes às do Cineac Trianon.


Com a publicação  em  9 de janeiro de 1959 da Portaria da COFAP que classificou os cinemas exibidores de filmes de curta-metragem como de 2a categoria, obrigando-os a cobrarem menos 60% do preço de ingresso dos cinemas  incluídos na 1ª categoria, o Cineac Trianon e o Capitólio abandonaram aos poucos as suas tradicionais sessões passatempo e começaram a passar filmes de longa-metragem.

O Cineac encerrou suas sessões passatempo de forma  integral em 13 de maio de 1959, passando a exibir, a partir de 18 de maio, variedades, desenhos e jornais apenas até às 18 horas e longas-metragens nas sessões de 18-20-22hs, iniciando  esta nova fase com uma reprise, Brutalidade / Brute Force / 1947 de Jules Dassin. Depois, o Cineac passou a exibir somente longas-metragens (a maioria de baixa qualidade e inclusive filmes eróticos programados por Osiris Parcifal de Figueiroa da distribuidora Horus Filmes), encerrando suas atividades em 17 de junho de 1973, após 34 anos cinco meses e 23 dias de atividade ininterrupta. Antes de fechar definitivamente as portas, Osiris reabriu a sala ainda em um dia, para realizar a avant-première de seu ultimo filme, O Fraco do Sexo Forte / 1968 (Dir: Ismar Porto).

Ainda no tempo das sessões passatempo, o Cineac abrigou no Salão Azul a exibição do faquir Silki (um gaúcho cujo verdadeiro nome era Adelino João da Silva) que, encerrado em uma urna de vidro, deitado em um leito de pregos e ladeado por cobras, dispunha-se – a partir de 29 de abril de 1955 – a bater o recorde mundial de jejum e tortura, então detido pelo faquir francês Burman. O Chefe de Polícia do Distrito Federal, Coronel Menezes Cortes, recomendou policiamento permanente para o local durante as vinte e quatro horas do dia. Silki superou Burman, ficando mais de 99 dias sem comer e beber. Ele bateu o recorde em 6 de agosto de 1955, mas ficou na urna até o dia seguinte, domingo, para participar do Festival Silki, com que foi homenageado pelos grandes astros e estrelas do Rádio no Ginásio do Maracanã, onde recebeu a Taça Cineac do Brasil.

O Capitólio encerrou suas sessões passatempo em 9 de julho de 1961 e passou a exibir longas–metragens, começando também com uma reprise, As Mil e Uma Noites / Arabian Nights / 1942 (Dir: John Rawlings). Em 31 de dezembro de 1963 entrou em obras e, a partir de 1 de janeiro de 1964, reinaugurou com O Satânico Dr. No/ Dr. No / 1962 (Dir: Terence Young), funcionando até 23 de julho de 1972, sendo o último filme nele exibido, A Sorte tem Quatro Patas / The Horse in the Gray Flannel Suit / 1968 (Dir: Norman Tokar).

Em 31 de dezembro de 1947, o conhecido autor teatral Geysa Boscoli (irmão de Jardel Jercolis) inaugurou na Av. Atlântica 24 em Copacabana o Cineminha do Leme, dedicado à sessões de filmes curtos em 16mm variados para crianças e, em 18 de junho de 1948, o Cineminha Cineac Infantil, localizado na Av. Copacabana 921, esquina com Rua Bolivar onde funcionou concomitantemente com o Teatro Jardel. Todas as tardes das 14 às 18hs e aos domingos e feriados das 10hs às 18hs., o teatrinho de 173 lugares funcionava como cinema para a gurizada e, à noite, como teatro, para o público adulto.

A iniciativa de Boscoli sofreu tremenda campanha por parte dos grandes exibidores que só admitiam a exibição de filmes 16mms em cinemas que distassem 10 km das suas casas exibidores. Ele teve dificuldades também em obter filmes em 16mm, pois, havendo entradas pagas, as filmotecas das embaixadas americana, britânica e francêsa e da Agência Nacional não podiam ceder ou alugar seus acervos. Contando apenas com o estoque da Castle Filmes (cuja representante autorizada no Brasil era a Corrêa Souza Filmes) e suas congêneres que alugavam filmes de 16mm para associações ou particulares, Boscoli recorreu a programas mistos, apresentando em conjunto com os desenhos animados e comédias, espetáculos de marionetes, fantoches, ventríloquos, mágicos etc. O Cineminha CIneac Infantil funcionou até fevereiro de 1949.

Em 15 de agosto de 1952, Livio Bruni inaugurou o Cine-Passatempo “Royal” na Avenida Atlântica 3806, subsolo  da Galeria Alaska, com sessões diárias  das 10hs às 24hs. As sessões passatempo no Cinema Royal persistiram até maio de 1956.

