FATOS E FIGURAS DE CINEMA E DE HOLLYWOOD E DA INDÚSTRIA DE CINEMA 1939
Basil Rathbone e Nigel Bruce fazem a primeira das suas quatorze aparições como Sherlock Holmes e Dr. Watson em O Cão dos Baskervilles / The Hound of the Baskervilles.
O Daily Variety informa que Robert Stack, jogador de polo da Universidade do Sul da California (USC), estreará no cinema no próximo filme de Deanna Durbin, O Primeiro Amor / First Love. Nele, ele dará em Deanna o seu primeiro beijo na tela.
A Warner Bros. promove Ann Sheridan como a “The Oomph Girl”.
O chefe da RKO George Schaefer avisa Orson Welles que, com o início da guerra e a diminuição dos mercados europeus, os planos dele de fazer um filme de arte baseado em Heart of Darkness de Joseph Conrad não é aceitável.
Bing Crosby, agora filmando A Sereia das Ilhas / The Road to Singapore, o primeiro filme da série “Road” com Bob Hope e Dorothy Lamour, aparece para almoçar no Café Continental de Hollywood vestindo um sarong.
Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again, marcando a volta de Marlene Dietrich às telas, com James Stewart, estreia no cinema Rivoli de Nova York. Ela apresenta a canção “See What the Boys in the Back Room Will Have”. Trata-se de um faroeste satírico com muita ação, música e humor. James Stewart é o xerife que não gosta de usar armas, mas quando se queima, acaba com os bandidos. Marlene é Frenchie, a garota do saloon, que se apaixona por ele, e morre para salvar-lhe a vida. A cena de briga entre ela e Una Merkel, a esposa enciumada cujo marido perdeu as calças jogando pôquer com Frenchie , é antológica.
Anunciado o noivado de Jane Wyman com Ronald Reagan.
James Roosevelt, o filho do Presidente, começa a trabalhar como vice-presidente da Samuel Goldwyn Pictures. Goldwyn o quer por suas conexões e pelo prestígio que ele traz para o estúdio.
Adeus, Mr. Chips / Goodbye, Mr. Chips, baseado no romance de James Hilton, acompanha a trajetória de um tímido e rabugento professor (Robert Donat) do início de sua carreira até sua morte, mostrando a vida nos colégios britânicos e o status dos professores com sentimentalismo e humor. De início, a estrita observância às regras, o torna impopular e solitário, até casar-se com uma jovem bela e inteligente (Greer Garson), que o transforma numa pessoa mais simpática e compreensiva. Na sua velhice, torna-se uma verdadeira instituição, reconhecido como o verdadeiro modelador do caráter e da vida profissional de quatro gerações de estudantes. Bem controlado pelo diretor Sam Wood, Donat ganhou o Oscar, conseguindo suplantar Clark Gable no ano de …E O Vento Levou / Gone With the Wind e houve indicações para Melhor Filme, Direção, Roteiro e Atriz.
Para a adaptação cinematográfica do romance de P.C. Wren, Beau Geste / Beau Geste, clássico de aventura na Legião Estrangeira dirigido por William Wellman, o Saara foi reconstruído numa região desértica de Yuma, Arizona, e a fotografia entregue a dois mestres: Theodor Sparkhul e Archie Stout. Os três irmãos Geste foram vividos por Gary Cooper (Beau), Ray Milland (John) e Robert Preston (Digby). Por sua atuação como o comandante sádico do Forte Zinderneuf, Brian Donlevy foi indicado para o Oscar. Susan Hayward é Isobel, o interesse romântico juvenil de John Geste. As cenas mais famosas são as de abertura com o forte aparentemente ocupado por soldados – que permanecem firmes em suas posições nas muralhas mas que na verdade estão todos mortos – e a da revelação final do “Belo Gesto”.
