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Histórias de Cinema

TRIBUTO A MARCEL CARNÉ

June 25, 2016

O lugar de Marcel Carné (Paris, 1909-1996) na história do cinema está assegurado como o principal expoente do realismo poético, especialmente na sua colaboração com o poeta / roteirista Jacques Prévert.

Marcel Carné

Marcel Carné

O termo realismo poético, na sua expressão fílmica, nasceu de uma rede de influências literárias, com as variações em torno do naturalismo, do populismo e do fantástico social de Pierre Mac Orlan e Marcel Aymé e influências cinematográficas, com o expressionismo realista, frequentemente chamado de Kammerspielfilm (filme de interiores), do qual tomou emprestado a temática (personagens que representavam a escória da sociedade, abatidos pela fatalidade), a atmosfera (a famosa Stimmung, prezada pelos alemães), a iluminação (utilização expressionista da luz devido a grandes fotógrafos alemães emigrados na França, como Eugen Schufftan) e a representação cênica estilizada (que privilegiava a filmagem em estúdio).

As principais obras do realismo poético tentavam, de uma maneira ou de outra, encontrar uma dimensão trágica na vida dos marginais, dos excluídos, que não tinham outra escolha se não o exílio ou a morte. Transitando por portos banhados de sombras, bares sórdidos, hotéis de terceira categoria ou desertos distantes, esses seres procuravam se evadir para um outro destino pela aventura ou pelo sonho. Alguns comentaristas preferem usar o termo “tragédia populista” ou “populismo trágico” para denominar essa corrente do cinema francês.

Jacques Feyder e Marcel Carné

Jacques Feyder e Marcel Carné

Carné foi aprendiz de marceneiro, depois empregado de uma companhia de seguros. Apaixonado pelo cinema, frequentou cursos de fotografia e exerceu a crítica de filmes. O encontro com a atriz Françoise Rosay, esposa do cineasta Jacques Feyder, ajudou-o a começar sua carreira como assistente de câmera em Les Nouveaux Messieurs / 1929 (Dir: Jacques Feyder), e Cagliostro / 1929 (dir: Richard Oswald). No mesmo ano, Carné dirigiu um documentário de curta-metragem, Nogent, Eldorado du Dimanche, e depois se tornou assistente de René Clair (Sob os Tetos de Paris / Sous les Toits de Paris / 1930) e de Feyder (A Última Cartada / Le Grand Jeu / 1934; Pensão Mimosas / Pension Mimosas / 1935; A Quermesse Heróica / La Kermesse Héroique / 1935).

Cena de Nogent, Eldorado du Dimanche

Cena de Nogent, Eldorado du Dimanche

Trabalhando intimamente com Prévert, Carné ascendeu para uma grande proeminência no cinema francês dos anos 30. De sua cumplicidade nasceram sete filmes, dotados de um equilíbrio exemplar entre o lirismo eloquente do dialoguista e a visão moderada do cineasta. Sua colaboração produziu filmes memoráveis como Jenny / Jenny / 1936; Família Exótica / Drôle de Drame / 1937; Cais das Sombras / Quai des Brumes / 1938; e Trágico Amanhecer / Le Jour se Lève / 1939. Essas duas últimas obras foram o ápice do realismo poético, juntamente com Hotel do Norte / Hotel du Nord / 1938, no qual Carné não contou com a participação de Prévert, substituído por Henri Jeanson.Celebrando Prévert, os críticos talvez tenham subestimado atributos distintivos de Carné: seu senso refinado de composição e iluminação, sua capacidade para dar vida ao artifício do estúdio, sua articulação do estado psicológico de seus heróis. Certamente seus filmes do período em questão também devem muito ao decorador Alexandre Trauner, ao compositor Joseph Kosma e a uma grande quantidade de atores notáveis,  Como Jean Gabin, Louis Jouvet, Arlette, Michèle Morgan, Simone Signoret etc., porém Carné era o catalisador, o condutores centro de tudo.

Marcel Carné e jacques Prévert

Marcel Carné e jacques Prévert

Durante a Ocupação houve um êxodo de diretores e artistas (Jean Renoir, René Clair, Julien Duvivier, Jacques Feyder, Max Ophuls, Pierre Chenal, Robert Siodmak, Jean Gabin, Charles Boyer, Louis Jouvet, Michèle Morgan, Françoise Rosay, Marcel Dalio, Victor Francen etc.), porém Marcel Carné e Jacques Prévert continuaram em atividade nos palcos de filmagem, sem se comprometerem com o poder. Carné, em 1940, havia recusado convites da Continental (firma destinada a produzir na França filmes com capital alemão e mão de obra francesa) e sido arrastado para a lama pelos jornais colaboracionistas (Lucien Rebatet: “Os subúrbios leprosos e brumosos que lhes servem de moldura exalam apenas sentimentos sórdidos (…) Seus heróis são assassinos medíocres, candidatos ao suicídio, rufiões, prostitutas, cafetinas (…)”). No contexto reprimido da Ocupação, Carné e Prévert se voltaram mais para o fantástico / poético do que para o real, realizando Os Visitantes da Noite / Les Visiteurs du Soir e O Boulevard do Crime / Les Enfants du Paradis, dois dos filmes mais populares do cinema francês. O primeiro estreou em dezembro de 1942; o segundo, após a Libertação, na primavera de 1945.

Filmagem de As Portas da Noite

Filmagem de As Portas da Noite

Em 1946, a dupla de cineastas fez Portas da Noite / Les Portes de la Nuit. Depois disso então se separaram e os críticos começaram a achar que, sem o concurso do seu parceiro poeta, os filmes de Carné não eram tão eficientes. Na realidade, o declínio de Carné coincidiu com o rompimento com Prévert, porém teve mais a ver com as mudanças do panorama social e do gosto do público. Carné passou a simbolizar a “estagnação” do cinema francês tradicional aos olhos dos jovens críticos da Nouvelle Vague, que o julgaram fora de moda, apesar de ele ter feito vários filmes interessantes: Paixão Abrasadora / La Marie du Port / 1950; Juliette ou la Clef des Songes / 1951; Teresa Raquin / Thérèse Raquin / 1953; L’Air de Paris / 1954; Os Trapaceiros / Les Tricheurs / 1958 e Ele, Ela … e o Outro / Le Pays d’ou Je Viens / 1956.

Cena de Les Tricheurs

Cena de Os Trapaceiros

Dos derradeiros filmes de ficcão de Carné, realizados nos anos 60 e 70, apenas um passou no Brasil, o razoável As Testemunhas do Medo / Les Assassins de l’Ordre / 1971. Como não ví os outros, passo a palavra a Jacques Siclier, renomado crítico francês. Segundo JS, após Os Trapaceiros, o cinema de Marcel Carné declinou. O realismo social de Terrain Vague / 1960 não o instigou mais do que o populismo um tanto impudico da comédia de costumes Du Mouron pour les Petits Oiseaux / 1963. Com Trois Chambres à Manhattan / 1965, Carné mostrou-se hábil ao lidar com o realismo psicológico, mas não logrou recriar a atmosfera específica do romance de Georges Simenon. A mediocridade de Les Jeunes Loups / 1968 não derivou dos embaraços que o filme teve com a censura. Quanto a La Merveilleuse Visite / 1974, recolhí de outro excelente comentarista francês, Pierre Murat, mais esta constatação da decadência do diretor: “Em nome de tantas alegrias experimentadas diante de tantos filmes (Família Exótica, Trágico Amanhecer, O Boulevard do Crime…), esqueçamos esta “bomba” colossal de Marcel Carné: a história de um anjo louro e nú que encalha em uma praia da Bretanha … Horroroso”.

Neste artigo presto uma homenagem ao grande cineasta, relembrando alguns de seus melhores filmes.

PIerre Brasseur, Arletty e Jean-Louis Barrault em O Boulverdad do Crime

PIerre Brasseur, Arletty e Jean-Louis Barrault em O Boulverdad do Crime

BOULEVARD DO CRIME, O / LES ENFANTS DU PARADIS.

No meio da multidão que passeia pelo Boulevard du Temple, surge Garance (Arletty), que vai ser amada por quatro homens: Lacenaire (Marcel Herrand), o assassino-poeta, Frédérick Lemaître (Pierre Brasseur), o ator exuberante; Baptiste Debureau (Jean-Louis Barrault), o mímico, e o conde Edouard de Montray (Louis Salou). Apesar de seu relacionamento com Lacenaire, Lemaître e Montray, Garance nunca deixa de amar profunda e incessantemente o tímido Baptiste, mesmo depois de ele ter se casado com sua colega do Teatro dos Funâmbulos, Nathalie (Maria Casarès), e ela, com o conde. No entanto, compreende a impossibilidade do seu amor e foge. Baptiste, desesperado, procura-a em vão no tumulto dos folguedos do Carnaval.

carne les enfants du paradis poster

Produzido em circunstâncias difíceis durante a Ocupação, o filme focaliza os infortúnios do amor e a Paris romântica e misteriosa do tempo de Louis-Philippe, mostrando as relações entre a vida e a arte. Por exemplo, no quadro “O namorado da lua”, no meio do qual Baptiste vê nos bastidores Lemaître beijando Garance e ele para repentinamente. A realidade se confunde com a representação, o palco com a vida e a vida repete os dramas vividos no palco, segundo o conceito shakespereano (em Como Gostais, ato II, cena VII). Alguns críticos acharam o filme muito literário, mas todos reconhecem a sua concepção arrojada, o brilhantismo da reconstituição histórica, as atuações magistrais de um elenco homogêneo e os diálogos poéticos e elegantes, como aquele dito no interrogatório de Garance: “Garance é uma flor. Meu nome verdadeiro, meu nome de moça solteira é Clara”. “Clara de quê?”, pergunta o policial. Ela responde com um sorriso: “Clara como o dia, como a água da fonte …”

Jean Gabin e Michèle Morgan em Cais das Sombras

Jean Gabin e Michèle Morgan em Cais das Sombras

CAIS DAS SOMBRAS / QUAI DES BRUMES.

Jean (Jean Gabin), um desertor, chega ao Havre e procura um abrigo. Trazido por um mendigo, Quart-Vittel (Aimos), ele é hospedado na taverna do velho Panama (Edouard Delmont), onde conhece um pintor alucinado, Michel Krauss (Robert Le Vigan), e uma bela jovem triste, Nelly (Michèle Morgan). Ela é assediada por seu tutor, Zabel (Michel Simon), um traficante que vem sendo espreitado por um bando de malandros, cujo chefe é Lucien (Pierre Brasseur). Uma manhã, quando Lucien importunava Nelly, Jean o esbofeteia. Michel se suicida, deixando para Jean suas roupas civís e seu passaporte, e o desertor decide embarcar para a Venezuela. Jean encontra Zabel querendo abusar de Nelly e o mata. Ao se dirigir para o porto, é abatido a tiros por Lucien enquanto o navio parte.

carne quai des brumes poster

A beleza do filme reside primeiramente nas sua atmosfera, as docas inundadas de brumas e as ruas de calçadas reluzentes, onde os personagens passeiam ao rítmo de uma música extraída de uma velha canção dos marinheiros. Essa estética foi fruto da composição visual de Marcel Carné; da pena de Jacques Prévert inspirada nos mitos da evasão e do destino, já articulados no livro de Mac Orlan, no qual o filme foi baseado; da iluminação de um fotógrafo veterano do expressionismo alemão (Eugen Schüfftan); e das geniais reconstituições de um esplêndido cenógrafo (Alexander Trauner), que refez em estúdio as ruas do Havre, o parque de diversões e a loja de Zabel. Obra-prima plástica, uma das mais representativas do realismo poético, o espetáculo apoia-se também nos atores, perfeitamente encaixados em um pessimismo lírico, que muitos viram como um eco de certo fatalismo que sucedeu ao fracasso da Frente Popular.

Arletty e Louis Jouvet em Hotel do Norte

Arletty e Louis Jouvet em Hotel do Norte

HOTEL DO NORTE / HOTEL DU NORD.

Um casal de jovens amantes hospeda-se no modesto Hôtel du Nord na margem do canal Saint-Martin. Pierre (Jean-Pierre Aumont) e Renée (Annabella) fizeram um pacto de morte. Pierre atira em Renée, mas não tem coragem de se matar. Ao ouvir o barulho do disparo, seu vizinho, Sr. Edmond (Louis Jouvet), arromba a porta e deixa Pierre fugir ma ele, pela manhã, se entrega à polícia. Renée, transportada para o hospital, é salva e vai trabalhar no hotel. Edmond vive ali com Raymonde (Arletty), uma prostituta que “trabalha” para ele. Ele se apaixona por Renée e tenta levar a jovem consigo para Marselha.

carne hotel du nord poster

Esse melodrama populista, com os ingredientes do realismo poético, como observou Jacques Lourcelles, conta a história de um contágio. Contágio do suicídio, passando de dois personagens (Pierre e Renée) para um terceiro (Edmond), que conseguirá o que os outros dois não conseguiram utilizando a mesma arma (Edmond a havia resgatado de um garoto, que a encontrara em uma mata onde Pierre a havia jogado). Um diálogo entre Jouvet e Arletty tornou-se célebre. Depois de uma briga, Edmond diz para Raymonde: “Preciso mudar de atmosfera e minha atmosfera é você”. Incapaz de compreender o que ele quis dizer, Raymonde toma a palavra atmosfera como um insulto e responde, exagerando nas vogais abertas com seu estridente sotaque parisiense: “Atmosfera! Atmosfera! Eu tenho cara de atmosfera? Carné diria, com toda razão, que Arletty foi a “alma” de Hotel do Norte.

Raf Vallone e Simone Signoret em Teresa Raquin

Raf Vallone e Simone Signoret em Teresa Raquin

TERESA RAQUIN / THÉRÈSE RAQUIN.

Casada com seu primo Camille Raquin (Jacques Duby), de saúde frágil, Thérèse (Simone Signoret) não é feliz. Uma noite, Camille, bêbado, é reconduzido para a sua casa por um caminhoneiro italiano, Laurent (Raf Vallone). Este torna-se amante de Thérese. No curso de uma viagem de trem, após uma discussão violenta, Camille é morto por Laurent. O inquérito policial conclui que a morte de Camille foi um acidente, mas o destino intervém na pessoa de Riton (Roland Lesaffre), um marinheiro que testemunhara o crime e começa a chantagear o casal de amantes.

carne therese raquin poster

No romance de Émile Zola, após a morte de Camille não há mais “ação”, somente uma longa exposição do comportamento dos dois amantes, obcecados pelo remorso. No filme, Carné preocupou-se mais em precipitar o drama por meio de uma testemunha que aparece para exigir sua parte no crime. O diretor deu ao assunto uma força trágica, cuja cena mais característica é o confronto entre Thérèse e Mme. Raquin paralítica (Sylvie), mas que sabe tudo o que se passou. Simone Signoret dá conta de uma composição difícil. Ela consegue passar da frustração resignada ao êxtase do amor, depois à tristeza, ao ódio e ao medo.

Jean Gabijn e Arletty em Trágico Amanhecer

Jean Gabijn e Arletty em Trágico Amanhecer

TRÁGICO AMANHECER / LE JOUR SE LÈVE.

Nas escadas de uma casa no subúrbio ouve-se o barulho de uma discussão acalorada. Um tiro é disparado. Uma porta se abre, um homem rola pelos degraus e morre. O assassino, François (Jean Gabin), se refugia em seu quarto. A polícia chega, mas ele se recusa a sair e o imóvel é cercado. Durante a noite, François, sabendo que não poderá escapar, relembra sua história de amor com Françoise (Jacqueline Laurent), uma jovem florista, seu encontro com Valentin (Jules Berry), o adestrador de cães, e com Clara (Arletty), a companheira deste último.

carne le jour se leve poster

A fatalidade social não dá nenhuma chance ao protagonista. Seus atos são, por assim dizer, programados por todo o seu passado e as circunstâncias de sua existência quotidiana, elementos de uma engrenagem que vai acabar com sua vida. O primeiro plano do filme já revela o fim trágico, o que nos leva a acompanhar a história em estado de imensa compaixão. Carné usa com muita perfeição o retrospecto, para integrar o passado no presente e observar o mundo interior e o comportamento de François. A sua tragédia é explicitamente formulada na cena em que Gabin grita da janela para a turba reunida lá embaixo, manifestando a sua infelicidade e a sua cólera. Nesta cena Gabin está falando também para os espectadores, para cada um de nós que somos testemunhas de seu drama.

Arlettey e Alain Cuny em os Visitantes da Noite

Arlettey e Alain Cuny em os Visitantes da Noite

VISITANTES DA NOITE , OS / LES VISITEURS DU SOIR.

Em 1485, Gilles (Alain Cuny) e Dominque (Arletty), dois menestréis enviados pelo diabo, dirigem-se ao castelo do barão Hugues (Fernand Ledoux), onde está sendo festejado o noivado de sua filha Anne (Marie Déa) com o cavaleiro Renaud (Marcel Herrand). Dominque, que é na realidade uma mulher, seduz o velho barão e depois Renaud, enquanto Gilles se apaixona por Anne. Furioso, o diabo (Jules Berry), fingindo-se de viajante, chega para restabelecer a ordem. Renaud é morto pelo barão em um torneio. O diabo transforma os dois amantes em estátuas de pedra, mas não consegue impedir que seus corações continuem a bater em uníssono, indefinidamente.

carne visisteurs du soir poster

Este final foi muito discutido. Ele tem uma significação mística (o amor é mais forte do que a morte)? Ou é uma alusão política disfarçada (o coração da França continua a bater apesar dos esforços diabólicos dos ocupantes)? Seja qual for a interpretação – aliás, elas não se excluem -, as qualidades desse filme são poéticas. O ambiente estranho do castelo todo branco, o aparecimento dos dois visitantes em uma paisagem desolada, os pequenos bufões monstruosos, o baile e a dança que se imobiliza parando magicamente o tempo, o rítmo voluntariamente lento como se tudo fosse um sonho, nos transportam para um universo fantástico, criado com amplos recursos materiais.

                                                                        FILMOGRAFIA

1929 – Nogent, Eldorado du Dimanche (Documentário). 1936 – Jenny. 1937 – Família Exótica / Drôle de Drame. 1938 – Hotel do Norte / Hôtel Du Nord; Cais das Sombras / Quai des Brumes. 1939 – Trágico Amanhecer / Le Jour se Lève. 1942 – Os Visitantes da Noite / Les Visiteurs du Soir. 1945 – O Boulevard do Crime / Les Enfants du Paradis. 1946 – Portas da Noite/ Les Portes de La Nuit. 1947 – La Fleur de L’Age (não completado). 1950 – Paixão Abrasadora / La Marie du Port. 1951 – Juliette ou la Clef des Songes. 1953 – Teresa Raquin / Thérèse Raquin. 1954 – L’Air de Paris. 1956 – Eu, Ela … e o Outro / Le Pays d ‘ou Je Viens. 1958 – Os Trapaceiros / Les Tricheurs. 1960 – Terrain Vague. 1963 – Du Mouron pour le Petis Oiseaux. 1965 – Trois Chambres à Manhattan. 1968 – Les Jeunes Loups. 1971 – As Testemunhas do Medo / Les Assassins de l ‘Orde. 1974 – La Merveilleuse Visite. 1977 – La Bible (Documentário).

AS BIG BANDS NO CINEMA DE HOLLYWOOD

June 7, 2016

A partir de meados dos anos 30 até pouco depois dos anos 40, além de serem ouvidas através do rádio e das gravações fonográficas, as Big Bands (Grandes Orquestras) se apresentavam em vários lugares como hotéis elegantes, salões de baile espaçosos, boates, cassinos, certas salas de cinema, e nos filmes de Hollywood.

O estilo musical variava radicalmente de banda para banda. Cada uma dependia de seu estilo particular, de seu som identificável, para obter uma aceitação geral, parcial ou precária. Geralmente era o diretor musical da banda, seu arranjador ou seu líder (chefe da orquestra) ou talvez ambos, que estabeleciam o estilo. Ele ou eles decidiam que espécie de som a adotar, como poderia ser realizado, e como seria apresentado. Em segundo lugar, os músicos de uma banda, seus sidemen, como costumavam ser chamados, desempenhavam papéis importantes. Sua aptidão para tocar os arranjos era, naturalmente, de vital importância e, em algumas bandas, os líderes, que dependiam de seus solos, ouviam e aceitavam com frequência suas sugestões. Em terceiro lugar, os cantores (ou vocalistas como se dizia) muitas vêzes contribuíam para firmar a popularidade de uma banda, em alguns casos, até ultrapassando-a, o que aconteceu, por exemplo, com Frank Sinatra na banda de Tommy Dorsey ou Doris Day na banda de Les Brown.

Frank Sinatra

Frank Sinatra

Tommy Dorsey e sua orquestra e o crooner Frank Sinatra

Tommy Dorsey e Frank Sinatra

Les Brown e Doris Day

Les Brown e Doris Day

Porém, de todos os fatores envolvidos no sucesso de uma banda, nenhum igualava em importância o papel desempenhado pelos próprios líderes. Em torno dele girava a música, os músicos, os vocalistas os arranjadores e todos os elementos comerciais envolvidos na administração de uma banda, cabendo-lhe reunir essas partes componentes e com elas alcançar êxito, mediocridade ou fracasso.

Como observou George T. Simon (comentarista e depois editor-chefe da revista especializada Metronome entre 1935 e 1955) em The Big Bands (Schirmer Books, 1981 – 4a ed.), livro sem o qual eu não poderia escrever boa parte deste artigo, alguns bandleaders eram completamente devotados à música, outros inteiramente ao dinheiro que ela podia trazer. Suas propostas variavam de acordo com sua personalidade e seu talento.

Glenn Miller e sua orquestra

Glenn Miller e sua orquestra

Benny Goodman e sua orquestra

Benny Goodman e sua orquestra

Artie Shaw e sua orquestra

Artie Shaw e sua orquestra

Alguns líderes (v.g. Glenn Miller, Benny Goodman, Artie Shaw, Tommy Dorsey) exigiam de seus grupos um trabalho árduo, para atingir a perfeição ou algo próximo,  porque achavam que somente assim poderiam realizar seus objetivos artísticos e comerciais.

Woody Herman e sua orquestra

Woody Herman e sua orquestra

Duke Ellington e sua orquestra

Duke Ellington e sua orquestra

Count Basie e sua orquestra

Count Basie e sua orquestra

Harry James e sua orquestra

Harry James e sua orquestra

Jimmy Dorsey e sua orquestra

Jimmy Dorsey e sua orquestra

Outros (v.g. Woody Herman, Les Brown, Duke Ellington, Count Basie, Harry James, Jimmy Dorsey), igualmente devotados a atingir altos padrões musicais e êxito financeiro, atuavam de uma maneira mais relaxada, sem pressionar suas equipes. Para ainda outros (v.g. Guy Lombardo, Kay Kyser, Sammy Kaye, Lawrence Welk), a música parecia ser menos uma arte e mais um produto a ser embalado com brilho e promovido inteligentemente.

Guy Lombardo e sua orquestra

Guy Lombardo e sua orquestra

Kay Kyser e sua orquestra

Kay Kyser e sua orquestra

Lawrence Welk e sua orquestra

Lawrence Welk e sua orquestra

Os dias áureos das big bands eram excitantes e gratificantes para os músicos mais importantes. As maiores recompensas – o reconhecimento e os melhores salários – chegavam rapidamente para aqueles que, além de tocar seus instrumentos extraordinariamente bem, conseguiam se comunicar facilmente com o público. Entre eles estavam a maioria dos grandes solistas. Eventualmente, muitos deles como Harry James, Lionel Hampton, Gene Krupa, Charlie Spivak, Bunny Berigan e Tony Pastor tornaram-se líderes de sucesso. Outros, como Ziggy Elman da banda de Benny Goodman, Johnny Hodges da banda de Duke Ellington, Budd Freeman da banda de Tommy Dorsey, Tex Beneke da banda de Glenn Miller continuaram como sidemen durante a era das big bands, retribuídos generosamente pelos seus líderes e pela adulação de seus fãs.

Lionel Hampton

Lionel Hampton

Gene Krupa

Gene Krupa

Numerosas circunstâncias, sobre nenhuma das quais os vocalistas exerciam contrôle, muitas vêzes determinavam como um cantor era ouvido e, no final das contas, com ele poderia obter sucesso. Alguns cantores eram obrigados a se desviar do seu alcance vocal, porque um arranjador cometeu um erro ou porque eles foram incumbidos de cantar de acordo com arranjos herdados de predecessores, que tinham outra altura de voz.

Rítmos também podiam ajudar ou prejudicar os vocalistas. Frequentemente os líderes sacrificavam o canto em proveito da dança e os cantores, masculinos e femininos, poderiam ser forçados a apressar seus refrões, a ponto de algumas vezes tornar as palavras ininteligíveis.

E havia ainda outros fatores que os cantores tinham que superar – pianos e orquestras desafinados ou que tocavam muito alto, sistemas de amplificação de som deficientes – assim como problemas puramente físicos, tais como manter a garganta sempre em condição (resfriados e falta de sono eram mortais) e se apresentar bem vestido  apesar da falta de dinheiro.  

Com as cantoras alguns dos motivos físicos eram ainda mais importantes. Boa aparência, vestidos atraentes e, é claro, equilíbrio, eram tão vitais para o sucesso quanto o próprio talento. Uma jovem solteira no meio de um bando de homens certamente encontrava certos obstáculos. Se o seu líder tinha inclinação para conquistador, como alguns deles eram, as dificuldades aumentavam em proporção às suas pretensões e / ou ao seu ardor. A vocalista tinha que ser diplomática ao lidar não somente com os homens interessados em atividades extracurriculares, mas também com o grupo como um todo nas relações usuais do dia-a-dia.

Peggy Lee e Dave Barbour

Peggy Lee e Dave Barbour

 Algumas cantoras casaram-se com músicos da mesma banda (v.g. Doris Day casou-se com o saxista de Les Brown, George Weidler; Peggy Lee casou-se com o guitarrista de Benny Goodman, Dave Barbour; Jo Stafford casou-se com o arranjador de Tommy Dorsey, Paul Weston) e outras contraíram matrimônio com seus patrões (v.g. Harriet Hilliard com Ozzie Nelson; Georgia Carroll com Kay Kyser; Irene Day com Charlie Spivak; An Richards com Stan Kenton). E não posso esquecer de Abbe Lane, que contraiu matrimônio com o  violinista hispano-americano Xavier Cugar, líder da orquestra muito visto nos musicais da MGM na década de quarenta.

Perry Como

Perry Como

Dick Haymes e Helen Forrest

Dick Haymes e Helen Forrest

Jo Stafford

Jo Stafford

Billy Ekstine

Billy Ekstine

Quando as big bands começaram a entrar em decadência em meados dos anos quarenta foram seus vocalistas – especialmente aqueles com maior talento e inteligência – que emergiram como grandes astros. Entre os homens estavam Frank Sinatra, Perry Como, Dick Haymes, Billy Eckstine, Vaughn Monroe, Joe Williams, Merv Griffin, Mike Douglas, Eddy Howard, Don Cornell, Johnny Desmond. Entre as mulheres, incluíam-se Peggy Lee, Doris Day, Ella Fitzgerald, Jo Stafford, Kay Starr, Sarah Vaughn, Betty Hutton, Helen Forrest, Anita O’Day, June Christy, Connie Haines, Diana Washington, Lena Horne e, é claro, Billie Holiday (que fôra band singer de Count Basie e Artie Shaw por períodos bem curtos) e Mildred Bailey (que iniciara sua carreira antes mesmo da maioria das big bands).

SARAH VAUGHN

Sarah Vaughn

Ella Fitzgerald

Ella Fitzgerald

Lena Horne

Lena Horne

Billie Holiday

Billie Holiday

Nos anos que se seguiram imediatamente à era das big bands e precedendo a dos  rock and rollers  (mais ou menos de 1947 a 1953) praticamente todo grande cantor com a exceção de Nat King Cole, Dinah Shore e Kate Smith, vieram das big bands.

Até Bing Crosby, firmemente estabelecido como o cantor mais notável do mundo na ocasião em que as big bands começaram a despontar  em 1935, já havia recebido sua experiência  e educação musical nas orquestras de Paul Whiteman e Gus Arnheim.

Nat Cole

Nat Cole

BIng Crosby, Dinah Shore e um soldado durante a 2a Guerra Mundial

Bing Crosby, Dinah Shore e um soldado durante a 2a Guerra Mundial

asa kate smith

Até Bing Crosby, firmemente estabelecido como o cantor mais notável do mundo na ocasião em que as big bands começaram a despontar em 1935, já havia recebido sua experiência e educação musical nas orquestras de Paul Whiteman e Gus Arnheim.

Bing Crosby (extrema direita) na orquestra de Gus Arnheim

Bing Crosby (extrema direita) na orquestra de Gus Arnheim

Bing Crosby

Bing Crosby

Para George T. Simon, tudo começou com Benny Goodman. Foi a sua banda que iluminou todo o cenário para as big bands. Ele foi o primeiro músico realmente importante a preencher a lacuna existente entre os líderes e suas bandas e o público em geral. “Benny e seu clarinete”- disse Simon –  “tornaram-se um símbolo, uma linha direta de comunicação entre os que estavam no palco e os que se reuniam para assistir, idolatrar, dançar e ouvir – em pessoa, através de discos ou pelo radio”.

Paul Whiteman e sua orquestra

Paul Whiteman e sua orquestra

Fred Waring e sua orquestra

Fred Waring e sua orquestra

Abe Lyman e sua orquestra

Abe Lyman e sua orquestra

Antes de Benny haviam existido muitas big bands. A mais importante entre as mais antigas foi a de Paul Whiteman, seguindo-se as de Art Hickman, Ben Selvin, Vincent Lopez, Fred Waring, Coon-Sanders, Don Bestor and the Benson Orchestra, Abe Lyman, Eddie Elkins, Art Landry, Bert Lown, George Olsen, Don Voorhees, Leo Reisman, Jan Garber, Paul Ash, Paul Specht, Paul Tremaine e tantas outras. Muitas das mais criativas e excitantes bandas dos meados dos anos vinte foram algumas black bands, destacando-se as de Duke Ellington, Fletcher Henderson, Jimmie Lunceford, William McKinney (McKinney’s Cotton Pickers), Bennie Moten, Jean Goldkette, Ben Pollack.

Jimmie Lunceford e sua orquestra

Jimmie Lunceford e sua orquestra

Em 1929, aconteceram o Colapso da Bôlsa e a Depressão. O clima e a música do país mudaram. Os gostos musicais das pessoas refletiram-se na aceitação de crooners como Rudy Vallee, Will Osborne, Bing Crosby e Russ Columbo e na preferência por música de dança, que encorajava o romance, o sentimento e o escapismo. Foi uma época que estimulou as bandas suaves – Guy Lombardo e seus Royal Canadians, Hal Kemp, Isham Jones, Eddy Duchin, Ozzie Nelson e sua girl singing Harriet Hilliard, Wayne King. 

Guy Lombardo e sua orquestra

Guy Lombardo e sua orquestra

Eddie Duchin ao piano e orquestra

Eddie Duchin ao piano e orquestra

Despercebida a princípio pelo público em geral, embora impressionando os músicos e os fãs de jazz desde 1930, a Casa Loma Orchestra, dirigida por Glenn Gray, entremeava sons do swing com belos arranjos de baladas, executadas por instrumentistas vestidos sofisticadamente. Foi este grupo que preparou a emergência das bandas de swing e eventualmente o florescer de toda a era das big bands.

GlennGray e Casa Loma Orchestra

GlennGray e Casa Loma Orchestra

Em 1934, outras turmas musicais também estavam produzindo sons atraentes: os irmãos Dorsey, ainda um pouco na sombra; Ray Noble, vindo da Inglaterra, e Benny Goodman. Em 1935, surgiu a grande chance para Goodman, quando ele apareceu em um show semanal de sábado à noite, transmitido de costa-a-costa e, pela primeira vez, a América pôde ouvir uma banda de swing realmente admirável.

Ray Noble e sua orquestra

Ray Noble e sua orquestra

O sucesso de Goodman abriu caminho para outros. Os irmãos Dorsey subitamente encontraram uma boa acolhida, primeiramente em dupla e depois individualmente. Vários instrumentalistas excelentes que estavam estavam escondendo seu talento no rádio e nos estúdios de gravação, emergiram em frente de suas próprias bandas – Artie Shaw, Bunny Berigan, Glenn Miller, Will Bradley, Charlie Spivak, Jack Jennet e outros mais.