Entretanto, esse tipo de espetáculo não deixou de existir nesta data. Nos anos sessenta, por obra do mesmo Domenech do Cineac Trianon, surgiriam as Sessões Cine-Hora no Cinema Festival (Av. Rio Branco 156, sobreloja 322), o Cinema Cine-Hora (Avenida Rio Branco 156, subsolo) e Cine-Hora Copacabana (Avenida N.S. de Copacabana 680, loja H.).

DIRETORES DE FOTOGRAFIA DO FILME NOIR

May 10, 2014

O filme noir foi criado dentro do sistema de estúdio pelo esforço colaborativo de diretores, roteiristas, atores, cenógrafos, figurinistas e compositores. Esses artistas desempenharam um papel vital no desenvolvimento desse sub gênero do drama criminal. Entretanto, como estilo fotográfico, o noir foi definido primordialmente pelo diretor de fotografia. Era ele que controlava as luzes, que providenciava um esquema fotográfico para cada filme. Em verbetes sucintos, exponho abaixo a carreira cinematográfica dos diretores de fotografia, que fizeram pelo menos três filmes noirs.

JOHN ALTON (1901-1996). Nasceu, recebendo o nome de Johann (Jacob) Altmann, em Sopron / Ödenburg, Austria-Hungria (hoje Hungria) e iniciou sua carreira no cinema em 1923 como técnico de laboratório na MGM e depois passou a ser assistente de câmera. Contratado como operador de câmera pela Paramount, partiu para a Europa com Ernst Lubitsch, a fim de filmar algumas cenas de fundo para O Príncipe Estudante / The Student Prince / 1927 e acabou ficando em Paris por um ano, chefiando o departamento de câmera no estúdio da Paramount em Joinville. Em 1932, transferiu-se para a Argentina, onde montou dois estúdios sonoros, um para a S.A. Radio-Cinematografica Lumiton e outro para a Argentina Sono Film. Alton casou-se com uma jornalista local, Rozalia Kiss, e ficou no país durante sete anos, fazendo a iluminação de vários filmes, e estreando como diretor em El Hijo de Papá / 1933. Em 1939, de volta a Hollywood, ingressou na Republic e, depois de prestar serviço no U.S Signal Corps durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para a RKO e Monogram. De 1940 a 1947, Alton continuou na área dos filmes “B” e começou a ser reconhecido no meio profissional – como um diretor de fotografia que trabalhava rápido, usando poucas luzes, e tinha a capacidade de fazer com que um filme “B” parecesse um filme “A” -, notadamente pelos filmes noir que fêz em colaboração com Anthony Man: Moeda Falsa / T-Men / 1947, Entre Dois Fogos / Raw Deal / 1948, Mercado Humano / Border Incident / 1949, Pecado sem Mácula / Side Street / 1949 e Demônio da Noite / He Walked by Night (dirigido na sua maior parte por Mann). Alton encontrou em Mann, um cineasta suscetível às sutilezas da luz e da sombra. Sua virtuosidade como iluminador, combinada admiravelmente com o senso de espaço agudo do diretor, produziu essas pérolas de cinematografia noir. Outros filmes noirs de Alton: Prisioneiro do Medo / The Pretender / 1947, A Cicatriz / Hollow Triumph / 1948, Afrontando a Morte / The Crooked Way / 1949, A Noite de 23 de Maio / Mystery Street / 1950, A Um Passo do Fim / People Against O’Hara / 1951, Eu, o Júri / I, The Jury / 1953, O Império do Crime / The Big Combo / 1954, O Poder do Ódio / Slightly Scarlet / 1956. Além de uma experiência em O Poder do Ódio, no qual transferiu as características da fotografia em preto e branco para cor, Alton usou o colorido de maneira expressiva em filmes de Richard Brooks (vg. Os Irmãos Karamazov / Brothers Karamazov, Entre Deus e o Pecado / Elmer Gantry / 1960) e Vincente Minnelli (vg. a sequência do longo balé final de Sinfonia de Paris / An American in Paris / 1951, que lhe proporcionou o Oscar de Melhor Fotografia em cores). Alton publicou um livro muito conhecido, Painting with Light (University of California, 1995), cujo título sintetiza bem a sua arte.