Clássico dos filmes de aventura tendo como pano de fundo o colonialismo britânico, Gunga Din / Gunga Din, dirigido por George Stevens, foi vagamente baseado num poema de Rudyard Kipling e adaptado para a tela por Joel Sayre e Fred Guiol e, no anonimato, William Faulkner. O fotógrafo Joseph August transformou a área próxima de Lone Pine, na Califórnia, num autêntico cenário indiano e o elenco, que parece ter sido escolhido a dedo, atua com muita energia e entusiasmo, destacando-se Sam Jaffe pela maravilhosa composição do fiel e valoroso aguadeiro. Cary Grant, Douglas Fairbanks Jr. e Victor MacLaglen compõem o trio inseparável de sargentos do exército britânico, pela ordem: Cutter, Ballantine e Mac Chesney. Joan Fontaine é Emmy, noiva de Ballantine. A personagem representa o interesse amoroso que motiva Balantine a querer deixar o exército para se casar na vida civil, o que gera conflito com seus amigos e companheiros de farda. A grande cena do filme é o clímax heróico do personagem-título, quando o portador de água indiano, mortalmente ferido, sobe dolorosamente a torre do templo para tocar sua corneta e alertar as tropas britânicas sobre uma emboscada iminente. As cenas de ação são acompanhadas pelo score frenético de Alfred Newman.
Na refilmagem do célebre romance de Victor Hugo, que tem como centro das atenções o grotesco Quasimodo (Charles Laughton) e a bela cigana Esmeralda (Maureen O’Hara), O Corcunda de Notre Dame / The Hunchback of Notre Dame, a Paris do tempo de Louis XI é reconstituída com autenticidade pelos sets de Van Nest Polglase, que evocam de modo fascinante o clima de superstição , horror e miséria do romance de Hugo. Laughton impressiona tanto como o corcunda quando Lon Chaney na versão muda, e Maureen, fotografada por Joseph August, é a própria Beleza em pleno êxtase.
Ao Rufar dos Tambores / Drums Along the Mohawk constitui uma cativante reconstituição da vida dos pioneiros da grande floresta, durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Esplendidamente fotografado por Bert Glennon e Ray Rennahan, é o primeiro filme em Technicolor de Ford e ele se esmerou, criando belas imagens especialmente na longa e silenciosa corrida de Henry Fonda para buscar auxílio, perseguido por três índios. Claudette Colbert faz o papel da esposa de Fonda, que foi com ele se instalar no território indígena. Edna May Olivier é a viúva de temperamento forte que acolhe o casal Fonda-Colbert, quando a fazenda deles é destruída pelos nativos. Edna concorreu ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.
E As Chuvas Chegaram / The Rains Came de Clarence Brown é uma luxuosa produção de Darryl F. Zanuck, baseada no romance de Louis Bromfield, com orçamento de dois milhões e 500 mil dólares, tendo como trunfos a fotogenia da exótica paisagem indiana e um terremoto e uma inundação espetaculares, elaborados por Fred Sersen e E.H.Hansen , os primeiros a serem premiados com o Oscar na categoria de efeitos especiais. Tyrone Power é o médico indiano, que se dedica aos necessitados em Ranchipur e se relaciona com uma inglesa aristocrática (Myrna Loy), quando ocorre a catástrofe.
Em Heróis Esquecidos / The Roaring Twenties, três companheiros de exército, Eddie Bartlett (James Cagney), George Hally (Humphrey Bogart) e Lloyd Hart (Jeffrey Lynn) veem suas vidas se entrelaçando dramaticamente após o fim da Primeira Guerra Mundial. Lloyd, torna-se advogado e posteriormente promotor de justiça; George, traficante de bebidas alcoólicas e gângster implacável; Eddie, chofer de taxi e depois contrabandista de bebidas rival de George. Arruinado pela depressão, Eddie mata George, que quer abater Lloyd, porque ele persegue os traficantes. Ferido, George morre nos braços de Panama (Gladys George), sua parceira e confidente, nos degraus cobertos de neve de uma igreja. Panama ampara-o no braços no momento de sua morte no momento de sua morte e diz a icônica frase final ao policial que pergunta quem era ele: “He used to be a big shot”. Raoul Walsh reconstitui em estilo semi-documentário e com rara felicidade, dez anos da vida norte-americana, notadamente a Era da Lei Seca. Priscilla Lane interpreta uma cantora de boate por quem Eddie se apaixona, mas acaba nos braços de Lloyd.
