ARTHUR FREED E A FREED UNIT

Pouco produtores foram tão intimamente associados ou essenciais ao desenvolvimento de um gênero de filme específico como ele. As contribuições de Freed para o musical de Hollywood ajudaram a moldar o visual e o estilo que dominaram o gênero nos anos quarenta, atingindo o auge nos anos cinquenta com filmes como Sinfonia de Paris / An American in Paris / 1951 e Cantando na Chuva / Singin in the Rain / 1952. Trabalhando na MGM com um grupo que incluía muitos dos melhores diretores, atores, compositores, e técnicos da época, ele supervisionou a produção de filmes que se tornaram clássicos da forma e sua influência é percebida na imagem que persiste do filme musical Americano.

Arthur Freed

Arthur Freed nasceu em Charleston, South California, um dos oitos filhos de Rosa e Max Freed, cresceu em Seattle e começou a escrever poesia na Phillips Academy em Exeter, New Hampshire. Seu pai era um negociante de arte que viajava pelo mundo todo com sua família. A música desempenhava um papel vital no lar dos Freed. Como atividade paralela Max vendia cítaras e possuía uma voz ressonante de tenor. Arthur, o filho mais velho, tornou-se letrista. Sydney e Clarence entraram no ramo da gravação em Hollywood. Walter tornou-se um organista. Ralph, tal como Arthur, compunha músicas e até Ruth, a única filha, havia escrito várias canções. Somente Hugo era de natureza mais pragmática, tornando-se um contador. Victor morreu durante a Primeira Guerra Mundial.

O desenvolvimento de Freed como produtor de musicais nasceu naturalmente desde o início de sua carreira como letrista. Juntamente com Nacio Herb Brown, Freed escreveu dezenas de canções populares, inclusive tais como “Broadway Rhythm”, “Singin’ in the Rain” e “You Are my Lucky Star”, e ele continuou seu trabalho como compositor intermitentemente por todos os seus anos como produtor. Foi como letrista que Freed chegou originalmente à MGM, mas no final dos anos trinta ele havia começado a pedir a Louis B. Mayer permissão para produzir, e em 1938 recebeu sua chance, quando o estúdio começou a preparar a fantasia infantil de L. Frank Baum, The Wizard of Oz, para a tela. Com Mervyn Leroy como seu produtor e Freed como produtor associado, o filme, intitulado no Brasil O Mágico de Oz, tornou-se um dos maiores sucessos da MGM e garantiu a Freed uma posição mais autônoma dentro da hierarquia do estúdio.

O Mágico de Oz

O talento particular de Freed era sua capacidade de reconhecer a aptidão artística excepcional daqueles ao seu redor, e ele começou a reunir um grupo de indivíduos cujos talentos na área do musical eram inigualáveis. Este grupo passou a ser conhecido como a “Freed unit” e entre seus membros estavam artistas e técnicos representando todos os aspectos da produção de filmes musicais. O compositor Roger Edens tornou-se o colega e produtor associado de confiança de Freed enquanto Vincente Minelli, Stanley Donen, Busby Berkeley, e Charles Walters estavam entre principais diretores da Unidade.

Freed exerceu um papel fundamental na contratação da menina de 13 anos de idade, Judy Garland, para a MGM em meados dos anos trinta e ela se tornou – juntamente com Fred Astaire e Gene Kelly – um dos artistas mais intimamente associados com o produtor. Lena Horne e June Allyson estavam também entre os talentos recrutados por ele para o estúdio. Cole Porter, Irving Berlin, e Oscar Hammerstein escreveram canções para os musicais produzidos por Freed, e sua equipe de produção utilizou os melhores diretores de arte, figurinistas, músicos, e coréografos que a indústria tinha para oferecer. A primeira tarefa de Freed na MGM foi num filme de Jean Harlow chamado Tentação dos Outros / Reckless / 1935 como supervisor musical. Depois ele trabalhou em vários filmes não musicais nos quais uma canção ou uma trilha sonora especial era exigida.

Tentação dos Outros

Os dois filmes que refletem melhor sua influência no musical, foram lançados no início dos anos cinquenta – Cantando na Chuva e Sinfonia de Paris. Embora fossem ambos estrelados por Gene Kelly – eram bem diferentes em estilo e execução, cada um à sua maneira exibindo a arte e a amplitude de talento característicos dos filmes que Freed produziu. Cantando na Chuva foi codirigido por Kelly e Stanley Donen, e o filme conta uma história de amor dos bastidores de Hollywood com uma energia viva que abrange o número extravagante “Broadway Ballet”, o cômico “Make’em Laugh” e a interpretação famosa de Kelly da canção que dá título ao filme. Alegre e colorido Cantando na Chuva é puro entretenimento realizado nas melhores tradições do cinema de Hollywood.