ELWOOD “WOODY” BREDELL (1884-1976). Nasceu em Londres, Reino Unido com o nome de Elwood Bailey Bredell e estreou na vida artística em 1917 como ator em Tio Zeca ou Dinheiro ou ForcaSouthern Justice (no papel de Daws Anthony), dirigido por Lynn F. Reynolds. Entre 1931 e 1934 trabalhou como fotógrafo de cena de várias produções da RKO e da Paramount. Em 1936, funcionou na Universal como segundo operador de câmera sob as ordens de Joseph Valentine nos filmes Dois Entre Mil / Two in a Crowd e Três Pequenas do Barulho / Three Smart Girls. Em 1937, estreou como diretor de fotografia em Audaciosa Reportagem / That’s My Story. Como diretor contratado da Universal, Bredell atuou em uma variedade de filmes, sem demonstrar um estilo minimamente óbvio mas, em Sherlock Holmes e a Voz do Terror / Sherlock Holmes and the Voice of Terror / 1942, mostrou sua capacidade para evocar o aspecto dark de um drama, usando as sombras. Um pouco mais tarde, ele foi um colaborador importante da equipe de Robert Siodmak, fotografando dois de seus filmes noirs mais famosos: A Dama Fantasma / Phantom Lady / 1944  e Assassinos / The Killers / 1946. Em 1947, Bredell foi para a Warner Bros. onde participou de filmes de maior orçamento e em Technicolor como As Aventuras de Don Juan / Adventures of Don Juan / 1948 e O Inspetor Geral / The Inspector General / 1949, e de mais um filme noir, Sem Sombra de Suspeita / The Unsupected / 1947.

NORBERT BRODINE (1896-1970). Nasceu em Saint Joseph, Missouri, EUA. Após estudar na Columbia University, trabalhou como fotógrafo de cena em Hollywood, estreando como diretor de fotografia (em conjunto com Marcel Picard) em uma comédia de Will Rogers, Quase um Marido / Almost a Husband, produzida pela Goldwyn Pictures. No mesmo ano, assumiu sozinho a cinematografia de Reverência de Toby / Toby’s Bow. Na sua carreira, por diversas companhias (Columbia, Warner, Pathé Exchange, MGM, Universal etc.), chama atenção a sua colaboração com o diretor Frank Lloyd em 16 filmes, (entre eles o magnífico O Gavião do Mar / The Sea Hawk / 1924), William Wyler  (O Conselheiro / Counsellor at Law /1934) e Frank Borzage (Vale a Pena Viver? / Little Man What Now? /1934). Em 1937, Brodine passou  a prestar serviços exclusivamente para Hal Roach (vg. A Dupla do Outro Mundo / Topper / 1937, Carícia Fatal / Of Mice and Men / 1939) e, em 1943 transferiu-se para Fox, onde contribuiu com seus dotes artísticos para cinco filmes de guerra excelentes (A Casa da Rua 92 / The House on 92nd Street / 1945,  13 Rua Madeleine / 13 Rue Madeleine / 1947,  Homens Rãs / The Frogmen / 1951,  A Raposa do Deserto / The Desert Fox / 1951), Cinco  Dedos / 5 Fingers / 1952) e para os filmes noirs: Uma Aventura na Noite / Somewhere in the Night / 1946, O Justiceiro / Boomerang / 1947, O Beijo da Morte / Kiss of Death / 1949, Mercado de Ladrões / Thieves Highway / 1949.

GEORGE E. DISKANT (1907-1965). Nasceu em Nova York, N.Y.  Ingressou na RKO em 1931 como membro da equipe de câmera (não creditado) na sequência da corrida para as terras em Cimarron / Cimarron, passando imediatamente a assistente de câmera e permanecendo nesta função no mesmo estúdio até 1945. Em 1946, tornou-se diretor de fotografia em uma comédia curta de Leon Errol (Twin Husbands) e, logo em seguida, de longas-metragens, a começar por O Punhal Sangrento / Dick Tracy vs. Cueball /1946. Na sua rota cinematográfica, despontam filmes muito interessantes como Uma Aventura no Panamá / Riff Raff / 1947 de Ted Tetzlaff e O Corsário Maldito / Sealed Cargo / 1951 de Alfred L. Werker. Porém sua contribuição mais expressiva deu-se na área do filme noir: Desesperado / Desperate / 1947, Amarga Esperança / They Live by Night / 1949, A Patrulha da Morte / Between Midnight and Dawn / 1950, A Estrada dos Homens sem Lei / The Racket / 1951, Os Quatro Desconhecidos / Kansas City Confidential e Rumo ao Inferno / The Narrow Margin / 1952.