Ninotchka / Ninotchka é uma comédia romântico-satírica dirigida por Ernst Lubitsch, com roteiro de Billy Wilder, Charles Brackett e Walter Reisch. O alvo da impiedosa troça é o bolchevismo, através do contraste entre os valores russos e franceses, manifestados por deliciosos diálogos. A fim de obter fundos para a compra de máquinas agrícolas, o governo soviético envia três grotescos funcionários – Iranoff (Sig Ruman), Buljanoff (Felix Bressart) e Kopalski (Alexander Granach) – a Paris, com o objetivo de vender certas jóias que pertenciam à Grã-Duquesa Swana (Ina Claire), ali exilada. Eles encontram Leon (Melvyn Douglas), amante de Swana, que, para impedir a transação, encarrega-se de “amolecê-los”, introduzindo-os nas luxúrias parisienses. As autoridades russas então, mandam a rígida e ascética comissária Ninotchka Yakushova (Greta Garbo) fiscalizar as atividades do trio; mas esta também sucumbe aos encantos da Cidade-Luz e, apaixonada por Leon, converte-se ao modo de vida ocidental. No papel da austera burocrata, Greta Garbo revela senso de humor, apenas vislumbrado em um ou outro momento de seus filmes e recebeu indicação para o Oscar.
Estreando como produtor, Arthur Freed escolheu a história infantil de L.Frank Baum para servir como base de O Mágico de Oz / The Wizard of Oz, porém Louis B. Mayer, preocupado com as aptidões do novato, nomeou Mervyn LeRoy produtor-executivo para assessorá-lo. Depois de cogitadas Shirley Temple e Deanna Durbin, o papel de Dorothy, a camponesinha do Kansas que chegava a uma terra além do arco-íris, cheia de personagens pitorescos, foi entregue a Judy Garland. O primeiro elenco proposto incluia: Buddy Ebsen como o espantalho e Edna May Oliver como a bruxa. Depois, puseram Ray Bolger como o espantalho, Ebsen como o homem de lata, Frank Morgan como o mágico de Oz (depois que W.C. Fields recusou a oferta de150 mil dólares da Metro, para interpretá-lo) e introduziram o novo personagem leão medroso, entregue a Bert Lahr. O filme começou a ser rodado por Richard Thorpe. LeRoy não gostou de seu trabalho e convocou George Cukor. Este escalou Jack Haley no lugar de Ebsen, mas só ficou dois dias no set, sucedendo-lhe Victor Fleming. Ocorreram então novas mudanças no cast, passando a bruxa a ser Gale Sondergaad e, finalmente, Margaret Hamilton. Fleming deu o indispensável toque de fantasia ao conto de fadas, e E. Y. Harburg e Harold Arlen compuseram as músicas, sobressaindo “Over the Rainbow”, premiada com o Oscar, tal como a adaptação musical de Herbert Stothart . Ainda a ressaltar, os arranjos de Roger Edens, a maquilagem de Jack Dwan, os efeitos especiais de Arnold Gillespie e a foto em Technicolor de Harold Rosson. Quando Fleming foi chamado para assumir a direção de …E O Vento Levou / Gone With The Wind, King Vidor dirigiu algumas cenas, entre elas a de Judy cantando “Over the Rainbow” e outras no Kansas, filmadas em sépia por Allen Darby. O filme foi indicado para o troféu da Academia, e Judy recebeu um especial, por sua grande interpretação como atriz juvenil.
O script de Casey Robinson para Vitória Amarga / Dark Victory conta uma história cuja pungência é acentuada pela direção sensível de Edmund Goulding e pela música romântica de Max Steiner. Bette Davis faz muita gente chorar como a jovem da sociedade, condenada por um tumor no cérebro, que se apaixona pelo médico, interpretado por George Brent. A cena final da morte da protagonista, com ela deitada e seu rosto em close até sair de foco é sublime e antológica.
Foi novamente um roteiro de Casey Robinson , aqui baseado no romance de Edith Wharton, que serviu para Edmund Goulding dirigir Bette em outro drama notável, Eu Soube Amar / The Old Maid, e o diretor mostrou mais uma vez como sabia lidar com o gênero e com atrizes. Bette é Charlotte Lovell, a jovem que tem uma filha ilegítima e a entrega para ser criada por uma prima, Delia Lovell, vivida por Miriam Hopkins. Esta, apesar de ter se casado com outro, ainda amava o ex-noivo (George Brent) pai da criança, surgindo daí os vários conflitos. Absorvente do início ao fim, o filme, além das primorosas atuações das duas atrizes, tem ainda uma bela partitura de Max Steiner e a apurada fotografia de Tony Gaudio.
