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Histórias de Cinema

FRED NIBLO

March 17, 2017

Ele era um técnico experiente, modelo de professional consciencioso, seguindo esteticamente a linha pictorialista desenvolvida por Rex Ingram, Maurice Tourneur, Herbert Brennon e Clarence Borwn e dirigiu uma série de grandes produções com os maiores astros e estrelas da década de vinte como Douglas Fairbanks (A Marca do Zorro / The Mark of Zorro / 1920, Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers / 1921), Rudolph Valentino (Sangue e Areia / Blood and Sand / 1922), Ramon Novarro (Teu Nome é Mulher / Thy Name is a Woman / 1924, Fogo, Cinzas, Nada …/ The Red Lily / 1924 e principalmente no superespetáculo Ben-Hur / Ben-Hur, a Tale of the Christ / 1925), Greta Garbo (Terra de Todos / The Temptress / 1926, A Dama Misteriosa / The Mysterious Lady / 1928), Norma Talmadge (A Dama das Camélias / Camille / 1926), Lillian Gish (Ódio / The Enemy / 1927), Ronald Colman-Vilma Banky (Dois Amantes / Two Lovers / 1928), John Gilbert e Rene Adoree (Redenção / Redemption / 1930) e William Haines (Cowboy a Muque / Way Out West / 1930), estes dois últimos filmes já sonorizados.

Fred Niblo

Fred Niblo nasceu em York, Nebraska em 1874 com o nome de Fred Liedtke, filho do prussiano Frederick Liedtke, que serviu como capitão na Guerra Civil americana e da francêsa Annette Dubergere. Nos seus primeiros anos de vida, depois que seus pais se separaram, Fred e sua mãe foram para Nova York, onde ele começou a trabalhar em um teatro-café chamado Niblo Gardens de propriedade de um homem de descendência irlandêsa chamado William Niblo. O jovem Fred adotou o nome artístico de Niblo e começou sua carreira no show business, atuando no vaudeville, destacando-se primeiramente como ator em monólogos humorísticos.

Em 2 de junho de 1901, Niblo casou-se com Josephine Cohan, irmã de George M. Cohan, o legendário “pai” da comédia musical americana, tornando-se gerente da trupe de Cohan, “The Four Cohans”. Porém seus admiradores exigiram sua volta ao palco e, começando com a temporada de 1904-1905, ele retomou sua carreira de ator, aparecendo por um curto tempo como Walter Lee Leonard em “The Rogers Brothers in Paris” e depois no vaudeville, onde permaneceu por longo tempo. Em 1916, após quinze anos de casamento, Josephina Cohan Niblo faleceu.

Fred Niblo e Enid Bennett

No ano seguinte, Fred foi para a Austrália, onde conheceu Enid Bennett (1893-1969) com quem se casou em 1918. Enid era atriz de teatro no seu país natal e começou no cinema americano na empresa de Thomas H. Ince, na qual NIblo também se iniciou na tela. Ela foi muito popular entre os anos de 1917 a 1924, inclusive no Brasil. Niblo dirigiu-a em 18 filmes, mas seus maiores êxitos como intérprete foram como Maid Marian em Robin Hood / Robin Hood / 1922 (Dir: Allan Dwan, ao lado Douglas Fairbanks) e como Lady Rosamund em O Gavião do Mar / 1924 (Dir: Frank Lloyd ao lado de Milton Sills), dois filmes mudos de aventuras famosos.

Em 1932, Niblo realizou seus dois últimos filmes no Reino Unido (Two White Arms e Diamond Cut Diamond) e, tal como fizera no início de sua carreira no cinema, passou a atuar esporadicamente como ator, aparecendo em seis filmes durante a década de quarenta, entre eles, Linda Impostora / Ellery Queen, Master Detective / 1940, no papel de John Braun … um personagem que, a certa altura, é encontrado com a garganta cortada.

Fred Niblo foi uma personalidade importante nos primeiros anos de Hollwywood e um dos fundadores da Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. Ele faleceu em 1948 em New Orleans, Lousiana. Escolhí seis filmes de Niblo, que ví em dvd, para homenagear esse diretor competente e sensível de filmes com grandes personalidades do cinema mudo:

 A MARCA DO ZORRO / THE MARK OF ZORRO. Prod: Douglas Fairbanks Pictures Corporation. Dist: United Artists. Rot: Eugene Mullin, Douglas Fairbanks, baseado história “ The Curse of Capistrano” de Johnston McCulley. Foto: William McGann, Harris Thorpe. Dir. Arte: Edward M. Langley. Coreografia das lutas: H. J. Uyttenhove, Richard Talmadge.

Douglas Fairbanks e Marguerite de la Motte em A Marca do Zorro

A opressão reina na Califórnia espanhola do comêço do século XIX. O Governador Alvarado (George Periolat) e o lascivo Capitão Juan Ramon (Robert McKim) abusam de seu poder e mantêm o povo sob uma vigilância implacável. Um vingador mascarado, Zorro (Douglas Fairbanks) surge como defensor dos oprimidos. O misterioso espadachim grava sua inicial com a ponta de sua espada na pele de sua vítimas: a marca do Zorro. Os soldados estão aterrorizados com as proezas do esperto fora-da-lei, menos o efeminado Don Diego Vega (Douglas Fairbanks), chegado recentemente da Espanha. O pai do rapaz, Don Alejandro (Sydney de Grey), quer vê-lo casado com Lolita (Marguerite de la Motte), filha de Don Carlos Pulido (Charles Hill Mailes), nobre arruinado pelo governador. Entretanto, Don Diego não está interessado em cortejar a bela Lolita, preferindo passar o tempo ociosamente, fazendo truques com um lenço, que traz sempre consigo. Seu comportamento é um estratagema: o afetado Don Diego é o Zorro disfarçado. Como Zorro ele ridiculariza o Sargento Gonzales (Noah Beery), enfrenta o Capitão Ramon, e flerta com Lolita. Sua dupla identidade é desconhecida por todos, menos por seu criado mudo Bernardo (Tote Du Crow). Quando o Capitão Ramon aprisiona a família Pulido e sequestra Lolita, Zorro revela sua verdadeira identidade e estimula os cavalheiros locais a entrarem em ação e livrar a Califórnia de suas autoridades corruptas. Após vencer o Capitão Ramon em uma luta de esgrima, marcando um Z na sua testa, e forçar o governador a abdicar, ele beija sua espada, arremessa-a para o alto, fincando-a no teto, e diz “Até quando eu precisar de você de novo!”.

Cena de A Marca do Zorro

Douglas Fairbanks e Marguerite de la Motte em A Marca do Zorro

A Marca do Zorro foi um marco, não somente na carreira de Douglas Fairbanks, mas também no desenvolvimento do gênero de aventura. Neste seu décimo terceiro trabalho no cinema, Fairbanks estava passando das comédias contemporâneas para as produções de época, pelas quais ele é mais lembrado. Com este filme, ele definiu e popularizou o gênero capa-e-espada (que os americanos chamam de swashbuckler). Todos os praticantes deste tipo de espetáculo depois dele (Errol Flynn, Tyrone Power, Gene Kelly, Burt Lancaster, etc) inspiraram-se na herança de Fairbanks e sua contribuição para a construção do herói espadachim com sua simpatia, humor e atletismo.

Cena de A Marca do Zorro

Cena de A Marca do Zorro

Cena de A Marca do Zorro

Salvo o momento em que Zorro, sentado de pernas cruzadas em uma mesa, duela alegremente com seu oponente, e a soberba sequência acrobática de perseguição quase no final do filme, a direção de Fred Niblo não foge ao modelo usual do começo dos anos vinte, com muitas cenas transcorrendo como se estivessem sob o arco de um proscênio teatral; porém ele consegue manter a fluência da narrativa e criar instantes dramáticos e de suspense como aquele início quando, dentro da taverna, em uma noite chuvosa, os frequentadores do local estão impressionados com a marca de um Z que o Zorro cravou no rosto de um dos soldados do Sargento Gonzalez. O arrogante e vaidoso Gonzalez gaba-se, dizendo que vai capturar o bandido mascarado. De repente, alguém bate na porta da taverna, e todos ficam paralizados pelo medo. A porta se abre lentamente e entra uma figura encoberta por um enorme guarda-chuva. Enquanto os presentes prendem a respiração, o guarda-chuva é levantado e a figura revela-se não ser o temível Zorro, mas o dândi Don Diego.

OS TRÊS MOSQUETEIROS / THE THREE MUSKETEERS. Prod: Douglas Fairbanks Pictures Corporation. Dist: United Artists. Adaptação de Edward Knoblock do romance “Les Trois Mousquetaires de Alexandre Dumas pai. Foto: Arthur Edeson. Dir. Arte: Edward M. Langley. Coreografia das lutas: H. J. Uyttenhove. Mont: Nellie Mason.

Cena de Os Três Mosqueteiros

Em 1625, O Cardeal Richelieu (Nigel de Brulier) conspira na côrte de Louis XIII (Adolphe Menjou), ameaçando a rainha Anna d’Austria (Mary Mclaren), que está apaixonada secretamente pelo Duque de Buckingham (Thomas Holding). Da Gasconha chega D’Artagnan (Douglas Fairbanks), a fim de se tornar um dos Mosqueteiros do Rei. Ele se apresenta a Tréville (Willis Robards), capitão dos mosqueteiros, mas este lhe diz que primeiro deve adquirir mais experiência em outro lugar. D’Artagnan imediatamente se envolve em duelos com os três melhores espadachins da França, Athos (Léon Bary), Porthos (George Siegmann) e Aramis (Eugene Palllette), com os quais acaba formando uma aliança eterna. Com igual rapidez, ele conquista o coração de Constance Bonacieux (Marguerite de la Motte), jovem costureira da rainha. Ela encarrega os três mosqueteiros – e mais um – de uma missão perigosa na Inglaterra, para recuperar um colar de diamantes, presente do rei que ela havia dado a Buckingham como prova de sua afeição. Ciente desse plano, Richelieu ordena que seus espiões, Rochefort (Boyd Irwin) e Milady de Winter (Barbara La Marr), frustrem a missão dos mosqueteiros. Um a um eles vão sendo vencidos, e é D’Artagnan sozinho (com a ajuda de seu criado Planchet / Charles Stevens), que consegue recuperar o colar e voltar a tempo de salvar a rainha da ira do monarca. Finalmente aceito na corporação dos mosqueteiros, D’Artagnan é apresentado a Louis XIII, diante de toda a côrte, acompanhado pelos seus três amigos leais, cujo lema será sempre: “Um por todos – todos por um”.

Douglas Fairbanks em Os Três Mosqueteiro

Douglas Fairbanks e Marguerite de la Motte em Os Três Mosqueteiros

O sucesso popular de A Marca do Zorro significou uma mudança, não somente dos filmes de Douglas Fairbanks, mas também do próprio Fairbanks. Como arquiteto de seus próprios filmes, ele há muito tempo desejava se afirmar, realizando grandes produções, o que aconteceu quando levou à tela o seu herói predileto, D’Artagnan, criado por Alexandre Dumas, em Os Três Mosqueteiros.

D’Artagnan foi um papel que Fairbanks nasceu para desempenhar e ele contou mais uma vez com Fred Niblo como diretor de seu novo espetáculo, que – ao contrário de A Marca do Zorro, produzido com valores de produção discretos – teve cenários luxuosos, um elenco maior e figurinos magníficos. Para a filmagem foram utilizados dois estúdios em Hollywood, o Douglas Fairbanks Studios para pequenos cenários e o adjacente Robert Brunton Studios para cenas de interiores mais elaboradas.

Douglas Fairbanks, Mary Pickford e Fred Niblo durante a filmagem de Os Três Mosqueteiros

Cena de Os Três Mosqueteiros

Fruto do esforço colaborativo entre Fairbanks, Niblo e o coreógrafo de lutas H. J. Uyttenhove, destacam- se as tomadas de acrobacias brilhantemente encenadas nas sequências de luta contra os guardas do cardeal. A mais difícil foi inquestionavelmente aquela ocorrida quando D’Artagnan marca duelos com os três mosqueteiros atrás do Jardim de Luxemburgo. Ele começa a lutar com Athos, surgem os guardas, e os quatro os enfrentam; em um lance sensacional, Fairbanks dá um salto mortal com sua mão esquerda equilibrada em um pequeno punhal que cravara em um dos guardas. Foi a acrobacia mais difícil de toda a sua carreira.

Niblo consegue manter um ritmo trepidante do começo ao fim, arma algumas boas cenas cômicas como, por exemplo, o almoço na casa do padre e presta sempre atenção para o detalhe, como na cena em que a câmera focaliza as pernas de D’ Artagnan tremendo diante do rei ou quando o rei pede que a rainha use o colar no baile, e ela vê a sombra de Richelieu na porta. O diretor domina bem o suspense no final, alternando cenas de D’Artagnan duelando com Rochefort enquanto a rainha se desespera por não ter a posse do colar.

 SANGUE E AREIA / BLOOD AND SAND. Prod: Famous Players – Lasky. Dist: Paramount Pictures. Rot: June Mathis baseado romance “Sangre y Arena” de Vicente Blasco-Ibañez. Foto: Alvin Wycoff. Mont: Dorothy Arzner.

Rudolph Valentino em Sangue e Areia

Um jovem e impetuoso toureiro, Juan Gallardo (Rudolph Valentino), filho de uma viúva pobre de Sevilha (Rosa Rosanova), casa-se com Carmen (Lila Lee) sua namorada de infância, recém saída de um convento enquanto alcança a fama através da Espanha. Ele é feliz com Carmen mas, não obstante, sucumbe aos encantos ardentes de Doña Sol (Nita Naldi), uma víuva rica e glamourosa. Seu comportamento adulterino leva-o a ser humilhado diante de sua nobre esposa e a perder seu contrôle na arena. Distraído ao se defender de um touro, morre nos braços de Carmen, após lhe assegurar que ela sempre teve o seu amor.

Valentino e Nita Naldi em Sangue e Areia

Rudolph Valentino em Sangue e Areia

Rudolph Valentino em Sangue e Areia

Rudolph Valentino e Nita nNldi em Sangue e Areia

Rudolph Valentino e Fred Niblo na filmagem de Sangue e Areia

Rudolph Valentino em Sangue e Areia

Cena de Sangue e Areia

Se bem que sua história pareça obsoleta, trata-se de um drama absorvente graças à habilidade do diretor para controlar a cadência do filme e à presença sensual de Rudolph Valentino, cujos momentos de paixão com a voluptuosa (mas um tanto além do peso) Nita Naldi são realmente tórridos (embora hoje pareçam ridículos, inclusive por causa de diálogos como “Serpente! em um minuto eu te amo – no próximo eu te odeio!”).

Valentino e Lila Lee em Cena de Sangue e Areia

O que me incomodou no filme foram as cenas de tourada muito fracas – consistindo em tomadas de arquivo desajeitadamente inseridas no curso da narrativa, quando deveriam ter sido uma das atrações do espetáculo – e os sermões pomposos e agourentos (v. g. “A multidão é uma besta de dez mil cabeças”) de um personagem filósofo, Don Joselito (Charles Belcher), que não consta na versão de Rouben Mamoulian, mas somente nesta transposição para a tela do romance de Ibañez, provavelmente porque no filme em questão houve a preocupação de transmitir a denúncia feroz das crueldades da tourada implícitas na obra literária enquanto que no filme de Tyrone Power o que interessava era o aspecto particular do jovem matador fascinado por uma mulher fatal. No entanto, até que não caiu mal o paralelismo entre a vida e o destino de Juan e o seu amigo bandido Plumitas (Walter Long), também inexistente na versão Mamoulian: “Juan mata touros enquanto Plumitas mata homens”; Plumitas morre no estádio alvejado pelos policiais ao mesmo tempo em que Juan é fulminado pelo touro.

TERRA DE TODOS / THE TEMPTRESS. Cosmopolitan Pictures. Dist. MGM. Direção adicional durante dez dias: Mauritz Stiller. Adaptação de Dorothy Farnum do romance de Vicente Blasco-Ibañez “La Tierra de Todos”. Foto: Gaetano (Tony) Gaudio. Dir. Arte: Cedric Gibbons. James Basevi. Mont: Lloyd Nosler.

Greta Garbo e Antonio Moreno em Terra de Todos

Manuel Robledo (Antonio Moreno), jovem engenheiro argentino de passagem por Paris, apaixona-se loucamente no decorrer de um baile de máscaras pela bela Elena (Greta Garbo). Ela jura que não poderá pertencer a outro homem senão a ele, mas quando Robledo faz uma visita a seu amigo, o Marquês de Torre Bianca (Armand Kaliz), descobre que Elena é sua esposa e amante, com o consentimento do marido, do banqueiro Fontenoy (Marc MacDermott), em troca do perdão de suas dívidas. Quando Fontenoy, em um banquete e na frente de seus convidados, acusa Elena de tê-lo arruinado, e se suicida, Robledo, magoado, retorna a seu país, onde supervisiona a construção de uma grande barragem. Pouco depois, Torre Bianca, humilhado pelo escândalo, resolve ir também para a Argentina, levando Elena consigo. Em uma região selvagem, ela fascina os homens principalmente o gaucho Conterac (Lionel Barrymore) e o bandoleiro “Manos Duras” (Roy D’Arcy). Conterac mata em uma briga um companheiro que também a disputava e “Manos Duras” troca insultos com Robledo, e os dois se enfrentam em um duelo de chicote. Humilhado pela derrota, “Manos Duras” dinamita a represa, que uma chuva torrencial acaba de destruir. Elena renuncia a seu amor, a fim de que Robledo possa se consagrar ao seu trabalho. Anos depois, Robledo vai a Paris, para receber uma condecoração, e encontra Elena por acaso em um café; mas ela está muito alcoolizada, e não o reconhece. Na sua embriaguês, identificando um mendigo barbudo como Jesus, Elena lhe dá seu único objeto de valor, um anel de rubís, dizendo: “Você compreende. Você morreu por amor”.

Fred Niblo dirige Garbo em Terra de Todos

Greta Garbo e Antonio Moreno em Terra de Todos

Segundo filme de Greta Garbo na América, Terra de Todos é um melodrama exótico, cheio de clichés, mas salvo do fracasso pela direção segura de Fred Niblo (às vêzes inspirada – o último banquete do banqueiro arruinado; a luta feroz de chicote e o erotismo sugerido quando Elena praticamente lambe o sangue no peito do seu amado; a heroína degradada acreditando ver a imagem do Cristo no rosto de um mendigo – e pela presença resplandescente de Garbo, magnificamente fotografada por Tony Gaudio.

Garbo

Greta Garbo e Antonio Moreno em Terra de Todos

Diante do epílogo sinistro, a MGM providenciou um final feliz: Robledo encontra Elena no meio da multidão durante a cerimônia e se reconcilia com ela. Foi dada a escolha aos exibidores. Como era de se esperar, o verdadeiro final foi usado em Nova York, na Califórnia e na Europa; o outro, mais raro, foi preferido na América profunda.

DAMA MISTERIOSA / THE MYSTERIOUS LADY. Prod: Harry Rapf. Dist: MGM. Adaptação de Bess Meredith do romance “Der Krieg im Dunkel” (Guerra às Escuras) de Ludwig Wolff. Foto: William Daniels. Dir. Arte: Cedric Gibbons. Mont: Margareth Booth.

Conrad Nagel e Greta Garbo em A Dama Misteriosa

Greta Garbo e Conrad Nagel em A Dama Misteriosa

Em Viena, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, o Capitão Karl von Raden (Conrad Nagel) e seu amigo, Capitão Max Heinrich (Albert Pollet), são informados na bilheteria de um teatro, de que os bilhetes para a ópera estão esgotados. De repente, um homem devolve seu ingresso, Karl compra, e divide o camarote com uma mulher deslumbrante. Findo o espetáculo, ao saber que ela está sem dinheiro, pois aguardava o primo, que acabou não chegando, Karl a acompanha até sua residência, e passam a noite juntos. Pouco antes de embarcar em um trem, encarregado de levar documentos secretos para Berlim, Karl é advertido por seu tio, Coronel Eric von Raden (Edward Connelly), chefe do serviço secreto austríaco, de que a mulher com a qual ele esteve na véspera, era uma notória espiã russa, Tania Fedorova (Greta Garbo). No trem, ele reencontra Tania. Ela confessa que está a serviço de seu país, mas que o ama de fato; entretanto mas Karl a rejeita, e depois percebe que os documentos secretos sumiram. Karl é levado à côrte marcial e à prisão; porém seu tio lhe dá uma chance de se redimir, encarregando-o de ir atrás de Tania, disfarçado de pianista, a fim de descobrir, por meio dela, a identidade de um traidor que está a serviço dos russos. Karl e Tania se encontram em Varsóvia e, por amor ao capitão, Tania lhe entrega documentos que revelam quem é o traidor, que estão de posse do seu superior e amante General Boris Alexandroff (Gustav von Seiffertitz). Depois de momentos de muita tensão, o general descobre o roubo. Tania o mata, e foge com Karl para a Austria.

Filmagem de A Dama Misteriosa

Greta Garbo e Gusav von Seiffertitz em A Dama Misteriosa

Cena de A Dama Misteriosa

Niblo na filmagem de A Dama Misteriosa

O assunto pode não ser original, mas deu ensejo para que Bess Meredith traçasse um roteiro excelente, cujas sequências Fred Niblo soube encadear muito bem (sempre uma característica do seu trabalho), preenchendo a tela com belas imagens (os primeiros planos de Greta Garbo, a cerimônia de degradação do capitão Karl, as festas nas quais se destacam o luxo dos interiores e a fotogenia dos uniformes dos oficiais). Graças à direção de Niblo o filme mantém o tempo todo o interesse do espectador pela história de amor e espionagem e, no final, transmite um suspense que nos deixa ofegantes.

BEN-HUR / BEN-HUR, A TALE OF THE CHRIST. Prod: Louis B. Mayer, Samuel Goldwyn, Irving Thalberg. Dist: MGM. Dir. cenas iniciais em Roma: Charles Brabin. Ass. Dir: Al Raboch, Christy Cabanne. Dir. 2a Unidade: B. Reeves Eason (com 62 assistentes entre eles Henry Hathaway e William Wyler. Dir. cenas da Natividade com Betty Bronson como Virgem Maria: Ferdinand Pinney Earle. Adapt: June Mathis baseada no romance “Ben-Hur, A Tale of the Christ” de Lew Wallace. Rot: Bess Meredith, Carey Wilson. Foto: René Guissart, Percy Hilburn, Karl Struss, Clyde De Vinna. Foto adicional: E. Burton Steene, George Meehan. Dir. Arte: Cedric Gibbons, Horace Jackson, A. Arnold Gillespie. Mont: Lloyd Nosler. Ass. Mont: Bill Holmes, Harry Reynolds, Ben Lewis.

May MacAvoy e Ramon Novarro em Ben-Hur

Ramon Novarro e Francis X. Bushman em Ben-Hur

Ramon Novarro e Claire MacDowell em Ben-Hur

Francis X. Bushman e Ramon Novarro em Ben-Hur

Em Jerusalem, cresce a opressão romana ao judeus, e é particularmente sentida no lar principesco dos Hur. Temerosa, a Princesa Miriam (Claire McDowlel), uma viúva, incumbe seu fiel escravo Simonides (Nigel de Brulier), de esconder seu dinheiro. O filho de Miriam, Judah Ben-Hur (Ramon Novarro), sente-se atraído pela filha de Simonides, Esther (May Mac Avoy), porém ela deve ir com seu pai para a Antióquia. No mesmo dia, Judah revê seu amigo de infância, Messala (Francis X. Bushman), centurião romano, que acabara de voltar a Jerusalem após uma longa ausência. Enquanto conversam, Judah percebe que Messala mudou, não é mais o amigo compreensivo, mas um opressor que deseja que ele esqueça de que é judeu. Compreendendo que sua amizade se tornou impossível, os dois homens rompem sua relação. Na tarde do mesmo dia, Judah, Miriam e a irmã de Judah, Tirzah (Kathleen Kay), assistem, do balcão de sua casa, a uma parada em homenagem ao novo comandante de Jerusalem, quando, acidentalmente, Judah desprende uma telha, que cai na cabeça do comandante, deixando-o inconsciente. Os soldados romanos, liderados por Messala, penetram na casa e prendem toda a família. Judah é condenado à prisão perpétua como escravo nas galés e não fica sabendo o destino de Miriam e Tirzah. Obrigado a caminhar com outros prisioneiros através do deserto até o mar, Judah encontra no caminho um jovem carpinteiro, que lhe dá água para beber e força espiritual para sobreviver. Em Jerusalem, Simonides é torturado, mas se recusa a revelar onde escondeu o dinheiro dos Hur. Dois anos mais tarde, durante um combate contra piratas, Judah salva o comandante da frota romana, Arrius, (Frank Currier) enquanto a embarcação afunda. Judah e Arrius ficam à deriva no mar durante dois dias até que um navio romano os resgata. Por gratidão, e também por admiração, Arrius dá seu anel para Judah comprar sua liberdade e depois o anuncia como seu filho adotivo. Passam-se alguns anos e Judah, agora conhecido com Arrius, o Mais Moço, é aclamado como um grande atleta em Roma por suas vitórias nas corridas de bigas

Ramon Novarro em Ben-Hur

Cena das galés em Ben-Hur

Ramon Novarro e Frank Currier em Ben-Hur

Ao ouvir falar que Simonides ainda estaria na Antióquia, Judah vai procurá-lo, porém ele se recusa a reconhecê-lo, dizendo que Judah, tal como sua mãe e irmã estão mortos. Entretanto, Esther reconhece Judah e lhe entrega um bracelete, que Miriam havia dado a ela. Pouco depois, o Sheik Ilderim (Mitchell Lewis), um árabe criador de cavalos, pede a Judah que participe de uma corrida de bigas, no Circo de Antióquia. Inicialmente desinteressado, mas quando Ilderim diz que Messala é o favorito para ganhar a corrida, Judah concorda em disputá-la, como um judeu desconhecido. Simonides revela a Esther que, apesar de ter reconhecido Judah, ficou com medo de admitir isso, porque, ela, como ele, seriam escravos de Judah. Quando a notícia da corrida se espalha, Messala pede à sua amante, a egípcia Iras (Carmel Myers), para solucionar o mistério do judeu desconhecido. Ela vai ao acampamento de Ilderim, a fim de seduzir Judah, porém ele não revela sua identidade. Mais tarde, Simonides e Esther admitem diante de Judah a sua servidão e Simonides o coloca a par da fortuna dos Hur, que ele multiplicara. No dia seguinte, o Circo está cheio de gente ansiosa por apostar contra o judeu desconhecido, mas é Judah quem ganha a corrida, na qual Messala, depois de várias tentativas para destruir sua biga, acaba perdendo a vida. Vitorioso e rico, Judah não pode regozijar-se, porque sua mãe e irmã estão mortas, e os judeus continuam escravizados por Roma. A esta altura, Miriam e Tirzah contraem lepra e são enviadas para o Vale dos Leprosos. Balthazar, amigo de Ilderim, revela que a criança de Belém, agora chamada de Nazareno, é o rei que libertará os judeus e Judah decide usar todos os seus recursos para ajudá-lo. Ele organiza um exército perto de Antióquia enquanto, em Jerusalem, o Nazareno prega o amor, o perdão e a paz, inspirando milhares de seguidores. Judah retorna a Jerusalem, e vai à sua antiga casa, agora deserta. Ele adormece do lado de fora e, logo depois, Miriam e Tirzah chegam. Judah murmura “Mãe” no seu sono, as mulheres o vêem, mas não o acordam, sabendo que são “impuras”. Judah desperta, chegam Simonides e Esther, e um velho criado anuncia que o Nazareno foi preso. Quando Judah parte a cavalo, Miriam, que estava escondida ali perto, solta um grito de desespêro, atraindo a atenção de Esther. Miriam implora a Esther que mantenha seu segrêdo mas, ao saber que o Nazareno pode curar os doentes, Esther vai ao Vale dos Leprosos e convence Tirzah e Miriam a voltar para Jerusalem. Durante a via crucis do Nazareno, Judas aproxima-se dele, para lhe dizer que tem duas legiões aguardando fora da cidade, porém Jesus lhe diz que seu reino não é deste mundo. Comovido, Judah deixa cair sua espada. O Nazareno continua seu percurso com a cruz e, no caminho, ressuscita uma criança e cura Miriam e Tirzah. Judah presencia o milagre e se reune com sua mãe e irmã. Depois da crucificação, Judah, Miriam, Tirzah, Esther e Simonides estão juntos, certos de que a mensagem do Nazareno subsistirá eternamente.

Niblo na filmagem de Ben-Hur

Fred Niblo e os figurantes de Ben-Hur

Filmagem de Ben-Hur

Filmagem da corrida de bigas em Ben-Hur
Production Still

Esta versão cinematográfica de Ben-Hur teve início quando os empresários teatrais Klaw e Erlanger compraram os direitos de filmagem de Henry Wallace, filho e herdeiro do autor do romance, Lew Wallace, em 1921 e os revenderam para Frank Godsol da Goldwyn Company em troca da promessa de receberem metade dos lucros do filme. A principal roteirista da Goldwyn, June Mathis, preparou um roteiro e escolheu George Walsh, Francis X. Bushman e Gertrude Olmstead, para interpretarem respectivamente os papéis de Judah Ben-Hur, Messala e Esther, e o inglês Charles Brabin como diretor. A produção teve início na Itália em 1923 com a batalha naval, que foi encenada no mar, perto da costa de Anzio. Entrementes, a Goldwyn foi absorvida na fusão que criou a Metro-Goldwyn-Mayer e o chefe do estúdio Louis B. Mayer ficou cada vez mais insatisfeito com as cenas que estavam sendo filmadas por Brabin. Ele e seus colegas executivos Irving Thalberg e Harry Rapf decidiram substituir Brabin por Fred Niblo, George Walsh e Gertrude Olmsgtead, pela ordem, por Ramon Novarro e May McAvoy, e encarregaram Bess Meredith e Carey Wilson de reecreverem o script de June Mathis. Todas as tomadas rodadas por Brabin foram descartadas e Niblo refilmou a batalha naval, com trirremes de tamanho natural, no mar próximo ao litoral de Livorno. Depois que o fogo destruiu o depósito de adereços em Roma, Thalberg ordenou que a produção voltasse para Hollywood, onde novos cenários foram construídos e a corrida de bigas conduzida pelo diretor de 2a Unidade B. Reeves Eason. Ele usou 12 bigas e 48 cavalos, e o resultado foi uma sequência eletrizante, que até hoje impressiona. A produção custou 4 milhões de dólares e lucrou 9 milhões, porém as despesas com distribuição e promoção foram tão grandes que, combinado com o acordo que dava a Klaw e Erlanger a metade dos ganhos, a MGM ficou com um prejuízo de um milhão de dólares – embora eventualmente a empresa tenha recuperado sua perda, quando uma versão condensada com score sincronizado e efeitos sonoros foi lançada em 1931.

Mitchell Lewis e Ramon Novarro em Ben-Hur

Francis X. Bushman e Ramon Novarro em Ben-Hur

Cena de Ben-Hur

Cena de Ben-Hur

Ramon Novarro em Ben-Hur

Ramon Novarro

O filme de 1925 é estruturado em torno do conflito de valores entre Cristandade e Roma Imperial. Ele intercala episódios da vida de Cristo (filmados em Technicolor) e a história de Ben-Hur e sua rivalidade com Messala (filmada em preto e branco, e depois tingida). As vidas de Jesus e Ben-Hur se justapõem, quando Jesus dá água para o sedento e brutalizado Ben-Hur e quando, na sua via crucis, prega a não-violência e o faz baixar sua espada, curando, logo em seguida, sua mãe e irmã leprosas.

Cena de Ben-Hur

O roteiro deu ênfase ao ângulo religioso (v. g. multiplicando as cenas da vida de Cristo; expondo com clareza a adesão de Judah ao Cristianismo) e ao subtexto político (v. g. mostrando a tirania dos romanos – quando, diante do portão de Joppa, os romanos humilham e maltratam os judeus -, o tratamento desumano dos remadores, o colapso do palácio de Pilatos, símbolo da queda do poder de Roma, a proposta de Judah para formar duas legiões e proclamar Jesus como Rei dos Judeus).

O mérito de Niblo foi ter levantado a moral de toda a equipe depois de tanta turbulência na filmagem; coordenado com muita segurança as atividades de inúmeros técnicos e artistas; extraído ternura e pungência das cenas mais íntimas; e, principalmente, conferido um esplendor visual ao espetáculo, que deveu muito também a Ramon Novarro que, além de agradar à vista por causa de sua bela presença física, fez uma caracterização perfeita do protagonista, expressando maravilhosamente seu ardor, sua cólera, sua dor, sua espiritualidade.