Sinfonia de Paris, dirigido por Vincente Minelli, colocava Leslie Caron, treinada no balé, ao lado de Gene Kelly e o filme é uma fusão de vários estilos de dança e elementos da cultura Francesa e Americana. O balé “American in Paris” tem lugar em um vasto cenário que lembra os estilos de vários pintores impressionistas franceses enquanto Kelly e Caron misturam dança clássica com jazz e um toque de bufar da Broadway neste que um dos números musicais mais ambiciosos jamais filmados. Como seu produtor, Freed recebeu o Oscar conferido ao filme (ele receberia seu segundo Oscar por Gigi / Gigi / 1958 sete anos depois), e Sinfonia de Paris continua sendo um exemplo notável do alcance de imaginação e talento que marcaram a obra da Freed Unit.

FILMOGRAFIA DAS PRODUÇÕES DE ARTHUR FREED EM ORDEM ALFABÉTICA:

Sinfonia de Paris / American in Paris, An / 1951. Bonita e Valente / Annie Get Your Gun / 1950. Quando Morre uma Ilusão / Any Number Can Play / 1949. Sangue de Artista / Babes in Arms / 1939.  Calouros da Broadway / Babes on Broadway / 1941. A Roda da Fortuna / Band Wagon, The /1953.  Ciúme, Sinal de Amor / Barkleys of Broadway, The / 1949. Ver, Gostar e Amar /Belle of New York, The /1952. Essa Loura Vale Um Milhão / Bells Are Ringing / 1960. A Rainha dos Corações / Best Foot Forward / 1943. A / Lenda dos Beijos Perdidos / Brigadoon / 1954. Uma Cabana no Céu / Cabin in the Sky / 1943.O Ponteiro da Saudade / Clock, The / 1945. Terra em Fogo / Crisis / 1950. Dy Barry Era Um Pedaço / DutBarry Was a Lady / 1942. Desfile de Páscoa / Easter Parade / 1948. Idílio em D Re Mi / For Me and My Gal / 1942. Gigi / Gigi / 1958. Louco por Saias / Girl Crazy / 1943. Tudo Azul / Good News / 1947. As Garçonetes de Harvey / Harvey Girls, The / 1946. Convite à Dança / Invitation to the Dance / 1956. Dançando nas Nuvens / It´s Always Fair Weather / 1955. Um Estranho no Paraíso / Kismet / 1953. Um Amor de Pequena / Little Nellie Kelly   / 1940. Agora Seremos Felizes / Meet Me in St. Louis / 1944. Um Dia em Nova York / On the Town / 1949. Amor Pagão / Pagan Love Song / 1950. Lourinha do Panamá / Panama Hattie / 1942. O Pirata / Pirate, The / 1948. Núpcias Reais / Royal Wedding / 1951. O Barco das Ilusões / Show Boat / 1951. Meias de Seda / Silk Stockings / 1957. Cantando na Chuva / Singin’ in the Rain / 1952. O Rei da Alegria / Strike Up the Band / 1940. Os Subterrâneos da Noite / Subterraneans, The / 1960. Idilio Para Todos / Summer Holiday / 1963. A Bela Ditadora / Take Me Out to the Ball Game / 1949.Quando as Nuvens Passam / Till the Clouds Roll By / 1946. O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939. Minha Vida é uma Canção / Words and Music / 1948. Yolanda e o Ladrão / Yolanda and the Thief / 1945. Ziegfeld Follies / Ziegfeld Follies / 1945.

 

Eu não poderia terminar este artigo sem mencionar dois números musicais de produções de Fred que muito me encantaram: o esfuziante “I Left my Hat in Haiti” com tema caribenho dançado por Fred Astaire e Jane Powell em Núpcias Reais e “The Ritz Rock and Roll” composto por Cole Porter e dançado por Fred no seu tradicional estilo top hat, white tie and tails (cartola,  gravata branca e terno) em Meias de Seda.

 

Núpcias Reais

 

Meias de Seda

Embora Jane não fosse principalmente uma dançarina e Porter nunca tivesse tentado escrever no idioma do rock, eles surpreenderam a todos que puderam assistir a estes dois momentos excitantes do filme musical americano.

 

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