ROBERT DEGRASSE (1900-1971). Nasceu em Maplewood, New Jersey, EUA. Oriundo de uma família  de artistas (seu irmão, Joseph DeGrasse, era diretor de cinema e seu tio, Sam De Grasse,  ator), ele entrou no meio cinematográfico como diretor de fotografia de seis westerns de Harry Carey e seis filmes com o cachorro Ranger. De 1931 a 1935, trabalhou como operador de câmera e, depois de participar de três produções britânicas, voltou a exercer a função de diretor de fotografia na RKO, participando de nove filmes estrelados por Ginger Rogers, inclusive o premiado como Oscar, Kitty Foyle / Kitty Foyke / 1940, dois filmes de horror de Val Lewton (O Homem Leopardo / The Leopard Man / 1943 e O Túmulo Vazio / The Body Snatcher / 1945). Exercitando-se no claro-escuro nos filmes de Val Lewton, ele chegou aos filmes noirs: Museu de Horrores / Crack Up / 1946, Nascido para Matar / Born to Kill / 1947, O Crime na Estrada / Bodyguard / 1948, Capturado / A Dangerous Profession / 1949, O Estrangulador Misterioso / Follow me Quietly / 1949 e Ninguém Crê em Mim / The Window /1949. Nos anos cinquenta, ele se tornou free lancer para fazer O Clamor Humano / Home of the Brave / 1949 e Espíritos Indômitos / The Men /1950  para o produtor Stanley Kramer,  e deixou o cinema em 1953.

BURNETT GUFFEY (1905-1983). Nasceu em Del Rio, Tennessee, EUA e ingressou no mundo da cinematografia nos anos vinte como assistente de câmera na Fox (vg. em O Cavalo de / Ferro / The Iron Horse / 1924, de John Ford, para o qual contribuiu também com alguma fotografia adicional) e depois na Famous-Players-Lasky, no final da década. De 1944 a 1966 trabalhou para a Columbia, e posteriormente como free lance. Recebeu indicação para o Oscar por A Trágica Farsa / The Harder They Fall / 1956, O Homem de Alcatraz / Birdman of Alcatraz / 1962 e O Rei de um Inferno / King Rat / 1965. Conquistou o prêmio da Academia por A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity / 1953 e Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas / Bonnie and Clyde / 1967. Embora tivesse sido um dos diretores de fotografia mais prolíficos do filme noir, preferia usar uma iluminação mais naturalista, enfatizando o cinza. Na sua filmografia noir incluem-se: Trágico Alibi / My Name is Julia Ross / 1945, Transviado / Night Editor / 1946, Dama, Valete e Rei / Johnny O’Clock / 1947, Paula / Framed / 1947, Na Teia do Destino / The Reckless Moment / 1949, O Czar Negro / The Undercover Man / 1949,  Escândalo / Scandal Sheet / 1952, Volúpia de Matar / The Sniper / 1952, Desejo Humano / Human Desire / 1954, Dinheiro Maldito / Private Hell 36 / 1954, A Maleta Fatídica / Nightfall / 1956.

SIDNEY HICKOX (1895-1982). Nasceu em Nova York, N.Y., EUA.  Começou sua carreira fílmica como assistente de câmera nos estúdios da Biograph em Nova York. Um ano depois, foi promovido a diretor de fotografia do filme O Romance de Gloria / Gloria’s Romance / 1916, seriado da Kleine, estrelado por Billie Burke. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como um dos cinegrafista no Navy Air Service. De volta a Hollywood, ele ingressou na First National Pictures. Em 1928, quando este estúdio foi absorvido pela Warner Bros., Hickox tornou-se empregado da Warner, permanecendo nesta condição até sua aposentadoria em 1955. Na Warner chama atenção sua colaboração em: 13 filmes de Raoul Walsh  (vg. O Ídolo do Público / Gentleman Jim / 1942 e Golpe de Misericórdia / Colorado Territory /1948). O estilo de Hickox era um tanto convencional, mas ele enriqueceu com sua arte filmes como, por exemplo, Confession / 1937 de Joe May; 1935; Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not /1944 de Howard Hawks, Fogueira de Paixões / Possessed / 1946 de Curtis Bernhardt e Três Segredos / Three Secrets / 1949 de Robert Wise.  Hickox fez apenas três filmes noirs, todos excelentes: À Beira do Abismo / The Big Sleep / 1946, Prisioneiro do Passado / Dark Passage / 1947 e Fúria Sanguinária / White Heat / 1949.