A Mulher Faz o Homem / Mr. Smith Goes to Washington de Frank Capra é uma fantasia política, ao mesmo tempo corrosiva e comovente, baseada em história de Lewis R. Foster, na qual James Stewart, como o senador idealista, expressou admiravelmente as virtudes do bom moço americano, atingindo excepcional eloquência nas cenas finais, quando discursa por horas a fio. Pelo seu trabalho recebeu a primeira indicação para o Oscar. O filme também concorreu ao prêmio da Academia assim como Capra, o roteirista Sidney Buchman, o compositor Dimitri Tiomkin, Claude Rains (como o senador corrupto) e Harry Carey (como o Presidente do Senado). Jean Arthur é a perspicaz secretária Clarissa Saunders, que começa manipulando o protagonista ingênuo, mas acaba se apaixonado por seus ideais puros.
Os roteiristas Ben Hecht e Charles MacArthur simplificaram o romance gótico, trágico e sombrio de Emily Bronte, e William Wyler tratou-o com sólido profissionalismo em O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights. É a história de um amor condenado. Os Earnshaws são fazendeiros de Yorshire, na Inglaterra, no princípio do século XIX. Certo dia, Mr. Earnshaw (Cecil Kellaway) volta de uma viagem à cidade, trazendo um menino maltrapilho chamado Heathcliff. Este se torna companheiro inseparável de Catherine (Merle Oberlon), filha de Mr. Earnshaw. Até que Cathy conhece Edgar Linton (David Niven), filho de um rico vizinho. Quando Cathy diz a Heathcliff que vai se casar com Edgar, “um verdadeiro gentleman”, o amigo menosprezado viaja para a América. Heathcliff que, por sua vez, voltou rico, para se vingar, casa com Isabella (Geraldine Fitzgerald), irmã de Edgar, mas o amor é mais forte. Cathy morre nos braços de Heathcliff. O filme teve boas bilheterias e recebeu várias indicações para o Oscar – Melhor Filme, Direção, Roteiro, Fotografia, Música (Alfred Newman), Ator (Laurence Olivier) e Atriz Coadjuvante (Geraldine Fitzgerald) – saindo vitorioso apenas o fotógrafo Gregg Toland. Neste clássico do romantismo vitoriano, a natureza interage com sobrenatural. Os elementos, a chuva a tempestade, a neve, participam desta loucura fantástica. A voz de fantasma de Cathy se mistura com o vento para chamar Heathcliff.
Drama histórico, sóbrio e majestoso, dirigido por William Dieterle, com a colaboração de John Huston no roteiro, Juarez / Juarez dá igual importância às figuras do líder revolucionário mexicano e do Imperador Maximiliano. Brian Aherne quase consegue ofuscar Paul Muni (o intérprete de Juarez), personificando com muita propriedade o trágico Príncipe austríaco que Napoleão III colocou no trono do México, obtendo indicação para o Oscar. O cenógrafo Anton Grot e o fotógrafo Tony Gaudio também contribuem notávelmente para o espetáculo , o último dando um show de iluminação em muitas cenas, entre elas, aquela quando a louca Carlota, vivida por Bette Davis, sente que está próxima a execução do marido. Claude Rains é o Imperador Napoleão III e John Garfield o general mexicano Diaz.
Meia-Noite / Midnight, comédia sofisticada com roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett, é um dos melhores filmes de Mitchell Leisen. Claudette Colbert vive a cantora de boate americana, sem dinheiro, em Paris, contratada por um aristocrata ciumento (John Barrymore) para se fazer passar por condessa húngara e seduzir o gigolô (Francis Lederer) que está namorando a mulher dele (Mary Astor). O plano é complicado pela intervenção de um motorista de táxi (Don Ameche) apaixonado pela americana. O elenco desincumbe-se soberbamente de suas funções, com destaque para Claudette e Barrymore, este, muito divertido nas expressões fisionômicas e frases maliciosas.