                                                                                                            FILMOGRAFIA

1916 – Get-Rich-Quick Wallingford; O Polícia 666 / Officer 666. 1918 – The Marriage Ring; Aventuras de uma Atriz / When Do We Eat? ; Vida Ilustre / Fuss and Feathers. 1919 – Exilados / Happy Though Married; Abandonada / Partners Three. Ciúmes Que Matam / The Law of Men; A Alcova do Fantasma / The Haunted Bedroom; Ladrão Virtuoso ou Ladrão por Gratidão / The Virtuous Thief; Stepping Out; O Que Toda Mulher Deve Saber / What Every Woman Learns; Dangerous Hours. 1920 – Pela Nossa Honra / The Woman in the Suitcase; Hoje Eu, Amanhã Tu! / Sex; Anabela / The False Road; Enfeites / Hairpins; Desdita / Her Husband’s Friend; A Marca do Zorro / The Mark of Zorro; Elegância / Silk Hosiery. 1921 – Diante do Cadafalso / Mother O’Mine; Mais Forte Que o Amor / Greater Than Love; Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers. 1922 – A Mulher e a Inspiração / The Woman He Married; A Rosa do Mar / Rose of the Sea; Sangue e Areia / Blood and Sand. 1923 – Mãe, Missão Suprema / The Famous Mrs. Fair; Uma Noite Fascinante / Strangers of the Night. 1924 – Teu Nome é Mulher / Thy Name Is a Woman; Fogo, Cinzas, Nada / The Red Lily. 1925 – Ben-Hur / Ben-Hur. 1926 – Terra de Todos / The Temptress; A Dama das Camélias / Camille. 1927 – A Bailarina Diabólica / The Devil Dancer; Ódio/ The Enemy. 1928 – Dois Amantes / Two Lovers; Dama Misteriosa / The Mysterious Lady; Sonho de Amor / Dream of Love. 1930 – Redenção / Redemption; Cowboy a Muque / Way Out West. 1931 – O Filho Adotivo / Young Donovan’s Kid; The Big Gamble. 1932 – Two White Arms; Diamond Cut Diamond.

ROBERT SIODMAK E SEUS FILMES NOIRS III

March 3, 2017

Existiram poucos filmes na filmografia de R. Siodmak que foram realizados com uma independência real, tanto sob o ponto de vista da elaboração do argumento como da filmagem. Baixeza / Criss Cross / 1948, beneficiou-se de uma concordância íntima do estilo, do assunto abordado e da personalidade do cineasta e foi a sua obra-prima, o filme noir mais trágico de todos.

Seu tema é o aviltamento de um homem fraco e apaixonado. Steve Thompson (Burt Lancaster) retorna a Los Angeles, após ter viajado por todo o país, para esquecer Anna (Yvonne De Carlo), sua ex-mulher. Ainda obcecado por ela, Steve vai à boate que costumavam frequentar. Fica surpreso ao vê-la na pista de dança e percebe seu relacionamento com Slim Dundee (Dan Duryea), um gângster. Encorajado por Anna, e apesar das advertências por parte de seus familiares e do amigo detetive, Peter Ramirez (Stephen MacNally), Steve começa a se aproximar de novo da ex-mulher.

Yvonne De Carlo e Burt Lancaster em Baixeza

Yvonne de Carlo e Burt Lancaster em Baixeza

Um dia, Anna não aparece. O garçom da boate informa Steve de que ela está em Yuma e se casou com Dundee. Seis meses mais tarde, Steve avista Anna na estação ferroviária, onde acabara de se despedir de Dundee. Anna diz que se casou com Dundee devido à hostilidade de sua família e porque Ramirez ameaçou prendê-la, se não saísse da cidade. Conta também que Dundee costuma bater nela, mostrando as marcas de ferimentos nas costas.

Burt Lancaster e Yvonne De Carlo em Baixeza

Dundee os surpreende na casa de Steve e este improvisa uma explicação: diz que tem planos para roubar a empresa de transporte de valores em que trabalha e pede o auxílio de Dundee. Combinam que o dinheiro roubado ficará com Anna, até que possam se encontrar para repartí-lo. Steve pretende pegar sua parte e fugir com Anna enquanto Dundee planeja matá-lo durante o roubo. No decorrer do assalto, o velho Pop (Griff Barnett), companheiro de Steve no carro-forte, é morto. Steve reage e, apesar de ferido, consegue recuperar metade do dinheiro, passando por herói.

Alan Napier, Yvonne De Carlo, Burt Lancaster e Dan Duryea em Baixeza

Dundee manda raptar Steve no hospital, pois quer saber do paradeiro de Anna. Steve consegue subornar seu raptor para que o leve até a cabana perto do mar em Palos verdes, onde Anna está escondida. Aterrorizada com a presença de Steve, pois sabe que Dundee virá atrás deles, a jovem se prepara para abandoná-lo, ferido e amargurado. Antes que possa partir, levando o dinheiro consigo, Dundee chega. Ele mata Steve e Anna. Ao sair da casa, ouve o som das sirenes dos carros de polícia que se aproximam.

Yvonne De Carlo e Burt Lancasrer em Baixeza

Cena final de Baixeza

O filme começa de uma maneira bastante original. A câmera sobrevoa o aeroporto todo iluminado de Los Sngeles, vai descendo como um pássaro, e depois segue em direção a Steve e Anna, que se abraçam entre dois carros na escuridão de um estacionamento. O espectador é introduzido repentinamente no curso da ação, tomando logo conhecimento do triângulo amoroso. (“Dei uma fugida, enquanto ele estava dançando”… “É melhor voltar, antes que ele comece a procurar por você”… “Depois que tudo acabar e nós estivermos seguros, seremos só eu e você. Do jeito que deveria ter sido desde o princípio”), que é a chave de todo o drama. No dia seguinte, Steve dirige o carro-forte para San Raphaelo, onde vai ocorrer o assalto e, durante o percurso de quarenta minutos, recorda o passado.

Yvonne De Carlo e Burt Lancaster em Baixeza

O diretor R. Siodmak soube dominar um enredo de estrutura complexa e criar uma esplêndida atmosfera de amargura e fatalismo, complementando muitas vezes a narração na primeira pessoa com uma quantidade de planos subjetivos que acentuam alguns pontos temáticos muito importantes. Por exemplo, a solidão de Steve é expressa em uma tomada na qual surpreende o irmão beijando a noiva, na visão dele, sentado no sofá da sala de visita.

Robert Siodmak dirige Yvonne De Carlo e Burt Lancaster em Baixeza

Mais tarde, R. Siodmak usa inúmeros planos subjetivos para obrigar a platéia a participar da situação aflitiva e de suspense do protagonista, aguardando a vingança de Dundee. Imobilizado na cama do hospital, Steve percebe, pela porta entreaberta, a presença de um homem no corredor. A enfermeira diz que é um visitante, chamado Nelson. Steve manda chamá-lo. Nelson (Robert Osterloh) se apresenta como caixeiro-viajante e diz que sua mulher foi ferida em um acidente. Steve pede-lhe que passe a noite com ele. Nelson senta-se dentro do quarto e parece que vai adormecer. Assim que a enfermeira sai, ele se levanta e volta com uma cadeira de rodas. Aproximando-se do leito, acorda Steve e se identifica como mensageiro de Dundee. Corta as cordas do contrapeso que sustenta o braço engessado de Steve e a imagem sai de foco, sugerindo um desmaio.

Robert Osterloh e Burt Lancaster em Baixeza

No seu retorno a Los Angeles, Steve tenta enganar os próximos e a si mesmo, dizendo que já se libertou da ex-mulher, mas ali está ele, triste e desamparado, procurando por ela na boate, onde sabe que vai acabar encontrando-a. Até que o desejo se concretiza em uma sequência notável, na qual mostra toda a fascinação que Anna exerce sobre ele: Steve entra no Rondo Club. Vemos os pares dançando uma rumba executada pela orquestra de Esy Morales, Esy tocando sua flauta travessa, Anna rodopiando na pista, linda e sensual, outro plano de Esy, e finalmente Steve, em plano americano – e depois em primeiríssimo, durante um intercutting – , inteiramente subjugado.

Yvonne De Carlo e Tony Curtis dançam a rumba em Baixeza

Steve confunde sua própria passividade com as maquinações do destino. “Estava escrito nas cartas ou foi o destino, ou o azar, ou o que você quiser”, diz ele no começo do retrospecto. “Estava nas cartas, e não havia como impedí-lo”, conforma-se, quando recebe a notícia do casamento de Anna. É a convenção noir do homem vítima de um destino inexorável. Porém, na realidade, o destino não teve nada a ver com os problemas de Steve. Podem ter ocorrido certas coincidências, mas significaram muito pouco. Não foi o destino que fez Steve perder sua força de vontade, que está sempre se desintegrando na presença de Anna. Ele simplesmente não consegue se libertar de seu encanto.

Cena do Assalto em Baixeza

Cena do assalto em Baixeza

A sequência do assalto é estilizada, deliberadamente irrealista. Uma câmera diretamente do alto mostra o carro-forte dirigindo-se para o seu destino. Quando Steve e Pop saltam com as sacolas de dinheiro, as bombas de gás lacrimogêneo explodem. Uma nuvem sufocante invade toda a rua e Dundee e seus homens colocam suas máscaras. Soa o alarme, que não vai parar de tocar durante toda a sequência. Dundee surge do meio da fumaça e dispara vários tiros contra Pop. Steve vê Dundee matar seu amigo e muda de idéia. Ele alveja um bandido e tenta pôr as sacolas em segurança dentro do carro-forte. Dundee atira nele. Os dois entram em luta corporal. Steve fere Dundee na perna e depois recebe um tiro no ombro. Ouvem-se as sirenes dos carros de polícia. Os bandidos fogem. Toda essa movimentação, com os homens meio perdidos no nevoeiro de gás, alguns com as estranhas máscaras contra gases, parece um sonho febril, um estranho balé, encenado com muita noção de cinema.

Em 1949, Dore Schary, chefe de produção da MGM, acatou a idéia de um de seus produtores, Gottfried Reinhardt (um dos dois filhos de Max Reinhardt), de entregar a R. Siodmak a realização de O Grande Pecador / The Great Sinner, um “filme de prestígio” de orçamento vultoso, baseado em um grande clássico da literatura, “O Jogador”, de Fiodor Dostoievski.

Ava Gardner e Gregory Peck em O Grande Pecador

O filme é uma evocação hollywoodiana suntuosa do mundo do jogo e dos jogadores. Dirigindo-se a Paris, um escritor russo (Gregory Peck), encontra no trem uma mulher fascinante (Ava Gardner) e decide interromper sua viagem inicialmente prevista, a fim de não perdê-la de vista em Wiesbaden. Ali, ela reencontra seu pai, um general (Walter Huston), que uma paixão devoradora pelo jôgo o leva todas as noites ao cassino da cidade. O militar, quase arruinado, é por assim dizer obrigado a ceder a mão de sua filha para o diretor do cassino (Melvyn Douglas). Decidido a salvar a linda mulher dessa triste sina, o romancista tenta também sua chance no jôgo e fica rapidamente possuído por essa paixão infernal.

Gregory Peck, Ava Gardner e Melvyn Douglas em O Grande Pecador

Ava Gardner, Walter Huston, Ethel Barrymore e Gregory Peck em O Grande Pecador

Cena de O Grande Pecador

A adaptação não foi totalmente feliz – houve certa confusão durante a elaboração do roteiro, interferência por parte do produtor que ordenou cortes em sequências inteiras bem como a introdução de cenas suplementares feitas por outros diretores (provavelmente Jack Conway e / ou Mervyn LeRoy), e a imposição de um final feliz; porém, apesar dessas desvantagens, R. Siodmak conseguiu retratar muito bem a fauna de possuídos que assediam a roleta, destacando-se os momentos onde arriscam seus destinos nas apostas desesperadas. Sob este aspecto, a morte da velha senhora mãe do general (Ethel Barrymore), na mesa de jôgo, é um momento antológico.

Depois da MGM, R. Siodmak foi solicitado pela Paramount, onde o produtor Hal B. Wallis lhe ofereceu o projeto de A Confissão de Thelma / The File on Thelma Jordon / 1950, que seria o seu derradeiro filme noir.

Barbara Stanwick e Wendell Corey em A Confissão de Thelma

Thelma Jordon (Barbara Stanwick) entra na Delegacia de Polícia de Los Angeles, para dar parte de uma tentativa de furto. Cleve Marshall (Wendell Corey), assistente do promotor público (Barry Kelley) está ali diante do inspetor Scott (Paul Kelly) bebendo, para esquecer as mágoas conjugais. Depois que Scott sai, Cleve convida Thelma para um drinque e continuam saindo juntos às escondidas, enquanto sua esposa Pamela (Joan Tetzel) e o filho estão ausentes de férias em uma praia. Thelma diz a Cleve que vive separada do marido, Tony Laredo (Richard Rober) e mora com sua tia rica, Vera (Getrude Hoffman). Uma noite, Vera aparece morta. Thelma pede que Cleve venha imediatamente e o mordomo de Vera ouve por uma extensão a conversa entre os dois. Quando Cleve chega, Thelma revela que certa vez falou com Tony sobre um colar de esmeraldas caríssimo da tia, e receia que ele pode tê-la assassinado. Entretanto, as suspeitas recaem sobre ela, pois Tony tem um alibi indiscutível. Ao investigar o caso, Scott não consegue identificar o autor do misterioso telefonema, que foi apelidado de “Mr. X”, e que o mordomo viu deixando a cena do crime. Acreditando na inocência de Thelma, Cleve contrata anônimamente um advogado, Kingsley Willis (Stanley Ridges), e faz com que ele requeira a desqualificação do promotor público, para que ele, Cleve, possa assumir a tarefa de acusação. Cleve providencia um libelo propositadamente inepto, conseguindo absolver Thelma. Agora, herdeira de uma grande fortuna, ela volta a atrair o interesse de Tony, que nunca fôra seu marido, mas sim seu amante. Cleve faz uma visita final a Thelma durante a qual Tony obriga-a a admitir que eles enganaram Cleve e que ela matou a tia. Tony derruba Cleve e parte com Thelma. Ela se separa de Cleve, embora o ame e, desesperada, agride o amante enquanto este dirige o carro, que se precipita em uma ribanceira. No hospital, onde está agonizando, Thelma conta toda a verdade para Scott, porém se recusa a identificar “Mr. X”. Ela morre, e o promotor percebe que Cleve é “Mr. X”. Cleve se demite e pede a Scott, que ele informe Pamela de que ele a verá mais tarde.

Cena de A Confissão de Thelma

Cena de A Confissão de Thelma

O filme dispõe de todos os ingredientes para ser considerado um noir autêntico: mulher fatal destruindo a vida de um homem até então íntegro, corrupção, duplicidade de aparências, pessimismo, iluminação expressionista. Entretanto, Thelma é uma mulher fatal diferente. Ela subjuga o ingênuo Cleve, para assegurar o sucesso de um plano criminoso em proveito próprio e de um outro homem – mas se apaixona por sua vítima. Não é tão fria como Phyllis Dietrich, que a mesma Barbara Stanwyck interpretou em Pacto de Sangue / Double Indemnity / 1944. Age impulsivamente. Não é de todo má, “Passei a vida toda lutando entre o Bem e o Mal. Willis disse que eu era duas pessoas. Será que não podem deixar só uma parte de mim morrer? “, diz ela a Cleve no leito do hospital, pouco antes de expirar. O espetáculo sofre de alguma monotonia no trecho inicial, mas depois se desenvolve melhor, reconhecendo-se a força do estilo de R. Siodmak em algumas cenas, como por exemplo, o crime e depois o pânico da assassina e do seu protetor ante a aproximação do mordomo e o plano-sequência com a grua que segue Thelma da prisão ao tribunal através de uma multidão que a acompanha.

Os outros filmes americanos de R. Siodmak antes de retornar à Europa, foram: Deportado / Deported / 1950, O Direito de Viver / The Whistle at Eaton Falls / 1951 e O Pirata Sangrento / The Crimson Pirate / 1952.

Jeff Chandler e Marta Toren em Deportado

Rodado na Itália para Universal-International, Deportado, mostra como um gângster (Jeff Chandler) extraditado dos Estados Unidos para Nápoles, planeja uma maneira de trazer os cem mil dólares que roubara e nunca fôra recuperado pela polícia: ele manda a pessoa que está escondendo seu dinheiro, usá-lo para comprar alimentos e medicamentos e enviá-los para a aldeia onde fôra criado, a fim de que possa depois desviar a carga e revendê-la muito mais caro no mercado negro. Entrementes, ele se enamora de uma viúva aristocrática (Marta Toren) responsável pelo abastecimento local, que o apresenta como um benfeitor da cidade. Diante disso, muda de idéia e tem que enfrentar um ex-parceiro (Richard Rober), que quer a sua parte no roubo e os mafiosos locais.

Lloyd Bridges e Lenore Lonergan em O Direito de Viver

Dorothy Gish em O Direito de Viver

Rodado em New Hampshire para o produtor Louis de Rochemont (apoiado pela Columbia), O Direito de Viver, focaliza um conflito social entre operários e o patronato da costa leste. Um líder de sindicato (Lloyd Bridges) que a viúva de um industrial (Dorothy Gish) promoveu a presidente de uma pequena fábrica de plástico – única indústria em atividade em uma região duramente perturbada por greves – por força de um aumento dos custos de produção e das ferramentas arcaicas da firma, é obrigado a despedir operários temporariamente. Estes, excitados pelos sindicalistas à serviço da concorrência, ameaçam destruir as instalações da fábrica; porém após alguns confrontos entre trabalhadores leais à empresa e grevistas e a utilização de um processo de fabricação de plástico mais eficiente a paz social é reinstaurada.

Nick Cravat e Burt Lancaster em O Pirata Sangrento

Burt Lancaster e Eva Bartok em O Pirata  Sangrento

Rodada na sua maior parte em exteriores na Europa para a Hetch-Norma Pictures e distribuido pela Warner Bros., O Pirata Sangrento, conta as façanhas de um pirata do século XVIII (Burt Lancaster) no Mar das Caraíbas, que dá apoio a um revolucionário (Frederick Leicester), desafiando um tirano (Leslie Bradley) a serviço do Rei da Espanha, sempre acompanhado nessa aventura por um companheiro fiel (Nick Cravat); no decorrer dos acontecimentos, surgem um inventor bizarro (James Hayter) e a filha do chefe rebelde (Eva Bartok), por quem o intrépido pirata se apaixona.

Burt e Cravat em O Pirata Sangrento

Dos três filmes citados, apenas este último merece destaque pelo bom-humor, eloquência das situações absurdas (acompanhadas de invenções anacrônicas) e capacidade atlética e vitalidade dos dois artistas-acrobatas (Lancaster e Cravat), que conferem um sabor todo especial ao espetáculo.

O derradeiro período da carreira de R. Siodmak, compreende: A Grande Paixão / Le Grand Jeu / 1954, refilmagem do filme de Jacques Feyder; Quando o Amor é Pecado / Die Ratten / 1955; Mein Vater der Schauspieler / 1956; O Diabo Ataca à Noite / Nachts, wenn der Teufel kam / 1957; Dorothea Angermann / 1959; Retrato de uma Pecadora / The Rough and the Smooth (EUA) ou Portrait of a Sinner / 1959 (Inglaterra); Katia / Katia / 1959; Mein Schulfreund / 1960; O Advogado do Diabo / L’Affaire Nina B / 1961; Tunel 28 ou Escape from East Berlin / 1962; Der Schut / 1964; Der Schatz der Azteken Die Pyramide des Sonnengottes / 1964 – 1965; Os Bravos Não se Rendem / Custer of the West / 1967; O Último Romano / Kampf um Roma I – II (Der Verrat) / 1968 -1969.

Em A Grande Paixão / França – Itália, um jovem e brilhante advogado (Jean- Claude Pascal) que, por amor a uma amante indígna (Gina Lollobrigida) cometeu um desfalque, deixa a França, e aguarda em vão na Argélia, que ela se junte a ele. Desonrado e sem dinheiro, alista-se na Legião Estrangeira e encontra uma prostituta (Gina Lollobrigida), muito parecida com a sua amante na taberna de propriedade de uma cartomante (Arletty), que ele e mais dois companheiros frequentam. Lendo as cartas, a cartomante prevê a morte de seus dois companheiros, um (Raymond Pellegrin) morto por ele acidentalmente e o outro (Peter Van Eyck) durante uma patrulha. Desmobilizado, o rapaz decide voltar para a França na companhia da sósia de sua amante, que o ama sinceramente. Entretanto, depara-se com a antiga companheira, que o rejeita mais uma vez. Desesperado, ele deixa a sósia partir sozinha, e se reengaja. Antes de se unir à sua unidade, a cartomante faz uma “grande cartada”, na qual aparece o signo da morte. Ele parte voluntariamente em direção ao seu destino fatal.

Heildemarie Hatheyer e Maria Shell em Quando o Amor é Pecado

Em Quando o Amor é Pecado / República Federal Alemã, uma mulher estéril (Heildemarie Hatheyer), dona de uma lavanderia, com medo perder o marido, que deseja muito ter um filho, o faz acreditar que está grávida. O acaso vem em seu socorro na pessoa de uma jovem polonêsa (Maria Shell) sem dinheiro e sem visto de permanência no país, que está à procura de seu amante que sumira na República Federal da Alemanha e do qual espera um filho. A criança nasce e as duas mulheres concordam que a estéril manterá o recém-nascido como seu filho. Depois, a jovem se arrepende e, pensando que é o seu, rapta o filho doente de uma vizinha, que morre em seus braços. Apavorada pelo rumo dos acontecimentos, a “mãe estéril” intima seu irmão (Curd Jürgens) a dar um jeito para que a jovem “desapareça” de Berlim. O crápula tenta em vão convencer a moça a deixar a cidade e finalmente tenta estrangulá-la; porém durante a luta que se segue, ela consegue se desvencilhar dele e o mata, usando uma pedra como arma. A mãe solteira finalmente recupera seu filho e o marido da mulher estéril consola sua esposa.

Em Mein Vater, der Schauspieler (Meu Pai era Ator) / República Federal Alemã, uma atriz célebre (Hilde Krahl) casa-se com um novato e mais jovem que ela (O. W. Fischer): eles formam um par ideal, festejado pela imprensa, e dividem o cartaz durante alguns anos até o dia em que a atriz tem que ceder seus papéis para uma concorrente mais jovem. Amargurada e enciumada com o sucesso crescente do marido, ela abandona o domicílio conjugal e morre em um acidente na estrada. Inconsolável, seu esposo se entrega à bebida, arruina sua carreira, e acaba tentando o suicídio; mas é o seu jovem filho, até então sacrificado pela ambição dos pais, que salva sua vida, alertando os vizinhos.

Claus Holm e Hannes Messemer em O Diabo Ataca à Noite

Em O Diabo Ataca à Noite / República Federal Alemã, uma série de mortes sádicas permanecem inexplicáveis. Auxiliado por sua secretária (Annemarie Düringer), um comissário (Claus Holm) conduz a investigação. Ele não acredita na culpabilidade de um suspeito que todos os indícios acusam. Sua teoria é defendida pelo chefe da SS (Hannes Messemer) que, por ambição, quer uma solução espetacular, que permita reforçar a repressão. Por ordem de Hitler, as oitenta e duas mortes cometidas devem permanecer secretas. Desmascarado pelo comissário, o verdadeiro assassino (Mario Adorf) não vai a julgamento, porque é nazista e ariano puro. Apesar dos esforços do comissário, o inocente é condenado à morte (e depois libertado e abatido por “tentativa de fuga) e ele, como castigo, enviado para a frente russa enquanto o assassino é liquidado secretamente pela SS.

Ruth Leuwerik e Bert Sotlar em Dorohtea Angermann

Em Dorothea Angermann / Suiça, uma jovem (Ruth Leuwerik), filha de um pastor hipócrita e intolerante (Alfred Shieske), vagueia por uma discoteca, chama um guarda e se acusa da morte do marido. No tribunal, o pastor renega publicamente sua filha, apoiando-se em versículos bíblicos. Ela não reage, e descreve em retrospecto uma existência sem alegria, passada entre a cozinha e o presbitério. Obrigada a casar com sujeito brutal (Kurt Meisel), a jovem resiste, mas ele a estupra, e ela dá a luz uma criança natimorta. A moça então se entrega à bebida enquanto o marido, vilipendiando o dote do pastor, organiza orgias a domicílio. Quando decide ir para Hamburgo com seu antigo noivo – um engenheiro (Bert Sotlar), o marido, ferido no seu orgulho masculino, ameaça-a com uma faca. Ela atira um vaso no crânio dele, matando-o involuntariamente. No julgamento, uma testemunha inesperada inocenta a jovem mulher, que encontra o noivo na saída da côrte de justiça. Seu pai se aproxima dela e lhe pede perdão.

Em Retrato de uma Pecadora / Grã Bretanha, um jovem arqueólogo (Tony Britton) da alta sociedade londrina prestes a partir em expedição ao Oriente Próximo, rompe seu noivado com uma herdeira riquíssima, para seguir uma desconhecida loura e lasciva (Nadja Tiller), que encontrara na rua. Ele descobre que esta criatura é ao mesmo tempo relacionada com um rufião traficante de heroína e com seu antigo patrão (William Bendix), um dono da boate arruinado, que acaba por se suicidar. Todos os esforços do arqueólogo para tirá-la desse meio são inúteis. Desiludido, amadurecido e desprovido de suas economias, o rapaz volta aos braços puros da noiva, deixando seu “anjo perverso” sossobrar na prostituição.

Curd Jürgens e Romy Schneider em Katia

Em Katia / França , na Rússia de 1861 a 1881, ao visitar o Instituto Smolny, o Tzar Alexandre II (Curd Jürgens) conhece a jovem Katia, (Romy Schneider), loucamente apaixonada por ele. Quando o monarca percebe que a ama, julgando este amor impossível, ele a envia a Paris. Alguns anos mais tarde, em visita oficial na capital francêsa, o Tsar revê Katia. Não podendo mais viver sem ela, ele a faz retornar a São Petersburgo e decide esposá-la quando a Imperatriz more. Porém, ferido em um atentado, ele morre nos braços de sua bem-amada.

Em Mein Schulfreund (Meu Colega de Classe) / República Federal Alemã, um funcionário do Correio (Heinz Ruhmann) exerce escrupulosamente o seu trabalho, mas os horrores da guerra o incomodam, e ele resolve escrever uma carta para seu antigo colega de classe Herman Goering (que sempre colava dele nas provas), na qual implora que o poderoso Reichsmarschall use de toda a sua influência para fazer cessar a carnificina nazista. A missiva é interceptada pela Gestapo e o modesto funcionário torna-se um preso político, passível de sofrer a pena de morte. Avisado sobre o incidente, Goering poupa a vida de seu antigo condiscípulo, fazendo com que ele seja declarado um doente mental irresponsável. O problema é que, após o fim da guerra, o funcionário não pode ser reintegrado ao seu trabalho por causa de sua condição de demente. Aí começa sua odisséia tragicômica para contactar as pessoas que poderiam atestar sua sanidade – porém elas estão mortas, presas ou se recusam a testemunhar por medo de atrair a atenção da imprensa sobre seu pasado. Finalmente, seu advogado o aconselha a cometer um delito punível que levará a um novo exame psiquiátrico. A manobra é bem sucedida e o funcionário, condenado com sursis, recebe enfim a consideração e as indenizações a que tem direito.i

Em O Advogado do Diabo / França, Nina B (Nadja Tiller), no enterro do Senhor B (Pierre Brasseur), um ex-condenado, chofer (Walter Giller) e homem de confiança do falecido, introduz a narração através de um retrospecto. Ele relata o suicídio frustrado de Nina B (Nadja Tiller), esposa-objeto do defunto, um poderoso financista da Alemanha após-guerra. O Senhor B dispõe de documentos que comprovam a participação de seus rivais em crimes de guerra e pretende usá-los contra eles. Seus inimigos fazem com que ele seja preso sob pretexto de fraude fiscal e o chofer fica com a pasta contendo os documentos comprometedores sendo exposto aos ataques dos antigos nazistas. Nina torna-se amante do chofer e tenta manobrá-lo para seus próprios fins. Libertado por seu advogado, o Senhor B utiliza as provas em seu poder para obter a capitulação de seus concorrentes, mas seu próprio advogado o trai, e ele, às vésperas de ser novamente preso, tem um enfarte do miocárdio. Ou foi o efeito do veronal que sua esposa teria substituído aos remédios que o marido tomava contra ataques cardíacos? Ninguém saberá.

Christine Kauffman e Don Murray em Tunel 128

Em Tunel 28 / USA – República Federal Alemã, o motorista (Don Murray) de um major da Alemanha Ocidental vê um amigo ser morto, ao tentar atravessar o Muro de Berlim com seu caminhão. Ele é persuadido pela irmã (Christine Kauffman) do falecido, a planejar uma fuga para a Alemanha Ocidental. Com a ajuda de um grupo de pessoas, o rapaz cava um túnel por debaixo do Muro, por onde eles escaparão do jugo comunista. Seus esforços para evitar a suspeita dos guardas da Alemanha Oriental, seu medo de uma traição por parte de vizinhos e a exaustão são apenas algumas das dificuldades encaradas pelos fugitivos.

Lex Barker em Der Schut

Em Der Schut / República Federal Alemã – Itália – França – Iugoslávia, por volta de 1870, na Albânia, um bandido apelidado de “o diabo amarelo”, que se disfarça em um rico mercador de tapetes (Rik Battaglia), espolia os viajantes nas montanhas controladas teoricamente pela administração otomana. Acompanhado de um fiel servidor (Ralf Wolter) e de um aristocrata inglês (Dieter Borsche), o intrépido teutônico “Kara Ben Nemsi”(Lex Barker) parte em busca de um amigo francês sequestrado pelo bandido. Seguem-se cavalgadas, emboscadas, traições noturnas, aldeias incendiadas, orelhas cortadas, etc. até o momento em que a polícia turca, alertada por uma bela cativa (Marie Versini) cerca o refúgio do vilão, que acaba no fundo de um precipício.

Em Der Schatz der Azteken / República Federal Alemã – França – Itália – Iugoslávia, na época da Guerra Civil Americana, um médico alemão (Lex Barker), enviado secreto de Juarez (Fausto Tozzi) junto a Lincoln (Jeff Corey), a fim de obter apoio financeiro na sua luta contra Maximiliano, instalado como imperador do México pelo govêrno francês – no curso de várias aventuras que envolvem seu assistente, um cowboy americano (Kelo Henderson); um capitão traiçoeiro de Juarez (Rik Battaglia); um rico proprietário rural simpático à causa revolucionária (Friedrich von Ledebur) e seu filho pródigo (Gérard Barray); um fabricante de relógios (Ralf Wolter); e uma princesa Azteca (Theresa Lorca) – descobre, nas galerias de uma pirâmide, onde se refugiam os antigos descendentes dos aztecas, o tesouro legendário outrora cobiçado por Cortez.

Robert Shaw em Os Bravos Não se Rendem

Em Os Bravos Não se Rendem / Estados Unidos (rodado na Espanha), após uma brilhante carreira na Guerra Civil, o jovem General George Armstrong Custer (Robert Shaw) vai para o Oeste, acompanhado de sua esposa (Mary Ure), assumir o comando do 7º Regimento de Cavalaria. Ao reprimir os índios que estão se rebelando contra a política do govêrno de reservas territoriais, ele entra em conflito com dois oficiais (Jeffrey Hunter, Ty Hardin), que são simpatizantes da causa indígena, e aperta a disciplina entre seus homens. Mais tarde, Custer recebe uma visita surprêsa do General Sheridan (Lawrence Tierney), que lhe ordena um ataque a uma aldeia cheyenne, para acalmar os políticos de Washington. Custer cumpre a ordem, mas suas tropas massacram de uma maneira selvage mulheres e crianças. Embora ele se recuse a uma aproximação conciliatória com o Chefe Dull Knife (Kieron Moore), Custer conclui que a receptividade do govêrno a interesses privados deve ser controlada, a fim de que a paz seja garantida. Uma patrulha de Custer deserta depois que é descoberto ouro na reserva e ele é obrigado a executar o líder dos desertores (Robert Ryan). Em seguida a uma emboscada dos índios contra uma nova linha férrea que atravessa suas terras, Custer é chamado a Washington. Ele denuncia políticos da administração do presidente Grant, que foram subornados para atuar como porta-vozes da estrada de ferro e de mineradores e, em consequência, é dispensado do seu comando. Ele fica desolado ao saber que seus homens vão marchar contra os índios sem ele. Entretanto, através da diplomacia de sua esposa, Custer recebe permisão para retornar ao Dakota e liderar seus soldados na batalha. Em Little Big Horn suas tropas são dizimadas pelos índios e Custer é o último a morrer.