MILTON KRASNER (1904-1988). Nasceu em Philadelphia, Pennsylvania, EUA e deu seus primeiros passos no cinema trabalhando no laboratório (e brevemente como assistente de montagem) no estúdio da Vitagraph em Nova York. Nos anos vinte, prestou serviços como assistente de câmera e segundo operador de câmera para vários estúdios de Hollywood. Em 1933, quando estreou como diretor de fotografia em Strictly Personal, Krasner havia aprendido sua profissão servindo de assistente de luminares da câmera como Ted McCord, Sol Polito, Billy Bitzer, Lee Garmes, Lucien Andriot, Hal Mohr e Joseph Walker. Se existe uma dificuldade de se detectar um “estilo Krasner” no seu trabalho posterior, talvez isto seja devido à multiplicidade de influências que ele sofreu durante o seu aprendizado. Entre 1935 e 1947 Krasner estava na Universal, período em que compartilhou (com William V. Skall e W. Howard Greene) uma indicação para  o Oscar de Melhor Fotografia em cores por As Mil e Uma Noites / Arabian Nights / 1942. Na mesma companhia, foi responsável pela iluminação de dois grandes filmes noirs de Fritz Lang, Um Retrato de Mulher / A Woman in the Window / 1944 e Almas Perversas / Scarlet Street / 1945. Ele demonstrou ainda a sua capacidade na fotografia em preto e branco em Fatalidade / A Double Life / 1947, fez mais um noir, Acusada / The Accused / 1948 e usou a iluminação expressionista no drama esportivo Punhos de Campeão / The Set-Up / 1949. Logo depois, iniciou uma colaboração frutífera com o diretor Joseph L. Mankiewicz (Sangue do meu Sangue / House of Strangers / 1949, O Ódio é Cego / No Way Out / 1950, A Malvada / All About Eve /1950 etc.). Dos anos cinquenta em diante, Krasner adaptou-se às superproduções em diferentes processos de cor e formato de tela larga  (vg. Demetrius, o Gladiador / Demetrius and the Gladiators / 1954,  O Rei dos Reis / King of Kings /1961, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse / The Four Horsemen of Apocalypse / 1962, segmento de A Conquista do Oeste / How the West Was Won / 1962). Ele foi indicado para o Oscar de Melhor Fotografia por sua participação em A Malvada / All  About Eve / 1950, Tarde Demais para Esquecer / An Affair to Remember / 1957 e O Destino é o Caçador / Fate is the Hunter / 1964 e conquistou o prêmio da Academia por A Fonte dos Desejos / Three Coins in the Fountain / 1954.

JOSEPH LASHELLE (1900-1989). Nasceu em Los Angeles, Califórnia, EUA. Após graduar-se na Hollywood High School em 1920, arrumou emprego como assistente  no  novo laboratório da Paramount, a fim de custear seus estudos na Stanford University. Promovido a superintendente do setor de copiagem, resolveu ficar na indústria de cinema. Em 1925, trabalhou como operador de câmera sob as ordens de Charles G. Clarke e, posteriormente, começou uma longa associação com Arthur Miller na Fox, participando como cameraman de filmes como  Como Era verde o Meu Vale / How Green Was My Valley / 1941 e A Canção de Bernadette / Song of Bernadette / 1943. Em 1943, fez seu primeiro filme como diretor de fotografia, Filho Querido / Happy Land. Lashelle distinguiu-se pela sua aptidão tanto para a fotografia em preto e branco como para a colorida e estava sempre “à vontade” tanto em comédias-dramáticas intimistas passadas em interiores (vg. Se Meu Apartamento Falasse / The Apartment / 1960) como em filmes passados em vastos panoramas ao ar livre (vg. A Conquista do OesteHow the West Was Won / 1962). LaShelle fez quatro filmes noirs: Laura / Laura / 1944, Anjo ou Demônio? / Fallen Angel / 1945, Passos na Noite / Where the Sidewalks Ends / 1950 e Da Ambição ao Crime / Crime of Passion / 1957, nos quais ajudou a desenvolver a atmosfera adequada ao gênero. Em Laura, ele forneceu o clima noir adequado, através de uma iluminação dramatizada, que lhe proporcionou o Oscar de Melhor Fotografia. O eminente cinematographer recebeu mais sete indicações para o prêmio da Academia: Falam os Sinos / Come to the Stable / 1949, Eu Te Matarei Querida / My Cousin Rachel / 1952, Marty / Marty / 1955, Calvário de Glória / Career / 1959, Se Meu Apartamento Falasse / The Apartment / 1960, A Conquista do Oeste / How the West Was Won / 1962, Irma la Douce / Irma la Douce / 1963, Uma Loura por um Milhão /  The Fortune Cookie / 1966.