Escrito por Dudley Nichols a partir do romance de Ernest Haycox, por sua vez inspirado em Boule de Suif, de Maupassant, No Tempo das Diligências / Stagecoach, western de estrutura clássica, conduzido no estilo direto e objetivo de John Ford, deu novo ímpeto e dignidade artística ao gênero. Na diligência que atravessa as planícies do Novo México, sempre ameaçadas pelos índios, reúne-se uma galeria de personagens tradicionais do faroeste, que vivem juntos a aventura coletiva, cada qual reagindo de acordo com sua educação e preconceitos. São nove personagens: um fora-da-lei preso chamado Ringo Kid (John Wayne) procurando vingança pelo assassinato de seu pai e seu irmão; o delegado que o acompanha (George Bancroft); Dallas (Claire Trevor), dançarina de má reputação, menosprezada pelos outros passageiros; um tímido vendedor de bebidas (Donald Meek); um jogador trapaceiro (John Carradine); um banqueiro desonesto (Berton Churchill); uma mulher grávida (Louise Platt); o cocheiro Buck (Andy Devine); e o médico alcoólatra, obrigado a fazer um parto durante a viagem (Thomas Mitchell). No exterior, a beleza do Monument Valley, esplendidamente fotografado por Bert Glenon e a formidável sequência de ação com lances arrojados do stuntman Yakima Canutt e a câmera acompanhando a diligência a toda velocidade. Thomas Mitchell conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e o score composto por temas folclóricos americanos também foi premiado.
Western dirigido por Henry King e com roteiro de Nunnally Jonhson, glorificando e glamourizando o famoso bandoleiro americano, fotografado em grande parte ao redor de Pineville, Missouri, num lírico Technicolor, por George Barnes, com a assistência de W.Howard Greene, Jesse James / Jesse James foi um sucesso de bilheteria. Tyrone Power é Jesse James; Henry Fonda seu irmão Frank; John Carradine, o traidor Bob Ford que, motivado pela recompensa oferecida pelo governo, mata Jesse pelas costas enquanto ele está endireitando um quadro na parede; Brian Donlevy, Barshee, o agente da ferrovia que expropria violentamente as terras dos agricultores; Randolph Scott, o delegado Will Wright; e Nancy Kelly, Zerelda, a namorada de Jesse. O êxito de bilheteria ensejou uma continuação, A Volta de Frank James / The Return of Frank James / 1940, sob direção de Fritz Lang.
A Mocidade de Lincoln / Young Mr. Lincoln é o mais clássico filme de John Ford, retratando com sobriedade a juventude de Abraham Lincoln e o início de sua carreira de advogado. Henry Fonda interpreta o personagem histórico, compondo muito bem o tipo do homem do povo, rude e fleugmático mas também delicado e brincalhão. Jovem advogado do interior, ele ganha um de seus primeiros casos impedindo o linchamento de dois irmãos acusados de assassinato, demonstrando sua inocência, sem hesitar em recorrer à astúcia. A cena mais famosa do filme é aquela em que Lincoln doma sozinho a turba enfurecida em frente à prisão, evitando o assassinato dos dois jovens inocentes. O grande cineasta russo, Serguei Eisenstein, declarou que era o filme americano do qual gostaria de ter sido o autor.
A história da construção da Union Pacific é descrita por Cecil B.DeMille em Aliança de Aço / Union Pacific, com a mania de grandeza do diretor, sem faltar um colossal descarrilamento de trem no desfecho. Durante as filmagens, DeMille caiu doente, e Arthur Rosson e James Hogan rodaram algumas cenas. Os dirigentes da ferrovia colocaram à disposição seus arquivos, antigos trens e esquipe de maquinistas, para que o diretor pudesse dar um ar de autenticidade ao melodrama. Rosson encarregou-se também da segunda unidade, realizando exteriores em Iron Springs, Utah. Joel Mc Crea é o herói e Brian Donlevy o vilão. Barbara Stanwyck (com sotaque irlandês) é a mocinha e Robert Preston, um encrenqueiro simpático (Robert Preston). Outro momento marcante é o ataque dos índios e o subsequente resgate da cavalaria através de vagões-plataforma.
O produtor David O. Selznick viu Ingrid Bergman aos 21 anos de idade no filme sueco Intermezzo / 1936, de Gustaf Molander, e contratou-a para a refilmagem americana, Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, dando a Hollywood uma nova e radiante estrela. Encantado, não só pela atriz, como também pela história romântica da jovem concertista que tem um caso de amor com o violinista casado (Leslie Howard), Selznick mandou Gregory Ratoff simplesmente copiar o filme original e pediu a Gregg Toland que procurasse captar “a mistura de beleza excitante e pureza virginal” da formosa nórdica, dispensando William Wyler e Harry Stradling, diretor e fotógrafo que haviam iniciado as filmagens. O resultado em termos de público, superou todas as suas previsões. O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria e conquistou uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Música Adaptada (Lou Forbes), pois a música original é do compositor austríaco Heinz Provost.