Orson Welles e Sylva Koscina em O Último Romano

Em O Último Romano / República Federal Alemã – Itália – Rumênia, na corte de Ravenna, capital do efêmero império ostrogodo, o pérfido Cethegus (Laurence Harvey), o “último dos romanos”, encorajado pelo imperador de Bizâncio Justiniano (Orson Welles) e sua esposa Theodora (Sylva Koscina), semeia a discórdia entre as duas filhas do falecido rei Teodorico (Honor Blackman, Harriet Anderson), esperando assim livrar a Itália dos bárbaros. Depois que a côrte de Ravenna foi dividida e enfraquecida pelas intrigas, a cidade de Roma é ocupada à força pelo exército bizantino e depois assediada sem sucesso pelos ostrogodos. A história termina com os protagonistas sendo assassinados, envenenados ou cortados em pedaços em uma das quatro grandes batalhas – quando não se suicidam simplesmente (como Cethegus). Os ostrogodos sobreviventes levam os corpos de seus chefes e se estabelecem, com a ajuda da frota viking, na ilha de Gotland no mar Báltico.

A mudança de ares infelizmente não favoreceu ao cineasta. Como se vê pelos resumos dessas suas quatorze últimas realizações, alguns argumentos eram até bem interessantes e poderiam ter ocasionado bons filmes, porém ele, por cansaço ou apatia, submeteu-os a uma direção pesada, resultando espetáculos monótonos e medíocres, sem nenhum vestígio da plenitude artística, atingida na fase americana de sua carreira. Siodmak nunca esteve no mesmo plano de criadores da sétima arte como Fritz Lang ou Alfred Hitchcock, pois era somente um artesão de muita competência, mas deixou obras marcantes na cinematografia além dos tão elogiados filmes noirs, causando espanto o final melancólico, para não dizer trágico, do seu percurso cinematográfico.

ROBERT SIODMAK E SEUS FILMES NOIRS II

February 17, 2017

Joan Harrison estudou em Oxford e na Sorbonne. Após um início de carreira no jornalismo, foi durante muito tempo secretária particular de Alfred Hitchcock e ascendeu finalmente à posição de roteirista na véspera da ida de “Hitch” para os Estados Unidos. Ela colaborou assim nos roteiros de Estalagem Maldita / Jamaica Inn / 1939, Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca / 1940, Correspondente Estrangeiro / Foreign Correspondent / 1940, Suspeita / Suspicion / 1941 e – nos estúdios da Universal em 1942 – em Sabotador / Saboteur. Em 1943, separou-se de Hitchcock, para se tornar produtora independente e, enquanto estava em negociação com a Universal para ser produtora associada ao estúdio, conheceu R. Siodmak, nascendo daí a primeira colaboração entre os dois. Joan acabara de adquirir os direitos de “Phantom Lady”, romance policial de Cornell Woolrich, o escritor que, juntamente com Dashiel Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain, inspirou alguns dos melhores filmes noirs do período clássico, e a história de Woolrich, caiu nas mãos do diretor.

Robert Siodmak, Joan Harrison, Ella Raines e Franchot Tone

A Dama Fantasma / Phantom Lady / 1943 começa por um primeiro plano de Ann Terry, a “dama fantasma” (Fay Helm), de costas para a objetiva, com um daqueles chapéus extravagantes que faziam furor nos anos 40. O cenário é um bar subterrâneo em Nova York. Entra Scott Henderson (Alan Curtis), um jovem engenheiro, que acabou de ter uma discussão com a esposa e convida a desconhecida para ir ao teatro de revista com ele, mostrando-lhe dois tíquetes. Ela aceita com uma condição: nada de nomes, nem endereços. Scott leva-a ao musical, cuja estrela é uma cantora latino-americana (Aurora Miranda) e depois a reconduz ao bar, para nunca mais vê-la. Quando Scott acende a luz ao chegar em casa, vê-se diante de três policiais; sua mulher foi estrangulada com uma gravata. Todas as supeitas recaem sobre ele: somente a desconhecida, seu único álibi, poderia inocentá-lo – mas como encontrá-la? Estranhamente as testemunhas negam a existência da tal mulher e Scott é condenado. Sua secretária, Carol “Kansas” Richman (Ella Raines), secretamente enamorada do patrão, procura descobrir o verdadeiro culpado com o auxílio do inspector Burgess (Thomaz Gomez), também convencido da inocência do engenheiro. Ao visitar Scott na prisão, Kansas conhece um de seus amigos, o artista plástico Jack Marlowe (Franchot Tone) que se oferece para ajudá-la a encontrar a “dama misteriosa”. Eles conseguem localizar Ann Terry; mas esta não poderá depor no tribunal, porque a morte súbita do noivo perturbou-lhe o juízo; todavia, o chapéu é uma prova suficiente para a defesa de Scott. Para festejar a vitória e esperar Burgess, vão para o apartamento de Marlowe, onde Kansas vê sua bolsa roubada e percebe que ele é o assassino. Marlowe confessa que matou a mulher de Scott, porque ela zombara dele. No momento em que vai estrangular Kansas, Burgess chega e o criminoso se atira pela janela.

Fay Helm e Alan Curtis em A Dama Fantasma

Aurora Miranda em A Dama Fantasma

Cena de A Dama Fantasma

O enredo contém elementos essenciais para um filme noir: o inocente enroscado pelas teias do destino; o ambiente noturno com os detalhes de sombras ameaçadoras; o criminoso paranóico; e, de certa forma, a presença de uma mulher fatal (que é ao mesmo tempo a investigadora), pelo menos durante algum tempo da ação. Na sua busca para salvar o patrão da cadeira elétrica, Kansas, usando seus encantos, persegue o garçom (Andrew Tombes, Jr.) e o baterista Cliff Milburn (Elisha Cook, Jr.), e causa a morte dos dois. Entretanto, nos derradeiros instantes da narrativa, volta a ser a fêmea indefesa, sujeita às forças patriarcais: Marlowe, o assassino, que a ameaça; Burgess, o policial que a protege paternalmente; e Scott, o patrão que vai se casar com ela, recolocando-a no papel passivo e convencional de secretária e esposa.

Cena de A Dama Fantasma

Cena de A Dama Fantasma

O engenheiro assassino “normal”do livro foi transformado em um personagem estereotipado: o artista louco, com mania de grandeza, dores de cabeça, tontura, tique nervoso no olho direito e atelier decorado com esculturas estranhas. Há um momento em que, sentado em uma cadeira, recita um monólogo sobre as mãos e depois se levanta para estrangular o baterista. Neste momento, o seu corpo encobre aos poucos o da vítima e toma conta de toda a tela.

Thomaz Gomes, Ella Raines e Franchot Tone em A Dama Fantasma

Franchot Tone e Ella Raines em A Dama Fantasma

Franhcot Tone em A Dama Fantasma

O filme é, sobretudo, um admirável exercício de estilo. Com seu especial temperamento germânico e ajuda do fotógrafo Ellwood “Woody” Bredell, R. Siodmak recriou o universo de Woolrich quase que inteiramente através de uma direção dinâmica e inventiva. Para se ter uma idéia da mise-en-scène, no momento em que a heroína segue o garçom suspeito pelas ruas escuras e molhadas pela chuva até a estação elevada do metrô, ouve-se somente o ruído dos saltos dos sapatos de ambos. Na plataforma deserta, ele se coloca atrás dela, dando a impressão de que vai empurrá-la para a linha férrea mas, subitamente, aparece uma mulher negra e irrompe o som do trem que está chegando. A perseguição continua silenciosa pelas ruas e quando finalmente Kansas se aproxima do homem para interrogá-lo, ele se volta contra ela raivoso. Alguns transeuntes oferecem-se para defendê-la, seguram o fugitivo, porém ele se esquiva e sai bruscamente de cena. Rangido de freios, gritos e um chapéu rola para o bueiro. Ou seja, os sentimentos de perigo e de tensão são transmitidos para a platéia exclusivamente através do som, luz, montagem e movimentos de câmera – puro cinema.

Ella Raines e Thomaz Gomes em A Dama Fantasma

Ella Raines e Elisha Cook Jr. em A Dama fantasm

Ella Raines em A Dama Fantasma

Elisha Cook Jr. em A Dama Fantasma

Entretanto, a sequência antolológica é a do encontro de Kansas com o baterista. Sentada na primeira fila do teatro, com um vestido de cetim preto e mascando chicletes, ela flerta com o músico. Depois, os dois vão a uma sessão de swing noturna. Para ilustrar a música ensurdecedora, a câmera mostra Kansas maquilando-se diante de um espelho que balança. O clima é de delírio, com os músicos tocando ao lado de muitas garrafas de cerveja. Diante de Kansas sensual e provocante, Cliff executa um solo de bateria frenético, arrebatado até o limite do orgasmo; nestas cenas a angulação, a montagem e a iluminação traduzem tudo visualmente.

Quando Joan Harrison se associou temporariamente à United Artists, R. Siodmak recebeu como encargo da Universal a direção de Férias de Natal / Christmas Holiday / 1944, melodrama reunindo dois astros comumente ligados ao filme musical, Deanna Durbin e Gene Kelly, escolhidos para papéis atípicos. No enredo, baseado em um romance de W. Somerset Maugham (bastante modificado pelo roteirista Herman Mankiewicz), um militar (Dean Harens) recebe carta de sua noiva, dizendo que se casou com outro. Na noite de Natal, seu avião pousa em New Orleans devido a uma tempestade, e o rapaz, muito deprimido, conhece um repórter (Richard Whorf), que o convida para o bordel clandestino de     Mme. Valerie (Gladys George), onde ele encontra uma cantora (Deanna Durbin). Depois de terminar seu número, ela convida o militar para acompanhá-la até uma igreja e alí, cai em prantos. Ele a leva para jantar e ouve sua história. Retrospectos revelam que a jovem foi feliz durante algum tempo do seu casamento até que descobriu que seu marido (Gene Kelly), um jogador inveterado, matara o seu bookmaker para roubá-lo, tendo sido condenado à prisão perpétua. Ela diz a seu ouvinte que se degradou voluntariamente. Por ciúme, o marido foge da prisão, com a intenção de matar sua esposa, que, mesmo sabendo disso, o aguarda ainda com uma devoção cega. Ele está prestes a cometer o ato criminoso, quando é abatido pela polícia

Deam Harens, Richard Whorf e Gladys George em Férias de Natal

Deanna Durbin em Férias de Natal

Gene Kelly e Deanna Durbin em Férias de Natal

Gale Sondegaard, Gene Kelly e Deanna Durbin em Férias de Natal

A filmagem de Férias de Natal foi caótica. Deanna Durbin, brigava violentamente com o produtor Felix Jackson, seu marido e com o diretor, que ela odiava. R. Siodmak procurou em vão ”desglamourizar” a atriz, porém Deanna se obstinou em permanecer ela mesma, recusou maquilagem e vestidos demasiadamente “aviltantes” e acabou por dirigir uma parte de suas próprias cenas sózinha. R. Siodmak só retomou o filme na fase de montagem, para salvar o que era possível salvar. Graças ao seu domínio completo da linguagem cinematográfica, ele tornou o filme razoavelmente atraente, deixando sua marca estilística no conjunto do espetáculo.

As quatro próximas realizações de R. Siodmak, as duas primeiras para a Universal (Dúvida / The Suspect / 1944; Caprichos do Destino / The Strange Affair of Uncle Harry / 1945); a terceira para a RKO (Silêncio nas Trevas / Spiral Staircase / 1945); e a quarta para a Universal-International (Espelho d’Alma / Dark Mirror / 1946) foram dramas de suspense e de mistério, com os quais R. Siodmak alcançou definitivamente uma posição de destaque entre os diretores de cinema de Hollywood.

Robert Siodmak, Charles Laughton e Ella Raines na filmagem de Dúvida

Ella Raines e Charles Laughton em Dúvida

Henry Daniell e Charles Laughton em Dúvida

Robert Siodmak dirige Ella Raines e Charles Laughton na filmagem de Dúvida

Em Dúvida, um homem íntegro (Charles Laughton), gerente sexagenário de uma tabacaria em um subúrbio de Londres no comêço do século, é levado ao assassinato de sua esposa rabugenta e vingativa (Rosalind Ivan), quando se apaixona por uma jovem datilógrafa (Ella Raines). Ele é assediado por um detetive da Scotland Yard (Stanley Ridges) e um vizinho chantagista (Henry Daniell), o qual acaba matando. O detetive arma um plano para fazer com que o gerente confesse seus crimes;

Robert Siodmak, Ella Raines e George Sanders

Ella Raines e George Sanders em Caprichos do Destino

Geraldine Fitzgerald e Ella Raines em Caprichos do Destino

Geraldine Fitzgerald, Robert Siodmak e George Sanders em Caprichos do Destino

em Caprichos dos Destino, um desenhista solteirão (George Sanders) de uma cidade provinciana de New Hampshire, vive na companhia de suas duas irmãs. Uma, (Moyna MacGill), é viúva e dominada pela outra (Geraldine Fitzgerald), mais jovem e bela, que tem uma paixão incestuosa pelo irmão, A vida deles é perturbada quando o irmão se apaixona por uma jovem (Ella Raines) que trabalha com ele em uma fábrica de tecidos. A irmã viúva acolhe a jovem com resignação, mas a outra, faz tudo para destruir a felicidade de seu irmão. Este finalmente tenta envenenar a irmã dominadora, mas o destino intervém, e o final do filme reserva uma surpresa para os espectadores;

Cena de Silêncio nas Trevas

Dorothy McGuire em Silêncio nas Trevas

Dorothy McGuire, George Brent, Rhonda Fleming e Gordon Oliver em Silêncio nas Trevas

Robert Siodmak e Dorothy McGuire na filmagem de Silêncio das Trevas

em Silêncio nas Trevas, na mansão habitada por uma velha senhora viúva e cardíaca, que vive presa ao leito (Ethel Barrymore), seu filho (Gordon Oliver), jovem cínico e volúvel, seu enteado (George Brent), um professor de química, a amante do primeiro e secretária do segundo (Rhonda Fleming), o jardineiro (Rhys Williams) e sua esposa alcoólatra (Elsa Lanchester), a jovem muda (Dorothy MacGuire), que cuida da idosa, é advertida por sua patroa de que deve deixar a casa o mais breve possível, pois um psicopata que mata jovens com alguma enfermidade está agindo nas imediações. A moça aguarda a chegada de um médico (Kent Smith) que, apaixonado por ela, se dispusera a levá-la embora dali. Enquanto ele não chega, ela é atacada pelo homicida, que vem a ser o enteado da velha senhora. Ele vai estrangular a jovem muda, perto de uma escada em espiral, quando sua madrasta o abate a tiros. O choque deste momento faz com que a moça recupere a fala;

Olivia de Havilland, Robert Siodmak e Lew Ayres em Espelho d’Alma

Olivia de Havilland em Espelho d’Alma

Cena de Espelho d’Alma

Lew Ayres, Olivia de Havilland e Robert Siodmak na filmagem de Espelho d’Alma

em Espelho d’Alma, uma mulher suspeita de matar um médico seu namorado, tem uma irmã gêmea idêntica. Quando ambas as gêmeas (Olivia de Havilland) oferecem um álibi para a noite do crime, um psiquiatra (Lew Ayres) é convocado para ajudar um policial (Thomas Mitchell) a solucionar o caso. Através de uma série de testes, o psiquiatra descobre, que uma delas é demente e, no decorrer de sua investigação, apaixona-se pela gêmea inocente. Graças a um estratagema muito bem calculado pelo psiquiatra e pelo policial, a verdadeira culpada se desmascara.

Em todos esses filmes, R. Siodmak demonstrou a sua capacidade de narrar uma história de maneira essencialmente cinematográfica, o seu gôsto pela criação de uma atmosfera inquietante ou sombria em espaços fechados e o seu domínio absoluto dos movimentos de câmera e da iluminação, pois ele era um dos raros diretores que conhecia também os aspectos técnicos de sua profissão a fundo. Sua aptidão fílmica consagrou-o internacionalmente, quando o cineasta realizou o seu segundo filme noir, Assassinos / The Killers / 1946, produzido por Mark Hellinger para a Universal.

Burt Lancaste,r o produtor Mark Hellinger e Robert Siodmak

O preceito de Assassinos é o de que a ambição pelo dinheiro leva à corrupção e à morte. Uma dupla de assassinos de aluguel, Max (William Conrad) e Al (Charles McGraw) chegam à pequena cidade de Brentwood, New Jersey, à procura de Ole Anderson. Conhecido como sueco (Burt Lancaster), ele trabalha em um posto de gasolina. Eles o encontram aguardando-os silenciosamente em um quarto escuro; e não oferece resistência. Ao saber das circunstâncias em que o crime foi cometido, Jim Riordan (Edmond O’Brien), investigador da companhia de seguros responsável pelo pagamento da indenização à beneficiária do falecido – a arrumadeira de um hotel onde o Sueco havia se escondido usando nome falso -, quer descobrir porque a vítima deixou-se matar mansamente pelos dois facínoras.

Edmond O’Brien e Sam Levene em Assassinos

Albert Dekker e Vince Barnett em Assassinos

Sua investigação leva-o ao encontro de várias pessoas que conhecem o passado do Sueco: o detetive Sam Lubinsky (Sam Levene), sua esposa Lilly (Virginia Gilmore) e Charleston (Vince Barnett), um ex-presidiário. Através desses depoimentos, fica sabendo que o Sueco foi obrigado a encerrar a carreira de pugilista por ter quebrado a mão em uma luta e, incitado por uma bela mulher, Kitty Collins (Ava Gardner), se uniu a um bando de ladrões liderados pelo amante dela, Big Jim Colfax (Albert Dekker). Riordan localiza os outros components da quadrilha, Blanky (Jeff Corey) e Dum Dum (Jack Lambert) e, finalmente, chega Colfax e Kitty, desvendando todo o mistério: como Kitty fez o Sueco passar por traidor do grupo após um assalto, enquanto ela e o amante fugiram com o dinheiro roubado, e como, anos depois, Kity e Colfax contrataram dois pistoleiros para matar o Sueco por medida de segurança.

Desenvolvendo o conto de Ernest Hemingway, o filme procura decifrar o enigma da resignação existencial do Sueco, como ele perdeu a vontade de viver. Por intermédio de onze retrospectos acronológicos e com uma obsessão pessoal que excede os interessses da companhia de seguros, Riordan vai descobrindo porque aquele homem abraçou a morte com indifrença. O testemunho das pessoas que o conheceram no passado se completam uns aos outros e o obstinado investigador vai reconstituindo , como um mosaico, o seu destino trágico.

Cena inicial de Assassinos

Charles McGraw e William Conrad em Assassinos

O prólogo – que corresponde exatamente ao conto – é conduzido com admirável precisão cinematográfica, em um clima sombrio e de violência fria criado pela interpretação seca dos atores que forma a dupla de assassinos, pelos diálogos curtos e diretos e pela iluminação claro-escuro (Elwood Bredell) combinada com a profundidade de campo, angulações em câmera alta e baixa e um fundo musical (Miklos Rosza) de alta tensão. Deitado na cama do quarto escuro, o condenado aguenta impassível a chegada dos assassinos. Até que ouve o barulho de passos na escada e percebe um raio de luz infiltrando-se por debaixo da porta. Após alguns segundos de silêncio, a porta se abre brutalmente iluminando o rosto angustiado do Sueco e os dois algozes descarregam suas armas sobre ele.

Burt Lancaster em Assassinos

No primeiro retrospecto, Nick conta a Riordan que, uma semana atrás, o Sueco reconheceu um cliente em um cadillac negro. Depois, disse que estava doente e não voltou mais ao trabalho. No segundo, Riordan procura a beneficiária do seguro, Mary Ellen Daugherty, em Atlantic City e ela lhe revela que, uma tarde, ouviu o Sueco gritando : “Ela foi embora! Ela foi embora!. Charleston tinha razão!”. Mary entrou no quarto onde ele, como um louco, estava quebrando os móveis e o impediu de se atirar pela janela. Em Filadéflia, o detetive Lubinsky explica para Riordan porque o sueco abandonou sua carreira promissora de boxeador – terceiro retrospecto – depois de levar uma surra do adversário por ter quebrado todos os ossos de sua mão direita.

Burt Lancaster e Robert Sidomak na filmagem

Cena de Assassinos

A esposa de Lubinsky, Lilly, antiga namorada do Sueco, revela, em um quarto retrospecto, o encontro fatal do ex-pugilista com Kitty em uma festa no luxuoso apartamento de seu amante. Quando o Sueco entra, Kitty está apoiada no piano com um copo na mão; o vestido longo de cetim preto, os ombros cobertos por sua cabeleira negra, as luvas pretas cobrindo seus antebraços, toda a sua aparência de um erotismo refinado, é a própria imagem da sedução. Enquanto ela canta “The More I Know of Love”, uma lâmpada em forma de vela (espécie de símbolo fálico inflamado), os separa, criando uma composição visual muito evocativa da paixão devastadora que arrastará o Sueco para a morte.

Em um quinto retrospecto, Lubinsky lembra um dos últimos encontros com o Sueco em um restaurante, quando ele se preparava para prender Kitty, suspeita de ter roubado uma jóia de grande valor. Aí aparece o Sueco, assume a culpa de Kitty e Lubinsky é obrigado a prendê-lo. No enterro do Sueco, comparece seu antigo companheiro de cela, Charleston, e vem o sexto retrospecto, um tanto lírico. Charleston dá uma lição de astronomia para o Sueco, mostrando as estrelas que ele observa através das grades enquanto seu companheiro, tendo a mão o lenço de Kitty com desenhos de harpas, recorda-se de sua amada. No decorrer do sétimo retrospecto, Charleston descreve a reunião para preparar o assalto. O Sueco concorda em participar. Charleston se retira e o aconselha a não “ouvir o som das harpas”.

Ava Gardner e Burt Lancaster em Assassinos

Virginia Gillmore, Burt Lancaster e Ava Gardner em Assssinosa

Jeff Corey,Burt Lancaster, Ava Gardner, Albert Dekker em Assassinos

Riordan prossegue sua investigação na biblioteca municipal, onde examina velhos jornais. Durante a leitura do material, aparecem – oitavo retrospecto – as peripécias do audacioso assalto a uma fábrica de chapéus de New Jersey. Para acentuar o caráter jornalístico desta sequência, Siodmak filmou-a sem cortes, em um só movimento de grua apanhando em câmera alta os mínimos detalhes do roubo.

O nono e o décimo restrospecto dizem respeito às lembranças de Blanky, que Riordan encontra moribundo em um hospital. No seu delirio, Blanky se reporta a uma desavença entre o Sueco e Colfax durante um jôgo de pôquer e à partilha do roubo, quando o Sueco rende todo o bando e foge com o dinheiro. Riordan compreende que Blanky foi morto por um outro membro da quadrilha, Dum Dum, e o surpreende no quarto do Sueco em Brentwood.

Edmond O’Brien em Assassinos

Jack Lambert em Assassinos

Graças às informações de Dum Dum, localiza Colfax, que se tornou um cidadão respeitável em Pittsburgh, e finalmente Kitty, que lhe revela, no décimo primeiro e último retrospecto, como persuadiu o Sueco a fugir com ela. Kitty está casada com Colfax: o Sueco foi apenas um instrumento para iludir o resto do bando; porém Dum Dum também descobriu o lôgro; Riordan chega na casa de Colfax, acompanhado por Lubinsky e outros policiais, no momento em que ocorre o tiroteiro entre Dum Dum e Colfax. Um traveling lateral para a direita do patamar da escada mostra, atrás de um balaustre iluminado na melhor tradição expressionista, o cadáver de Dum Dum e depois, estendido sobre alguns degraus, Colfax agonizando. Kitty agarra-se ao pescoço de Colfax e suplica histérica: “Diga para eles que eu não sabia de nada”, mas Colfax finge que não ouve e morre com um cigarro nos lábios contraídos pela dor.

Cena de Assassinos

Todo o filme é marcado por lances de violência e sadismo (a luta de boxe; o primeiro plano da mão deformada; as balas dos assassinos que “rasgaram o corpo do Sueco”; Blanky, um “morto que ainda respira”; o banho de sangue no confronto final entre Dum Dum e Colfax etc.) e pela tendência do herói para a autodestruição, em uma mistura de ingenuidade e masoquismo. E há também o caráter fetichista do amor do Sueco por Kitty, não só na sua idealização romântica dessa mulher, como na maneira pela qual ele acariciava o lenço de cetim que ela lhe deu – a única coisa que ainda possuía quando se entregou passivamente aos seus executores.

Siodmak não pôde resistir às pressões de J. Arthur Rank – que mantinha uma colaboração estreita com a Universal-International e desejava introduzir através da firma americana a nova estrela britânica Phyllis Calvert (a heroína de Amor nas Sombras / Fanny by Gaslight / 1944) no mercado americano. Mediante um contrato mirabolante com a U-I – salário triplicado durante dois anos, mais liberdade para os filmes seguintes etc. – o cineasta aceitou não somente dirigir, mas também atuar como produtor de um dramalhão baseado em um romance de Rachel Field.

Robert Hutton e Phyllis Calvert em Brumas do Passado

Brumas do Passado / Time Out of Mind / 1947, conta a história de um rapaz (Robert Hutton), filho de um armador rico do Maine (Leo G. Carroll), que quer seguir a carreira de músico, contrariando o desejo do pai de torná-lo um capitão de navio. Sua irmã (Ella Raines) lhe devota um amor excessive, mas é da filha da governanta (Phillys Calvert), educada junto com os dois irmãos, que ele recebe uma ajuda concreta. Ela lhe entrega suas economias, a fim de que ele possa sair do domicílio familiar e estudar no Conservatório de Paris. O pai não sobrevive a essa “deserção”. O rapaz retorna da Europa coberto de glória e casado com a filha (Helena Carter) de um banqueiro; porém depois perde a fé no seu talento, quando descobre que sua esposa organizava seus concertos às suas próprias custas, enchendo as salas com seus conhecidos. O rapaz começa a beber, a esposa o abandona, e é a filha da empregada que cuida de seu artista deprimido que, para coroar seu amor enfim assumido, compõe uma sinfonia, cujo triunfo é festejado em Nova York. O diretor verteu para a tela o argumento que lhe deram, assegurando somente a qualidade técnica do espetáculo

Richard Conte e Victor Mature em Uma Vida Marcada

Em 1948, Darry F. Zanuck contratou R. Siodmak para fazer um drama criminal no estilo neo-realista proposto por Louis de Rochemont na 20thCentury-Fox, Uma Vida Marcada / Cry of the City. No enredo, Martin Rome (Richard Conte), gravemente ferido, recebe a extrema-unção em um hospital de Nova York. O tenente Vittorio Candella (Victor Mature), seu amigo de infância, suspeita de que Martin esteja envolvido em um roubo de jóias. Martin consegue fugir da prisão e vai ao escritório de Niles (Berry Kroeger), um advogado inescrupuloso, em cujo cofre encontra as jóias. Niles revela o nome de sua cúmplice, uma massagista corpulenta chamada Rose Given (Hope Emerson). Martin procura Rose e lhe pede dinheiro e duas passagens para a América do Sul em troca das jóias que escondeu no armário de uma estação do metrô; mas Rose é presa. Candella descobre que Martin vai se encontrar com sua noiva Teena (Debra Paget) em uma igreja e perto dali os dois se confrontam.

Berry Kroeger e Richard Conte em Uma Vida Marcada

Richard Conte e Shelley Winters em Uma Vida Marcada

Cena de Uma Vida Marcada

Siodmak trabalhou com o tema muito usado do bom e do mau rapaz oriundos do mesmo meio social, cujos caminhos na vida divergem diametralmente. Rome tornou-se um gangster irrecuperável (seu último gesto empunhando o canivete aberto, parece ser um símbolo disso) e Candella, um incorruptível defensor da lei (“Só ganho 94 dólares e 43 centavos por semana, mas durmo bem”).

Dotado de um charme irresistível, o criminoso manipula os sentimentos daqueles com os quais entra em contato: a enfermeira solteirona que consente em esconder Teena, o condenado com bom comportamento que o ajuda a fugir, a ex-amante que lhe dá abrigo, o médico em situação ilegal que lhe faz os curativos clandestinamente. Cada qual vem a ser colhido pela lei na pessoa de Candella, e devidamente punido. Porém, ao mesmo tempo, o bandido tem que lidar com criaturas mais diabólicas do que ele, como o advogado escroque e a massagista de ameaçadora presença física, cuja especialidade é torturar senhoras ricas para se apoderar de suas jóias.

Richard Conte e Hope Emerson em Uma Vida Marcada

Hope Emerson e Richard Conte em Uma Vida Marcada

Cena de Uma Vida Marcada

Victor Mature em Uma Vida Marcada

Os personagens grotescos, a alienação e a predestinação do criminoso para um fim trágico (pressagiado desde a cena de abertura na sala austera e escura do hospital) e o expressionismo fotográfico – que o diretor consegue conciliar com o naturalismo de algumas tomadas em locação – dão um toque noir ao filme, que classifico -segundo a distinção que criei em “O Outro Lado da Noite: Filme Noir”, como um filme noir impuro, ou seja, com uma negritude mínima. Quem não teve oportunidade de ler o meu livro, que escreví há 15 anos e que se encontra esgotado, encontrará meu conceito de film noir, justificado com mais precisão, nos quatro artigos sobre filme noir que escreví recentemente neste blogue.

ROBERT SIODMAK E SEUS FILMES NOIRS I

February 3, 2017

Ele realizou filmes na Alemanha, na França, nos Estados Unidos e, episodicamente, na Itália, na Grã Bretanha, na Iugoslávia e na Rumênia. Sua obra se estende do cinema mudo de vanguarda ao superespetáculo em Cinerama. Entretanto, sua reputação repousa essencialmente sobre uma série de filmes noirs rodados durante a época de ouro deste subgênero do drama criminal (1943-1949). Vou abordar detalhadamente cada um deles e, ao mesmo tempo, fazer uma exposição sucinta da trajetória artística do diretor, para dar uma idéia do conjunto da sua obra.

Robert Siodmak

Robert Siodmak nasceu em Dresden, na Alemanha descendente de uma família israelita da Galícia, que fez parte do império austro-húngaro até 1918. O avô de Robert, rabino Abraham Siodmak, vivia em um gueto de Podgorze, do outro lado do Vístula. Sua inflexível ortodoxia causou uma revolta em seu filho caçula: Ignatz deixou o gueto de seus ancestrais para nunca mais voltar. Em 1886, com 16 anos de idade, emigrou para os Estados Unidos onde, depois de trabalhar em vários lugares, instalou-se em Shelby County, perto de Memphis no Tennessee, obtendo a nacionalidade americana em 1892. Porém, sete anos mais tarde, ele voltou para a Alemanha com uma invenção que iria rapidamente fazer sua fortuna: um sistema frigorífico que lhe permitia conservar os ovos até o inverno.

Ignatz fixou residência em Dresden, em uma vila luxuosa na Seidnitzerplatz nº 3 e montou um negócio florescente de importação de ovos russos e polonêses. Nesse mesmo ano, casou-se com Rosa Philippine Blum, filha dos donos da mercearia Blum de Leipzig, que estava à beira da falência. Robert veio ao mundo em 8 de agosto de 1900. Em 1902, nasceu o primeiro irmão de Robert, Kurt (depois Curt), que se tornou romancista, roteirista e diretor. Em 1907, nasceu Werner e em 1913, Rolf, que se suicidaria em 1934.

Ignatz proporcionou uma vida de opulência para a sua família e Rosa, mulher exuberante e de grande beleza, da qual Robert provavelmente herdou o temperamento artístico, suscitava a admiração dos salões. Ela sonhara outrora em se tornar atriz, mas acabou esposa de um comerciante novo-rico com preocupações estritamente materiais. Rosa cercava-se de atores, músicos, escultores, pintores e poetas, organizando em sua casa concertos na “sala de música” e incentivando conversas de alto nível cultural entre seus convidados. Porém o lar dos Siodmak não era feliz e Robert ficaria marcado pelas desavenças, as discussões violentas e as separações repetidas de seus pais. A esta degradação da situação familiar acresceu-se logo a ruína econômica, porque a Rússia fechou suas fronteiras em 1917 e o comércio de Ignatz se desmoronou.

Robert foi um mau aluno, mudou várias vêzes de colégio, e nem a disciplina de ferro de um internato em Bad Kösen, conseguiu domá-lo. De volta a Dresden, matriculado no Drei-Königs-Gymnasium, ele ausentava-se das aulas para ir ao Albert-Theater, onde conseguiu trabalhar como figurante. Sem que seus pais soubessem, frequentou as aulas de arte dramática de Erich Ponto, um sustentáculo do Sächsisches Staatheater, que seria depois ator de cinema. Aos dezoito anos, cansado do mau humor persistente e dos caprichos tirânicos do seu pai alcoólatra, Robert deixa o domicílio familiar. Ele se junta a uma pequena trupe de teatro ambulante, mas seu físico ingrato o impede de se tornar gigante galã. Em 1921, encerrou sua carreira no teatro. Desencantado e com o estômago vazio, ele retorna para Dresde, onde seu pai lhe arruma um emprego de contador no banco dos irmãos Mattersdorff. Robert se inicia nos segredos da bôlsa e, dentro de seis mêses, já é diretor do banco Moritz Schermer. Ele ganha uma pequena fortuna, porém a boa chance não dura: em novembro de 1923 o Reichsmark é estabilizado e a deflação o arruina. Percorrendo o subúrbio de Dresden de bicicleta, tenta vender cigarros russos e roupas íntimas femininas. Neste mesmo ano, funda uma editora, porém esta não resiste à concorrência, e Robert fica de novo sem um centavo.