ERNEST LASZLO (1898-1984). Nasceu em Budapest, Austria-Hungria (hoje Hungria). Em 1926, emigrou para os Estados Unidos. Entre 1927 e 1943 integrou, como assistente de câmera, a equipe de dois clássicos de aviação: Asas / Wings / 1927 e Anjos do Inferno / Hell’s Angels / 1930 e depois foi contratado como operador de câmera pela Paramount. Ele trabalhou para cinematographers como Karl Struss, David Abel, Charles Lang e Leo Tover e depois foi promovido a diretor de fotografia, iniciando suas atividades nesta função em dois filmes de John Farrow, A Quadrilha de Hitler / The Hitler Gang / 1944 e Hiena dos Mares / Two Years Before the Mast / 1946, nos quais demonstrou o seu domínio sobre a iluminação em chave-baixa. A contribuição de Laszlo para o filme noir manifestou-se em: Impacto / Impact / 1949, Numa Noite Sombria / Manhandled / 1949, Com as Horas Contadas / D.O.A. / 1950, A Morte num Beijo Kiss Me Deadly / 1955, No Silêncio de uma Cidade While the City Sleeps / 1956. Fora desta área, Laszlo teve um relacionamento produtivo com Robert Aldrich (vg. nos westerns O Último Bravo / Apache / 1954, Vera Cruz / Vera Cruz / 1954, O Último Pôr-do Sol / The Last Sunset / 1961, todos em cores, e nos dramas em preto e branco A Grande Chantagem / The Big Knife / 1955 e  A Dez Segundos do Inferno/ Ten Seconds to Hell / 1959. Ele também realizou uma fotografia notável em preto e branco em filmes de Stanley Kramer (O Vento Será Tua Herança / Inherit the Wind / 1960,  Julgamento em Nuremberg / Judgement in Nuremberg / 1961 e A Nau dos Insensatos / Ship of Fools / 1965. Estes três filmes e outro de Kramer em cores, Deu a Louca no Mundo / It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World /1963 proporcionaram-lhe indicações para o Oscar de Melhor Fotografia, apenas conquistado por A Nau dos Insensatos.

JOSEPH MACDONALD (1906-1968). Nasceu em Mexico City, Mexico, filho de americanos. Após cursar engenharia na University of Southern Califórnia, ingressou como assistente de câmera na First National em 1921 e, na década seguinte, foi promovido a primeiro operador de câmera. Em 1941, quando entrou para a 20th Century Fox, onde se tornou diretor de fotografia, ficando neste estúdio até 1959. Macdonald trabalhou em grandes filmes de diretores eminentes (vg. Paixão dos Fortes / My Darling Clementine / 1946 de John Ford, Céu Amarelo / Yellow Sky / 1948 de William Wellman e Viva Zapata / Viva Zapata / 1952 de Elia Kazan) e, mais assiduamente, em filmes de Henry Hathaway (Além de dois filmes noirs, Capitães do Mar / Down to the Sea in Ships /1948, Horas Intermináveis / Fourteen Hours / 1950, Agora Estamos na Marinha / You’re in the Navy Now / 1950, Missão Perigosa em Trieste / Diplomatic Courier / 1950, Torrente de Paixão / Niagara / 1952, Feitiço Branco / White Witch Doctor /1952, Caminhos sem Volta / The Racers /1954 e Edward Dmytryk (Lança Partida / Broken Lance /1954, Os Deuses Vencidos / The Young Lions /1957, Minha Vontade é Lei / Warlock / 1958, Pelos Bairros do Vício / Walk on the Wild Side / 1961, Os Insaciáveis / The Carpetbaggers / 1963, Escândalo na Sociedade / Where Love Has Gone / 1964, Alvarez Kelly / Alvarez Kelly / 1966. Mestre do preto e branco, no âmbito do filme noir responsabilizou-se pela iluminação de produções importantes no gênero: Envolto na Sombra / The Dark Corner / 1946, Sublime Devoção / Call Northside 777 / 1948, Rua sem Nome / The Street With No Name / 1948, Pânico na Rua / Panic in the Streets / 1950 e Anjo do Mal / Pickup on South Street / 1953. Macdonald recebeu  indicações para o Oscar por sua colaboração em Os Deuses Vencidos, Pepe / Pepe / 1960 e O Canhoneiro do Yang-Tse / The Sand Pebbles / 1966.