Jack Tiegarden e sua orquestra

Jack Teagarden e sua orquestra

Do campo do jazz puro vieram mais líderes – Jack Teargarden, Count Basie, Charlie Barnet, Red Norvo e outros. E, eventualmente, das fileiras das novas bandas de swing chegaram mais outros como os três famosos graduados de Goodman, Gene Krupa, Lionel Hampton e Harry James e os alunos de Artie Shaw, Tony Pastor e Georgie Auld.

Charlie Spivak

Charlie Spivak e seu trompete

Claude Thornhill e seu piano

Claude Thornhill e seu piano

Hal McIntyre e seu

Hal McIntyre e seu saxofone alto

Freddy martin e seu saxofone

Freddy Martin e seu saxofone tenor

Nem todos eles eram músicos de jazz no sentido estrito. Com a ênfase mudada para o líder da banda e o intrumento que ele tocava, outros instrumentalistas que se comunicavam de uma maneira mais romântica e muito pessoal, ganharam seguidores – Charlie Spivak e seu trompete, Claude Thornhill e seu piano, Hal McIntyre e seu saxophone alto, Freddy Martin e seu saxofone tenor, e todos os imitadores do piano de Eddie Duchin.

Major Glenn Miller divertindo os pracinhas

Orquestra do Major Glenn Miller divertindo os pracinhas

Em 1942, muitos líderes e músicos alistaram-se nas Forças Armadas entre eles Dean Hudson, Artie Shaw, Eddy Duchin, Claude Thornhill, Ted Weems, Bob Crosby, Glenn Miller e outros. Sua contribuição para o esforço de guerra foi massiva. A de Glenn Miller tornou-se legendária. Ao voar da Inglaterra para Paris, seu avião desapreceu, não tendo sido encontrados destroços nem os corpos de seus ocupantes.

Tenente Eddie Duchin

Tenente Eddie Duchin

Outros líderes e músicos ainda como civís prestaram serviço em atividades recreativas para os soldados nos quartéis e algumas bandas excursionaram com as unidades da USO (United Service Organizations) divertindo as tropas no exterior. As moças na frente doméstica e os rapazes no além-mar ou nos acampamentos  sentiam-se igualmente solitários, igualmente sentimentais, e preferiam ouvir Frank Sinatra ou Peggy Lee cantando em voz baixa em vez do som alto do trompete de Harry James ou dos tambores de Gene Krupa.

O momento era propício para os cantores com suas mensagens mais personalizadas e a greve dos músicos contra as gravadoras (1942-1944) ajudou-os,  deixando todo o campo de gravação popular aberto para eles.

bandas ANDY RUSSELL

No final da guerra, o mundo da música popular havia se tornado principalmente o mundo dos cantores. Não somente nos discos, mas também nos programas radiofônicos, anteriormente dominados pelas grandes bandas, Frank Sinatra, Perry Como, Dick Haymes, Nat Cole, Andy Russell, Dinah Shore, Jo Stafford, Peggy Lee e outros haviam substituido Glenn Miller, Harry James, Tommy Dorsey, Benny Goodman e outras bandas como principais atrações.

A excitação e sentimento geral de celebração que se seguiu ao armistício, somado ao retorno da maioria dos grandes músicos e líderes, trouxe um certo alento para as big bands. Porém os novos gôstos haviam se firmado.  A idéia de sair de casa para ouvir uma big band tornou-se menos atraente tendo em vista os preços que os lugares noturnos estavam cobrando para que pudessem pagar os salários mais altos e as despesas com transporte, além da taxa de diversão de 20% que fôra imposta durante a guerra e ainda continuava sendo cobrada. Além disso, os americanos haviam se tornado mais apreciativos da vida no lar e logo veio o maior de todos  os divertimentos domésticos – a televisão.

Ina Ray Hutton and Her Melodears

Ina Ray Hutton and Her Melodears

Finalmente, em dezembro de 1946, dentro de poucas semanas, oito dos maiores bandleaders da nação encerraram suas atividades – alguns temporariamente, outros permanentemente: Benny Goodman, Woody Herman, Harry James, Tommy Dorsey, Les Brown, Jack Teagarden, Benny Carter e Ina Ray Hutton (and Her Melodears). Por um ano ainda as bandas persistiram, mas lentamente, mais e mais começaram a pendurar suas trompetas e tambores para sempre, e o mundo, que antes era delas, tornou-se agora  propriedade de um grupo de seus diplomados mais ilustres – os cantores!

Cena de Jammin' the Blues

Cena de Jammin’ the Blues

Como não podia deixar de acontecer, Hollywood decidiu investir na popularidade das grandes bandas, incluindo-as em filmes de longa-metragem. Alguns deles colocaram-nas em tramas e situações ridículas e inverossímeis e outros apresentaram-nas como elas realmente eram. Certas companhias realizaram também shorts, alguns dirigidos com inteligência. A Warner produziu Symphony of Swing / 1939, Jammin’ the Blues / 1944 e a “Melody Masters” Series, na qual Jean Negulesco, com o auxílio dos fotógrafos, George Barnes e Charles Rosher, fizeram malabarismos usando espelhos e ângulos bizarros.  A Universal rodou a série Name Band Musical. A Paramount realizou Paramount Headliners. A Columbia tinha uma série denominada Community Sing, que passou no Brasil sob o título de O Mundo Canta e não era especificamente sobre bandas, dela constando apenas Gene Morgan e sua orquestra. Em 1938, a MGM mandou George Sidney a Forth Worth, Texas para filmar a Billy Rose’s Casa Mañana Revue, show estrelado pela bailarina Harriet  Hoctor. A RKO fez Let’s Make Rhythm / 1946. A Fox apresentou Movietone Melodies.

bandas caca manan poster

A Soundies Distributing Corporation of America, por sua vez, divulgava as bandas através dos soundies (filmes de 16mm com duração de 3 minutos exibidos nas juke boxes). No catálogo da Castle Films encontra-se a série Band Parade, cada item combinando três números musicais de 3 minutos dos shorts da série Name Band Musical da Universal em 9 minutos.

Depois que a era das big bands acabou e segmentos do público começaram a pensar nostalgicamente no que haviam perdido, algumas empresas cinematográficas resolveram fazer filmes biográficos sobre os grandes artistas como os Dorseys, Eddie Duchin, Benny Goodman, Red Nichols, Glenn Miller.

 

                                                                    FILMOGRAFIA

1930

O Rei do Jazz / King of Jazz. Paul Whiteman.

Check and Double Chek. Duke Ellington.

Ex-Flame. Louis Armstrong.

Paul Whiteman e sua orquestra em O Rei do Jazz

Paul Whiteman e sua orquestra em O Rei do Jazz

1932

Ondas Musicais / The Big Broadcast. Cab Calloway; Vincent Lopez.

 1933

Sweetheart of Sigma Chi. Ted Fio Rito.

Torre de Babel / International House . Cab Calloway.

1934

Muitas Felicidades / Many Happy Returns. Guy Lombardo.

Vinte Milhões de Namoradas / Twenty Million Sweethearts. Mills Brothers; Ted Fio Rito.

Dick Powell, Ginger Rogers e Ted Fio Rito em Vinte Milhões de Namoradas

Dick Powell, Ginger Rogers e Ted Fio Rito em Vinte Milhões de Namoradas

 1935

Ondas Sonoras / The Big Broadcast of 1936. Ray Noble. 

1936

Ondas Sonoras de 1937 / The Big Broadcast of 1937. Benny Goodman.

Dinheiro do Céu / Pennies from Heaven. Louis Armstrong.

Canta e Serás Feliz / The Singing Kid. Cab Calloway

1937

Artistas e Modelos / Artists and Models. Louis Armstrong.

Adorável Impostora / Dancing Co-Ed.  Artie Shaw.

Hollywood Hotel / Hollywood Hotel. Benny Goodman, Raimond Paige.

Artistas em Folia / Manhattan Merry-Go-Round. Ted Lewis, Cab Calloway, Louis Prima.

Aprenda a Sorrir / Varsity Show. Fred Waring.

arroz VAROSITY SHOW BEST

1938

Mocidade Gloriosa / Start Cheering. Louis Prima; Johnny Green.

Coragem a Muque / Going Places. Louis Armstrong.

1939

Garota Apaixonada / Some Like It Hot. Gene Krupa.

O Caloteiro / So’s Your Uncle. Jack Teagarden, Jan Garber.

Isso Mesmo, Está Errado! / That’s Right, You’re Wrong. Kay Kyser.

Paulette Goddard e Fred Astaire em

Paulette Goddard e Fred Astaire em Amor de Minha Vida

Artie Shaw e sua orquestra em Amor da Minha Vida

Artie Shaw e sua orquestra em Amor da Minha Vida

 1940

O Rei da Alegria / Strike Up the Band. Paul Whiteman.

Amor da Minha Vida / Second Chorus. Artie Shaw.

O Palácio dos Espíritas / You’ll Find Out. Kay Kyser.

Dois Romeus Enguiçados / Playmates. Kay Kyser.

Desfile Triunfal / Hit Parade of 1941. Jan Garber.

1941

Bola de Fogo / Ball of Fire. Gene Krupa.

Sinfonia Bárbara/ Birth of the Blues. Jack Teagarden.

Uma Canção para Você / Blues in the Night. Jimmie Lunceford; Will Osborne.

Quero Casar-me Contigo / Sun Valley Serenade. Glenn Miller.

Glenn Miller e sua orquestra em

Glenn Miller e sua orquestra em Quero Casar-me Contigo

ana SUN VALLEY SERENADE POSTER

Entra no Cordão / Time Out for Rhythm. Glen Gray e Casa Loma Orchestra.

Noites de Rumba / Las Vegas Nights. Tommy Dorsey.

Vamos Compor Música / Lets Make Music. Bob Crosby.

A Namorada do Colégio / Sweetheart of the Campus. Ozzie Nelson.

Ruby Keeler e Ozzie Nelson e sua orquestra em Sweetheart of the Campus

Ruby Keeler e Ozzie Nelson e sua orquestra em Sweetheart of the Campus

 1942

Duas Semanas de Prazer / Holiday Inn. Bob Crosby.

Bodas no Gelo/ Iceland. Sammy Kaye.

 Rainha das Melodias/ Juke Box Jenny. Charlie Barnet.

 O Prefeito da Rua 44 / Mayor of 44th Street. Freddy Martin.

 Aspirante a Músico / Strictly in the Grove. Ozzie Nelson.

 Minha Espiã Favorita / My Favorite Spy. Kay Kyser.

ARROZ ORCHESTRA ORCHESTRA

Serenata Azul / Orchestra Wives. Glenn Miller.

Private Buckaroo. Harry James.

Cavalgada de Melodias / Syncopation. Charlie Barnet; Benny Goodman, Harry James, Alvino Rey, Gene Krupa, Joe Venuti.

Minha Secretária Brasileira / Springtime in the Rockies. Harry James.

Alvorada da Alegria / Reveille with Beverly. Bob Crosby; Freddie Slack; Duke Ellington; Count Basie.

Rua das Ilusões / The Big Street. Ozzie Nelson.

Rhythm Parade. Mills Brothers, Ted Fio Rito.

Tudo por um Beijo / The Fleet’s In. Jimmy Dorsey.

asa THE FLEET'S IN

Sete Dias de Licença / Seven Days Leave. Les Brown; Freddie Martin.

Barulho a Bordo / Ship Ahoy. Tommy Dorsey; The Pied Pipers.

Dois Herdeiros e um Trapaceiro / Sing Your Worries Away. Alvino Rey.

De Que Se Trata? / What’s Cookin’. Woody Herman.

Bonita Como Nunca / You Were Never Lovelier. Xavier Cugat.

Mania Musical / Strictly in the Groove. Ozzie Nelson

 1943

Carmen Miranda em Entre a Loura e a Morena

Carmen Miranda em Entre a Loura e a Morena

Entre a Loura e a Morena / The Gang’s All Here. Benny Goodman.

Herança Mágica / Swing Fever.  Kay Kyser

A Filha do Comandante / As Thousands Cheers. Kay Kyser; Bob Crosby; Benny Carter.

Noivas de Tio Sam / Stage Door Canteen. Guy Lombardo; Benny Goodman; Xavier Cugat; Freddy Martin; Count Basie; Kay Kyser.

Rainha dos Corações / Best Foot Forward. Harry James.

Uma Cabana no Céu / Cabin in the Sky. Duke Ellington.

Nasce o Amor / Hit Parade of 1943. Count Basie; Ray McKinley; Freddy Martin.

Louco por Saias / Girl Crazy. Tommy Dorsey.

Lily, a Teimosa / Presenting Lily Mars. Bob Crosby; Tommy Dorsey.

Here Comes Elmer. Jan Garber.

arroz STORMY WEATHER POSTER

Cab Calloway em Tempestade de Ritmos

Cab Calloway em Tempestade de Rítmo

Tempestade de Rítmo / Stormy Weather. Cab Calloway.

Pistoleiros sem Pistola / Hit the Ice. Johnny Long.

Amor Tirano / Honeymoon Lodge. Ozzie Nelson

Muralhas de Jericó/ I Dood It. Jimmy Dorsey

Melody Parade. Ted Fio Rito.

Patins de Prata / Silver Skates. Ted Fio Rito. 

Tudo por Ti / The Sky’s The Limit. Freddie Slack.

asa WHAT'S BUZZIN

O Amor Faz Das Suas / What’s Buzzin’ Cousin. Freddy Martin.

Flor de Inverno / Winter Time. Woody Herman.

Sedução Tropical / The Heat’s On. Xavier Cugat.

Casa de Loucos / Crazy House. Count Basie.

Amor e Batucada / Follow the Band. Alvino Rey.

 1944

Harry James em Escola de Sereias

Harry James em Escola de Sereias

ARROZ BATHING BEAUTY POSTEREscola de Sereias / Bathing Beauty. Harry James; Xavier Cugat.

Atlantic City / Atlantic City. Louis Armstrong.

Orgia Musical / Jam Session. Charlie Barnet; Glen Gray e Casa Paloma Orchestra; Alvino Rey; Jan Garber; Louis Armstrong; Teddy Powell; The Pied Pipers.

Mocidade Divertida / Babes of Swing Street. Freddie Slack.

Viva a Folia! / Broadway Rhythm. Tommy Dorsey.

Epopéia da Alegria / Follow the Boys. Freddie Slack; Ted Lewis; Charlie Spivak; Louis Jordan.

Vênus e Companhia / Gals Incorporated. Glen Gray e Casa Paloma Orchestra, The Pied Pipers.

arroz MEET MTHE PEOPLE MEET

Dê-se Com a Gente  / Meet the People. Spike Jones; Vaughn Monroe.

Um Sonho em Hollywood / Hollywood Canteen. Jimmy Dorsey, Carmen Cavallaro.

Pequena do Cabaré / Hat Check Honey. Freddie Slack; Ted Weems; Harry Owens.

Olá, Beleza! / Hi Good Lookin. Ozzie Nelson; Jack Teagarden.

Casei-me por Engano / Music in Mahattan. Charlie Barnet.

asa SENSATIONS

Sensações de 1945 / Sensations of 1945. Woody Herman; Cab Calloway.

7 Dias Para Amar / Seven Days Ashore. Freddie Slack; Freddy Fisher.

Explosão Musical / Sweet and Lowdown. Benny Goodman.

Sweethearts of the USA. Jan Gaber.

Dono do Seu Destino / Take It Big. Ozzie Nelson.

Xavier Cugar em Duas Garotas e um Marujo

Xavier Cugar em Duas Garotas e um Marujo

Duas Garotas e um Marujo / Two Girls and a Sailor. Harry James; Xavier Cugat.

Idílio Sincopado / Carolina Blues. Kay Kyser.

Xerife Trovador / The Singing Sheriff. Spade Cooley.

1945

ana thrill thrill

Paixão em Jogo / Thrill of a Romance. Tommy Dorsey.

Que Falta faz Um Marido / Pillow to Post. Louis Armstrong.

 1946

A Professora  se Diverte / Do You Love Me?. Harry James.

Música, Maestro! / Make Mine Music. Benny Goodman.

Sem Licença Nem Amor / No Leave, No Love. Xavier Cugat.

Ruby Keeler e Ozzie Nelson e sua orquestra em Sweetheart on the Campus

Ruby Keeler e Ozzie Nelson e sua orquestra em Sweetheart on the Campus

Xavier Cugat e sua orquestra no Waldorf Astoria

Xavier Cugat e sua orquestra no Waldorf Astoria

Aquí Começa a Vida / Weekend at the Waldorf. Xavier Cugat.

Se Eu Fosse feliz / If I’m Lucky. Harry James.

Um Parecido Infernal / Freddie Steps Out. Charlie Barnet.

Uma Pequena Ideal / Idea Girl. Charlie Barnet.

Canção da Alvorada / Riberboat Rhythm. Frankie Carle.

1947

Sinfonia Romântica / Beat the Band. Gene Krupa.

Carnegie Hall / Carnegie Hall. Vaughn Monroe.

Romance, Sorriso e Música / Hit Parade of 1947. Woody Herman.  

arroz HI DE DO POSTER

Cab Calloway em Hi-De-Do

Cab Calloway em Hi-De-Do

HI-De-Ho. Cab Calloway.

New Orleans / New Orleans. Louis Armstrong, Woody Herman.

Férias Atribuladas / Sarge Goes to College. Russ Morgan.

Os Fabulosos Dorseys / The Fabulous Dorseys. Biog. Irmãos Dorsey. Paul Whiteman, Charlie Barnet.

Aquela Mulher Ingrata / Ladie’s Man. Spike Jones.

Saudade de Teus Lábios / This Time for Keeps. Xavier Cugat.

 1948

O Príncipe Encantado / A Date With Judy. Xavier Cugat.

Romance em Ritmo / Glamour Girl. Gene Krupa.

Jane Powell e orquestra de Xavier Cugat em Transatlântico de Luxo

Jane Powell e orquestra de Xavier Cugat em Transatlântico de Luxo

Transatlântico de Luxo / Luxury Liner. Xavier Cugat.

A Canção Prometida / Song is Born. Benny Goodman; Tommy Dorsey; Louis Armstrong; Lionel Hampton; Charlie Barnet; Mel Powell.

Tempo de Melodia / Melody Time. Fred Waring; Freddy Martin.

Numa Ilha Com Você / On An Island With You. Xavier Cugat.

1949

Amor e Melodia / Make Believe Ballroom. Gene Krupa, Charlie Barnet, Jimmy Dorsey, Jan Garber, Pee Wee Hunt, Ray McKinley.

Make Mine Laughs. Frankie Carle.

A Filha de Netuno / Neptune’s Daughter. Xavier Cugat.

Ricardo Montalban e Esther Williams em A Filha de Netuno

Ricardo Montalban e Esther Williams em A Filha de Netuno

Xavier Cugat e sua orquestra em A Filha de Netuno

Xavier Cugat e sua orquestra em A Filha de Netuno

 1950

De Corpo e Alma / I’ll Get By. Harry James.

 1951

Amei e Errei / The Strip. Louis Armstrong.

1954

James Stewart em Música e Lágrimas

James Stewart em Música e Lágrimas

Cena de Música e Lágrimas

Cena de Música e Lágrimas

Música e Lágrimas / The Glenn Miller Story. Biog. Glenn Miller.

1956

Cena de A Música Inesquecível de Benny Goodman

Steve Allen em A Música Irresistível de Benny Goodman

A Música Irresistível de Benny Goodman / The Benny Goodman Story. Biog. Benny Goodman.

Alta Sociedade / High Society. Louis Armstrong. 

1957

Rockabilly Baby. Les Brown.

1959

cena de A Lágrima que Faltou

Danny Kaye em A Lágrima que Faltou

Sal Mineo em O Rei do Rítmo

Sal Mineo em O Rei do Rítmo

A Lágrima que Faltou / The Five Pennies. Louis Armstrong. Biog. Red Nichols.

O Rei do Rítmo / The Gene Krupa Story. Biog. Gene Krupa.

A Noite dos Malditos / The Beat Generation. Louis Armstrong.

 

 

 

 

POPEYE NO FLEISCHER STUDIO

May 28, 2016

Em 1932, o Fleischer Studio (sobre este estúdio e suas produções anteriores, ver meu post de 3 de novembro de 2010: A Época Clássica do Desenho Animado Americano) celebrou contrato com o King Features Syndicate, para produzir os desenhos animados do Popeye, um marujo brigão e piadista, cuja principal fonte de energia era a sua lata de espinafre.

Elzie Crisler Segar

Elzie Crisler Segar

O personagem surgiu no mundo das histórias em quadrinhos, quando Elzie Crisler Segar concebeu o marinheiro musculoso, na tira clássica Thimble Theatre. Originariamente, o namorado de Olive Oyl chamava-se Harold Ham Gravy – e havia também os membros da família Oyl (o irmão de Olivia, Castor, e os pais Cole e Nana) e outros personagens como Swee’ Pee, Eugene the Jeep, J. Wellington Wimpy ou Wimpy, Geezil, Toar, Alice, the Goon, Poopdeck Papy, Oscar, Rough-House, Bluto the Terrible, Vulture, Bernice the Hen, etc. – mas, em 17 de janeiro de 1929, Popeye passou a ser o centro das atenções da magricela.

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Popeye e sua lata de espinafre

Popeye e sua lata de espinafre

No Brasil, os quadrinhos de Popeye foram publicados pela primeira vez em 1932, no jornal Diário de Notícias em cujas páginas Olivia Palito (Olive Oyl) chamava-se Catharina e Dudu (Wimpy), o gorducho comilão de sanduíches, atendia pelo nome de Pimpão. Depois, em 1936, o marinheiro enfezado apareceria no Suplemento Juvenil da Ebal em cores com o nome de Brocoió (e Olivia com o nome de Serafina), ganhando, nos anos cinquenta, revista própria nesta mesma editora. Outro personagem da HQ brasileira era Gugu (Swee‘Pee), filho de criação do marinheiro, também mencionnado como Zezé e Procopinho.

Olivia /Catharina e Dudú / Pimpão no Diário de Notícias

Olivia /Catharina e Dudú / Pimpão no Diário de Notícias

 

Popeye na Capa da Revista da EBAL

Popeye na Capa da Revista da EBAL

A estréia de Popeye na tela deu-se num desenho da Betty Boop, Marinheiro Matamouro / Popeye, the Sailor / 1933, porque os Fleischer (Max e seu irmão Dave) queriam avaliar a reação do público antes de colocá-lo como astro de um cartum. William Costello, cantor de boate, foi o primeiro a interpretar Popeye, porém foi despedido depois que “o sucesso lhe subiu à cabeça”. Quando Dave estava andando pelo departamento de animação do estúdio, ele ouviu Jack Mercer, um animador novato, cantando a canção tema de Popeye e o contratou na hora. Mercer continuaria fazendo a voz de Popeye por mais de 45 anos, contando com os desenhos animados produzidos para a televisão

Max Fleischer

Max Fleischer

Betty Boop e Popeye em Marinheiro Matadouro

Betty Boop e Popeye em Marinheiro Matadouro / Big Chief Ugh-Amough-Ugh

Popeye, Bluto e Olivia Palito

Popeye, Bluto e Olivia Palito

William Costello

William Costello

Dave Mercer

Dave Mercer

Mae Questel

Mae Questel

Mae Questel, que fazia também a voz de Betty Boop, interpretava Olyve Oil. Mae demonstrou sua versatilidade durante o decorrer da série, tendo inclusive feito a voz de Popeye em vários desenhos, quando Mercer foi mandado para o além-mar na Segunda Guerra Mundial. Um barítono chamado Gus Wickie fêz a voz original de Bluto. O último desenho com a sua participação foi O Rei da Tribo / Big Chief Ugh-Amough-Ugh / 1938. Posteriormente, Jackson Beck emprestou a voz para o brutamontes barbudo.

Popeye e Olivia em O Rei da Tribo

Popeye e Olivia em O Rei da Tribo

O Fleischer Studios funcionava em Nova York com o apoio financeiro da Paramount. Mas, como recipientes do dinheiro da Paramount, os Fleischer também estavam à mercê da administração desta grande companhia de Hollywood. Durante a Grande Depressão, a Paramount passou por várias mudanças e reorganizações, que afetaram o orçamento para as produções e criaram obstáculos para o desenvolvimento do estúdio dos Fleischer.

Quando o processo Technicolor de três cores se tornou disponível, a Paramount vetou-o, preocupada com seu equilíbrio econômico, dando a Walt Disney a oportunidade de adquirir uma exclusividade para usar o processo por quatro anos. Dois anos depois, a Paramount aprovou a produção em cores para os Fleischer, porém apenas em um processo inferior de duas cores.

Popeyer contra Bluto em Popeye e Sinbad o Marujo

Popeyer contra Bluto em Popeye e Sinbad o Marujo

A série Color Classics foi introduzida em 1934 como uma resposta dos Fleischer para as Sinfonias Singulares / Silly Simphonies de Disney. Estes cartuns coloridos foram enriquecidos com um efeito de fundo tri-dimensional chamado “Processo Estereótico”, precursor da câmara multiplana de Disney. Esta técnica foi utilizada nos desenhos de Popeye de maior formato como, por exemplo, O Marinheiro Popeye Contra Sinbad o Marujo / Popeye the Sailor Meets Sinbad the Sailor / 1936 e Popeye, o Marinheiro contra os 40 Ladrões de Ali Baba / Popeye the Sailor Meets Ali Baba ‘s Forty Thieves / 1937 e Aladino e a Lâmpada Maravilhosa / Popeye The Sailor Meets Aladdin and his Wonderful Lamp / 1939 (em cores). Esta série de cartuns de dois rolos expressava o desejo dos Fleischer de produzir desenhos animados de longa-metragem.

popeye meets ali baba poster

Em 1937, a produção no Fleischer Studios foi afetada por uma greve, que deixou seus cartuns fora das telas. Após cinco meses, a Paramount persuadiu os Fleischer a chegarem a um acordo com os grevistas. Então, em março de 1938, o Fleischer Studios mudou-se para Miami, Florida, não só para se afastar da agitação sindicalista, mas também porque ele precisava de mais espaço para a produção de longas-metragens. Coincidentemente, com a mudança, o relacionamento entre os irmãos Dave e Max começou a se deteriorar, porque Dave iniciou um romance adulterino com a sua secretária e a crise foi agravada por outras disputas pessoais e profissionais.

popeye and aladdin

Na onda do êxito indiscutível de Disney com Branca de Neve e os Sete Anões / Snow White and the Seven Dwarfs em 1937, os executivos da Paramount atenderam finalmente aos constantes pedidos dos Fleischer para produzir desenhos animados de longa-metragem. A fim de financiar o novo projeto, os Fleischer negociaram um empréstimo com a Paramount, dando como garantia os ativos do estúdio pelo prazo de dez anos do empréstimo. Embora As Aventuras de Gulliver / Gulliver’s Travels / 1939 tivesse tido uma bilheteria razoável, ela não recuperou todos os custos da produção.popeyer gulliver travels BEST

O golpe final veio com o infortunado lançamento de seu segundo longa-metragem, No Mundo da Carochinha / Mr. Buggs Comes to Town / 1941, dois dias antes do ataque japonês a Pearl Harbor. Em maio de 1941, a Paramount iniciou a tomada de posse do Fleischer Studios. Max permaneceu nominalmente como diretor, mas sua briga com Dave complicava a situação.

popeye MR . BUGGS

Logo depois da estréia de No Mundo da Carochinha, Dave partiu para a Califórnia, a fim de chefiar a unidade de produção de desenhos animados da Screen Gems pertencente à Columbia Pictures. Este passo constituiu uma infração contratual de Dave, por ter aceitado uma posição em um estúdio concorrente enquanto ainda estava contratado pela Paramount. Esta ruptura de contrato, juntamente com o aumento substancial da dívida dos Fleischer para com a Paramount, permitiu que o estúdio maior assumisse o controle do estúdio menor, obrigando Max a pedir demissão.

A Paramount nomeou novos administradores, entre eles o genro de Max, Seymour Kneitel. Em maio de 1942, o estúdio recebeu um novo nome, Famous Studios, e dentro de oito meses transferiu suas instalações de volta para Nova York.

DESENHOS DE POPEYE REALIZADOS NO FLEISCHER STUDIO E EXIBIDOS ORIGINARIAMENTE NOS CINEMAS BRASILEIROS, COM OS RESPECTIVOS TÍTULOS EM PORTUGUÊS QUE PUDE ENCONTRAR, CONSTANTES DE MEU ARQUIVO PARTICULAR.

1933:

Cena de Grumete Mata Sete

Cena de Grumete Mata Sete

Marinheiro Matamouro / Popeye the Sailor (Betty Boop Cartoon). Marinheiro Vence Tudo / I Yam What I Yam. Grumete Mais Sete / Blow Me Down. Bumba Meu Boi / I Eats My Spinach. Presente de Natal / Seasons Greetinks. Comigo é no Duro / Wild Elephinks.

1934:

popeye SOCK A BYE BABY

Não Desperte o Bebê / Sock-a-bye Baby. Murros e Esturros / Let’s You and Him Fight. Pontaprezios / The Man on the Flying Trapeze. O Clube dos Valentes / Can You Take It. O Rival de Vulcano / Shoein’ Hosses. Mais Forte que um Touro / Strong To The Finich. Pagarás Velhaco / Shiver Me Timbers. Dois Testudos / Axe Me Another. Os Dois Bombeiros / The Two-Alarm Fire. Desafio de Dança / The Dance Contest. Sopas e Sopapos / We Aim to Please.

1935:

Cena de 20.000 Socos Submarinos

Cena de 20.000 Socos Submarinos

Beware of Barnacle Bill. Be Kind to Animals. Entre Dois Rivais / Please to Meet Cha. E…Pinates … à Dor / The Hyp-Nut-Tist. Choose Your Weppins. For Better or Worser. 20.000 Socos Submarinos / Dizzy Divers. You Gotta Be A Football Hero. O Bamba do Parque / King of the Mardi Gras. Adventures of Popeye (começa com cenas de ação vivo de um menino que acabou de comprar um livro com historietas do Popeye e é agredido por outro. Diante disso, Popeye adquire vida e sai da história em quadrinhos para aconselhar seu jovem amigo e relembrar suas aventuras do passado, surgindo então trechos de vários desenhos. O menino agredido, inspirado pelas façanhas do seu herói e com a ajuda do espinafre, vai atrás do agressor e dá uma surra nele). Competição de Batutas / The Spinach Overture.

1936:

popeye BROTHERLY LOVE

O Professor de Sopapos / Vim Vigor and Vitaliky. Barbas de Molho / A Clean Shaven Man. Por Amor do Próximo / Brotherly Love. Alpinista da Crista / I Love Ski You Ski. Ajuste de Contas / Bridge Ahoy. What-No Spinach?. Os Bambas do Banho / I Wanna Be a Life Guard. Mudança e Bulha / Let’s Go Movin’. Never Kick a Woman. Little Swee’ Pea. Sopapos a Fio / Hold The Wire. O Valente ao Volante / The Spinach Roadster. A Luta Pela Farda / I’m In The Army Now.

1937:

O Limpador de Vidraças / The Paneless Window Washer. Eu te re…aleijo / Organ Grinder’s Swing. Arte Viva / My Artistical Temperature. Por Amor de Enfermeira / Hospitaliky. Campeão de Basebol / The Twisker Pitcher. Dança do Apache / Morning Noon and Night Club. Filhinho do Papai / Lost and Foundry. Quanto Mais Alto Melhor / I Never Changes My Altitude. Ri, Ri, Bebê / I Like Babies and Infinks. O Rei do Footbal / The Footbal Toucher Downer. Protetor por Atacado / Protek The Weakerist. Um Presente da Arábia / Fowl Play.

1938:

Cena de A Lição de Etiqueta

Cena de A Lição de Etiqueta

A Vovó Faz Das Suas / Let’s Celebrake. A Lição de Etiqueta / Learn Polikeness. Bombeiro e Construtor / The House Builder Upper. O Rei da Tribo / Big Chief Ugh-Amugh-Ugh. Males de Amor / I Yam Love Sick. O Dilúvio Encanado / Plumbin’ Is A Pipe. O Cão Invisível / The Jeep. O Touro Avacalhado / Bull Dozing The Bull. Chifrim a Bordo / Mutiny Ain’t Nice. O Prisioneiro da Ilha / Goonland. Patina Palito / A Date To Skate. Com a Policia Não se Pode / Cops Is Always Right.