Comédia dramática sobre um romance a bordo de um transatlântico cuja continuação em terra é interrompida por circunstâncias imprevistas, Duas Vidas / Love Affair comoveu o público e a crítica sobretudo pelas sinceras performances de Charles Boyer e Irene Dunne. A produção recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Irene Dunne), Melhor Atriz Coadjuvante (Maria Ouspenskya), Melhor História Original (Mildred Cram e Leo McCarey), Canção Original (“Wishing” de Buddy De Silva), Direção de Arte (Van Nest Polglase e Al Herman), e Melhor Filme.
Numa adaptação digna do famoso romance de John Steinbeck, Carícia Fatal / Of Mice and Man, o empregado de uma fazenda, Lennie (Lon Chaney Jr.), grandalhão débil mental com uma fôrça hercúlea, mata acidentalmente a esposa de seu patrão. Para evitar o linchamento de seu amigo, George (Burgess Meredith) o executa. Graças à noção de câmera e de montagem do diretor Lewis Milestone, o drama passa intato para a tela, sem qualquer resíduo de teatralidade, mesmo quando as cenas são mais dialogadas. A foto de Norbert Brodine e a música de Aaron Copland ajudam muito a criar a atmosfera. A melhor cena é certamente a do final quando, em vez de deixar o amigo ser torturado pelos capatazes, George pede para Lennie olhar para o outro lado do rio e imaginar a tão sonhada fazenda que eles iriam comprar, onde Lennie cuidaria dos coelhos. Enquanto narra esse sonho pela última vez, George, com as mãos tremendo, atira na nuca de Lennie para lhe dar uma morte pacífica e indolor.
Baseado no romance de James Hilton, Não Estamos Sós / We Are Not Alone acompanha o Dr. David Newcome (Paul Muni), um médico bondoso do interior que, na Inglaterra, durante a Primeira Guerra Mundial, conhece Leni (Jane Bryan), uma artista austríaca, quando ela se machuca no teatro. Ele a encontra mais uma vez depois que ela tentou o suicídio e a contrata para ser governanta de seu filho. No decorrer da história, devido ao ciúme de Jessica (Flora Robson), esposa de David e ao clima de desconfiança na época da guerra, o médico e a jovem são acusados erroneamente de serem amantes. Acusados de terem matado Jessica e condenados à forca, o casal caminha para a morte, sabendo que não estão sozinhos, mas acompanhados pela multidão de jovens soldados sacrificando suas vidas no altar da guerra. O diretor Edmund Goulding reproduz satisfatoriamente o ambiente britânico do romance e todos os três artistas citados têm brilhantes atuações. Muni considerava este o seu melhor papel e, de fato, dá gosto de ver ele atuar.
O ano de 1939 é finalizado com a estreia do filme mais famoso de todos os tempos: … E O Vento Levou / Gone With the Wind. Em 1936 , o produtor David O. Selznick adquiriu os direitos do romance de Margaret Mitchell. Os primeiros nomes sugeridos para o principal papel masculino foram os de Gary Cooper, Errol Flynn e Ronald Colman. Mas o preferido do público era mesmo Clark Gable, que acabou sendo o escolhido. Leslie Howard era o mais cotado para encarnar Ashley Wilkes, mas também tinham sido cogitados Ray Milland, Melvyn Douglas e Lew Ayres. Olivia De Havilland não demorou a ganhar o papel de Melanie, apesar de tê-lo disputado com sua irmã, Joan Fontaine, e ainda Maureen O’Sullivan, Janet Gaynor e outras. As candidatas finalistas para o papel de Scarlet O’Hara foram Paulette Godard, Jean Arthur e Joan Bennett.