Os irmãos Siodmak: Robert e Kurt

Em 1925, Kurt e Robert vão para Berlim. Kurt continua seus estudos e obtém um diploma de matemático, mas deseja seguir uma carreira de escritor. Eles conseguem vender “Die Brucker” (Os Irmãos), uma história imaginada conjuntamente pelos dois, para o departamento de dramaturgia da UFA. Logo depois, Robert conhece o Dr. Herbert Nossen, importador-distribuidor de filmes americanos e redige para ele notadamente os intertítulos alemães de Dois Cavaleiros Árabes / Two Arabian Knights / 1927 de Lewis Milestone.

Por acaso, Robert tem um tio no meio cinematográfico, o produtor Heinrich Nebenzahl cujo filho, Seymour Nebenzal, havia fundado em 1924 com Richard Oswald a companhia Nero-Film, firma produtora de obras prestigiosas como M, O Vampiro de Dusselforf / M / 1931 e O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabuse / 1933 de Fritz Lang; Guerra! Flagelo de Deus / Westfront 1918 / 1930, A Tragédia da Mina / Kameradschaft / 1931 e Atlantide / Die Herrin von Atlantis / 1932 de G. W. Pabst, etc. Robert remontou com sucesso para os Nebenzahl vários filmes de aventuras de Harry Piel (apelidado de “o Douglas Fairbanks alemão”) enquanto Kurt, por sua vêz, começou a publicar seus primeiros romances de ficção-científica, um gênero então novo.

Seymour Nebenzahl

Na qualidade de repórter de um jornal, Kurt assiste à filmagem de Metrópolis / Metropolis / 1927, superespetáculo futurista de seis milhões de marcos realizado nos estúdios da UFA de Neubabelsberg por Fritz Lang. Kurt e sua esposa Henrietta apareciam nesta grande produção como figurantes, participando da cena em que Brigitte Helm – o robô maléfico – é queimado pela massa de operários enfurecidos. Robert também aproveitava todas as chances de se infiltrar no palco de filmagem, para observar o trabalho do grande mestre. Em 1927, ele atua como assistente de direção, primeiramente do cineasta dinamarquês Alfred Lind, em um filme da Nero intitulado Tragödie Im Zirkus Royal e depois, de Kurt Bernhardt, em um melodrama que se desenrola no ambiente da Legião Estrangeira, Das Letzte Fort ou Die Zitadelle Von Tunis.

Em 1929, em uma mesa no terraço do Romanisches Café, um dos centros mais pitorescos da fauna artística berlinense, alguns jovens decidem rodar em conjunto um filme que fugiria dos esquemas comerciais estabelecidos. Os nomes desses rapazes são conhecidos, eles se reencontrarão mais tarde todos em Hollywood: os irmãos Siodmak, Billy Wilder, Edgar G. Ulmer, Fred Zinnemann e Eugen Schüfftan. A eles se junta o crítico e dramaturgo Dr. Moriz Seeler, coordenador do empreendimento, que fundou uma companhia produtora, Filmstudio 29, para a consecução do projeto. A idéia era fazer uma reportagem sobre o domingo dos berlinenses (daí o título Menschen Am Sontag), filmando ao ar livre nos parques e ruas da cidade.

Cena de Menschen Am Sontag

Segundo Hervé Dumont, autor do melhor livro sobre Robert Siodmak (Robert Siodmak, le maître du film noir, L ‘Age D’Homme, 1981), do qual extraí muita informação para a exposição do currículo fílmico do diretor, é difícil estabelecer a parte exata das responsabilidades, pois cada um dos membros da equipe tentou em retrospectiva assumir o crédito pela realização. Para Dumont, a versão mais verossímel é a de que Rochus Gliese (muito conhecido como o diretor de arte de Aurora / Sunrise / 1927) começou a dirigir o filme, pois sua presença tornou-se necessária para dar mais confiança ao financiador Nebenzahl. Robert Siodmak e Edgar G. Ulmer funcionaram como assistentes de câmera de Eugen Schüftan. Billy Wilder participou dando sugestões na elaboração do roteiro com base em uma idéia de Kurt Siodmak. Após uma dezena de dias de filmagem, Gliese e Ulmer abandonaram a produção. Fred Zinnemann, cuja única função era carregar a câmera e cuidar do foco, retirou-se pouco depois. Robert Siodmak e Schüfftan prosseguiram com a filmagem e é indiscutivelmente a eles que deve ser atribuída a responsabilidade maior pela realização de Menschen Am Sontag.

Em fevereiro de 1930, Robert Siodmak foi contratado primeiramente para o departamento de dramaturgia da UFA e depois obteve autorização para realizar um curta-metragem de 12 minutos. Der Kampf Mit Dem Drachen ou Die Tragödie Des Untermieters (O Combate com o Dragão ou A Tragédia do Sublocatário), farsa surrealista de vanguarda escrita por seu irmão Kurt. A trama era bem simples, mas permitia experimentações formais as mais desenfreadas. Um sublocatário (Felix Bressart) penetra em um corredor sombrio e estreito, cujas paredes são cobertas de avisos: “Proibido”! – “Paragr. 68 – as venezianas devem ficar fechadas para proteger os móveis do sol”, “Paragr. 141 – é estritamente proibido fazer barulho, cantar, roncar, fumar, fazer bagunça ou receber visitas femininas” e assim por diante. Subitamente, o sublocatário explode de raiva, arranca todas as cobertas dos móveis, acende todas as lâmpadas, abre todas as janelas, salta e dança em cima do mobiliário. Quando a locatária enlouquecida (Hedwig Wangel) – “o dragão”- aparece, ele a amarra com sua rede de dormir e, pulando selvagemente, desenrola rolos de papel higiênico pelo seu quarto. A locatária está quase tendo uma síncope. Ele então se arma de um copo gigante de cerveja que pertencera ao falecido esposo do “dragão” e quebra este símbolo da pequena burguesia wilhelmiana em mil pedaços com um martelo. A mulher morre no local. No tribunal, o juiz absolve o sublocatário. Ele protesta: “Mas eu matei alguém!” – “Pouco importa”, lhe responde o magistrado e depois, dirigindo-se maliciosamente para o público, ele acrescenta: “Nós sabemos como é: nós todos já fomos inquilinos”.

Aribert Mog e Brigitte Horney em Abschied

Heinz Human em Der Mann, Der Seinen Mörder Sucht

Anna Sten e Emil Jannings em Tempestade Paixões

Lilian Harvey e Hans Albers em Adorável Sedução

Em seguida, R. Siodmak fez cinco filmes de longa-metragem para a UFA: Abschied (Adeus) / 1930 (descrição amarga de uma velha e deteriorada pensão burguêsa onde várias pessoas medíocres ou mesquinhas se cruzam em uma promiscuidade sufocante, que acaba provocando a separação de um jovem casal (Brigitte Horney / Aribert Mog); Der Mann, Der Seinen Mörder Sucht / (O Homem que procura seu Assassino) / 1930 (comédia macabra na qual um rapaz (Heinz Rühmann), cheio de dívidas, resolve se suicidar. Mas como a simples visão de um revólver o aterroriza, ele contrata um ladrão para matá-lo em troca do que este se beneficiaria de um terço do seguro de vida de sua vítima. Entretanto, nas poucas horas que lhe restam de vida, ele conhece a mulher dos seus sonhos, e não quer mais morrer); Voruntersuchung / 1931 (Instrução Preliminar) / 1931 (drama criminal que gira em torno do assassinato de uma mulher, do qual é acusado um jovem estudante (Gustav Fröhlich), amigo íntimo do filho do juiz de instrução (Albert Basserman) e apaixonado pela filha deste. No curso da investigação, o filho do juiz torna-se o principal suspeito); Tempestade de Paixões / Stürme der Leidenschaft / 1931 (história sombria de ciúme passada no bas-fonds berlinense envolvendo um ladrão brutamontes de bom coração (Emil Jannings) récem-libertado da prisão; uma russa volúvel (Anna Sten) por quem ele está perdidamente apaixonado; e os dois amantes sucessivos dela, um fotógrafo de nús e assassino de aluguel e o jovem – filho de seu melhor amigo morto em uma prisão em massa -, que ele retirou de uma casa de correção; Adorável Sedução / Quick, König Der Clowns / 1932 (comédia baseada no tema da identidade trocada: uma jovem afortunada, ociosa e divorciada (Liliam Harvey), apaixona-se por um palhaço famoso (Hans Albers). Ele também fica gostando dela, mas tenta conquistá-la sem a maquilagem, fazendo-se passar pelo diretor do teatro).

Os três últimos filmes tiveram versões francêsas, respectivamente, Entre Duas Mulheres / Autor d’une Enquête, com Pierre Richard-Willm e Annabella; Tumultos / Tumultes com Charles Boyer e Florelle; e Quick com Lillian Harvey e Jules Berry.

Descontente com a orientação política da UFA e as intromissões de seus produtores no seu trabalho, R. Siodmak transferiu-se para Deutsche Universal-Film A.G. Esta firma, originariamente uma filial da Universal Pictures fundada pelo alemão Carl Laemmle nos Estados Unidos, era então dirigida pelo húngaro Joe Pasternak (diretor de produção) e pelo tcheco Paul Kohner (diretor artístico). Kohner acolheu R. Siodmak de braços abertos, dando-lhe liberdade para filmar o que quisesse. Ele escolheu um romance de Stefan Zweig, Brennendes Geheimnis (Segredo Queimado) / 1933, cujo centro das atenções é um menino de treze anos (Hans Joachim Schaufuss) confrontado com as mentiras, traições e segredos inconfessáveis dos adultos (o pai, (Alfred Abel), a mãe (Hilde Wagener) e um Casanova notório (Willy Forst). O filme estréia somente com o nome dos atores. Um telefonema proveniente do escritório de Goebbels havia intimado a Deustsche Universal a eliminar dos créditos todos os nomes israelitas, sob pena de o filme ser proibido. Uma semana depois, Brennendes Geheimnis, mesmo privado dos seus créditos comprometedores, desaparece de cartaz em todo o Reich, sem outra explicação. Desde então os acontecimentos se precipitam. R. Siodmak, sua companheira Bertha Odenheimer (com quem se casaria e viveriam 40 anos juntos), e K. Siodmak partem para a França. Todos os escritos de Kurt são confiscados pela Gestapo.

Pierre Brasseur e Mireille Ballin em Le Sexe Faible

Albert Préjean e Danielle Darrieux em La Crise est Finie

Siodmak encontra trabalho rapidamente na sucursal francêsa da Nero-Film, que seu primo Seymour Nebenzahl dirige. Para a Nero, R. Siodmak fez: Le Sexe Faible / 1933 comédia na qual uma milionária sul americana divorciada (Jeanne Cheirel) com a ajuda do seu mordomo (Victor Boucher), consegue casar seus filhos ainda solteiros e reconciliar os que já são casados; La Crise est Finie / 1934, comédia musical mostrando como um grupo de artistas itinerantes sem dinheiro, entre eles, o pianista (Albert Préjean) e a dublê da vedette (Danielle Darrieux) conseguem montar uma revista em um teatro abandonado da capital movidos pelo otimismo; Vida Parisiense / La Vie Parisienne / 1935 comédia sobre um brasileiro truculento e bem humorado (Max Dearly) que foi a Paris em 1900 e se relacionou com a estrela do espetáculo. Ele retorna trinta e cinco anos depois, acompanhado de seu filho (Georges Rigaud) e de sua linda neta (Conchita Montenegro), que vem a ser cortejada por todos. O filho muito puritano é contra o casamento de sua filha; mas acaba convertido à vida parisiense. A Vida Parisiense teve versão inglêsa com Neil Hamilton no lugar de Georges Rigaud.

Siodmak dirige La Vie Parisienne

Conchita Montenegro

Entre 1934 e 1936, o nome de R. Siodmak apareceu como supervisor nos créditos de dois filmes, a comédia Le Roi des Champs Elysées / 1934 (com Buster Keaton) e o musical Le Grand Refrain / 1936 (com Fernand Gravey). Entretanto, como revelou Hervé Dumont, baseado em informação de Jean Delannoy, o montador do filme, Le Roi des Champs Elysées, produzido por Nebenzahl nos estúdios de St. Maurice, foi realizado conjuntamente por Siodmak e Max Nossek. Nossek filmava de dia e R. Siodmak à noite; já em Le Grand Refrain, produzido pela Métropa-Film, R. Siodmak realmente supervisionou o trabalho do diretor estreante Yves Mirande, conhecido autor de peças de vaudeville.

Edwige Feuillère e Fernand Gravey em Mister Flow

Em 1936, R. Siodmak dirigiu, para o produtor grego Nicolas Vondas, Mister Flow ou Les Amants Traqués, adaptação de um romance de Gaston Leroux em cuja trama um advogado ingênuo (Fernand Gravey), torna-se cúmplice do temível ladrão Mister Flow (Louis Jouvet), “o homem das mil caras”, graças a uma chantagem depois de cair nas malhas da sua perturbadora assistente (Edwige Feuillère) que, ao final, se apaixona por ele.

Voltando a prestar serviço à Nero-Film, R. Siodmak filma Le Chemin de Rio ou Cargaison Blanche / 1936, drama ilustrando uma reportagem sobre o tráfico de brancas com Käthe von Nagy no papel de uma jornalista que se emprega como dançarina em uma boate e ali encontra um colega do jornal concorrente (Jean-Pierre Aumont). Os dois vivem momentos perigosos a bordo de um transatlântico em rota para o Rio de Janeiro, depois que sua identidade é descoberta pelos bandidos, os quais eles pretendem que sejam presos. Em todos esses anos, a Nero-Film na verdade aproveitou-se da situação precária de emigrado de R. Siodmak, para lhe impor assuntos de filmes, e lhe pagar apenas uma parte de seu salário.

Após Le Chemin de Rio, o cineasta rompe com seu primo Nebenzahl e investe suas economias na aquisição dos direitos de um livro de Oscar-Paul Gilbert, que combinava os atrativos de um romance de aventuras com uma pintura de caracteres particularmente corrosiva. O enredo de Ódio / Mollenard / 1937 tinha como personagem principal o capitão de longo curso e traficante de armas (Harry Baur), que volta ao lar depois que uma vingança destruiu seu navio. Doente e paralítico, sofre a crueldade fria de sua esposa (Gabrielle Dorziat), sem poder reagir. Arrancado subrepticiamente de sua casa pelos seus homens, ele morre como havia sonhado, em pleno mar. Apoiado por um produtor corajoso e inteligente, Edouard Corniglion-Molinier e pela distribuidora Pathé Consortium Cinéma, R. Siodmak realizou um dos melhores filmes que fez na França. Os outros foram La Crise est Finie e Pièges.

Marie Déa e Maurice Chevalier em Ciladas

Pièges / 1939 foi exibido no Brasil com o título em português de Ciladas. Neste filme, a polícia investiga o desaparecimento de onze dançarinas, após responderem a pequenos anúncios de jornais em forma de poema. A amiga (Marie Déa) de uma delas, colabora com a polícia. Ela começa a responder sistematicamente aos anúncios, e a cada encontro se depara com um tipo estranho como o costureiro louco (Erich von Stroheim) e um mordomo (Jacques Varennes) envolvido com tráfico de mulheres brancas. Um dono de boates e grande sedutor (Maurice Chevalier), torna-se um dos suspeitos, mas a jovem descobre que o verdadeiro assassino é o sócio (Pierre Renoir) deste último, um maníaco sexual com uma idéia fixa. A apresentação do título nos créditos dá o tom: uma sombra ameaçadora aproxima-se de uma caixa do correio e aparece, em primeiro plano, uma carta endereçada à polícia, contendo um poema curto, que termina com as palavras “você pagará pela última dança”. A partir daí, a intriga evolui em um esquema de filme de episódios, levando o público a uma série de pistas falsas. O mais curioso é o epísódio no qual a jovem “detetive” se apresenta como manequim ao ex-grande costureiro, cuja demência, de início inofensiva – ele mostra sua coleção de moda diante de uma sala vazia e fala com as cadeiras com uma voz sussurrante -, torna-se subitamente furiosa: ele põe fogo no ateliê e tenta arrastar a moça para a morte.

Pierre Renoir e Marie Déa em Ciladas

Siodmak dirige Erich von Stroheim em Ciladas

Antes de partir para os Estados Unidos, R. Siodmak ajudou a terminar Ultimatum / Ultimatum / 1938 (com Erich von Stroheim e Dita Parlo), depois que Robert Wiene teve que se afastar da filmagem por motivo de uma doença grave e supervisionou o trabalho do diretor novato, Géo Kelber em Les Frères Corses / 1938 (com Pierre Brasseur e Jean Aquistapace), mas exigindo que seu nome não constasse dos créditos, porque não gostou das tolices do argumento, que não era compatível com o romance homônimo de Alexandre Dumas. Em 31 de agosto de 1939, o casal Siodmak embarca a bordo do navio francês “Champlain”, rumo à América, onde Kurt e Henrietta já se encontravam desde 1937. No dia seguinte, estoura a Segunda Guerra Mundial; a travessia se faz de luzes apagadas por causa dos submarinos.

Para Hollywood, R. Siodmak é um desconhecido. Seus filmes só haviam sido exibidos em cinemas de arte de Nova York. Seu agente, Paul Kohner, velho conhecido de Berlim, tenta em vão lhe arranjar trabalho. Kurt, que conseguira prestar algum serviço para a Paramount, pede ao chefe do estúdio, William Le Baron, que contrate seu irmão Robert para dirigir Aloma of the South Seas, cujo roteiro ele acabara de redigir. Le Baron oferece a R. Siodmak um contrato de dois anos, porém sai do estúdio pouco depois, e R. Siodmak passa seis mêses recebendo seu cheque de pagamento sem trabalhar. O filme seria realizado por Alfred Santell e lançado em dezembro de 1941, tendo sido exibido no Brasil com o título de Aloma, a Virgem Prometida.

Finalmente, por intermédio de seu agente, R. Siodmak fica conhecendo Preston Sturges e este, pelo telefone, fala com Sol C. Siegel, produtor da Republic contratado temporariamente pela Paramount como supervisor de westerns “B” e filmes para complemento de programa. Imediatamente, Siegel atende o pedido do amigo e assim surgiram os primeiros filmes americanos do diretor alemão emigrado: O Segredo da Enfermeira / West Point Widow / 1941 e O Segredo do Professor / Fly by Night / 1941.

No primeiro filme, uma enfermeira (Anne Shirley) mantém em segredo sua filha ainda bebê, porque fôra casada com um craque do futebol do Exército e depois anulara o casamento, a fim de que ele pudesse prosseguir sua carreira na Academia Militar de West Point, que não aceitava cadetes casados. O rapaz lhe prometeu que se casaria de novo com ela depois que se formasse, porém, sem saber da existência da filha, fica noivo de outra. Ao descobrir seu segrêdo, um dos médicos do hospital (Richard Carlson) consola a mãe solteira, oferece-se para assumir a paternidade da criança, e lhe propõe casamento.

Richard Carlson e Anne Shirley em O Segredo do Professor

No segundo filme, um jovem médico (também interpretado por Richard Carlson) é forçado a dar carona para um fugitivo de um sanatório, que tenta desesperadamente convencê-lo de que é o assistente do inventor de uma arma denominada G-32. Ele diz que foi sequestrado por espiões alemães que estão atrás da invenção. O médico o leva para o seu quarto de hotel e, quando vai atender a um telefonema, o homem é assassinado com sua faca cirúrgica. A partir daí, é o médico que se torna um fugitivo, sendo perseguido pela polícia e pelos espiões ao mesmo tempo. Na sua fuga, ele leva uma desenhista (Nancy Kelly) com refém e, é claro, eles se apaixonam. Não conheço o primeiro filme mas pude ver o segundo e achei que é um espetáculo rápido, divertido do começo ao fim, com situações rocambolescas que lembram os filmes de perseguição hitchcockianos como, principalmente, Os 39 Degraus / The 39 Steps / 1935.

Em 1942, Sol Siegel “emprestou” R. Siodmak para a 20thCentury-Fox, onde ele realizou, sem entusiasmo (como disse Hervé Dumont), The Night Before the Divorce, comédia sobre desventuras sentimentais de um casal (Lynn Bari, Joseph Allen Jr.) que decidiu se separar. Depois da separação, ela sai com um chefe de orquestra (Nils Ashter) e ele com uma loura (Mary Beth Hughes), que conhecera jogando golfe. Um policial (Truman Bradley), amigo de ambos, não se conforma com o divórcio deles. Quando o músico aparece morto, o policial acusa seu amigo do crime, mas tudo não passa de um esquema para reunir o casal novamente.

De volta à Paramount, R. Siodmak fez Meu Filho Não se Vende / My Heart Belongs to Daddy, comédia romântica permanentemente agradável que se inicia quando um chofer de taxi (Cecil Kellaway) que conduz uma jovem grávida (Martha O’Driscoll) é obrigado a parar seu carro por causa da neve na estrada. Eles se refugiam na residência de um astrofísico de renome e viúvo (Richard Carlson). A moça entra em trabalho de parto e o motorista ajuda-a a dar à luz. Estupefacto, o cientista se embebeda e depois tem que explicar o acontecimento para sua mãe (Florence Bates) e para as cunhadas (Velma Berg, Frances Gifford), que vivem com ele, como a parturiente e o bebê entraram no quarto delas. No dia seguinte o chofer é procurado na sede da companhia de taxi pelos parentes da moça, um casal de granfinos que pretende obter a custória de seu neto, pois a jovem era viúva do filho deles. Várias complicações ocorrem quando o cientista contrata o chofer como mordomo e começa a namorar a moça.

O filme derradeiro de R. Siodmak para Sol Siegel, desta vez nos estúdios da Republic, Doce Lembrança / Someone to Remember / 1943, era um drama humano e emocionante sobre uma senhora de idade(Mabel Page), viúva, cujo filho desaparecera anos atrás, que se recusa a deixar o apartamento em que vive em um hotel residencial, quando o imóvel é comprado por uma universidade, para ser transformado em dormitório de alunos. Ao contrário de outros inquilinos, o apartamento onde mora é de sua propriedade, e não quer sair de lá, porque está convencida de que seu filho, que fugira de casa por causa de uma briga com o pai já falecido, há de voltar um dia. A velha senhora continua a viver no prédio depois que ele se torna dormitório da universidade e eventualmente se afeiçoa por um jovem estudante (John Craven), que ela acredita que seja seu neto. Quando fica sabendo que o pai do rapaz virá visitá-lo, a idosa se prepara para se reunir com o homem que está convencida de que é seu filho há tanto tempo perdido. Ela morre antes do encontro e depois ficamos sabendo que o filho morrera muitos anos atrás em uma briga. 0 falecido marido dela sabia da verdade mas, para poupar a esposa, deixou que ela tivesse a esperança de que o filho retornaria algum dia.

O contrato com a Paramount expirou no outono de 1940 e na esperança de encontrar um trabalho mais interessante, R. Siodmak procurou o produtor Henry Blanke da Warner Bros., trazendo consigo uma história policial, “The Pentacle”, que ele esboçara com a ajuda de um dramaturgo berlinense, Alfred Neumann, autor da peça “The Patriot”, que deu origem ao filme perdido de Ernst Lubitsch. Interessado, Blanke submeteu o manuscrito ao seu departamento de roteiro. O parecer foi favorável, mas Harry Warner se opôs categoricamente à contratação de R. Siodmak. Apos muita negociação, o cineasta, decepcionado, cedeu sua história por 35 mil dólares e o filme, finalmente intitulado Conflitos d’Alma / Conflict / 1945 foi confiado a Kurt Bernhardt (agora Curtis Bernhardt), do qual R. Siodmak havia sido assistente em 1929.

Foto para divulgação de O Filho de Dracula

Graças à influência de K. Siodmak, adquirida na Universal após sua colaboração em uma série de filmes de horror de sucesso, R. Siodmak, assinou um contrato de sete anos com o referido estúdio. Sua primeira tarefa foi filmar O Filho de Drácula / Son of Dracula / 1943, baseado em uma história de Kurt, situada no Sul dos Estados Unidos, nas plantações pitorescas da Lousiana, onde o Conde Alucard (Lon Chaney Jr.) chega convidado para uma recepção organizada na propriedade de Dark Oakes, pela jovem (Louise Allbritton), que ele, conhecera em Budapeste. Embora não tivesse afinidade com o gênero como seu irmão, R. Siodmak fez o melhor que pôde, criando uma atmosfera de horror gótico e um efeito de transição para vampiro muito especial com o auxílio de um especialista na trucagem, John P. Fulton. Como era praxe tratando-se de um filme B, R. Siodmak só teria no máximo três semanas de filmagem, mas terminou o filme em quinze dias e utilizou apenas 6 mil metros de película dos 20 mil metros habitualmente permitidos, conquistando a confiança de Ford Beebe, conhecido diretor de seriados, então atuando como produtor

Maria Montez em Mulher Satânica

Todavia, o segundo filme para o qual foi designado, não modificou sua situação profissional, a não ser a oportunidade de fazer seu primeiro filme em cores, Mulher Satânica / Cobra Woman / 1943, aventura tropical desenrolada em um arquipélago imaginário do Oceano Índico, estrelada pelo trio Maria Montez, Jon Hall e Sabu. Com sua eficiência habitual, o diretor conduziu a ação em um rítmo rápido, construindo sequências empolgantes, entre elas, aquela em que a sacerdotiza cruel e sanguinária designa as próximas vítimas do vulcão. O filme obteve sucesso como entretenimento e rendeu um bom lucro para a Universal.

Apesar de ter tido um aumento de salário, R. Siodmak se desesperava por não ter tido ainda oportunidade de abordar os temas que lhe interessavam até que sua boa fada apareceu sob os traços da produtora Joan Harrison. Graças a ela, o cineasta pôde realizar seu primeiro filme noir.

PRODUÇÕES ANGLO-AMERICANAS NOS ANOS 50

January 20, 2017

Um grande problema para a indústria de cinema britânica desde os seus primórdios foi o tamanho da dominação de Hollywood sobre suas telas.
É claro que esse problema não era unicamente britânico, porém lá foi muito exacerbado pelo fato de que a Inglaterra e a América do Norte compartilhavam um mesmo idioma dispensando a necessidade de se fazer dublagens custosas ou subtitulagem dos filmes americanos.

Em 1926, os filmes programados nos cinemas britânicos eram quase que exclusivamente americanos. No mesmo ano, 37 filmes inglêses competiam com mais de 500 filmes americanos importados, que eram alugados por pacote e no escuro.

Em janeiro de 1927, o Govêrno Britânico encaminhou ao Parlamento um projeto de lei, o Cinematograph Films Act (que se tornou lei em dezembro), obrigando os distribuidores a alugar e os exibidores a exibir um mínimo ou percentagens de filmes britânicos: uma cota de 7,5% para os distribuidores e de 5% para os exibidores. Em 1936, ambas as cotas foram elevadas para 20%. O Cinematograph Films Act de 1948 extinguiu a cota devida pelos distribuidores por fôrça do General Agreement on Tariffs and Trade (GATT), que só admitiu cotas para os exibidores. A cota destes foi aumentada para 45%, sendo depois reduzida para 30% em 1950, permanecendo neste nível até ser abolida em 1983.

Entretanto, nada impedia que as companhias de cinema americanas formassem suas próprias unidades de produção de filmes baratos e feitos às pressas na Inglaterra, para cumprir suas cotas. Com a finalidade de pôr fim ao abuso desses chamados quota quickies, o Govêrno Britânico decidiu que somente filmes de alta qualidade poderiam preencher as cotas, mas como não disse precisamente que tipo de qualidade, ela teve que ser estabelecida em termos de custo, ou seja, os filmes deveriam ter um custo mínimo de 7.500 libras, com escassa consideração a respeito de seu conteúdo.

Antes da Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra estava pagando à América uma média de 7 milhões de libras (28 milhões de dólares) anualmente por aluguel de filmes e não havia restrições quanto ao montante que os distribuidores americanos poderiam remeter para o seu país. Porém a necessidade de salvaguardar sua balança de pagamentos, quando irrompeu o conflito mundial, obrigou o Govêrno Britânico a impor limites. Em 1940, as remessas de lucros para os Estados Unidos foram reduzidas para 4.8 milhões de libras e, em 1941, para 5.7 milhões de libras. Em 1947, ocorreu nova crise na balança de pagamentos e, entre outras medidas para solucioná-la, o Govêrno impôs uma taxa alfandegária de 75% sobre os filmes importados.

A indústria de cinema americana irritou-se e suspendeu a exportação de seus filmes para a Inglaterra. Contudo, em março do ano seguinte, foi assinado um acordo cinematográfico anglo-americano, revogando a taxa e permitindo que as companhias de cinema americanas remetessem anualmente 17 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de libras) de seus rendimentos. Os lucros não transferíveis, ficariam bloqueados, mas poderiam ser reinvestidos na indústria cinematográfica britânica.

Após o desmantelamento do sistema de estúdio nos Estados Unidos com a decretação do “divórcio” entre produção-distribuição e exibição e a competição crescente da televisão, a “runaway production” se espalhou pela França, Espanha, Itália bem como pela lnglaterra, onde as companhias americanas foram incentivadas por dois fatôres: os custos baixos nesses países e o subsídio para a produção de filmes britânicos instituído pelo Eady Levy, um imposto que começou a ser recolhido em 9 de setembro de 1950, e foi depois incorporado ao Cinematograph Films Act de 1957.

Sir Wilfred Eady

O imposto recebeu o apelido de Eady, nome do Segundo Secretário do Tesouro, Wilfred Eady, que delineou o esquema juntamente com o presidente da Câmara de Comércio, Harold Wilson, e consistia no seguinte: em troca de uma redução na taxa de entretenimento (Entertainment Duty), os exibidores concordaram em pagar um imposto sobre o preço de cada ingresso de cinema: este imposto era depositado no British Film Production Fund e subsequentemente partilhado entre os produtores de filmes britânicos na proporção de suas receitas de bilheteria.

Para encorajar o investimento dentro do país, a Câmara de Comércio definiu o que era um filme britânico. Ele tinha que ser produzido por uma companhia britânica, filmado em um estúdio situado na Comunidade Britânica de Nações (British Commonwealth) ou na República da Irlanda, e tinha que pagar 75% dos custos trabalhistas do filme, excluindo a remuneração de uma pessoa, ou 80%, excluindo as remuneracões de duas pessoas, uma das quais tinha que ser um ator ou uma atriz. Isto permitiu que uma companhia de Hollywood fizessse um filme internacional na Inglaterra, com produtor, diretor, e até dois de seus astros americanos. e ainda assim ser classificado como britânico para propósito de cotas. A mesma definição de filme britânico foi usada quando o British Film Fund foi instituído em 1950.

Em contraste com os dias dos quota quickies nos anos trinta, a tendência predominante nos anos cinquenta era fazer filmes de orçamento alto, que agradassem tanto o público americano quanto o britânico.

Assim, a Warner pôde produzir através de sua subsidiária britânica Warner Bros. – First National Ltd.: Pavor nos Bastidores / Stage Fright / 1950, direção de Alfred Hitchcock com Jane Wyman, Marlene Dietrich e Richard Todd nos papéis principais; Falcão dos Mares / Captain Horatio Hornblower R.N. / 1951, direção de Raoul Walsh com Gregory Peck, Virginia Mayo e Robert Beatty; A Tia de Carlitos / Where’s Charley / 1952, direção de David Butler com Ray Bolger, Allyn Ann McLerie e Robert Shackleton; O Pirata Sangrento / The Crimson Pirate / 1952, direção de Robert Siodmak com Burt Lancaster, Nick Cravat e Eva Bartok; Sua Majestade, o Aventureiro / His Majesty O’Keefe / 1954, direção de Byron Haskin com Burt Lancaster , Joan Rice e André Morell; Minha Espada, Minha Lei / The Master of Ballantree / 1953, direção de William Keighley com Errol Flynn, Roger Livesey, Beatrice Campbell e Anthony Steel.