1939:

popeye WOTTA NIGHTMARE

Rivalidade de Bambas / Customers Wanted. Mais Vale Estar Só / Leave Well Enough Alone. Que Pesadelo / Wotta Nitemare. Aventuras do Outro Mundo / Ghosks Is the Bunk. Quem Sou Eu? Hello-How Am I? Comigo é Assim / It’s The Natural Thing To Do. Castigo de Consciência / Never Sock A Baby.

1940:

Cena de Romeu e Julieta e Companhia

Cena de Romeu e Julieta e Companhia

Romeu e Julieta e Companhia / Shakesperean Spinach. Venetas de Mulher / Females Is Fickle. Ladrão Com O Furto na Mão / Stealin’ Ain’t Honest. A Vaca Faz o Vaqueiro / Me Feeling Is Hurt. A Todo Vapor / Onion Pacific. A Mulher é um Mistério / Wimmen Is A Myskery. Fazendo de Ama Sêca / Nurse-Mates. Fightin’ Pals. Fazendo o Impossível / Doing Impossikible Stunts. A Lição do Volante / Wimmin Hadn’t Oughta Drive. Popeye Diretor de Orquestra / Puttin On The Act. O Pomo da Discórdia / Popeye Meets William Tell. Tal Pai Tal Ovelha / My Pop My Pop. Papai Daquí Não Sai / With Poopdeck Pappy. O Presente de Aniversário / Popeye Presents Eugene The Jeep.

1941:

Cena de O Batuta da Armada

Cena de O Batuta da Armada

Papai No Pau de Sebo / Problem Pappy. O Doente Sabido / Quiet Please. O Bilhete de Loteria / Olive’s Sweepstakes Ticket, Maldita Mosca / Flies Ain’t Human. O Velho Que Dormiu Cem Anos / Popeye Meets Rip Van Winkle, Um Mimo de Anos / Olive’s Birthday Presink, Educando o Bebê / Child Psykalojiky, Piloto do Capiroto / Pest Pilot. Esbarro e Espanta Corvo / I’ll Never Crow Again. O Batuta da Armada / The Mighty Navy. Não Me Venhas Com Hipnotismo / Nix On Hypnnotricks.

1942:

Cena de Os Sobrinhos do Popeye

Cena de Os Sobrinhos do Popeye

Viva La Conga / Kickin’ the Congo Around. O Homem Submarino / Blunder Below. O Bombardeiro Humano / Fleets of Strenght. Os Sobrinhos do Popeye / Pipeye, Pupeye, Poopeye and Peepeye. Mulher é o Demo de Saias / Olive Oil And Water Don’t Mix. Popeye Motorizado / Many Tanks. Quem Não Chora Não Mama /Baby Wants a Bottleship.

 

ANIMAIS NO CINEMA AMERICANO CLÁSSICO

May 13, 2016

Desde os primeiros tempos do cinema os animais foram usados pelos realizadores de filmes, fossem eles verdadeiros ou falsos, construídos por meio de truques. No filme em que o jovem D. W. Griffith estreou como ator, Rescued from an Eagle’s Nest / 1908, aparecia uma águia de mentira que pegava um bebê e voava com ele – Griffith era o lenhador que salvava a criança.

Rescued from an Eagle's Nest

Rescued from an Eagle’s Nest

No início da cena muda os animais selvagens eram falsificados: alguém vestido com uma pele de leão ou de gorila. Porém quando as platéias se tornaram mais sofisticadas, um número extraordinário de animais de todas as espécies, passaram a ser utilizados. Mack Sennett possuia uma das maiores coleções particulares de animais vivos em cativeiro.

Gloria Swanson (ainda uma bathing beauty) e Teddy

Gloria Swanson (ainda uma bathing beauty) e Teddy

Além de Teddy, o cão dinamarquês que dirigia um trem e tinha o seu próprio dublê, Sennett possuia Luke, o companheiro de Fatty Arbuckle nas suas comédias; Props, um cão vadio que apareceu um dia no estúdio, arrancou lágrimas de um bebê, e foi logo contratado; e Cameo, que fumava charutos e bebia gin. Sennett tinha ainda a elefoa Anna May, os leões Numa, Jackie e Duke, o gato Pepper, a galinha Susie, a macaca Josephine – que jogava bilhar e golfe, e conseguia dirigir um carro -; e a gata Pepper, considerada tão esperta que, quando seu parceiro Teddy morreu e puseram um cão parecido com ele como substituto, ela fugiu do palco de filmagem. Astro de mais de 18 filmes, o filme mais famoso de Teddy foi Teddy at the Throttle / 1917, típico das comédias da Keystone. O filme combinava cenas absurdas, inclusive uma corrida contra o tempo para salvar a heroína (a bathing beauty de Sennett, Gloria Swanson) de ser atropelada por um trem.

Fatty Arbuckle e Luke

Fatty Arbuckle e Luke

Além dos cachorros de Sennett surgiram: Sandow, Brownie, Silverstreak, Ranger, Fangs, Thunder, Peter the Great, Dynamite, Lightning, Peter the Second, Fido, Napoleon Bonaparte e outros; porém os mais famosos durante o período silencioso foram a border collie Jean e o pastor alemão Strongheart.

Jean, também conhecida como The Vitagraph Dog (houve outra cadela, Shep, denominada “The Thanhouser Collie”) foi o primeiro astro canino a ter o seu nome no título de seus filmes. Ela era de propriedade de Laurence Trimble, um aspirante a escritor e ator residente no Maine, que se mudou para Nova York em 1906. Trimble escreveu um artigo para uma revista sobre a realização de filmes, que o levou ao estúdio da Vitagraph em Brooklyn. Por acaso ele estava em um palco de filmagem quando o diretor procurava um cão para contracenar com Florence Turner, atriz conhecida como a “Vitagraph Girl”. Trimble sugeriu que seu cão poderia desempenhar o papel, e ele e Jean passaram a integrar a equipe permanente da Vitagraph. Trimble tornou-se um diretor importante na empresa, dirigindo a maioria dos filmes de Florence Turner e John Bunny, assim como os de Jean.

Jean, The Vitagraph Dog

Jean, The Vitagraph Dog

Em dezembro de 1912, Jean deu à luz seis filhotes – dois machos e quatro fêmeas – e foi o assunto de um documentário curta da Vitagraph, Jean and Her Family / 1913. Em março de 1913, Trimble e Jean deixaram a Vitagraph e acompanharam Florence Turner à Inglaterra, onde ela fornou sua própria companhia, Turner Films. Em agosto de 1915, Trimble e seu astro canino retornaram aos Estados Unidos.

Jean morreu em 1916 e Trimble e sua esposa, a dramaturga e roteirista Jane Murfin encontraram outro cão em uma viagem à Alemanha. Eles compraram um pastor alemão chamado Etzel von Oeringen, que teria sido treinado como cão policial e servido à Cruz Vermelha Germânica, mudaram seu nome para Strongheart, e ele se tornou o primeiro maior astro canino do cinema americano.

animais strongheart poster

Strongheart atingiu o estrelato em Chamado Silencioso / The Silent Call / 1921. Ele interpretava um cão chamado Flash. Seu dono, Clark Moran (John Bowers) é apaixonado por Betty Houston (Kathryn McGuire), e quando Clark se ausenta da cidade, Flash, que era metade lobo, vema ser acusado do assassinato de ovelhas e condenado à morte pelos fazendeiros locais. Flash escapa para as montanhas onde encontra uma fêmea. O pai de Betty é capturado por um bando de ladrões de gado que recebem ordens de Luther Nash (James Mason), rival de Moran. Betty também é raptada, e através de Flash, o bando acaba encurralado pelo xerife, e a moça e seu pai são salvos. Flash cai com o chefe do bando Ash Brent (William Dyer) nas correntezas de um rio, e apenas o cão sobrevive. Há um momento na narrativa em que Strongheart volta para seu abrigo e vê que uma explosão havia bloqueado a entrada da caverna, deixando seus filhotes presos lá dentro. Esta cena fez muita gente chorar e tornou o astro canino uma atração de bilheteria. Logo, ele estava respondendo numerosas cartas e mandando fotografias para os fãs, que eram autografadas com a marca de uma pata.

Rith Dwyer , Stronghewart e Theodore Von Eltz em White Fang

Rith Dwyer, Strongheart e Theodore Von Eltz em White Fang

Dos seis filmes do “cão sábio” (como Strongheart era anunciado no Brasil), além de Chamado Silencioso, passaram nas telas de nosso país: Miragem do Norte / Brawn of the North / 1922, Estrela do Norte /North Star / 1925, Garras Brancas / White Fang / 1925, A Vitória do Bem / The Return of Boston Blackie / 1927, ficando The Love Master / 1924  inédito entre nós. Em 1929, quando estava sendo filmado, Strongheart tocou acidentalmente uma luz muito quente do estúdio e se queimou. Essas queimaduras causaram-lhe um tumor, que acabou ocasionando sua morte naquele mesmo ano. Strongheart foi o maior rival de Rin-Tin-Tin, para quem acabou perdendo o primeiro lugar na afeição do público.

Lee Duncan e Rinty filhote

Lee Duncan e Rinty filhote

A história de Rin Tin Tin começou na manhã de 15 de novembro de 1918, quando o soldado americano, Cabo Lee (Leland) Duncan, encontrou em um canil alemão abandonado, uma cadela com cinco cachorrinhos recém-nascidos, que ele resgatou, eventualmente levando dois deles para os Estados Unidos. Duncan chamou seus filhotes, uma fêmea e um macho, de Nanette e Rin Tin Tin, inspirado nos nomes dos bonequinhos de boa sorte (Nénette e Rintintin) que os soldados francêses levavam consigo durante a guerra. Nanette morreu assim que chegou em Nova York, mas Rin Tin Tin sobreviveu.

Lee Duncan e Rinty em 1926

Lee Duncan e Rinty em 1926

Quando participava de um show no Shepherd Dog Club of America, Rin Tin Tin empolgou o público com sua capacidade de pular uma cerca bem alta. Um homem chamado Charles Jones filmou esta cena e a vendeu para companhia Novagraph, que enviou um cheque de 350 dólares para Duncan, em troca de sua permissão para usá-la em um de seus cinejornais. Percebendo a extraordinária capacidade de aprendizagem e o magnetismo do seu cão, Duncan decidiu treiná-lo para o cinema.

A primeira aparição de Rinty na tela deu-se em The Man from Hell’s River / 1922, contratado pela Irving Cummings Productions. O próprio Cummings autou como produtor, roteirista, diretor e ainda como ator, ao lado de Eva Novak e Wallace Beery. Cummings era o mocinho, um membro da Policia Montada Canadense e Beery, o vilão, apelidado de The Wolf (O Lobo). No desenlace, Rinty matava O Lobo e salvava a heroina Mabelle, interpretada por Eva Novak.

 

rinty a dog dog dog

Rinty em A Dog of the Regiment

Rinty em Camarada é Camarada

Em 1923, agora integrado à Warner Bros., Rinty estreou em Onde o Norte Começa / Where the North Begins, no papel de um filhote de pastor alemão adotado por uma alcateía, tornando-se um cachorro-lobo. Ele fez 21 filmes na Warner, todos exibidos no Brasil (além de Onde o Norte Começa: Sombras do Norte / Shadows of the North / 1923; Procura Teu Dono / Find Your man / 1924;  O Farol da Ponta do Mar /  The  Lighthouse by the Sea / 1924; Perdidos nas Regiões Geladas / Tracked in Snow Country / 1925; Colisão de Feras / Clash of Wolves / 1925; Os Cães Iguais aos Homens / Below the Line / 1925; O Herói das Grandes Neves / Hero of the Big Snows / 1926; O Grito da Noite / The Night Cry / 1926; Enquanto Londres Dorme / While London Sleeps / 1926; O Terror das Montanhas / Hills of Kentucky / 1927; No Meio do Abismo / Tracked by the Police / 1927; Camarada é Camarada  / A Dog of the Regiment / 1927; Maxilas de Aço / Jaws of Steel / 1927; A Vitória de Rin Tin Tin / A Race for Life / 1928; Rin Tin Tin no Deserto / Rinty of the Desert / 1928; O Heroismo de Rin Tin Tin ou Ódio e Recompensa / Land of the Silver Fox / 1928; Na Pista do Mistério / The Million Dollar Collar / 1929; Fome de Ouro / Frozen River / 1929; Mulher de Vontade / Tiger Rose / 1929; A Parada das Maravilhas / The Show of Shows / 1929. No período sonoro, Rinty fez três filmes (On the Border / 1930; The Man Hunter / 1930; O Trovão / Rough Waters / 1930) e dois seriados (Sentinela Avançada / The Lone Defender / 1930 e O Grande Guerreiro / The Lightning Warrior / 1931, ambos produzidos pela Mascot em 12 episódios). Curiosamente, em 1929, Rin Tin Tin foi indicado para o Oscar de Melhor Ator.

O diretor Malcolm St. Clair, Lee Duncane Rinty "ensaiam"

O diretor Malcolm St. Clair, Lee Duncane Rinty “ensaiam”

Rinty morreu em 10 de agosto de 1932 nos braços de Jean Harlow, vizinha de Lee Duncan. Ele foi substituído na tela por Rinty Jr., um de seus filhotes nascidos de sua união com a cadela que Duncan comprara, também chamada Nanettte. Rinty Jr. não teve o mesmo sucesso do pai e surgiu até um boato na época para explicar o por quê. Houve rumores de que ele tinha um latido agudo e desagradável, que não podia se equiparar ao urro forte de seu pai. Os mexeriqueiros chegaram até a dizer que o latido de Rinty Jr. era na verdade produzido por um ator e depois dublado na trilha sonora, o que foi negado por Duncan com muita indignação.

animais rin tin poster II

Embora não tivesse o mesmo talento interpretativo de seu progenitor, Rinty Jr. apareceu em dez filmes nos anos trinta (Orgulho Cativante / Pride of the Legion / 1932; Heróis das Selvas / The Test / 1935; A Patrulha da Fronteira / Skull and Crown / 1935; O Bom Inimigo / Tough Guy / 1936; Vingança do Lobo / Vengeance of Rannah / 1936; A Mina de Prata / The Silver Trail / 1937; Hollywood em Desfile / Hollywood Cavalcade / 1939; Death Goes North / 1939; Fangs of the Wild / 1939; A Lei do Lobo / Law of the Wolf / 1939) e três seriados (Cachorro Lobo / The Wolf Dog / 1934; Dominador das Selvas / The Law of the Wild / 1934; As Aventuras de Rex e Rin Tin Tin / The Adventures of Rex and Rinty / 1935).

Seu sucessor, Rinty III, fez apenas um filme, The Return of Rin Tin Tin / 1947, ao lado de um jovem Robert Blake; mas seu maior crédito foi ter ajudado a promover o uso de cães pelos militares durante a Segunda Guerra Mundial. Ele serviu como garoto-propaganda no destacamento conhecido como Unidade K-9, sediada em Camp Haan, na Califórnia.

Antes mesmo que Rin Tin Tin saísse de cena em Hollywood, Lassie chegou. Seu treinador, Rudd Weatherwax, não era nenhum novato na “Terra do Cinema”. Ele já havia treinado alguns cães que conquistaram uma boa parcela de fama nos filmes. Um deles foi Asta (cujo verdadeiro nome era Skippy), o fox terrier que aparecia com William Powell e Myrna Loy na série de comédias de detetive “Thin Man” (1934-1947). Outro de seus “discípulos” foi Daisy (cujo nome verdadeiro era Spooks), uma mistura de cocker spaniel/poodle/terrier, que aparecia sempre com a familia Bumstead na série Blondie (1938-1950).

Elizabeth Taylor e Lassie em A Força do Coração

Elizabeth Taylor e Lassie em A Força do Coração

animais lassie poster

Roddy MacDowall e Lassie em A Força do Coração

Roddy MacDowall e Lassie em A Força do Coração

Em 1940, pouco depois de Rudd e seu irmão Frank terem inaugurado um canil e escola de treinamento, um freguês trouxe-lhes um collie chamado Pal, esperando que o cachorro perdesse o hábito de latir demais. O freguês acabou decidindo que não queria mais o animal e Rudd ficou com ele. Pal figurou como Lassie para a MGM em sete filmes: A Força do Coração / Lassie Come Home / 1943; O Filho de Lassie / Son of Lassie / 1945; A Coragem de Lassie / Courage of Lassie / 1946 – todos com Elizabeth Taylor; O Mundo de Lassie / Hills of Home / 1948; Sol da Manhã / The Sun Comes Up / 1949; Desafio de Lassie / Challenge to Lassie / 1950;  O Herói das Montanhas / The Painted Hills / 1951.

Lassie e seu treinador Rudd Weatherwax

Lassie e seu treinador Rudd Weatherwax

Todos os filmes de Lassie renderam bons lucros para a MGM, mas a produção de um filme por ano começou a desgastar a fórmula. A MGM perdeu interesse por Lassie e cedeu os direitos para Weatherwax em troca de algum dinheiro que lhe devia. Pal/Lassie morreu em 1958 e Weatherwax continuou fornecendo outras Lassies para a televisão.

Pete the Pulp

Pete the Pulp

Pete the Pulp e Os peraltas

Pete the Pulp e Os peraltas

Dentro do período clássico de Hollywood posso apontar ainda Pete the Pup, da série Os Peraltas / Our Gang, também conhecido como “Pete, o cachorro com um anel em torno do seu olho”; Buck, o cão metade lobo de O Grito da Selva / Call of the Wild / 1935; Mr. Smith (também personificado por Skippy / Asta), que quase roubou a comédia Cupido é Moleque Teimoso / The Awful Truth / 1937 de Cary Grant e Irene Dunne; Toto (cujo verdadeiro nome era Terry), o cãozinho cairn terrier de Dorothy (Judy Garland) em O Mágico de Oz / The Wizzard of Oz / 1939;  Ace, que era o cão Devil do Fantasma Voador no famoso seriado; Chinook, que entre 1949 e 1954, atuou ao lado de Kirby Grant em sete filmes da Monogram e mais três para a Allied Artists, versando sobre a Polícia Montada Canadense; e talvez os leitores se lembrem de mais algum.

Buck e Clark Gable em O Grito da Selva

Buck e Clark Gable em O Grito da Selva

Skippy/Asta, Cary Grant e Irene Dunne em Cupido é Moleque Teimoso

Skippy/Asta, Cary Grant e Irene Dunne em Cupido é Moleque Teimoso

Terry / Toto com Judy Garland em O Mágico de Oz

Terry / Toto com Judy Garland em O Mágico de Oz

Ace / Devil e Tom Tyler no seriado O Fantasma Voador

Ace / Devil e Tom Tyler no seriado O Fantasma Voador

Chinook e Kirby Grant

Chinook e Kirby Grant

Para falar sobre os cavalos no cinema, tenho que começar pelos animais dos grandes cowboys. Inteligentes, corajosos, leais e incansáveis eles repartiam o estrelato com seus donos. William S. Hart e seu cavalo Fritz (homenageado recentemente por Quentin Tarantino através de uma citação em Django Livre / Django Unchained / 2013, somente percebida pelos velhos fãs de cinema), iniciaram a série de cowboys e seus cavalos famosos.

W.S. Hart e Fritz

W.S. Hart e Fritz

Um chefe Sioux chamado Lone Bear, teria trazido Fritz para a Califórnia em 1911. Hart viu o cavalo malhado pela primeira em Inceville, o rancho do produtor Thomas Ince, e se apaixonou por ele. No primeiro filme que fizeram juntos, Fritz, apesar de ser um cavalo pequeno, impressionou o ator por sua força. O script pedia que ele carregasse Hart e um outro ator, com suas armas e uma sela pesada, durante horas. A ação culminava com Hart fazendo Fritz cair, para usá-lo com escudo em um tiroteio. O ator relatou na sua autobiografia que o pequeno cavalo corajoso mas cansado, lhe deu um olhar de agradecimento, como se estivesse dizendo: “Obrigado por ter me dado aquela queda”.

animais hart and fritz IIIII

Para a filmagem de Coragem, Crença e Afeição / Singer Jim McKee / 1924, Hart tinha que galopar até o alto de um despenhadeiro e cair no abismo lá em baixo. Felizmente para Fritz, Hart achou que a cena era muito arriscada e usou um boneco pintado que parecia com sua montaria. A cena ficou tão real que pessoas escreveram para o estúdio protestando contra tal tratamento de um cavalo, o que levou Hart a viajar para Nova York com Fritz, com a finalidade de levantar fundos para a American Humane Association, e exibir um filme curto, mostrando como a cena foi conduzida, a fim de evitar a censura e provar a saúde de seu célebre companheiro.

Após o término da filmagem de Coragem, Crença e Afeição, Fritz desapareceu das telas (aliás, ele já havia sumido durante dois anos por causa de uma disputa entre Hart e Thomas Ince sobre salário, tendo sido substituído neste período por um cavalo chamado Brownie) e, portanto, não apareceu em O Rei do Deserto / Tumbleweed / 1925, o derradeiro e um dos melhores filmes de William S. Hart. Fritz viveu o resto de seus dias no rancho de Hart em Newhall, California, onde morreu em 1938.

Tom Mix e Tony

Tom Mix e Tony

Tom Mix tinha dois cavalos maravilhosos, Old Blue e Tony, bem como um cão dinamarquês chamado Duke. Nos seus primeiros filmes entre 1910 e 1918, Tom montou um outro cavalo, Colt 45, e Old Blue. Após a morte de Old Blue em 1919 (eutanasiado por ter quebrado uma perna no seu curral), Tom usou Tony (Tony Boy) em todos seus filmes mudos, e depois Tony Jr., nos sonoros.

Tony, manteve-se vivo por muito anos. Uma razão para a sua longevidade foi o amplo uso de dublês. Embora o público nunca soubesse de nada, houve na verdade três ou quatro “Tonys” (vg. Buster, Argie, Satan) pois o verdadeiro era poupado das cenas mais arriscadas, ficando reservado para ser usado nos momentos em que poderia demonstrar seu repertório de truques, tais como desatar um nó com seus dentes.

Tony apareceu com Tom Mix em um filme da Selig, No Coração do Texas / The Heart of Texas Ryan /1917, quando tinha três anos de idade; porém foi somente depois da morte de Old Blue em 1919, que o ator começou a usar Tony permanentemente, sob a supervisão do treinador Pat Chrisman. Apelidado de “The Wonder Horse”, era um especialista em livrar Tom Mix de situações difíceis, socorrer mocinhas em perigo e participar de cenas eletrizantes, mas, como já foi dito, costumava ser substituído por dublês. Uma égua grande, Black Bess, costumava ser usada no lugar de Tony nos planos mais afastados, porque seu tamanho registrava melhor no filme.

Embora a aposentadoria de Tony tivesse sido anunciada oficialmente em 1932, seu último papel creditado foi em O Roubo do Diamante / The Big Diamond Robbery em 1929. Quando Mix voltou à tela no filme falado da Universal, A Volta de Tom / Destry Rides Again / 1932, ele cavalgava uma nova montaria, Tony Jr., tal como seu predecessor, um alazão – mas com uma mancha branca mais larga na testa.

Buck Jones e Silver

Buck Jones e Silver

Ken Maynard e Tarzan

Ken Maynard e Tarzan

Cada astro-cowboy tinha seu cavalo maravilhoso (ou mais de um). Havia Buck Jones e seu cavalo Silver; Ken Maynard e Tarzan; Tim McCoy e Starlight; Hoot Gibson e Goldie; Tex Ritter e White Flash; Charles Starrett e Raider; Rex Allen e Koko; Monte Hale e Partner; Bill Elliott e Thunder; Hopalong Cassidy e Topper; Gene Autry e Champion; Roy Rogers e o seu lindo palomino Trigger etc.

Hopalong Cassidy e Topper

Hopalong Cassidy e Topper

Roy Rogers e Trigger

Roy Rogers, Lynne Roberts  e Trigger

Gene Autry e Champion

Gene Autry e Champion

Poucos cavalos tornaram-se astros por conta própria como foi o caso de Rex (cujo verdadeiro nome era Casey Jones), também conhecido como “Rex the Wonder Horse” e “King of the Wild Horses”, um garanhão da raça Morgan, que estrelou filmes e seriados nos anos 20 e 30.

Rex

Rex

animais Rex king wild horses

Rex foi o único astro equino na História de Hollywood que era muito perigoso de ser montado e tinha a predisposição de investir contra a equipe de filmagem com intenção homicida. Isto aconteceu, por exemplo, na filmagem de Dominador das Selvas / The Law of the Wild / 1934. Rex não obedeceu as ordens de seu treinador, Jack “Swede” Linden (que estava atrás das câmeras de chicote na mão), e causou um tumulto no set, derrubando vários refletores e obrigando os membros do elenco e da equipe técnica a procurar abrigo. Ele chegou a perseguir um ator que tentava se esconder debaixo de um carro.

Rex havia sido encontrado na estrebaria de um reformatório em Golden, Califórnia, onde estava sendo guardado para fins de procriação. Ele foi colocado em isolamento solitário durante muitos anos, o que pode ter sido a causa de sua agressividade

Roddy MacDowall e Flicka

Roddy MacDowall e Flicka

animais thunderhead poster

Um cavalo que gozou de certo prestígio foi Flicka (em Minha Amiga Flicka / My Friend Flicka / 1943), a ponto de desencadear uma continuação, Fúria Selvagem / Thunderhead, Son of Flicka /1945. Vale registrar que foram precisos seis cavalos para interpretar Flicka, a maioria deles árabes; mas a égua principal era uma american saddlebred chamada Country Encino.

Assim como os gorilas no cinema sempre tiveram a reputação de serem mais perigosos do que eles realmente são, o chimpanzé se beneficiou de sua preconceituação como um animal inofensivo e brincalhão, um bicho de estimação ideal.

Esta imagem foi estabelecida principalmente pelos filmes de Tarzan, nos quais a chimpanzé Cheetah fazia parte de uma família da selva, composta por Tarzan, Jane e Boy. Quando a familia estava pacificamente em casa, Cheetah dava cambalhotas e batia palmas; em tempo de perigo, ela estava sempre pronta para levar mensagens, desatar os nós das cordas com as quais os bandidos haviam amarrado seu dono ou chamar os elefantes para salvá-lo de outra situação díficil.

Maureen O'Sullivan, Johnny Weissmuller e Jiggs / Cheetah

Maureen O’Sullivan, Johnny Weissmuller e Jiggs / Cheetah

A personagem de Cheetah era um papel múltiplo, criado através do uso de vários animais atores. De acordo com uma pesquisa feita pelo jornalista R. D. Rosen, “em cada filme de Tarzan, o papel de Cheetah era interpretado por mais de um chimpanzé, dependendo de que talentos a cena necessitava (cf. “Lie of the Jungle – The Truth about Cheetah the Chimpazee”, Washington Post Magazine, 7 de dezembro de 2008).

Um desses chimpanzés chamava-se Jiggs e foi ele que apareceu com mais destaque nos dois primeiros filmes de Tarzan da MGM, Tarzan, o Filho das Selvas / Tarzan the Ape Man / 1932 e A Companheira de Tarzan / Tarzan and His Mate / 1934, e provavelmente no terceiro, A Fuga de Tarzan / Tarzan Escapes / 1936. Treinado por seus donos, Tony e Jacqueline Gentry, Jiggs trabalhou também em Tarzan, o Destemido / Tarzan, the Fearless com Buster Crabbe e (no papel de Nikima) com Herman Brix em As Novas Aventuras de Tarzan / The New Adventures of Tarzan / 1935, bem como em outros filmes (vg. Idílio na Selva / Her Jungle Love / 1938, no papel de Gaga, ao lado de Dorothy Lamour). Jiggs morreu em 1938, de pneumonia.

Jacqueline Wells, Buster Crabbe e Jiggs

Jacqueline Wells, Buster Crabbe e Jiggs

Não posso esquecer de mencionar o primeiro chimpanzé que interpretou o papel de Cheetah. Chamava-se Joe Martin. Ele apareceu ao lado do primeiro Tarzan da tela, Elmo Lincoln em um filme de 1918 intitulado O Romance de Tarzan / The Romance of Tarzan, o segundo a ser feito com o formidável personagem de Edgar Rice Burroughs depois de O Homem Macaco ou Tarzan dos Macacos / Tarzan of the Apes, lançado antes no mesmo ano. Neste último filme, ocorreu um incidente hilariante. Elmo Lincoln segurava uma faca que lhe deram para matar um leão idoso. Após certa dificuldade, Lincoln apunhalou o velho leão e, como estava previsto no script, colocou seu pé triunfantemente no animal morto. Quando ele fez isto, o leão emitiu um rugido feroz que fez o ator dar um salto e sair correndo de medo. Ocorreu que o leão estava realmente morto e que o rugido fôra o resultado da pressão do pé de Lincoln, que expeliu o ar dos pulmões da besta.

O Tarzan de Elmo Lincoln

O Tarzan de Elmo Lincoln

O suprimento de leões e outros animais selvagens para filmes tornou-se um negócio lucrativo para treinadores que mantinham criações de animais perto de Hollywood. Raramente um filme de Tarzan abria mão de uma luta até a morte entre Johnny Weissmuller e “O Rei dos Animais”. Na vida real, o leão costumava ser drogado ou empalhado, para se obter o máximo de segurança; se necessário, o leão era verdadeiro e um dublê substituia Weissmuller. Os leões eram “mortos” como uma faca falsa e o sangue que espirrava não era verdadeiro. Weismuller gostava muito de um leão chamado Jackie e sua elefoa predileta atendia pelo nome de Emma.

Arthur Lubin, Ray Milland e Jan Sterling na filmagem de Há Um Gato Em Minha Vida

Arthur Lubin, Ray Milland e Jan Sterling na filmagem de Há Um Gato Em Minha Vida

Houve muitos filmes com gatos como, por exemplo,  Um Gato em Minha Vida / Rhubarb / 1951, que mostrava um gato herdando um time de beisebol, o Brooklyn Dodgers, de um milionário excêntrico. Rhubarb era interpretado por um gato malhado chamado Orangey, de propriedade do treinador Frank Inn. Orangey foi o único gato que ganhou dois Patsy Awards (a versão do Oscar para animais), o primeiro pelo papel título de  Um Gato em Minha Vida e o segundo pela sua interpretação de “Cat” em Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s / 1961. Orangey era chamado de “o gato mais malvado do mundo” por um executivo de estúdio. Ele costumava arranhar e morder os atores e muitas vêzes fugia depois de ter filmado algumas cenas, fazendo com que a produção ficasse suspensa até que ele fosse encontrado.

Reservei para o final, os simpáticos Francis, o Mulo Falante e Felpudo, o Cão Feiticeiro, porque eles entram em uma categoria intermediária entre os animais de verdade e os inventados (vg. King Kong, Mighty Joe Young, Moby Dyck)

Donald O'Connor e Francis

Donald O’Connor e Francis

Francis estreou no filme da Universal … E O Mulo Falou / Francis / 1950, que estabeleceu a fórmula para as seis sequências que se seguiram: Francis nas Corridas / Francis Goes to the Races / 1951; Francis na Academia / Francis Goes to West Point / 1952; Francis, o Detetive / Francis Covers the Big Town / 1953; Francis entre as Boas / Francis joins the WACS / 1954; Francis na Marinha / Francis in the Navy / 1955; Francis entre Fantasmas / Francis in the Haunted House / 1956. Esses espetáculos, cheios de humor por causa da fantasia das situações, foram estrelados na sua maior parte por Donald O’ Connor, e a voz do burro mais sábio do que muitos humanos foi emprestada por Chill Wills, salvo no filme derradeiro da série, quando foi substituído por Paul Frees.

Levou um ano para que a Universal decidisse fazer uma sequência de … E O Mulo Falou. Enquanto os executivos do estúdio deliberavam, Francis estava comendo – comendo tanto, que engordou barbaramente. Seu treinador, Jimmy Phillips foi avisado de que, caso o animal não emagrecesse, perderia o papel. Foi preciso uma combinação de dieta rigorosa e exercício vigoroso para afinar Francis até que ele atingisse o peso desejado.