Depois da formidável busca para encontrar a intérprete ideal de Scarlet O’Hara, papel finalmente entregue à promissora atriz inglesa, Vivien Leigh, orientadas por George Cukor, as filmagens propriamente ditas iniciaram-se a 26 de janeiro de 1939. Entretanto, o cineasta só dirigiu cerca de 4% do filme. Cukor principiou também a sequência do baile de Atlanta e, nessa ocasião, afastou-se da equipe. Visando agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes disponíveis. King Vidor, Robert Z. Leonard, Jack Conway e Victor Fleming. Sem vacilar, o galã optou por Fleming. Este dirigiu aproximadamente 45% do filme . Em meados de abril, esgotado pelos aborrecimentos seguidos com Vivien Leigh (que, a exemplo de Olivia de Havilland, ia ensaiar em sigilo, na casa de Cukor), e insatisfeito com as reclamações de Selznick, Fleming sofreu um colapso nervoso. Concluindo que o diretor não reunia condições de prosseguir, o produtor convocou Sam Wood e, a 1º de maio, este iniciava seus 15% de participação no filme. Quando Fleming recuperou-se e voltou, Selznick conservou Wood, e os astros passaram a ser mobilizados por cada um separadamente, em horas e sets diferentes. Na segunda unidade, funcionaram James Fitzpatrick (conhecido produtor de shorts da Metro), B. Reeves Eason, Chester Franklin e Wiliam Cameron Menzies. O mérito maior de Menzies foi ter planificado inteiramente o filme, elaborando cada uma de suas 700 cenas em detalhados desenhos, que incluíam desde a concepção cenográfica até a seleção de ângulos e movimentos de câmera. Eloquente exemplo do pioneirismo de Menzies neste campo é a sequência em que Scarlett caminha entre os corpos de sobreviventes da batalha de Gettysburg. A câmera acompanha a personagem num impressionante travelling aéreo, conseguido graças à utilização de um guindaste de 43 metros de altura, que rolava por uma rampa de cimento armado. Cerca de mil extras misturados com outros tantos bonecos de cera, contribuíam para a magnificência da tomada. O restante , são efeitos especiais e transparência desenvolvidos por Jack Cosgrove, Lee Zavits e equipe. Muito da suntuosidade de diversas passagens do filme resultou dos truques de laboratório. Em 1º de julho de1939, terminaram as rodagens, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. A montagem final redundou em quatro horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de três horas e 42 minutos. O filme recebeu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção, Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniell), Roteiro Adaptado (Sidney Howard), Fotografia em cores (Ernest Haller, Ray Rennahan), Direção de Arte (Lyle Wheeler), Montagem (Hal C. Kern, James E. Newcom), e um prêmio especial ao desenhista de produção, William Cameron Menzies além do Irving Thalberg Memorial Award conferido a Selznick, tendo sido esquecido injustamente o compositor Max Steiner.
Lançado em pré-estreia a 12 de setembro de 1940 no Cinema Metro Passeio do Rio de Janeiro, o filme depois foi exibido em 3 sessões diárias ao meio-dia, 16 e 20 horas. Na pré-estreia, diretamente de Hollywood, numa transmissão especial do Departamento de Imprensa e Propaganda, servindo de locutor Luiz Jatobá, os principais intérpretes do filme, Clark Gable e Vivien Leigh fizeram uma saudação à Sra. Darcy Vargas, recordando detalhes da filmagem. No único intervalo da sessão, o príncipe D. João de Orleans de Bragança, com a cooperação das senhoras Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e do sr. Carlos de Laet, fizeram o leilão de três exemplares em inglês da obra de Margaret Mitchell “Gone With The Wind”, autografado pelos artistas principais que aprecem no filme. A renda total deste espetáculo reverteu em benefício da Cidade das Meninas, projeto de um complexo educacional e residencial para meninas carentes idealizado pela primeira-dama do Brasil.
Em maio de 1942, a Rádio Mayrink Veiga levou ao ar, no Programa Romance do Mês, uma radiofonização de…E O Vento Levou feita por Carlos Medina. Em 1956, a TV Tupi de São Paulo transmitiu ao vivo no teleteatro TV de Vanguarda, uma versão do mesmo filme com direção de Dionísio de Azevedo e Luiz Gallon e texto de D. Azevedo. No elenco: Maria Fernanda (Scarlett O’Hara), Lima Duarte (Rhett Butler), Lia de Aguiar (Melanie), Fábio Cardoso (Ashley), Jaime Barcelos (Gerald O’Hara, pai de Scarlett, papel que coube a Thomas Mitchell no filme).
Atores e Atrizes de maior bilheteria das Publicações Quigley: Mickey Rooney e Shirley Temple.
