O FILME HISTÓRICO

O filme histórico é um filme de ficção mostrando acontecimentos pretéritos ou ocorridos em um período histórico. Este gênero extenso divide território com o filme biográfico, drama de época e filme épico.

Execution of Mary of Scots

 

Jeanne d”Arc

O filme biográfico (biographical film) é um filme que conta a história da vida de uma pessoa real, geralmente um monarca, líder político, ou artista. Execution of Mary Queen of Scots / 1895 que Alfred Clark fez por ordem de Thomas Edison, prefigura o gênero mas talvez o primeiro filme biográfico seja Jeanne d’Arc / 1900 de George Méliès. Na França, a Sociedade Lumière propôs pouco depois uma série de “Vues historiques”.

Filmes biográficos eram populares na Europa no início do século vinte, incluindo Elisabeth, Rainha da Inglaterra / Élisabeth, Reine d’Angleterre / 1912 de Henri Desfontaines e Louis

Elisabeth, Reine d”Angleterre

Anna Boleyn

Napoleon

Os Amores de Henrique VIII

Mercanton, Danton / 1920 de Dimitri Buchowetski, Anna Boleyn / Anna Boleyn / 1920 de Ernst Lubitsch, Napoleão / Napoleon vu par Abel Gance / 1927 de Abel Gance e um pouco mais tarde Os Amores de Henrique VIII / The Private Life of Henry VIII / 1933 de Alexander Korda.
O filme biográfico foi um item essencial do cinema norte-americano, com cerca de trezentos filmes lançados entre 1927 e 1960. O trabalho do diretor William Dieterle em A História de Louis Pasteur / The Story of Louis Pasteur /1936, A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola / 1937 e Juarez / Juarez / 1939 é particularmente digno de nota. Entre os outros filmes biográficos sobressaem, por exemplo, Rainha Christina / Queen Christina / 1933 de Rouben Mamoulian, A Imperatriz Vermelha / The Scarlet Empress / 1934 de Josef von Sternberg.

A  História de Louis Pasteur

A vida de Emile Zola

Rainha Cristina

A Imperatriz Vermelha

O drama de época (costume drama) ou filme de época (period film) é um filme ambientado no passado no qual o vestuário é fundamental para a recriação de um contexto histórico particular. O termo filme de época é talvez mais preciso, pois o gênero depende do conjunto de detalhes associados com um determinado período histórico, incluíndo mas não limitado ao traje.
Muitos filmes de época são adaptações de obras e peças de teatro canônicas. Jane Austen, Charlotte Bronte, Fyodor Dostoievsky, Henrik Ibsen, Victor Hugo, Henry James, e Charles Dickens estão entre os muitos autores cujas obras têm sido repetidamente adaptadas para o cinema. O gênero também encaixa com o filme histórico e o filme biográfico. Exemplos de filme de época são verbi gratia aqueles produzidos pelo Gainsborough Studio da Inglaterra nos anos 40 entre eles, Malvada / The Wicked Lady de Leslie Arliss / 1945 e Madona das Sete Luas / Madonna of the Seven Moons /1945 de Arthur Crabtree.


O filme épico é um retrato cinematográfico de eventos de larga escala (geralmente
mapeando eventos heróicos tais como uma guerra, uma jornada, uma viagem de exploração, um conflito social, etc.) e caracterizado por uma encenação espetacular e extravagante, bem como pelo uso de tecnologias cinematográficas como tela larga, 3-D, e CGI (imagens geradas por computador).

Gli Ultimi Giorni di Pompei

Cabiria

O Nascimento de uma Nação

Os Dez Mandamentos

O cinema primitivo na Itália tinha forte tradição épica: por exemplo, Os Últimos Dias de Pompéia / Gli ultimi giorni di Pompei / 1908 de Arturo Ambrosio, Quo Vadis / Quo Vadis / 1912 de Enrico Guazzoni e Cabiria / Cabiria / 1914 de Giovanni Pastrone, este último um afresco monumental ambientado na Terceira Guerra Púnica e a destruição de Cartago pelos Romanos.
Filmes como O Nascimento de uma Nação / Birth of a Nation / 1915 de David Wark Griffith e Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments / 1923 de Cecil B. DeMiIlle são pontos de origem para uma forte tradição épica nos Estados Unidos. O Nascimento de uma Nação – tão reacionário nos seus preconceitos sulistas quanto revolucionário na sua forma cinematográfica – evoca os vastos campos de batalha da Guerra de Secessão. Em Os Dez Mandamentos DeMille alterna cenas de amor e corridas de bigas, cenas de guerra e soltura de leões, cenas de orgia e mensagens edificantes.