Fred Mac Murray e Felpudo

Fred Mac Murray e Felpudo

Felpudo estreou em Felpudo, o Cão Feiticeiro / The Shaggy Dog / 1959, que foi a primeira comédia com atores (live-action) produzido por Walt Disney. No enredo, um adolescente, Wilby Daniels (Tommy Kirk), cujo pai (Fred Mac Murray) tem alergia ao gênero canino, é transformado em Shaggy, um enorme cão pastor, por meio de um anel encantado, que pertencera aos Borgia. Shaggy foi interpretado por um cão chamado Chiffon.

A idéia, bastante original, foi explorada como muita verve cômica. Os momentos mais engraçados do filme são aqueles que envolvem gags visuais simples do pastor alemão desempenhando tarefas humanas como escovar seus dentes, gargarejar, vestir pijamas, e dirigir um carro. No final, a visão de um cachorro grandalhão e felpudo no volante e diversos policiais (acusados por seus superiores de embriaguês), tornou-se digna de ser incluída em uma antologia de melhores cenas de comédia de todos os tempos.

CLARENCE BROWN II

April 29, 2016

Em 1935, sob a produção de David O. Selznick, Greta Garbo e Clarence Brown fizeram Anna Karenina / Anna Karenina, adaptação muito bem feita do romance de Tolstoi. Orientada delicadamente por Brown, a atriz deu vida à personagem trágica, por meio de uma interpretação que se destaca por um ar distante e um olhar frio, próprio de uma mulher forte que enfrenta as convenções sociais. Sem a preocupação de abranger todos os acontecimentos de uma obra literária bastante longa, Clemence Dane, Salka Viertel e S N Behrman (diálogos) conseguiram construir um roteiro tenso e compacto que, tratado por meio de uma linguagem cinematográfica impecável, flui maravilhosamente até o desfecho terrível.

brown ana karenina poster

Greta Garbo e Fredric March em Anna Karenina

Greta Garbo e Fredric March em Anna Karenina

Com valores de produção de primeira ordem – notável fotografia em preto e branco de William Daniels (indicado para o Oscar); direção de arte suntuosa de Cedric Gibbons e seus colaboradores; lindo score de Herbert Stothart acrescido de trechos de composições de Tchaikowky, entre elas o Romance op. 6, n. 6 (Apenas um Coração Solitário); figurinos luxuosos de Adrian; um bom elenco em torno da “Divina” (Fredric March, Basil Rathbone, Maureen O’Sullivan, Freddie Bartholomew etc.); e cenas antológicas (v. g. a primeira aparição de Anna saindo do meio da fumaça de uma locomotiva; o banquete; o encontro de Anna e Vronski no jardim sob um caramanchão florido; o baile; a corrida de cavalos no prado; Karenin dizendo ao filho angustiado que sua mãe está morta; a ópera com as danças folclóricas; o suicídio na estação de trem) – , este filme se impõe como um dos melhores do currículo do diretor.

Clarence Brown dirige Anna Karenina

Clarence Brown dirige Anna Karenina

Basil Rathbone e Greta Garbo em Anna Karenina

Basil Rathbone e Greta Garbo em Anna Karenina

Cena de Anna Karenina

Cena de Anna Karenina

Greta Garbo e Fredric March em Anna Karenina

Greta Garbo e Fredric March em Anna Karenina

Antes de ser emprestado para a Twentieth Century-Fox, Brown fez mais seis filmes na MGM: Fúrias do Coração / Ah! Wilderness / 1935, Ciúmes / Wife VS. Secretary / 1936, Mulher Sublime / The Gorgeous Hussy / 1936, O Romance de Madame Walewska / Conquest / 1937, Ingratidão / Of Human Hearts / 1938 e Este Mundo Louco / Idiot’s Delight / 1938

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Comédia dramática nostálgica, baseada na peça de Eugene O’Neill, Fúrias do Coração retrata os problemas da adolescência e os valores familiares em uma pequena cidade do interior na Nova Inglaterra, acompanhando as angústias e confusões de um jovem idealista, Richard Miller (Eric Linden) durante o período que vai da sua formatura até o feriado do Quatro de Julho, no seu caminho para a idade adulta.

Wallace Beery e Lionel Barrymore em Fúrias do Coração

Wallace Beery e Lionel Barrymore em Fúrias do Coração

Eric Linden e Cecilia Parker em Fúrias do Coração

Eric Linden e Cecilia Parker em Fúrias do Coração

Mickey Rooney e Wallace Beery em Fúrias do Coração

Mickey Rooney e Wallace Beery em Fúrias do Coração

Aline MacMahon e Wallace Beery em Fúrias do Coração

Aline MacMahon e Wallace Beery em Fúrias do Coração

Richard mora com os pais (Lionel Barrymore, Spring Byington); sua irmã, Mildred (Bonita Granville); seus irmãos, o universitário Arthur (Frank Albertson) e o mais moço, Tommy (Mickey Rooney); a tia solteirona (Aline MacMahon), irmã da mãe de Richard; e o tio Sid (Wallace Beery), irmão do pai de Richard e alcoólatra desempregado – e o conflito tem início quando o pai da namorada de Richard, Muriel (Cecilia Parker), fica sabendo que o rapaz escreveu para sua filha uma “poesia inapropriada” (citando frases de Omar Khayám e Swinburne) e a obriga a desfazer sua amizade com ele. Revoltado, Richard vai para um bar, onde descobre o álcool e os artifícios de uma mulher de vida livre; porém, após ouvir os conselhos do tio Sid, ele percebe rapidamente que seu coração pertence a Muriel, e alcança a maturidade. Brown narra com bom humor esse rito de passagem, extraindo dos seus intérpretes a graça e humanidade necessárias; porém em certas passagens percebe-se algum resquício teatral.

Jean Harlow, Clark Gable, Myrna Loy em Ciúmes

Jean Harlow, Clark Gable e Myrna Loy em Ciúmes

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Jean Harlow e Myrna Loy em Ciúmes

Jean Harlow e Myrna Loy em Ciúmes

Em Ciúmes, o tema banal e corriqueiro – as atenções de um editor, Van Stanhope (Clark Gable) para com sua dedicada secretária, Helen (Jean Harlow) despertam o ciume da esposa Linda (Myrna Loy), estimulado pela sogra (May Robson) – é valorizado pela direção sem tempos mortos de Brown e pelo desempenho do trio de astros. Ao contrário do que ocorre normalmente no tratamento desse triângulo, existe uma certa alquimia entre o patrão e sua datilógrafa, um ciúme que cresce no coração da esposa, mas isto não resulta em adultério. Van não está disposto a sacrificar sua felicidade conjugal com Linda e será justamente Helen que tentará reconciliar o casal, embora esteja ardendo de desejo pelo seu belo patrão. No final, tudo entra nos eixos com uma certa lucidez de cada uma das partes.

Joan Crawford e Robert Taylor em Mulher Sublime

Joan Crawford e Robert Taylor em Mulher Sublim

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James Stewart, Joan Crawford e Robert Taylor em Mulher Sublime

James Stewart, Joan Crawford e Robert Taylor em Mulher Sublime

Mulher Sublime é um drama histórico enfocando a vida amorosa de Peggy O’Neal (Joan Crawford), sua amizade e influência sobre o Presidente dos Estados Unidos, Andrew Jackson (Lionel Barrymore). Os valores de produção são melhores do que o script com Crawford vestida elegantemente por Adrian e namorando um punhado de astros (Melvyn Douglas, Robert Taylor, Franchot Tone, James Stewart). Sente-se o toque poético de Brown nas cenas do relacionamento de Jackson com a esposa, muito bem interpretada por Beulah Bondi (indicada para o Oscar, juntamente com o fotógrafo George Folsey); porém a deficiência do roteiro prejudica o espetáculo, tornando-o monótono.

Charles Boyer e Greta Garbo em Madame Walewska

Charles Boyer e Greta Garbo em O Romance de Madame Walewska

O Romance de Madame Walewska põe em relêvo o relacionamento amoroso entre a Condessa Maria Walewska (Greta Garbo) e Napoleão (Charles Boyer). Embora a História tivesse sido modificada pela necessidade de dramaturgia do filme, este conserva uma certa realidade histórica com relação aos lugares e aos acontecimentos. Brown, parte do princípio de que o público já conhece a História e, para não arrastar o andamento da narrative, faz alguns saltos no tempo, concentrando-se nos episódios em que há uma evolução real na relação entre Napoleão e Maria.

Clarence Brown dirigindo Madama Waleswka

Clarence Brown dirigindo O Romance de Madama Waleswka

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Greta Garbo e Charles Boyer em Madame Walewska

Greta Garbo e Charles Boyer em O Romance de Madame Walewska

Dispondo de um orçamento vultuoso e apoiado por um equipe da qual fazem parte o Diretor de Arte Cedric Gibbons e seu associado William A. Harnung, o músico Herbert Stothart, o figurinista Adrian (que não dispensa as jóias de Eugene Joseff) e do experimentado fotógrafo Karl Freund, o diretor criou um espetáculo opulento e nas cenas íntimas prevalece a arte interpretativa de Greta Garbo e Charles Boyer, que estão presentes praticamente em todas as cenas. Ela, como sempre, enquadrada em formosos close-ups. “És um ser de carne e de sangue ou um fantasma vindo da neve?”, pergunta Napoleão àquela que será sua amante polonesa, quando a vê pela primeira vez. Porém, para os espectadores, a “Divina” surge logo no início do filme diante dos cossacos que invadiram o castelo de seu marido, sob as sombras expressionistas provocadas pelas luzes de Freund.

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Uma cena bem forte ocorre quando Napoleão pretende se divorciar de Josefina e Maria fica grávida; ela vai contar ao imperador sobre o bebê, mas este lhe diz secamente que precisa se casar com a Arquiduquesa Maria Luísa da Austria, para ter uma dinastia. Porém há também um momento de humor quando a Condessa Pelagia (Maria Ouspenskaia), a tia senil de Maria, não reconhece o imperador, travando-se entre eles uma conversa hilariante enquanto os dois estão jogando cartas.

Walter Huston e James Stewart em Ingratidão

Walter Huston e James Stewart em Ingratidão

Walter Huston, Beulah Bondi e James Stewart em Ingratidão

Walter Huston, Beulah Bondi e James Stewart em Ingratidão

Em Ingratidão, na época da Guerra Civil americana, Jason Wilkins (James Stewart), deseja estudar medicina, mas enfrenta a resistência do pai, o pastor Ethan Wilkins (Walter Huston), que cria a família na pobreza, para servir de exemplo a seus paroquianos. Diante disso, a mãe, Mary Wilkins (Beulah Bondi) vende seus bens mais valiosos para financiar os estudos do filho. Jason vai para a Costa Leste e volta somente com a morte do pai. Em seguida, Jason se alista no exército da União e sua mãe não tem mais notícias dele. Desesperada, ela escreve ao presidente Lincoln (John Carradine), que se prontifica a ver o que aconteceu com Jason. Quando este é encontrado, o presidente repreende-o por ter sido um filho egoista, e o faz prometer que se reunirá à sua mãe, o que vem a acontecer.

Cena de Ingratidão

Cena de Ingratidão

Pintura consistente da América Rural do século XIX, esse drama histórico moralista originou-se de um projeto de estimação do diretor, e este o considerava um de seus melhores trabalhos. O filme, rodado principalmente em Lake Arrowhead, na Califórnia (onde o diretor de arte Cedric Gibbons supervisionou a construção de uma cidade de fronteira com cerca de 50 edificações, plantações de milho, hortas com repolhos, um cais e um barco a vapor), apresenta uma esplêndida foto em exteriores de Clyde de Vinna e proporcionou a Beulah Bondi uma indicação para o Oscar.

Cena de Este Mundo Louco

Cena de Este Mundo Louco

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Este Mundo Louco é uma versão confusa e desarticulada de uma peça anti- fascista e em favor da paz de Robert E. Sherwood, ganhadora do Prêmio Pulitzer de 1936, que mistura comédia sofisticada com drama politico. No enredo do filme, o ator de vaudeville Harry Van (Clark Gable), veterano da Primeira Guerra Mundial, tenta voltar ao show business e acaba participando de um número de telepatia com uma inepta e alcoólatra, Madame Zuleika (Laura Hope Crews). Durante uma tournée em Omaha, ele conhece a acrobata Irene Fellara (Norma Shearer) e eles vivem um breve romance. Vinte anos depois, quando Harry excursiona pela Europa com um grupo de dançarinas, ele e suas companheiras se vêm retidos na fronteira de um país beligerante indeterminado, que está se preparando para as hostilidades da Segunda Guerra Mundial.

Clark Gable e Norma Shearer em Este Mundo Louco

Clark Gable e Norma Shearer em Este Mundo Louco

Brown , Gable e as garotas na filmagem de Este Mundo Louco

Brown , Gable e as garotas na filmagem de Este Mundo Louco

No hotel onde ficam isolados encontram-se também um grupo de viajantes, entre os quais um pacifista exaltado, Quillery (Burgess Meredith), um cientista que está pesquisando a cura do câncer, Dr. Hugo Waldensee (Charles Coburn), um casal inglês em lua-de-mel (Peter Willes, Pat Paterson), um alemão fabricante de armas, Achille Weber (Edward Arnold) e uma aristocrata russa expatriada, que se parece muito com a Irene de duas décadas antes. O duelo de ironias entre Gable e Shearer, a pose e o sotaque dela, e as expressões dele ao ouvir suas mentiras bem como o número musical de Gable cantando “Puttin’ on the Ritz” divertem, mas isso não basta para salvar o espetáculo.

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George Brent, Myrna Loy e Tyrone Power em E As Chuvas Chegaram

George Brent, Myrna Loy e Tyrone Power em E As Chuvas Chegaram

Em 1938, a MGM emprestou Clarence Brown e Myrna Loy para a Twentieth Century-Fox (em troca de receber da Fox Tyrone Power para a filmagem de Maria Antonieta / Marie Antoinette / 1938), onde eles fizeram E As Chuvas Chegaram / The Rains Came / 1939, drama romântico-exótico inspirado no romance de Louis Bromfield com sequências espetaculares (um terremoto, uma inundação), premiadas com o primeiro Oscar a ser concedido na categoria Efeitos Especiais.

Tyrone Power e Myrna Loy em E As Chuvas Chegaram

Tyrone Power e Myrna Loy em E As Chuvas Chegaram

Em Ranchipur na Índia, durante uma festa no palácio do Marajá, Tom Ransome (George Brent) – cuja reputação de conquistador fascina a jovem Fern Simon (Brenda Joyce), filha de missionários americanos – reencontra uma antiga amante, que é agora Lady Edwina Esketh (Myrna Loy), por ter se casado com rico mas entediante Lord Esketh (Nigel Bruce). Após ter ficado a sós na recepção com Edwina em um encontro amoroso, Tom fica alarmado, quando percebe que ela decidiu conquistar seu amigo, o Major Safti (Tyrone Power), médico dedicado a ajudar os mais necessitados. As chuvas chegam e Ranchipur é abalada por um terremoto, que rompe as represas, provocando uma inundação, no decurso da qual Lord Esketh e o Marajá perdem suas vidas. Edwina se apresenta como voluntária para ajudar no hospital. Seu desprendimento faz com que o Major se apaixone por ela mas, quando Edwina se torna vítima da praga, ele não consegue salvá-la.

Myrna Loy e George Brent em E As Chuvas Chegaram

Myrna Loy e George Brent em E As Chuvas Chegaram

Brown apreciava uma fotografia bem brilhante, bem contrastada, e o fotógrafo Arthur Miller então lambuzou de óleo o cenário e os acessórios, obtendo assim um rendimento mais cintilante como o diretor queria. Uma cena serve como exemplo do instinto estético-cinematográfico formidável de Brown. Tom mostra o palácio a Edwina. Eles relembram o passado. Ele diz: ”Você ainda é encantadora. É excitante vê-la novamente. Belos close-ups de Myrna Loy. Relampeja um trovão, uma ventania balança as cortinas tênues da janela, cai a chuva, e a luz se apaga. Tom acende o isqueiro, que ilumina dois rostos cheios de paixão. Ela assopra a chama do isqueiro, e escurece.

Retornando à MGM, Brown realizou: Edison, O Mago da Luz / Edison, The Man / 1940, Aventura no Oriente / They Met in Bombaim / 1941, Pede-se um Marido / Come Live With Me / 1941, A Comédia Humana / The Human Comedy / 1943, Evocação / The White Cliffs of Dover / 1944 e A Mocidade é Assim Mesmo / National Velvet / 1944

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Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, Edison, o Mago da Luz é o segundo filme de um par de cinebiografias descrevendo a vida de Thomas Alva Edison, lançado depois de O Jovem Thomas Edison / Young Tom Edison / 1940, estrelado por Mickey Rooney, que conta a história da juventude do grande inventor.

Cena de Edison, o Mago da Luz

Cena de Edison, o Mago da Luz

Spencer Tracy e Rita Johnson em Edison, o Mago da Luz

Spencer Tracy e Rita Johnson em Edison, o Mago da Luz

Spencer Tracy em Edison, o Mago da Luz

Spencer Tracy em Edison, o Mago da Luz

Cena de Edison, o Mago da Luz

Cena de Edison, o Mago da Luz

Boa parte do filme ficcionaliza ou exagera os acontecimentos reais, mas a interpretação de Spencer Tracy – beneficiado por uma leve semelhança física com o biografado – dá autenticidade à figura do retratado. A cena mais lembrada é a do pedido de casamento que Edison, no andar de baixo da fábrica, faz à Mary (Rita Johnson, que trabalha no andar de cima, usando o Código Morse, cujos sinais são “traduzidos” pelos seus companheiros de trabalho. Outro bom momento ocorre quando Edison explica a Mary o que é eletricidade até a chegada do policial e a frase do inventor:”Alguém sempre interfere na ciência”. Mais para o final, instalam-se duas cenas de suspense: uma, antes da invenção do fonógrafo e outra, que precede a invenção da lâmpada elétrica, notando-se nesta um esplêndido close-up de Tracy ao lado da lâmpada acesa.

Clark Gable e Rosalind Russell em Aventura no Oriente

Clark Gable e Rosalind Russell em Aventura no Oriente

Em Aventura no Oriente, Gerald Meldrick (Clark Gable) and Anya von Duren (Rosalind Russell) são ladrões de jóias rivais em atividade na Índia. Ambos estão atrás de um colar de diamantes de propriedade da Duquesa de Beltraves (Jessie Ralph). Para conquistar a confiança da duquesa, Gerald faz-se passar por um detetive da Lloyd’s de Londres enquanto Anya finge ser uma aristocrata. Anya consegue roubar a jóia, mas Gerald se apodera dela. Eles afinal se entendem e fogem juntos do inspetor de polícia Cressney (Mathew Boulton) em um cargueiro, onde são chantageados pelo Capitão Chang (Peter Lorre). Desvencilhando-se de ambos, desembarcam clandestinamente em Hong Kong. Gerald se disfarça de capitão das tropas britânicas, para roubar um chinês rico. Eventualmente enviado para uma expedição contra os japonêses invasores, é condecorado pelos seus atos de bravura. Entretanto, o inspetor acaba prendendo o casal de larápios, que já haviam se regenerado.

Clark Gable e Rosalind Russell em Aventura no Oriente

Clark Gable e Rosalind Russell em Aventura no Oriente

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Cena de Aventura no Oriente

Cena de Aventura no Oriente

Nessa aventura cômico-romântica (que, na parte final, torna-se um filme de guerra), não há preocupação com a verossimilhança nem na intriga nem nos cenários (um oriente de fantasia e de pacotilha), nem nas situações. Mas a qualidade da realização, o rítmo imprimido à narrativa, e a dupla dinâmica formada por Clark e Rosalind, garantem uma hora e trinta e dois minutos de projeção agradáveis.

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Na trama de Pede-se um Marido, Johnny Jones (Hedy Lamarr), refugiada austríaca nos Estados Unidos, deve ser expulsa do país, a não ser que se case com um cidadão americano. Bill Smith (James Stewart), um humilde escritor sem dinheiro, concorda em receber um “empréstimo semanal” para se casar com ela, salvando-a da deportação. Mas o que Smith não sabe é que Johnny é amante de um editor, Barton Kendrick (Ian Hunter). Este concorda com o matrimônio de conveniência enquanto tenta arrumar coragem para se divorciar de sua esposa (Verree Teasdale). Inspirado pelo seu relacionamento bizarro com Johnny, Smith resolve escrever um romance sobre isso. O manuscrito vai parar nas mãos de Kendrick, e este e sua esposa reconhecem os personagens retratados no livro. Seguem-se alguns acontecimentos, até que Johnny e Smith, depois de passarem um dia no campo na casa da avó de Smith (Adeline de Walt Reynolds), admitem que estão apaixonados um pelo outro.

Hedy Lamarr e James Stewart em Pede-se um Marido

Hedy Lamarr e James Stewart em Pede-se um Marido

Faltou vivacidade a esta comédia romântica, mas Stewart e Lamarr conseguem sustentar o interesse da platéia. Em uma cena, Bill e Johnny estão deitados em camas separadas por uma “Muralha de Jericó” reminiscente de Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night / 1934 e ele recita o poema de Christopher Marlowe que deu o título ao filme. Interessante a cena final, quando Johnny ilumina o rosto de Bill com uma lanterna, ele se levanta, e os dois se beijam por cima da “Muralha”.

O filme é significativo porque marcou o início do trabalho de Clarence Brown como produtor. Ele produziu e dirigiu Pede-se um Marido, como fez em mais seis filmes. Brown também produziu dois outros filmes, O Jardim Encantado / The Secret Garden / 1949 (Dir: Fred W. Wilcox) e Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go / 1953 (Delmer Daves)

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Embora tenha sido divulgado que A Comédia Humana foi baseado em um romance de William Saroyan, este autor apenas apresentou à MGM um argumento original, que serviu de base para o roteiro de Howard Eastabrook, e depois é que Saroyan escreveu o livro com base no dito argumento. O trabalho do escritor foi premiado com o Oscar de Melhor História Original. Houve ainda indicações para as categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Mickey Rooney) e Melhor Fotografia em preto e branco (Harry Stradling).

Clarence Brown, Fay Bainter e Mickey Rooney na filmagem de A Comédia Humana

Clarence Brown, Fay Bainter e Mickey Rooney na filmagem de A Comédia Humana

 Mickey Rooney em A Comédia Humana

Mickey Rooney em A Comédia Humana

Mickey Rooney e Ralph Morgan em A Comédia Humana

Mickey Rooney e Ralph Morgan em A Comédia Humana

Em torno de uma linha de enredo que tem como centro Homer Macaulay (Mickey Rooney), um jovem entregador de telegramas, frequentemente contendo mensagens de condolência do Departamento de Guerra, transcorre uma série de cenas curtas dramáticas, cômicas ou poéticas, mostrando com muito sentimentalismo a repercussão do conflito mundial na frente doméstica, no caso, a pequena cidade de Ithaca da Califórnia.

Cena de A Comédia Humana

Cena de A Comédia Humana

Encenados com a simplicidade e a sensibilidade natural do diretor surgem alguns momentos encantadores: as crianças tentando roubar frutas, sendo cuidadosamente observadas, com uma alegria secreta, pelo ancião dono do pomar; o jantar no qual o telegrafista humilde (James Craig) subitamente descobre que a família e os amigos de sua namorada rica (Marsha Hunt), afinal são pessoas comuns e amáveis; a despedida gentil dos três soldados (Robert Mitchum, Don DeFore, Barry Nelson) que haviam saído com duas garotas locais (Donna Reed, Dorothy Morris); o menino Ulysses (Jackie “Butch” Jenkins) tendo uma crise de medo histérica ao ver um autômato em uma vitrine; a fascinação do “quatro olhos” Lionel (Darryl Hickman) pelos livros, quando percorre os salões da biblioteca com Ulysses; Homer lendo o telegrama fatídico para uma mãe mexicano-americana.

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Irene Dunne e Alan Marshall em Evocação

Irene Dunne e Alan Marshall em Evocação

Baseado em um longo poema narrativo de Alice Duer Miller, Evocação é a história de Susan Dunn (Irene Dunne), jovem americana que visita a Inglaterra na companhia de seu pai (Frank Morgan), assim que irrompe o Primeiro Conflito Mundial. Ela se apaixona por um aristocrata inglês, Sir John Ashwood (Alan Marshall) e se casa com ele. Eles têm um filho, John (Roddy Mac Dowall), porém seu marido é morto na guerra. Em 1939, John (Peter Lawford) se alista. Ferido mortalmente em Dieppe, ele morre no hospital, onde sua mãe é enfermeira-chefe. Lady Ashwood compreende que esses sacrifícios são necessários para se construir um mundo novo.

Irene Dunne e Peter Lawford em Evocação

Irene Dunne e Peter Lawford em Evocação

Este filme de guerra é obviamente patriótico, feito especialmente para fortificar a amizade entre os americanos e seus aliados britânicos mas, apesar de seu clima dramático, inclui certos momentos de humor como os diálogos maledicentes entre Irene e os aristocratas britânicos e a irascibilidade do pai dela. Quando a narrativa ainda está nos anos trinta, uma cena causa arrepios: dois adolescentes alemães que fazem parte de um programa de intercâmbio, hospedados na casa de campo da família inglêsa, deixam escapar em uma conversa suas tendências nazistas, ponderando como aquele local seria perfeito para os planadores, transportando tropas alemãs, desembarcarem. Brown incutiu emoção na história e a fotografia de George Folsey – indicada para o Oscar – é realmente admirável.

Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim Mesmo

Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim Mesmo

Clássico “filme para a família”, adaptado do romance de Enid Bagnold, A Mocidade é Assim Mesmo, mostra a persistência e a coragem de uma jovem de Sussex, Inglaterra chamada Velvet Brown (Elizabeth Taylor), apaixonada por cavalos. Velvet conhece um jovem errante, Mi Taylor (Mickey Rooney) e o convida para jantar com sua família – sua mãe (Anne Revere), seu pai (Donald Crisp) e seus irmãos (Juanita Quigley, Angela Lansbury e Jackie “Butch” Jenkins) – que o abriga. Velvet ganha um cavalo em uma rifa, lhe dá o nome de Pie, e persuade Mi, que era um ex-jóquei, a ajudá-la a treiná-lo para disputar a principal corrida de obstáculos do país. Ao perceber que o jóquei que supostamente montaria Pie, não acredita nas possibilidades do animal, Velvet pede para Mi cortar seus cabelos bem curtos, a fim de que ela possa se passar por jóquei, mesmo sabendo que, se for desmascarada será desclassificada.

Elizabeth Taylor, Ann Revere e Donald Crisp em A Mocidade é Assim Mesmo

Elizabeth Taylor, Ann Revere e Donald Crisp em A Mocidade é Assim Mesmo

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney em A Mocidade é Assim Mesmo

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney em A Mocidade é Assim Mesmo

Mickey Rooney e Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim mesmo

Mickey Rooney e Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim mesmo

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney em A Mocidade é Assim Mesmo

Elizabeth Taylor e Mickey Rooney em A Mocidade é Assim Mesmo

Brown narra os esforços da heroína com candura e calor humano, mostrando sua afinidade com o tema e os exteriores rurais, estes captados lindamente em Technicolor por Leonard Smith. A sequência da corrida deveu muito aos cuidados do montador Robert Kerne que, juntamente com Ann Revere, foi agraciado com o Oscar, tendo sido indicados ainda Brown, Leonard Smith e os responsáveis pela Direção de Arte: Cedric Gibbons e Urie McCleary.

Ainda nos anos quarenta, Clarence Brown realizou três filmes, Virtude Selvagem / The Yearling / 1946, Sonata de Amor / Song of Love / 1947 e O Mundo Não Perdoa / Intruder in the Dust / 1949, o primeiro e o terceiro dos quais podem ser considerados suas obras-primas no período sonoro.

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Drama familiar sobre a infância e o fim da inocência, Virtude Selvagem começou a ser feito em 1941, com direção de Victor Fleming e Spencer Tracy, Anne Revere e Gene Eckman nos papéis principais; porém uma série de incidentes paralisaram a produção, que seria retomada cinco anos mais tarde sob o comando de Clarence Brown e com Gregory Peck, Jane Wyman e Claude Jarman Jr.

Claude Jarman Jr. em Virtude Selvagem

Claude Jarman Jr. em Virtude Selvagem

No entrecho, Jody (Claude Jarman Jr.), filho único de um casal de fazendeiros (Gregory Peck, Jane Wyman), habitantes de um lugar ermo nos Everglades da Flórida no século passado, vive em comunhão com a natureza. Ele se afeiçoa pelo filhote de uma corça, que fora morta por seu pai, porque este precisava dos orgãos dela, para curar uma mordida de cascável. O filhote cresce e devora as plantações de milho, ameaçando a família de fome. É preciso que Jody mate seu animal de estimação; sem ter coragem de fazer isso, sua mãe se encarrega da triste missão enquanto o menino foge de casa, amaldiçoando seus pais. Depois de uma longa escapada, Jody voltará ao seu lar, após ter passado da meninice para a maturidade.

Gregory Peck, Jane Wyman e Claude Jarman Jr. em Virtude Selvagem

Gregory Peck, Jane Wyman e Claude Jarman Jr. em Virtude Selvagem

Cena de Virtude Selvagem

Cena de Virtude Selvagem

Cena de Virtude Selvagem

Cena de Virtude Selvagem

Com a delicadeza de sempre, Brown reconstituiu, através de uma sucessão de episódios emocionais, a atmosfera terna e sensível do romance de formação de Marjorie Kinnan Rawlings, ganhador do Prêmio Pulitzer. A amizade de um menino por um animal e a descrição da natureza selvagem foram tratados pelo diretor com muito sentimento e senso cinematográfico (destacando-se uma caça ao urso espetacular por sua montagem e seus travelings alucinantes), servindo-se de uma equipe técnica de primeira qualidade, sem deixar que o excesso de música quebrasse a unidade do filme. Além do filme, Clarence Brown; Gregory Peck; Jane Wyman e Harod Kress foram indicados respectivamente para o Oscar de Melhor Diretor, Ator, Atriz, Montagem. Arthur E. Arling, Charles Rosher e Leonard Smith ganharam o Oscar de Melhor Fotografia em Cores e Cedric Gibbons e Paul Groese o de Melhor Direção de Arte.

Katherine Hepburn e Paul Henreid em Sonata de Amor

Katherine Hepburn e Paul Henreid em Sonata de Amor

Brown dirige Katherine Hepburn em Sonata de Amor

Brown dirige Katherine Hepburn em Sonata de Amor

Katherine Hepburn, Robert Walker e Henry Daniels em Sonata de Amor

Katherine Hepburn, Robert Walker e Henry Daniels em Sonata de Amor

Aceitando certas liberdades (assumidas na própria apresentação do filme) com os fatos verdadeiros e levando em conta de que se trata de uma produção típica de Hollywood dos anos quarenta, Sonata de Amor é uma cinebiografia romanceada e condensada bastante apreciável, graças à competente direção de Brown e à razoável autenticidade que o trio de intérpretes principal deu às personalidades dos três gênios da música. As cenas domésticas com a participação dos filhos de Clara (Katherine Hepburn) e Robert (Paul Henreid) Schumann e da sua governanta insatisfeita são bem divertidas. Um toque comovente é a admiração que cada um dos quatro musicistas – pois além de Brahms (Robert Walker), Franz Liszt (Henry Daniels) também entram na trama – têm pelo outro, e como se ajudam mutuamente.

Katharine Hepburn e Paul Henreid em Sonata de Amor

Katharine Hepburn e Paul Henreid em Sonata de Amor

A cena mais grandiosa é a da execução da música da ópera “Fausto”, quando Schumann enlouquece de vez; mas o filme tem mais um momento engraçado – quando Clara pula um trecho, executando ao piano “Carnaval”, para poder terminar logo o concêrto e ir amamentar seu sétimo filho récem-nascido – e, é claro, a música maravilhosa, com a intervenção de Arthur Rubinstein na dublagem.

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Último grande filme de Clarence Brown e o melhor de sua carreira, O Mundo Não Perdoa teve como inspiração o romance de William Faulkner e uma recordação da sua adolescência, quando presenciou um dos distúrbios raciais mais sangrentos, ocorrido em Atlanta.