Elizabeth Taylor e Robert Taylor em Traidor

Na MGM-British a responsabilidade principal de recriar o estilo visual suntuoso da companhia ficou a cargo de técnicos renomados como o diretor de fotografia Freddie Young, o diretor de arte Alfred Junge e a figurinista Elizabeth Haffenden, surgindo os filmes, rodados no seu estúdio em Elstree: Traidor / Conspirator / 1949, direção de Victor Saville com Robert Taylor, Elizabeth Taylor e Robert FlemIng; Romance de uma Esposa / The Miniver Story / 1950 (continuação de Rosa da Esperança / Mrs. Miniver / 1942), direção de H.C. Potter com Greer Garson, Walter Pidgeon e Leo Genn; Londres à Meia-Noite / Calling Bulldog Drummond / 1951, direção de Victor Saville com Walter Pidgeon, Margaret Leighton e David Tomlinson; Caminhos da Noite / The Hour of 13 / 1952, direção de Harold French com Peter Lawford, Dawn Addams e Roland Culver; Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go / 1953, direção de Delmer Daves com Clark Gable, Gene Tierney e Bernard Miles; a trilogia de grandes espetáculos de aventura histórica, dirigidos por Richard Thorpe e protagonizados por Robert Taylor: Ivanhoe, o Vingador do Rei / Ivanhoe / 1953 (com Elizabeth Taylor, Joan Fontaine, George Sanders); Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table / 1954 com Taylor, Ava Gardner e Mel Ferrer e A Coroa e a Espada / Quentin Durward / 1955 com Taylor, Kay Kendall e Robert Morley; O Belo Brummel / Beau Brummel / 1954, direção de Curtis Bernhardt com Stewart Granger, Elizabeth Taylor, Peter Ustinov e Robert Morley; A Encruzilhada dos Destinos / Bhowani Junction /1956, direção de George Cukor com Stewart Granger, Ava Gardner e Bill Travers; Convite à Dança / Invitation to the Dance / 1956, direção de Gene Kelly; O Céu em teu Amor / Barretts of Wimpole Street / 1957, direção de Sidney Franklin com Jennifer Jones, John Gieguld e Bill Travers.

Glynis Johns, James Robertson Justice e Richard Todd em Entre a Espada e a Rosa

A RKO co-financiou e distribuiu os filmes britânicos da Walt Disney Productions e da Coronado Films. A primeira produção britânica da Walt Disney foi A Ilha do Tesouro / Treasure Island / 1950, filme de aventura em Technicolor, produzido por Perce Pearce, direção de Byron Haskin com Bobby Driscoll, Robert Newton e Basyl Sydney; Disney fez mais três filmes de aventura de época em Technicolor, todos produzidos por Pearce e estrelados por Richard Todd: Robin Hood, o Justiceiro / The Story of Robin Hood and His Merrie Men / 1952, direção de Ken Annakin com Todd, Joan Rice e Peter Finch, Entre a Espada e a Rosa / The Sword and the Rose / 1953, direção de Ken Annakin com Todd, Glynis Johns e James Robertson Justice e O Grande Rebelde / Rob Roy the Highland Rogue / 1953, direção de Harold French também com Todd, Glynis Johns e James Robertson Justice.

A Coronado Films, pequena empresa sob a liderança do americano David E. Rose, fez dois filmes para a RKO (Circle of Danger / 1952, direção de Jacques Tourneur com Ray Milland, Peggy Cummings, Marius Goring e Patricia Roc e Ilha do Desejo / Saturday Island ou Island of Desire / 1952, direção de Stuart Heisler com Linda Darnell, Tab Hunter e Donald Gray), mas também trabalhou com a Columbia, a MGM e a Warner Bros.

Van Johnson e Deborah Kerr em Pelo Amor de Meu Amor

Para a Columbia, a Coronado fez dois filmes: Pelo Amor de Meu Amor / The End of the Affair / 1955, direção de Edward Dmytryk com Deborah Kerr, Van Johnson e John Mills; Pecadoras de Porto África / Port Afrique / 1956, direção de Rudolph Mate com Pier Angeli, Philip Carey e Dennis Price. Para a MGM: O Arrombador de Cofres / The Safecracker / 1958, direção de Ray Milland com Milland, Barry Jones e Victor Maddern e A Casa dos Sete Gaviões / The House of the Seven Hawks / 1959, direção de Richard Thorpe com Robert Taylor, Nicole Maurey e Linda Christian. Para a Warner Bros.: Testemunha de Vista / Your Eye Witness / 1950 (reintitulado Eye Witness nos EUA), direção de Robert Montgomery com Montgomery, Leslie Banks e Felix Aylmer.

Richard Widmark em Sombras do Mal

O primeiro filme britânico da Twentieth Century-Fox, Sombras do Mal / Night and the City / 1950, direção de Jules Dassin com Richard Widmark, Gene Tierney e Googie Withers, foi lançado em duas versões diferentes. A versão inglêsa tinha 101 minutos e uma partitura musical de Benjamin Frankel enquanto que a versão americana era seis minutos mais curta e contava com um score de Franz Waxman. Seguiram-se: A Rosa Negra / The Black Rose / 1950, direção de Henry Hathaway com Tyrone Power, Jack Hawkins, Cecile Aubry e Orson Welles; O Garoto e a Rainha / The Mudlark / 1950, direção de Jean Negulesco com Irene Dunne, Alec Guiness e Andrew Ray; Na Estrada do Céu / No Highway (reintitulado No Highway in the Sky nos EUA) / 1951, direção de Henry Koster com James Stewart, Marlene Dietrich, Jack Hawkins e Glynis Johns; Jamais te Esquecerei / The House in the Square (reintitulado I’ll Never Forget You nos EUA) / 1951 , direção de Roy Baker com Tyrone Power, Ann Blyth e Dennis Price; Marinheiro do Rei / Single Handed (reintitulado Sailor of the King nos EUA) / 1953, direção de Roy Boulting com Jeffrey Hunter, Michael Rennie e Wendy Hiller; O Profundo Mar Azul / The Deep Blue Sea / 1955, direção de Anatole Litvak com Vivien Leigh, Kenneth More e Emlyn Williams; O Homem Que Nunca Existiu / The Man Who Never Was / 1956, direção de Ronald Neame com Clifton Webb, Gloria Grahame e Stephen Boyd; Jogos da Vida / Smiley / 1956, direção de Anthony Kimmins com Colin Petersen, Ralph Richardson, Bruce Archer; A Ilha dos Trópicos / Island in the Sun / 1957, direção de Robert Rossen com James Mason, Dorothy Dandridge, Joan Collins, Michael Rennie e Harry Belafonte; O Céu por Testemunha / Heaven Knows Mr. Allison / 1957, direção de John Huston com Robert Mitchum e Deborah Kerr; A Intocável / Seawife / 1957, direção de Bob McNaught com Joan Collins, Richard Burton e Basil Sydney.

Clifton Webb em O Homem Que Nunca Existiu

Ann Blyth e Tyrone Power em Jamais te Esquecerei

A reintitulação explica-se porque, embora muitos filmes fossem promovidos como filmes britânicos no Reino Unido, eles eram anunciados como americanos quando exibidos além-mar.

A Columbia levou algum tempo para avaliar os benefícios de produzir filmes na Inglaterra. Por volta de 1953, ela havia financiado e distribuído apenas dois filmes de orçamento baixo ambos produzidos e dirigidos por Mario Zampi: Shadow of the Past / 1950 com Joyce Howard e Terence Morgan e Michael Medwin e Come Dance with Me / 1950 com Max Well, Gordon Humphris e Yvonne Marsh. Porém, nesse mesmo ano, a companhia firmou uma relação de longo termo com Irving Allen e Albert R. Broccoli e sua empresa, Warwick Films.

Quando Allen e Broccolli abordaram Alan Ladd para estrelar o seu primeiro filme, a mulher dele, Sue Carol, insistiu em um contrato de três filmes: Sinal Vermelho / The Red Beret /1953 (reintitulado Paratrooper nos EUA), direção de Terence Young com Ladd, Leo Genn e Susan Stephen; O Espadachim Negro / The Black Knight / 1954, direção de Mark Robson com Ladd, Patricia Medina e Peter Cushing; Inferno Branco / Hell Below Zero, direção de Tay Garnett com Ladd, Joan Tetzel e Basil Sydney) para seu marido, mais 200 mil dólares e 10 % sobre os lucros por filme. Determinada a preservar a imagem de uma vida limpa de Ladd perante os Escoteiros da América, Sue insistiu para que ele não fosse mostrado roubando um cavalo em O Espadachim Negro, muito embora o filme transcorresse na Inglaterra do século XV. O quarto e o quinto filme de Allen e Broccoli para a Columbia foram Ouro Maldito / A Prize of Gold / 1954, direção de Mark Robson om Richard Widmark, Mai Zetterling e Nigel Patrick e Os Sobreviventes / The Cockleshell Heroes / 1955, direção de José Ferrer com Ferrer, Trevor Howard e Victor Maddern.

Em fevereiro de 1956, a Warwick negociou um novo contrato com a Columbia, surgindo: Odongo / Odongo / 1956, direção de John Gilling com Rhonda Fleming, MacDonald Carey e Juma; A Morte Espreita na Floresta / Safari / 1956, direção Terence Young com Victor Mature, Janet Leigh e John Justin; Zarak / Zarak / 1957, direção de Terence Young com Victor Mature, Anita Ekberg e Michael Wilding; Perseguição sem Tréguas / Interpol (reintitulado Pickup Alley nos EUA) / 1957, direção de John Gilling com Victor Mature, Anita Ekberg, Trevor Howard; Lábios de Fogo / Fire Down Below / 1957, direção de Robert Parrish com Rita Hayworth, Robert Mitchum e Jack Lemmon; Audácia a Jato / High Flight / 1957, direção de John Gilling com Ray Milland, Anthony Newley e Kenneth Haigh; Sem Tempo para Morrer / No Time to Die (reintitulado Tank Force nos EUA) / 1958, direção de Terence Young com Victor Mature, Leo Genn e Anthony Newley; Conflito Íntimo / The Man Inside / 1958, direção de John Gilling com Jack Palance, Anita Ekberg e Nigel Patrick.

Robert Taylor em A Morte Vem do Kilimanjaro

Em outubro de 1958, Allen e Broccoli tentaram se tornar produtores independentes, comprando a Eros Films. Porém depois, cada um seguiu caminhos separados: Allen ficou com a Warwick e Broccoli juntou-se a Harry Saltzman, para formar a Eon Films que produziria os filmes de James Bond. A Warwick recorreu a outros produtores para realizar filmes feitos às pressas para a Columbia tais como Idol on Parade / 1959, direção de John Gilling com William Bendix, Anthony Newley e Anne Aubrey; Bandido Sanguinário / The Bandit of Zhobe / 1959, direção de John Gilling com Victor Mature, Anthony Newley e Anne Aubrey; A Morte Vem do Kilimanjaro / Killers of Kilimanjaro / 1959, direção de Richard Thorpe com Robert Taylor, Anthony Newley e Anne Aubrey.

A Columbia financiou ainda outras companhias produtoras durante os anos cinquenta, porém nenhuma tão extensivamente como a Warwick. Em 1954, ajudou a Facet Productions a produzir Aventuras do Padre Brown / Father Brown (reintitulado The Detective nos EUA), direção de Robert Hamer com Alec Guiness, Joan Greenwood e Peter Finch e Prisioneiro do Remorso / The Prisoner, direção de Peter Glenville com Alec Guiness, Jack Hawkins e Wilfred Lawson. Em 1955-57, auxiliou a Film Locations de Mike Frankovich na produção de: A Cruz do Meu Destino / Footsteps in the Fog / 1955, direção Arthur Lubin com Stewart Granger, Jean Simmons e Bill Travers; Joe Macbeth / Joe Macbeth / 1955, direção de Ken Hughes com Paul Douglas, Ruth Roman e Bonar Colleano; Soho Incident (reintitulado Spin a Dark Web nos EUA) / 1956, direção de Vernon Sewell com Faith Domergue, Lee Patterson e Rona Anderson; Lodo na Alma / Wicked As They Come / 1956, direção de Ken Hughes com Arlene Dahl, Philip Carey e Herbert Marshall; Cidade Amedrontada / Town on Trail / 1957, direção de John Guilhermin com John Mills, Charles Coburn e Barbara Bates; The Long Haul / 1957, direção de Ken Hughes com Victor Mature, Diana Dors e Patrick Allen.

Laurence Olivier e Marilyn Monroe em O Príncipe Encantado

No início de 1957, a RKO já havia cessado de colaborar no financiamento e distribuir os filmes da Disney e da Coronado. A Warner Bros. também diminuiu seu investimento em filmes britânicos, limitando-se a apoiar quatro filmes: O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl / 1957, direção Laurence Olivier com Olivier, Marilyn Monroe e Jeremy Spencer; Odeio Esta Mulher / Look Back in Anger / 1959, direção Tony Richardson com Richard Burton, Claire Bloom e Mary Ure; e dois filmes da Hammer, A Maldição de Frankenstein / The Curse of Frankenstein / 1957, direção de Terence Young com Peter Cushing, Hazel Court e Christopher Lee; O Abominável Homem da Neve / The Abominable Snowman / 1957, direção de Val Guest com Forrest Tucker, Peter Cushing e Maureen Connell.

Richard Burton e Mary Ure em Odeio Esta Mulher

Os útimos filmes co-patrocinados pela Twentieth Century-Fox foram: O Traquina / Smiley Gets a Gun / 1958, direção de Anthony Kimmins com Keith Calvert, Sybil Thorndike, Chips Rafferty e Bruce Archer e A Morada da Sexta Felicidade / Inn of the Sixth Happiness / 1958, direção de Mark Robson com Ingrid Bergman, Robert Donat e Curd Jürgens.

Ruth Roman, Richard Burton e Curd Jurgens em Vitória Amarga

Jean Seberg, Deboraj=h kerr e David Niven em Bom Dia, Tristeza

A Columbia fez ainda: Um Crime por Dia / Gideon’s Day / 1958, direção de John Ford com Jack Hawkins, Anna Lee e John Loder; Amargo Triunfo / Bitter Victory / 1957, direção de Nicholas Ray com Richard Burton, Curd Jürgens e Ruth Roman; Bom Dia, Tristeza / Bonjour Tristesse / 1958, direção de Otto Preminger com Jean Seberg, David Niven e Deborah Kerr; A Ponte do Rio Kwai / The Bridge on the River Kwai / 1957, direção de David Lean com Alec Guiness, Jack Hawkins, William Holden e Sessue Hayakawa. E a MGM: O Julgamento do Capitão Dreyfuss / I Accuse / 1958, direção de José Ferrer com Ferrer, Anton Walbrook e Viveca Lindfors; O Dilema do Médico / The Doctor’s Dilemma / 1959, direção de Anthony Asquith com Dirk Bogarde, Leslie Caron, Alastair Sim e Robert Morley; A Noite é Minha Inimiga / Libel / 1959, direção de Anthony Asquith com Dirk Bogarde, Olivia de Havilland, Paul Massie e Robert Morley.

José Ferrer em O Julgamento do Capitão Dreyfus

No final da década, muitos na indústria cinematográfica achavam que a produção britânica de filmes estava simplesmente se tornando um território dominado pelos grandes estúdios americanos. Em abril de 1959, quando a Câmara dos Lordes reviu a legislação secundária, que regulava os pagamentos do Film Production Fund, o Govêrno apresentou uma emenda que excluia os filmes produzidos nos países da Comunidade Britânica de receber dinheiro do fundo. A emenda limitava os benefícios àquelas companhias nas quais a administração central e o contrôle era exercido na Grã Bretanha. Porém quando Lord Archibald, o presidente da Federation of British Film Makers, dominada pelos americanos, mostrou que esta formulação iria implícitamente pôr em perigo o status das subsidiárias britânicas das majors americanas, o Govêrno lhe assegurou formalmente que “a posição das companhias residentes no Reino Unido que fôssem subsidiárias de companhias americanas ou de outras, não corriam perigo com esta emenda”. Tal garantia foi repetida pela Câmara dos Comuns, antes que o projeto de regulamentação se tornasse lei.

O govêrno conservador não estava evidentemente preparado para precipitar a retirada do capital americano da produção britânica, porque as produções anglo-americanas eram agora a categoria predominante dos filmes britânicos. Se a persuasão financeira era o único meio de continuar a trazer o capital americano para a Grã Bretanha, então que assim fôsse.

LIvros consultados:

British Cinema of the 1950s – The Decline of Deference, de Sue Harper e Vincent Porter (Oxford University Press, 2003).

All Our Yesterdays – 90 Years of British Cinema, ed. por Charles Barr (BFI Publishing, 1986).

The British Film Business de Bill Baillieu e John Goodchild (John Wiley & Sons , Ltd., 2002).

The Film Business – A History of British Cinema 1896-1972 de Ernest Betts (Pitman Publishing Corporation, 1973).

TRIBUTO A JACQUES TOURNEUR

January 6, 2017

Ele se considerava um mero artesão, porém era um artista que, em uma variedade de gêneros – filme de horror psicológico ou sobrenatural, filme noir, western, aventura, drama -, dispondo quase sempre de poucos recursos, construía sempre imagens nas quais se notava a sua sutileza e perfeccionismo, principalmente no que se referia ao uso do som e do silêncio, da luz e da sombra, da fotografia em preto e branco ou colorida, elementos que contribuíam fortemente para a qualidade atmosférica de seus filmes, característica fundamental de sua obra.

Jacques Tourneur

Jacques Tourneur

Jacques Tourneur nasceu em Paris no dia 12 de novembro de 1904, filho do famoso cineasta Maurice Tourneur e de Fernande Petit, atriz vedeta do Théâtre Antoine. Em 1914, aos dez anos de idade, partiu com sua mãe para a América, porém somente em 1918 eles se reuniram ao pai na Califórnia, onde ele estava dirigindo filmes, porque estiveram primeiramente em Nova York, onde Fernande atuou no teatro. Jacques estudou na Hollywood High School e se tornou cidadão americano em 1919.

Atraído para a indústria cinematográfica, apareceu como figurante em Scaramouche / Scaramouche / 1923 de Rex Ingram, e depois acompanhou Maurice ao Tahiti, a fim de lhe prestar serviço como colaborador no roteiro de Thaméa / Never the Twain Shall Meet, continuando nesta função nos vários filmes seguintes de seu progenitor.

Quando Maurice voltou para a Europa depois de um desentendimento com a MGM durante a filmagem de Ilha Misteriosa / The Mysterious Island (somente completado sob a direção de Benjamin Christensen e depois Lucien Hubbarb em 1929), Jacques arrumou emprego naquele estúdio como ator, sendo visto rapidamente em Coleguinha Legal / The Fair Co-ed / 1927 de Sam Wood, Anna Karenina / Love / 1927 de Edmund Goulding, Ouro / The Trail of the ’98 / 1928 de Clarence Brown, entre outros filmes. Jacques serviu também como segundo assistente de Clarence Brown, John M. Stahl e Fred Niblo, atuou no teatro, e trabalhou como lanterninha no Hollywood Bowl.

Jacques Tourneur e sua esposa Christiane Virideau ao lado de Walt Disney

Jacques Tourneur e sua esposa Christiane Virideau ao lado de Walt Disney

A carreira de ator de Jacques não estava levando a lugar nenhum quando, em 1928, seu pai o chamou a Berlim, onde estava dirigindo Das Schiff der verlorenen Menschen. Jacques trabalhou no filme como seu assistente e também aproveitou a oportunidade para aprender o ofício de montador, percebendo que assim poderia alcançar mais facilmente o cargo de diretor. Nesta ocasião, conheceu Marguerite Christiane Virideau, uma atriz. Eles contraíram matrimônio em 1930 e continuaram casados até a morte de Jacques. Marguerite apareceu em alguns filmes francêses, pelo menos em um filme de Hollywood, Os Mandamentos Sociais / Society Smuggler’s / 1939 de Joe May, e dublou a voz de Branca de Neve na versão francêsa do filme de Disney.

Marcel Levesque, Josseline Gäel e Jean Gabin em Tout ça ne vau pas l 'amour

Marcel Levesque, Josseline Gäel e Jean Gabin em Tout ça ne vau pas l ‘amour

Jacques Tourneur foi assistente de direção, montador ou exerceu ambos os ofícios em todos os filmes francêses de seu pai de 1930 a 1934 bem como foi o montador de Rothschild de Marco de Gastyne e o assistente de direção de Jacques Natanson em La Fusée, ambos em 1933. O primeiro filme dirigido por Jacques foi Tout ça ne vaut pas l ‘amour / 1931, seguido por Pour être aimé / 1933, Toto / 1933 e Les Filles de la concierge / 1934.

Cena do curta Master William Shakespeare

Cena do curta Master William Shakespeare

Em 1934, Tourneur sentiu que já possuia experiência suficiente para arriscar um retorno a Hollywood, e assinou um contrato com a MGM onde, até 1939, trabalhou como diretor de segunda unidade nos filmes de longa-metragem Sorte Grande e Nada Mais / The Winning Ticket / 1935, A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities / 1935 e Maria Antonieta / Marie Antoinette / 1938 e como diretor de vários curtas-metragens, alguns exibidos no Brasil: A História do Diamante Jonker / The Jonker Diamond / 1936, William Shakespeare / Master William Shakespeare / 1936, O Patrão Não Disse Bom Dia / The Boss Didn’t Say Good Morning / 1937, Romance do Radium / Romance of Radium / 1937, O Rei sem Trono / The King without a Crown / 1937, O Homem do Galpão / The Man in the Barn / 1937, O Navio que Morreu / The Ship that Died / 1938, Pense Primeiro / Think it Over / 1938, O Espírito do Povo / Yankee Doodle Goes to Town / 1939, O Desconhecido Misterioso / The Incredible Strange / 1942, O Alfabeto Mágico / The Magic Alphabet / 1942.

Rita Johnson e Walter Pidgeon em Nick Carter, Super Detetive

Rita Johnson e Walter Pidgeon em Nick Carter, Super Detetive

Em 1939, ele conseguiu ser promovido para a direção de um longa-metragem, Escravos do Mal /They All Come Out, um filme inicialmente planejado como um exemplar da série de shorts O Crime Não Compensa /Crime Does Not Pay. Após a realização de mais dois filmes B, Nick Carter, Super Detetive / Nick Carter, Master Detective / 1939 e Nick Carter nos Trópicos / Phantom Raiders / 1940, Tourneur ( não se sabe por qual motivo) fez um filme para a Republic, Silêncio de Médico / Doctor’s Don’t Tell / 1941 e finalmente, em 1942, a MGM o deixou completamente livre, quando Val Lewton, com quem ele havia trabalhado na segunda unidade de A Queda da Bastilha, o convidou para dirigir Sangue de Pantera / Cat People, seu primeiro filme como produtor na RKO. Este filme B obteve um sucesso surpreendente aumentando a reputação de Tourneur e de Lewton e eles fizeram mais dois filmes juntos, A Morta-Viva / I Walked With a Zombie / 1943 e O Homem Leopardo / A Morta-Viva / The Leopard Man / 1943, antes que a RKO decidisse promover Tourneur para as produções classe A com Quando a Neve Tornar a Cair / Days of Glory / 1944 Tourneur fez mais quatro filmes para a RKO – Idílio Perigoso / Experiment Perilous / 1944, Fuga ao Passado / Out of the Past / 1947, Expresso para Berlim / Berlin Express e Tormento de uma Glória / Easy Living / 1949 – e foi emprestado para a Universal onde dirigiu Paixão Selvagem / Canyon Passage / 1946.

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Quando seu contrato com a RKO expirou, Tourneur tornou-se free lancer realizando O Testamento de Deus / Stars in my Crown / 1950 para a MGM, O Gavião e a Flecha / The Flame and the Arrow / 1950 para a Warner Bros., Circle of Danger / 1951 na Inglaterra para a Coronado Productions e A Vingança dos Piratas / Anne of the Indies / 1951 e O Gaúcho / Way of a Gaucho / 1952 para a 20th Century-Fox.

Gene Tierney e Rory Calhoun em O Gaúcho

Gene Tierney e Rory Calhoun em O Gaúcho

Este último filme, uma produção cara e tumultuada, foi um fracasso commercial e marcou uma mudança na carreira de Tourneur: ele prosseguiu realizando filmes de orçamento modesto, a maioria para produtores independentes. Começando com Almas Selvagens / Appointment in Honduras / 1953 (Prod: Benedict Bogeaus), prosseguiu com O Cavaleiro Misterioso / Stranger on Horseback / 1955 (Prod: Robert Goldstein), Choque de Ódios / Wichita / 1955 (Prod: Walter Mirisch), Pelo Sangue de Nossos Irmãos / Great Day in the Morning / 1956 (Prod: Edmund Grainger), A Maleta Fatídica / Nightfall / 1957 (Prod: Ted Richmond).

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Além de dirigir com frequência para a televisão a partir de 1954 até 1966, Tourneur filmou na Inglaterra, A Noite do Demônio / Night of the DemonCurse of the Demon nos EUA / 1956 (Prod: Frank Bevis) e encerrou seu trabalho na década de cinquenta com Fabricantes do Mêdo / The Fearmakers / 1958 (Prod: Martin H. Lancer), Timbuktu / Timbuktu / 1959 (Prod: Edward Small) e A Batalha de Maratona / La Battaglia di Maratona The Giant of Marathon nos EUA / 1959 (Prod: Bruno Vailati), filmado na Itália. Em 1963, Tourneur assinou contrato com a American-International Pictures, para a qual fez Farsa Trágica / The Comedy of Terrors / 1963 e Monstros da Cidade Submarina / War-Gods of the Deep / 1965, seu derradeiro filme. Ele faleceu em Dordogne, França no dia 19 de dezembro de 1977.

Neste artigo presto uma homenagem a Jacques Tourneur, relembrando alguns de seus melhores filmes.

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SANGUE DE PANTERA / CAT PEOPLE.

Irena Dubrovna (Simone Simon), uma garota da Sérvia, desenhista de moda, vive na cidade de Nova York, obcecada pela idéia de que é descendente de uma antiga raça de mulheres felinas, as quais, quando excitadas, transformam-se em panteras. Por isso, tem medo de consumar seu casamento com Oliver Reed (Kent Smith), arquiteto de uma firma de construção naval. Ele persuade a esposa a consultar o Dr. Judd (Tom Conway), um psiquiatra; mas este não consegue melhorar o estado de Irena. Olivier então se consola, contando seus problemas para Alice (Jane Randolph), uma colega de escritório. Subsequentemente, Alice é ameaçada duas vêzes por uma fera desconhecida. Oliver ameaça deixar Irena e, na mesma noite, ele e Alice são atacados. O Dr. Judd visita Irena e tenta conquistá-la à força. Ela se transforma em pantera e o mata. Ferida por Judd, Irena more no Jardim Zoológico do Central Park, depois de libertar uma pantera enjaulada.

Filmagem de Sangue de Pantera

Filmagem de Sangue de Pantera

Tourneur tinha uma grande capacidade para criar sequências tenebrosas. Em uma das melhores do filme, Alice entra de noite em uma piscina deserta e quando se prepara para seu exercício de natação, sente a aproximação de algo ameaçador. Sem possibilidade de fuga, atira-se na água. A câmera focaliza Alice só com o rosto à tona em alternância com a sombra das águas turvas nas paredes e a repercussão sonora dos urros de uma pantera.

Pose pa a publicidade: Simone Simon em Sangue de Pantera

Pose pa a publicidade: Simone Simon em Sangue de Pantera

Outra sequência memorável, muito bem fotografada por Nicholas Musuraca, é a caminhada noturna de Alice pelas imediações do Central Park, um percurso que vai se tornando cada vez mais nervoso, quando ela ouve passos seguindo-a. Alice pára diante de um poste de luz e olha para trás nas trevas. O barulho dos passos se interompe; ela não vê nada, mas sente que continua sendo seguida por algo que roça nas folhagens. Assustada, corre até o próximo poste. No momento em que a tensão da platéia está no auge, um ônibus surge bruscamente dentro do quadro e dá uma freada súbita, para alguns passageiros desembarcarem. A inesperada aparição do ônibus, o ruído estridente dos freios, dão um susto tremendo nos espectadores.

Na mesma noite, uma ovelha é encontrada morta no parque e a câmera segue o rastro das patas de um felino afastando-se do corpo do animal morto até que, subitamente, as patas viram marcas de saltos de sapatos de uma mulher.

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A MORTA-VIVA / I WALKED WITH A ZOMBIE. Betsy Connell (Frances Dee), enfermeira canadense, chega a St. Sebastian nas Antilhas, para cuidar de Jessica Holland (Christine Gordon), uma inválida que parece estar sofrendo de paralisia nervosa. Betsy apaixona-se por Paul (Tom Conway), marido de Jessica e é cortejada por Wesley Rand (James Ellison), o meio-irmão de Paul. Acreditando que este continua enamorado da esposa, Betsy, altruisticamente, leva Jessica a uma cerimônia de vodu, na esperança de restituí-la ao marido. Sua intenção falha, mas força Mrs. Rand (Edith Barrett), viúva missionária e mãe de Paul e Wesley, a revelar que havia usado o vodu para transformer Jessica em uma zumbi, quando ela anunciar sua partida de St. Sebastian com Wesley. Wesley mata Jessica a fim de libertá-la da maldição da “morte em vida” e se afoga, carregando o corpo dela mar adentro.

Cena de A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Frances Dee e Tom Conway em A Morta-Viva

Frances Dee e Tom Conway em A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Cena de A Morta-Viva

Logo no início do filme, Betsy e Paul estão a bordo de um veleiro comercial. O céu estrelado e o oceano cintilante deixam-na extasiada. Seus devaneios são interrompidos por Paul: “Não é bonito … – ele lê seu pensamento. “Tudo parece bonito porque você não compreende. Aqueles peixes-voadores não estão pulando de alegria, eles estão pulando aterrorizados. Os peixes maiores querem comê-los. Aquela água luminosa – ela tira o seu brilho de milhões de cadáveres, o brilho da putrescência. Aquí não há beleza, somente morte e decomposição. Depois de uma tomada mostrando o céu cadente, ele acrescenta: “Tudo que é bom morre aquí, até as estrelas”.

Dirigido por Tourneur com grande inspiração, magnificamente fotografado por J. Roy Hunt e interpretado com segurança por todo o elenco, inclusive os atores negros Sir Lancelot (cantor de calypso) e Darby Jones (Carre-Four), o filme é considerado por muitos críticos o melhor da série de horror psicológico de Val Lewton, “um dos raros exemplares de pura poesia visual fabricado por Hollywood”. Esta qualidade é perceptível em sequências como a do primeiro encontro de Betsy com Jessica; a da caminhada das duas à sede da macumba através dos canaviais sob o batuque enervante dos tambores e o soprar do vento até se depararem com o zumbi; e a do desenlace, em notável montagem alternada, encerrando-se quando a agulha é espetada na boneca representando Jessica e, em seguida, em um corte brusco, aparece Wesley, que acabara de matar a verdadeira Jessica com a flecha da estátua de São Sebastião.

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O HOMEM LEOPARDO / THE LEOPARD MAN.

Em uma pequena cidade da fronteira do Novo México, um leopardo que o empresário teatral Jerry Manning (Dennis O’Keefe) havia usado em um truque publicitário de sua vedete, Kiki Walker (Jean Brooks), assusta-se com o som de castanholas e foge. A fera mata uma adolescente, Teresa Delgado (Margaret Landry). Posteriormente, duas outras jovens , Consuelo Contreras (Tula Parma) e a dançarina Clo-Clo (Margo), são mortas; mas, desta vez, por um assassino demente, que usa o leopardo para encobrir suas atividades. Perseguido por Jerry e Kiki, o criminoso vem a ser preso e morto pelo namorado de uma das vítimas.

Cena de O Homem Leopardo

Cena de O Homem Leopardo

A narrativa, sem ter personagens centrais, é um tanto fragmentada, prejudicando um pouco a dramaticidade, mas há sequências de excelente Cinema. Em uma delas, sem dúvida a mais aterrorizadora de toda a série, Teresa é forçada pela mãe a sair de noite para comprar farinha. A mocinha está assustada, pois ouvira dizer que um leopardo andava solto pelas redondezas. A mãe empurra-a para fora de casa e tranca a porta. A pobrezinha encontra a mercearia fechada e tem de atravessar um longo caminho na escuridão, até chegar à única loja ainda aberta. Na volta, ela vê os olhos de um felino brilhando nas trevas. Em um efeito semelhante ao da parada repentina do ônibus em Sangue de Pantera, quando ela está sob uma passagem elevada da estrada de ferro, um trem irrompe estridentemente. Logo depois, ela se depara com a fera, cai, derramando a farinha e foge. O resto da sequência é filmado do interior da casa. A menina bate aflita na porta, suplicando à mãe para deixá-la entrar; esta, zangada com a demora, decide puní-la, fazendo-a esperar. Quando finalmente se convence de que a filha corre perigo, não consegue abrir o ferrolho e vê o sangue da menina escorrendo por debaixo da porta.

Cena de O Homem Leopardo

Cena de O Homem Leopardo

O virtuoso emprêgo do som e das sombras e a sucessão tensa das imagens continua no momento de outras mortes – a de Consuelo no cemitério e a de Clo-Clo tocando castanholas pelas ruas escuras, antes de perecer nas mãos do assassino. Boa parte do êxito destes instantes aconteceram devido às tomadas perfeitas em chave baixa do fotógrafo Robert de Grasse

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PAIXÃO SELVAGEM / CANYON PASSAGE.