RUSSELL METTY (1906-1978). Nasceu em Los Angeles, Califórnia, EUA. Em 1925 entrou para o Standard Film Laboratory e depois foi para a Paramount, a fim de trabalhar no departamento de câmera. Em 1929 ingressou na RKO, onde, entre 1931 a 1935, exerceu a função de operador de câmera. Em 1934, estreou como diretor de fotografia  em No Domínio dos Homens / West of the Pecos / 1934. Foi somente com O Estranho / The Stranger /1945 de Orson Welles e sua subsequente transferência para Universal em 1947, que Metty se impôs como um grande iluminador, mostrando o seu uso distintivo da luz e da sombra em filmes como  Ivy, a História de uma Mulher / Ivy / 1947, Amei um Assassino / Kiss the Bloof Off My Hands / 1948, Viciada / The Lady Gambles / 1949 e nos filmes noirs Do Lodo Brotou uma Flor / Ride the Pink Horse /1947, Fúria Assassina / The Naked Alibi / 1954 e A Marca da Maldade / Touch of Evil / 1958. Nos anos cinquenta, Metty combinou seu talento com o de Douglas Sirk em uma série de filmes: (Herança Sagrada / Taza, Son of Cochise / 1954, Sublime Obsessão / Magnificent Obsession / 1954, Átila, Rei dos Hunos / Sign of the Pagan / 1954, Chamas que não se Apagam / There’s Always Tomorrow / 1956, Palavras ao Vento / Written in the Wind /  1956,Tudo o que o Céu Permite / All That Heaven Allows / 1955, Amar e Morrer / A Time to Love and a Time to Die / 1958. Em 1960, a Academia concedeu-lhe o Oscar de Melhor Fotografia em cores por Spartacus / Spartacus e, no ano seguinte, uma indicação para a estatueta por sua cinematografia colorida de Flor de Lotus / Flower Drum Song.

NICHOLAS MUSURACA (1892-1975). Nasceu em Riace, Reggio Calabria, Itália e partiu para os Estados Unidos ainda criança. Aproximou-se da indústria cinematográfica como motorista do produtor J. Stuart Blackton. Depois tornou-se projecionista, montador e assistente de direção na Vitagraph no estúdio do Brooklyn, Nova York. No começo dos anos vinte, chegou à Califórnia, e ingressou na Robertson-Cole, permanecendo na mesma companhia quando ela se transformou na Film Booking Offices of America (FBO) em 1922 e, depois, na RKO Radio Pictures em 1928. Musuraca foi um dos principais diretores de fotografia da RKO nos anos trinta e quarenta, sendo considerado um dos fundadores do estilo visual noir, deixando sua marca em filmes como O Homem dos Olhos Esbugalhados / Stranger on the Third Floor /1940, Silêncio nas Trevas / The Spiral Staircase / 1945, Angústia / The Locket / 1946, Beijo da Traição / The Fallen Sparrow / 1943, Nuvens de Tempestade / The Woman in Pier 13 / 1949; nos filmes de horror de Val Lewton (Sangue de Pantera / Cat People / 1942, A Sétima Vítima / The Seventh Victim /1943, A Maldição do Sangue de Pantera / Curse of the Cat People / 1944, Asilo Sinistro / Bedlam / 1946 e nos filmes noirs: Morte ao Amanhecer / Deadline at Dwan / 1946, Fuga ao Passado / Out of the Past / 1947, Trágico Destino / Where Danger Lives / 1950, O Perseguido / Roadblock / 1951, A Gardênia Azul / The Blue Gardenia / 1953, O Mundo Odeia-me / The Hitch-Hiker / 1953. Depois de trabalhar brevemente na Warner Bros. no final dos anos cinquenta, ele voltou para a RKO, então denominada Desilu, onde passou seus últimos anos de atividade. Musuraca recebeu uma indicação para o Oscar de Melhor Fotografia por A Vida de um Sonho / I Remember Mama / 1948.

FRANZ PLANNER (1894-1963). Nasceu em Karlsbad, Checoslováquia (hoje Karlovy Vary, República Checa). Desde os dezesseis anos de idade funcionou como fotógrafo  de cena e cameraman de filmes de atualidades em Viena e Paris. Em 1920, tornou-se diretor de fotografia com Der Ochsenkrieg, a primeira produção filmada pela companhia Emelka (que, em 1932, passou a se denominar Bavaria). Planer não participou de nenhum dos grandes filmes do Expressionismo Germânico, mas  esteve na equipe de alguns dos filmes mais populares do do cinema alemão como, por exemplo,  A Caminho do Paraíso / Die Drei von der Tankstelle / 1930 e Mascarada / Maskerade / 1934. Em 1937, rumou para os Estados Unidos, contratado pela Columbia Pictures, onde estreou em Bôemio Encantador / Holiday / 1938 de George Cukor. Entre seus melhores trabalhos na América, incluem-se Cyrano de Bergerac / Cyrano de Bergerac / 1950, Decisão Antes do Amanhecer / Decision Before Dawn / 1952, Os Cinco Mil Dedos do Dr. T / The 5.000 Fingers of Dr. T / 1954, Não Serás um Estranho / Not as a Stranger / 1955; os filmes pelos quais foi indicado para o Oscar de Melhor Fotografia (O Invencível / Champion / 1949, A Morte do Caixeiro Viajante / Death of a Salesman / 1952, A Princesa de o Plebeu / Roman Holiday / 1953, Uma Cruz à Beira do Abismo / The Nun’s Story / 1959 e Infâmia / Children’s Hour / 1961;  e os filmes noir Senda do Temor / The Chase / 1946, Baixeza / Criss Cross / 1949, Sindicato do Crime / 711 Ocean Drive / 1949, A Morte Ronda o Cais / 99 River Street / 1953, Procurado por Homicídio / The Long Wait / 1954.