Em uma pequena cidade do Sul dos Estados Unidos, Lucas Beauchamp (Juano Hernandez), um orgulhoso proprietário de terras negro, é acusado do assassinato de um branco. Preso e ameaçado de ser linchado, ele encontra um apoio na pessoa de Chick Mallison (Claude Jarman Jr.), sobrinho do advogado John Gavin Stevens (David Brian). Acompanhado por uma velha senhora, Miss Eunice Habersham (Elizabeth Patterson), tão obstinada quanto ele na busca da verdade, e um amiguinho negro, Aleck Sander (Elzie Emanuel), Chick encontra a prova que inocenta Lucas – cujo filho o ajudara no passado. Com o auxílio de Stevens e do xerife (Will Geer) é preso o verdadeiro culpado: o irmão da vítima.

Claude Jarman Jr. e Juano Hernandez em O Mundo Não Perdoa

Claude Jarman Jr. e Juano Hernandez em O Mundo Não Perdoa

Brown trata esse drama social de uma maneira objetiva, tensa e sincera, usando uma estrutura narrativa de filme policial de mistério (que já existia no romance), para fazer com que o espectador participe da ação e solucione o crime, além de um estilo naturalista, que dá a impressão de realidade (a maior parte do filme foi rodada em Oxford, Mississipi – a cidade natal de Faulkner, reconhecida com a “Jefferson” do livro e o emprego de figurantes locais contribuiu para dar mais autenticidade ao espetáculo assim como o uso do som natural e a ausência de música).

Juano Hernandez e David Brian em O Mundo não Perdoa

Juano Hernandez e David Brian em O Mundo não Perdoa

Cena de O Mundo Não Perdoa

Cena de O Mundo Não Perdoa

O cineasta explorou ao máximo a fotografia em preto e branco de Robert Surtees, que é excelente, evocando perfeitamente o ambiente sulista, e conseguiu extrair do seu elenco sem astros interpretações impecáveis, destacando-se a de Juano Hernandez, que faz passar com inteligência a integridade firme, o porte altivo (quase arrogante) de seu personagem.

Cena de O Mundo Não Perdoa com Elizabeth Patterson, Elzie Emanuel e Claude Jarman Jr.

Cena de O Mundo Não Perdoa com Elizabeth Patterson, Elzie Emanuel e Claude Jarman Jr.

Entre os melhores momentos do filme destacam-se estes três: a peregrinação noturna inquietante dos dois rapazes e Miss Habersham para exhumar o corpo da vítima em um cemitério no meio do mato; a coragem de Miss Habersham sentada em uma cadeira, enfrentando a multidão racista impedindo-a de entrar na cadeia, mesmo quando o líder dos racistas despeja gasolina perto dela e ameaça acender um fósforo; a horda de cidadãos – que parece querer assistir ao linchamento como uma espécie de entretenimento – na expectativa de ver o que Crawford Gowrie (Charles Kemper), o irmão da vítima, vai fazer com Lucas; a retirada da turba, silenciosa e decepcionada – uma imagem mais poderosa do que qualquer discurso contra a intolerância e o fanatismo.

Brwon na filmagem de O Mundo Não Perdoa

Brown na filmagem de O Mundo Não Perdoa

Claude Jarman Jr. e William Faulkner

Claude Jarman Jr. e William Faulkner

Clarence Brown encerrou sua carreira nos anos cinquenta com cinco filmes menos importantes: Agora Sou Tua / To Please a Lady / 1950; Anjos e Piratas / Angels in the Outfield / 1951; No Palco da Vida / It’s a Big Country /1951; Uma Aventura em Roma / When in Rome / 1952 e O Veleiro da Aventura / Plymount Adventure /1952.

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Agora Sou Tua mostra um ás da corrida automobilística, Mike Brannan (Clark Gable) acusado por uma jornalista, Regina Forbes (Barbara Stanwick), de ter sido responsável por vários acidentes mortais; depois, os dois se apaixonam e ele, em Indianópols, às portas da vitória, joga o carro fora da pista para evitar o desastre como o carro de um companheiro. Em Anjos e Piratas forças celestiais ajudam o treinador Aloysius X. “Guffy” McGovern (Paul Douglas) de um time de beisebol, “Os Pittsburgh Pirates”, a ganhar o campeonato. Palco da Vida é um filme decantando as virtudes da democracia americana (Brown dirigiu Gary Cooper em um monólogo de cinco minutos, exaltando o Texas). Em Uma Aventura em Roma, o gangster Joe Brewster (Paul Douglas) foragido de San Quentin se faz passar por padre em Roma durante os festejos do Ano Santo; um padre de verdade, Padre Halligan (Van Johnson), ajuda-o a encontrar a fé.

Gene Tierney e Spencer Tracy em O Veleiro da Aventura

Gene Tierney e Spencer Tracy em O Veleiro da Aventura

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A viagem do Mayflower trazendo os Puritanos para a América é o tema de Veleiro da Aventura, em cuja trama o capitão Christopher Jones (Spencer Tracy) desdenha de seus passageiros, tenta seduzir uma mulher casada, Dorothy Bradford (Gene Tierney), e é indiretamente responsável por seu afogamento; depois se redime, ajudando a colônia a sobreviver no Novo Mundo. Em todos esses filmes Brown esforçou-se para garantir um bom entretenimento, mas não não conseguiu reviver os bons tempos de um império – a MGM – em desintegração.

CLARENCE BROWN I

April 15, 2016

Submisso aos propósitos e à estética de um poderoso estúdio – a MGM – ele serviu aos seus astros mais populares, procurando sempre contar uma história de maneira límpida e fluente com vistas ao sucesso comercial.

Como realizador, Brown não tinha algo para dizer, porém dotado de um senso plástico apurado, enriqueceu os variados temas de sua longa filmografia com momentos privilegiados de mise-en-scène, nos quais transparece também o seu virtuosismo técnico.

Clarence Brown

Clarence Brown

Cineasta romântico e sentimental, pelo estilo discreto e elegante e pela beleza visual de suas imagens ele se tornou um dos diretores mais refinados de Hollywood, mas subordinando o formalismo à narrativa. No melhor esquema narrativo clássico, Brown fazia com que os espectadores ficassem completamente envolvidos pelo enredo e pelos personagens.

Ele logo começou a ser conhecido como um “women’s director” por causa do seu trabalho na Universal, onde dirigiu Pauline Frederick em À Míngua de Amor e Louise Dresser em Mãe é sempre Mãe, reputação confirmada pela orientação dada a Greta Garbo e mais tarde a Joan Crawford na MGM. Brown fez sete filmes com Garbo e cinco filmes com Crawford.

Clarence Brown em ação

Clarence Brown em ação

Apesar de seu renome como “diretor de mulheres’, Brown extraiu um dos melhores desempenhos de Rudolph Valentino em A Águia e dirigiu Clark Gable mais vêzes do que qualquer outro diretor, lançando a personalidade fílmica de Gable como “homem durão com as mulheres” em Uma Alma Livre, o primeiro dos oito filmes que fez com ele. Brown demonstrou ainda um talento raro para despertar as emoções de astros infantís como, por exemplo, Butch Jenkins em A Comédia Humana, Elizabeth Taylor e Mickey Rooney em A Mocidade é Assim Mesmo e Claude Jarman Jr. em Virtude Selvagem.

Stevens Duryea Company

Stevens Duryea Company

Clarence Brown nasceu em Clinton, Massachussets, onde seus pais trabalhavam em uma manufatura de algodão. Quando Brown tinha onze anos de idade, a família se estabeleceu em Knoxville no Tennessee. Alí ele completou os estudos secundários e se formou em engenharia mecânica e elétrica. Apaixonado por automóveis, arrumou emprego na Moline Auto Company. Depois, trabalhou na Stevens Duryea Company e, mais tarde, abriu uma concessionária, a Brown Motor Car Company em Birmingham, Alabama.

Os negócios iam bem, mas Brown começou a se interessar por outra coisa: todos os dias, na hora do almoço, ia ver os filmes produzidos pelos estúdios Peerless, onde funcionavam como diretores Frank Crane, Albert Capellani, Emile Chautard e Maurice Tourneur.

Estúdio da Peerless

Estúdio da Peerless

Maurice Tourneur

Maurice Tourneur

Repentinamente, decidiu largar o que estava fazendo e partir para Fort Lee, New Jersey, onde se situava a séde da Peerless, tendo a sorte de ser logo contratado como assistente de Tourneur. “Em menos de seis meses eu já redigia os títulos e filmava todas as tomadas em exteriores. Tourneur detestava as externas, porque não podia controlar as condições de filmagem como em um estúdio. Ele me ensinou o que se deve saber sobre a fabricação de um filme: a composição de um plano (Touneur era um verdadeiro pintor, capaz de compor os mais belos enquadramentos) e o ritmo. Devo tudo o que sei a este grande artista” (Entrevista concedida a Kevin Brownlow, reproduzida em The Parade’s Gone By). A primeira intervenção de Brown deu-se em Lágrimas e Risos da Boemia / Trilby / 1915, interpretado por Clara Kimball Young, e ele ficou com Tourneur cerca de seis anos.

Ao retornar da primeira Guerra Mundial, durante a qual serviu como instrutor de vôo, dirigiu sozinho, mas supervisionado por Tourneur, Sublime Redentor / The Great Redeemer / 1920, co-dirigiu com Tourneur Mulheres Levianas / Foolish Matrons / 1921 e, quando o mestre se acidentou após duas semanas de filmagem de O Último dos Moicanos / The Last of the Mochicans / 1921, assumiu a direção, realizando provavelmente três quartos do filme.

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Filme inicial da Associated Producers, companhia formada por Maurice Tourneur, Thomas Ince, Allan Dwan, Marshall Neilan, George Loane Tucker e Mack Sennett, O Último dos Moicanos manteve o máximo de fidelidade ao romance célebre de James Fenimore Cooper e explorou magnificamente a paisagem a ar livre do Big Bear Valley e do Yosemite National Park. Brown forjou planos em silhuetas e de interiores escuros enquadrados em contraste com a luz, de grande beleza pictórica. Ele usou potes com fumaça para criar a ilusão de raios de luz atravessando a neblina e acionou um carro de bombeiros e suas mangueiras para providenciar uma tempestade na floresta. As sequências mais emocionantes são o massacre no Fort Williams e a perseguição de Cora (Barbara Bedford) por Magua (Wallace Beery) e o seu salto para a morte do alto de uma colina.

Cena de O Último dos Mohicanos

Cena de O Último dos Mohicanos

Cena de O Último dos Mohicanos

Cena de O Último dos Mohicanos

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Cena de O Último dos Mohicanos

Cena de O Ultimo dos Mohicanos

Cena de O Ultimo dos Mohicanos

Quando Brown se desligou de Tourneur, fez A Luz nas Sombras / The Light in the Dark / 1922 para Jules Brulatour e Não Case por Dinheiro / 1923, para a Preferred. Ele depois assinou um contrato com a Universal e fez cinco filmes, todos de muito sucesso: Libelo Tremendo / The Acquittal / 1923, Heroismo Sublime / The Signal Tower / 1923, A Borboleta / Mademoiselle Butterfly / 1924, À Míngua de Amor / Smouldering Fires / 1925 e Mãe é Sempre Mãe / The Goose Woman / 1925, filme que o ajudaria a conseguir um contrato com a United Artists.

Lon Chaney em A Luz nas Sombras

Lon Chaney em A Luz nas Sombras

Esta companhia deu a Brown a oportunidade de dirigir o grande sedutor da tela Rudoph Valentino em A Águia / The Eagle / 1925 e Norma Talmadge em Kiki / Kiki / 1926. Os últimos quatro filmes citados foram os mais importantes desta fase da carreira de Brown.

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Cena de A Míngua de Amor

Cena de A Míngua de Amor

Cena de A Míngua de Amor

Cena de A Míngua de Amor

À Mingua de Amor é um estudo psicológico que chama a atenção pela esplêndida caracterização de Pauline Frederick como Jane Vale, mulher de negócios quarentona, enérgica e exigente, que se rende a um amor impossível. Jane casa-se com Robert (Malcolm McGregor), jovem empregado da fábrica que dirige mas depois, percebendo a diferença de idades entre eles e que sua irmã Dora (Laura La Plante) o ama, abre mão da felicidade. Em uma cena de mau presságio Brown enquadra o triângulo amoroso atrás de um lindo arranjo de flores (Jane no centro, juntando seu rosto aos de Dora e Robert, que a ladeiam). Jane diz: Nós vamos ser as pessoas mais felizes do mundo” e espeta o dedo em um espinho. O filme acaba com outro three shot (planos com três pessoas dentro do quadro), mas desta vez Jane está conformada e feliz com a união de Dora e Robert.

Louise Dresser em Mãe é Sempre Mãe

Louise Dresser em Mãe é Sempre Mãe

Mãe é Sempre Mãe é um melodrama sentimental tendo como figura central, Marie de Nardi (Louise Dresser), cantora de ópera de fama internacional. Ela dá a luz um filho ilegítimo e, em consequeência, perde a voz no auge de uma carreira brilhante. Amargurada, começa a beber e depois, para sobreviver, passa a criar gansos, morando em uma choupana miserável em lugar afastado. Sob o nome de Mary Holmes, educa o filho Gerald (Jack Pickford), culpando-o sempre pelo seu declínio. Gerald fica noivo de uma atriz, Hazel Woods (Constance Bennett). Quando um milionário que patrocina o teatro local é assassinado, Marie vê a chance de se projetar de novo diante do público e inventa uma história sobre o crime, colocando-se como testemunha-chave: porém seu depoimento prejudica Gerald, acusado do crime. Percebendo isso, o seu amor suprimido vem à tona, e ela se retrata, aparecendo depois o verdadeiro culpado.

Jack Pickford e Constance Bennett em Mãe é Sempre ãe

Jack Pickford e Constance Bennett em Mãe é Sempre Mã

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Clarence Brown na filmagem de Mãe é Sempre Mãe

Clarence Brown na filmagem de Mãe é Sempre Mãe

Brown repete suas composições triangulares para sugerir emoção e pensamentos e usa o simbolismo como, por exemplo, em uma cena na qual Gerald acidentalmente quebra a unica gravação registrando a voz da sua mãe famosa. Mas a dona do espetáculo é Louise Dresser com a sua representação de uma atriz decaída e sua impressionante transformação de megera desgrenhada, suja e maltrapilha para uma mulher redimida pelo poder do amor.

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Na trama de A Águia, Vladimir Dubrowski (Rudolph Valentino), jovem tenente cossaco, rejeita os avanços amorosos da Czarina Catarina II (Louise Dresser), torna-se “A Águia”, defensor do pobres e oprimidos, e jura vingança contra Kirilla Troekouroff (James Marcus), que se apoderara dos bens de sua família. Disfarçando-se como o professor particular francês da filha de Kirilla, Mascha (Vilma Banky), apaixona-se pela moça. Aprisionado pelas tropas do governo, é sentenciado à morte, casa-se com Mascha na prisão e, no último momento, ele e Mascha são salvos graças à Czarina.

Louise Dresser e Valentino em A Águia

Louise Dresser e Valentino em A Águia

Rudolph Valentino e Louise Dresser em A Águia

Rudolph Valentino e Louise Dresser em A Águia

O script de Hans Kraly tomou emprestado a máscara negra do Zorro, a audácia física, e o tema da dupla identidade; mas foi além, dando ao herói não duas, mas três personas: o tenente cossaco da Guarda Imperial Vladimir Dubrowski, o bandido mascarado tártaro Águia Negra, e o professor particular francês Marcel Le Blanc de cartola e colete. Kraly e Brown temperam o romantismo da história com um leve humor satírico (Valentino zomba de sua imagem fílmica – tentando tirar com dificuldade um anel que ficou emperrado no seu dedo ou quando põe pimenta demais na sua sopa porque ele está olhando estupidamente para a sua deslumbrante pupila etc.).

Vilma Banky e Rudolph Valentino em A Águia

Vilma Banky e Rudolph Valentino em A Águia

Clarence Brown dirige Valentino em A Águia

Clarence Brown dirige Valentino em A Águia

Cena de A Águia

Cena de A Águia

William Cameron Menzies caprichou na decoração de interiores, Adrian fez o mesmo com o vestuário, o astro encarnou um herói de ação em movimento perpétuo (perseguindo uma carruagem conduzida por cavalos desembestados, escapando por uma janela, lutando contra um urso ameaçador), e Vilma Banky formou com ele uma dupla romântica ideal.

Vilma Banky e Valentino em A Águia

Vilma Banky e Valentino em A Águia

O filme continha ainda um dos travelings mais famosos da História do Cinema, quando a câmera desliza para trás sobre uma mesa de banquete enorme. A câmera inicia seu percurso a partir de um personagem, Kirilla, comendo em uma das extremidades da mesa. Montada em cima de uma ponte de madeira construída sobre dois carrinhos colocados em cada lado da mesa, a câmera desliza pelo meio da mesa, passando por outros ocupantes, até a sua outra extremidade. Para não obstruir a passagem da câmera, os aderecistas iam retirando os candelabros e os recolocando nos seus lugares depois que a câmera passasse por eles. O mesmo efeito seria repetido em Anna Karenina.

Cena de Kiki

Cena de Kiki

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Ronald colman e Norma Talmadge em Kiki

Ronald Colman e Norma Talmadge em Kiki

No filme restante, uma jovem parisiense vendedora de jornais, Kiki (Norma Talmadage), tentando ser corista, vive brigando com Paulette (Gertrude Astor), a estrela e namorada do gerente do teatro, Monsieur Renal (Ronald Colman), e acaba conquistando o amor dele. Brown dirigiu esta comédia romântica gostosa – escrita por Hans Kraly – na qual Norma, apesar de não ter a mocidade que o papel requeria, demonstra seu talento histriônico. Brown declarou em uma entrevista, que Norma possuia um dom natural para a comédia, e serve como um exemplo disto a sequência na qual ela finge que está inconsciente e dura como uma tábua e o doutor diagnostica um ataque de catalepsia. O seu timing enquanto o médico levanta e abaixa sua perna e seu braço se levanta é perfeito e o efeito cômico, engraçadíssimo. As outras cenas da estratégia da jovem jornaleira para chegar ao empresário também são muito divertidas.

Norma Talmadge e Ronald Colman em Kiki

Norma Talmadge e Ronald Colman em Kiki

Da United Artists, Brown transferiu-se para a MGM onde (com exceção de quando a MGM emprestou-o para a Twentieth Century–Fox como diretor de E as Chuvas Chegaram), ficaria pelo resto de sua carreira e, se tornaria um de seus top directors.

Três grandes filmes marcaram o início da trajetória artística do diretor na “Marca do Leão”: A Carne o Diabo / Flesh and the Devil / 1926, Ouro / Trail of the ’98 / 1927 e Mulher de Brio / A Woman of Affairs / 1928.

Clarence Brown dirige Greta Garbo e John Gilbert em A Carne e o Diabo

Clarence Brown dirige Greta Garbo e John Gilbert em A Carne e o Diabo

Na sinopse de A Carne e o Diabo, Leon von Sellenthin (John Gilbert) e Ulrich von Kletzigk (Lars Hanson) nasceram juntos e fazem um pacto de eterna amizade. Leo encontra Felicitas (Greta Garbo) em um baile. Quando o marido dela surpreende os dois a sós, trava-se um duelo, e o marido é morto. Forçado a partir em missão no exterior, Leo pede que Ulrich console a viúva. Ao retornar, três anos depois, perdoado pelo imperador, Felicitas está casada com Ulrich. Leo tenta em vão refutar as tentativas dela em reviver o antigo romance, e afinal os dois amigos se defrontam em duelo, cada qual incapaz de desferir o tiro fatal. Correndo para o local do confronto, Felicitas cai em um rio gelado e morre, e os dois amigos se reconciliam.

Cena de A Carne e o Diabo

Cena de A Carne e o Diabo

Cena da comunhão em A Carne e o Diabo

Cena da comunhão em A Carne e o Diabo

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Greta Garbo e John Gilbert em A Carne e o Diabo

Greta Garbo e John Gilbert em A Carne e o Diabo

Cena de A Carne e o Diabo

Cena de A Carne e o Diabo

Neste primeiro dos sete filmes que fez com Garbo, Brown compôs cenas de raro esplendor plástico, sendo muito lembradas as do primeiro duelo, com os contendores fotografados em silhueta e a fusão para Garbo experimentando seu chapéu preto; a de Gilbert acendendo o cigarro de Garbo e jogando um reflexo luminoso no rosto de sua amada; a da sincronização do nome de Felicitas nos títulos com as imagens dos cascos do cavalo, do apito da barca e das rodas do trem que conduzem Gilbert, cada corte mais curto, à medida que o meio de transporte é mais veloz; a da comunhão – ao mesmo tempo erótica e sacrílega – quando Garbo vira o cálice com a hóstia e beija o lugar onde Gilbert colocara seus lábios. Sem dúvida alguma, um dos melhores filmes do cineasta.

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Ouro focaliza a febre do ouro, que se espalha por toda a nação, atiçando os homens a partirem para o Alasca. Um grupo de pessoas, incluindo a jovem Berna (Dolores Del Rio) e seu avô cego, ruma para o Klondike, onde impera a vontade e a lei do cruel Jack Locasto (Harry Carey). Berna enamora-se de um jovem aventureiro, Larry (Ralph Forbes), e tenta convencê-lo a voltar; mas o rapaz quer tentar a sorte mais uma vez e, juntamente com o grandalhão Lars Petersen (Karl Dane), Salvation Jim (Tully Marshall) e Samuel Foote, conhecido como “O Verme” (George Cooper), acha um veio de ouro. Enquanto Lars e Jim vão à cidade registrar seus direitos, Larry é atacado por “Verme” que, ao fugir, é devorado pelos lobos. Na cidade, Larry encontra Berna prostituída e, depois de liquidar com Locasto, reúne-se com a amada, Jim e Lars.

Clarence Brown na filmagem de Ouro

Clarence Brown na filmagem de Ouro

Dolores Del Rio e Ralph Forbes em Ouro

Dolores Del Rio e Ralph Forbes em Ouro

Filmagem de Ouro

Filmagem de Ouro

Brown e sua equipe tiveram muitos obstáculos durante a filmagem, entre eles a grande altitude e o frio nas locações em Denver. Ele relatou para Kevin Bronlow que esse foi o filme mais difícil que fez. Quando deixou o Colorado, parte da companhia ficou para trás, para fazer algumas tomadas extras, e “uma avalanche matou dois ou três homens”. No Alaska, onde levou uma unidade para filmar a sequência nas correntezas, mais três homens foram perdidos. Porém o diretor conseguiu reviver com eficiência a epopéia da corrida do ouro. Desde a partida do navio com seus milhares de figurantes à uma avalanche espetacular, o filme é soberbo. Ainda mais, suponho, visto no processo chamado Fantom Screen, a resposta da MGM para o processo Magnascope da Paramount (um dos vários processos de tela larga desenvolvidos nos anos vinte).

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Greta Garbo e John Gilbert em Mulher de Brio

Greta Garbo e John Gilbert em Mulher de Brio

Em Mulher de Brio, a linda e elegante Diana Merrick (Greta Garbo) apaixona-se pelo aristocrático Neville Holderness (John Gilbert), mas o pai dele desaprova o casamento, e Neville obedece. Diana casa-se com David Furness (Johnny Mack Brown), amigo de seu irmão Geofrey (Douglas Fairbanks, Jr.), sem saber que ele é um ladrão. Durante a lua-de-mel, ao saber que a polícia anda atrás dele, David se mata, e Diana indeniza as vítimas de seus crimes. Retornando à Inglaterra depois de alguns anos, não consegue salvar Geofrey do alcoolismo; e quando Neville tenta voltar para os seus braços, Diana o repele, influenciada pela atitude do pai dele, e porque ele está casado com Constance (Dorothy Sebastian). Diana então joga seu carro contra uma árvore, debaixo da qual ela e Neville declararam amor um pelo outro pela primeira vez, e morre.

Douglas Fairbanks Jr. e Greta Garbo em Mulher de Brio

Douglas Fairbanks Jr. e Greta Garbo em Mulher de Brio

Cena de Mulher de Brio

Cena de Mulher de Brio

Greta Garbo e Lewis Stone em Mulher de Brio

Greta Garbo e Lewis Stone em Mulher de Brio

Duas cenas em particular tornaram-se clássicas. A primeira passa-se no quarto de Gilbert. Garbo se estende sobre um divã, faz girar distraidamente seu anel demasiado grande em torno de seu dedo, e observa: “Disseram-me que eu era como este anel – pronto para cair”. Em câmera baixa, sob uma iluminação expressionista, vemos Gilbert se inclinar lentamente sobre ela; eles se confundem em um beijo e, da mão abandonada de Garbo, cai o anel. Imagem altamente metafórica. O segundo instante antológico sobrevém perto do final, quando Garbo no hospital, após uma depressão nervosa, recebe um buquê de flores de Gilbert e o afaga em uma ardente pantomima de amor. Filmada mais uma vez em low angle, ela projeta seu desejo sobre as flores que envolvem seu rosto. Brown dá o sopro passional a este drama, cuja personagem tem remota ressonância ibseniana.

Greta Garbo em Mulher de Brio

Greta Garbo em Mulher de Brio

Depois de realizar duas produções de pouca envergadura, O Prodígio das Mulheres / Wonder of Women / 1929 e Turuna da Marinha / Navy Blues, Brown foi convidado para dirigir Greta Garbo no seu primeiro filme falado, Anna Christie / Anna Christie / 1930, adaptado por Frances Marion com uma fidelidade surpreendente à peça de Eugene O’ Neill, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1921, mas um tanto “envelhecida” em 1930.

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Greta Garbo e Marie Dressler em Anna Christie

Greta Garbo e Marie Dressler em Anna Christie

Greta Garbo e Charles Bickford em Anna Christie

Greta Garbo e Charles Bickford em Anna Christie

Tal como os outros filmes do início do cinema falado – este é bastante estático, destacando-se todavia o desempenho de Greta Garbo e seus partners Marie Dessler e Charles Bickford. Aparecendo somente após decorridos quinze minutos de projeção, ela põe fim à ansiedade da platéia de saber se a atriz sueca passaria no teste sonoro, dizendo – com uma voz que se adequava à sua personalidade e à sua aparência – estas primeira palavras memoráveis: “Gimme a visky, ginger ale on the side – and don’t be stingy baby”. Anna Christie obteve um sucesso tal, que a MGM decidiu realizar uma versão alemã, confiada a Jacques Feyder, mantendo-se Garbo no papel principal. Ela, Brown e o fotógrafo William Daniels foram indicados para o Oscar.

Clarence Brown dirige Greta Garbo em Anna Christie

Clarence Brown dirige Greta Garbo em Anna Christie

Infelizmente, os dois filmes seguintes de Brown com Greta Garbo Romance / Romance / 1930 e Inspiração / Inspiration / 1931, apesar do luxo e do glamour providenciados pela mesma equipe de Anna Christie (William Daniels, Cedric Gibbons e Adrian), decepcionaram – em grande parte devido à má qualidade dos seus respectivos roteiros e diálogos ridículos. No primeiro ela contracena com Gavin Gordon; no segundo, contracena com Robert Montgomery: em ambos os filmes, coajuvados por Lewis Stone.

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Uma Alma Livre / A Free Soul / 1931, conta a história de Stephen Ashe, advogado criminalista alcoólatra (Lionel Barrymore), que livra o gângster Ace Wilfong (Clark Gable) da prisão e o convida para uma festinha em sua casa. Ace conquista o coração de Jan (Norma Shearer), a filha de Stephen. Os dois fogem juntos para desespêro do causídico e de Dwight Winthrop (Leslie Howard), jogador de polo que ia se casar com Jan. Dwight mata Ace ao vê-lo maltratar Jan e Stephen o defende no tribunal com tanto entusiasmo, que sofre um ataque cardíaco e morre nos braços de Jan.

Norma Shearer e Clark Gable em Uma Alma Livre

Norma Shearer e Clark Gable em Uma Alma Livre

Norma Shearer, Clark Gable e Leslie Howard em Uma Alma Livre

Norma Shearer, Clark Gable e Leslie Howard em Uma Alma Livre

Lionel Barrymore e Norma Shearer em Uma Alma Livre

Lionel Barrymore e Norma Shearer em Uma Alma Livre

Clarence Brown orienta seus atores na filmagem de Uma Alma Livre

Clarence Brown orienta seus atores na filmagem de Uma Alma Livre

Esse melodrama criminal, repleto de sensualidade, realizado no estilo típico da Metro dos anos 30, assinala o encontro de Brown com Gable e deu o Oscar de Melhor Ator para Lionel Barrymore, notadamente pelo seu monólogo (de 14 minutos) na argumentação jurídica sentimental diante dos jurados. Norma Shearer e Clarence Brown também foram candidatos

Cena de Possuída

Cena de Possuída

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Clark Gable e Joan Crawford em Possuída

Clark Gable e Joan Crawford em Possuída

No mesmo ano, Clark Gable apareceu em mais um filme de Brown, Possuída / Possessed, que marcou o início de outra parceria de sucesso do diretor com uma estrela da MGM, esta vez com Joan Crawford. Ela é Marian, a operária de fábrica cansada da rotina da cidade pequena, que vai para Nova York; lá torna-se amante de Mark Whitney (Clark Gable), um advogado com ambições políticas, e se sacrifica para não lhe atrapalhar a carreira.

Clarence Brown dirige Joan Crawford e Clark Gable em Possuída

Clarence Brown dirige Joan Crawford e Clark Gable em Possuída

Filmagem de Possuída

Filmagem de Possuída

Joan Crawford e Clark Gable em um intervalo de filmagem de Possuída

Joan Crawford e Clark Gable em um intervalo de filmagem de Possuída

Em uma cena famosa, muito bem armada por Brown,  a operária contempla maravilhada  as representações de riqueza e lazer nos compartimentos luxuosos de um trem que passa e agarra a chance de escapar do seu ambiente triste e monótono, guardando o cartão de visitas que um dos passageiros ricos lhe dá, oferecendo-lhe champagne e convidando-a para ir procurá-lo em Nova York. Trava-se então um diálogo premonitório. Ele diz: “Existem duas espécies de pessoas: as que estão dentro (do trem) e as que estão fora. Ela responde: “Não é fácil (de entrar)”. Ele retruca: “Tudo é fácil para uma mulher”.

Clark Gable e Joan Crawford em Possuída

Clark Gable e Joan Crawford em Possuída

Retratando Marian ocomo uma mulher obstinada e cínica, que obtém sucesso material, Possessed oferece uma saída para as platéias da era da Depressão. Porém a realização de seu desejo de ascenção social tem um preço: ela se afasta da suas raízes da classe trabalhadora enquanto seu status como amante a exclui da sociedade “respeitável”.

Seguiram-se no percurso cinematográfico de Brown vários filmes de rotina, que se equivalem artísticamente: Emma / Emma / 1931, Redimida / Letty Lynton / 1932, Amor de Mandarim / The Son-Daughter / 1932, O Futuro é Nosso / Looking Forward / 1933, Asas da Noite / Night Flight / 1933, Três Amores / Sadie McKee / 1934 e Acorrentada / Chained / 1934.

Marie Dressler e Jean Hersholt em Emma

Marie Dressler e Jean Hersholt em Emma

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Filmagem de Emma

Filmagem de Emma

Em Emma, o destaque vai para Marie Dressler, indicada para o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação como a criada, Emma Thatcher, que trabalha durante anos para uma família e cria com carinho maternal os filhos do casal. Quando o patrão, Mr. Fredrick Smith (Jean Hersholt), fica viúvo, ela se casa com ele e, quando ele morre, deixa para ela toda a sua fortuna, ocorrendo graves consequências com relação aos filhos. No meio do drama ocorrem cenas divertidas como aquela passada na estação ferroviária, quando Smith está procurando Emma, comprando a passagem dela e despachando suas malas. Ela está indo para Niagara Falls e, antes de sua partida, Smith lhe propõe casamento, e em seguida acompanha-a na sua viagem, e eles se casam.

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Joan Crawford em Redimida

Joan Crawford em Redimida

Melodrama audacioso em termos de censura, Redimida traz de novo Joan Crawford sob o comando de Brown, desta vez como uma jovem da sociedade, Leticia Lytton, que se envolve com um ricaço americano, Hale Darrow (Robert Montgomery) e acaba envenenando acidentalmente seu ex-amante, Emile Renaul (Nils Ahster) … ficando contente com isso e não sendo punida pela justiça. O que mais chama atenção no filme, além desta impunidade, é o vestido que Adrian criou para a estrela, a fim de tornar seus ombros ainda mais largos, envolvendo-os em volumosos tufos de fazenda. Embora o vestido fosse visto apenas brevemente, ele causou tamanha sensação, que milhares de cópias tiveram que ser feitas, para serem vendidas às fãs no varejo (v. meu post, Grandes Figurinistas do Cinema I). O filme saiu completamente de circulação depois que um tribunal decidiu que seu script era muito semelhante à peça Dishonored Lady (1930).