Em 1856, no Oregon, Logan Stuart (Dana Andrews) é proprietário de uma linha de transporte de carga por mulas e um armazém na pequena cidade mineira de , e vive percorrendo vales e montanhas. Ele se relaciona com várias pessoas: seu amigo George Camrose (Brian Donlevy), um banqueiro que está roubando secretamente o ouro em pó depositado no banco por seus clientes, a fim de sustentar suas dívidas de jôgo; a noiva de George, Lucy Overmire (Susan Hayward), apaixonada por Logan: Caroline Marsh (Patricia Roc), imigrante inglêsa que fica noiva de Logan; o rancheiro Ben Dance Dance (Andy Devine); o trovador Hi Linnet (Hoagy Carmichael) que observa e comenta os acontecimentos; e o brutal e solitário Honey Bragg (Ward Bond), que Logan suspeita ter praticado alguns crimes. Para esconder seu desfalque, George mata um mineiro, McIver (Wallace Scott), mas é preso e condenado à morte por um tribunal irregular. Logan ajuda-o a fugir durante uma confusão causada pela notícia de uma rebelião dos índios, porém George acaba sendo morto pela população. Durante a revolta dos peles-vermelhas, Ben Dance e um de seus filhos são mortos assim como Bragg, depois de ter estuprado e assassinado uma jovem índia. Caroline, percebendo que seria infeliz ao lado de Logan por incompatibilidade de seu temperamento e expectativa, desfaz seu noivado, deixando – o livre para partir com Lucy para San Francisco.

Susan Hayward e Dana Andrews em Paixão Selvagem

Susan Hayward e Dana Andrews em Paixão Selvagem

Neste western atípico e realista, Tourneur faz uma crônica de uma pequena cidade isolada no Oregon nos tempo dos pioneiros, sempre ameaçados pelos índios. Em uma sequência notável, um baile é interrompido pela presença deles, percebida pelo olhar apurado de Hi Linnet, que faz a orquestra parar e logo depois os selvagens aparecem em um reverse-shot sob a luz avermelhada do fogo.

Brian Donlevy e Susan Hayward em Paixão Selvagem

Brian Donlevy e Susan Hayward em Paixão Selvagem

Cena de Paixão Selvagem

Cena de Paixão Selvagem

Por meio de uma encenacão inteligente, o diretor descreve com profundidade tanto os personagens principais como os secundários, expondo sem precipitação suas preocupações cotidianas, daí porque o rítmo não é sempre nervoso, dando ao filme uma aparência de drama psicológico. Em compensação, outras sequências como a da briga entre Bragg e Logan no saloon e o ataque dos índios são mais movimentadas. Tourneur usa o close-up com muita felicidade, para mostrar a ferocidade e a anormalidade de Bragg, que transparece não somente na mencionada briga mas também quando o brutamontes surpreende as índias banhando-se no rio. Outros elementos estéticos bem aplicados pelo cineasta foram a elipse (eis que não vemos as cenas da morte de George nem a de McIver) e a cor (principalmente na perseguição de Bragg pelos índios através das plantas; quanto mais os perseguidores se aproximam dele, elas se tornam cada vez mais vermelhas). Na aplicação do Technicolor a contribuição do fotógrafo Edward Cronjager foi inestimável.

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FUGA AO PASSADO / OUT OF THE PAST.

Jeff Markham (Robert Mitchum), um detective particular de Nova York, e seu sócio, Jack Fisher (Steve Brodie), são contratados por um gângster, Whit Sterling (Kirk Douglas), para encontrar a amante dele, Kathie Moffat (Jane Greer), que fugiu com quarenta mil dólares, após ter tentado matá-lo. Jeff segue a pista de Kathie até Acapulco e se apaixona por ela, acreditando na sua palavra de que não roubou o dinheiro. Em consequência, o detetive não informa Whit sobre o seu paradeiro e os dois partem para San Francisco, onde vivem temporariamente em segurança. Até o momento em que são reconhecidos por Fisher, convocado por Whit para procurar Jeff. Tentando chantageá-los, Fisher é morto friamente por Kathie. Jeff fica perplexo com a violência de Kathie. Quando se volta para ela, apó ter examinado o corpo de Fisher, Kathie não está mais ali; mas deixara seu talão de cheque, que acusa um depósito de quarenta mil dólares. Os acontecimentos posteriores levarão a um final trágico.

Tourneur e o fotógrafo Nicholas Musuraca, ex-colaboradores da série de horror de Val Lewton, eram especialmente preparados para criar o jogo lírico e sensual de sombras que caracteriza o filme noir. Em um entrosamento perfeito, Tourneur e Musuraca produziram imagens esplêndidas de interiores escuros dramaticamente iluminados, planos filmados de dia como se fossem de noite das praias do México e exteriors claros e meticulosos, muito bem integradas no todo atmosférico. O diretor teve ainda o mérito de fazer com que uma jovem inexperiente de 22 anos, Jane Greer, se transformasse em uma das mulheres fatais mais inesquecíveis, frágil, ameaçadora, e ao mesmo tempo, sensual e demoníaca.

Virginia Huston and Robert Mitchum in a scene from the 1947 movie, Out of the Past.

Virginia Huston and Robert Mitchum in a scene from the 1947 movie, Out of the Past.

Kirk Douglas e Robert Mitchum em Fuga ao Passado

Kirk Douglas e Robert Mitchum em Fuga ao Passado

Robert Mitchum e Jane Greer em Fuga ao Passado

Robert Mitchum e Jane Greer em Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

Cena de Fuga ao Passado

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No momento em que surge vestida de branco em uma rua de Acapulco, Kathie Moffat não parece a mulher insidiosa que realmente é, mas sim uma criatura do sonho de Jeff, que se materializou ao entrar no Café La Mar Azul. Jeff fica deslumbrado e joga para o alto o seu código de honra. Quando Kathie tenta convencê-lo de que não roubou o dinheiro de Whit, ele a interrompe dizendo: “Baby, pouco me importa”. Contrariando os interesses do cliente, transigindo com a ética profissional, Jeff não comunica a Whit que a encontrou, e foge com ela para San Francisco. Ele não consegue superar sua obsessão sexual. Sua voz over descreve Kathie de uma maneira cada vez mais romântica, representando-a como uma imagem luminosa: “”E então eu a ví, saindo do sol”; “E então ela entrou, vinda do luar, sorrindo”; “E então eu a ví andando pela estrada sob a luz dos farois”. Porém, no dia em que Kathie mata Fisher, deixando-o com o cadáver para sofrer as consequências, e ele descobre que ela havia depositado os quarenta mil dólares na sua conta bancária, Jeff fica arrasado. Ele lembra para Ann (Virginia Huston), sua namorada, a quem ele resolveu contar sua história: “Eu não sentia pena dele, não estava zangado com ela, não estava nada”. Ao revê-la, junto de Whit, exclama indiferente: “Você é como uma folha que o vento carrrega de uma sarjeta para outra. Todavia, mesmo depois desta cena, ainda ficamos sem saber se Jeff realmente ficou livre de sua paixão por Kathie, pois um grau de ambivalência permanece até o final do filme.

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EXPRESSO PARA BERLIM / BERLIN EXPRESS.

Alguns mêses após o armistício de 1945, o eminente humanista Dr. Heinrich Bernhart (Paul Lukas) é encarregado de uma comissão visando a reunificação da Alemanha, então dividida em quatro setores controlados pelos aliados. Em um trem que o conduz de Paris para Berlim, o doutor escapa de um atentado e depois é sequestrado por membros de um movimento neo-nazista subterrâneo, durante uma parada do expresso em Frankfurt. Um grupo composto por um agrônomo americano, Robert Lindley (Robert Ryan), uma francêsa, Lucienne Mirbeau (Merle Oberon), um tenente do exército russo, Roman Toporow (Maxim Kiroshlov), um professor inglês, James Sterling (Robert Coote) e um antigo resistente francês, Henri Perrot (Charles Korvin), se organiza para encontrar o paradeiro de Bernhart na cidade em ruínas.

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Tourneur reforça a estrutura dramática do relato, mantendo em segredo a verdadeira identidade de alguns personagens, que somente no final é revelada. Bernhart não é aquele que pensamos ser, a jovem francêsa acaba demonstrando seu verdadeiro papel aos homens do grupo e uma outra identidade falsa também vem à tona nos últimos momentos do filme.

Para manter o espectador constantemente interessado na história, o cineasta também cria alguns momentos de alta inspiração cinematográfica como, por exemplo, a maneira como ficamos ao par da mensagem estranha que o pombo-correio levava; o episódio com os dois palhaços, um falso e outro verdadeiro; o suicídio de Walther (Reinhold Schunzel), o amigo que traiu Bernhart; a luta entre Robert e o espião dentro de um enorme barril de cerveja; o instante em que Reinhardt está sendo atacado em sua cabine e na cabine vizinha, pelo reflexo reproduzido nos vidros da estação, Robert e Lucienne tomam conhecimento do fato. A arte do fotógrafo Lucien Ballard foi um fator determinante para a excelência dessas cenas.

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Robert Ryan e Merle Oberon em Expresso para Berlim

Robert Ryan e Merle Oberon em Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

Cena de Expresso para Berlim

O interesse do filme repousa igualmente sobre o aspecto documentário de certas sequências, mostrando o estado de um país – principalmente a cidade de Frankfurt – depois de sua derrota. Enquanto os protagonistas são enquadrados nas ruínas, o olho do espectador os acompanha contemplando ao mesmo tempo o espetáculo desastroso dos bombardeios no fundo do quadro. No epílogo, quando se despedem os protagonistas restantes da trama, encontramos uma crítica silenciosa da situação internacional na imagem de um aleijado, passando entre as colunas do Portão de Brandenburgo, que também pode ser interpretada como um símbolo de que o mundo marcha apesar do desastre ou do espectro da Guerra Fria caindo sobre a Europa mais dilacerada, mais dividida do que nunca.

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O TESTAMENTO DE DEUS / STARS IN MY CROWN.

Na pequena cidade sulista de Walesburg, no final do século dezenove, John Kenyon (Dean Stockwell e Marshall Thompson fazendo a voz do personagem como adulto), narra episódios concentrados na figura de seu pai adotivo, Josiah Doziah Gray (Joel McCrea), um pastor protestante, ex-soldado da Guerra Civil e casado com Harriet (Ellen Drew). Os lances mais dramáticos da narrativa são criados por duas ocorrências. Uma é a epidemia de tifo, para a qual o jovem médico da cidade, Daniel Kalbert Harris Jr. (James Mitchell), inicialmente suspeita de que o pastor seja o transmissor, mas cuja origem acaba sendo rastreada até o poço perto da escola. O outro acontecimento é a tentativa por parte de um proprietário de uma mina, Lon Backett (Ed Begley) de amedrontar um negro, Uncle Famous Prill (Juano Hernandez), para se apoderar de suas terras ricas em mica. Formando um bando de “Night Riders”, semelhante à Klu Klux Khan, os agressores de Famous querem linchá-lo, porém o pastor faz com que todos fiquem envergonhados e se dispersem, lendo o suposto testamento de Famous, contendo legados para todos, que lembram o papel benevolente que ele desempenhou em suas vidas.

Cena de O Testamento de Deus

Joel McCrea em O Testamento de Deus

Cena de O Testamento de Deus

Cena de O Testamento de Deus

Neste filme, que não é verdadeiramente um western, mas tem a ver com a cultura e história americana, Tourneur demonstra calma e comedimento, permitindo que a história vá crescendo aos poucos, o que dá aos climaxes (a epidemia de tifo e principalmente o quase-linchamento do velho negro) um grande impacto emocional.

O reverendo, que carrega uma Bíblia e um par de pistolas, tem uma tendência para contar histórias engraçadas com uma Mensagem, em vez de ser um mero “pregador”. É, portanto, o tipo de pastor que pode conquistar os corações e a alma. Após a confrontação de Gray com Backett e os linchadores, este comparece arrependido na igreja e, por fim, seu grande amigo Jed Isbell (Alan Hale), que ele sempre convidava em vão para assistir o culto, também se apresenta como mais um crente conquistado pela bondade e sinceridade do líder espiritual e moral de sua comunidade.

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O GAVIÃO E A FLECHA / THE FLAME AND THE ARROW.

Na Lombardia do século XII, Dardo Bartoli (Burt Lancaster), excelente arqueiro e caçador, vive nas montanhas com seu filho Rudi (Gordon Gerbert). Sua mulher, Francesca (Lynne Baggett), o abandonou anos atrás, para se casar com Ulrich (Frank Allenby), representante feroz do Imperador da Alemanha, apelidado de “O Falcão”. Dardo mata um dos falcões de Ulrich e este, em represália, manda seus soldados prender Rudi, e conduzí-lo para seu castelo. Dardo se une aos camponêses para lutar contra o tirano. Sempre acompanhado pelo seu amigo Piccolo (Nick Cravat), um ferreiro mudo, ele rapta Anne (Virginia Mayo), sobrinha de Ulrich, com a finalidade de usá-la para resgatar seu filho. Ele captura também Alessandro de Granazia (Robert Douglas), um marquês italiano, que Ulrich pretendia unir em matrimônio com Anne, a fim de reforçar seu poder na região e obrigá-lo a pagar seus impostos. Anne porém o rejeitou e Ulrich mandou prender o marquês. Diante disso, Alessandro e seu trovador (Norman Lloyd) se aliam aos foras-da-lei, porém depois os trai. Prevenido a tempo por Anne, Dardo penetra no castelo com Piccolo, ambos disfarçados de palhaço entre os saltimbancos que ali se apresentam, libertam os populares e todos juntos enfrentam os soldados de Ulrich. Dardo descobre que Francesca está morta e mata Alessandro em uma luta de espada. Ulrich foge, e usa Rudi como escudo; mas não contou com a perícia de Dardo, que põe fim à sua vida com uma flechada, libertando seu filho. Anne, que se apaixonara por Dardo, junta-se a eles, para celebrar a vitória contra o opressor

Virginia Mayo e Burt Lancaster em O Gavião e a Flecha

Virginia Mayo e Burt Lancaster em O Gavião e a Flecha

Tourneur incutiu dinamismo e divertimento neste filme de aventura histórica em grande parte dominado pela habilidade atlética e saltitante de Burt Lancaster e Nick Cravat, principalmente por terem sido trapezistas de circo na vida real. O cineasta mostra o seu habitual rigor e capacidade de invenção notadamente na sequência formidável da invasão do castelo com Dardo e Picolo misturando-se com os membros da trupe de artistas, que adquire o caráter festivo de um espetáculo acrobático.

Cenas de O Gavião e a Flecha

Cenas de O Gavião e a Flecha

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Em outra sequência admirável, o heroí, sentindo dificuldade de se confrontar com um espadachim temível como o marquês, corta a corda que sustenta um lustre, fazendo – o cair e deixando o ambiente na escuridão. De uma tomada em câmera alta vemos o marquês de guarda e em silhueta diante de um retângulo de luz no chão, e ouvimos Dardo sussurrar: “Agora, marquês, estamos no escuro, onde uma espada é apenas uma faca longa. Os caçadores sabem tudo sobre facas. Você não pode me ver Alessandro, mas eu posso vê-lo”. Mais alguns planos, e o marquês é puxado para fora do quadro por Dardo. A câmera desce, e focaliza o retângulo de luz no assoalho, cruzado por um tocheiro caído. Ao som de uma golpe fora de cena, faz-se um corte para um outro ângulo em câmera alta da mesma área: o marquês tomba morto, sobre o retângulo de luz.
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CIRCLE OF DANGER.

Clay Douglas (Ray Milland), cidadão americano de descendência galêsa, chega na Inglaterra para investigar a morte de seu irmão Hank, que morreu em circunstâncias misteriosas, quando participava de uma missão de comandos do Exército Britânico na Bretanha em 1944. Douglas sai no encalço e entrevista os membros sobreviventes da unidade de comando de Hank entre eles o Major Hamish McArran (Hugh Sinclair), um aristocrata escocês líder do grupo e Sholto Lewis (Marius Goring), seu ex-tenente, que se tornou professor de balé. Entrementes, conhece Elspeth Graham (Patricia Roc), autora e ilustradora de livros infantis, cortejada por Hamish. Nenhum deles parece querer ajudar Clay, mas ele finalmente consegue descobrir – por intermédio do derradeiro questionado, um vendedor de automóveis chantagista, Reggie Sinclair (Naunton Wayne)-, que foi Hamish quem matou Hank. Hamish aceita a sugestão de Clay de acertarem suas contas em um duelo de fuzil, mas Sholto chega a tempo para explicar a Clay que seu irmão foi executado porque, recusando obedecer a uma ordem, colocou em perigo todos os homens do comando. Sem dizer uma só palavra, Clay se afasta, abalado com a terrível notícia. Depois, parte na companhia de Elspeth, com quem se reconcilia, após certo desentendimento.

Patricia Roc e Jacques Tourneur na filmagem de Circle of Danger

Patricia Roc e Jacques Tourneur na filmagem de Circle of Danger

Hugh Sinclair, Marius Goring e Ray Milland em Circle of Danger

Hugh Sinclair, Marius Goring e Ray Milland em Circle of Danger

Tourneur recebeu de Philip MacDonald, autor experiente na área do romance policial, uma trama interessante e, embora ela não tivesse lances movimentados, o diretor soube manter o espectador sempre interessado no seu desenvolvimento, explorando fotograficamente (com o precioso concurso de Oswald Morris) o contexto estrangeiro, em especial a paisagem campestre escocêsa onde, no final, ocorre maior suspense. O lance do assobio da canção folclórica que leva Clay a identificar o suposto criminoso é um achado digno de Hitchock, e o caráter insólito de um personagem como Sholto, um bailarino que foi militar e sabe manejar uma arma, tem a sua originalidade.

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A VINGANÇA DOS PIRATAS / ANNE OF THE INDIES.

No século XVII, o pirata Captain Providence, cruza o mar das Antilhas no “Sheba Queen”, e saqueia os navios britânicos. Ele é na realidade uma mulher destemida e orgulhosa chamada Anne (Jean Peters), que detesta os inglêses, porque eles enforcaram seu irmão. Um dia, Anne e seus homens, entre eles seu primeiro pilôto, Red Dougall (James Robertson Justice), capturam um navio britânico; depois de obrigar a tripulação vencida a caminhar pela prancha e se jogar ao mar, descobre que a embarcação está conduzindo um prisoneiro francês, Pierre François La Rochelle. (Louis Jourdan). Embora Dougall desconfie de Pierre, Anne decide nomeá-lo seu navegador. Mais tarde, o “Sheba Queen” chega a Nasssau, e ela apresenta Pierre ao famoso pirata Barbanegra (Thomas Gomez), que criara Anne e seu irmão, quando eles ficaram órfãos. Barbanegra adora a sua protegida, mas, como Douglas, desconfia de Pierre. Anne se apaixona por Pierre porém, após várias peripécias, ficamos sabendo que ele é casado com a jovem Molly (Debra Paget), e pretende entregar Anne às autoridades de Port Royal em troca de seu navio apreendido pelos inglêses.

Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Jean Peters em A Vingança dos Piratas

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Cena de A Vingança dos Piratas

Cena de A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Luis Jourdan em A vingança dos Piraas

Jean Peters e Luis Jourdan em A Vingança dos Piratas

Jean Peters a Debra Paget em A Vingança dos Piratas

Jean Peters a Debra Paget em A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Thomaz Gomez em A Vingança dos Piratas

Jean Peters e Thomaz Gomez em A Vingança dos Piratas

Debra Pagert, louis Jourdan e Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Debra Pagert, louis Jourdan e Jean Peters em A Vingança dos Piratas

Inspirando-se em figuras e fatos reais (v. g. Edward Teach, o Barbanegra; o tesouro de Henry Morgan; a bucaneira Anne Bonny) e aproveitando muito bem o Technicolor, Tourneur nos oferece tudo o que poderíamos esperar de um filme de piratas: batalhas navais, abordagens e motins, duelos de espada, ilha deserta, a busca de um tesouro, tavernas de má fama onde o rum é consumido aos borbotões. Toadavia, ao contrário de O Gavião e a Flecha, cujo tom é de bom humor e fantasia, A Vingança dos Piratas é trágico, e acrescenta uma originalidade: a personagem principal é uma mulher flibusteira, que movida pelo ódio, renega sua condição de fêmea, para poder ter seu lugar em um mundo de homens. Ao descobrir sua alma feminina diante do charme de um formoso capitão (pintando um clima bastante sensual), Anne se vê envolvida em um triângulo amoroso. Enciumada, começa a praticar desatinos, dos quais se redime, finalmente, sacrificando-se em um combate com Barbanegra, para salvar o casal que antes invejara.

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CHOQUE DE ÓDIOS / WICHITA.

Wyatt Earp (Joel McCrea) dirige-se para Wichita com a idéia de se instalar ali, abrindo um pequeno comércio. Ele logo faz amizade com o diretor do jornal local, Arthur Whiteside (Wallace Ford) e seu jovem repórter Bat Masterson (Keith Larsen). Impedindo um assalto a um banco, Wyatt tem oportunidade de mostrar suas qualidades de homem de ação e de decisão. O prefeito (Carl Benton Reid) lhe oferece o cargo de delegado. Waytt a princípio recusa, mas depois da morte de uma criança durante uma arruaça de vaqueiros embriagados, acaba aceitando. Como primeira providência, interdita o porte de armas de fogo na cidade. Suas decisões drásticas inquietam os comerciantes, que acham seus métodos muito radicais, notadamente Sam McCoy (Walter Coy), que vê com circunspecção o amor que o novo xerife dedica à sua filha Laurie (Vera Miles). Achando que a proibição do porte de armas afastará a sua clientela de caubóis, os negociantes procuram destituir o delegado, e um deles, Doc Black (Edgar Buchanan), trama a sua eliminação.

Joel MacCrea em Choque de Ódios

Joel MacCrea em Choque de Ódios

Tourneur narra o começo da carreira de Wyatt Earp (embora os fatos históricos não tivessem sido bem assim), projetando a figura mítica do protagonista, sua honestidade, e seu zelo pela justiça. A lei é transgredida pelas forças econômicas e essas transgressões produzem as imagens mais contundentes do espetáculo: um menino morto por uma bala perdida, a mulher do banqueiro alevejada através da porta de sua casa. Apesar de contrariado pelos corruptos, Wyatt continua inflexível e é este clima, que o diretor deixa transparecer com muito rigor, muito senso dramático e esplêndida utilização do CinemaScope. Uma boa surpresa ocorre quando Doc Black, contrata dois pistoleiros para liquidar Wyatt, sem saber que eles são dois dos irmãos do xerife.

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A MALETA FATÍDICA / NIGHTFALL.

Em San Francisco, Jim Vanning (Aldo Ray), desenhista de anúncios, suspeito de ter assassinado um amigo e companheiro de pescaria, Dr. Edward Garston (Frank Albertson), nas montanhas do Wyoming, está sendo vigiado pelo investigador de uma companhia de seguros (James Gregory) e perseguido pelos verdadeiros criminosos John (Brian Keith) e Red (Rudy Bond), que estão certos de que Jim tem em seu poder a maleta contendo 350 mil dólares, que eles roubaram de um banco. Ele procura refúgio em um bar, onde encontra Marie Gardner (Anne Bancroft), uma jovem modelo. Quando estavam caçando nas montanhas, Jim e Gurston presenciaram um acidente de carro, e socorreram John e Red, depois do assalto ao banco. Os criminosos mataram o médico, deixaram Vanning ferido e, na fuga, levaram a maleta do doutor em vez da maleta que continha o dinheiro roubado. Jim não avisou a polícia e escondeu o dinheiro na neve, perto de uma cabana. Jim e Marie resolvem retornar ao local, onde se dá o desenlace da trama. John é morto pelo seu sócio psicopata e Jim, livre de qualquer suspeição (porque o investigador, que já estava convencido de sua inocência, assiste a todos esses acontecimentos), pode se casar com Anne.

Cena de A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Anne Bancroft e Aldo Ray em A Maleta Fatídica

Anne Bancroft e Aldo Ray em A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Cena de A Maleta Fatídica

Usando três retrospectos, introduzidos apenas por um corte seco, Tourneur nos apresenta a história de um personagem tipicamente noir: Vanning é uma vítima do acaso, que o colocou em uma situação de perigo e na possibilidade de ser incriminado pela morte do amigo. Sua desconfiança inicial de que Marie o traiu a mando de John e Red mostra como o trauma do herói distorceu sua perspectiva.

A fotografia escura no ambiente citadino contribui para acentuar o clima de paranóia, principalmente na cena do interrogatório em frente à sonda de petróleo – o enorme mecanismo que sobe e desce é uma metáfora dos terrores que atormentam o protagonista. Quando a ação se transfere para a região as montanhas cobertas de neve, o diretor e seu fotógrafo, Burnett Guffey, optam por imagens mais iluminadas, afastando-se da estética expressionista.

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A NOITE DO DEMÔNIO / NIGHT OF THE DEMON.

O Dr. Karswell (Niall MacGinnis), apaixonado por ciências ocultas e magia negra, recebe a visita do professor Henry Harrington (Maurice Denham), que suspeita de sua dedicação a um culto demoníaco. Pouco depois, Harrington é morto por uma criatura, ao que parece, vinda do além. Um colega de Harrington, o psicólogo Dr. John Holden (Dana Andrews), chega da América para prosseguir na sua pesquisa sobre o sobrenatural e, auxiliado por Joanna (Peggy Cummings), sobrinha do falecido, decide investigar aquela morte misteriosa. Holden procura Karswell e este lhe entrega um pergaminho com símbolos rúnicos e prediz sua morte daquí a três dias. Uma série de acontecimentos estranhos enfraquece o ceticismo de Holden, e ele se convence dos poderes de Karswell. Ao saber por um dos seguidores de Karswell, Rand Hobart (Brian Wilde), ao hipnotizá-lo, que o único meio de evitar seu destino, é devolver o pergaminho a Karswell, Holden consegue fazer isto a bordo de um trem, há pouco minutos da data prevista para sua morte e, em consequência, o demônio se materializa, e mata Karswell.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Tourneur retorna ao gênero de horror sobrenatural, que sempre o seduziu, e consegue mais uma vez assustar o espectador, utilizando o som, lentes distorcidas e a fotografia expressionista, para criar o clima ideal para o desenvolvimento do tema: a existência ou não de forças demoníacas, encarregadas de cumprir uma maldição.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

No final do filme não se pode afirmar com certeza se o racional ou o sobrenatural teve ascendência um sobre o outro. Se a aparição do demônio parece constatar que as potências das trevas existem, pode ser também que tal aparição ocorreu devido às alucinações das vítimas, paralizadas pelo medo, e que elas foram mortas acidentalmente – nota-se nas duas mortes causadas por uma espécie de dragão gigantesco e fumegante a coincidência de outras causas, como o choque do automóvel da primeira vítima com um poste elétrico e a passagem de um trem, quando o vilão é esmagado pelo monstro. O filme funciona muito bem com essa ambiguidade.

Cena de A Noite do Demônio

Cena de A Noite do Demônio

Além do aspecto parapsicológico, o que interessa ao cineasta é lidar com o medo, construindo momentos inquietantes como a entrada de Holden na mansão de Karswell, sendo assustado pela mão que surge no corrimão da escada ou por uma porta que se abre; a luta de Holden na biblioteca com um gato subitamente metamorfoseado em pantera (que faz lembrar algumas passagens de Sangue de Pantera); Holden sendo perseguido no bosque por uma nuvem de fumaça branca; a sessão de hipnose, com a recuperação da palavra por um adepto do culto demoníaco que havia entrado em estupor catatônico ao trair um ïrmão”; a festa infantil ao ar livre interrompida repentinamente por uma tempestade invocada pelo satanista vestido de palhaço; o pergaminho levado pelo vento e Karswell correndo pela linha do trem em um desespêro inútil para pegá-lo, porque o demônio (ou o fruto de um delírio) logo aparece.

 

GRANDES PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – III

December 23, 2016

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ELLERY QUEEN – Detetive criado pelos primos Manfred B. Lee / Maniord Lepofsky (1905-1971) e Frederick Dannay / Daniel Nathan (1905-1982) sob o pseudônimo de Ellery Queen. Filmes: 1935 – MIstério da Capa Espanhola / The Spanish Cape Mystery com Donald Cook. 1936 – The Mandarin Mystery. 1940 – Linda Impostora / Ellery Queen, Master Detective. 1941 – Jóias Fatais / Ellery Queen’s Penthouse Mystery. A Sombra da Morte / Ellery Queen and the Perfect Crime. Quadrilha Diabólica / Ellery Queen and the Murder Ring, todos com Ralph Bellamy. 1942 – Herdeira Desaparecida / Close Call for Ellery Queen. Arriscando com a Sorte / Desperate Chance for Ellery Queen. Contrabando de Guerra / Enemy Agents Meet Ellery Queen, todos com William Gargan. 1950 – The Adventures of Ellery Queen, Série de TV com Lee Bowman. 1958 – The Further Adventures of Ellery Queen, Série de TV com George Nader. 1971 – Ellery Queen: Don’t Look Behind You, Telefilme com Peter Lawford. 1975 – Ellery Queen, Série de TV com Jim Hutton.

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Jim Hutton (Ellery queen na TV) e David Wayne

Jim Hutton (Ellery queen na TV) e David Wayne

RAFFLES (Arthur J. Raffles). Ladrão cavalheiro criado por Ernest William Hornung (1866-1921). Filmes: 1905 – Raffles the Amateur Cracksman com J. Barney Sherry. 1911. Raffles, gentiluomo ladro. Seriado italiano com Ubaldo Maria Del Colle. 1917 – Ladrão por Esporte / Raffles, the Amateur Cracksman com John Barrymore. 1921 – Mr. Justice Raffles, com Gerald Ames. 1925 – Raffles, o Ladrão Amador / Raffles / Raffles com House Peters. 1930 – Raffles / Raffles com Ronald Colman. 1932. The Return of Raffles com George Barraud. 1939 – Raffles / Raffles com David Niven. 1975 – Raffles, telefilme britânico. Raffles. Série de TV britânica, ambos com Anthony Valentine.

House Peters como Raffles

House Peters como Raffles

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John Barrymore em Ladrão por Esporte / 1917

John Barrymore em Ladrão por Esporte / 1917

Ronald Colmane Kay Francis em Raffles

Ronald Colmane Kay Francis em Raffles

David Niven em Raffles

David Niven em Raffles

J. G. REEDER. Detetive criado por Edgar Wallace (1875-1932). 1938 – Mr. Reeder in Room 13 com Gibb McLaughlin. 1939 – The Mind of Mr. Reeder (Mysterious Mr. Reeder nos EUA). The Missing People, ambos com Will Fyfe. 1969 – The Mind of Mr. J. G. Reeder. Série de TV com Hugh Burden.

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ROCAMBOLE. Gênio do crime criado por Pierre-Alexis Joseph Ferdinand Ponson du Terrail (1829-1871), sob o pseudônimo de Ponson du Terrail. Filmes: 1913 – Série Rocambole (em 4 séries: As Proezas de Rocambole, A Herança do Marquês de Morfontaine, O Esplendor de Rocambole ou A Glória de Rocambole, A Evasão de Rocambole) com Gaston Sylvestre. As Luvas de Rocambole / I Guanti di Rocambole 1919 – Rocambole com Giulio Donadio. 1924 – Les Premières Armes de Rocambole. Les Amours de Rocambole, ambos com Maurice Thorèze. 1933 – Rocambole com Rolla Norman. 1946 – Rocambole com Ramón Pereda. 1948 – Rocambole com Pierre Brasseur. 1963 – Rocambole com Channing Pollock. 1964 – Rocambole, Série de TV com Pierre Vernier . 1967 – Rocambole, Série de TV mexicana com Julio Aléman.

Pierre Brasseur como Rocambole

Pierre Brasseur como Rocambole

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Channing Pollock como Rocambole

Channing Pollock como Rocambole

Pierre Vernier como Rocambole

Pierre Vernier como Rocambole

ROULETABILLE. Jornalista detetive Joseph Rouletabille criado por Gaston Leroux (1868-1927). Filmes: 1913 – Le Mystère de la Chambre Jaune. La Dernière Incarnation de Larsan, ambos com Marcel Simon. 1919 – The Mystery of the Yellow Room com Lorin Raker. 1922 – Rouletabille chez les Bohémiens com Gabriel de Gravone. 1930 – Le Mystère de la Chambre Jaune. 1931 – Le Parfum de la Dame en Noir. 1932 – Rouletabille Aviateur, todos com Roland Toutain. 1946 – Rouletablle Joue et Gagne. Rouletabille contre la Dame de Pique com Jean Piat. 1947 – El Misterio del Cuarto Amarillo, filme argentino com Santiago Gómez Cou. 1948 – Le Parfum de la Dame en Noir. 1949 – Le Mystère de la Chambre Jaune, ambos com Serge Reggiani. 1966 – Rouletabille, Série de TV com Philippe Ogouz.