JOHN F. SEITZ ( 1893-1979). Nasceu em Chicago, Illinois, EUA e exerceu sua primeira atividade no cinema em 1909 como assistente de laboratório na Essanay Film Manufacturing Company, localizada na sua cidade natal. Depois, foi trabalhar como técnico de laboratório na American Manufacturing Company (também conhecida como Flying “A” Studios), também situada em Chicago. Quando um dos executivos da Flying “A”, Gilbert P. Hamilton, se transferiu para a St.Louis Motion Picture Company, Seitz o acompanhou e, em 1914, foi prestar serviço na filial da costa Oeste, em Santa Paula, perto de Los Angeles. Em 1916, Seitz ingressou na Metro Pictures, onde colaborou como diretor de fotografia com o grande diretor pictorialista Rex Ingram em uma dúzia de filmes, incluindo os grandes clássicos como Eugenia Grandet / The Conquering Power / 1921, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse / The Four Horsemen of the Apocalypse / 1921, O Prisioneiro do Castelo de ZendaThe Prisoner of Zenda / 1922,  Apsará / Where the Pavement Ends / 1923, Scaramouche / Scaramouche / 1923 e Mare NostrumMare Nostrum /  1925. No período sonoro, Seitz distinguiu-se como mestre da iluminação contrastada nos filmes de Billy Wilder (Cinco Covas no Egito / Five Graves to Cairo / 1943, Farrapo Humano / The Lost Weekend / 1945) e Crepúsculo dos Deuses / Sunset Blvd. / 1950) e nos filmes noirs (Alma Torturada / This Gun for Hire /  1941, Pacto de Sangue / Double Indemnity / 1944 (também de B. Wilder), O Relógio Verde / The Big Clock / 1948, A Noite tem Mil Olhos / The Night Has a Thousand Eyes / 1948,  Caminhos sem Fim / Chicago Deadline / 1949, Na Boca do Lobo / Appointment with Danger / 1951) e Pecado e Redenção / Rogue Cop / 1954, tendo sido indicado para o Oscar de Melhor Fotografia por sua colaboração em Cinco Covas no Egito, Pacto de Sangue, Farrapo Humano, Crepúsculo dos Deuses, Pecado e Redenção.

HARRY J. WILD (1901-1961). Nasceu em Nova York, N.Y., EUA. Em 1931, foi contratado pela RKO como operador de câmera. Nesta companhia, estreou como diretor de fotografia em O Grande Jôgo / The Big Game / 1936 e fez  a maioria de seus filmes, até o fim de sua carreira em 1955. Na primeira fase de sua trajetória cinematográfica, Wild participou de doze westerns de George O’Brien e doze de Tim Holt;  dois filmes de Tarzan (Tarzan, o Vingador (Tarzan Triumphs / 1943, Tarzan e o Terror do Deserto / Tarzan Desert’s Mystery /1943); mostrou sua capacidade com mais ênfase em Acossado / Cornered /1945 e Mulher Desejada / The Woman on the Beach / 1946; e compartilhou uma indicação para o Oscar de Melhor Fotografia com Ernest Miller, pela contribuição prestada em um filme da Republic, A Pequena do Exército / Army Girl / 1938. Incorporando o estilo RKO de iluminação, Wild se deu bem com o filme noir : Até à Vista, Querida / Murder my Sweet / 1944,  Johnny Angel / Johnny Angel / 1945, Noturno / Nocturne / 1946, A Rua das Almas Perdidas / They Won’t Believe Me / 1947, O Caminho da Tentação / Pitfall / 1948, Homem contra o PerigoThe Threat / 1949. Nos anos cinquenta, ele participou de sete filmes estrelados por Jane Russell, sendo dois produzidos fora da RKO: O Filho do Treme-Treme: / Son of Paleface / 1952 na Paramount e Os Homens Preferem as Louras / Gentlemen Prefer Blondes / 1953 na Twentieth Century Fox.