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Helen Hayes em Amor de Mandarim

Helen Hayes e Ramon Novarro em Amor de Mandarim

Cena de Amor de Mandarim

Cena de Amor de Mandarim

Amor de Mandarim, é uma mistura de história de amor e intriga política, um tanto letárgica, passada na San Francisco de 1911, onde, com a finalidade de angariar fundos para a revolução em seu país, um chinês vende a própria filha Lien Wha (Helen Hayes) em um leilão, frustrando seu ídilio com um jovem estudante universitário pobre, Tom Lee (Ramon Novarro), que é, na verdade, o Príncipe Chun, herdeiro de uma posição importante na rebelião. A melhor cena é a do assassinato do vilão Fen Sha (Warner Oland) por Lien, com a sua trança, no quarto nupcial.

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Lionel Barrymore e Lewis Stone em O Futuro é Nosso

Lionel Barrymore e Lewis Stone em O Futuro é Nosso

O Futuro é Nosso, mostra, em chave sentimental, como Gabriel Service (Lewis Stone), dono de uma grande loja de departamentos de Londres, ameaçada de falência, reativa seus negócios graças à ajuda de seu filho Michael (Phillips Holmes) e de um velho empregado, Tim Benton (Lionel Barrymore) que fôra demitido devido à má situação da empresa. Brown trata o assunto com a delicadeza e finura que lhe são peculiares, apresentando cenas de grande sentimento como, por exemplo, o momento em que Service despede Benton e também a chegada deste em casa, dando a notícia à esposa.

John e Lionel Barrymore em Asas da Noite

John e Lionel Barrymore em Asas da Noite

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Myrna Loy e William Gargan em Asas da Noite

Myrna Loy e William Gargan em Asas da Noit

Robert Montgomery e Lionel Barrymore em Asas da Noite

Robert Montgomery e Lionel Barrymore em Asas da Noite

Asas da Noite revive episodicamente, com boas cenas aéreas (a sombra do avião passando sobre os pampas e um cavalo selvagem que corre, um aparelho que sobrevoa a cordilheira dos Andes, perde-se na tempestade, e cai no mar etc.) e certo suspense, os personagens do romance de Saint Exupéry, tendo à frente do elenco John Barrymore como Rivière, o severo e inflexível diretor da linha aérea sul-americana, Lionel Barrymore como o Inspetor Robineau, Clark Gable e Helen Hayes (piloto Fabian e sua esposa), Robert Montgomery (piloto Pellerin), William Gargan e Myrna Loy (piloto brasileiro e sua espôsa).

Cena de Três Amores

Cena de Três Amores

Franchot Tone e Joan Crawford em Três Amores

Franchot Tone e Joan Crawford em Três Amores

Joan Crawford em Três Amores

Joan Crawford em Três Amores

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Franchot Tone, Joan Crawford e Clarence Brown ensaiam

Franchot Tone, Joan Crawford e Clarence Brown ensaiam

Três Amores descreve com uma ousadia própria da era Pré-Código os três relacionamentos de Sadie McKee Brenan (Joan Crawford), copeira de uma mansão na qual a mãe é cozinheira: com um namorado escroque, Tommy Wallace (Gene Raymond) que a abandonou; com um milionário alcoólatra, Jack Brennan (Edward Arnold); e com o filho do seu patrão, Michael Anderson (Franchot Tone), que sempre fôra enamorado dela. O tema desse melodrama é o amor perdido e a recuperação emocional após este trauma; mas percebe-se também na trama alguma análise do mecanismo social. O maior trunfo do filme são os vestidos deslumbrantes de Adrian para Crawford, e os close-ups da atriz, no auge do seu glamour.

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Otto Kruger e Joan Crawford em Acorrentada

Otto Kruger e Joan Crawford em Acorrentada

Clark Gable e Joan Crawford em Acorrentada

Clark Gable e Joan Crawford em Acorrentada

Acorrentada é um drama romântico seguindo a velha fórmula do triângulo amoroso. Dono de uma companhia de navegação (Otto Kruger) enamora-se da jovem Diana (Joan Crawford), mas a esposa dele não quer lhe conceder o divórcio. Diante do impasse, Diana parte para a América do Sul e, na viagem, apaixona-se por Mike Bradley (Clark Gable). Filmado no estilo chique da MGM, o filme realça o magnetismo da dupla Gable-Crawford e foi o primeiro dos oito filmes que Joan Crawford fez com o fotógrafo George Folsey. Folsey descobriu um esquema de iluminação que enfatizava a beleza da atriz. Crawford adorou ver como a sua imagem ficou e pediu o mesmo tipo de iluminação pelo resto de sua carreira.

 

CINEMA MEXICANO NO BRASIL – PELMEX III

April 1, 2016

Com seus popularíssimos melodramas o cinema mexicano fez muita gente chorar, mas atendeu também à preferência do público pelas comédias.

Tal como aconteceu no cinema norte-americano, após a chegada do som, o cinema mexicano transferiu as revistas musicais do palco para a tela. Essa técnica culminou em 1936 com Rancho Grande / Allá en el Rancho Grande, de Fernando de Fuentes, estrelado por Tito Guizar, o primeiro grande sucesso que consolidou a indústria cinematográfica mexicana, transcendeu fronteiras, e estabeleceu o primeiro gênero genuinamente mexicano: a comédia ranchera.

pelmex allá en el rancho grande poster

Esta se caracterizava pela paisagem rural, humor simples e mitificação da vida e moralidade provinciana. O herói dessas comédias era o charro cantor, um cavaleiro mexicano, namorador galante, alegre e temerário, vestido com jaquetas pitorescas, calças justas e o imprescindível sombrero, que a todo momento entoava uma canção.

pelmex ay jalisco

Herdeiro do personagem de Tito Guizar em Rancho Grande, Jorge Negrete firmou-se como ídolo popular em 1941, quando interpretou um charro ousado e sedutor em Ay Jalisco, no te rajes. Ele manteve sua hegemonia sobre a constelacão de astros do cinema azteca até o aparecimento de Pedro Infante que, com seu machismo ranchero (vg. Os Tres Garcia / Los Tres Garcia / 1946) se tornou a figura mais querida pelos frequentadores das salas de cinema mexicanas. Negrete e Infante chegaram a trabalhar juntos em Dos Tipos de Cuidado / 1952, em uma tentativa dos produtores para revitalizar o gênero, que estava começando a perder seu prestígio.

pelmex los tes garcia

Carmelita González, Jorge Negrete, Yolanda Varela e Pedro Infante em Dos Tipos de Cuidado

Carmelita González, Jorge Negrete, Yolanda Varela e Pedro Infante em Dos Tipos de Cuidado

Outro gênero de grande sucesso no cinema mexicano foi a comédia burlesca, cujo representante máximo foi Mario Moreno ”Cantinflas”, cômico oriundo do circo e do teatro de variedades. A primeira fase de sua carreira cinematográfica culminou com o sucesso espetacular de Aí é que está a Coisa / Ahí está el Detalle /1940, que o impulsionou para a fama através de todo o cinema de língua espanhola. Mario Moreno interpretava um peladito, ou seja, um mexicano humilde, com um bigodinho esparso nas pontas de sua boca, calças propensas a cair, e fala incoerente que desafiava a hipocrisia e a presunção da classe média com sua verborragia incompreensível e espírito anárquico.

pelmex ahi está el detalle

A certa altura de sua trajetória artística Cantinflas se dedicou, sempre com seu temperamento caótico, à paródia de certas profissões (vg. Herói por Acaso / El Gendarme Desconocido / 1941, O Circo / El Circo / 1943, O Mago / El Mago / 1949, El Bombero Atômico / 1950, O Porteiro / El Portero / 1950, Se Eu Fosse Deputado / Si yo fuera Deputado / 1951, O Engraxate / El Bolero de Raquel / 1957)) ou de romances célebres (vg. Nem Sangue Nem Areia / Ni Sangre Ni Arena / 1941, Os Três Mosqueteiros / Los Tres Mosqueteros / 1942), gozando sempre do apoio das platéias.

Um outro cômico original e simpatico, Germán Valdez “Tin Tan”, ficou famoso pelo personagem que criou com bigodinho à la Clark Gable e vestido no estilo pachuco, ou seja, com um zoot-suit (traje com ombros largos, paletó muito comprido, calças folgadas mas estreitas embaixo, chapéu fedora e sapato bicolor, usado por alguns jovens latinos nos Estados Unidos nos anos 40); mas assumiu também outros papeís, demonstrando sempre uma grande capacidade de improvisação.

Germán Valdez "Tin Tan"

Germán Valdez “Tin Tan”

Tin Tan estreou no cinema em 1943 interpretando um pequeno papel em Hotel de Veran, mas seu estilo original se desenvolveu plenamente a partir de 1948 com um clássico da comédia mexicana: Eu Sou do Amor / Calabacitas Tiernas. Posteriormente apareceu em várias paródias de histórias clássicas tais como La Marca del Zorrillo / 1950, Sinbad el Mareado / 1950, El Ceniciento / 1951 e Las Mil y Una Noches / 1957, porém seu filme mais aplaudido foi El Rey del Barrio / 1949, que apresenta uma versão humorística dos tipos e situações que tornaram célebre o melodrama mexicano.

1956

Janeiro:

CONGA SELVAGEM / KONGA ROJA / 1943. Dir: Alejandro Galindo. Maria Antonieta Pons, Pedro Armendáriz, Tito Junco, Carlos López Moctezuma.

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A GAIVOTA / LA GAVIOTA / 1955. Dir: Raúl de Anda. Maria Antonieta Pons, Dagoberto Rodriguez, Joaquin Cordero.

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A INFAME / LA INFAME / 1954. Dir: Miguel Zacarías. Libertad Lamarque, Carmen Montejo, Luis Aldás.

Captura de Tela 2016-03-22 às 12.03.55Abril:

MEU REINO POR UM TOUREIRO / MI REINO POR UN TORERO / 1944. Dir: Fernando A. Rivero. Maria Antonieta Pons, Carlos Arruza, Aurora Segura.

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SOMBRA VERDE / SOMBRA VERDE. Dir: Robert Gavaldón, Ricardo Montalban, Ariadne Walter, Victor Parra.

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Maio:

MULATA / MULATA / 1954. Dir: Gilberto Martinez Solares. Ninón Sevilla, Pedro Armendáriz, René Cardona.

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Junho:

NUNCA É TARDE PARA AMAR / NUNCA ES TARDE PARA AMAR / 1953. Dir: Tito Davison. Libertad Lamarque, Roberto Cañedo, Martha Valdéz.

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O RAPTO / EL RAPTO/ 1956. Dir: Emilio Fernández. Jorge Negrete, Maria Félix, Andrés Soler.

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Julho:

O ADORADO TIRANO / MÁS FUERTE QUE EL AMOR / 1955 (Co-produção México-Cuba). Dir: Tulio Demicheli. Jorge Mistral, Miroslava, Chela Castro.
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MULHER SEM RUMO / VIAJERA. Dir: Alfonso Patiño Gómez. Rosa Carmina, Fernando Fernández, Georgina Barragón.

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Setembro:

CASA DE PERDIÇÃO / CASA DE PERDICIÓN /1956. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Fernando Fernández, José Baviera.

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CAVALEIRO SOB MEDIDA / CABALLERO A LA MEDIDA / 1954. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Martha Valdés, Ángel Garasa.

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Outubro:

REPRISE DE CAMÉLIA

Dezembro:

ESCOLA DE VAGABUNDOS / ESCUELA DE VAGABUNDOS / 1955. Dir: Rogelio A. González. Pedro Infante, Miroslava, Blanca de Castejón.

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COM QUEM ANDAM NOSSAS FILHAS / CON QUIÉN ANDAN NUSETRAS HIJAS / 1956. Dir: Emilio Gómez Muriel. Silvia Derbez, Yolanda Varela, Martha Mijares.

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1957

Janeiro:

HISTÓRIA DE UM GRANDE AMOR / HISTORIA DE UN AMOR / 1956. Dir: Roberto Gavaldón. Libertad Lamarque, Emilio Tuero, Domingo Soler.

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CLUBE DE SENHORITAS/ CLUB DE SEÑORITAS / 1956. Dir: Gilberto Martinez Solares. Ninón Sevilla, Ramón Gay, Joaquin Pardavé.

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QUANDO EU PARTIR / CUANDO ME VAYA / 1954. Dir: Tito Davison. Libertad Lamarque, Miguel Torruco, Lilia Martinez “Gui-Gui”.

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BANDIDO A MUQUE / SOY UN PRÓFUGO / 1946. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Emilia Guiú, Daniel “Chino” Herrera.

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Fevereiro:

SERENATA NO MÉXICO / SERENATA EN MEXICO / 1956. Dir: Chano Urueta. Rosita Quintana, Luis Aguilar, Abel Salazar.

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NECESSITO DE UM MARIDO / NECESITO UN MARIDO / 1955. Dir: José Diaz Morales. Maria Antonieta Pons, Abel Salazar, Domingo Soler.

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PARA SEMPRE MEU AMOR / PARA SIEMPRE / 1955. Dir: Tito Davison. Jorge Mistral, Maria Carmen Pardo, Rosario Granados, Lilia Martinez “Gui Gui”.

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Março:

MÚSICA NORTUNA / MUSICA EN LA NOCHE / 1956. Dir: Tito Davison. Amalia Aguilar, Pedro Vargas, Katherine Dunham.

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Abril:

TRÊS VIÚVAS ALEGRES / MIS TERES VIUDAS ALEGRES / 1953. Dir: Fernando Cortés. Amalia Aguilar, Lilia del Valle, Silvia Pinal.

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A DONZELA DE PEDRA / LA DONCELLA DE PIEDRA / 1956. Dirt: Miguel M. Delgado. Elza Aguirre, Victor Manuel Mendoza, Armando Silvestre.

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Maio:

CHAMAS CONTRA O VENTO / LLAMAS CONTRA EL VIENTO. Dir: Emilio Gómez Muriel. Ariadne Welter, Yolanda Varela, Anabelle Gutiérrez.

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Junho:

ADÃO E EVA / ADÁN Y EVA / 1956. Dir: Alberto Gout. Christiane Martel, Carlos Baena , Carlos Martinez Baena.

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A FORÇA DO DESEJO / LA FUERZA DEL DESEO / 1955. Dir: Miguel M. Delgado. Armando Calvo, Ana Luisa Peluffo, Rosario Granados.

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Julho:

CARAS NOVAs / CARAS NUEVAS / 1956. Dir: Mauricio de la Serna. Sergio Corona, Alfonso Arau, Elmo Maciel.

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UM ESTRANHO NA ESCADARIA / UN EXTRAÑO EN LA ESCALERA / 1947. Dir: Tulio Demicheli. Arturo de Córdova, Silvia Pinal, Jose Maria Linares-Rivas, Andrés Soler.

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Agosto:

VAMOS VOAR, MOÇO! / A VOLAR JOVEN / 1947. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Ángel Garasa, Daniel “Chino” Herrera.

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Setembro:

TROPICANA / TROPICANA / 1957. Dir: Juan José Ortega. Evagelina Elizondo, Ana Bertha Lepe, Abel Salazar, Agustin Lara.

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CANASTRA DE CONTOS MEXICANOS / CANASTA DE CUENTOS MEXICANOS / 1956. Dir: Julio Bracho. Maria Félix, Arturo de Córdova, Pedro Armendáriz.

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AMOR E PECADO / AMOR Y PECADO/ 1956. Dir: Alfredo B. Crevenna. Ninón Sevilla, Ramón Gay, Rosa Elena Durgel.

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Outubro:

YAMBAÓ / YAMBAIO / 1957. Dir: Alfredo B. Crevenna. Ninón Sevilla, Ramón Gay, Rosa Elena Durgel.

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Novembro:

HISTÓRIA DE UM CASACO DE PELES / HISTORIA DE UN ABRIGO DE MINK / 1955. Dir: Emilio Gómez Muriel. Irasema Dilián, Silvia Pinal, Columba Dominguez, Carlos Navarro, Maria Elena Marques, José Maria Linares-Rivas, Miguel Torruco, Armando Silvestre.

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A ILEGÍTIMA / LA ILEGÍTIMA / 1956. Dir: Chano Urueta. Miguel Torruco, Amanda del Llano, Ariadne Welter.

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Dezembro:

MULHERES QUE BRIGAM/ QUE BRAVAS SON LAS COSTEÑAS / 1955. Dir: Roberto Rodriguez. Maria Antonieta Pons, Andy Russell, Evangelina Elizondo.

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LOUCURA PASSIONAL / LOCURA PASIONAL / 1956. Dir: Tulio Demicheli. Silvia Pinal, Carlos Lopes Moctezuma, César del Campo.

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O SETE LÉGUAS ou O CAVALO DE PANCHO VILLA / EL 7 LEGUAS / 1955. Dir: Raúl de Anda. Luis Aguilar, Yolanda Varela, Linda Cristal.

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DE CARNE SOMOS / DE CARNE SOMOS / 1955. Dir: Roberto Gavaldón. Marga López, Carlos Rivas, José Elias Moreno.

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ABAIXE O PANO / ABAJO EL TÉLON / 1955. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Christiane Martel, Beatriz Saavedra.

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A VÍBORA / LA INTRUSA / 1954, Dir: Miguel Morayta. Rosario Granados, Eduardo Fajardo, Evangelina Elizondo.

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1958

Janeiro:

ESCOLA DE MAMBO / SALÓN DE BAILE / 1952. Dir: Miguel Morayta. Fernando Fernández, Meche (Mercedes) Barba, Manolo Fábregas, Taña Lynn, Perez Prado.

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Março:

FELIZ ANO MEU AMOR / FELIZ AÑO AMOR MIO / 1957. Dir: Tulio Demicheli. Arturo de Córdova, Marga López, Ignacio López Tarso.

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Abril:

OS AMANTES / LOS AMANTES / 1951. Dir: Fernando A. Rivero. Emilia Guiú, David Silva, Luis Aldás, Rodolfo Acosta.

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MULHERES DE TEATRO / MUJERES DE TEATRO / 1951. Dir: René Cardona. Emilia Guiú, Rosita Fornés, Armando Sivestre.

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A CULPA DOS PAIS / LA CULPA DE LOS HOMBRES / 1955. Dir: Roberto Rodriguez. Maria Antonieta Pons, Enrique Rambal, Julio Villareal.

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VIRTUDE NUA / LA VIRTUD DESNUDA/ 1957.A Dir: José Diaz Morales. Columba Dominguez. Pedro Vargas. Agustin Lara, Victor Junco, Joaquin Pardavé.

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Junho:

DELÍRIO TROPICAL / DELIRIO TROPICAL / 1952. Dir: Miguel Morayta. Amalia Aguilar, Carlos Valdez, Lupe Llaca.

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TEATRO DO CRIME / TEATRO DEL CRIMEN / 1957. Dir: Fernando Cortés. Maria Antonieta Pons, César del Campo, Manuel Medel, Silvia Pinal, Lucho Gatica, Pedro Vargas, Agustin Lara, Gérman Valdéz “Tin Tan”.

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A TENTADORA / ESTAFA DE AMOR / 1955. Dir: Miguel M. Delgado. Elsa Aguirre, Ramón Gay, Carmen Montejo, Eduardo Morigea.

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BATACLAN MEXICANO / BATACLAN MEXICANO / 1956. Dir: Raúl de Anda. Christiane Martel, Agustin de Anda, Fernando Casanova.

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AMOR ÍNDIO / TIZOC / 1957. Dir: Ismael Rodriguez. Maria Félix, Pedro Infante, Andrés Soler.

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O SEDUTOR / EL SEDUCTOR / 1955. Dir: Chano Urueta. Ramón Gay, Amanda del Llano, Ana Luisa Peluffo.

Captura de Tela 2016-03-22 às 13.34.31

Julho:

DEVORADORA DOS HOMENS/ LA DULCE ENEMIGA / 1957. Dir: Tito Davison. Silvia Pinal, Joaquín Cordero, Carlos Riquelme.

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Agosto:

A MULHER DE FOGO / MUJERES DE FUEGO / 1958. Dir: Tito Davison. Ninón Sevilla, Carlos Baena, Wilson Viana, Grande Otelo, Walter Pinto e sua “beldades bem despidas”, Osvaldo Louzada, Francisco Dantas, Carlos Cotrim, Joãozinho da Goméia, Orlando Guy, Nélia Paula, Jece Valadão, Altair Vilar.

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ESPOSAS INFIÉIS / ESPOSAS INFIDELES / 1956. Dir: José Diaz Morales. Columba Dominguez, Lilia del Valle, Octávio Arias, Agustin Lara, Kitty de Hoyos, Armando Calvo.

Captura de Tela 2016-03-22 às 15.04.12Novembro:

QUANDO A CARNE MANDA / LOS AMANTES / 1956. Dir: Benito Alazraki. Yolanda Varela, Carlos Baena, Amanda del Llano.

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Dezembro:

O MAGO / EL MAGO / 1949. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Leonora Amar, José Baviera.

Captura de Tela 2016-03-22 às 15.11.251959

Janeiro:

O ENGRAXATE / EL BOLERO DE RAQUEL / 1957. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Manola Saavedra, Flor Silvestre, Paquito Fernández, Daniel “Chino” Herrera.

Captura de Tela 2016-03-22 às 15.12.36

FLOR DE CANELA/ FLOR DE CANELA / 1958.Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Joaquin Cordero, Raúl Meraz, Pedro Vargas, Los Tres Caballeros, Hermanos Reyes.

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A CIDADE DOS MENINOS / LA CIUDAD DE LOS NIÑOS / 1957. Dir: Gilberto Martinez Solares. Arturo de Córdova, Marga López, Sara Garcia.

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Fevereiro:

A ESCONDIDA / LA ESCONDIDA / 1956. Dir: Roberto Gavaldón. Pedro Armendáriz, Maria Félix, Andrés Soler.

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O QUE É QUE HÁ COM SANSÃO / LOQUE SE PASÓ A SANSÓN / 1955. Dir: Gilberto Martinez Solares. Ana Bertha Lepe, Yolanda Varela, Andrés Soler.

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OS 3 AMORES DE LOLA / LOLA TORBELLINO / 1956 (Co-produção México-Eespanha). Dir: René Cardona. Lola Flores, Luis Aguilar, Agustin Lara.

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Julho:

A MULHER X / LA MUJER X / 1956. Dir: Julian Soler. Libertad Lamarque, Victor Junco, Andrés Soler.

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Agosto:

ELA OU O DIABO / SUCEDIÓ EN MEXICO / 1958. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Joaquin Cordero, Carmelita González, José Baviera.

Captura de Tela 2016-03-22 às 15.20.25Setembro:

CIELITO LINDO / CIELITO LINDO / 1957. Dir: Miguel M. Delgado. Rosita Quintana, Luis Aguilar, Carlos Lopes Moctezuma.

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Outubro:

SOBE E DESCE / SOBE Y BASA / 1959.a Dir: Joaquin Garcia Vargas. Cantinflas, Teresa Velasquez, Domingo Soler.

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DIANA, A CAÇADORA / LA DIANA CAZADORA / 1957. Dir: Tito Davison. Ana Luisa Peluffo, Armando Calvo, Roberto Canedo.

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Dezembro:

VIVA O AMOR! / VIVA EL AMOR / 1958. Dir: Mauricio de la Serna. Silvia Pinal, Christiane Martel, Emilio Tuero.

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CINEMA MEXICANO NO BRASIL – PELMEX II

March 21, 2016

Em 1931, o antigo Estúdio Chapultepec (inaugurado em 1922) foi comprado por uma companhia presidida por Gustavo Sàenz de Sicília, engenheiro, jornalista, produtor, diretor e roteirista, conhecido sob o pseudonimo de “Ingeniero Gallo”. O nome da companhia era Nacional Productora e seu objetivo, produzir filmes sonoros. O primeiro filme feito com sistema de som ótico, intitulado Santa (uma das versões do romance de Federico Gamboa), foi produzido pelo ator de Hollywood Antonio Moreno e estrelado por Lupita Tovar. Em 1936, além da competição com outros estúdios (México Films, Clasa, inaugurados respectivamente em 1933 e 1935), problemas trabalhistas, e depois um incêndio, forçaram o fechamento das instalações da companhia, que reabriria em 1937 como Estúdios de la Universidad Cinematográfica.

Gustavo Sàenz de Sicilia

Gustavo Sàenz de Sicilia

pelmex santa poster A.moreno

O estúdio México Films foi construído em 1932 pelo pioneiro (empresário, fotógrafo e técnico de laboratório) Jorge Stahl, cuja família era de origem alemã, e o primeiro filme rodado alí foi o drama histórico Juarez y Maximiliano de Miguel Contreras Torres.

pelmex juarezymaximiliano

O estúdio Clasa, da companhia produtora Cinematográfica Latinoamericana S.A. foi construído em 1934. Este empreendimento recebeu assistência e apoio financeiro do Estado (governo de Lázaro Cardenas) e iniciou suas atividades em janeiro de 1935 com o filme Vámonos con Pancho Villa, a primeira superprodução do cinema mexicano, dirigida por Fernando de Fuentes. Quando começou a operar, o estúdio Clasa suplantou seus congêneres México Films e Nacional Productora. Em 1937, ano no qual a produção cinematográfica mexicana elevou-se a 38 filmes, quinze deles – geralmente os mais ambiciosos e bem feitos – foram rodados no estúdio Clasa, embora o aluguel de suas instalações fosse o mais caro. A produtora Clasa era vista como o equivalente mexicano da Metro-Goldwyn-Mayer.

Equipe técnica de Vamonos con Pancho Villa

Equipe técnica de Vámonos con Pancho Villa

Ainda nos anos trinta, surgiram dois estúdios pequenos, Industrial Cinematográfica S.A. (1933) e Empire (1934), porém ambos tiveram curta duração.

Em 1937, outro pioneiro do cinema mexicano, Gabriel Garcia Moreno, abriu um novo estúdio, depois conhecido como estúdio Azteca, que começou a funcionar com a filmagem de La Mancha de Sangre de Alfredo Best Maugard.

pelmex rancho grande guizar

Já 1938 pode ser considerado o primeiro ano no qual o cinema mexicano funcionou como indústria, graças ao sucesso de Rancho Grande / Allá en el Rancho Grande / 1936 de Fernando de Fuentes, que criou o primeiro gênero especificamente mexicano, a comédia ranchera, e assim conseguiu atravessar fronteiras. Este foi o primeiro ano no qual mais de 50 filmes foram realizados (57 filmes mais precisamente). O estúdio Azteca produziu três deles e, apesar de sua deficiência em equipamento e instalações, a Nacional Productora, recentemente reaberta como Universidad Cinematográfica, fez 24 filmes. Os outros filmes de 1938 foram divididos quase que igualmente entre Clasa e México Films.

Estúdio Clasa

Estúdio Clasa

Em 1939, o número de filmes produzidos caiu para 37 e, em 1940, diminuiu ainda mais para 29 filmes, devido aos efeitos da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, em 1941, o México declarou guerra ao Eixo e ganhou a assistência econômica e técnica dos Estados Unidos. O cinema mexicano era o único cinema em língua espanhola confiável, uma vez que a Espanha havia há pouco passado por uma guerra civil e seu regime vitorioso fôra ajudado pela Alemanha e Itália, o inimigo, enquanto que a Argentina, embora tivesse se declarado neutra, era suspeita de simpatias nazi-fascistas.

O auxílio norte-americano ajudou o México a alargar seus mercados. Em 1941, o número de filmes produzidos subiu para 37, em 1942 foram feitos 47 filmes, e em 1943 e 1944, o aumento foi espetacular: 70 e 75 filmes respectivamente. Os estúdios Clasa e Azteca controlavam a maior parte da produção. A Universidad Cinematográfica, ex-Nacional Productora, fechou sua portas definitivamente e a México Films continuou no negócio cinematográfico, realizando apenas três ou quatro filmes por ano. Entretanto, as instalações dos estúdios eram insuficientes para sustentar tais níveis de produção ou qualquer expansão geral da indústria.

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Em 1944, um grupo de capitalistas parecia preparado para remediar essa situação. Emilio Azcárraga, próspero produtor de rádio e futuro fundador do monopólio da televisão mexicana e a RKO Pictures, que estava muito interessada em investir no México, construíram o Estúdio Churubusco, considerado o mais completo e equipado estúdio cinematográfico latino-americano. Para construir o estúdio, Azcárraga, a PAMSA (Productores Associados S.A.) e a RKO Pictures formaram uma nova companhia, sendo Azcárraga nomeado seu presidente.

pelmex song of mexico poster melhor

O primeiro filme rodado em Churubusco foi Canção do México / Song of Mexico, um filme norte-americano produzido e dirigido por James A. Fitzpatrick para a Republic Pictures com Adele Mara, Edgar Barrier e George J. Lewis nos papéis principais. A filmagem ocorreu no estúdio Clasa e depois, por duas semanas, em Churubusco, no único palco de som que já estava mais ou menos concluído. As atividades do novo estúdio se iniciariam de fato alguns mêses depois.

Estúdio Churubusco

Estúdio Churubusco

pelmex churubusco melhor

O ano seguinte, 1945, foi caracterizado pelo conflito trabalhista que provocou uma greve nos estúdios Azteca, Clasa e México Films e levou à criação de dois sindicatos: o STIC (Sindicato de Trabalhadores da Indústria Cinematigráfica) e o STPC (Sindicato de Trabalhadores da Produção Cinematográfica), que incluía atores, roteiristas, diretores, músicos e técnicos. O STPC era encabeçado por Gabriel Figueroa, Mario Moreno “Cantinflas” e o popular ator Jorge Negrete.

O conflito trabalhista adiou a inauguração do estúdio de Churubusco, cujo primeiro diretor foi Charles B. Wooran, representante da RKO no México. O primeiro filme rodado alí foi La Morena de mi Copa, de Fernando A. Rivero e o mais ambicioso, A Pérola / La Perla, de Emilio Fernandez, co-produzido pela RKO com versões em ingles e espanhol, a um custo extraordinário (no México) de dois e meio milhões de pesos.

pemex La perla poster

A RKO usou o estúdo Churubusco para penetrar no mercado de língua espanhola. Dirigida por José (Joseph) Noriega, conhecido montador de Hollywood, a companhia Ramex, subsidiária da RKO, encarregou-se de fazer versões faladas em espanhol de filmes norte-americanos. Esta estratégia, reminiscente dos Hollywood Spanish-Language Films (1929-1933) foi um completo fracasso. A RKO produziu nesse esquema Domínio de Bárbaros / The Fugitive / 1947 de John Ford, Tarzan e as Sereias / Tarzan and the Mermaids / 1948 de Robert Florey e Mistério no México / Mystery in Mexico / 1948 de Robert Wise, porém logo percebeu que não precisava fazer filmes falados em espanhol para conquistar o mercado latino-americano que, naquela época, era dominado pelos filmes mexicanos. Alguns mêses depois, os filmes de Hollywood, falados em inglês haviam penetrado o mercado diretamente, sem necessidade de serem refilmados em espanhol, e eram os preferidos pela classe mais alta e pela florescente classe média urbana.

Em 1945, Churubusco realizou três filmes e em 1946 foi responsável por 20 dos 72 filmes produzidos neste ano. Os outros 52 foram divididos entre os estúdios restantes: Azteca, Clasa e México Filmes. O novo estúdio Tepeyac fez dois filmes e um estúdio pequeno chamado Cuauhtémoc, fez apenas um.

pelmex soy un profugo poster

O novo estúdio Tepeyac, construído em 1945-46, iniciou suas atividades em julho de 1946 com o filme de Miguel M. Delgado, Bandido a Muque / Soy un Prófugo, estrelado por Cantinflas e tinha o apoio da Columbia. As instalações do estúdio Tepeyac eram do mesmo nível que as do estúdio Churubusco embora não dispusesse de laboratório. Tepeyac ficou famoso por ter abrigado a filmagem de Os Esquecidos / Los Olvidados / 1950 de Luis Buñuel (mas somente exibido no Brasil em 1978). O estúdio Cuauhtémoc havia sido inaugurado em 1945, produzindo somente curtas-metragens em suas instalações modestas.