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Roland Toutain (à esq.) como Rouletabille

Roland Toutain (à esq.) como Rouletabille

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Serge Reggiani como Rouletabille

Serge Reggiani como Rouletabille

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THE SAINT – Ladrão cavalheiro, Simon Templar, criado por Leslie Charles Bowyer (1907-1993) sob o pseudônimo de Leslie Charteris. Filmes: 1938 – O Santo em Nova York / The Saint in New York com Louis Hayward. 1939 – A Volta do Santo / The Saint Strikes Back. O Santo em Londres / The Saint in London. 1940 – O Santo e Seu Sósia / The Saint’s Double Trouble. O Santo e a Mulher / The Saint Takes Over. 1941 – O Santo no Balneário / The Saint in Palm Springs, todos com George Sanders. Férias do Santo / The Saint’s Vacation. 1943 – O Santo encontra o Tigre / The Saint Meets the Tiger, ambos com Hugh Sinclair. 1954 – O Santo no Castelo Sinistro / The Saint’s Girl Friday com Louis Hayward. 1959 – Le Saint mène la danse com Felix Marten. 1966 – Le Saint Prend  L ‘Affût com Jean Marais. 1969 – The Saint , Série de TV com TV Roger Moore.

George Sanders como O Santo

George Sanders como O Santo

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Jean Marais como O Santo

Jean Marais como O Santo

Roger Moore como O Santo

Roger Moore como O Santo

SAM SPADE. Detetive particular criado por Dashiel Hammett.Filmes: 1931 – O Falcão Maltês / The Maltese Falcon com Ricardo Cortez. 1936 – Satan Met a Lady com Warren William (com o nome do personagem Sam Spade mudado para Ted Shane). 1941 – Relíquia Macabra com Humphrey Bogart.

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 Bebe Daniels e Ricardo Cortez em O Falcão Maltês


Bebe Daniels e Ricardo Cortez em O Falcão Maltês

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Humphrey Bogart em Relíquia Macabra

Humphrey Bogart em Relíquia Macabra

SAN ANTONIO. Comissário de polícia criado por Fréderic Dard (1921-2000). Filmes: 1966 – Sale Temps pour les Mouches. 1968 – Béru et ses Dames, ambos com Gérad Barray.

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THE SHADOW. Justiceiro Lamont Cranston criado por Walter B. Gibson (1897-1985) sob o pseudônimo de Grant Maxwell. Filmes: 1937 – Mr. Sombra / The Shadow Strikes. 1938 – International Crime, ambos com Rod La Rocque. 1940. Seriado A Sombra do Terror / The Shadow com Victor Jory. 1946 – O Sombra Retorna / The Shadow Returns. A Máscara   do Sombra / Behind the Mask. A Deusa de Jade / The Missing Lad, todos com Kane Richmond. 1958 – Bourbon Street Shadows com Richard Derr.

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MICHAEL SHAYNE. Detetive particular criado por Davis Dresser (1904- 1977) sob o pseudônimo de Brett Halliday. Filmes: Um Detetive Apaixonado / Michael Shayne, Private Detective. 1941 – Testemunha Oculta / Sleepers West. Ceia Fatal / Dressed to Kill. Dois Tiros Silenciosos / Blue, White and Perfect. 1942 – A Sepultura Vazia / Man Who Wouldn’t Die. Punhal Assassino / Just Off Broadway. Hora para Matar / Time to Kill, todos com Lloyd Nolan. 1946 – Murder is my Business. Larceny in Her Heart, Blonde for a Day. 1947 – Chamada para um Morto / Three on a Ticket. Too Many Winners, todos com Hugh Beaumont.

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Lloyd Nolan e Mary Beth Hughes em Ceia Fatal

Lloyd Nolan e Mary Beth Hughes em Ceia Fatal

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RABINO DAVID SMALL. Rabino detetive amador criado por Harry Kemelman (1908 -1996). Filmes: Lanigan’s Rabbi. Série de TV com Art Carney como Lanigan, o chefe de polícia católico amigo do rabino. Este foi interpretado primeiramente na série por Stuart Margolin e depois por Bruce Solomon.

Art Carney (O Comissário Lanigan e o Rabino David Small (Bruce Solomon)

Art Carney (O Comissário Lanigan e o Rabino David Small (Bruce Solomon)

GEORGE SMILEY. Agente secreto criado por John Le Carré (1931 –   ). Filmes: 1965 – O Espião que Saiu do Frio / The Spy Who Came in from the Cold com Rupert Davies., sendo Smiley um personagem secundário. 1967 – Chamada para um Morto / The Deadly Affair com James Mason, sendo que o personagem passou a se chamar Charles Dobbs. 1979 – Tinker Tailor Soldier Spy, Minissérie com Alec Guiness.

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AKIHA SUZUKI. Agente secreto Japonês criado Jean-Pierre Walrafer (1971-1984) sob o pseudônimo de Jean-Pierre Conti. FIlmes: 1960 – Monsieur Suzuki com Jean Thielment.

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VIRGIL TIBBS. Detetive criado por John Dudley Ball (1911-1988). Filmes: 1967 – No Calor da Noite / In the Heat of the Night. 1970 – Noite Sem Fim / They Call Me Mr. Tibbs. 1971 – A Organização / The Organization, todos com Sidney Poitier.

Sidney Poitier em No Calor da Noite

Sidney Poitier em No Calor da Noite

PHILO VANCE. Detetive particular criado por Willard Huntington Wright (1888-1939) sob o pseudônimo de S. S. Van Dine. Filmes: 1929 – O Drama de uma Noite / The Canary Murder Case. A Casa do Crime / The Greene Murder Case. 1930 – O Bispo Misterioso / The Bishop Murder Case. Corpo de Delito / The Benson Murder Case. 1933 – O Caso de Hilda Lake / The Kennel Murder Case, todos com William Powell. 1934 – O Crime do Dragão / The Dragon Murder Case com Warren William. 1936 – O Mistério do Cassino / The Casino Murder Case com Paul Lukas. 1937 – The Scarab Murder Case com Wilfrid Hyde White. Night of Mystery com Grant Withers. 1939 – A Comédia de um Crime / The Gracie Allen Murder Case com Warren William. 1940 – Três Horas Trágicas / Calling Philo Vance com James Stephenson. 1947 – Philo Vance Returns com William Wright. Philo Vance’s Gamble. Philo Vance’s Secret Mission, ambos com Alan Curtis.

William Powell como Philo Vance

William Powell como Philo Vance

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EUGENE-FRANÇOIS VIDOCQ. Ex-forçado que se tornou policial e depois detetive particular. Inspirou personagens fictícios de vários romancistas (v. g. o Vautrin de Balzac, o Jean Valjean de Victor Hugo). Filmes: 1922 – Vidocq /Vidocq, seriado com René Navarre. 1939 – Vidocq com André Brulé. 1945 – Vidocq / Scandal in Paris com George Sanders. 1947 – Le Cavalier de Croix-Mort com Henri Nassiet. 1967 – Vidocq, Série de TV com Bernard Noël. 1971 – Les Nouvelles Aventures de Vidocq, Série de TV com Claude Brasseur.

 

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George Sanders em Vidocq, Um Escândalo em Paris

George Sanders em Vidocq, Um Escândalo em Paris

Claude Brasseur como Vidocq

Claude Brasseur como Vidocq

M. WENS. Detetive particular Wenceslas Vorobeïtchik criado por Stanislas-André Steeman (1908-1970). Filmes: 1941 – Le Dernier des Six. 1942 – O Assassino Mora no 21 / L’Assassin Habite au 21, ambos com Pierre Fresnay. 1946 – L’Enemi Sans Visage com Frank Villard. 1947 – Les Atouts de M. Wens com Werner Degan. 1949 – Le Furet com Pierre Jourdan. Mystère a Shanghai com Maurice Teynac. 1964 – Que Personne Ne Sorte com Philippe Nicaud.

Suzy Delair e Pierre Fresnay em Le Dernier des Six

Suzy Delair e Pierre Fresnay em Le Dernier des Six

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LORD PETER WIMSEY. Detetive amador criado por Dorothy L. Sayers (1893-1957). Filmes: 1935 – The Silent Passenger com Peter Haddon. 1940 – Lua de Mel, Lua de Fel / The Haunted Honeymoon com Robert Montgomery. 1972 – Clouds of Witness (Minissérie de TV). 1973 – The Umpleasantness at the Bellona Club (Minissérie de TV). 1974 – The None Tailors (Minissérie de TV). 1975 – Five Red Herrings (Minissérie de TV), todos com Ian Carmichael.

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Robert Montgomery e Constance Cummings em Lua de Mel, Lua de Fel.

Robert Montgomery e Constance Cummings em Lua de Mel, Lua de Fel.

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HILDEGARD WITHERS. Detetive amadora criada por Stuart Palmer (1905-1968). Filmes: 1932 – The Penguin Pool Murder. 1934 – Sherlock de Saias / Murder on the Blackboard. 1935 – Crime na Lua-de-Mel / Murder on a Honeymoon, todos com Edna May Oliver. 1936 – O Mistério da Ferradura / Murder on a Bridle Path com Helen Broderick. O Enigma da Pérola / The Plot Thickens. 1937 – À Cena, o Autor / Forty Naughty Girls, ambos com ZaSu Pitts. 1972 – A Very Missing Person, Telefilme com Eve Arden.

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Edna May Oliver e James Gleason em The Penguin Pool Murder

Edna May Oliver e James Gleason em The Penguin Pool Murder

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LONE WOLF. Ladrão cavalheiro criado por Louis-Joseph Vance (1879-1933). Filmes: 1917 – O Lobo Solitário / The Lone Wolf com Bert Lytell. 1924 – O Lobo Solitário / The Lone Wolf com Jack Holt. 1926 – A Volta do Lobo Solitário / The Lone Wolf Returns. 1927 – O Lobo Solitário / Alias the Lone Wolf. 1929 – A Atração do Alheio / The Lone Wolf’s Daughter. 1930 – Lágrimas de Rainha / The Last of the Lone Wolf, todos com Bert Lytell. 1935 – A Volta do Lobo Solitário / The Lone Wolf Returns com Melvyn Douglas. 1938 – As Jóias da Corôa / The Lone Wolf in Paris com Francis Lederer. 1939 – Álibi Nupcial / The Lone Wolf Spy Hunt. 1940 – Pérolas Fatídicas / The Lone Wolf Strikes. Noiva da Fatalidade / The Lone Wolf Meets a Lady. O Lobo entre Lobos / The Lone Wolf Keeps a Date. 1941 – O Lobo se Arrisca / The Lone Wolf Takes a Chance. As Jóias do Imperador / Secrets of the Lone Wolf. 1942 – Dama em Perigo / Counter-Espionage. 1943. Uma Noite Perigosa / One Dangerous Night. Passaporte para Suez / Passport to Suez, todos com Warren William. 1946 – O Roubo da Safira Indiana / The Notorious Lone Wolf. 1947 – O Lobo Solitário em Londres / The Lone Wolf in London. O Lobo Solitário no México / The Lone Wolf in Mexico, todos com Gerald Mohr. Nas Garras do Lobo / The Lone Wolf and His Lady com Ron Randell. 1954 – The Lone Wolf, Série de TV com Louis Hayward.

Warren William como O Lobo Solitário

Warren William como O Lobo Solitário

tiras-lone-wolf-ww-poster

tiras-lone-wolf-gmohr-posterNERO WOLFE. Detetive particular criado por Rex Stout Todhunter sob o pseudônimo de Rex Stout (1886-1975). Filmes: 1936 – A Astúcia de Nero Wolfe / Meet Nero Wolfe com Edward Arnold. 1937 – A Liga dos Ameaçados / The League of Frightened Men com Walter Connoly. 1961 – Zu viele Küche, Série de TV alemã com Heinz Klevenov. 1969 – Nero Wolfe, Série de TV italiana com Tino Buazelli.

 e Edward Arnold em A Astúcia de nero Wolfe

Lionel Stander e Edward Arnold em A Astúcia de Nero Wolfe

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Tino Buazelli como Nero Wolfe

Tino Buazelli como Nero Wolfe

MR.WONG. Detetive chino-americano James Lee Wong criado por Hugh B. Wiley (1884-1968). Filmes: 1938 – Mr. Wong Detetive / Mr. Wong Detective. 1939 – O Misterioso Mr. Wong / The Mystery of Mr. Wong. Mr. Wong no Bairro Chinês / Mr. Wong in Chinatown. 1940 – Noite de Terror / Fatal Hour. Condenado à Morte / Doomed to Die, todos com Boris Karloff. 1941 – Phantom of Chinatown com Keye Luke.

Boris Karloff como Mr. Wong

Boris Karloff como Mr. Wong

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ZIGOMAR. Gênio do crime criado por Léon Sazie (1862-1939). Filmes: 1911 – Zigomar ou Zigomar contra Paulino Broquet (o nome do personagem no original era o chefe de polícia Paulin Broquet)/ Zigomar. 1912 – Zigomar contra Nick Carter ou Nick Carter contra Zigomar / Zigomar contre Nick Carter. 1913 – Zigomar, pele de enguia / Zigomar, peau d ‘anguille, todos com Alexandre Arquillìere.

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GRANDES PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – II

December 9, 2016

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MONSIEUR LECOQ. Detetive criado por Émile Gaboriau (1832-1873). 1914 – Monsieur Lecoq com Harry Baur. 1915 L’ Affaire d ‘Orcival com Henri Roussel. The Family Stain com Frank Evans. Monsieur Lecoq com William Morris. 1933 – File 113 com Lew Cody. 1962 – L’Epingle du Jeu (ep. da Série de TV Les Cinq Dernières Minutes) com Roger Dumas. 1971 Nina Gypsy com Henri Lambert. 1975 – Monsieur Lecoq (ep. da Série de TV Les Grands Detectives) com Gilles Ségal.

Karen Morley, John Barrymore e Lionel Barrymore em Arsène Lupin

Karen Morley, John Barrymore e Lionel Barrymore em Arsène Lupin

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Jules Berry em Arsène Lupin, Detective

Jules Berry em Arsène Lupin, Detective

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Robert Lamoureux em Signé Arsène Lupin

Robert Lamoureux em Signé Arsène Lupin

Georges Descrières como Arsène Lupin na Série de TV

Georges Descrières como Arsène Lupin na Série de TV

ARSÈNE LUPIN – Ladrão cavalheiro criado por Maurice Leblanc (1864-1941). Filmes: 1908 – The Gentleman Burglar. 1909 – Arsène Lupin e 1914 – Arsène Lupin contre Ganimard, ambos com Georges Tréville. 1910 – Den blaa Diamant (Arsène Lupin contra Sherlock Holmes), Série alemã com Paul Otto e Viggo Larsen.- 1916 – Arsene Lupin com Gerald Ames. 1917 – Arsene Lupin com Earle Williams. 1919 – Dentes de Tigre ou Os Dentes do Tigre / The Teeth of the Tiger com David Powell. 1920 – 813 ou Arsenio Lupin / 813 com Wedgwood Nowell. 1921 – Arsène Lupin, Utolso Kalandja, Série húngara com Gustav Partos. 1932 – Arsène Lupin / Arsène Lupin com John Barrymore. 1937- Arsène Lupin Détective com Jules Berry. 1938 – A Volta de Arsène Lupin / Arsène Lupin Returns com Melvyn Douglas. 1944 – Arsène Lupin / Enter Arsene Lupin com Charles Korvin. 1947 – Arsenio Lupin com Ramon Pereda. 1956 – As Aventuras de Arsène Lupin / Les Aventures d’Arsène Lupin e 1959 – Signé Arsène Lupin, ambos com Robert Lamoureux. 1971 – Arsène Lupin, Série de TV com Georges Descrières.

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Cena de Dr. Mabuse, o Jogador

Cena de Dr. Mabuse, o Jogador

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vavaMABUSE. Gênio do crime criado por Norbert Jacques (1880-1954). Filmes: 1922 – Dr. Mabuse, o Jogador / Dr. Mabuse, der Spieler. 1933 – O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabus, ambos com Rudolf Klein-Rogge. 1960 – Os 1000 Olhos do Dr. Babuse / Die Tausend Augen des Dr. Mabuse. 1961 – Nas Garras do Dr. Mabuse / Im Stahinetz des Dr. Mabuse. 1962 – O Invisível Dr. Mabuse / Die unsichtbaren Krallen des Dr. Mabuse. O Testamento do Dr. Mabuse / Das Testament des Dr. Mabuse. 1963 -Scotland Yard jagt Dr. Mabuse. 1965 – Die Todesstrahlen des Dr. Mabuse, todos com Wolfgang Preiss. 1970 – La Venganza del Dr. Dr. Mabuse com Jack Taylor.

Pierre Renoir em La Nuit du Carrefour

Pierre Renoir em La Nuit du Carrefour

Harry Baur como Maigret

Harry Baur como Maigret

Charles Laughton como Maigret

Charles Laughton como Maigret

Gino Cervi como Maigret

Gino Cervi como Maigret

Georges Simenon e Jean Gabin

Georges Simenon e Jean Gabin

JULES MAIGRET. Comissário de polícia criado por Georges Simenon (1903-1989). Filmes: 1932 – La Nuit du Carrefour com Pierre Renoir. Le Chien Jaune com Abel Tarride. 1933 – La Tête d’un Homme com Harry Baur. 1944 – Cécile est Morte. 1945 – Les Caves du Majestic, ambos com Albert Préjean. 1949 – Fugitivo da Guilhotina / The Man on The Eiffel Tower com Charles Laughton. 1956 – Maigret dirige l’enquête com Maurice Manson. 1958 – Assassino de Mulheres / Maigret tend un piège. 1959 – O Castelo do Mêdo / Maigret et l’affaire Saint Fiacre, ambos com Jean Gabin. Maigret, Série de TV britânica com Rupert Davies. 1960 – Liberty Bar, telefime com Louis Arbessier.1963 – Inspetor Maigret Acerta / Maigret Voit Rouge com Jean Gabin. 1964 – Le Inchiesta del Comissario Maigret. Série de TV com Gino Cervi. Afera Saint Fiacre, telefime iugoslavo com Ljuba Tadic. Maigret. Série de TV belga com Jan Teulings. Maigret: De kruideniers, filme holandês com Kees Brusse. 1965 – Maigret, and the Lost Life (BBC Sunday Night Theatre) com Basil Sidney. Maigret at Bay (BBC Play of the Month) com Rupert Davies. 1966 – Maigret em Pigalle / Maigret a Pigalle com Gino Cervi. Maigret und sein grosster com Heinz Rühman. 1967 – Les Enquêtes du Commissaire Maigret. Série de TV com Jean Richard. 1974 – Megre I staraya dama. Filme russo com Boris Tenin.

Pat O'Brien, George Murphy e Carole Landis em Um Crime Maravilhoso

Pat O’Brien, George Murphy e Carole Landis em Um Crime Maravilhoso

Brian Donlevy em Deusa do Mal

Brian Donlevy em Deusa do Mal

James Whitmore e Marjorie Main em Trem de Surpresas

James Whitmore e Marjorie Main em Trem de Surpresas

JOHN J. MALONE. Advogado detective criado por Georgiana Ann Randolph Craig (1908-1957) sob o pseudônimo de Craig Rice. Filmes: 1945 – Um Crime Maravilhoso / Having a Wonderful Crime com Pat O’Brien. 1949 – Deusa do Mal / The Lucky Stiff com Brian Donlevy. 1950 – Trem de Surpresas / Mrs. O’ Malley and Mr. Malone com James Whitmore. 1951 – The Amazing Mr. Malone, telefilme com Gene Raymond. 1951 – The Amazing Mr. Malone, Série de TV com Lee Tracy.

Warner Oland como Fu Manchu

Warner Oland como Fu Manchu

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Boris Karloff em A Máscara de Fu Manchu

Boris Karloff em A Máscara de Fu Manchu

Henry Brandon no seriado Os Tambores de Fu Manchu

Henry Brandon no seriado Os Tambores de Fu Manchu

Christopher Lee como Fu Manchu

Christopher Lee como Fu Manchu

FU MANCHU / SIR NEYLAND SMITH. Super vilão chinês e inspetor da Scotland Yard criados por Arthur Henry Sarsfield Ward (1883-1959) sob o pseudônimo de Sax Rohmer. Filmes: 1923 – The Mysteries of Dr. Fu Manchu, Série com H. Agar Lyons e Fred Paul. 1929 – O Misterioso Dr. Fu Manchu / The Mysterious Dr. Fu Manchu e 1930 – O Ressucitado ou A Volta de Fu Manchu / The Return of Fu Manchu, ambos com Warner Oland e O. P. Heggie. 1932 – A Máscara de Fu Manchu / The Mask of Fu Manchu com Boris Karloff e Lewis Stone. 1940 – Os Tambores de Fu Manchu / Drums of Fu Manchu, seriado com Henry Brandon e William Royle. 1956 – The Adventures of Dr. Fu Manchu, Série de TV com Glenn Gordon e Lester Matthews. 1965 – A Face de Fu Manchu / The Face of Fu Manch, com Christopher Lee e Nigel Green. 1966 – As 13 Noivas de Fu Manchu / The Brides of Fu Manchu e 1967 – A Filha Diabólica de Fu Manchu / The Vengeance of Fu Manchu, ambos com Christopher Lee e Douglas Wilmer. 1968 – The Blood of Fu Manchu. 1969 e The Castle of Fu Manchu, ambos com Christopher Lee e Richard Greene.

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À Beira do Abismo

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À Beira do Abismo

Dick Powell e Claire Trevor em Até a Vista, Querida

Dick Powell e Claire Trevor em Até a Vista, Querida

George Montgomery e Nancy Guild em A Moeda Trágica

George Montgomery e Nancy Guild em A Moeda Trágica

Robert Montgomery em A Dama do Lago

Robert Montgomery em A Dama do Lago

James Garner em Detetive Marlowe em Ação

James Garner em Detetive Marlowe em Ação

Elliott Gould em Um Perigoso Adeus

Elliott Gould e Nina Van Pallandt em Um Perigoso Adeus

Robert Mitchum e Charlotte Rampling em O Último dos Valentões

Robert Mitchum e Charlotte Rampling em O Último dos Valentões

PHILIP MARLOWE. Detetive particular criado por Raymond (Thorton) Chandler (1888-1959). Filmes: 1945 – Até a Vista, Querida / Murder my Sweet com Dick Powell. 1946 – À Beira do Abismo / The Big Sleep com Humphrey Bogart. A Dama do Lago / Lady in the Lake com Robert Montgomery. 1947 – A Moeda Trágica / The Brasher Doubloon com George Montgomery. 1969 – Detetive Marlowe em Ação / Marlowe com James Garner. 1973 – Um Perigoso Adeus / The Long Goodbye com Elliott Gould. 1975 – O Último dos Valentões / Farewell My Lovely. 1978 – A Arte de Matar / The Big Sleep.

Margaret Rutherford, Miss Marple

Margaret Rutherford, Miss Marple

MISS JANE MARPLE. Detetive particular do sexo feminino criado por Agatha Christie (1890-1976). Filmes: 1961 – Quem Viu, Quem Matou / Murder, She Said. 1963 – Sherlock de Saias / Murder at the Gallop. 1964 – Crime sobre Crime / Must Most Foul. 1969 – Crime a Bordo / Murder Ahoy, todos com Margaret Rutherford.

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Raymond Burr e Barbara Hale na Série de TV Perry Mason

Raymond Burr e Barbara Hale na Série de TV Perry Mason

PERRY MASON. Advogado-detetive criado por Erle Stanley Gardner (1889-1970). 1934 – O Caso do Cão Uivador / The Case of the Howling Dog. 1935 – A Noiva Curiosa / The Case of the Curious Bride. O Caso das Pernas Bonitas / The Case of the Lucky Legs. 1936 – Garras de Veludo / The Case of the Velvet Claws, todos com Warren William. O Mistério do Gato Preto / The Case of the Black Cat com Ricardo Cortez. 1937 – O Mistério da Doca / The Case of the Stuttering Bishop com Donald Woods. 1957 – Perry Mason, Série de TV com Raymond Burr 1957. 1973 The New Perry Mason, Série de TV com com Monte Markham.

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Paul Meurisse como Comandante Théobald Dromard, Le Monocle Noir

Paul Meurisse como Comandante Théobald Dromard, Le Monocle Noir

LE MONOCLE NOIR. Agente secreto Comandante Théobald Dromard, criado por Gilbert-Léon Renault (1904-1984) sob o pseudônimo de Rémy. 1961 – Le Monocle Noir. 1962 – Monocle, O Agente Secreto / L’Oeil du Monocle. 1964 – Le Monocle rit jaune, todos com Paul Meurisse.

Peter Lorre como Mr. Moto

Peter Lorre como Mr. Moto

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MOTO. Detetive japonês criado por John P. (Phillips) Marquand (1893-1960). Filmes: 1937 – O Misterioso Mr. Moto / Think Fast, Mr. Moto. Obrigado, Mr. Moto / Thank You, Mr. Moto. 1938 – O Palpite de Mr. Moto / Mr. Moto’s Gamble. Mr. Moto se Aventura / Mr. Moto Takes a Chance. 1939 – A Fuga de Mr. Moto / Mysterious Mr. Moto. Mr. Moto Chega a Tempo / Mr. Moto’s Last Warning. Mr. Moto na Ilha do Terror / Mr. Moto in Danger Island. Mr. Moto em Férias / Mr. Moto Takes a Vacation, todos com Peter Lorre. 1965 – The Return of Mr. Moto com Henry Silva.

Aline MacMahon em Enquanto o Doente Dormia

Aline MacMahon em Enquanto o Doente Dormia

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Ann Sheridan em A Dama do Quarto Número 18

Ann Sheridan em A Dama do Quarto
Número 18

NURSE KEATE. Enfermeira detetive amadora Sarah Keate (às vêzes chamada de Sally Keating) criada por Mignon G. (Good) Eberhart (1899-1996). Filmes: 1935 – Enquanto o Doente Dormia / While The Patient Slept com Aline MacMahon. 1936 – A Morte do Dr. Harrigan / The Murder of Dr. Harrigan com Kay Linaker. Murder by an Aristocrat com Marguerite Churchil. 1938 – A Dama do Quarto Número 18 / Patient in Room 18. A Chave do Mistério / Mystery House, ambos com Ann Sheridan.

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Ivan Desny como OSS 117

Ivan Desny como OSS 117

OSS 117. Agente secreto Hubert Bonisseur de La Bath criado por Jean Brochet (1921-1963) sob o pseudônimo de Jean Bruce. Filmes: 1956 – OSS 117 n’est pas mort com Ivan Desny. 1962 – O Agente OSS 117 / Furia à Bahia pour OSS 117 com Fredrick Stafford. 1963 – Pânico em Bangkok / Banco à Bangkok pour OSS 117. OSS 117 / OSS 117 se déchaine, ambos com Kerwin Mathews. 1966 – Código 117, Sabotagem Atômica / Atout coeur à Tokyo com Fredrick Stafford. 1968 – Assassinos de Aluguel / Niente rose per OSS 117 com John Gavin. 1970 – Verão de Fogo / OSS 117 prend des vacances com Luc Merenda.

Michael Caine em Arquivo Confidencial

Michael Caine em Arquivo Confidencial

HENRY PALMER (Harry Palmer no cinema). Agente secreto criado por Leonard Cyril Deighton sob o pseudônimo de Len Deighton (1929 –  ). Filmes: 1965 – Ipcress: Arquivo Confidencial / The Ipcress File. 1966 – Funeral em Berlim / Funeral in Berlin. 1967 – O Cérebro de um Bilhão de Dólares / Billion Dollar Brain, todos com Michael Caine.

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PALMUN. Comissário finlandês Frans J. Palmu criado por Mika Waltari (1908-1979). Filmes: 1960 – Komisario Palmun Erehdys. 1961 – Kaasua Komisario Palmun! 1962 – Tähdet kertovak, Komisario Palmun, todos com Joel Rinne.

Albert Finney como Poirot

Albert Finney como Poirot

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HERCULE POIROT. Detetive criado por Agatha Christie. 1965 – Os crimes do Alfabeto / The Alphabeet Murders com Tony Randall. 1962 – Hercule Poirot, ep. da Série de TV General Electric Theater com Martin Gabel. 1974 – Assassinato no  Orient Express / Murder on the Orient Express com Albert Finney.

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CONTINENTAL EXPRESS (aka THE SILENT BATTLE), John Loder, Valerie Hobson, Rex Harrison, 1939

CONTINENTAL EXPRESS (aka THE SILENT BATTLE), John Loder, Valerie Hobson, Rex Harrison.

LE POISSON CHINOIS. Agente secreto Capitão Jacques Sauvin criado por Jean Bommart (1894-1979). Filmes: 1937 – A Batalha em Segredo / La Bataille Silencieuse com Michel Simon. 1939 – The Silent Battle  ou The Continental Express com Rex Harrison.

 

PERSONAGENS DO ROMANCE POLICIAL NO CINEMA E NA TV – I

November 25, 2016

O romance policial nasceu com Edgar Allan Poe, embora alguns historiadores do gênero apontem o Édipo de Sófocles e o Zadig de Voltaire. O Auguste Dupin de Poe ensejou o nascimento do M. Lecoq de Émile Gaboriau que, por sua vez, inspirou o Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle. Oriundo do folhetim, o gênio do crime, no estilo de Rocambole e depois de Fantômas ou Fu Manchu, cedeu lugar para o ladrão cavalheiro personificado por Raffles e Arsène Lupin, e continuado pelo Lobo Solitário ou pelo Santo. Nos anos trinta, surgiu o detetive amador dândi como Lord Peter, o filho de um comissário de polícia como Ellery Queen, um advogado como Perry Mason, um jornalista como Rouletabille, um cultivador de orquídeas como Nero Wolf, um detetive chinês como Charlie Chan ou de descendência eslava como M. Wens. O Hercule Poirot de Agatha Christie levou ao apogeu o tipo de romance baseado em um enigma e S. S. Van Dine, autor de Philo Vance, estabeleceu as regras do gênero, que Georges Simenon desrespeitou, criando Maigret, comissário de polícia profundamente humano. No decorrer desses mesmos anos trinta desenvolveu-se nos Estados Unidos, notadamente nos pulp magazines como a revista Black Mask, um novo estilo, o hard boiled, cujos representantes mais famosos foram o detetive Sam Spade de Dashiell Hammett, o Philip Marlowe de Raymond Chandler, e depois o Mike Hammer de Mickey Spillane. Surgiram ainda os agentes secretos como Mr. Moto, Bulldog Drummond e o James Bond de Ian Fleming bem como inúmeros outros personagens da literatura policial, cujas filmografias procuro organizar em ordem alfabética, mas só até 1975, excluindo aqueles oriundos dos programas de rádio, dos quadrinhos ou diretamente do cinema os quais poderão ser encontrados no meu artigo de 26 de novembro de 2010: As Grandes Séries Policiais Americanas dos Anos 30 / 40.

                                                                                        FILMOGRAFIAS

LEW ARCHER. Detetive particular criado por Kenneth Millar (1915-1983) sob o pseudônimo de Ross MacDonald. Filmes: 1966 – Caçador de Aventuras / Harper. 1975 – A Piscina Mortal / The Drowning Pool, ambos com Paul Newman com o nome de Lew Harper.

Paul Newman como Lew Harper

Paul Newman como Lew Harper

 MARTIN BECK. Inspetor de polícia sueco criado por Per Wahlöö (1935 – ) e Maj Sjöwall (1926-1975). Filmes: 1973 – Matança em San Francisco / The Laughing Policeman com Walter Matthau (com o nome de Jake Martin). 1976 – Mannen Pa Taket com Carl-Gustaf Lindstadt.

Walter Matthau em The Laughing Policeman

Walter Matthau em The Laughing Policeman

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Carl- em Mannen pa tapete

Carl-Gustaf LIndstadt em Mannen pa taket

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FRÉDÉRICK BELOT. Inspector de polícia criado por Eugène Avtzin (1901- 1992) sob o pseudônimo de Claude Aveline. Filmes: 1964 – L’Abonné de la ligne U, Série de TV com Jacques Dacqmine.

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BOSTON BLACKIE. Ex-ladrão que se tornou detetive criado por Jack Boyle (1881-1928). Filmes: 1918 – A Centelha do Bem / Boston Blackie’s Little Pal com Bert Lytell. 1919 – Minha Adoração / The Poppy Girl’s Husband com Walter Long. Ladrão de Luva de Pelica / The Silk Lined Burglar com Sam De Grasse. Redenção / Blackie’s Redemption com Bert Lytell. 1922 Digna do Meu Amor / Missing Millions com David Powell. Volúpia e Ouro / The Face in the Fog com Lionel Barrymore. 1923 – O Suplício da Água /Boston Blackie com William Russell. 1923 – Caminho Tortuoso / Crooked Alley com Thomas Carrigan. 1924 – Os Três Apaches / Through the Dark com Forrest Stanley. 1927 – A Vitória do Bem / The Return of Boston Blackie com Bob Custer sob o nome de Raymond Glenn. 1941 – Rastro nas Trevas / Meet Boston Blackie. O Segrêdo da Estátua / Confessions of Boston Blackie. 1942 – Vingança Frustrada / Alias Boston Blackie. Aventura em Hollywood / Boston Blackie Goes Hollywood. 1943 – Aventura à Meia-Noite / After Midnight With Boston Blackie. Sendas Tortuosas / The Chance of a Lifetime. 1944 – O Caso do Diamante Azul / One Mysterious Night. 1945 – Suspeita Injusta / Boston Blackie Booked on Suspicion. 1945 – A Chantagista / A Close Call for Boston Blackie. O Segredo de Ann Duncan / The Phantom Thief. Noite de Surpresas / Boston Blackie’s Rendezvous. 1946 – Mágico Amador / Boston Blackie and the Law. 1948 – O Triunfo de Boston Blackie / Trapped by Boston Blackie. 1949 – Boston Blackie no Bairro Chinês. Boston Blackie’s Chinese Venture, todos com Chester Morris. 1951 – Boston Blackie. Série de TV com Kent Taylor.