Ivan, o Terrivel

Na França, Napoleon / Napoleon / 1927 de Abel Gance foi um precursor das primeiras inovações tecnológica da tela grande e na URSS um punhado de diretores ganhou reputação internacional com seus filmes épicos revolucionários: Sergei Eisenstein (Outubro / Oktyabr’ / 1928), Vsevolod Pudovkin (O Fim de São Petersburgo / Konets Sankt-Petersburga / 1927), Aleksandr Dovshenko (A Montanha do Tesouro / Zvenigora / 1928), Esfir Shub (A Queda da Dinastia Romanov / Padenie dinasti Romanovykh / 1927). No cinema sonoro o francês Jean Renoir brindou o público de cinema com A Marselhesa / La Marseillaise / 1938 e o russo Eisenstein ofereceu desta vez às telas Ivan, o Terrível / Ivan Groznyy / 1944.

Quo Vadis

O Manto Sagrado

Ben-Hur

Spartacus

Os anos cinquenta e início dos anos sessenta são amplamente considerados como o auge do filme épico, com filmes cheios de astros como Quo Vadis / Quo Vadis / 1951 de Mervyn Le Roy, O Manto Sagrado / The Robe / 1953 de Henry Koster, Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments / 1956 de Cecil B. DeMille, Ben-Hur / Ben-Hur / 1959 de William Wyler e Spartacus / Spartacus / 1960 de Stanley Kubrick, etc. atraindo grandes públicos em todo o mundo. Estes filmes usaram os formatos de tela larga como o Cinerama e o CinemaScope para ampliar a escala dos acontecimentos descritos e ajudar Hollywood a competir com a popularidade crescente da televisão.


Filmes históricos, frequentemente retratando eventos cruciais em cenários do mundo antigo são particularmente comuns, embora outros gêneros tais como filme de fantasia, ficção científica, filme de guerra e western sejam tratados regularmente no modo épico.
O filme histórico é o maior e mais duradouro dos gêneros. De fato, um dos maiores sucessos comerciais de todos os tempos, … E O Vento Levou / Gone With the Wind / 1939 de Victor Fleming é um filme histórico passado durante a Guerra Civil Americana.

Cleopatra

O gênero continuou a prosperar em Hollywood durante os anos cinquenta, o auge do épico em tela larga e technicolor. Nesta década foram feitos, por exemplo, O Egípcio / The Egyptian / 1954 de Michael Curtiz, Terra dos Faraós / Land of the Pharaohs / 1955 de Howard Hawks, Os Vikings, os Conquistadores / The Vikings / 1958 de Richard Fleischer. Em 1960 surgiu Exodus / Exodus de Otto Preminger. Em 1961 despontou El Cid / El Cid de Anthony Mann. Em 1962, apareceu Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia de David Lean. Em 1963 foi o épico Cleópatra / Cleopatra de Joseph L. Mankiewicz / Rouben Mamoulian a grande atração em termos de superespetáculo.

Filmes históricos também permaneceram como produto principal em um grande número de cinemas nacionais; no Japão o chambara, ou filme de samurai, fazia parte de uma tradição do filme histórico do Leste Asiático.

Sinhá Moça

 

No Brasil podemos citar alguns filmes históricos como, por exemplo, O Descobrimento do Brasil / 1927 de Humberto Mauro, Inconfidência Mineira / 1948 de Carmen Santos, O Cangaceiro / 1953 de Lima Barreto (apesar do personagem fictício por retratar um período real do Brasil), Sinhá Moça / 1953 de Tom Paine, Fernão Dias / 1957 de Alfredo Roberto Alves e outros realizados mais adiante como Ganga Zumba / 1964 de Carlos Diegues, Independência ou Morte / 1972 de Carlos Coimbra, Xica da Silva / 1976 de Carlos Diegues, Anchieta, José do Brasil / 1979 de Paulo Cesar Saraceni, Guerra dos Canudos / 1997, Mauá, O Imperador e o Rei / 1998 de Sergio Rezende, etc.

O desenvolvimento do CGI – e especialmente sua capacidade de reproduzir paisagens e cenas urbanas bem como grandes elencos – tornou a recriação do passado no cinema mais acessível, levando a um aumento na produção de filmes históricos.
Renascido desde o final dos anos noventa com filmes como A Lista de Schindler / Schindle’s List / 1993 de Steven Spielberg, Coração Valente / Brave Heart / 1995 de Mel Gibson, Titanic / Titanic / 1997 de James Cameron e consolidado através do desenvolvimento da tecnologia CGI que tornou a recriação do passado no cinema mais acessível, o filme épico permanece como um gênero de Hollywood significativo com filmes como Gladiador / Gladiator / 2000 de Ridley Scott e a trilogia O Senhor dos Anéis / The Lord of the Rings / 2001-2003 de Peter Jackson.

 

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