Em 1947, a produção caiu para 58 filmes. O estúdio México Films fechou as portas, após realizar um dos clássicos do cinema popular mexicano, Nosotros los Pobres, de Ismael Rodríguez com Pedro Infante. Pouco tempo depois, Jorge Stahl, seu proprietário, construiria um novo estúdio.

Cena de Nosotros los Pobres

Cena de Nosotros los Pobres

O ano de 1948 foi um ano perturbado por confrontos entre os sindicatso e os donos dos estúdios Azteca, Clasa, Churubusco e Tepeyac, que formaram uma frente unida. Apesar disso, foram produzidos 81 filmes pelos quatro estúdios. Em 1948, 1949, 1950 e 1951 o número de filmes produzidos foi de 81, 108,1n 25 e 101 respectivamente; mas os rumores sobre o desaparecimento de alguns estúdios (vg. Clasa) e a fusão de outros (vg. Churubusco e Tepeyac), continuaram.

pelmex stahl

Ao mesmo tempo, o veterano Jorge Stahl construiu o estúdio San Angel Inn, que entrou em operação em junho de 1951. Por volta de 1949, o interesse da RKO em Churubusco havia diminuido (Charles B. Wooran deixou a diretoria) e em 1950 a companhia americana liquidou até os seus mínimos interesses na sociedade.

Em 1950, concretizou-se a fusão tão aguardada entre o estúdio Churubusco e o Azteca, daí para diante conhecidos como Estúdios Churubusco-Azteca S.A. O nível de produção entre 1952 e 1956 continuou sendo de aproximadamente 100 filmes, divididos entre os estúdios existentes com uma preferência para Churubusco e, cada vez mais, San Angel Inn.

Esta prosperidade aparente não escondeu o fato de que todas as medidas tomadas pelo Estado para melhorar as condições de produção, distribuição e exibição do cinema mexicano falharam ou de que o monopólio poderoso liderado pelo americano William Jenkins com interesses em todos os setores acima mencionados, dominava e oprimia de modo crescente o negócio cinematográfico.

pelmex william o. Jenkins

Em 30 de junho de 1957 o estúdio Clasa fechou as portas e em setembro do mesmo ano o estúdio Tepeyac fez seu último filme, antes de ser demolido em dezembro. Os únicos estúdios remanescentes eram Churubusco, San Angel Inn e Azteca, este último assumindo o trabalho que era inapropriado para os dois primeiros.

Dois estúdios fecharam, mas um novo foi aberto. O estúdio Cuauhtémoc foi remodelado e ampliado, e se tornou Estúdios América S.A. com Gregorio Wallerstein (o homem de produção de Jenkins) e o ator Victor Parra como responsáveis pela reconstrução. Este estúdio adotava uma forma particular de produção, dividindo filmes de longa-metragem em episódios.

No ano de 1958, produziu-se o maior número de filmes da história do cinema mexicano: 136. Este feito não se repetiu e a produção ficou em cerca de 110 filmes por ano até 1960.

(Informações sobre os estúdios colhidas no magnífico artigo de Tomás Pérez Turrent incluído em Mexican Cinema, ed. British Film Institute,1995, livro editado por Paulo Antonio Paranaguá).

1953

Fevereiro:

NÃO ÉS MEU FILHO / EL GALLO GIRO / 1948. Dir: Alberto Gout. Luis Aguilar, Carmelita González, Joan Page.

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ENCARCERADAS / CARCÉL DE MUJERES / 1950. Dir: Miguel M. Delgado. Miroslava, Sara Montiel, Katy Jurado.

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MACLOVIA / MACLOVIA / 1948. Dir: Emilio Fernández. Maria Félix, Pedro Armendáriz, Columba Dominguez.

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Março:

O DIREITO DE NASCER / EL DERECHO DE NACER / 1952. Dir: Zacarias Gómez Urquiza. Gloria Marin, Jorge Mistral, José Baviera, Lupe Suarez.

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Abril:

MULHER / MUJER /1947. Dir: Chano Urueta. Esther Fernández, Agustin Irusta, Domingo Soler.

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FLOR DE ILUSÃO / FLOR DE CAÑA / 1948. Dir: Carlos Orellana. Maria Antonieta Pons, Luiz Alcoriza, Victor Manuel Mendoza.

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Maio:

UMA MULHER DECENTE / UNA MUJER DECENTE / 1950. Dir: Raúl de Anda. Elsa Aguirre, Rafael Baledón, Gloria Rios.

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AÍ É QUE ESTÁ A COISA / AHI ESTÁ EL DETALLE / 19040. Dir: Juan Bustillo Oro. Cantinflas, Joaquin Pardavé, Sara Garcia.

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Junho:

PARAISO ROUBADO / PARAÍSO ROBADO / 1951. Dir: Julio Bracho. Arturo de Córdova, Irasema Dilián, Maria Douglas.

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Julho:

EM CARNE VIVA / EN CARNE VIVA. Dir: Alberto Gout. Rosa Carmina, Crox Alvarado, Rubén Rojo.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.41.14

SE EU FÔSSE DEPUTADO / SI YO FUERA DIPUTADO / 1952. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Gloria Mange, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.45.02

AVENTURA NO RIO / AVENTURA EN RIO / 1953. Dir: Alberto Gout. Ninón Sevilla, Victor Junco, Luis Aldás, Glauce Eldde (Glauce Rocha), Jorge Goulart, Rosângela Maldonado, Anjos do Inferno, Carlos Gil.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.46.06

Agosto:

A AUSENTE / LA AUSENTE / 1952. Dir: Julio Bracho. Arturo de Córdova, Rosita Quintana, Andrea Palma.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.50.16

RITMOS DO CARIBE / RITMOS DEL CARIBE. Dir: Juan José Ortega. Amalia Aguilar, Rafael Baledón, Susana Guizar.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.52.09

Setembro:

MUNDO, DEMÔNIO E CARNE / SENSUALIDAD / 1951. Dir: Alberto Gout. Ninón Sevilla, Fernando Soler, Andrea Palma, Anjos do Inferno.

Captura de Tela 2016-03-11 às 14.55.38

MANCHADA PELO DESTINO / PUEBLERINA / 1949. Dir: Emilio Fernández. Columba Dominguez, Roberto Cañedo, Arturo Soto Rangel.

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Outubro:

NOSSAS VIDAS / NUESTRAS VIDAS / 1950. Dir: Ramón Peón. Maria Antonieta Pons, Carlos Cores, Julio Peña.

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PECADO / PECADO / 1951. Dir: Luis Cesar Amadori. Zully Moreno, Roberto Cañedo, Rodolfo Acosta.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.03.32

A DAMA DAS CAMÉLIAS / LA DAMA DE LAS CAMELIAS / 1944. Dir: Gabriel Soria. Lina Montes, Emilio Tuero, Miguel Arenas.

Captura de Tela 2016-03-21 às 16.58.32

MORENA SENSUAL / NEGRA CONSENTIDA / 1949. Dir: Julián Soler. Meche (Mercedes) Barba, Ramon Armengod, José Maria Linares-Rivas.

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UMA CIGANA NO MÉXICO / UNA GITANA EN MEXICO / 1945. Dir: José Diaz Morales. Paquita de Ronda, Ángel Garasa, Manuel Medel.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.06.47

Novembro:

O BRUTO / EL BRUTO / 1953. Dir: Luis Buñuel. Pedro Armendáriz, Katy Jurado, Rosita Arenas.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.08.28

Dezembro:

TRAIÇOEIRA / TRAICIONERA / 1950. Dir: Ernesto Cortázar. Rosa Carmina, Fernando Fernández, Alicia Neira.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.09.53

PREÇO DA ESPERANÇA / TE SIGO ESPERANDO / 1952. Dir: Tito Davison. Libertad Lamarque, Arturo de Córdova, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.12.09

1954

Janeiro:

A CARNE MANDA / LA CARNE MANDA / 1948. Dir: Chano Urueta. Esther Fernández, Eva Calvo, Rosita Fornés.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.23.32

AMAR FOI SEU PECADO / AMAR FUÉ SU PECADO / 1951. Dir: Rogelio A. González. Elsa Aguirre, Jorge Mistral, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-21 às 21.15.07

Fevereiro:

REPRISE DE NEM SANGUE NEM AREIA

DOMINADOS PELO VÍCIO / OPIO / 1949. Dir: Ramón Peón. Rosita Quintana, Tito Junco, Domingo Soler.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.27.05

Março:

IRMÀ ALEGRIA / SOR ALEGRIA / 1951. Dir: Tito Davison. Rosita Quintana, Carmelita González, Andrea Palma.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.28.11

VINGANÇA BRUTAL / LA BESTA MAGNIFICA (LUCHA LIBRE). Dir: Chano Urueta. Miroslava, Crox Alvarado, Wolf Ruvinski.

Captura de Tela 2016-03-11 às 15.30.16

UM CORAÇÃO EM TREVAS / DOÑA PERFECTA / 1950. Dir: Alejandro Galindo. Dolores Del Rio, Esther Fernández, Carlos Navarro.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.09.24

O PECADO DE SER POBRE / PECADO DE SER POBRE / 1950. Dir: Miguel Morayta. Ramón Armengod, Guilhermina Grin, Tito Junco.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.11.29

Abril:

O MÁRTIR DO CALVÁRIO / EL MÁRTIR DEL CALVARIO. Dir: Miguel Morayta. Enrique Rambal, Manolo Fábregas, Consuelo Frankim Alicia Palacios

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.12.48

MULHERES SACRIFICADAS / MUJERES SACRIFICADAS / 1952. Dir: Alberto Gout. Ninón Sevilla, Roberto Cañedo, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.13.54

Maio:

A LOUCA / LA LOCA / 1952. Dir: Miguel Zacarias. Libertad lamarque, Rubén Rojo, José Maria Linares-Rivas.

Captura de Tela 2016-03-21 às 21.10.34

MINHA ESPOSA E A OUTRA / MI ESPOSA Y LA OTRA / 1952. Dir: Alfredo B. Crevenna. Arturo de Córdova, Maga López, Ramón Gay.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.15.52

EU SOU DO AMOR / CALABACITAS TIERNAS . Dir: Gilbert Martinez Solares. Tin Tan, Rosita Quintana, Nelly Montiel.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.16.43

BURLADA / BURLADA / 1951. Dir: Fernando A. Rivero. Jorge Mistral, Guilhermina Grin, Anjos do Inferno, Trio Calaveras.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.17.36

Julho:

SONHO DE AMOR / IOLANDA / 1943. Dir: Dudley Murphy. Irina Baranova, Crox Alvarado, Miguel Arenas.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.18.35

MENINA GRANFINA / LA NIÑA POPOFF / 1952. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Fernando Casanova, José Baviera.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.19.49

Agosto:

ESTÁTUA DE CARNE / LA ESTATUA DE CARNE / 1951. Dir: Chano Urueta. Elsa Aguirre, Miguel Torruco, Carlos López Moctezuma.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.22.12

LEMBRA-TE DE VIVER / ACUERDÁTE DE VIVIR / 1953 . Dir: Roberto Gavaldón. Libertad Lamarque, Carmen Montejo, Miguel Torruco.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.20.42

Setembro:

O CONDE DE MONTE CRISTO / EL CONDE DE MONTE CRISTO / 1954 (Co-produção México-Argentina). Dir: Léon Klimovsky. Jorge Mistral, Elina Colomer, Nelly Meden, Santiago Gómez Cou.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.23.08

Outubro:

O CICLONE DO CARIBE / EL CICLÓN DEL CARIBE / 1950. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, José Baviera, Carlos Cores.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.24.31

CAMÉLIA / CAMELIA / 1954 (Co-produção México-Espanha). Dir: Roberto Gavaldón. Maria Félix, Jorge Mistral, Carlos Navarro.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.25.13

Novembro:

O MANTO DE SOLEDADE / EL REBOZO DE SOLEDAD / 1952. Dir: Roberto Gavaldón. Arturo de Córdova, Pedro Armendáriz, Estela Inda.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.25.51

ESPOSA CLANDESTINA / QUATRO NOCHES CONTIGO / 1952. Dir: Raúl de Anda. Elsa Aguirre, Luis Aguilar, Domingo Soler.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.26.38

Dezembro:

LEVA-ME EM TEUS BRAÇOS / LLÉVAME EN TUS BRAZOS / 1954. Dir: Julio Bracho. Ninón Sevilla, Armando Silvestre, Andrea Palma.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.27.33

ALMA DO ASFALTO / CALLEJERA / 1949. Dir: Ernesto Cortázar. Marga López, Fernando Fernández, Manuel Dondé, Toña la Negra.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.28.45

BOMBEIRO ATÓMICO / BOMBERO ATÓMICO / 1952. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Roberto Soto, Elsa Quintanilha.

Captura de Tela 2016-03-11 às 17.29.45

1955

Janeiro:

ANSIDEDADE / ANSIEDAD / 1953. Dir: Miguel Zacarias. Pedro Infante, Libertad Lamarque, Irma Dorantes.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.22.38

ANJOS DO ARRABALDE / ÁNGELES DE ARRABAL / 1949. Dir: Raul de Anda . Sofia Álvarez, David Silva, Carlos Lopez Moctezuma.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.23.32

A MENTIRA / LA MENTIRA / 1952. Dir: Juan José Ortega. Marga López, Jorge Mistral, Andrea Palma.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.24.42

Março:

ACAPULCO / ACAPULCO / 1952. Dir: Emilio Fernández. Elza Aguirre, Armando Calvo, Miguel Torruco.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.25.40

REPRISE DE OS TRÊS MOSQUETEIROS

A SANTA DO BAIRRO / LA SANTA DEL BARRIO. Dir: Chano Urueta. Esther Fernández, Ramón Armengod, Carolina Barrret.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.26.10

MÚSICA A BORDO / MÚSICA, MUJERES Y AMOR / 1952. Dir: Chano Urueta. Ramón Armengo, Miroslava, José Maria Linares-Rivas.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.28.01

Abril:

A MALAGUENHA / LA MALAGUEÑA / 1947. Dir: Agustin P. Delgado. Consuelo Frank, Crox Alvarado, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.29.03

Maio:

PERFUME DO PECADO / PIÑA MADURA / 1947. Dir: Agustin P. Delgado. Consuelo Frank, Crox Alvarado, Victor Junco, Pedro Galindo.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.32.13

O MENINO E A NÉVOA / EL NIÑO Y LA NIEBLA / 1953. Dir: Roberto Gavaldón. Dolores Del Rio, Pedro Lópes Lagar, Eduardo Noriega.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.33.05

Junho:

ESCRAVOS DO RANCOR / ABISMOS DE PASIÓN / 1953. Dir: Luis Buñuel. Irasema Dilián, Jorge Mistral, Lilia Prado.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.34.22

ROSTOS OLVIDADOS / ROSTROS OLVIDADOS / 1952. Dir: Julio Bracho. Libertad Lamarque, Julián Soler, Alicia Caro.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.35.22

O GRANDE FOTÓGRAFO / EL SENOR FOTÓGRAFO / 1953. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Ángel Garasa, Rosa Arenas.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.36.33

A NOITE É NOSSA / LA NOCHE ES NUESTRA / 1952. Dir: Fernado A. Rivero. Jorge Mistral, Emilia Guiú, Ramón Gay, Pedro Vargas, Toña la Negra.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.37.00

Julho:

ORQUÍDEAS PARA MINHA ESPOSA / ORQUÍDEAS PARA MI ESPOSA / 1954. Dir: Alfredo B. Crevenna, Marga López, Jorge Mistral, Ernesto Alonso.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.38.17

Setembro:

PÉROLAS DE MALDIÇÃO / RAYITO DE LUNA / 1949. Dir: Chano Urueta. David Silva, Brenda Conde, Arturo Martinez.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.39.02

Outubro:

PORTO DE TENTAÇÃO / PUERTO DE TENTACIÓN / 1951. Dir: René Cardona. Emilia Guiú, Ramón Armengod, Nelly Montiel, José maria Linares-Rivas.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.40.21

CASTA E PERIGOSA / FRUTO DE TENTACIÓN / 1953. Dir: René Cardona. Arturo de Córdova, Irasema Dilián, Maria Douglas.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.41.13

AS MULHERES TAMBÉM ROUBAM / LA LADRONA / 1954. Dir: Emilio Gómez Muriel. Rosa Arenas, Carmelita González, Julio Villareal.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.42.14

Novembro:

A CASA DA OUTRA / LA CASA CHICA / 1950. Dir: Roberto Gavaldón. Dolores del Rio, Roberto Cañedo, Domingo Soler, Miroslava, Julio Villareal.

Captura de Tela 2016-03-12 às 12.42.57

A REDE / LA RED / 1953 / 1953. Dir: Emilio Fernández. Rossana Podestà, Crox Alvarado, Armando Silvestre.Captura de Tela 2016-03-12 às 12.50.10

CINEMA MEXICANO NO BRASIL – PELMEX I

March 8, 2016

A época de ouro do Cinema Mexicano coincidiu com as administrações de Lázaro Cardenas (1934-1940), Manuel Ávila Camacho (1940-1946) e Miguel Alemán Valdés (1946-1952) e estava relacionada a um crescimento econômico e prosperidade sem precedentes no país.

Lazaro Cardenas

Lázaro Cardenas

Outro fator que contribuiu para esse período de lucro e produtividade foram os benefícios do alinhamento do México com os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial em virtude do afundamento de navios petroleiros mexicanos pelos alemães. Os americanos ajudaram a nação vizinha a incentivar a indústria de cinema, fazendo empréstimos ou investimento direto, fornecendo-lhes filme virgem, equipamentos e assessoramento técnico a um bom preço (v. meu artigo de 22 de março de 2012, A Época de Ouro do Cinema Mexicano).

O presidente Roosevelt e Manuel Avila Camacho

O presidente Roosevelt e Manuel Ávila Camacho

Miguel Alemán Valdéz e o presidente Truman

Miguel Alemán Valdéz e o presidente Truman

Graças a essa ajuda americana (que foi negada por motivos politicos às indústrias de cinema da Espanha e da Argentina) a indústria de cinema mexicana tornou-se a maior produtora de filmes de língua espanhola, desafiando significativamente a hegemonia de Hollywood no ramo da exibição pela América Latina, pois a maioria dos filmes americanos realizados entre 1940 e 1945 refletiam um interesse por temas de guerra, alheios ao gosto latino e a escassa produção européia tampouco representava uma concorrência considerável.

azteca II Ciner de oro

Paralelamente, no período do “Cine de Oro”, o governo mexicano se interessou mais pelo cinema, na medida em que era preciso proteger um patrimônio cultural e econômico. Assim, em 1942, foi fundado o Banco Cinematográfico, (instituição privada que contava com o apoio do Estado, filiada ao Banco do México), para facilitar o financiamento da produção de filmes. Em 1947, ele foi nacionalizado no governo de Miguel Aléman, passando a se chamar Banco Nacional Cinematográfico.

A consolidação da indústria de cinema mexicana foi também produto de um star system, cujos atores e atrizes até hoje são reconhecidos internacionalmente como Maria Felix, Mario Moreno “Cantinflas”, Pedro Armendariz, Dolores Del Rio, Arturo de Córdova, Katy Jurado, Ricardo Montalban enquanto que outros se tornaram muito populares no seu próprio país como Pedro Infante, Jorge Negrete, Germán Valdés, “Tin Tan”, Jorge Mistral, Agustin Lara, Elsa Aguirre, Marga López, Andrea Palma, Meche (Mercedes) Barba, Esther Fernández, Irasema Dilián, Mapy Cortés, Rosita Quintana, Miroslava, Emilia Guiú, Columba Dominguez, Silvia Pinal, Maria Elena Marques, Libertad Lamarque, Maria Antonieta Pons, Ninón Sevilla – essas três últimas com grande aceitação no Brasil.

Cinema Azteca

Cinema Azteca

Captura de Tela 2015-11-16 às 13.47.38O Banco Nacional Cinematográfico controlava as distribuidoras PELMEX-Películas Mexicanas (criada em 1945) e Peliculas Nacionales (criada em 1947). A primeira distribuía a produção na América Latina; e a segunda, no México.

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Captura de Tela 2015-11-15 às 16.20.57No Brasil havia algumas salas de cinema ligadas a essa rede de escoamento da produção mexicana, como, por exemplo, o Cinema Azteca situado na rua do Catete 228, que existiu entre 1951 e 1973. Construido para exibir exclusivamente filmes mexicanos, o projeto de sua fachada recebeu elementos decorativos importados, que simulavam um templo pré-colombiano. O Azteca foi inaugurado em 12 de outubro de 1951 a até o seu fechamento funcionou com capacidade para 1780 espectadores. A partir da data de sua inauguração até 1954 teve como empresa exibidora a Azteca Cinematográfica S.A.; de 1954 a 1960, a Cinemas Unidos S.A.; de 1960 até a data de seu fechamento Lívio Bruni. Encerrou suas atividades em 12 de maio de 1973. Foi demolido e cedeu espaço para um centro comercial.

O Cinema Azteca demolido

O Cinema Azteca demolido

Entre 1945 e 1960 foi espantosa a quantidade de filmes mexicanos, dos mais variados gêneros (comédia ranchera, comédia burlesca, melodrama familiar, dramalhão com mulheres cabareteras ou rumberas, drama religioso, adaptações de clássicos da literatura, drama urbano, paródias etc.), em exibição nos cinemas do Rio de Janeiro.

1945

Janeiro:

SANTA, DESTINO DE UMA PECADORA / SANTA /1943. Dir: Norman Foster, Alfredo Gómez de la Vega. Esther Fernández, José Cibrián, Ricardo Montalban. 27 semanas em cartaz.

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Cena de Santa, Destino de uma Pecadora

Cena de Santa, Destino de uma Pecadora

Captura de Tela 2016-03-05 às 11.42.11

Dezembro:

O CORSÁRIO NEGRO / EL CORSARIO NEGRO / 1944. Dir: Chano Urueta. Pedro Armendáriz, June Marlowe, Maria Luisa Zea.

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1946

Março:

RESSURREIÇÃO / RESURRECCIÓN / 1943. Dir: Gilberto Martinez Solares. Emilio Tuero, Lupita Tovar, Sara Garcia.

Captura de Tela 2016-03-08 às 18.18.46

NA CORTE DO FARAÓ / LA CORTE DE FARAÓN / 1944. Dir: Julio Bracho. Mapy Cortés, Roberto Soto, Fernando Cortés.

Captura de Tela 2016-03-08 às 18.21.54

Agosto:

AMOK / AMOK / 1944.Dir: Antonio Momplet. Maria Felix, Julián Soler, Estela Inda.

Captura de Tela 2016-03-05 às 11.56.23

NOITES DE FARRA / NOCHES DE RONDA / 1943. Dir: Ernesto Cortázar. Ramón Armengod, Susana Guizar, Maria Antonieta Pons.

Captura de Tela 2016-03-05 às 11.57.14

Novembro:

CREPÚSCULO / CREPUSCULO / 1945. Dir: Julio Bracho. Arturo de Córdova, Gloria Marin, Julio Villareal.

Captura de Tela 2016-03-09 às 11.27.41

Dezembro:

MARIA CANDELARIA / MARIA CANDELARIA / 1944. Dir: Emilio Fernández. Dolores Del Rio, Perdro Armendáriz, Alberto Galán.

Captura de Tela 2016-03-05 às 11.58.58

1947

Janeiro:

OS TRÊS MOSQUETEIROS / LOS TRES MOSQUETEROS / 1942. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Ángel Garasa, Janet Alcoriza.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.28.43

RAINHA DO TRÓPICO / LA REINA DEL TRÓPICO / 1946. Dir: Raúl de Anda. Maria Antonieta Pons, Luis Aguilar, Carlos Lopes Moctezuma.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.29.36

Fevereiro:

O PENHASCO DAS ALMAS / EL PEÑON DE LAS ÁNIMAS / 1943. Dir: Miguel Zacarias. Maria Félix, Jorge Negrete, René Cardona.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.30.15

Março:

ESTIRPE DE FIDALGOS / LA TREPADORA / 1944. Dir: Gilberto Martinez Solares. Sara García, José Cibrián, Roberto Silva.
Captura de Tela 2016-03-05 às 12.31.36SELVA DE FOGO / LA SELVA DEL FUEGO / 1945. Dir: Fernando de Fuentes. Dolores Del Rio, Arturo de Córdova, Miguel Inclán.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.32.12

SÃO FRANCISCO DE ASSIS / SAN FRANCISCO DE ASIS /1944. Dir: Alberto Goout. José Luis Jiménez, Alicia de Phillips, Antonio Bravo.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.34.57

Abril:

NEM SANGUE, NEM AREIA / NI SANGRE, NI ARENA / 1941. Alejandro Galindo. Cantinflas, Susana Guizar, Pedro Armendáriz.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.37.07

Julho:

DOMINADORA DE HOMENS / DOÑA BARBARA / 1943. Dir: Fernando de Fuentes, Miguel M. Delgado. Maria Félix, Julián Soler, Maria Elena Marques.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.38.03

Agosto:

UMA CARTA DE AMOR / UNA CARTA DE AMOR / 1943.Dir: Miguel Zacarias. Jorge Negrete, Gloria Marin, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.38.52

Novembro:

A MULHER DE TODOS / LA MUJER DE TODOS / 1946. Dir: Julio Bracho. Maria Félix, Armando Calvo, Gloria Lynch.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.39.58

AS ABANDONADAS / LAS ABANDONADAS / 1945. Dir: Emilio Fernández. Dolores Del Rio, Pedro Armendáriz, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.40.15

1948:

Abril:

A CANÇÃO DO MILAGRE / LA CANCIÓN DEL MILAGRO / 1940. Dir: Rolando Aguilar. José Mojica, Lupita Gallardo, Estela Inda.

Captura de Tela 2016-03-09 às 10.59.53

Maio:

MULHER SEM ALMA / LA MUJER SIN ALMA / 1944. Dir: Fernando de Fuentes. Maria Félix, Fernando Soler, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.42.20

O CIRCO / EL CIRCO / 1943. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Gloria Lynch, Estanislao Schillinsky.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.43.02

Julho:

A VIDA ÍNTIMA DE MARCO ANTONIO E CLEOPATRA / LA VIDA ÍNTIMA DE MARCO ANTONIO Y CLEOPATRA / 1947. Dir: Roberto Gavaldón. Luis Sandrini, Maria Antonieta Pons, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.43.48

A PÉROLA / LA PERLA / 1947. Dir: Emilio Fernández. Pedro Armendáriz, Maria Elena Marqués, Fernando Wagner.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.44.56

1949:

Janeiro:

AVENTUREIRA / LA DEVORADORA / 1946. Dir: Fernando de Fuentes. Maria Félix, Luis Aldás, Julio Villareal.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.46.25

A RAINHA DA OPERETA / LA REINA DE LA OPERETA / 1946. Dir: José Benavides hijo. Fernando Soler, Sofia Álvarez, Luis Aldás.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.47.11

Fevereiro:

ROMEU E JULIETA / ROMEO Y JULIETA / 1943. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Maria Elena Marques, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.48.05

FLOR SILVESTRE / FLOR SILVESTRE / 1943. Dir: Emilio Fernández. Dolores Del Rio, Pedro Armendáriz, Emilio Fernández.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.48.56

Março:

CANAIMA / CANAIMA / 1945. Dir: Juan Bustillo Oro. Jorge Negrete, Rosario Granados, Carlos Lopez Moctezuma.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.49.43

Maio:

CINCO ROSTOS DE MULHER / CINCO ROSTOS DE MUJER / 1947. Dir: Gilberto Martinez Solares. Arturo de Cordova, Pepita Serrador, Miroslava.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.50.42

Junho:

PECADORA / PECADORA / 1947. Dir: José Diaz Morales. Ramón Armengod, Emilia Guiú, Ninón Sevilla, Os Anjos do Inferno, Agustin Lara.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.53.15

NOTURNO DE AMOR / NOCTURNO DE AMOR / 1948. Dir: Emilio Gómez Muriel. Miroslava, Victor Junco, Hilda Sour, Tongolele.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.52.19

Julho:

NANÁ / NANÁ / 1944. Dir: Roberto Gavaldon, Celestino Gorostiza. Lupe Velez, Miguel Ángel Ferriz, Chela Castro.

Captura de Tela 2016-03-09 às 13.11.24

Agosto:

VAMOS VOAR, MOÇO! / A VOLAR JOVEN! Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Ángel Garaza, Andrés Soler.

Captura de Tela 2016-03-08 às 17.13.10

Outubro:

O GRANDE INDUSTRIAL / EL HERRERO / 1947. Dir: Ramón Peón. Ramón Pereda, Adriana Lamar, Juan Pulido.

Captura de Tela 2016-03-09 às 10.55.31

HOTEL DO BARULHO / GRAN HOTEL. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Jacqueline Dalya, Josefina Martinez.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.57.47

DESVENTURADA / SIN VENTURA / 1948. Dir: Tito Davison. Maria Antonieta Pons, Tito Junco, Rafael Baledón.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.58.22

PECADORA ARREPENDIDA / LA BIEN PAGADA / 1948. Dir: Alberto Gout. Maria Antonieta Pons, Victor Junco, Blanca Estela Pavón.

Captura de Tela 2016-03-08 às 23.50.43

Novembro:

PELO AMOR DE UMA MULHER / HERMOSO IDEAL / 1948. Dir: Alejandro Galindo. Conchita Martinez, Rodolfo Landa, Alejandro Ciangherotti.

Captura de Tela 2016-03-05 às 12.59.43

Dezembro:

A DEUSA AJOELHADA / LA DIOSA ARRODILLADA / 1947. Dir: Robert Gaváldon. Maria Félix, Arturo de Córdova, Rosario Granados.

Captura de Tela 2016-03-05 às 13.00.39

1950

Janeiro:

LÁGRIMAS DE MULHER / HUMO EN LOS OJOS /1946. Dir: Alberto Gout. Mecha (Mercedes) Barba, David Silva, Maria Luisa Zea.

Captura de Tela 2016-03-08 às 22.59.03

DESTINO DE DUAS VIDAS / EL MILAGRO DE CRISTO / 1941. Dir: Francisco Elias. Arturo de Córdova, Maria Luisa Zea, Linda Gorráez.

Captura de Tela 2016-03-08 às 23.02.38

HERÓI POR ACASO / EL GENDARME DESCONOCIDO / 1941. Dir: Miguel M. Delgado, Cantinflas, Mapy Cortés, Daniel “Chino” Herrera.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.46.09

QUANDO QUER UM MEXICANO / QUANDO QUIERE UN MEXICANO / 1944. Dir: Juan Bustillo Oro. Jorge Negrete, Amanda Ladesma, Enrique Herrera.

Captura de Tela 2016-03-08 às 23.56.43

A MULHER DO CAÍS / LA MUJER DEL PUERTO. Dir: Emilio Gómez Muriel. Maria Antonieta Pons, Victor Junco, Arturo Soto Rangel.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.47.32

Fevereiro:

HISTÓRIA DE UM GRANDE AMOR / HISTORIA DE UN GRAN AMOR / 1942. Dir: Julio Bracho. Jorge Negrete, Gloria Marin, Domingo Soler.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.49.02

Abril:

PAPA LEBONARD / PAPA LEBONARD / 1946. Dir: Ramón Peón. Ramón Pereda, Adriana Lamar, Carlos Martinez Baena.

Captura de Tela 2016-03-09 às 11.11.08

CORAÇÃO TORTURADO / BUGAMBILIA / 1945. Dir: Emilio Fernández. Dolores Del Rio, Pedro Armendáriz, Julio Villareal.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.52.56

Maio:

CORTESÀ / CORTESANA / 1948. Dir: Alberto Gout.   Mecha (Mercedes) Barba, Crox Alvarado, Pepe Delgado.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.54.43

SENHORA TENTAÇÃO / SEÑORA TENTACIÓN / 1948. Dir: José Diaz Morales. David Silva, Suzana Guizar, Ninón Sevilla, Os Anjos do Inferno, Agustin Lara.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.55.43

Junho:

ENAMORADA / ENAMORADA / 1946. Dir: Emilio Fernández. Maria Félix, Pedro Armendáriz, Fernando Fernández.