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Chester Morris como Boston Blackie

Chester Morris como Boston Blackie

SEXTON BLAKE. Detetive criado por Harry Blyth (1852-1898) sob o pseudônimo de Hal Meredith. Filmes: 1909 – Sexton Blake. Sexton Blake versus Baron Kettler. Britain’s Secret Treaty, todos com Charles Douglas Carlyle. 1914 – The Mystery of the Diamond Belt, com Philip Kay. 1915 – The Thornton Jewel Mystery. The Great Cheque Fraud. The Counterfeiters. The Stolen Heirloom. todos com Harry Lorraine. 1920 – The Further Exploits of Sexton Blake: The Mystery of the S.S. Olympic e 1922 – Doddington Diamonds, ambos com Douglas Payne. 1928 – The Clue of the Second Goblet. Blake the Lawbreaker. Sexton Blake Gambler. Silken Threads. The Great Office Mystery. The Mystery of the Silent Death, todos com Langhorne Burton. 1935 – Sexton Blake and the Bearded Doctor. Sexton Blake and the Mademoiselle. 1938 – Sexton Blake and the Hooded Terror, todos com G. Curzon. 1944 – Meet Sexton Blake e 1945 – The Echo Murders, ambos com D. Farrar. 1959 – Murder at the Site Three, com Geoffrey Toone. 1967-1971 – Série de TV com Lawrence Payne.

George Curzon como Sexton Blake

George Curzon como Sexton Blake

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JAMES BOND. Agente secreto criado por Ian Fleming (1908-1964). Filmes: com Sean Connery: 1962 – O Satânico Dr. No / Dr. No. 1963 – Moscou Contra 0007 / From Russia with Love. 1964 – 007 Contra Goldfinger / Goldfinger. 1965 – 007 Contra a Chantagem Atômica / Thunderball. 1966 – Com 007 Só Se Vive Duas Vêzes / You Only Live Twice. 1971 – 007 – Os Diamantes São Eternos / Diamonds are Forever. 1983 – 007 – Nunca Mais Outra Vez / Never Say Never Again; com Roger Moore: 1973 – Com 007 Viva e Deixe Viver / Live and Let Die. 1974 – 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro / The Man with the Golden Arm.

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detetives-conneryNESTOR BURMA – Detetive criado por Léo Malet (1909-1996). Filmes: 1945 – 120 Rue de la Gare, com René Dary. 1954 – La Nuit d’Austerlitz, telefilme com Daniel Soriano.

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 SLIM CALLAGHAN. Detetive particular criado por Reginald Evelyn Peter Southouse Cheyney (1896-1951) sob o pseudônimo de Peter Cheyney. 1948 – Uneasy Terms com Michael Rennie. 1952 – Meet Mr. Callaghan, telefilme britânico com Terence de Marney. 1954 – Meet Mr. Callaghan com Derrick de Marney. 1955 – A Toi de jouer Callaghan. Plus de Whisky pour Callaghan. 1961 – Callaghan remet ça, todos com Tony Wright.

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STEVE CARELLA. Detetive criado por Salvatore A. Lombino (1926-2005) sob o pseudônimo de Ed McBain e/ ou Evan Hunter. FILMES: 1958 – Cercados pela Polícia / Cop Hater. 1961 – 87th Precinct, Série de TV com Robert Lansing. 1970 – Aliados contra o Crime / Fuzz com Burt Reynolds. 1971 – Sem Motivo Aparente / Sans Mobile Apparent com Jean Louis Tritignant (com o nome de Stéphane Carelli). 1978 – Laços de Sangue / Les Liens de Sang com Donald Sutherland.

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Walter Pidgeon como Nick Carter

Walter Pidgeon como Nick Carter

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NICK CARTER. Detetive criado por John Russel Coryell (1848 – 1924). Filmes: 1908 – Série Nick Carter com Pierre Bressol (Nick Carter / Nick Carter, Le Roi des Detectives / 1908 e Novos Expedientes ou Novas Façanhas de Nick Carter / Les Nouveaux Exploits de Nick Carter / 1909). 1920 – Série Nick Carter com Thomas Carrigan. 1922 – Série Nick Carter com Edmund Lowe. 1939 – Nick Carter, Super-Detetive / Nick Carter, Master Detective. 1940 – Nick Carter nos Trópicos / Phantom Raiders e Nick Carter nas Nuvens /Sky Murder, todos com Walter Pidgeon. 1963 – Nick Carter va tout casser e 1965 – Carter et le trèfle rouge, ambos com Eddie Constantine. Por curiosidade, lembro a série Nick Winter de filmes “cômicos policiais” parodiando Nick Carter, exibida com sucesso no Brasil.

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Eddie Constantine e Anna Karina em Alphaville

Eddie Constantine e Anna Karina em Alphaville

LEMMY CAUTION. Agente do FBI criado por Reginald Evelyn Peter Southouse Cheyney (1896-1951) sob o pseudônimo de Peter Cheyney. 1953 – Brotinho Venenoso / La Môme Vert-de-Gris. Cet Homme est Dangereux, ambos com Eddie Constantine. 1954 – Les Femmes s’en balancent com Eddie Constantine. 1955 – Vous pigez? 1960 – Ça va être ta fête. Comment qu’elle est. 1962 – Um Crime na Riviera / Lemmy pour les dames. 1963 – À Toi de faire mignonne, 1965 – Alphaville / Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, todos com Eddie Constantine.

CHARLIE CHAN. Detetive de origem chinêsa criado por Earl Derr Bigger (1884 -1933). Filmes: Charlie Chan será objeto de um artigo especial.

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CHANTECOQ. Detetive criado por Arthur Bernède (1871-1937). Filmes: 1926 – O Fantasma do Louvre / Belphégor con René NavarreL 1965 – Belphégor, Minissérie de TV com René Dary (mas o nome do personagem foi mudado para Comissário Ménardier).

Myrna Loy e William Powell como Nora e Nick Charles

Myrna Loy e William Powell como Nora e Nick Charles

detetives-nick-and-nora-posterNICK e NORA CHARLES. Dupla de detetives amadores criados por Dashiell Hammett (1894-1961). Filmes: 1934 – A Ceia dos Acusados / The Thin Man. 1936 – A Comédia dos Acusados / After the Thin Man. 1939 – O Hotel dos Acusados / Another Thin. 1941 – A Sombra dos Acusados / Shadow of the Thin Man. 1944 – The Thin Man Goes Home / O Regresso Daquele Homem. 1947 – A Canção dos Acusados / Song of the Thin Man, todos com William Powell e Myrna Loy. 1957 – Série de TV com Peter Lawford e Phyllis Kirk.

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COCKRILL. Inspetor de polícia criado por Mary Christianna Lewis (1907-1988) sob o pseudônimo de Christianna Brand. Filmes: 1947 – Verde Passional / Green for Danger com Alastair Sim.

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Cena de Big Circus Queen

Cena de Big Circus Queen

THATCHER COLT. Comissário de polícia criado por Charles Foulton Oursler (1893-1952) sob o pseudônimo de Anthony Abbott. Filmes: 1932 – A Dama do Cabaré / Night Club Lady. 1933 – The Circus Queen Murder, ambos com Adolphe Menjou.

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COPLAN – Agente secreto Francis Coplan criado por Jean Libert (1913-1981) e Gaston Van den Panhuyse (1913-1981) sob o pseudônimo de Paul Kenny. Filmes: 1957 – Mulheres e Espiões / Action Immédiate com Henri Vidal. 1964 – Coplan prend des risques com Dominique Paturel. O Agente Secreto FX-18 Ataca / Coplan Agent Secret F. X.18 com Ken Clark. 1965 – 0777-Missão Summergame / Coplan F.X.18 casse tout com Richard Wyler. 1966 – O777 ataca no México / Coplan ouvre le feu à Mexico com Lang Jeffries. 1968 – O Assassino tem as horas Contadas / Coplan sauve sa peau com Claudio Brook.

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JERRY COTTON. Agente do FBI criado por Hans Werner Hoeber (1931-1996)   Filmes: 1965 – Jerry Cotton, o Agente Secreto / Schüsse aus dem Geigenkasten. Mordnacht in Manhattan. 1966 – Die Rechnung – eiskalt serviert. Um Null Uhr schnappt di falle zu. 1967 – Der Mörderclub von Brooklyn. 1968 – Der Tod im Toten Jaguar. Dynamit in grüner Seide. 1969 – Todesschüsse am Broadway, todos com George Nader.

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BILL CRANE. Detetive criado por Jonathan Latimer (1906-1983). Filmes: 1937 – Aventura Cavalheiresca / The Lady in the Morgue. 1938 – O Caso Westland / The Westland Case e O Último Aviso / The Last Warning, todos com Preston Foster e fazendo parte da Crime Club series.

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NANCY DREW. Detetive amadora juvenil criada pelo editor Edward Stratemeyer, sendo que os livros foram escritos por vários ghost writers e publicados sob o pseudônimo coletivo Carolyn Keene. Filmes: 1938 – Nancy Drew, a Detetive. 1939 – Nancy Drew, a Reporter / Nancy Drew Reporter. Nancy Drew Desvenda um Crime / Nancy Drew Troubleshooter. Nancy Drew e a Escada Secreta / Nancy Drew and the Hidden Staircase, todos com Bonita Granville. 1977 – The Hardy Boys / Nancy Drew Mysteries. Série de TV com Pamela Sue Martin e depois Janet Louise Johnson.

Ronald Colman como Bulldog Drummond

Ronald Colman como Bulldog Drummond

Ray Milland como Bulldog Drummond

Ray Milland como Bulldog Drummond

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BULLDOG DRUMMOND. Agente secreto Capitão Hugh Drummond, criado por Herman Cyril McNeile (1888-1937) sob o pseudônimo de Sapper. Filmes: 1923 – Bulldog Drummond com Carlyle Blackwell. 1925 – Bulldog’s Drummond Third Round com Jack Buchanan. 1929 – Amante de Emoções / Bulldog Drummond com Ronald Colman. 1930 – Temple Tower com Kenneth MacKenna. 1934 – The Return of Bulldog Drummond com Ralph Richardson. 1937 – A Volta de Bulldog Drummond / Bullddog Drummond Strikes Back com Ronald Colman. 1937 – Evasão de Bulldog Drummond / Bulldog Drummond Escapes com Ray Milland. Bulldog Drummond Reaparece / Bulldog Drummond Comes Back. A Vingança de Bulldog Drummond / Bulldog’s Drummond Revenge. 1938 – Bulldog Drummond em Perigo / Bulldog’s Drummond Peril. Bulldog Drummond na África / Bulldog Drummond in Africa. Rende-te Drummond! / Arrest Bulldog Drummond. 1939 – O Tesouro de Bulldog Drummond / Bulldog’s Secret Police. O Casamento de Bulldog Drummond / Bulldog’s Drummond Bride, todos com John Howard. 1947 – Bulldog Drummond Detetive / Bulldog Drummond at Bay. Bulldog Drummond Ataca / Bulldog Drummond Strikes Back, ambos com Ron Randell. 1948 – O Desafio / The Challenge. 13 Soldadinhos de Chumbo / 13 Lead Soldiers, ambos com Tom Conway. 1951 – Londres a Meia-Noite / Calling Bulldog Drummond com Walter Pidgeon. 1952 – Bulldog Drummond com Robert Beatty. 1967 – Bonecas que Matam / Deadlier Than the Male. 1969 – Some Girls Do, ambos com Richard Johnson.

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PETER e IRIS DULUTH. Detetives amadores criados por Richard Wilson Webb (1902-1965) sob o pseudônimo de Patrick Quentin. Filmes: 1948 – Crime Perfeito / Homicide for Three com Warren Douglas e Audrey Lang. 1954 – A Viúva Negra / The Black Widow com Van Heflin e Gene Tierney (com os nomes de Peter e iris Denver).

Cena de Os Assassinatos da Rua Morgue

Cena de Os Assassinatos da Rua Morgue

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AUGUSTE DUPIN – Detetive criado por Edgar Allan Poe (1809-1849). Filmes: Os Assassinatos da Rua Morgue / Murders in the Rue Morgue, com Leon Ames com o nome de Pierre Dupin. 1942 – O Mistério de Marie Roget / The Mystery of Marie Roget com Patrick Knowles. 1954 – O Fantasma da Rua Morgue / Phantom of the Rue Morgue, com Steve Forrest. 1973 – Le Double Assassinat de la Rue Morgue com Daniel Gélin.

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Tom Conway e George Sanders

Tom Conway e George Sanders

ave-falcon-bestTHE FALCON. Detetive particular Gay Laurence criado por Dirkan Koyoumdjian (1895-1956) sob o pseudônimo de Michael Arlen. Filmes: 1941 – O Falcão Alegre / The Gay Falcon. Um Encontro com o Falcão / A Date With the Falcon. 1942 – Nas Garras do Falcão / The Falcon Takes Over, todos com George Sanders. O Irmão do Falcão / The Falcon’s Brother. 1943 – O Falcão Contra-Ataca / The Falcon Strikes Back. O Falcão em Perigo / The Falcon in Danger. O Falcão e as Estudantes / The Falcon and the Co-Eds. 1944 – O Anel da Morte / The Falcon Goes West. O Mistério do Morto / The Falcon in Mexico. O Falcão em Hollywood/ The Falcon in Hollywood. 1945 – O Falcão em San Francisco. 1946 – O Álibi do Falcão / The Falcon’s Alibi. A Aventura do Falcão / The Falcon’s Adventure, todos com Tom Conway. 1948 – Carga Sinistra / The Devil’s Cargo. Encontro com a Morte / Appointment With Murder. 1949 – Search for Danger, ambos com John Calvert. 1954 – Adventures of the Falcon, Série de TV com Charles McGraw.

Fantomas / 1913-14

Fantomas / 1913-14

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Jean Marais como Fantomas

Jean Marais como Fantomas

FANTÔMAS / JUVE – Gênio do crime e comissário do polícia criados por Pierre Souvestre (1874-1914) e Marcel Allain (1885-1969). 1913-1914 – Fantomas / Fantômas, seriado com René Navarre e Edmond Bréon. 1920 – Fantomas / Fantomas, seriado com Edward Roseman e 1932 – Fantômas, com Jean Galland e Thomy Bourdelle. 1945 – Fantomas / Fantômas com Marcel Herrand e Alexandre Rignault. 1949 – Fantômas Contre Fantômas com Maurice Teynac e Alexandre Rignault. 1964 – Fantomas / Fantômas. 1965 – A Volta de Fantomas / Fantômas se Dechaine. 1967 – Fantomas contra a Scotland Yard / Fantômas contre Scotland Yard, todos com Jean Marais e Louis des Funès.

Hugh Sinclair, Francis L. Sullivan, griffith jones, frank lawton em the Four Just Men

Hugh Sinclair, Francis L. Sullivan, Griffith Jones, Frank Lawton em the Four Just Men

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Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins e Vittorio de Sica em The Four Just Men (Série de TV)

Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins e Vittorio de Sica em The Four Just Men (Série de TV)

THE FOUR JUST MEN. Quatro justiceiros (Jeff Ryder, Tim Collier, Ben Manfred, Ricco Poccari) criados por Edgar Wallace (1875 – 1932). Filmes: 1921 – The Four Just Men com Cecil Humphreys, Teddy Arundell, C. H. Croker-King, Owen Roughwood. 1939 – The Four Just Men com Hugh Sinclair, Griffith Jones, Francis L. Sullivan, Frank Lawton. 1959 – The Four Just Men. Série de TV com Richard Conte, Dan Dailey, Jack Hawkins, Vittorio de Sica.

Jack Hawkins como Inspetor Gideon

Jack Hawkins como Inspetor Gideon

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GEORGE GIDEON – Inspetor da Scotland Yard criado por John Creasey (1908-1973)   sob o pseudônimo de J. J. Marric. Filmes: 1958 – Um Crime por Dia / Gideon’s Day. 1964. 1966 – Gideon’s Way, Série de TV com John Gregson.

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LE GORILLE (Géo Paquet). Agente secreto criado por Dominique Ponchardier (1917-1986), sob o pseudônimo de Antoine L. Dominique. Filmes: 1957 – Gorila Le Gorille Vous Salue Bien com Lino Ventura. 1959 – Ninho de Espiões / La Valse du Gorille. 1962 e Le Gorille a Mordu L’Archevêque, com Roger Hanin.

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MIKE HAMMER. Detetive particular criado por Frank Morrison (1918 – 2006) sob o pseudônimo de Mickey Spillane. Filmes: 1953 – Eu, o Júri / I, The Jury com Biff Elliott. 1954 – Mickey Spillane’s Mike Hammer, telefilme com Brian Keith. 1955 – A Morte num Beijo / Kiss Me Deadly com Ralph Meeker. 1957 – Meu Revólver Nunca Falha / My Gun is Quick com Robert Bray. 1958-1959 – Mike Spillane’s Mike Hammer, Série de TV com Darren McGavin, 1963 – Caçadores de Mulheres / The Girl Hunters com Mickey Spillane. 1970.

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HANAUD. Inspetor de Polícia criado por Alfred Edward Woodley Mason (A.E.W. Mason). Filmes: 1920 – At the Villa Rose com Teddy Arundell. 1930 – La Maison de la Flèche com Léon Mathot (com o nome de Langeac em vez de Hanaud). At the Villa Rose com Austin Trevor. The House of the Arrow com Dennis Neilson-Terry. 1940 – At the Villa Rose com Kenneth Kent. 1948 – At the Villa Rose, telefilme com Anthony Holles. 1953 – The House of the Arrow com Oskar Homolka.

SHERLOCK HOLMES. Detetive particular criado por Arthur Conan Doyle (1859-1930). Filmes: Sherlock Holmes será objeto de um artigo especial.

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Cena de Judex / 1916

Cena de Judex / 1916

judex-iiJUDEX (Jacques de Tremeuse). Justiceiro criado por Arthur Bernède (1871-1937). Seriados 1916 – Judex / Judex e 1917 – A Nova Missão de Judex / La Nouvelle Mission de Judex, ambos com René Cresté. 1933 – Judex 34 com René Ferté. 1963 com Channing Pollock.

MUTT E JEFF NO CINEMA

November 11, 2016

A série de quadrinhos cômicos criada pelo cartunista Harry Conway (Bud) Fisher em 15 de novembro de 1907, começou a ser publicada em tiras diárias na página de esportes do jornal San Francisco Chronicle com o título de “Mr. A. Mutt Starts In To Play the Races”. O conceito das tiras diárias já havia sido estabelecido em A. Piker Clerk (1903) de Clare Briggs, mas foi com o sucesso de Mutt e Jeff que o formato se consolidaria.

Jeff e Mutt

Jeff e Mutt

Inicialmente, as anedotas foram criadas em torno de Mr. A. (Augustus) Mutt, um sujeito alto, magro e narigudo, fanático por corridas de cavalos, e este seu vício; porém este tema recorrente mudou quando, a partir de 27 de março de 1908, Fisher, já trabalhando para o San Francisco Examiner de William Randolph Hearst, incluiu a figura de Jeff (Edgar Horace Jeffries), um louco baixinho e careca, que se imaginava como o campeão de boxe James Jeffries. Mutt o conheceu em um hospício, para onde foi levado por suspeita de sua vontade de apostar em cavalos ter origem em algum distúrbio mental.

Mutt e seu criador Bud Fisher

Mutt e seu criador Bud Fisher

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O novo personagem retornaria cada vez com mais frequência até passar a dividir o estrelato com o protagonista original. Além do contraste no que diz respeito ao aspecto físico, Mutt e Jeff se diferenciam pelo caráter: Mutt é um oportunista que passa a vida engendrando esquemas para enriquecer rapidamente; Jeff é o inocente estabanado, que faz soçobrar os planos do amigo. Ao final de cada plano fracassado, Jeff transforma-se em alvo da cólera de Mutt, recebendo socos, pontapés, e objetos jogados na sua cara. Juntos, eles se tornaram um arquétipo universal: o par que não combina bem.

 

Bud Fisher

Bud Fisher

O último episódio de A. Mutt desenhado por Fisher para o Chronicle é datado de 10 de dezembro de 1907; no dia seguinte, apareceu seu primeiro episódio para o Examiner. O Chronicle então contratou outro cartunista, Russel Westover, para continuar a série. Entretanto, antes de se transferir para o Examiner, Fisher teve o cuidado de registrar a tira em seu próprio nome, o que impediu o Chronicle de usar outro artista, sendo obrigado a cessar a publicação da série desenhada por Westover em 7 de junho de 1908.

Mutt e Jeff no San Francisco Chronicle

Mutt e Jeff no San Francisco Chronicle

A primeira designação formal “Mutt and Jeff” apareceu na coletânea pioneira da tira de Fisher, The Mutt and Jeff Cartoons, mas o título só foi usado regularmente quando Fisher deixou o jornal de Hearst e seu poderoso distribuidor Kings Feature Syndicate, e aderiu ao Wheeler Syndicate em 15 de setembro de 1915. Esta mudança ocasionou uma disputa judicial, que culminou na Suprema Côrte dos Estados Unidos, perante a qual Fisher obteve a confirmação do direito exclusivo de reproduzir seus personagens e a proteção legal contra imitações por parte de seus competidores. O primeiro Mutt and Jeff colorido na edição dos domingos surgiu depois que o Wheeler Syndicate o distribuiu de costa a costa a partir de 11 de agosto de 1918.

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Desde então, Fisher afastou-se da elaboração diária das tiras, contentando-se em supervisionar o trabalho de seus auxiliaries, entre os quais se destacaram Ed Mack e Al Smith. A tira continuou com a assinatura de Fisher até o seu falecimento em 7 de dezembro de 1954. Daí em diante Al Smith passou a assinar. Ele continuou com o desenho de Mutt e Jeff até 1980, dois anos antes do encerramento da publicação da tira. George Breisacher foi o artista encarregado de desenhar os dois personagens nos dois  últimos anos de sua longa carreira na imprensa. Distribuidos depois pelo Bell Syndicate e em seguida pelo Bell-McClure Syndicate (até a sua fusão com o United Feature Syndicate), os quadrinhos de Mutt e Jeff foram perdendo aos poucos sua vitalidade imaginativa e sua popularidade a partir dos anos quarenta.

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Além das tiras, Mutt e Jeff também foram publicados em coletâneas de reedições, inclusive duas em capa dura (v. g. Mutt and Jeff Big Book / 1926; Mutt and Jeff Big Book 2 / 1929) e em revistas em quadrinhos:  eles apareceram primeiramente na capa das revistas Famous Funnies, a Carnival of Comics / 1933 e Famous Funnies #1 / 1934, e foram vistos sucessivamente na All-American Comics, DC Comics, Popular Comics (da Dell Comics) e Harvey Comics (Mutt and Jeff Jones). Em 2007, a NBM publicou um volume com reedições, Forever Nuts: The Early Years of Mutt and Jeff.

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mutt-jeff-jokes-harveySurgiram também shows e musicais no teatro (v. g. Mutt and Jeff: A Musical Comedy Song Book / 1912; Mutt and Jeff Divorced / 1920) e até um balé e uma canção intitulada The Funny Paper Blues, que foi um sucesso em 1921.

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Mutt e Jeff no teatro de revista americano

Mutt e Jeff  no teatro musicado americano

No Brasil, Mutt e Jeff apareceram através dos tempos nas revistas Tico-Tico, Suplemento Juvenil e O Juquinha, e em vários jornais até os anos oitenta (v. g.  Estado de São Paulo, Diário Carioca, Diário da Noite, Correio da Manhã, Última Hora) e, entre 1938 e 1943, em uma coleção (intitulada Biblioteca Mirim) de livros no formato 9×11,5 (também chamados de “tijolinhos”), inspirados nos Big Little Books americanos, e publicados pelo Grande Consórcio de Suplementos Nacionais de Adolfo Aizen. Nos anos setenta, Mutt e Jeff saíram também em livros / revistas da editora Saber e Artenova.

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Mutt e Jeff no Correio da Manhã

Mutt e Jeff no Correio da Manhã

Coleção Mirim

Coleção Mirim

Um fato curioso que marcou a “nacionalização” de personagens estrangeiros n’O Tico-Tico foi a liberdade  em se incluir personagens  de uma série em outra de um autor diferente. Isso ocorreu com Mutt e Jeff, colocados ao lado do Chiquinho em aventuras desenhadas por artistas brasileiros.

Cena de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

Cenas de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

Cena de filme curto ao vivo de Mutt e Jeff

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Em julho de 1911, durante a época do cinema mudo, Al Christie realizou, para  a Nestor Film Company  de David Horsley, filmes curtos de um rolo com ação ao vivo baseados nos quadrinhos de Mutt e Jeff. Os primeiros atores que interpretaram os dois famosos personagens foram Sam D. Drane (Mutt) e Gus Alexander (Jeff). Quando Alexander deixou a série, Christie contratou um outro ator baixinho, Bud Duncan, que assumiu os traços de Jeff em dois episódios antes do final da série.

Sam Drane e Gus Alexander

Sam Drane e Gus Alexander

O habitual no cinema mudo era introduzir entre os planos os diálogos escritos dos personagens, mas rompendo com esta norma, Horsley decidiu colocar os textos em uma faixa preta situada na parte inferior da tela, produzindo assim as primeiras legendas do cinema.

Entre 1913 e 1926, a Budd Fisher Film Corporation realizou ao todo 329 desenhos animados de Mutt e Jeff  (os primeiros com a Pathé Frères, distribuidos pela General Film Corporation) e os demais sozinha, com o estúdio Barré-Bower e / ou a Jefferson Corporation, que foram distribuídos sucessivamente pela Celebrated Players, Fox Film Corporation e Short Film Syndicate. Em 1916, Fisher uniu-se com o estúdio dos animadores  Raoul Barré e Charles Bowers. Barré saiu da Budd Fisher Corporation em 1918 e Bowers foi despedido em 1921.  A série continuou sob a marca da Jefferson Corporation, dirigida pelo animador Dick Friel. Alguns cartoons foram refilmados em 1930 no processo Kromocolor e relançados com efeitos sonoros e trilha musical, distribuidos pela Modern Film Sales Corporation.

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Ao folhear jornais antigos, fiquei impressionado com a popularidade dos desenhos de Mutt e Jeff em nosso país. O público adorava os seus cartoons, que eram anunciados como “caricaturas animadas”, e o nome Mutt e Jeff foi dado a uma loja de brinquedos (Casa / Bazar Mutt e Jeff na rua do Ouvidor 162); serviu de pseudônimo dos autores das revuettes (revistinhas apresentadas nos espetáculos mistos de palco e tela) “Sacca-Rolhas”, “O Circo U-Ó-Chin-Ton e “Teia de Aranha”, todas com Alda Garrido, dos atores Alfredo Silva e Asdrubal Miranda (que, como compères, imitaram os personagens de Budd Fisher em “Esta Nêga Qué Me Dá”, uma revista dos Irmãos Quintiliano), e de dois cantores da Radio Sociedade Fluminense; suas figuras foram usadas na promoção dos brinquedos do Bazar Francês na Rua da Carioca 16, em palestra (Goulart de Andrade, reproduzindo um diálogo em que Mutt e Jeff discutem costumes cariocas e a psicologia das duas curiosas espécies humanas: a melindrosa e a almofadinha) e como  título de um livro de crônicas de Benjamin Costallat.

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captura-de-tela-2016-11-01-as-22-56-38Entre os desenhos animados de Mutt e Jeff, trazidos ao Brasil pela Fox, encontrei  estes  títulos: De Volta dos Balcãs – Caçadores de Feras – O Tesouro Enterrado – A História de um Porco – O Canhão 150 – O Salva Vidas – O Ocultismo – Barbeiro e Cabelereiro – Aquele Piano –  Os Vigilantes – Os Patinadores –  Investigação Frustrada – Com os Tanks ou Os Tanques – Restaurant à la Minute – O Dentista do Kaiser -Alarme de Ladrões – Caça aos Submarinos – Az e Valete – Salvando-se – Descobrindo um Espião – Eficiência – No Front – El Gran Mazzantini, Olé, Olé! – Aventuras Alpinas – Viagens – Dominando os Bolchevikis – Domando Leões – Rendez-vous com Theda Bara –

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O Novo Campeão – Negócio  e Acrobacia – Junta de Recrutamento – Sempre a Má-Sorte – Uma Viagem à Volta do Mundo em 9 dias – Salvando Fifi – Domesticando Cães – Panificação, Massas e Biscoitos – Amestrando Cachorros – Ondas e Mulheres Enfurecidas – Fenômenos de Barba – 80.000 Quilômetros com uma Lata de Gasolina – Caranguejo Canalha – Substituindo Tom Mix – A Idade da Pedra – Visões – Entre as Vacas ou Metidos com Vacas – Apanhando uma Herdeira – Assuntos de Teatro – O Seu a Seu Dono – Café Cantante – Salchicheiros – Figuras de Cera – Coice Bem Calculado – Pestes e Prediletos – Ria-se Menino – Luta de Sôcos – Advogado Admirável – Promessa da Professora – No Gélido Norte – Oeste e Leste – Canta o Teu Dó – Na Espanha – O Honesto Vendedor de Livros – Nem Tudo que Reluz é Ouro – Leões e Mais Leões – Santo de Casa não faz Milagres – Uma Rosa com outro Nome – Para Evitar Escândalos – Uma Viagem Confortável – O Crime de Mutt e seu Castigo – Cultivador de Rosquilhas – Por bem ou Por Mal – Fostes Injusto com a Nossa Nell – No País do Gelo ou A Terra do Gelo – Fabricante de Brinquedos – Os Lutadores – Em Greve – Detetive Particular – Pra Evitar Escândalos – Pescando ou Os Pescadores – Os Emprestadores – Espião de Hortelã – Chumbeiros – Na Suiça – Forradores – No Planeta Marte – Casa Mal Assombrada – Ingrediente Perigoso – Uma Tragédia Telefônica – Violino Desafinado – Concurso de Tango – Dança das Tremuras –

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Caipiras e Caiporas – As Regatas – Solfa Musical – Elas, Sempre Elas – O Dentista Dengoso – Almas do Outro Mundo – O Preço de um Bom Copeiro – Eles Sempre Eles – Jogo da Bola – Uma Luta de Jeff – Lar, Meu Doce Lar – Água Maravilhosa – Corrida de Bicicleta – Jóquei Honesto – Contra Bandidos – Novas da Semana – Belo Modelo – Instrutores Musicais – Café Bohemio – Reino d’Angola – Jeff, o Terrível – Cantorias – Napoleão – Deixando de Tolices – Esfomeados – A Loja de Alfaiate – Vaqueiros – Bolos Desfolhados – Carestia de Vida – Tônico para Cabelo – Fazendeiro Eficiente – Salvação Épica – Cleopatra – Comércio Bolchevista – Licor Endiabrado – Os Políticos – Desenhistas – Pinta Identificadora – Véspera de Natal – Touradas – O Pequeno Índio – Scherlok Marokian – Fábrica de Cola-Tudo – Lição Severa – Chá Frio – Idéia de Loucos ou Idéia de Doido – Caçadores de Leões – Descanço Obrigatório – Pássaro Raro – Ventríloquos – Hipnotizadores – Norte Longínquo – Colheira de Côcos – Viajantes Originais – Leiteiros – Naturalistas – Bomba Infernal – Embriagando Elefantes – Limpador Mecânico – Casco de Tartaruga – Manancial – Socorro! Um Urso – Uma Idéia Chocante – Urubús Espantalhos – Nos Sertões Africanos – Funcionários Postais – Passeio de Auto – As Ninfas – Pintores Desastrados – Os Forçados – No Celeste Império – Corrida dos Diabos – Grande Mistério – Jogo de Boxe – Mastodonte -Antropófagos – Uma Boneca Roubada – Descontentes – Vinho de Maçãs – O Trem dos Demônios – Noite de Natal – Aparador de Cabelos – Casório – Fotógrafos – Viva o Rei – Dedo Colossal – Atoleiro – Um Caso Evidente – O Caixa – Bolsas de Kangurús – A Vingança de Jeff – O Concerto de Jeff – Águas Encantadas – Na Escócia – Alguma Água, Hoje? – Pescarias – Salsicheiros – Salto Mortal – Os Archeiros – Martírios de um Perú – O Pato Mágico – Fazendo Goma – Pelas Alturas – Ginásticos – O Algodoal – Má Situação.

 

 

 

 

 

 

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