Captura de Tela 2016-03-04 às 18.58.58

ANJO OU DEMÔNIO? / ÁNGEL O DEMONIO / 1947. Dir: Victor Urruchúa. Armando Calvo, Maria Antonieta Pons, Daniel “Chino” Herrera.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.00.07

Julho:

DÚVIDA QUE TORTURA / SOLEDAD / 1947. Dir: Miguel Zacarias. Libertad Lamarque, René Cardona, Marga López.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.01.09

Agosto:

SUA ÚLTIMA AVENTURA / SU ULTIMA AVENTURA / 1946. Dir: Gilberto Martinez Solares. Arturo de Córdova, Esther Fernández, Arturo Soto Rangel.

Captura de Tela 2016-03-09 às 10.41.06

Setembro

A VÊNUS DE FOGO / LA VENUS DEL FUEGO / 1949. Dir: Jaime Salvador. Mecha (Mercedes) Barba, Fernando Fernandez, Vitor Manoel Mendoza.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.02.40

Outubro:

CRUEL DESTINO / CRUEL DESTINO / 1944. Dir: Juan Orol. Maria Antonieta Pons, Kiko Mendive, Jorge Arriaga.

Captura de Tela 2016-03-09 às 12.46.45

ZORAYA, A FEITICEIRA / EN TIEMPOS DE LA INQUSICIÓN / 1946. Dir: Juan Bustillo Oro. Jorge Negrete, Gloria Marin, Francisco Jambrina.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.04.37

Dezembro:

ROSENDA / ROSENDA / 1948. Dir: Julio Bracho. Fernando Soler, Rita Macedo, Nicolás Rodriguez

Captura de Tela 2016-03-08 às 20.57.59

1951

Janeiro:

ALGO FLUTUA SOBRE A ÁGUA / ALGO FLOTA SOBRE EL AGUA / 1948. Dir: Alfredo B. Crevenna. Arturo de Córdova, Elsa Aguirre, Amparo Morillo.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.17.20

OLHOS DA JUVENTUDE / OJOS DE JUVENTUD / 1948. Dir: Emilio Gómez Muriel. Elsa Aguirre, Tito Junco, Joaquin Pardavé.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.18.24

Março:

SANTA ENTRE DEMÔNIOS / SALON MEXICO / 1949. Dir: Emilio Fernández. Marga López, Miguel Inclán, Rodolfo Acosta.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.20.01

Abril:

O MAGO / EL MAGO / 1949. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Leonora Amar, José Baviera.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.21.00

HIPÓCRITA / HIPÓCRITA / 1949. Dir: Miguel Morayta. Antonio Badú, Carmen Molina, Leticia Palma.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.22.12

UM GRITO NA NOITE / UN GRITO EN LA NOCHE / 1950. Dir: Miguel Morayta. Sofia Álvarez, Gustavo Rojo, Esther Luquin.Captura de Tela 2016-03-09 às 00.05.27

Maio:

CURVAS PERIGOSAS / CURVAS PELIGROSAS / 1950. Dir: Tito Davison. Leonora Amar, Carlos Cores, Fanny Schiller.

Captura de Tela 2016-03-04 às 19.24.23

Julho:

MEIA NOITE / MEDIANOCHE / 1949. Dir: Tito Davison. Arturo de Córdova, Elsa Aguirre, Marga López

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.00.50

Setembro:

OS TRÊS GARCIA / LOS TRES GARCIA / 1947. Dir: Ismael Rodriguez. Pedro Infante, Abel Salazar, Victor Manuel Mendoza, Marga López, Sara Garcia.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.02.27

A NOIVA DO MAR / LA NOVIA DEL MAR / 1948. Dir: Gilberto Martinez Solano. Maria Elena Marques, Rafael Baledón, Jorge Reyes.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.03.35

Outubro:

PAIXÕES TORMENTOSAS / PASIONES TORMENTOSAS / 1946. Dir: Juan Orol. Maria Antonieta Pons, Crox Alvarado, Yadira Jiménez.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.04.40

O PORTEIRO / EL PORTERO / 1950. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Silvia Pinal, Carlos Martinez Baena.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.05.44

DONA DIABLA / DOÑA DIABLA / 1950. Dir: Tito Davison. Maria Félix, Victor Junco, Crox Alvarado.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.12.04

UM CORPO DE MULHER / UN CUERPO DE MUJER / 1949. Dir: Tito Davison. Maria Antonieta Pons, Eduardo Noriega, Rubén Rojo, Ramon Pereda.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.06.57

Novembro:

OUTRA PRIMAVERA / OTRA PRIMAVERA / 1950. Dir: Alfredo B. Crevenna. Libertad Lamarque, Ernesto Alonso, Patricia Morán.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.09.33

A MALQUERIDA / LA MALQUERIDA / 1949. Dir: Emilio Fernández. Dolores Del Rio, Pedro Armendáriz, Columba Dominguez.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.09.06

Dezembro:

UM DIA COM O DIABO / UN DIA CON EL DIABLO / 1945. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Andrés Soler, Miguel Arenas.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.16.46

IRMÃS MALDITAS / LA OTRA / 1946. Dir: Roberto Gavaldón. Dolores Del Rio, Victor Junco, Agustin Irusta.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.17.22

RIO ESCONDIDO / RIO ESCONDIDO / 1948. Dir: Emilio Fernández. Maria Félix, Carlo Lopez Moctezuma, Fernando Fernández.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.18.31

ANJINHOS PRETOS / ANGELITOS NEGROS / 1948. Dir: Joselito Rodriguez. Pedro Infante, Emilia Guiú, Rita Montaner.

Captura de Tela 2016-03-04 às 22.20.12

1952

Janeiro:

PERDIDA / PERDIDA. Dir: Fernando A. Rivero. Ninón Sevilla, Agustin Lara, Domingo Soler, Pedro Vargas, Anjos do Inferno.

Captura de Tela 2016-03-08 às 16.52.01

Março:

FOGO NA CARNE / CUANDO EL ALBA LLEGUE / 19509. Dir: Juan José Ortega. Mecha (Mercedes) Barba, Rafael Baledón, Nelly Montiel.

Captura de Tela 2016-03-08 às 16.53.02

Abril:

A RAINHA DAS RAINHAS / LA REINA DE LAS REINAS, LA VIRGEN MARIA / 1948. Dir: Miguel Contreras Torres. Luana de Alcañiz, Luis Alcoriza, Tito Junco, Luis Musso.

Captura de Tela 2016-03-08 às 16.57.48

DESFORRA / REVANCHA / 1948. Dir: Alberto Gout. Ninón Sevilla, David Silva, Agustin Lara, Pedro Vargas.

Captura de Tela 2016-03-08 às 13.49.59

A RAINHA DO MAMBO / LA REINA DEL MAMBO / 1951. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Sara Garcia, Eduardo Noriega.

Captura de Tela 2016-03-08 às 13.52.09

Maio:
FACEIRA / COQUETA /1947. Dir: Fernando A. Rivero. Ninón Sevilla, Agustin Lara, Victor Junco.

Captura de Tela 2016-03-08 às 13.53.17

SUZANA, MULHER DIABÓLICA / SUSANA / 1951. Dir: Luis Buñuel.                                                                                  Fernando Soler, Rosita Quintana, Victor Manuel Mendoza.

Captura de Tela 2016-03-08 às 13.54.43

Junho:

QUE DEUS ME PERDOE / QUE DIOS ME PERDONE / 1948. Dir: Tito Davison. Maria Félix, Fernando Soler, Tito Junco.

Captura de Tela 2016-03-09 às 12.54.27

Julho:

AMOR PERDIDO / AMOR PERDIDO / 1951. Dir: Miguel Morayta. Amalia Aguilar, Victor Junco, Yadira Jiménez, Tito Navarro, Perez Prado, Maria Luiza Landin.

Captura de Tela 2016-03-08 às 13.59.50

VENDE CARO TEU AMOR / AVENTURERA / 1950. Dir: Alberto Gout. Ninón Sevilla, Tito Junco, Andrea Palma.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.01.13

Agosto:

MULHERES EM MINHA VIDA / MUJERES EN MI VIDA / 1950. Dir: Fernando A. Rivero. Agustin Lara, Emilia Guiú, Guilermina Grin, Pedro Vargas, Toña la Negra, Los Panchos.

Captura de Tela 2016-03-08 às 17.17.41

VAGABUNDA / VAGABUNDA / 1950. Dir: Miguel Morayta. Leticia Palma, Antonio Badú, Luis Beristán.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.03.37

ANJO CAÍDO / EN ÁNGEL CAÍDO / 1949. Dir: Juan José Ortega. Rosita Quintana, Rafael Baledón, Roberto Cobo.

Captura de Tela 2016-03-09 às 12.55.34

MARIA CRISTINA / MARIA CRISTINA / 1951. Dir: Ramón Pereda. Maria Antonieta Pons, Carlos Cores, Ricardo Adalid.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.05.37

POBRE CORAÇÃO / POBRE CORAZÓN / 1950. Dir: José Diaz Morales. Jorge Mistral, Guilhermina Grin, Tito Junco, Pedro Vargas, Ana aria Gonzalez, Anjos do Inferno.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.06.21

Setembro:

A VENENOSA / LA VENENOSA / 1949. Dir: Miguel Morayta. Armando Calvo, Gloria Marin, Arturo Soto Rangel.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.08.44

AO SOM DO MAMBO / AL SON DEL MAMBO. Dir: Chano Urueta. Amalia Aguilar, Rita Montaner, Joan Page, Resortes, Roberto Romaña. Perez Prado, Dolly Sisters, Chucho Martinez.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.09.41

Outubro:

O MATA-SETE / EL SIETE MACHOS / 1951. Dir: Miguel M. Delgado. Cantinflas, Alma Rosa Aguirre, Miguel Ángel Ferriz.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.10.57

Novembro:

A MULHER QUE EU AMEI / LA MUJER QUE YO AMÉ / 1950.

Dir: Tito Davison. Elsa Aguirre, Agustin Lara, Andrés Soler, Pedro Vargas, Toña la Negra, Fanny Chiller, Lydia Kuorin, José Elia Moreno.

Captura de Tela 2016-03-08 às 17.32.09

LEVIANDADE FATAL / RAYANDO EL SOL / 1946. Dir: Roberto Gavaldón. Pedro Armendáriz, Perla Aguillar, David Silva.

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A VIRGEM NUA / LA VIRGEN DESNUDA / 1950. Dir: Miguel Morayta. Susana Guizar, Gustavo Rojo, José Maria Linares-Rivas.

Captura de Tela 2016-03-08 às 17.33.16

 

PRECONCEITO / NEGRO ES MI COLOR / 1951. Dir: Tito Davison. Marga López, Rita Montaner, Roberto Cañedo, Miguel Torruco, Los Panchos.

Captura de Tela 2016-03-08 às 17.34.14

Dezembro:

MARIA MONTECRISTO / MARIA MONTECRISTO / 1951. Dir: Luis Cesar Amadori. Zully Moreno, Arturo de Córdova, Carlos Lopes Moctezuma, Andrés Soler, Jorge Reyes.

Captura de Tela 2016-03-08 às 14.24.56

VÍTIMAS DO PECADO / VICTIMAS DEL PECADO / 1951. Dir: Emilio Fernández. Ninón Sevilla, Tito Junco, Rodolfo Acosta, Rita Montaner, Pedro Vargas, Poncianito.

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PINTANDO COM A LUZ: JOHN ALTON

February 23, 2016

Ele falou: “Preto e branco são cores”, e nenhum outro fotógrafo na História do Cinema explorou mais profundamente o valor dessas cores, ou a natureza do contraste violento entre elas. Alton disse ainda: “Eu podia ver mais no escuro do que em cores. Eu podia ver no escuro”. Seu talento extraordinário consistia na maneira pela qual ele capacitava os espectadores a fazer o mesmo (Todd MacCarthy no seu excelente ensaio Through a Lens Darkly: The Life and Films of John Alton).

John Alton

John Alton

John Alton nasceu em 5 de outubro de 1901 em Sopron, aldeia húngara na fronteira com a Austria. O nome de família na ocasião era Altman, embora o sobrenome de seu pai antes de chegar a Viena, vindo da Rússia, certamente fosse outro. O pai de John, Sam Altman, e seu irmão Emile, emigraram para os Estados Unidos em 1880, onde mudaram seus nomes para Alton, e adquiriram cidadania americana, estabelecendo uma conexão americana para John Alton, muito antes do seu nascimento.

Emile ficou na América, mas Sam retornou a Viena, onde retomou o nome Altman, e se tornou fabricante e exportador de conhaque, vinho e champagne. Durante algum tempo, ele trabalhou para a abastada famíla Szecheny e foi no castelo Szecheny, onde os Altman ocupavam quartos, que John (ou Jacob em alemão, ou Janos em húngaro) nasceu.

Desde cedo, John demonstrou inclinação para a arte, aprendendo a revelar suas fotos, e desenhando constantemente. Suficientemente jovem para escapar do serviço militar na Primeira Guerra Mundial, Alton estudou em uma escola de curso superior durante dois anos mas, como não viu nenhum futuro na Hungria, decidiu tentar a chance em Nova York, e alí chegou em um navio cargueiro em 1919. Recebido por seu tio Emile, que a essa altura já era um comerciante próspero, Alton ingressou em uma instituição de ensino, para estudar foto-química, entre outras coisas.

Foi durante esse período que John Alton teve seu primeiro contato com a indústria profissional de cinema. Alton estava em um ônibus quando este passava pelo Cosmopolitan Studios de William Randolph Hearst e decidiu conhecer o local. Quando saltou do ônibus e se encaminhou para o estúdio, o homem que estava no portão disse, “Você é justamente o cara de que estamos precisando”, e ele foi imediatamente contratado como extra. Dentro de poucos dias, foram filmar em locação. Alton tinha que montar em um cavalo e nunca tinha feito isto antes – a não ser em um cavalo de parque de diversões. A filmagem durou 41 dias e o rapaz se apaixonou pelo cinema.

Sua sorte não durou muito, pois seu tio, homem de negócios intransigente, não se impressionava com o interesse intelectual de seu sobrinho pelas belas artes e se recusava a ajudá-lo financeiramente. Finalmente, eles se desentenderam, e Alton saiu de casa.\

Programa da estréia de O Ladrão de Bagdad

Obrigado a sobreviver por conta própria, o jovem arranjou emprego no laboratório dos estúdios Paramount em Long Island City. Depois que ganhou algum dinheiro, Alton comprou um carro e, no inverno de 1923-1924, fez uma viagem de férias pelo país com cinco amigos. Quando chegaram em Los Angeles, Alton assistiu a estréia de O Ladrão de Bagdad / The Thief of Bagdad / 1924 de Douglas Fairbanks no Egyptian Theatre em Hollywood. Havia uma cartomante a disposição de quem comprasse um ingresso. Ela disse para os outros amigos de Alton que voltassem para o lugar de onde tinham vindo. Porém, quando chegou a vez de Alton, a quiromante olhou para a palma da sua mão, e disse: “Você vai fazer sucesso no cinema”. Os amigos voltaram, e ele ficou.

Cartaz de A Viúva Alegre (Stroheim)

Cartaz de A Viúva Alegre (Stroheim)

Alton conseguiu um lugar no laboratório da MGM, mas trabalhou também em vários departamentos do estúdio, adquirindo experiência em outras áreas. Transferido para o departamento de câmera, tornou-se um loader (encarregado de colocar o filme no chassi) e depois, primeiro assistente. Na MGM, teve oportunidade de observar Erich von Stroheim durante a produção de A Viúva Alegre / The Merry Widow / 1925 e de trabalhar com W. S. Van Dyke, atuando como assistente do fotógrado Clyde de Vinna em numerosos westerns de Tim McCoy em 1926-1927. Van Dyke ensinou-o a filmar com rapidez e econômicamente, o que seria o seu ganha-pão quinze anos depois.

john alton studente prince

Sentindo que estava pronto para se tornar primeiro operador de câmera, Alton pediu uma promoção. Mas o rapaz de 26 anos só obteve a incumbência de acompanhar Ernst Lubitsch e outro cameraman, Al Lane, à Europa a fim de filmar cenas de segundo plano para O Príncipe Estudante / The Student Prince / 1927. Segundo o próprio Alton relatou, ele voltou à Europa em 1928, para fazer alguns instantâneos dos Jogos Olímpicos de Inverno na Suiça, tomadas que seriam usadas em um filme programado para Greta Garbo; porém fica difícil confirmar tal fato, porque em nenhum filme de Garbo apareceu esse cenário.

Contou também que descobriu em Paris um jovem chamado Maurice Chevalier, cantor já conhecido na França, mas não nos Estados Unidos. Alton convenceu Irving Thalberg, que estava em Paris em lua-de-mel com Norma Shearer, a deixá-lo fazer um teste com o tal cantor. Obtido o consentimento, fez o teste, tudo saiu bem, ele o enviou para Thalberg, que disse: “Este sujeito não tem nada que se aproveite”. Alton tinha alguns amigos na Paramount, eles viram o teste, contrataram Chevalier, e ganharam uma fortuna. Nos próximos dois anos, Alton chefiou o departamento de câmera da Paramount no seu estúdio em Joinville.

alton lumiton marca

alton lostresberretines posterEm 1932, Alton recebeu um convite para trabalhar na S. A. Radio-Cinematografica Lumiton na Argentina. Ele ajudou a instalar o estúdio sonoro da companhia em San Ysidro e iluminou Los Tres Berretines / 1933, primeiro filme do ator Luis Sandrini. Com Sandrini ele co-produziu, de forma independente, El Hijo de Papá / 1933, do qual foi também diretor.

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Já casado com uma jornalista local, Rozalia Kiss, Alton transferiu-se depois para a Argentina Sono Film, onde funcionou como diretor de fotografia de vários filmes: Escala en la Ciudad / 1935; Crimen a las Tres / 1935; Compañeros / 1936: Loco Lindo / 1936; Amalia / 1936; Tararira / 1936; Goal / 1936; Um Infeliz Rapaz / El Pobre Pérez / 1937; Cadetes de San Martin / 1937; El Último Encuentro / 1938; Madressilva / Madresselva / 1938; Porta Fechada / La Puerta Cerrada / 1939; Doze Mulheres / Doce Mujeres / 1939; El Matrero / 1939; Romance no Rio / Caminito de Gloria /1939. Entre 1937 e 1938, Alton foi a Hollywood para comprar equipamento para a Argentina Sono Film e teve dez dias para cuidar da fotografia de A Vida Boêmia / La Vida Boehmia com Gilbert Roland e Rosita Diaz, filme americano da Columbia falado em espanhol, dirigido por Joseph Berne.

alton madresselva poster

Libertad Lamarque

Libertad Lamarque

alton puerta cerrada posterEm 1939, Alton e sua esposa mudaram-se para Hollywood. Ele pensou em voltar para a MGM, mas tinha feito alguns inimigos lá nos anos vinte e um deles, John Arnold (o fotógrado de O Grande Desfile / The Big Parade / 1925 de King Vidor), estava agora chefiando o departamento de câmera do estúdio. Em vista disso, Alton preferiu ingressar na RKO, a pedido do diretor Bernard Vorhaus, que ficara impressionado com o seu trabalho realizado na America do Sul. O primeiro filme que fizeram juntos foi Corajoso Dr. Christian / The Courageous Dr. Christian, o segundo de uma série B, protagonizada por Jean Hershol. Alton acabou participando de mais três dos seis filmes da série (Médico contra Charlatão / Dr. Christian Meets The Women / 1940; Remédio para a Riqueza / Remedy for Riches / 1940 e Melodia Para Três / Melody for Three / 1941) e esteve junto novamente com Vorhaus em um filme da Republic: Fugitivos do Terror / Three Faces West / 1940. Vorhaus apontou duas razões principais pelas quais gostava de trabalhar com Alton: sua rapidez e inventividade. “Nunca conhecí ninguém como ele. Ele era muito bom para obter efeitos expressivos e iluminação dramática”.

Cena de Fugitivos do Terror

Cena de Fugitivos do Terror

Antes de fazer outros filmes na Republic, Alton prestou serviço por algum tempo para os produtores William Pine e William C. Thomas em Piloto de Provas / Power Dive / 1941 e Aterrissagem Forçada / Forced Landing / 1941. Os filmes Pine-Thomas eram geralmente feitos em 10 dias por menos de cem mil dólares – mas Alton conseguiu aguentar este tipo de pressão.

Cena de Obsessão Trágica

Cena de Obsessão Trágica

john alton bury me deadEsperando o momento propício para se firmar como um grande diretor de fotografia, Alton trabalhou em filmes B (a maioria na Republic) que atraíam pouco interesse na época e não têm nenhuma reputação hoje: O Traidor Traído / The Devil Pays Off / 1941; Testemunho do Cadáver / Mr. District Attorney in the Carter Case / 1941; Prisioneiro de Conveniência / Pardon My Stripes / 1942; Aventuras de Jimmy Valentine / The Affairs of Jimmy Valentine / 1942; Condenados ao Casamento / Quer Ser Mulher / Johnny Doughboy / 1942; A Filha do Sultão / The Sultan’s Daughter / 1942 (Monogram); A Dama e o Monstro / The Lady and the Monster / 1944; Atlantic City / Atlantic City / 1944; Tormenta Sobre Lisboa / Storm Over Lisbon / 1944; Enemy of Women / 1944 (Monogram); Ilha dos Sonhos / Lake Placid Serenade / 1944; Passaporte Para o Céu / I Was a Criminal/ 1945; Caprichos de Roberta / Love, Honor and Goodbye / 1945; As Presidiárias / Girls of the Big House / 1945; Canção do México / Song of Mexico / 1945; Mandato Supremo / A Guy Could Change / 1946; Obsessão Trágica / The Madonna’s Secret / 1946; Romance no Inverno / Winter Wonderland / 1946; One Exciting Week / 1946; The Magnificent Rogue / 1946; Cupido é do Barulho / Affairs of Geraldine / 1946; Por Conta do Fantasma / The Ghost Goes Wild / 1947; Romance, Sorriso e Música / Hit Parade of 1947 / 1947; Falsificadores / The Trespasser / 1947; Uma Nova Aurora Surgirá / Wyoming / 1947; Turbilhão da Vida / Driftwood / 1947; Bury Me Dead / 1947 (PRC)

Cena de Moeda Falsa

Cena de Moeda Falsa

Cena de Entre Dois Fogos

Cena de Entre Dois Fogos

Cena de Mercado Humano

Cena de Mercado Humano

Cena de Demônio da Noite

Cena de Demônio da Noite

Cena de A Sombra da Guilhotina

Cena de A Sombra da Guilhotina

Durante esses anos, Alton começou a ser reconhecido no meio profissional como um diretor de fotografia que trabalhava rápido, usando poucas luzes e tinha a capacidade de fazer com que um filme “B” parecesse um filme “A”. Esta qualidade foi notada mais ainda nos quatro excelentes filmes noir que fêz em seguida com Anthony Mann: Moeda Falsa / T-Men / 1947; Entre Dois Fogos / Raw Deal / 1948, Mercado Humano / Border Incident / 1949, Demônio da Noite / He Walked By Night / 1949 (dirigido na sua maior parte por Mann) e no drama histórico A Sombra da Guilhotina / Reign of Terror / 1949, no qual Mann, Alton e William Cameron Menzies suplantaram os recursos extremamente limitados da produção, fazendo sets apertados parecerem deslumbrantes e trinta figurantes parecerem trezentos.

Cena de O Caminho do Diabo

Cena de O Caminho do Diabo

Alton fez também um western com Anthony Mann, O Caminho do Diabo / Devil’s Doorway / 1950, optando pelo estilo visual noir com composições – o funeral do velho chefe em uma gruta iluminada pelo clarãos tochas, os enquadramentos na cena da provocação contra os índios no saloon – cuidadosamente preparadas em uma fotografia contrastada. “Encontrei em Anthony Mann, um director que pensava como eu”. Alton explicou: “Ele não somente aceitava o que eu fazia, ele pedia isso”.

Cena de Prisioneiro do Medo

Cena de Prisioneiro do Medo

Outros filmes noires de Alton foram: Prisioneiro do Medo / The Pretender / 1947; A Cicatriz / Hollow Triumph / 1948; Afrontando a Morte / The Crooked Way / 1949; A Noite de 23 de Maio / Mystery Street / 1950; A Um Passo do Fim / People Against O’Hara / 1951; Eu, o Júri / I, The Jury / 1953; O Império do Crime / The Big Combo / 1954; O Poder do Ódio / Slightly Scarlet / 1956, destacando-se O Império do Crime com sua fotografia noire, como sempre extraordinária, fortalecendo o tom dark: sombras pesadas, figuras em silhueta contra o nevoeiro, mãos e rostos dificilmente visíveis na escuridão, raios de luz espetando os personagens – como aquele farol que Susan (Jean Wallace) aponta na direção de Brown (Richard Conte), para facilitar seu aprisionamento.

Cena de O Império do Crime

Cena de O Império do Crime

Um Raio de Liberdade / Canon City / 1948 de Crane Wilbur e O Místico / The Spiritualist / 1948 de Bernard Vorhaus (renomeado The Amazing Dr. X), foram outras duas produções modestas, nas quais Alton mostrou como se pode fazer muito com pouco. No primeiro, para filmar as cenas em locação na penitenciária, Alton não levou eletricistas com ele, e usou apenas o circuito elétrico já existente, reforçado com lâmpadas mais potentes. No segundo, nas sessões de clarividência, a luz emana diretamente da bola de cristal do vidente impostor (Turhan Bey).

Cena de O Místico

Cena de O Místico

Em 1949, Alton voltou a trabalhar para a MGM e, apesar de muitas desavenças com seu velho inimigo John Arnold (que não gostava dos filmes B da MGM nem do estilo dark de Alton), conseguiu sobreviver na empresa e se tornar o fotógrafo preferido de dois diretores do primeiro time da Marca do Leão: Vincente Minnelli e Richard Brooks.

Com Minnelli, ele fez O Papai da Noiva / Father of the Bride / 1950; O Netinho do Papai / Father’s Little Dividend / 1951; Chá e Simpatia / Tea and Sympathy / 1956; Teu Nome é Mulher / Designing Woman / 1957 e a sequência do longo balé final de Sinfonia de Paris / An American in Paris / 1951, que lhe proporcionou o Oscar de Melhor Fotografia em cores. Foi a primeira experiência de Alton com o Technicolor, mas, mesmo assim, ele tinha idéias muito precisas de como obter certos efeitos. “O segredo da fotografia do balé”, disse Alton, “foi a tonalidade fumata (esfumaçada), que dava às cores um tom pastel”. Das cerca de sessenta luzes existentes no estúdio, Alton usou três ou quatro, o que poupou muita despesa e trabalho.

John Alton e Leslie Caron em um intervalo da filmagem de Sinfonia de Paris

John Alton e Leslie Caron em um intervalo da filmagem de Sinfonia de Paris

Cena de Sinfonia de Paris

Cena de Sinfonia de Paris

Cena de Sinfonia de Paris

Cena de Sinfonia de Paris

Devido ao sucesso de Sinfonia de Paris, Alton foi encarregado de fotografar Cantando na Chuva / Singin’in the Rain / 1952, mas não se entendeu bem com Gene Kelly – Stanley Donen, e após duas semanas foi afastado. Deram-lhe em seguida a tarefa de fotografar um filme B, Estranho Inimigo / Talk About a Stranger /1952, e ele providenciou um clima taciturno para esse pequeno thriller interessante sobre um menino, cuja visão distorcida da realidade chega à histeria.

Quanto a Richard Brooks, Alton colaborou com ele em Campo de Batalha / Battle Circus / 1953; Dá-Me Tua Mão / Take the High Ground / 1953; A Festa de Casamento / The Catered Affair / 1956; Os Irmãos Karamazov / The Brothers Karamazov / 1958 e Entre Deus e o Pecado / Elmer Gantry / 1960. O penúltimo filme é o mais rico visualmente, porém Alton recebeu algumas críticas por ter iluminado várias cenas, particularmente os interiores, de modo totalmente irreal e usado cores estranhas, notadamente a púrpura, o verde e amarelo refletidas nos tetos ou envolvendo os personagens em contraluz. A afeição e o respeito entre diretor e fotógrafo era mútua. “Eu gostava de trabalhar com Richard Brooks”, recordou Alton. “Ele era muito bom”.

Cena de Os Irmãos Karamazov

Cena de Os Irmãos Karamazov

Cena de Entre Deus e o Pecado

Cena de Entre Deus e o Pecado

Alton havia trabalhado com Allan Dwan em Turbilhão da Vida (1947), mas nos meados dos anos cinquenta, eles se reencontraram sete vêzes na RKO. Sobre Dwan, Alton disse: “Ele era grande nos primórdios da indústria cinematográfica, mas não mudou, não trouxe nada de novo para ela, então foi por isso que entrou em declínio. Mas era um bom diretor”. Os seis primeiros de seus filmes dos anos cinquenta – Homens Indomáveis / Silver Lode; Sob a Lei da Chibata / Passion; Montana, Terra do Ódio / Cattle Queen of Montana; Selvas Indomáveis / Escape to Burma; A Sereia dos Mares do Sul / Pearl of the South Pacific e A Audaçia é Minha Lei / Tennessesse’s Partner – são surpreendentemente sem qualidade visual, tendo em vista que foram fotografados por Alton. O sétimo, O Poder do Ódio / Slightly Scarlet / 1956, filme noir rodado em cor e tela larga (no processo Superscope da RKO), foi uma exceção. Alton transferiu perfeitamente as características da fotografia em preto e branco para a cor. Apesar do Technicolor, ele continuou utilizando extensas sombras e grandes áreas pretas, usando o amarelo como se fosse a luz, acentuando ao mesmo tempo arranjos berrantes com as cores rosa, verde e laranja. Assim, o extraordinário cinegrafista conseguiu alguns efeitos que servem bem não somente às cenas tensas como ao subtema da rivalidade sexual, ciúme e possessividade entre duas irmãs (Dorothy / Arlene Dahl) e June / Rhonda Fleming).

Cena de O Poder do Ódio

Cena de O Poder do Ódio

Allan Dwan, Arlene Dahl e John Alton na filmagem de O Poder do Ódio

Allan Dwan, Arlene Dahl e John Alton na filmagem de O Poder do Ódio

Entre os filmes restantes que Alton fotografou – O Intrépido / Red Stalllion in the Rockies / 1949 (em Cinecolor); Capitão China / Captain China / 1950; Amor Vai, Amor Vem / Grounds for Marriage /1951; No Palco da Vida / It’s a Big Country / 1951; A Indiscreta / Washington Story / 1952; Brado de Perigo / Apache War Smoke / 1952; Medo que Condena / Count the Hours / 1953; Ódio Entre Grades / Duffy of San Quentin / 1954; Testemunha do Crime / Witness to Murder / 1954; Labirinto de Aço / The Steel Cage / 1954; A Casa de Chá do Luar de Agosto / The Tea House of the August Moon / 1956; Por um Pouco de Amor / Lonely Hearts / 1958 e A Invasão da Lua / 12 to the Moon / 1960, e somente em Testemunha do Crime se vislumbra com nitidez o trabalho de câmera altoniano, imprimindo uma atmosfera tenebrosa ao cenário de Los Angeles, onde tem lugar a ação.

Alton e Barbara Stanwyck na filmagem de Testemunha do Crime

Alton e Barbara Stanwyck na filmagem de Testemunha do Crime

Em 7 de novembro de 1960, Alton começou a fotografar O Homem de Alcatraz / The Birdman of Alcatraz / 1962 para o diretor britânico Charles Crichton. Após uma semana de filmagem, Burt Lancaster e o produtor Harold Hecht susbtituiram Crichton por John Frankenheimer, mas retiveram Alton. Entretanto, Frankenheimer percebeu logo no primeiro momento que ele e Alton eram incompatíveis. “Durou apenas um dia ou um-dia-e-meio no máximo, recordou Frankenheimer. Houve um conflito de personalidades desde o primeiro dia. Simplesmente não era o meu tipo de filmagem. Ele estava acostumado a trabalhar com diretores que provavelmente não eram tão específicos como eu, sobre como filmar uma cena, que deixavam ele fazer o que quisesse… Foi uma pena, porque tinha muito respeito por ele e lamento não ter dado certo”.

Com isso, John Alton havia trabalhado como diretor de fotografia no cinema pela última vez, e nada do que ele e Crichton filmaram ficou no filme.